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CORTE LIMPO



Domingo, 31.08.14

I Liga, 3.ª jornada – FC Porto 3-0 Moreirense FC – A tempo da tranquilidade

sapodesporto

O golo inaugural chegou tarde, mas ainda a tempo de permitir ao FC Porto avançar para um marcador final convincente, que até faz parecer que o Moreirense não ofereceu resistência. A verdade é que os minhotos de facto resistiram, e durante largos minutos.

Contrariamente ao verificado no jogo de abertura com o Marítimo, o Moreirense não veio ao Dragão para ficar retraído, antes encurtando em bloco os espaços ao FC Porto e pressionando o portador da bola, até mesmo na zona defensiva azul-e-branca. Um pouco por mérito dos visitantes, e outro tanto por consentimento da equipa do FC Porto, que não procurou declaradamente uma saída para os problemas que o Moreirense ia colocando.

Tendo chegado ao descanso empatado o Moreirense mudou de agulha e reapareceu mais recuado, na esperança de conseguir anular o FC Porto por mais 45 minutos, ainda que não tenha usado um autocarro na verdadeira acepção do termo – uma Ford Transit, talvez. A estratégia moreirense era bem definida, e até poderia ter dado resultado, mas não deu porque não incluía baliza – Fabiano não teve que fazer uma única defesa digna desse nome – e porque a tónica da segunda parte foi diferente.

Com outro ânimo, o FC Porto não mordeu apenas o isco do retraimento adversário; foi mais proactivo, usou melhor a bola, e causou perigo logo nas primeiras trocas.

Mas o Moreirense não quebrava e a finalização do FC Porto não estava bem afinada. Entre por favor Julen Lopetegui. O treinador trocou o nem sempre efectivo Casemiro por Ruben Neves, e a nova aragem do meio-campo portista demorou quatro minutos a fazer-se sentir.

Com a bola no flanco direito, Quaresma aguentou o tempo suficiente para Brahimi a “vir buscar”, já dentro da área. O argelino rodou, partiu sobre o defesa, e cruzou atrasado. Havia muitas pernas no caminho, um atacante portista não conseguiu desviar, mas Óliver estava no local certo, e na posse da chave para abrir o cadeado. Desvio e era o 1-0, aos 70 minutos.

O Moreirense abriu-se um pouco mais, Lopetegui voltou à forma inicial fazendo entrar Herrera para o miolo, e o jogo não terminaria sem que Jackson Martínez recordasse a todos o quão mortífero é, fazendo o seu primeiro bis da época. Entre os golos do seu compatriota, Quintero ainda desperdiçou uma grande penalidade, defendida por Marafona.

Com nove pontos em nove possíveis o FC Porto mantém-se no grupo da frente. É uma óptima base para atacar os jogos de maior cartaz que se seguem.

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por Miran Pavlin às 22:15

Quinta-feira, 28.08.14

Liga dos Campeões – Antevisão grupo H

sapodesporto

O sorteio da Liga dos Campeões foi amigo do FC Porto por não lhe pôr nenhum tubarão no caminho, castigador por obrigar a duas viagens ao leste do continente, e ainda caprichoso por colocar o treinador frente-a-frente com um clube geograficamente próximo das suas raízes.

A generalidade das pessoas pensará que é bom evitar gigantes nesta prova, mas no caso do FC Porto, e face ao seu estatuto, isso aumenta imediatamente a pressão sobre a equipa. Perante Shakhtar Donetsk, Athletic Bilbao e BATE Borisov a obrigação é só uma: passar em primeiro.

Um grupo que não inclua um nome de respeito encerra outras particularidades. Qualquer equipa pode potencialmente roubar pontos às outras tornando-o num inferno, ao mesmo tempo que pode conduzir o teórico favorito a excessos de confiança que nunca são bons – como se verificou em 2011/12, quando o FC Porto ficou em terceiro lugar atrás de APOEL e Zenit, vencendo apenas os jogos com este mesmo Shakhtar.

Todo o cuidado será pouco, uma vez que, infelizmente, o conflito na Ucrânia pode dar uma certa margem não só ao FC Porto, mas também às outras equipas, tendo provocado o desmembramento da boa equipa que o Shakhtar teve nos anos recentes e obrigando os mineiros a fazer os jogos caseiros no oeste do país, longe da belíssima e majestosa Donbass Arena, que inclusivamente sofreu danos. Uma pena que o FC Porto não possa voltar a um dos estádios mais modernos da Europa.

Porém, não será por isso que o FC Porto não visitará um estádio ainda a cheirar a tinta. O Nuevo San Mamés, a novíssima casa do Athletic promete ser uma arma, juntamente com o espírito de uma equipa que traz consigo a mística de só aceitar jogadores bascos. Motivação não lhes faltará na sua primeira aventura na Champions em 16 anos, e não deverá ser necessário recordar que ainda há escassas três épocas os leões de Bilbau foram à final da Liga Europa, com Paris SG, Manchester United, Schalke 04 e Sporting entre as vítimas. Só Falcao os travou.

FC Porto e Athletic reeditam o primeiro confronto europeu das suas histórias, ocorrido na jurássica época 1956/57.

Também o BATE Borisov poderá ser uma ameaça. O octocampeão bielorrusso já ultrapassou em número de títulos o Dinamo Minsk e assume-se como a maior força do futebol daquele país. Chega à fase de grupos com o ritmo competitivo de um campeonato que começou em Março e encarará a presença sem quaisquer pressões, o que certamente jogará a seu favor.

Além disso, pela primeira vez o sorteio foi meigo – cruzou-se com Real Madrid e Juventus em 2008/09, Barcelona e Milan em 2011/12 – e o BATE até é mais experiente na prova do que outro dos integrantes do grupo, pois é a sua quarta presença contra duas do Athletic. Reforçando o que foi escrito acima, todo o cuidado é pouco, até porque um olhar pelo histórico europeu do BATE revela que Juventus, Milan e Bayern Munique não conseguiram vencer na Bielorrússia, e nomes como Anderlecht, Everton e – curiosamente – Lille foram mesmo surpreendidos em casa no passado.

Mas o passado não joga, como se sabe. No presente o FC Porto tem todas as condições para ultrapassar este grupo H com maior ou menor dificuldade. Caso tenha sucesso, possivelmente ficará por esclarecer de que estofo é feita esta equipa do FC Porto devido a um factor específico: a falta do tal tubarão que a ponha à prova.

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por Miran Pavlin às 22:30

Terça-feira, 26.08.14

Play-off Liga dos Campeões, 2.ª mão – FC Porto 2-0 Lille OSC – Objectivo conseguido

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Pela 19.ª vez em 23 edições o FC Porto está na Liga dos Campeões, após confirmar e ampliar no Dragão a vantagem que trazia do nordeste de França.

Perante uma casa quase cheia, os dragões fizeram crer que a noite seria de gala. O início de jogo foi pleno de intenção, com circulação de bola ao primeiro toque, visão de jogo e um meio-campo a saber abrir os espaços necessários para criar perigo, mas enquanto os golos não apareceram o futebol portista acabou por flutuar entre o brilhante e o desinteressado.

Óliver mostrou fogachos de classe – nomeadamente num lance em que se desenvencilhou de três adversários – mas ainda está verde, e Brahimi, mais maduro, foi o elemento que mais procurou movimentos de ruptura com a bola nos pés, embora por vezes deixe a sensação de não escolher o momento certo para soltar a bola.

Os intentos do FC Porto, contudo, esbarravam na bem montada defesa do Lille, onde o dinamarquês Simon Kjær fez um jogo de grande qualidade, sempre seguro e bem colocado. De resto, e como era esperado, o Lille não veio ao Dragão para atacar sofregamente, preferindo o contra-ataque ou uma eventual bola parada para causar estragos.

Mas o FC Porto não permitiu tais veleidades, e até acabou por beneficiar ele próprio de um livre em posição privilegiada, que Brahimi não enjeitou, convertendo-o sem hipóteses de defesa para Enyeama.

É certo que o Lille continuava a precisar de dois golos para chegar à fase de grupos, mas a balança ficou irremediavelmente desequilibrada para o lado dos azuis-e-brancos, que chegariam ao segundo golo numa recuperação de bola a meio-campo. Evandro lançou Brahimi e o argelino endossou a Jackson Martínez, que se desmarcara no momento certo e de pé esquerdo colocou o apuramento em definitivo no horizonte do FC Porto.

A eternamente insatisfeita turba portista ainda se reservou ao direito de emitir duas assobiadelas. Uma à equipa, após uma sequência de lances perto do intervalo em que os jogadores pareceram adormecer em campo, e outra ao treinador quando preferiu fazer entrar Ricardo para a recta final, quando tinha Quaresma – e outros, diga-se – a aquecer há largos minutos. Outrora falava-se no tribunal das Antas, mas pelos vistos no Dragão o público também é juiz, e não deixou passar em claro a opção de Lopetegui.

Mais ainda quando o técnico coloca Brahimi e Óliver encostados à linha quando há opções para esses lugares, e ambos – ou pelo menos um deles – poderiam actuar nas suas posições de origem.

De qualquer forma, até agora Lopetegui é inatacável. Quatro vitórias em quatro jogos e zero golos sofridos é um excelente arranque. Mas a continuidade da não utilização de Quaresma apenas adensará a dúvida sobre se há mais alguma questão do foro interno a separar o treinador do jogador, ao mesmo tempo que abafa o facto de Adrián ainda não ter mostrado nada que justifique o seu preço.

O primeiro objectivo da época foi completado com sucesso. O jogo de domingo com o Moreirense é o último antes da primeira paragem da época para jogos de selecções. A partir daí a procissão sai do adro.

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por Miran Pavlin às 23:49

Sábado, 23.08.14

Liga, 2.ª Jornada – FC Paços Ferreira 0-1 FC Porto – Poupanças?

sapodesporto

O FC Porto pode dar-se por feliz por este jogo pertencer à temporada 2014/15, porque se esta exibição um tanto ou quanto desligada tivesse ocorrido em 2013/14, os dragões não teriam conseguido vencer. Terá sido a mudança de estado de espírito colectivo que uma nova temporada traz a oferecer os três pontos, com o golo a aparecer mesmo num dia menos bom.

Principalmente na segunda parte, o FC Porto foi uma equipa passiva, que falhou muitos passes, nem sempre jogou bonito, e permitiu ao Paços de Ferreira terminar o jogo com bastantes mais oportunidades de golo, levando os não-portistas e os neutros a pensar que quem merecia vencer esta partida seriam os castores.

Contudo, o inevitável Jackson Martínez apareceu ao segundo poste a desviar para o único golo do jogo, aos 40 minutos de uma primeira parte pouco emocionante, em que o FC Porto sofreu o primeiro revés da época, ao ver Tello lesionar-se sozinho ao fazer um pique.

Depois do intervalo o Paços de Ferreira assumiu as despesas do jogo, mas o desacerto dos seus atacantes impediu males maiores para as redes de Fabiano, com o inusitado Minhoca a mostrar alguns bons pormenores.

Aos pacenses saiu a fava do calendário, defrontando Benfica e FC Porto nas primeiras jornadas, mas este jogo era de facto muito importante, não tanto pela questão classificativa – não é destes pontos que o Paços precisa para o seu campeonato –, mas antes porque era uma oportunidade de Paulo Fonseca, regressado a um banco que conhece, exorcizar fantasmas da sua passagem pelo FC Porto.

E foi bem visível o quanto o Paços queria retirar um resultado positivo deste encontro, não apenas pela entrega demonstrada pelos jogadores, mas também pelo número de vezes que os elementos do banco se levantaram em conjunto a contestar as decisões mais apertadas do árbitro Manuel Mota.

Poderá ser o regresso do FC Porto às poupanças em véspera de jogo europeu – Julen Lopetegui assumiu na sala de imprensa que “a equipa estava cansada” – mas enquanto não há resposta definitiva para esta questão, é mais premente perceber o que se passa com Ricardo Quaresma, que sentiu o pulso firme do técnico após o mal-estar de Lille, e ficou de fora desta deslocação.

Se para o Paços de Ferreira o campeonato começa agora, o FC Porto aguarda que a convocatória para o jogo de retorno contra os franceses traga outra luz sobre a questão Quaresma. Falando em luz, no próximo fim-de-semana há um Benfica-Sporting do qual o FC Porto pode retirar dividendos classificativos caso bata o Moreirense.

Fora do campo falta ao FC Porto a calma que só uma janela de transferências fechada proporciona. Para quando a antecipação do fecho para 31 de Julho?

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por Miran Pavlin às 22:30

Quarta-feira, 20.08.14

Play-off Liga dos Campeões, 1.ª mão – Lille OSC 0-1 FC Porto – Mais perto dos milhões

sapodesporto

A UEFA bem tenta disfarçar chamando-lhe play-off e colocando em cena todos os adereços da Liga dos Campeões, desde os enfeites do estádio à bola de estrelas na manga direita das camisolas das equipas, mas não há como lhe dar a volta. É apenas a quarta pré-eliminatória de acesso, e não a Liga dos Campeões a sério, embora nesta fase os erros já se paguem caro.

A factura ficou nas mãos do Lille aos 61 minutos, após uma defesa incompleta de Vincent Enyeama a remate de Jackson ter sido aproveitada por Herrera para fazer o único golo do jogo. Por seu turno, o FC Porto sobreviveu a dois momentos de grande perigo protagonizados por Sébastien Corchia em cima do intervalo, em dois remates consecutivos – um bloqueado, a recarga por cima.

O FC Porto não precisou de vestir o melhor fato para levar de vencida o conjunto francês. Uma exibição séria foi suficiente, num jogo em que os guarda-redes não tiveram muito que fazer. A porta da fase de grupos está entreaberta, mas a atenção não pode baixar no jogo da segunda mão.

O Lille tem uma equipa suficientemente boa para ter sido segunda melhor defesa da Ligue 1 e ter tido o maior número de jogos sem sofrer golos (21 em 38) em 2013/14, e se no Dragão os acontecimentos obrigarem os dogues a jogarem retraídos, quiçá não se sintam confortáveis o bastante para causar calafrios no contra-ataque.

Espera-se, no entanto, um FC Porto mais assertivo em casa, ainda para mais quando não se pode dar ao luxo de desperdiçar a vantagem que traz numa fase da competição que não está habituado a disputar. Falhar o objectivo de estar no quadro principal da Liga dos Campeões seria um rombo demasiado sério no casco da nau portista.

Ainda sobre o jogo de Lille, Quaresma entrou aos 87 minutos, e com cara de poucos amigos. No final da partida – ou seja, minutos depois – treinador e jogador desvalorizaram, mas a expressão de Quaresma dizia claramente que não gostou nada de assistir ao jogo no conforto do banco de suplentes.

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por Miran Pavlin às 23:50

Sexta-feira, 15.08.14

Liga, 1.ª Jornada – FC Porto 2-0 CS Marítimo – Água na boca

sapodesporto

O FC Porto entrou no campeonato com o pé direito… de Ruben Neves. O jovem de 17 anos assinalou a estreia entre os graúdos com o primeiro golo da sua carreira, e também do campeonato 2014/15, aos 12 minutos, e mostrou maturidade como se já tivesse alguns anos de futebol nos pés. A seguir com atenção.

Daí para a frente o jogo levou-nos ao encontro da velha máxima que diz que uma equipa só joga aquilo que a outra deixa. O FC Porto fez um jogo de tracção à frente, limitando o Marítimo a ocasionais contra-ataques, que não deram grande trabalho a Fabiano. Por um lado o FC Porto mostrou bom entendimento no sector atacante e fácil recuperação defensiva, mas por outro o Marítimo pode estar ainda na convalescença da saída do treinador Pedro Martins ao fim de três épocas e meia bastante interessantes.

Os mais distraídos poderão olhar para o onze portista e dizer que a revolução operada por Julen Lopetegui não foi assim tão profunda, já que apenas quatro dos titulares eram reforços. A diferença encontra-se antes no futebol jogado, que esteve a quilómetros de distância do cinzentismo da época passada.

Além da boa surpresa chamada Ruben Neves, Brahimi e Óliver sabem tratar a bola, e os laterais Danilo e Alex Sandro, tantas vezes criticados e culpados na época passada, parecem outros, embora tenha sido uma noite de pouco trabalho.

Apesar de a exibição ter deixado água na boca, ainda há aspectos a corrigir. O FC Porto só matou o jogo nos descontos, por Jackson Martínez, e durante a segunda parte os cruzamentos raramente saíram a jeito para finalizações com perigo.

É só o primeiro jogo, e certamente haverá tempo para afinar alguns mecanismos, uma vez que o FC Porto tem um arranque de campeonato relativamente tranquilo – seguem-se Paços de Ferreira e Moreirense, antes de uma sequência com Guimarães (f), Boavista (c), Sporting (f) e Braga (c), já com as competições europeias à mistura.

A primeira imagem oficial do novo FC Porto é francamente boa. Pena é que entre os 18 convocados haja apenas três portugueses.

Numa nota à parte do jogo, sinto mesmo que estou a ficar velho quando penso que Ruben Neves nasceu em 1997. Esse ano foi ali ao virar da esquina…

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por Miran Pavlin às 23:50

Sexta-feira, 08.08.14

FC PORTO - A pré-época

adamirtorres

O pesadelo é passado. A página volta a estar em branco, à espera de ser escrita, na crença de que as palavras reflictam uma realidade diferente da pobreza franciscana do pretérito ano.

Para haver uma nova realidade era necessário que o FC Porto procedesse a uma reestruturação dos seus quadros, que começou a tomar forma com o anúncio de Julen Lopetegui como novo treinador, quando ainda fumegavam as cinzas de 2013/14. O técnico basco pôde assim tomar o pulso ao clube e à cidade, e preparar a sua abordagem calmamente, aproveitando o dispersar de atenções que um Mundial sempre provoca.

Lopetegui trouxe, a julgar pelo que passou para o público, um método de trabalho com um cunho bastante pessoal, centrado na vertente táctica e na construção de mecanismos de jogo, e alicerçado num estilo interventivo, sem pejo de corrigir os jogadores quando estes não executam bem as suas indicações.

Depois da entrada em funções do treinador – e da inusitada instalação de uma torre de observação no Olival –, passo a passo a revolução foi seguindo o seu caminho.

De saída está Jorge Fucile – essa bomba-relógio –, que finalmente deixou de ser jogador do FC Porto e regressa ao seu país para jogar no Nacional de Montevideu; Fernando também sai finalmente – no ponto de vista dele – do clube, juntando-se ao campeão inglês Manchester City, que contratou igualmente Mangala por uns astronómicos 40 milhões de euros mas ainda não se apercebeu; Iturbe e Castro desvincularam-se e vão seguir as suas carreiras noutras paragens.

Entre os que ficam, o Mundial foi bom para refrescar as ideias de alguns jogadores. Herrera teve uma boa prestação a nível individual, enquanto para Jackson Martínez e Quintero também colectivamente o Brasil 2014 fica como uma boa memória. Ambos marcaram, e regressam tendo feito parte da melhor participação de sempre da Colômbia na prova.

Entre as caras novas que vão encontrar contam-se o central Bruno Martins Indi, que traz ao peito a medalha de bronze do Mundial, e nas laterais haverá a tão desejada concorrência a Danilo e Alex Sandro, através do ganês Daniel Opare e do espanhol José Ángel.

Para o miolo chegam o argelino Yacine Brahimi, que parece tratar bem a bola, como mostrou pela sua selecção, e Evandro, ex-Estoril, que já conhece o quotidiano da Liga portuguesa. Mais à frente, o FC Porto assegurou os serviços de Cristián Tello, que integrou o mágico Barcelona de Guardiola mas nunca encontrou o seu espaço, e de Adrián López, este uma contratação inesperada, uma vez que chega como campeão espanhol, e de quem se espera que tenha ombros para suportar a pressão dos 11 milhões de euros que custou.

Os reforços são bastante interessantes, mas nem tudo são rosas da cor da nova camisola. O FC Porto este ano vai valorizar – crê-se – jogadores sobre os quais poderá não ser tido nem achado. Óliver Torres e Casemiro chegam ao Dragão por empréstimo, o primeiro para ser o médio ofensivo que falta desde Deco, o segundo para colmatar a saída de Fernando. A situação será mais séria caso o Real Madrid queira o brasileiro de volta e o FC Porto se veja obrigado a procurar novo trinco.

Com o futuro indefinido estão Defour, para quem o Mundial não correu nada bem – só foi utilizado num jogo para cumprir calendário e conseguiu ser expulso ao fim de 45 minutos – e Ghilas, que jogou nos três jogos da fase de grupos mas muito discretamente, e sempre como opção para os minutos finais.

Rolando esteve para integrar os trabalhos, mas mudou de ideias e continua sem colocação, tal como Varela, que não quer continuar no FC Porto, e também Josué. Licá e Abdoulaye foram emprestados ao Rayo Vallecano, mas hão-de voltar, possivelmente para a mesma sina que Djalma continua a enfrentar.

Dúvidas ainda na questão do guarda-redes. Com Helton no limbo de uma lesão grave em idade avançada, Fabiano é mais que competente para ser titular, e o reforço Ricardo é um suplente de luxo – pode estar a tornar-se no novo Nuno Espírito Santo –, pelo que é de questionar se a contratação de Andrés Fernández terá sido precipitada.

De uma coisa Lopetegui não se pode queixar: tem os jogadores que quis. Portugueses quase não há. Lembrando as célebres palavras de Pedroto, o técnico acaba de montar uma escola não de samba, mas de flamenco.

Tudo ingredientes para aumentar a pressão, que já de si é grande, após um ano atípico. Não se deve, no entanto, pensar que a revolução está concluída. Este é só o primeiro ano de uma nova etapa, e os jogos de preparação indicam que este FC Porto ataca melhor do que defende, pelo que o processo de reconstrução deverá continuar no futuro.

Falta uma semana para começar a acção, e enquanto o jornal O Jogo tece loas ao jovem Ruben Neves, no tocante a chegadas os dossiês Marcano, Clasie e Jiménez prolongam-se sem solução. Se o que acontece com o Benfica praticamente todos os anos fizer jurisprudência, estes nomes não virão.

Dia 15 de Agosto o FC Porto terá o privilégio de dar o pontapé de saída na 81.ª edição do campeonato, recebendo o Marítimo. De seguida, é mesmo – mesmo – a doer. O FC Porto jogará com o Lille a primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, que decidirá desde já muito do que será a época 2014/15.

Não havendo Supertaça para dar balanço, o FC Porto tem que entrar de prego a fundo. Se eu fosse o treinador, o meu primeiro onze seria: Fabiano; Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro; Casemiro, Herrera, Óliver; Tello, Quaresma, Jackson.

Mas não sou. Por isso, que role a bola, que aqui estarei para começar a escrever a dita página em branco.

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por Miran Pavlin às 21:00



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