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CORTE LIMPO



Domingo, 20.09.15

Liga NOS, 5.ª jornada – FC Porto 1-0 SL Benfica – Um golpe bastou

Um jogo com escassos lances de perigo, logo pouca acção junto das balizas, só poderia ser decidido por um golpe. Ou de sorte, ou de génio. Deverá ter sido o segundo, pois o golo solitário da partida apareceu na única jogada em que uma equipa forçou um desequilíbrio claro no adversário. Brahimi, Varela e André André criaram uma movimentação simples que retirou do lance toda a defesa do Benfica, com o último a ter o privilégio de assinar o tento.

Não poderia ter sido melhor. Numa era em que a identidade portista se dilui na falange principalmente sul-americana do plantel, é muito importante que o golo decisivo de um clássico tenha sido marcado por um português, ainda para mais filho de um antigo jogador do clube. Além de que é um tónico para André André, que nos últimos jogos caiu no goto dos adeptos pela garra, que o assemelha a um Josué com melhores atributos técnicos.

O triunfo também vem muito a calhar para o treinador Julen Lopetegui, que teria pouca margem de manobra se falhasse mais uma tentativa de conduzir a equipa a uma vitória sobre o Benfica. Repetindo o esquema, a equipa esteve melhor que no jogo de Kiev, restringindo os encarnados a dois lances de perigo na primeira parte, com Casillas a mostrar-se atento a um cabeceamento e um remate de Mitroglou.

O que faltou ao FC Porto, nomeadamente na primeira parte, foi atitude, não só com a bola nos pés. Com Maxi Pereira no centro de alguma provocação por parte dos jogadores do Benfica, especialmente quando o lateral uruguaio se aprestava para executar lançamentos laterais, a única reacção dos atletas portistas surgiu sobre o apito para o descanso, altura em que Maicon saltou decidido sobre Jonas, de perna à frente. Não para o atingir, o que de resto não aconteceu, mas para impor respeito. Um passo à frente quando os jogadores das duas equipas já rodeavam o central portista, o guarda-redes suplente Helton rapidamente removeu o colega para o balneário e a questão morreu por ali.

Consequência ou não do abanão psicológico de Maicon, a verdade é que o FC Porto apareceu mais diligente no segundo tempo. Logo aos 48 minutos, a cruzamento de André André, Aboubakar colocou-se bem na zona fatal, mas cabeceou ao poste, numa ocasião flagrante. A balança do jogo não pendeu aí, e com o passar dos minutos ficou claro que o jogo não se alteraria a favor do FC Porto se não houvesse mexidas na equipa.

Aos 63 minutos Lopetegui trocou o hoje apagado Corona por Varela, um homem mais experimentado neste tipo de jogos. A mudança trouxe algum vigor às movimentações dos azuis-e-brancos e foi já com um meio-campo refrescado com a troca de Ruben Neves por Danilo Pereira e, diga-se, com a ainda inexplicável substituição de Aboubakar por Osvaldo, que surgiu o golo (86’), numa jogada em que Varela foi o autor do toque de calcanhar que rasgou a defesa adversária e deixou André André à frente da felicidade.

Há algum tempo que pairava sobre o jogo a sensação de que quem marcasse ganhava, e esse golpe bastou. O apito final confirmou o triunfo do FC Porto, que abre uma vantagem de quatro pontos sobre o Benfica. Porventura pensando mais em segurar a igualdade do que em correr riscos, o técnico encarnado Rui Vitória mexeu tarde na equipa – só aos 77 minutos – e acabou por não colher benefícios das entradas de Talisca e Pizzi. Depois do golo não restava muito mais tempo e desta vez não houve um milagre no último suspiro, como em Alvalade na derradeira época.

O triunfo mantém o FC Porto no comando da Liga NOS, enquanto o Benfica, derrotado nos dois clássicos que disputou até agora esta temporada, regressa à capital com mais dúvidas que certezas. Ainda faltam muitas jornadas, é certo, mas a pressão é mais selectiva para quem tem pontos a recuperar. Para quem vai à frente, a candeia alumia duas vezes.

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por Miran Pavlin às 23:30



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