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CORTE LIMPO



Segunda-feira, 23.02.15

Liga NOS, 22.ª jornada – Boavista FC 0-2 FC Porto – Resistir

 

O dérbi tripeiro regressou ao Bessa e a tradição de ser um campo complicado para o FC Porto não se perdeu nos sete anos de interregno. Tantas vezes ameaçador no passado, desta vez o Boavista foi pouco mais que resistente, faltando-lhe dez minutos para merecer a classificação de estóico.

Por momentos, durante os primeiros minutos, até pareceu que os axadrezados iriam levar o jogo até à área portista, mas seria engano, pois o Boavista não trouxe ideias muito diferentes das que apresentara na primeira volta. Claramente apostado no contra-ataque, a destruição do jogo adversário era a principal preocupação da equipa.

Do outro lado, o FC Porto via-se mais ou menos na mesma situação que encontrou em Basileia. Havia bola e vários metros livres no meio-campo adversário, mas em frente à baliza estava uma muralha onde não se detectavam fissuras. Sem entrar em precipitações, o FC Porto procurou furar pelas alas, pelo meio e pelo ar, mas o ritmo com que jogava servia mais os interesses do Boavista do que os seus.

Talvez a ausência de vários dos jogadores mais utilizados justifique o futebol mais lento. Não havia Danilo, Alex Sandro e Casemiro, todos castigados, Óliver estava lesionado, Tello e Brahimi foram suplentes. Menos ritmo não quis dizer menos segurança, pois a equipa anulou sem grandes dificuldades as iniciativas atacantes dos boavisteiros.

José Ángel procurou dar a profundidade habitualmente exibida por Danilo – ainda que jogue do outro lado da defesa – enquanto o meio-campo cumpria com a missão de fazer a bola chegar ao tridente atacante, onde Hernâni, pela primeira vez titular, mostrou bons pormenores. Oportunidades, apenas uma, num remate de Jackson Martínez a fechar a primeira parte. A mancha de Mika foi suficiente para perturbar a finalização do colombiano.

O FC Porto entrou melhor no segundo parcial, mas não se pode dizer que o rosto do jogo tenha mudado. Não tardaria muito para que Julen Lopetegui começasse a jogar algumas fichas. Aos 55 minutos entrou Tello para o lugar de Hernâni e aos 64 Brahimi substituiu Quintero. Aparentemente inquebrantável, o Boavista respondeu pouco depois, reforçando a linha defensiva com o ex-dragão Marek Čech. Não seria suficiente, contudo.

Numa altura em que os adeptos portistas já roíam as unhas, Tello começou a puxar a manta para o lado do FC Porto. Após partir o lateral direito João Dias, o espanhol cruzou para Jackson marcar (80’). Foi preciso roer também o sabugo, porque a bola ainda prensou nas pernas de Carlos Santos, encaminhando-se em câmara lenta para o golo, quando Philipe Sampaio já se lançava no corte.

Agora com os pés destapados, o Boavista concedeu espaços que os dragões não tardariam a aproveitar, novamente com Tello a conduzir a bola pela esquerda, servindo depois Brahimi, que se enquadrou e rematou colocado (87’) para o 0-2.

A claque portista não resistiu a uns olés. Dérbi é dérbi, e a prová-lo estiveram também algumas entradas mais duras, principalmente do lado dos axadrezados.

O mérito acaba por ser entregue às duas equipas. Ao Boavista pela resistência demonstrada; ao FC Porto também por resistir, mas à sofreguidão que um prolongado 0-0 por vezes causa. O único mérito que conta, o dos golos, coube só aos azuis-e-brancos, que assim mantêm distâncias em vésperas da partida crucial da próxima jornada.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quinta-feira, 19.02.15

Wolfsburgo 2 - Sporting 0 - Uma espiral descendente

 Depois de um periodo absolutamente diabólico no Sporting, em que o clima de guerra total consumia tudo à volta da equipa de futebol (curiosamente, numa altura de várias vitórias seguidas), seguiu-se um periodo de acalmia que aparentemente não trouxe nada de bom à equipa. O calendário não tem ajudado, mas a verdade é que a equipa não está a saber contornar os problemas que aparecem semana após semana. A ausência de Slimani no pós-CAN foi inesperada (até se aguentou bem o mês de Janeiro, mas agora é tempo a mais...) e o modelo de jogo está diferente para pior. Marco Silva decidiu aumentar a coesão defensiva começando a previligiar os ataques pelas alas (aí quando se perde a bola, é mais fácil reposicionar a equipa para defender com eficácia) e com isso o futebol do Sporting tornou-se previsível e mastigado. Nos cruzamentos nunca está ninguém para finalizar e nas alas, os criativos do Sporting não tem conseguido fazer a diferença. Aliás Nani, desde que voltou da lesão contraída no Bessa, tem passado ao lado dos jogos. E para juntar a tudo isto, a confiança parece ter ficado abalada com o empate com o Benfica (aceitava bem o 0-0, mas o 1-1 premiou que não fez nada para ganhar). 

Contudo faltam jogos para levantar a moral. No seguimento destes dois maus resultados, calhou ao Sporting ter de ir à Alemanha jogar com o Wolfsburgo, uma das equipas do momento na Bundesliga. Na primeira parte, apesar de alguns erros, o Sporting conseguiu equilibrar o jogo, apesar de os alemães parecerem sempre mais fortes fisicamente e mais pressionantes. No primeiro minuto da primeira parte, o Wolfsburgo consegue chegar à vantagem e aí tudo ficou muito complicado. Na frente de ataque raramente alguém conseguiu fazer a diferença e Montero não foi certamente talhado para este esquema táctico. Para piorar a situação, numa tendência que já se verifica à vários jogos, o Sporting remata muito pouco, a maior parte das jogadas termina sem remate, mesmo quando se está na área ou perto da área... e sem remates, não há golos. Se este esquema táctico continuar parece-me que o Sporting ganhará uma dupla de centrais para o futuro (já que ficarão menos expostos ao erro, ao contrário do que aconteceu com Sarr e Maurício este ano). Contudo parece-me que será um preço muito alto a pagar pelo que aí vem. A qualidade do futebol do Sporting está a diminuir e sem futebol de qualidade será muito díficil o Sporting atingir os objectivos a que se propõe.

Segue-se o Gil Vicente, num jogo em que o Sporting não pode vacilar, se ainda quiser ter a mínima hipótese de discutir o jogo com os alemães. A reviravolta na eliminatória não é impossível (felizmente há várias recordações se situações similares - ex: Newcastle em 2005), mas o chip mental terá de ser necessariamente diferente. 

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por Kirovski às 20:34

Quarta-feira, 18.02.15

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 1.ª mão – FC Basileia 1-1 FC Porto – Chocolate na língua

No país dos relógios e dos chocolates, houve precisão de mestre por os golos terem acontecido aos onze minutos, e a onze minutos dos 90, e o sabor de um quadrado de Milka na língua do FC Porto, que talvez sem saber como, sai de Basileia em vantagem na eliminatória.

De resto, o jogo teve pouco de suíço. Perante um público ruidoso no apoio a ambos os clubes, os minutos à volta do intervalo foram de autêntico futebol sul-americano, ao ritmo das entradas duras e da profusão de cartões amarelos. Por entre o festival de virilidade, terão ficado cartões por exibir, alguns deles vermelhos. Talvez fosse uma homenagem à Taça Libertadores, cuja fase de grupos arrancou ontem.

Surpreendentemente, era o Basileia a equipa mais agressiva. Mesmo assim conseguiu terminar a partida com onze homens em campo. Óliver, Brahimi e Jackson foram os mais castigados pela impiedosa – faltosa… – marcação movida pelos da casa, com o espanhol a sair mesmo mais cedo, novamente lesionado num ombro. Em conjunto com um bloco muito baixo, os pentacampeões suíços foram um obstáculo muito duro para os dragões.

O FC Porto até entrou bem na partida, solto e com ideias, mas tudo se desmoronou com um dedo apenas, como quem tomba peças de dominó. Uma movimentação simples de passe e desmarcação pôs Derlis González frente-a-frente com Fabiano, e o paraguaio inaugurou o marcador, lesionando-se mesmo ao chocar com o guarda-redes azul-e-branco. Seria o único remate do Basileia à baliza em todo o jogo.

Suficiente, contudo, para atordoar o FC Porto, que praticamente não conseguiu recuperar a fluidez dos minutos iniciais, perante um adversário que, com as devidas distâncias, utilizou uma estratégia não muito diferente daquelas com que o FC Porto se depara semana após semana na I Liga.

Apesar da muita posse de bola, os dragões não conseguiam romper até à baliza, e quando o conseguiam não tinham a sorte pelo seu lado. Na primeira metade o veterano central argentino Walter Samuel usou toda a sua manha para fazer penálti sobre Jackson Martínez sem que o árbitro Mark Clattenburg se apercebesse; após o intervalo foi o juiz inglês a estar em foco, ao anular – correctamente, diga-se – um golo ao FC Porto por fora-de-jogo quando os jogadores já o tinham festejado e regressavam ao seu meio-campo. Na altura do remate de Casemiro, Jackson e Marcano estavam adiantados e a bloquear a área de acção do guarda-redes Vaclík.

Até que a sorte sorriu, quando o mesmo Samuel cometeu uma grande penalidade por mão na bola. Danilo não tremeu na conversão, num momento de enorme importância para o FC Porto. De outra forma, não parecia que o golo fosse surgir, nem mesmo após a entrada de Ruben Neves ter dado outra solidez ao meio-campo portista, hoje muito órfão do melhor Herrera.

O 1-1 final não permite ao Basileia vir ao Dragão tranquilo. A necessidade de um golo pode fazer o conjunto suíço se expor, abrindo espaços que o FC Porto não teve esta noite. Sem descurar o facto de o Basileia ter mostrado, à sua maneira, que se tiver que defender uma vantagem o fará com unhas e dentes, cabe ao FC Porto a tarefa de não se encostar à sombra de nenhuma bananeira.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sexta-feira, 13.02.15

Liga NOS, 21.ª jornada – FC Porto 1-0 Vitória SC – Colocar pressão

Não ficará para a história como mais que um rodapé, mas foi preciso esperar 21 jornadas para que a I Liga tivesse um patrocinador, como vinha sendo hábito desde 2002. Já foi Superliga Galp Energia, Liga Betandwin.com, Liga Bwin, Liga Sagres, Liga Zon Sagres, agora é Liga NOS.

Era sexta-feira 13 mas não houve azares que pudessem pôr em causa o onze que na próxima semana subirá ao relvado em Basileia para a Liga dos Campeões, embora Casemiro bem tenha tentado, com uma entrada sobre Danilo – sim, sobre o próprio colega – logo nos primeiros minutos. Talvez fosse uma maneira de demonstrar que ninguém estava a pensar na ida à Suíça, conforme Lopetegui tinha pedido.

Só na segunda parte essa deslocação lentamente começou a invadir as mentes dos jogadores, o que talvez justifique a exibição menos conseguida do FC Porto. Baixar a intensidade poderia ter sido um risco, mas a verdade é que nem os dragões perderam o controlo das operações, nem o Guimarães conseguiu incomodar sobremaneira a baliza de Fabiano, pelo menos da mesma forma que os da casa fizeram antes do intervalo.

O FC Porto criou um punhado de ocasiões até Brahimi, de volta à titularidade, aproveitar um desequilíbrio no lado direito da defensiva minhota para marcar o único golo da noite (31’), o seu quinto no campeonato. Um regresso em cheio, na noite que marcou a estreia de Hernâni, contratado precisamente ao Guimarães no mercado de inverno. Apenas jogou uns minutos, suficientes para ainda ter um cabeceamento com perigo.

O triunfo portista obriga quer Benfica, quer Sporting a jogar em pressão. Que é coisa que não faltará no reino do Dragão nas próximas semanas. Este jogo foi o início de mais um ciclo forte da época, que envolve deslocações ao Bessa e a Braga, a visita do Sporting e uma eliminatória europeia.

 

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por Miran Pavlin às 23:50

Sábado, 07.02.15

I Liga, 20.ª jornada – Moreirense FC 0-2 FC Porto – De mão estendida

Outros compromissos fizeram com que apenas conseguisse espreitar ocasionalmente o jogo, pelo que não posso fazer uma análise mais profunda. Vi os golos e pouco mais, ficando-me apenas a ideia de ter sido um jogo relativamente mexido, talvez pela tranquilidade classificativa do Moreirense, mas sem causar problemas de maior ao FC Porto.

Jackson Martínez, quem mais, fez o primeiro golo azul-e-branco, e Casemiro, já no segundo tempo, apontou o golo da tranquilidade. O triunfo deixa o FC Porto de mão estendida, à espera de receber os dividendos que, dê por onde der, receberá do dérbi lisboeta de amanhã.

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por Miran Pavlin às 23:35

Domingo, 01.02.15

I Liga, 19.ª jornada – FC Porto 5-0 FC Paços de Ferreira – Faltam palavras

Mais uma jornada, mais uma vitória, a quarta em que o FC Porto atinge a marca dos cinco golos. Começam a faltar palavras para descrever tantos jogos que parecem saídos da mesma linha de montagem. Não quer isto dizer que os portistas estejam prestes a verter lágrimas de alegria pelos resultados mais robustos que a equipa tem conseguido. São antes as similitudes entre este jogo e outras noites de 2014/15 que dificultam a prosa.

Mais uma vez o FC Porto entrou forte, pressionou e ao fim de meia hora finalmente quebrou uma equipa para quem a defensiva adversária ficava longe demais. O autor do golo? Jackson Martínez, pois. O colombiano marcou pelo sexto jogo caseiro em dez possíveis na I Liga. É praticamente um picar de ponto.

Desta vez o FC Porto nem sequer esperou pela segunda parte para fazer crescer o marcador. Ao intervalo já se registava um 3-0 que permitiria aos dragões encararem o resto do jogo em velocidade de cruzeiro. O que não significou que não quisessem mais, como ficou claro logo aos 46 minutos, quando Herrera fez o quarto golo à boca da baliza, após trabalho de Jackson na esquerda. Também Tello, tantas vezes inócuo, aproveitou para mostrar dotes, fechando o resultado na cobrança irrepreensível de um livre directo (83’). Na gaveta.

O momento da noite tinha aparecido muito antes (44’), na forma de uma trivela de Quaresma saída dos livros de história. O golo que o Cigano há muito procurava. Era o seu segundo no jogo, quatro minutos depois de marcar na conversão de um castigo máximo.

O Paços de Ferreira, como se refere acima, mostrou pouco – ou nada – daquilo que exibira na jornada anterior, mas ainda teria um momento que quase dava um grande golo. O tiro de Seri explodiu na trave, fazendo ricochete para fora (48’).

Na próxima jornada o FC Porto entra em campo primeiro. O adversário é o Moreirense e o jogo é de vida ou morte, porque no dia seguinte há um encontro que inevitavelmente terá implicações que concernem directamente ao FC Porto. É o Sporting-Benfica. Porventura não se quereriam defrontar já.

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por Miran Pavlin às 23:45



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