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CORTE LIMPO



Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte V

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GIL VICENTE FC

O clube de Barcelos respirou de alívio ao conseguir a permanência a um jogo do fim. Foi uma temporada de sobressaltos, que incluiu, descontando um jogo de Taça que foi a grandes penalidades, uma série sem vencer entre o início de Novembro e o início de Março.

O arranque do Gil Vicente foi auspicioso, vencendo a Académica (2-0), levando o Benfica ao desespero na Luz – o Gil perdeu por 2-1 com o Benfica a marcar só na compensação – e derrotando a seguir o Braga (1-0), com o golo a aparecer quando os gilistas já jogavam com nove unidades.

A fase negra chegaria, curiosamente, após uma série de três vitórias. Tanto tempo sem vencer leva a questionar como terá conseguido aguentar-se o treinador João de Deus, dada a impaciência dos dirigentes portugueses quando as séries negativas parecem não terminar.

O guarda-redes Adriano realizou uma temporada de qualidade, assim como Luís Martins, César Peixoto e Diogo Viana.

O médio brasileiro Luan, que marcou ao Braga, não foi a mais-valia que se esperava, bem como os ex-portistas Bruno Moraes e Cláudio Pitbull.

 

 

CF OS BELENENSES

Se o Gil Vicente respirou de alívio, o Belenenses terá soltado um longo suspiro quando Carlos Xistra apitou para o final do último jogo.

Só aos 87 minutos dessa recepção ao Arouca é que os azuis viram a luz aparecer no fundo do túnel, através de um golo de Deyverson. Antes disso, foi sofrer a bom sofrer, não só nesse jogo em particular, mas em todo o campeonato.

Pese embora tenha roubado pontos a Benfica e FC Porto, o Belenenses parecia ter tudo contra si. Logo na primeira jornada perdeu no Restelo com o Rio Ave (0-3), só à 5.ª jornada conseguiu vencer, e viu o treinador Mitchell van der Gaag desfalecer no banco e ser forçado a abandonar.

O seu adjunto Marco Paulo ficou então com as rédeas da equipa, mas não deu conta do recado e cederia o lugar a Lito Vidigal, que operou um verdadeiro milagre em salvar o clube da descida.

Para o confirmar bastará referir que o Belenenses foi a primeira equipa a conseguir a manutenção com apenas 19 golos marcados – o pior ataque da Liga. Por pouco que ser a quinta melhor defesa (33 golos) não valeria de nada. O Belenenses esteve mesmo sete jogos consecutivos sem marcar, entre as jornadas 10 e 16.

Eliminado da Taça em casa, nas grandes penalidades contra a Académica, o Belenenses teve o seu pior momento da época na Taça da Liga, ao perder em Braga por 5-0.

 

 

FC PAÇOS DE FERREIRA

O Paços foi do céu ao inferno. Não serei o primeiro a escrever estas palavras, mas não há outro prisma por onde ver a carreira pacense, depois de começar a época a jogar o play-off da Liga dos Campeões e terminar jogando o inédito play-off manutenção/descida.

As derrotas com o Zenit (1-4 em casa e 4-2 fora), naturais tendo em conta a diferença entre as equipas, não caíram bem na massa associativa pacense, que não mais deu descanso ao técnico Costinha.

O antigo médio apenas saboreou uma vitória, num jogo louco em casa do Marítimo (3-4), em que os castores estiveram três vezes a perder, cedendo o lugar a Henrique Calisto à oitava ronda.

Substituir um treinador novato por um mais experiente de pouco adiantou. Os alarmes da despromoção continuaram a tocar, a primeira volta fechou com parcos nove pontos – até o Olhanense tinha mais por esta altura – e a inversão da tendência teimava em não chegar.

Com Jorge Costa a orientar a equipa nos últimos dez jogos, foi graças à vantagem no confronto directo que o Paços jogou o play-off contra o Aves, onde finalmente selaria a permanência entre os grandes.

O Aves não conseguiu repetir a gracinha do jogo dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, quando venceu na Mata Real com dois golos de Jaime Poulson, atleta emprestado justamente pelo Paços de Ferreira.

Apesar das contrariedades, Bebé assumiu-se como o homem em foco nos pacenses, que bem podem agradecer os seus inúmeros golos.

 

 

SC OLHANENSE

Cinco anos depois, o Olhanense regressa à Liga 2, ao cabo de uma época cheia de problemas, a começar pelos financeiros, que impediram que o plantel fosse mais que uma manta de retalhos cosida à pressa.

Demasiadas nacionalidades resultaram numa equipa à deriva, dependente de rasgos individuais, quase sempre do italiano Dionisi. Além dos transalpinos (ainda havia Sampirisi e Bigazzi), o plantel continha jogadores de Eslovénia (Belec), França (Coubronne), Albânia (Mehmeti), Croácia (Serić), Nigéria (Balogun) e Dinamarca (Krøldrup).

Ter um treinador em estreia também não ajudou a causa dos algarvios. Abel Xavier, com uma postura desafiante, de punho cerrado e discurso emocionado, duraria apenas oito jornadas, em que somou outros tantos pontos.

Paulo Alves tomou então conta da equipa mas resistiu ainda menos jornadas, dando lugar a Giuseppe Galderisi, italiano de figura semelhante a Jorge Jesus. Apesar do seu vigor no banco, os resultados positivos não apareceram e o rumo dos acontecimentos não se inverteu, mesmo que uma vitória sobre o FC Porto na penúltima ronda tenha feito sonhar.

Uma semana mais tarde, a realidade: o Olhanense era despromovido. Da última vez que abandonou o escalão maior, demorou 34 anos a regressar. Tendo em conta as suas dificuldades financeiras, quantos demorará agora?

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por Miran Pavlin às 09:27

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte IV

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SC BRAGA

A época do Braga, com as devidas distâncias em termos de expectativa classificativa e de impacto mediático, parece tirada a papel químico da do FC Porto.

Terminou muito longe – a 24 pontos – do ambicionado pódio, foi eliminado nas meias-finais das duas Taças domésticas perante o mesmo adversário, a presença europeia foi um desastre, e o chicote estalou à 20.ª jornada – no FC Porto aconteceu na 21.ª.

Jesualdo Ferreira foi o técnico escolhido, graças aos créditos dos dois quartos lugares obtidos há dez anos, mas o primeiro revés surgiu logo em Agosto, com a eliminação da Liga Europa às mãos do desconhecido Pandurii, depois de vencer a primeira mão na Roménia.

O arranque de campeonato com 12 pontos em 15 possíveis prometeu, mas cinco derrotas entre as rondas 6 e 10 colocaram tudo em causa. Correndo atrás do prejuízo, tudo se complicou no início da segunda volta, ao não conseguir bater os aflitos Paços de Ferreira (1-1 na Pedreira) e Belenenses (2-1 no Restelo), e seria um sofrido empate caseiro com o Arouca (2-2) a custar o lugar a Jesualdo.

O escolhido para terminar a temporada foi o desconhecido Jorge Paixão, que apesar da energia no banco, não conseguiu passá-la à equipa, que teve vários elementos abaixo do rendimento esperado – Alan, Rúben Micael, Éder – e Eduardo debaixo de fogo pela insegurança na baliza. Salvou-se o jovem Rafa, de 20 anos, que foi a revelação dos arsenalistas.

O grande carrasco do Braga 2013/14 foi o Rio Ave, que lhe roubou cinco pontos no campeonato e o afastou da Taça da Liga – com arbitragem polémica – e da Taça de Portugal.

O 9.º lugar final é a pior classificação do Braga desde o 14.º posto em 2002/03.

 

 

VITÓRIA SC

A temporada do Vitória minhoto foi muito semelhante à anterior. A braços com problemas financeiros, não houve hipótese de reforçar a equipa, pelo que a juventude e a gente da casa foram mais uma vez a aposta.

Faltou uma presença mais prolongada nas taças nacionais para contrabalançar a carreira modesta no campeonato. Em semanas consecutivas, FC Porto e Leixões empurraram os conquistadores para fora da Taça de Portugal e da Taça da Liga, respectivamente.

Ainda se estava em Novembro, e ao Vitória restava apenas concluir a passagem pela fase de grupos da Liga Europa, onde foi digno, batendo o Rijeka (4-0) e empatando em Lyon (1-1), mas não conseguiu seguir em frente.

Os golos de Tomané e Marco Matias deram cor ao futebol vitoriano, com Maazou, a espaços, a emprestar a sua velocidade, numa equipa que teve em Douglas um guarda-redes sólido, e onde Crivellaro também se fez notar. O defesa Paulo Oliveira deixa o clube a caminho do Sporting.

 

 

RIO AVE FC

Os vilacondenses foram a sensação da temporada… mas apenas nas duas taças, já que no campeonato pagaram bem caro a inépcia caseira.

O Rio Ave apenas registou dois triunfos nos Arcos, contra Setúbal (2-0) e Belenenses (1-0), a juntar a cinco empates. Ninguém, nem mesmo o lanterna vermelha Olhanense, fez sequer semelhante.

Faltou, assim, complemento às seis vitórias fora para algo melhor que o 11.º lugar final. Apenas Benfica, Sporting e Estoril venceram mais partidas a jogar fora que os homens de Vila do Conde.

O Rio Ave fez então das provas a eliminar a sua coutada. Na Taça de Portugal ultrapassou Esperança de Lagos, Sertanense, Setúbal, Académica e Braga; na Taça da Liga desenvencilhou-se de Paços de Ferreira, Setúbal e Covilhã na fase de grupos, e novamente do Braga na meia-final. Em ambos os jogos decisivos o Benfica revelou-se um obstáculo intransponível, impedindo o Rio Ave de coroar o seu trajecto com uma conquista inédita.

De qualquer forma, em Agosto o clube estreia-se na Supertaça Cândido de Oliveira, já depois de se ter estreado nas provas da UEFA, disputando as pré-eliminatórias da Liga Europa.

 

 

FC AROUCA

Em ano de estreia no convívio dos grandes, o Arouca celebrou a permanência, mas vê-se agora na encruzilhada do segundo ano.

Será a afirmação ou d queda? Só o futuro esclarecerá qual o exemplo que o clube vai seguir. Se o do Penafiel de 2004/05 e 2005/06, ou o da Naval, que debutou na divisão maior com uma série de seis temporadas.

A estreia dos arouquenses foi dura – derrota por 5-1 em Alvalade – mas a carreira na Liga não foi um pesadelo. Apesar de ter ocupado sempre a metade baixa da tabela, o Arouca bateu-se com galhardia, conseguindo a sua primeira vitória logo à terceira jornada, diante do Rio Ave.

Com nomes como David Simão, Bruno Amaro, Pintassilgo, Lassad Nouioui ou Roberto em destaque, o Arouca fez furor ao empatar na Luz, em Braga e no Estoril, e ao vencer em Guimarães na 28.ª jornada, ficando a um passo da manutenção, que conseguiria na semana seguinte.

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por Miran Pavlin às 09:25

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte III

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GD ESTORIL-PRAIA

Não se pode dizer que a edição 2013/14 da divisão maior tenha tido uma equipa-revelação. Teve antes uma confirmação, e foi exactamente o Estoril, que igualou a sua melhor classificação de sempre, obtida há 66 anos.

Mesmo perdendo jogadores importantes como Steven Vitória, Jefferson, Licá e Carlos Eduardo, o técnico Marco Silva teve o mérito de não deixar a equipa seguir a indesejada tradição de tantos emblemas de menor dimensão que caem a pique depois de uma época de sonho.

Marco Silva teve tanto mérito como os jogadores que o conseguiram, pois o Estoril fez ainda melhor que na época passada. Com um impressionante pecúlio de quinze vitórias – metade dos jogos disputados, incluindo Dragão, Alvalade, Guimarães e Barreiros – os canarinhos podem orgulhar-se de ter perdido menos jogos que o FC Porto.

Com nomes como Vagner, Tiago Gomes, Evandro, Bruno Lopes, Carlitos ou Balboa em destaque, o Estoril apresentou um futebol sem autocarros, antes com entreajuda, calma, matreirice, propósito, e com os sectores bem ligados entre si, conforme tive oportunidade de testemunhar na visita ao Dragão.

Esta época assinalou ainda a estreia estorilista nas provas europeias, onde deixou uma imagem mais humilde, mas ainda assim marcando golos em oito dos dez jogos efectuados na Liga Europa, e arrancando um empate em casa do Sevilha, que venceria a competição.

Na Taça atingiu os quartos-de-final, perdendo em casa do FC Porto (2-1), numa partida em que talvez lhe tenha faltado um pouco mais de ambição. Para a história fica também o póquer de Bruno Lopes na goleada sobre o Leixões (1-5) nos oitavos-de-final.

É uma boa altura para ser adepto do Estoril, mas o futuro torna-se agora uma incógnita. Marco Silva anunciou o adeus no final da temporada, e foi apresentado como próximo treinador do Sporting.

O Estoril tem mais uma participação europeia no horizonte, na esperança de que não bata à porta a tal tradição da queda a pique.

 

 

CD NACIONAL

Manuel Machado tem de ter uma receita mágica que só utiliza no nevoeiro da Choupana. É a terceira vez que o treinador minhoto qualifica os alvinegros para a Taça UEFA/Liga Europa.

A época foi discreta, mas regular o suficiente para garantir com antecedência o posto europeu. Invicto diante de FC Porto e Sporting, o Nacional provou ser uma equipa sólida, mas é melhor não olhar para a Taça de Portugal, onde caiu à primeira tentativa, aos pés do Santa Maria (1-0), que milita no CNS.

Com Candeias a organizar jogo, e Diego Barcellos e Mário Rondón a converter oportunidades, o Nacional apontou 43 golos, a melhor marca a seguir aos três grandes, no ano em que conseguiu a sua maior vitória de sempre fora de portas (0-5 em Paços de Ferreira). Foi mesmo o triunfo mais gordo de todo o campeonato.

O guarda-redes Gottardi, e ainda Marçal e Claudemir cotaram-se como os pilares da defesa insular.

 

 

CS MARÍTIMO

O outro emblema madeirense realizou uma época de trás para a frente. Começou a meio gás, passou por uma série de cinco derrotas entre as jornadas 5 e 9, e terminou a primeira volta com 17 pontos.

Somou 24 durante a segunda metade do campeonato, e acabou por chegar ao sexto posto final, apesar de ter perdido o avançado Heldon para o Sporting.

O treinador Pedro Martins despede-se ao fim de quatro temporadas ao leme verde-rubro, que incluíram uma aceitável participação na Liga Europa em 2012/13.

 

 

VITÓRIA FC

O Vitória sadino conseguiu a sua melhor classificação em sete anos, ao terminar no sétimo posto. E se Manuel Machado tem a chave para o sucesso no Nacional, só José Couceiro sabe como fazer as coisas acontecer em Setúbal.

O treinador substituiu José Mota à passagem da jornada 8, quando o clube tinha míseros seis pontos, e logo fez do Setúbal um dos quatro clubes que conseguiram vencer na Amoreira. Foi a primeira de três vitórias em quatro jogos.

Seguiram-se quatro derrotas na viragem do campeonato, mas logo a equipa se reencontrou, somando 23 pontos e marcando 24 golos nos últimos 14 jogos.

Uma das revelações, Rúben Vezo, mudou-se em Janeiro para Valência, abrindo espaço a Rafael Martins e Ricardo Horta, que foram os jogadores em foco na formação sadina.

De saída está o próprio Couceiro, a caminho do Estoril. Será o regresso do Vitória de Setúbal à metade baixa da tabela?

 

 

A. ACADÉMICA DE COIMBRA

Os estudantes, por sua vez, obtiveram a melhor classificação em cinco anos, sob a liderança do efervescente Sérgio Conceição.

O jovem técnico de 39 anos é o quarto antigo jogador do FC Porto a orientar a Académica no mesmo espaço de tempo, e à falta tanto de nomes sonantes como de um goleador, montou uma equipa combativa, bem segura nas luvas de Ricardo, e na resistência de homens como Fernando Alexandre, Marinho ou Salvador Agra.

Os 25 golos marcados são o pior registo dos academistas desde 1986/87, mas o Paços de Ferreira não acreditará nestas linhas, já que sofreu oito golos nas duas partidas com a Académica.

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por Miran Pavlin às 09:21

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte II

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SL BENFICA

A presente temporada foi em tudo semelhante a 2012/13. Só a última peça do puzzle foi diferente.

No ano transacto, quando parecia encaminhar-se para três títulos, o Benfica ficou de mãos a abanar; esta época somou três dos possíveis quatro. Pelo meio dos dedos escapou a Liga Europa, perdida nas grandes penalidades contra o surpreendente Sevilha, entre queixas de conluio para afastar o Benfica do troféu.

A nível interno nada fugiu aos encarnados. A trajectória na Liga foi irrepreensível, pontuada por escassas duas derrotas, no arranque e no término da prova, com a curiosidade de não ter conseguido vergar na Luz os recém-promovidos Belenenses e Arouca.

Tanto na Taça de Portugal como na Taça da Liga o Benfica esteve intratável, perdendo apenas um jogo, no Dragão, na primeira mão das meias-finais da prova rainha. Em ambas as finais defrontou o Rio Ave, a quem não permitiu veleidades, apesar de no encontro do Jamor ter sido notório que o cansaço dos jogadores era já muito, numa temporada que se aproximou dos 60 jogos.

Na euforia do Santo António antecipado que tomou conta da metade encarnada de Lisboa, um pormenor ficou esquecido: falta dimensão europeia total ao Benfica, por muito que as presenças consecutivas em finais indiquem o contrário. Na Liga dos Campeões o Benfica foi vulgarizado em Paris e travado pelo Olympiakos nos dois jogos, não indo além da fase de grupos, apesar dos dez pontos conquistados. Sem retirar qualquer mérito ao percurso do Benfica na Liga Europa, a derrota na final voltou a mostrar que falta esse estofo para dar o passo derradeiro.

Uma nota também para Jorge Jesus, que na hora da vitória, ao contrário da generalidade dos treinadores, em vez de enaltecer o trabalho dos jogadores, continua a chamar para si os louros.

Críticas à parte, o Benfica é um justo vencedor das três provas nacionais.

 

 

SPORTING CP

Depois do pior ano da sua história, o Sporting regressou ao primeiro plano do campeonato à base da prata da casa, com alguns trunfos à mistura – numa primeira fase Montero, e mais tarde Slimani.

A entrada de leão, com goleadas sobre Arouca (5-1) e Académica (0-4), tranquilizou o jovem conjunto leonino, que foi avançando firme pelo campeonato.

Os pontos cedidos em casa, nos empates com Rio Ave, Nacional e Académica revelaram-se cruciais, mas o facto de não ter roubado pontos suficientes aos outros grandes também contribuiu para o segundo posto final. As derrotas no Dragão e na Luz indicam que o Sporting ainda tem caminho a percorrer, e que 2013/14 seria mesmo o ano zero preconizado pela direcção do clube.

A postura agressiva do presidente Bruno de Carvalho rendeu diversas polémicas, nomeadamente o folhetim Taça da Liga, que atrasou em cerca de dois meses a realização de uma das meias-finais. Entre declarações e entrevistas mais ou menos controversas – o chamado movimento basta terá sido um exagero – e também com a ajuda dos resultados positivos em campo, a estratégia congregou os adeptos como há muito não acontecia em Alvalade.

A saída da Taça de Portugal foi também ela indigesta, em mais um jogo louco com o Benfica (4-3), decidido num golo caricato no prolongamento – os últimos três jogos de Taça entre águias e leões tiveram nada menos que 21 golos – mas libertou espaço para preparar a equipa para os encontros do campeonato.

A falta de jogos europeus foi uma faca de dois gumes. Por um lado evitou que a equipa se distraísse e desgastasse, mas por outro não permite o crescimento competitivo que só as partidas internacionais trazem.

A avaliar pelo que transparece deste final de época, a exigência aumentará para o ano. Já haverá a pressão de lutar pelo título, e o regresso dos jogos da UEFA obriga a que o plantel seja construído de acordo com as exigências. Já o técnico Leonardo Jardim o havia dito durante a época.

Jardim foi mesmo o primeiro treinador a não terminar a época queimado desde Paulo Bento. O resultado são os rumores de uma transferência para o agora milionário Mónaco. À data em que escrevo ainda não há certezas sobre este dossier, mas Marco Silva já é o senhor que se segue no banco de Alvalade.

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por Miran Pavlin às 09:17

Segunda-feira, 19.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte I - FC PORTO

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Há muito que o FC Porto não conhecia uma época tão má. Não valia a pena repeti-lo aqui, uma vez que não faltaram oportunidades para o escrever nas crónicas dos jogos, mas a referência é inevitável.

Traduzindo agora em números: o FC Porto não terminava no terceiro posto há quatro anos; não marcava tão poucos golos desde os 54 de 2005/06, que chegaram para ser campeão; sete derrotas era número que não se via desde as oito averbadas em 2001/02, e antes disso só em 1976/77; não ficava tão longe do primeiro classificado desde os 21 pontos de distância registados em 1972/73; terminar atrás de Benfica e Sporting só em 1981/82; derrota caseira não havia desde 2008/09; e a última época com menos de vinte vitórias foi 2004/05.

Annus horribilis, portanto. Avisos não faltaram. O empate no Estoril, à 5.ª jornada, foi tido como infeliz, mas a partir desse jogo as exibições portistas começaram a decair de qualidade.

Enquanto as partidas da Liga dos Campeões deixavam a nu as fragilidades da equipa, paradoxalmente o FC Porto chegava a Novembro líder com cinco pontos de vantagem, após bater o Sporting.

Seria esse mês a traçar a sentença de morte da equipa. Com dois pontos somados em nove possíveis para o campeonato e com a continuidade na Liga dos Campeões hipotecada, a contestação deu a mão a Paulo Fonseca e não mais a largou.

Internamente, o empate em Belém foi o primeiro sinal claro de que algo não estava a correr pelo melhor; seguiu-se nova igualdade, agora caseira com o Nacional, prenunciando a derrota de Coimbra, em qualquer dos casos com exibições insuficientes.

Estávamos a 30 de Novembro, e a derrota com os estudantes fechou a semana em que o FC Porto não conseguiu bater em casa o frágil Austria Viena. Se dependesse deste que vos escreve, Fonseca já nem se teria sentado no banco em Coimbra.

A visão de quem dirige foi diferente, e o técnico manteve-se aos comandos até tarde demais, quando o título já era uma miragem. Paulo Fonseca ainda foi a tempo de orientar o milagre de Frankfurt, mas o empate em Guimarães, a 2 de Março, depois de estar a vencer por 0-2, significou o fim da linha.

Resgatado à equipa B, que seguia no comando da divisão secundária, Luís Castro pouco mais pôde fazer que apanhar os cacos do prestígio do FC Porto. Com a dignidade possível, o novo treinador fez por recuperar o ânimo da equipa, e apesar de ainda ter desfrutado de uma noite de glória em Nápoles, cedo viu esfumar-se a hipótese de assegurar o segundo posto da liga.

Se na primeira volta o triunfo sobre o Sporting colocou o FC Porto com cinco pontos de avanço, a derrota em Alvalade deixou os dragões cinco pontos atrás dos verde-e-brancos, num terceiro lugar que seria irremediável.

Seguiram-se as eliminações nas duas taças nacionais, ambas frente ao Benfica, e o colapso em Sevilha. Ficaram-se os dedos e só um anel, o da Supertaça conquistada em Agosto.

Os muitos resultados adversos provocados por erros defensivos e hesitações esfrangalharam de tal maneira a autoconfiança do plantel, que os jogadores deixaram de ser capazes quer de se impor a adversários de menor dimensão, quer de fazer valer a superioridade numérica de que o FC Porto beneficiou em alguns jogos de maior visibilidade.

Por outro lado, o plantel revelou-se curto, logo sem alternativas competentes, coisa que não se previa em Agosto, pois os sectores pareciam bem preenchidos. Na prática, os laterais Danilo e Alex Sandro, demasiado inconstantes, não tinham concorrência; o mesmo se aplica a Varela; Licá começou bem mas terminou com o rótulo de flop; Quintero não foi o desequilibrador que se esperava; Fernando foi espremido ao máximo; apesar de um ou outro jogo interessante, Abdoulaye não é um substituto à altura do melhor Otamendi.

Carecem ainda de explicação as saídas de Fucile, Izmailov e Lucho González, que contribuíram para a tal falta de soluções. O reforço Quaresma, que lutou muitas vezes a solo contra a maré, não foi suficiente para a contrariar.

As notas positivas são apenas duas: Jackson Martínez, por ter conquistado a sua segunda Bola de Prata, com vinte golos – quantos mais teria marcado se não tivesse estado tão disperso em campo?; e a improvável presença nos quartos-de-final da Liga Europa, ao cabo de duas eliminatórias de loucos – varra-se a queda da Liga dos Campeões para debaixo do tapete, porque num ano regular o grupo era ultrapassável.

Para fechar, retenham-se as palavras de Paulo Fonseca, semanas depois de deixar o FC Porto, asseverando que “foi difícil lidar com os egos” no balneário portista. Será a confirmação tácita de que a saída lhe deveria ter sido mostrada muito antes do que efectivamente aconteceu? É certo que nada garante que o resto de temporada seria melhor ou pior, mas algo deveria ter sido feito em tempo.

Não foi. Para a história fica a frieza dos números, e o lugar mais baixo do pódio. Em outros momentos análogos o FC Porto reapareceu mais forte. A palavra a Julen Lopetegui.

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por Miran Pavlin às 11:22

Terça-feira, 13.05.14

Sporting 0 - Estoril 1 - O final que ninguém queria

O Sporting sofreu a sua primeira derrota em casa nesta época no último jogo do campeonato, num cenário de partir o coração. Estádio com uma excelente moldura humana, com famílias inteiras desejosas por passar uma tarde agradável com futebol, espectáculo e emoção... e depois pouco aconteceu. O Estoril confirmou ser uma das boas equipas do campeonato, mas a verdade é que jogou como qualquer outra equipa pequena em Alvalade, com o bloco baixo, jogando no erro do Sporting, chegando à vantagem no início do jogo e não voltou a rematar à baliza (zero defesas para Rui Patrício). Já muito foi dito sobre este jogo na blogosfera leonina, mas queria só frisar os pontos que ninguém percebeu: porque é que Jardim insistiu em jogadores que já estão com a cabeça noutro lado (William, Adrien, Carrillo - este último com a cabeça certamente em alguma discoteca ou praia do Peru...) e não premiou alguns jogadores menos utilizados dando-lhes a oportunidade de jogar perante aquele público espectacular. É que se tivesse sido este o caso, e o Sporting tivesse acabado por perder, tudo estaria desculpado. Mas assim, tudo correu mal...

 

A equipa mostrou MAIS UMA VEZ ter poucas soluções para este tipo de jogo, que afinal representa 90% do calendário do Sporting: furar o bloco baixo destas equipas exige criatividade e soluções diversas, que infelizmente não abundam. A entrada de Slimani resolve pouco se ninguém estiver na linha para cruzar, e Montero parece sempre muito perdido em campo quando joga mais recuado. A entrada do messias Shikabala animou as hostes, e por pouco não teve o efeito galvanizante que as entradas de Slimani tiveram há uns meses atrás, mas o Estoril soube congelar muito bem os últimos minutos. 

 

O campeonato acabou, o Sporting ficou em segundo e dadas as circunstâncias, é um resultado positivo. Já fiz a análise do plantel há poucas jornadas atrás, portanto não faz sentido fazê-la de novo, sobretudo porque não há nada relevante para acrescentar. A próxima época será um enorme desafio para esta estrutura em especial se Leonardo Jardim sair, tal como vêm noticiando os jornais nos últimos dias. Jardim teve um papel importante neste Sporting, fazendo crescer uma série de jogadores que andaram perdidos (Adrien, Cédric, Rojo), apostando noutros que ninguém conhecia (William, Mané), integrando jogadores sem currículo (Montero, Slimani, Maurício) e criando um espírito colectivo que se notou bem durante este ano que passou. Não deu para mais, devido a uma série de variadas razões, mas reafirmo que o balanço só pode ser positivo, depois do desastre de 2012/2013. Não creio que a saída de Jardim represente um passo atrás no projecto, embora prefira que ele fique. Contudo caso decida seguir o caminho dos petroeuros (amigos como dantes), consta que a hipótese mais forte é Marco Silva. O seu trabalho no Estoril está acima de qualquer suspeita, sobretudo depois de melhorar a classificação do clube depois de vender metade da equipa do ano anterior. Mas o seu real valor no Sporting é uma incógnita. Preferia José Peseiro... mas confio totalmente no Presidente para fazer esta escolha. 

 

 

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por Kirovski às 11:10

Sábado, 10.05.14

FC Porto 2-1 SL Benfica – Terminar com a honra possível

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O comum adepto portista está sempre a queixar-se. Este ano os motivos para isso foram mais que muitos, mas há queixas mesmo quando a equipa está bem. Ou é porque este ou aquele jogador não está a jogar como deveria, ou porque o treinador não faz as escolhas certas, ou porque se podia ter marcado mais este ou aquele golo.

Neste fecho de campeonato e de época o FC Porto defendeu a sua honra e levou de vencida o Benfica, fixando a diferença final para o topo nuns abismais treze pontos. Contudo, e mesmo tendo em conta o muito beliscado ânimo do plantel para encarar a recta final da época, a queixa prende-se com as dificuldades do FC Porto em impor-se mais vincadamente ao Benfica D que se apresentou no Dragão. Um último sinal do quão difícil foi a campanha de 2013/14.

Ricardo, que se cotou como o melhor em campo, cedo colocou os dragões em vantagem, mas os menos utilizados do Benfica deram bastante luta e lograram empatar, na conversão de uma grande penalidade. Em lance idêntico Jackson Martínez apontou o seu 20.º golo no campeonato – Bola de Prata pelo segundo ano consecutivo – e a marcha do marcador ficaria por aí.

A segunda metade do encontro da despedida decorreria sem grandes sobressaltos, quer para um lado, quer para outro, na última oportunidade para o futuro treinador portista tirar notas antes de tomar as rédeas da equipa. Apresentado durante a semana, o basco Julen Lopetegui tem em mãos a tarefa de reabilitar, à sua imagem, a aura portista de vitória, que tão destroçada ficou.

Por ora, a temporada termina com o tal rebuçado debaixo da língua. Conforme os pontos de vista, será um ano para esquecer; ou para lembrar, para que não se repita tão cedo.

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por Miran Pavlin às 21:20

Domingo, 04.05.14

SC Olhanense 2-1 FC Porto – O campeonato é até ao fim

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O FC Porto não perdia com um último classificado desde 1997/98 – derrota por 1-0 com um Belenenses que desceria de divisão no final. O próprio Olhanense não vencia o FC Porto desde 1973/74, longe ainda de imaginar que passaria 34 anos arredado da divisão maior. Até hoje.

Esta será certamente a pior exibição do FC Porto esta temporada, e note-se que havia várias fortes candidatas a receber este indesejado rótulo. Pensando que o FC Porto é um clube que tem por filosofia empenhar-se em cada partida, mesmo quando tudo já está perdido, é simplesmente inaceitável que a equipa se deixe ir pelo cano abaixo como o fez em Olhão.

E acabou por acontecer aquilo que antes do jogo da primeira volta temia que acontecesse. Não querendo engolir o que escrevi nessa altura, até porque a sociedade das nações olhanense, afinal de contas, está no último lugar, diga-se que a equipa se engrandeceu mesmo.

Na altura questionei também o que fazia Krøldrup no Olhanense. Pois hoje mostrou o que vale, marcando o primeiro golo do jogo, igualmente o seu primeiro em Portugal.

Com a corda na garganta, os algarvios não tiveram medo, e abordaram o jogo de frente. Perante a falta de intensidade, para não dizer de interesse, do FC Porto, os visitados defenderam a vantagem e, qual escândalo, ampliaram-na mesmo, num remate colocado de Dionisi, que até nem pegou bem na bola.

Herrera ainda reduziria, num pontapé de ressaca que será um dos melhores golos do FC Porto esta época. Muito pouco, contudo, no jogo que marcou as estreias de Tozé e Kayembe pela equipa principal.

A vitória é um tónico para o Olhanense, que continua submerso mas assim se mantém com uma mão na bóia de salvação. Vai ser campeonato até ao fim para os rubro-negros.

Que é exactamente aquilo de que o FC Porto parece ter-se esquecido. Mesmo sem nada para conquistar, o esforço tem de se manter até final, muito mais quando o último jogo é uma recepção ao Benfica que a honra portista obriga a vencer.

Partindo para esse jogo com mais derrotas que Estoril e Nacional, um triunfo, mesmo não significando mais que honra e três pontos, seria um rebuçado para apagar esse amargo sabor.

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por Miran Pavlin às 22:25

Domingo, 04.05.14

Nacional 1 - Sporting 1 - Já cheira a férias

Depois de uma paragem do campeonato, numa altura em que já está tudo decidido, o relaxamento era óbvio e natural. Certo? Digamos que para alguns jogadores sim, para outros nem por isso. É certo que o Nacional é uma das boas equipas do campeonato, mas faltou um pouco mais de ambição para levar os 3 pontos da Madeira. Foram poucas as oportunidades de golo construídas durante a partida (a melhor foi desperdiçada por Slimani na segunda parte), alguns jogadores estiveram claramente desispirados (Carrillo e Magrão) e o correr do jogo também não ajudou: o Sporting sofreu o golo no minuto imediatamente a seguir de ter tirado Slimani. Tem sido aceso o debate na blogosfera leonina acerca do reforço da equipa para a época que aí vem, discussão alimentada pela comunicação social, que obviamente espera muitas entradas e saídas para vender mais jornais.  Pessoalmente acho que o Sporting tem internamente a maior parte das soluções que precisa, precisando de poucos (mas valiosos) reforços para a temporada que aí vem. No que diz respeito às saídas, ontem Carrillo mostrou mais uma vez não ter a fiabilidade necessária para ser um jogador profissional de futebol ao mais alto nível. E fico-me por aqui...
 

Ontem os destaques foram Rui Patrício e Eric Dier. A espaços também gostei de André Martins, muito activo no jogo. 

 

Falta apenas um jogo antes de entrarmos na febre do Mundial. Tenho já um palpite sobre os 23 jogadores que serão convocados pelo seleccionador nacional Jorge Mendes, em breve dedicarei um post a essa temática. Até lá o Benfica jogará 3 finais, o que deixará os media bem entretidos. Uma boa oportunidade para Sporting e Porto arrumarem a casa para os próximos meses.  

 

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por Kirovski às 11:22



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