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CORTE LIMPO



Domingo, 25.10.15

Liga NOS, 8.ª jornada – FC Porto 0-0 SC Braga – Complicações

Assim que acabei de lavrar a crónica anterior deixei para minha memória futura a seguinte consideração: “como vai ser no jogo em que o FC Porto tenha bola e crie lances de perigo, mas o golo não apareça? Que soluções/alternativas a equipa terá/tentará?”

Pois bem… esse jogo chegou. O FC Porto teve efectivamente muita posse de bola, mas não é que tenha criado lances de perigo uns atrás dos outros. Em parte porque a acumulação de jogadores do Braga em missão defensiva fazia com que houvesse sempre um corpo a mais entre a bola e a baliza, mas também porque os dragões complicaram em demasia as jogadas junto à área contrária.

Essa tendência dos azuis-e-brancos não é nova. Há sempre mais uma finta, mais um passe, mais um segundo de espera antes que a equipa se desmultiplique na saída para o ataque. Tudo isso permite que o adversário se recoloque e cerre as suas fileiras, e o FC Porto foi cometendo cada um destes pecados. Mas nem tudo foi cinzento. Houve lances em que os dragões assustaram os arsenalistas, mas os remates ora saíam frouxos, ora à figura de Kritsyuk.

Com Alan e Rafa a demonstrar grande à-vontade, o Braga teve algumas saídas ao ataque, principalmente durante o primeiro tempo, mas pode dizer-se que Casillas foi espectador ao longo dos 90 minutos. Depois do intervalo os minhotos foram ficando gradualmente mais confortáveis numa pele sobretudo defensiva, mas a melhor situação de golo foi sua (70’), num contra-ataque pela esquerda que deixou dois homens soltos em zona de remate. O lance acabou por não ser de perigo extremo pela lentidão na definição final da jogada, que permitiu a André André cortar o disparo de Alan.

A isto o FC Porto respondeu com o grande volume de jogo no meio-campo ofensivo e um onze que terminou a partida bastante inclinado para a frente, fruto das presenças de André André, Danilo Pereira, Bueno, Corona, Tello e Aboubakar; Layún foi mais extremo que lateral, coleccionando cruzamentos – e diga-se, todos foram para a área, nenhum bateu no adversário imediatamente à frente. Brahimi foi o azarado da noite, ao sair lesionado cerca da hora de jogo. O argelino ficou tocado na coxa num lance em que optava pela via mais complicada, a de passar por dois defesas em vez de soltar para um colega.

Foi apenas uma entre muitas complicações para o FC Porto neste jogo. O nulo final, além de ter quebrado uma sequência de 20 triunfos consecutivos no Dragão em todas as provas, significa que o FC Porto perde a liderança da Liga, estando agora dois pontos atrás do Sporting, que à hora do início deste jogo acabava de bater o Benfica na Luz por 0-3. Depois de cinco jornadas lado a lado no topo da classificação, dragões e leões separam-se, num momento que pode ou não ser simbólico. O FC Porto volta a encontrar-se em desvantagem pontual ainda cedo no campeonato. E a margem de erro entra na equação.

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por Miran Pavlin às 23:35

Terça-feira, 20.10.15

Liga dos Campeões, grupo G – FC Porto 2-0 Maccabi Telavive – Parecia campeonato

Quando um determinado jogo de menor importância – um amigável, ou mesmo uma partida da Taça da Liga – supera as expectativas em termos de emoção e entrega dos atletas, diz-se que “parecia de campeonato”. O dito aplica-se na perfeição a esta recepção ao Maccabi Telavive. Não porque tenha sido um jogo de fina água, mas sim pelo inverso: foi uma noite de Champions com o travo por vezes sensaborão da I Liga portuguesa.

Se por um lado o FC Porto assumiu as despesas do jogo desde cedo, por outro não o fez com a determinação que seria de esperar. Não fosse o ritmo baixo e a falta de jogadas ao primeiro toque, o resultado poderia ter crescido para outros números. O pouco ímpeto dos da casa impossiblitava a criação de desequilíbrios no esquema predominantemente defensivo do Maccabi, que pareceu saber ao que vinha e trouxe a lição bem estudada. Ora Ben Haim II, ora Zahavi - os homens mais avançados do campeão israelita - levavam a bola até ao meio-campo portista e procuravam segurá-la, dando tempo para o resto da equipa subir no terreno. Ben Haim II apostou algumas vezes no lance individual, mas a defensiva azul-e-branca levou sempre a melhor.

Mais individualista só mesmo Brahimi. Estaria a jogar só com o coração e não com a cabeça? Foram poucas as vezes em que o argelino procurou a tabelinha com um colega, preferindo antes a já conhecida finta seguida de arrancada junto à linha de fundo. Nem sempre teve sucesso, e este será, porventura, outro dos aspectos que fez com que o FC Porto não conseguisse romper mais vezes a cortina do Maccabi.

Com o adversário retraído à espera do contra-ataque e o FC Porto a cozinhar jogadas quase em banho-maria parecia, então, um jogo de campeonato. E tal como normalmente acontece na Liga NOS, o golo acabou por aparecer (37’), com Layún a cruzar para a cabeça de Aboubakar, que assim voltou aos golos cinco jogos depois. Quatro minutos mais tarde Brahimi fez o 2-0, arrancando para a baliza no limite do fora-de-jogo, após passe de Aboubakar. Um golo que atenua ligeiramente as críticas tecidas no parágrafo anterior.

A segunda parte resume-se à inescapável sensação de que se assistia a um jogo da Liga portuguesa. O FC Porto continuou seguro de si, mas a meio gás, enquanto o Maccabi denotou um quiçá exagerado conformismo. Um corte de Ben Haim I quase dava auto-golo – foi ao poste – e os israelitas rematariam mesmo algumas vezes, mas só uma tentativa foi à baliza, num livre directo de Zahavi a que Casillas se opôs bem, junto ao seu poste esquerdo.

É difícil não ver o Maccabi como o conjunto menos cotado do grupo do FC Porto, mesmo com a areia que Julen Lopetegui normalmente atira para os olhos – “é uma equipa com muito bons jogadores, orientada por um excelente treinador” é uma frase a que costuma recorrer quer se trate do Chelsea ou do Penafiel. Em Israel, crê-se, haverá mais dificuldades. Conseguirá Lopetegui convencer os seus pupilos a fazerem um jogo mais focado?

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por Miran Pavlin às 23:30

Sábado, 17.10.15

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória – Varzim SC 0-2 FC Porto – Pouco que contar

Varzim e FC Porto não se defrontavam desde 17 de Maio de 2003, então a contar para a I Liga. Era final de época e o FC Porto, já campeão, estava a quatro dias de ir a Sevilha disputar a final da Taça UEFA; o Varzim desceria de divisão, e até hoje ainda não conseguiu regressar ao escalão máximo.

Hoje, tal como nesse dia, o FC Porto entrou em campo com diversos jogadores menos utilizados, no caso Helton, Cissokho, Lichnovsky, Evandro, Bueno e Tello. Não querendo voltar a debater se um jogo de Taça é a melhor maneira de aquecer a equipa na véspera de um compromisso da Liga dos Campeões, a verdade é que este jogo permitiu que o técnico desse descanso extra a quase todos os que estiveram em acção pelas selecções na semana anterior. Daqueles que fizeram viagens transatlânticas o sacrificado acabou por ser Layún, que jogou os 90 minutos.

O modo gestão do FC Porto, como seria de prever, tornou o jogo mais equilibrado. De resto, não estaria na cabeça de ninguém que houvesse uma repetição do último jogo de Taça entre os dois clubes, um 7-0 para os dragões, curiosamente também em 2002/03. Com o Varzim a dar a réplica que pôde, o FC Porto marcou o sempre importante primeiro golo aos 20 minutos, por Tello, ficando com a faca e o queijo na mão.

Hoje titular, Osvaldo foi solicitado inúmeras vezes, quase sempre em passes de ruptura que o deixaram frente-a-frente com o golo, mas o avançado não estava de pontaria afinada e acabou por não fazer o gosto ao pé. Com o jogo a prolongar-se, tornava-se imperioso alcançar o segundo golo, não fosse o Varzim fazer das suas. Lopetegui fez apenas duas substituições, e seria mesmo um dos suplentes utilizados a marcar, no último minuto do tempo regulamentar. No regresso a um clube que representou nas camadas jovens, André André vestiu a pele de vilão e sentenciou o encontro. Os dois golos portistas foram muito semelhantes, obtidos em remates cruzados desde o flanco esquerdo.

Uma vez que tudo correu conforme o esperado, sobra pouco para contar. Numa crónica que inclui alguns dados históricos, não resisto a fechar com mais dois: o Varzim não bate o FC Porto desde 2 de Outubro de 1976, em jogo da I Divisão. O último empate data de 1986/87.

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por Miran Pavlin às 23:50

Domingo, 04.10.15

Liga NOS, 7.ª jornada – FC Porto 4-0 CF Os Belenenses – Filme repetido

Desde que o Belenenses regressou à I Liga, em 2013, que a sua visita ao Dragão não tem passado de uma formalidade. A última vitória dos azuis foi ainda no Estádio das Antas, em 2001/02, e a reedição desse feito esteve mais uma vez longe de acontecer. Durante a primeira parte o Belenenses dispôs de três livres junto à área do FC Porto e até rematou ao poste noutro lance, por Kuca, e esse seria o único perigo que criaria.

Passando mais tempo com a bola, e sem dar sinais de ansiedade, a equipa do FC Porto construiu várias jogadas junto ao último reduto belenense, mas até ao intervalo o golo não surgiu. Antes que o avançar do relógio se tornasse no pior inimigo, os dragões materializaram o domínio, dando sentido positivo a todo o trabalho que vinham realizando até aí. Corona foi o primeiro a fazer o gosto ao pé (53’), num remate que sofreu um desvio em Gonçalo Brandão – suficiente para que o golo não fosse atribuído ao mexicano –, e logo a seguir (56’) Brahimi apareceu na zona do ponta de lança para um cabeceamento em mergulho, a selar o 2-0.

Nesta altura, e por via da lesão de Maicon nos segundos finais do primeiro parcial, o FC Porto jogava tal como fez em Moreira de Cónegos: três defesas apenas, com Danilo Pereira, que substituiu o central, a fazer a compensação junto a Marcano quando necessário. O esquema hoje funcionou sem problemas.

Entrados no segundo tempo, Tello e Osvaldo foram os protagonistas do 3-0 (80’), com o primeiro a trabalhar bem na direita e cruzar para um ligeiro desvio do italo-argentino, que assim se estreou a marcar pelo FC Porto. Aos 87 minutos, na cobrança de um canto, Marcano cabeceou junto à pequena área, esquecido pelos defensores do Belenenses.

O FC Porto, mais uma vez, pareceu ser uma equipa que sabe o que fazer em campo, com Brahimi, Corona e Ruben Neves em destaque. Após a saída de Maicon a braçadeira de capitão passou mesmo para o braço deste último. Que bom voltar a ver o FC Porto capitaneado por um homem da casa!

Foi no fundo, um filme repetido do FC Porto-Belenenses da época passada. Conforme escrevi na altura, foi uma consulta de rotina no Estádio do Dragão, e é difícil escapar novamente a essa ideia. Num final de tarde cinzento e ventoso, a vitória tornou-se muito importante para o FC Porto, na sequência de um adiamento no União-Benfica, devido ao nevoeiro. Não tendo jogado, os encarnados vêem-se provisoriamente a cinco pontos de distância dos dragões. Vale o que vale, mas não deixa de ser uma vantagem psicológica que o FC Porto poderá explorar.

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por Miran Pavlin às 22:00



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