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CORTE LIMPO



Sábado, 19.03.16

Liga NOS, 27.ª jornada – Vitória FC 0-1 FC Porto

A análise a este jogo terá que ser curta, visto que não o acompanhei com a maior das atenções. Foi-me possível perceber que o grosso da acção se desenrolou no meio-campo dos sadinos e que o FC Porto teve um punhado de lances que com maior acerto poderiam ter proporcionado um resultado final mais dilatado, mas a oportunidade mais flagrante foi mesmo do Vitória, já perto do fim, num remate de Fábio Pacheco na pequena área, que Layún milagrosamente desviou pelo ar.

O FC Porto marcou por Sérgio Oliveira bem em cima do intervalo, e esse acabaria por ser o golo decisivo do encontro. O médio portista fez o seu primeiro golo nesta edição da Liga, segundo na época, num pontapé de ressaca após primeiro remate de Aboubakar, que a defensiva do Setúbal conseguiu repelir. Pelo meio Casillas tremeu num ou noutro lance, desta vez sem consequências, e a equipa mostrou as dificulades de articulação que tão frequentes têm sido esta temporada. Valeu o resultado, que permite ao FC Porto continuar a acossar Benfica e Sporting, à espreita de algum eventual deslize destes.

O FC Porto não terminava um jogo de campeonato sem sofrer golos desde 24 de Janeiro, quando derrotou o Marítimo por 1-0. Foi preciso esperar até ao oitavo jogo para ver Casillas sair com a folha limpa. Muito mais longa é a espera dos adeptos do Vitória, que não vêem o seu clube derrotar o FC Porto no Bonfim desde 1982/83. Já é lei não escrita do futebol. Incluindo todos os jogos, o Setúbal não bate o FC Porto desde 1988/89, quando venceu nas Antas por 0-1, e não pontua frente aos dragões desde a temporada 2005/06, altura em que foi ao Dragão empatar a zero. Desde então, este foi o 27.º triunfo consecutivo do FC Porto sobre o Vitória.

A perseguição portista aos grandes da capital continua nos próximos fascículos.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 12.03.16

Liga NOS, 26.ª jornada – FC Porto 3-2 CF União – Suor

Comecemos pelo minuto 60, altura em que o FC Porto vencia por 2-0 e a transmissão televisiva mostrou José Peseiro, após uma jogada que não lhe agradou, chamar a atenção a alguém no relvado dizendo que “não temos pressa”, presumivelmente na construção dos lances. Não terá o treinador escolhido as melhores palavras, nem terá sido o momento mais apropriado para o fazer, pois menos de dez minutos mais tarde o União chegava, imagine-se, à igualdade. É um traço definidor daquilo que é o FC Porto 2015/16: uma insegurança defensiva que se traduz em sete jogos de enfiada a sofrer golos na I Liga. Já para não falar que para este FC Porto nada é – nem está – garantido.

É também justo dizer que o União chegou ao empate praticamente sem saber como. Pode passar-se desde já à frente do primeiro tempo, que teve o golo de Aboubakar (24’) e pouco mais. Aos 51 minutos apareceu o segundo golo dos dragões, num belo remate em arco de Herrera, e o FC Porto parecia ter controlo definitivo sobre o jogo. Era engano. Cinco minutos depois do tento do mexicano entrava em campo Danilo Dias, que é ao mesmo tempo o homem mais experiente do plantel unionista e o seu melhor marcador na I Liga. E o jogo mudou.

O União tornou-se mais perigoso, e seria mesmo Danilo Dias a reduzir a diferença (62’). O brasileiro não se ficou por aqui, e ao minuto 67 bisou, provocando suores frios um pouco por todo o Estádio do Dragão. A equipa dos dragões transpirava insegurança, numa imagem diametralmente oposta à tranquilidade que demonstrara até aí, os adeptos presentes também se contorciam nas cadeiras, e o jogo ficou partido ao ponto de se pensar que uma reviravolta histórica estava ali ao virar da esquina.

À entrada para os dez minutos finais o guarda-redes do União solicitou assistência médica, e pensou-se que seria apenas a primeira manobra dos insulares para congelar o jogo e conservar o empate. Também aí seria engano. O FC Porto ainda conseguiria chegar ao terceiro golo (87’), que o poupou a muitas dores de cabeça e a ouvidos massacrados por assobios. O salvador, desta vez, foi o tantas vezes apagado Corona, que tabelou com Suk antes de disparar forte, rasteiro e de surpresa. O guarda-redes Ricardo Campos ainda tocou na bola, mas não foi suficiente.

O triunfo suado deixa mais uma vez à vista que os problemas do FC Porto não residem no meio, mas sim nos vértices. Faltam extremos que saibam sê-lo e que cruzem como tal – e isso é meio caminho andado para que o ponta-de-lança seja mais produtivo – além de um central capaz de comandar na zona recuada. Só há duas soluções: ou lançar jovens e dar-lhes tempo para se acomodarem, coisa que um clube da dimensão do FC Porto não tem, muito menos no momento em que está, ou resgatar alguém rodado que tenha ligações à casa. Será que Ricardo Costa e Vieirinha, para não falar em Bruno Alves, poderiam ser úteis à causa?

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por Miran Pavlin às 23:50

Domingo, 06.03.16

Liga NOS, 25.ª jornada – SC Braga 3-1 FC Porto – Velas acesas

Alguns jogos condensam em si mesmos a fotografia global daquilo que está a ser a época de uma equipa. Tanto neste encontro como ao longo da temporada 2015/16, o FC Porto andou por cima, tremeu, reagiu, mas acabou por se desmoronar, hipotecando com isso a esperança que ainda tinha em recuperar o título que lhe foge há duas épocas.

Apesar de o FC Porto ter entrado no jogo com ganas, a verdade é que o Braga é credor do mérito de ter sabido adaptar-se àquilo a que os dragões o obrigaram. Sem problemas em recuar a equipa para bem junto da sua área quando era preciso, os guerreiros conseguiram ser um obstáculo às movimentações dos portistas, que com José Peseiro continuam a ser mais proactivos. Mas, como diz o ditado, o que nasce torto tarda a endireitar-se, e os meses de futebol cinzento ainda pesam na psique da equipa.

Daí que a primeira oportunidade flagrante tenha sido dos minhotos, ao minuto 34, quando Hassan e Rafa combinaram para três remates que o poste e a defensiva portista conseguiram anular. Antes, já Brahimi também tinha encontrado o ferro, na marcação de um livre directo. A primeira metade terminaria sem golos, não por falta de empenho, mas porque nenhum dos conjuntos conseguiu pegar no jogo tempo suficiente para o inclinar sobre o último terço contrário.

No arranque do segundo tempo o FC Porto ainda deu um leve ar da sua graça, mas rapidamente começou a ficar sem ideias, o que permitiu ao Braga, pouco a pouco, crescer no jogo. Ou, pelo menos, obrigar o FC Porto a recuar mais do que desejaria. E enquanto muitos estariam na dúvida se este seria um caso de “quem marcar ganha” ou de “vai ficar 0-0”, o jogo ensandeceu.

Decorria o minuto 71 quando Marcano fez o equivalente futebolístico a destapar uma mina no clássico jogo do Windows, falhando um corte simples a um cruzamento aparentemente inofensivo de Djavan. O desastre do central portista foi a felicidade de Hassan, que aparecia nesse momento na cara de Casillas e só teve que encostar. Com o credo na boca e as aspirações na I Liga em risco, o FC Porto não tinha outra solução senão atacar, em certos momentos mais com o coração que com a cabeça.

Com a manta destapada, os dragões expuseram-se a contra-ataques, e Rafa poderia ter sentenciado a partida logo ao minuto 81, quando se isolou e colocou a bola em cheio no poste. Os riscos corridos pelo FC Porto pagaram dividendos quatro minutos mais tarde, quando Maxi Pereira, num cabeceamento de ressaca, igualou a contenda. Era a fase mais intensa do jogo, e talvez aquela em que mais fez falta ter Peseiro no banco – o técnico tinha sido expulso aos 34 minutos, por abandonar a área técnica para protestar uma decisão do juiz Carlos Xistra.

O FC Porto continuava a não ter outra opção que não fosse buscar o 1-2, pelo que a equipa se manteve demasiado subida no terreno, abrindo espaço para mais um rápido contra-ataque arsenalista, que terminou no golo de Rafa (89’), que ao segundo poste correspondeu a novo cruzamento de Djavan. Martins Indi acumulou cartões amarelos uns segundos mais tarde, e seria já no desespero total que o FC Porto sofreria o terceiro golo, com o ex-portista Alan a aproveitar uma saída tão despropositada quanto ineficaz de Casillas para empurrar para a baliza deserta.

O FC Porto não sofria três golos num jogo de I Liga desde Janeiro de 2012, ao mesmo tempo que concede golos pelo sexto jogo consecutivo no campeonato. Peseiro tinha que se resignar a assistir a tudo desde a tribuna de imprensa. Os acontecimentos do Sporting-Benfica da véspera deixam os dragões a seis pontos do topo, quando faltam disputar nove jornadas. No futebol nada é garantido, e as recuperações acontecem, mas as indicações que transparecem deste FC Porto não são as melhores. É oficialmente hora de acender as velas.

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por Miran Pavlin às 23:45

Quarta-feira, 02.03.16

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão – FC Porto 2-0 Gil Vicente FC

Por muito que no futebol tudo seja possível, este jogo pouco mais era que a confirmação do que já estava alinhavado de antemão. Para que o Gil Vicente invertesse o resultado que trazia do primeiro jogo, a ocorrência de um milagre era pouco. Era necessário que todas as divindades, incluindo as figuras das mitologias grega e romana, dessem as mãos e fizessem uso de todos os seus poderes, uma vez que nunca na história da Taça de Portugal o FC Porto perdeu em casa por quatro golos de diferença; incluindo todas as competições oficiais existentes hoje, tal aconteceu apenas por quatro vezes, sempre no campeonato. Empatar a eliminatória também estaria fora de questão, visto que só num par de ocasiões se verificou um 0-3 em casa do FC Porto na Taça de Portugal, diante de Benfica em 1973/74, e Setúbal em 1966/67; o 1-4, que serviria aos gilistas, aconteceu apenas uma vez, pelo Sporting de 1944/45.

Face ao exposto acima, era então altamente improvável que o FC Porto não atingisse a final. Também por isso o jogo deixou margem para poupanças e experiências. De entre os mais utilizados, só Layún, Rúben Neves e Aboubakar alinharam de início. Evandro ganhou minutos, assim como Marega, enquanto Chidozie voltou ao eixo da defesa, onde tem dado algumas cartas, ainda que tímidas. Helton, Víctor García, José Ángel, Sérgio Oliveira e Varela completaram o onze.

A fraca assistência também terá contribuído para que a primeira parte fosse fastidiosa. Foram poucos os lances relevantes, entre eles o primeiro golo de Chidozie pelo FC Porto (11’), num cabeceamento após canto cobrado por Sérgio Oliveira. O jogo arrastar-se-ia sem grandes motivos de interesse até ao minuto 81, quando Marega também se estreou a marcar pelos azuis-e-brancos, assistido por Aboubakar. A crónica terá que ficar por aqui, visto que ao intervalo abandonei o conforto do sofá, e analisar um jogo apenas com base no relato radiofónico é o mesmo que pedir a um míope sem óculos para descrever o que acabou de se passar do outro lado da rua.

Sobram as curiosidades à volta das quais girará parte da antevisão da final do Jamor, onde o FC Porto esgrimirá argumentos com o Braga: a última final entre ambos, na Taça da Liga 2012/13, foi vencida pelos arsenalistas, na altura orientados por José Peseiro, ao passo que o mais recente título do FC Porto, a Supertaça de 2013, foi conquistado sob o comando de Paulo Fonseca, hoje técnico do Braga. A final é só em Maio, mas os caprichos do calendário ditam que o aperitivo seja servido sem demoras: Braga e FC Porto defrontam-se já no próximo fim-de-semana, a contar para a I Liga.

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por Miran Pavlin às 23:55



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