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CORTE LIMPO



Quinta-feira, 26.05.16

A ACADÉMICA COIMBRA 2015/16

Há anos que a I Liga tinha duas equipas para quem a despromoção era um acidente à espera de acontecer. O Setúbal é uma delas; a outra era, já se percebe, a Académica. Enquanto os sadinos mais uma vez escaparam à justa, a Académica não conseguiu voltar a desfeitear a descida de divisão, regressando à II Liga depois de 14 temporadas no chamado convívio dos grandes. Nesses anos, só por duas vezes a Briosa terminou acima do décimo lugar. Treinada por Domingos Paciência, a Académica foi 7.ª em 2008/09, e em 2013/14 saboreou o oitavo posto, comandada por Sérgio Conceição.

Esta época não houve mesmo hipótese. A melhor classificação dos estudantes foi um 15.º posto, logo na primeira jornada. Daí para a frente, passaram nada menos que 27 jornadas abaixo da linha de água, nove das quais com a lanterna vermelha na mão. Numa prova longa como uma liga nacional, começar mal nem sempre é um obstáculo inultrapassável, mas no caso da Académica foi mesmo. As seis derrotas a abrir tornaram-se numa montanha demasiado alta. O treinador José Viterbo, que na época passada salvou a Académica da descida, só aguentou cinco dessas derrotas, apresentando a demissão. O presidente José Eduardo Simões chorou na hora de o anunciar aos jornalistas.

O substituto Filipe Gouveia conseguiu apenas corrigir, em parte, o péssimo trajecto caseiro da Académica, que em 2014/15 só venceu um jogo como visitada. Desta vez somou cinco triunfos (e outros tantos empates), mas foi, ao mesmo tempo, a única equipa que não venceu fora de casa. Ainda com Viterbo no banco, a Académica despediu-se da Taça da Liga bem cedo, a 16 de Setembro, ao perder com o Marítimo (2-1). A saída da Taça de Portugal deu-se em Dezembro, nos oitavos-de-final, com uma derrota por 1-0 no Bessa. O golo do Boavista apareceu aos 86 minutos.

Entretanto no campeonato a Académica lutava pelo 16.º lugar precisamente com o Boavista. Os dois clubes passaram grande parte da competição lado a lado, ultrapassaram-se mutuamente, mas o Boavista acabaria por recuperar, já perto do fim, deixando a Briosa cada vez mais afundada, numa altura em que o outrora condenado Tondela já recuperava ponto atrás de ponto.

O jogo da 32.ª jornada, em casa do União, era crucial para os destinos da Académica, mas os insulares venceriam por 3-1. Na jornada seguinte, o nulo caseiro com o Braga selou a descida dos estudantes. Restava disputar um jogo, em casa do Tondela. Nas semanas que o antecederam, diversos cenários foram possíveis para esse encontro. Poderia ter sido um jogo explosivo em que quem perdesse descia, ou um jogo de lágrimas com os dois já despromovidos. Acabaria por ser uma hipótese de a Académica morder os lábios e fazer questão de não descer sozinha, levando o Tondela consigo. Nem isso conseguiu, perdendo por 2-0 e tendo que assistir à festa do adversário.

16 jogadores marcaram pela Académica na I Liga, com Pedro Nuno a ser o artilheiro… com escassos quatro golos. Diz muito das dificuldades por que a Académica passou. O central João Real apontou três golos. Marinho não pôde dar o seu melhor contributo, ainda devido a uma lesão contraída na época anterior. Fernando Alexandre, Ricardo Nascimento e Nuno Piloto foram outros dos nomes em destaque.

A I Liga perde assim um dos seus históricos, que totaliza 54 épocas ao mais alto nível. Da penúltima vez que desceu, em 1987/88, a Académica demorou dez anos a voltar; em 1999 desceu de novo, regressando em 2002 para a série que agora termina.

 

Contas finais

Campeonato: 18.º lugar, com 5v, 10e, 19d, 32gm, 60gs, 25pts (despromovido)

Taça de Portugal: eliminada nos oitavos-de-final

Taça da Liga: afastada na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

14.12.2015, jornada 13 – vence o Belenenses por 4-3; não marcava tantos golos ao Belenenses em casa desde 1966/67. O próprio Belenenses não marcava tantos em Coimbra desde 1959/60.

 

Para esquecer

16.09.2015, Taça da Liga: a braços com uma crise de resultados no campeonato, os estudantes saem da Taça da Liga ao perder em casa do Marítimo (2-1);

28.09.2015, jornada 6 – o terrível arranque da Académica atinge a sexta derrota consecutiva;

07.02.2016, jornada 21 – Académica empata em casa com o Nacional a duas bolas. Os dois golos dos insulares resultam de auto-golos;

09.04.2016, jornada 29 – ao perder por 1-2, a Académica mantém-se sem vergar o Benfica em casa desde 1973/74;

07.05.2016, jornada 33 – um nulo caseiro com o Braga despromoveu os estudantes à II Liga.

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por Miran Pavlin às 20:00

Quinta-feira, 26.05.16

CF UNIÃO 2015/16

De regresso à I Liga após vinte anos de ausência, o União passou apenas uma jornada dentro da zona de despromoção. Nada mau para um emblema nesta circunstância… excepto quando se constata que essa queda abaixo da linha de água aconteceu, de forma fatídica, na última jornada. Nem mais. O União viveu muitos dos problemas que costumam afectar clubes que se estreiam, ou que voltam à categoria máxima depois de longos anos arredados. As sequências de dez, e mais tarde de doze jogos sem vencer assim o demonstram, mas os insulares encontraram sempre forma de resistir a baixar à zona proibida.

Se a jogar fora os unionistas foram uma das duas equipas com o pior registo – cinco pontos apenas, a par da Académica –, em casa foram um osso mais duro de roer, tendo vencido seis jogos e empatado outros tantos. Além disso, quem olhasse para o União por alturas da viragem do campeonato encontrava uma equipa em 11.º lugar (à 19.ª jornada), às costas de cinco vitórias em oito jogos.

Foi a melhor fase da época para os madeirenses, que tinham começado em grande, derrotando o Marítimo (2-1), mas não voltariam a vencer até essa 12.ª jornada, na qual se cruzaram com alguém em pior situação que a sua, no caso o Tondela. Na ronda 14 o União bateu o Sporting (1-0), e ainda vergaria Boavista (1-0), novamente Marítimo (0-1) e Nacional (3-0). Os triunfos frente aos rivais locais foram especialmente saborosos, já que elevaram o União acima de ambos, situação pouco crível no arranque da competição. No “campeonato da Madeira” seria mesmo o União a ficar por cima.

A fase positiva, contudo, seria sol de pouca dura. O União só venceria mais um jogo até final, à jornada 32, diante da Académica (3-1). Com as duas equipas desesperadamente necessitadas de pontos, o triunfo valeu mais que três pontos, mas os insulares não seriam capazes de retirar daí ânimo. A penúltima jornada trouxe uma derrota no Bessa (1-0), com o golo a nascer de um erro clamoroso do guarda-redes Gudiño, que tentava bater uma bola para o meio campo quando estava sozinho na área, mas trocou os pés e entregou a bola ao boavisteiro Zé Manuel.

O drama maior estava ainda assim reservado para a última jornada. O União esteve salvo da descida durante 21 minutos. Foi o tempo que mediou o 1-0, apontado por Amilton (36’), e o golo do empate do Rio Ave (57’). Os de Vila do Conde não podiam consdescender com as necessidades do União, visto que estavam eles próprios em busca de um lugar na Liga Europa, e chegaram mesmo ao 1-2, que confirmou tanto esse apuramento, como a despromoção do União.

Dono de uma carreira invulgar, que o levou de jogador mediano a dirigente do Sporting, sem esquecer o período como director da revista Foot, o treinador Norton de Matos passou praticamente toda a época em pé-de-guerra com o presidente Filipe Abreu Silva. O técnico envolveu-se em alguns episódios rocambolescos, como a ida sem avisar a Lisboa para uma consulta no dentista, e chegou a ter o despedimento à sua frente, mas resistiu até final da época.

Os 27 golos marcados foram o segundo pior registo da época. O experiente Danilo Dias apontou sete, seguido de Amilton, com cinco, Élio Martins (quatro) e Toni Silva (três). O venezuelano Cádiz foi outro dos criadores de problemas para as defensivas contrárias, mas ficou-se pelos dois golos.

 

“Campeonato da Madeira”

Dos três clubes do arquipélago, o União foi o que somou mais pontos nos jogos entre si.

1.ª jornada          União 2-1 Marítimo

2.ª jornada          Nacional 1-0 União

11.ª jornada       Nacional 3-1 Marítimo

18.ª jornada       Marítimo 0-1 União

19.ª jornada       União 3-0 Nacional

28.ª jornada       Marítimo 2-0 Nacional

 

1.º União, 9 pontos; 2.º Nacional 6 pontos; 3.º Marítimo 3 pontos.

 

Totalidade

O defesa Diego Galo foi o único totalista desta edição da Liga NOS.

 

Contas finais

Campeonato: 17.º lugar, com 7v, 8e, 19d, 27gm, 50gs, 29pts (despromovido)

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória (Desportivo das Aves, 3-3 a.p., 5-4 g.p.)

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória (Paços de Ferreira, 0-1)

 

Para mais tarde recordar

20.12.2015, jornada 14 – vence o Sporting por 1-0; a primeira vez que o União bateu o pé a um grande;

16.01.2016, jornada 18 – vence pela primeira vez em casa do Marítimo em jogos da I Liga (0-1).

 

Para esquecer

22.11.2015, Taça de Portugal – eliminado pelo Desportivo das Aves (II Liga), num jogo louco que terminou 3-3 e precisou de grandes penalidades para encontrar o vencedor (5-4);

12.12.2015, jornada 13 – igualou a sua pior derrota de sempre na I Liga, ao perder por 6-0 em Paços de Ferreira;

14.05.2016, jornada 34 – União despromovido ao perder em casa com o Rio Ave (1-2). Os insulares entraram na jornada de fecho acima da linha fatal.

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por Miran Pavlin às 19:15

Quinta-feira, 26.05.16

CD TONDELA 2015/16

A I Liga não via nada assim desde o Rio Ave de 1996/97. Com oito jogos por disputar, o Tondela estava a 11 pontos de distância do 16.º lugar, portanto praticamente condenado à despromoção. O que se seguiu não estava nas previsões de ninguém; talvez só estivesse mesmo nos sonhos mais loucos dos seus adeptos. Nessas oito partidas, o Tondela somou nada menos que 17 pontos – só Benfica e Sporting fizeram melhor nesse período – e terminou a festejar uma permanência conseguida à justa. Foi uma recuperação tão ou mais sensacional que o 5.º posto obtido pelo Arouca.

É quase impossível explicar como o Tondela conseguiu inverter a tendência que o acompanhou desde o início da época. A equipa conheceu três treinadores e teve sequências de 14 e depois 9 jogos sem vencer, e de 24 a sofrer golos, além de 22 jornadas como lanterna vermelha e 20 derrotas, mais que qualquer outra equipa. É certo que o Tondela deu um ar de sua graça aqui e ali, nomeadamente através da vitória em Vila do Conde (2-3) à jornada 15, e do empate em Alvalade (2-2) três rondas mais tarde, mas face aos números que a equipa trazia, era difícil não encarar esses resultados como um acaso.

A primeira vez em que o Tondela foi verdadeiramente feliz ocorreu então nessa jornada 27. A perder por 0-2 com o Belenenses, o Tondela conseguiu igualar já nos descontos. Na semana seguinte deu-se o escândalo do ano na I Liga, com a vitória no Dragão (0-1), graças a um pedaço de arte de Luís Alberto. A avaliar pelas reacções ao jogo, foi o desventurado FC Porto que o perdeu, não o Tondela que o ganhou.

E se ainda não era possível ver as coisas dessa forma, o Tondela fez com que fosse, prosseguindo com uma vitória sobre o igualmente aflito União (1-0), antes de perder em Braga (3-0) na jornada 30. Precisando agora de seis pontos quando faltavam jogar 12, seria o fim da linha para os beirões? Nada disso. Seguiu-se uma vitória diante de outro aflito, no caso o Setúbal (0-1), um empate com o Rio Ave (1-1), e um impressionante triunfo em Paços de Ferreira (1-4). Na derradeira jornada o Tondela ainda esteve com o coração nas mãos durante alguns minutos, mas a conjugação da sua vitória por 2-0 sobre a Académica com os outros resultados ditou então a permanência.

Foi como se a temporada do Tondela se assemelhasse a um dia de Março, chuvoso de manhã e soalheiro à tarde. Enquanto não encontraram a fortuna, os tondelenses foram coleccionando derrotas pela margem mínima – nada menos que 13, com a mais inglória de todas a surgir na jornada 23, na qual estiveram a perder com o Marítimo por 0-2 (33’), deram a volta (85’), mas acabaram derrotados por 3-4. Ao fim de sete jornadas – e quatro pontos somados – estalava o chicote pela primeira vez, com Vítor Paneira a ceder o lugar a Rui Bento.

Com Bento ao volante o Tondela despistou-se nas duas Taças no espaço de poucos dias. A 10 de Outubro saiu da Taça da Liga nas grandes penalidades contra o Nacional; oito dias depois foi eliminado da Taça de Portugal ao perder frente ao secundário Gil Vicente (2-1). Sem conseguir recuperar no campeonato, Rui Bento foi também ele afastado, após a 12.ª jornada.

O central Pica foi figura central da equipa, passe o pelonasmo, ao marcar quatro golos. Três deles valeram sete pontos; o último, na jornada de fecho, abriu caminho à manutenção. Nathan Júnior marcou 13 golos, Chamorro marcou o golo que valeu o empate em Alvalade, e Kaká foi a voz da experiência numa defesa muito massacrada. Luís Alberto marcou o primeiro golo de sempre da equipa na I Liga, com Jhon Murillo e Lucas Souza a mostrarem-se a epaços.

A época de estreia do Tondela na I Liga foi inesquecível, tanto pelos bons como pelos maus motivos. Só um louco arriscará agora um prognóstico para o segundo ano.

 

Treinador

O que terá passado pela cabeça de Petit para abandonar a luta pela manutenção do Boavista, e duas jornadas depois ter a seu cargo a luta de outro emblema ainda mais mal classificado? Demorou algum tempo, mas o antigo médio acabaria por justificar a troca – não sem antes ser derrotado pelo próprio Boavista (1-2), na 19.ª jornada –, entrando assim na história do clube. Petit foi o único técnico que esteve ao comando de duas equipas nesta edição da I Liga. Já o Tondela termina a época tendo sido orientado por três antigos internacionais portugueses.

 

 

Contas finais

Campeonato: 16.º lugar, com 8v, 6e, 20d, 34gm, 54gs, 30pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

03.01.2016, jornada 15 – primeira vitória de sempre fora de casa na I Liga (2-3 em Vila do Conde);

03.04.2016, jornada 28 – vitória por 0-1 sobre o FC Porto. A primeira da história do Tondela frente a um grande.

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por Miran Pavlin às 19:00

Quinta-feira, 26.05.16

VITÓRIA FC 2015/16

Alguém apagou ao luz ao Vitória quando começou a segunda volta do campeonato. Nono colocado após a 17.ª jornada, o Setúbal terminou em 15.º, um pontinho apenas acima da linha fatal, e só garantiu a manutenção na última jornada, com um empate sem golos diante do Paços de Ferreira no Bonfim. Foi o único jogo da segunda metade da temporada em que o Vitória não sofreu.

Os sadinos começaram a sua carreira com a torneira dos golos, tanto marcados, como sofridos, a jorrar indefinidamente. À 14.ª jornada o Setúbal tinha mesmo mais golos marcados que o Sporting (26 contra 24). Até que a equipa deixou de marcar golos, pelo menos em quantidade suficiente. O Setúbal completaria mesmo uma sequência de 21 jogos consecutivos a sofrer, entre as jornadas 13 e 33, e só por seis vezes manteve a folha limpa nos jogos da Liga NOS. Durante a primeira volta o Setúbal marcou 28 golos e sofreu 30; daí para a frente fez 12 golos, sofrendo 31.

A quebra de produtividade em frente à baliza contrária justifica o péssimo percurso sadino na segunda volta, na qual venceu apenas um jogo (!), frente à Académica (2-1) na 19.ª jornada, e empatou cinco, sendo a pior equipa desse período da época. Os 61 golos sofridos foram o terceiro pior registo defensivo neste campeonato.

O Vitória foi ainda a terceira equipa que somou menos pontos a jogar em casa (15, contra 14 do Moreirense e 13 do Tondela), e aquela que menos jogos venceu como visitado (apenas dois). O conjunto setubalense foi presa fácil para o Sporting, que venceu os dois encontros por um resultado combinado de 11-0, e fez apenas três pontos frente às equipas que ocuparam os primeiros seis lugares na tabela final.

Na sua segunda passagem pelos bancos da I Liga, depois de orientar o Feirense durante 25 jogos em 2011/12, o treinador Quim Machado parecia estar a caminho de ser o primeiro treinador que não se chama José Couceiro a levar o Setúbal a bom porto desde Carlos Carvalhal, em 2007/08, mas não conseguiu reerguer a equipa quando os triunfos desapareceram. O Vitória terminou mesmo a campanha na Liga com uma série de 15 jogos sem vencer, que incluiu cinco derrotas consecutivas numa altura nada conveniente (jornadas 29 a 33), em que a descida já se tinha tornado num cenário bem real à beira-Sado.

André Claro foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com respeitáveis 12 golos, mas o treinador bem se pode queixar de ter perdido a sua outra arma ofensiva, o sul-coreano Hyun-Jun Suk, que fez nove golos antes de rumar ao FC Porto em Janeiro, onde apenas faria mais dois golos nas poucas oportunidades que teve (um no campeonato e outro na Taça de Portugal, prova na qual tinha já apontado dois tentos pelos sadinos). Arnold, Costinha e André Horta foram também nomes em foco no plantel do Setúbal, a par com Frederico Venâncio, este no sector mais recuado.

O terrível final de temporada tornou então o bom início numa nota de rodapé, ao mesmo tempo que sublinhou que não existem anos tranquilos no Vitória de Setúbal. O clube não termina duas épocas consecutivas acima do 10.º lugar desde 1988/89 e 1989/90, quando ficou em 5.º e 7.º lugares, respectivamente.

Contas finais

Campeonato: 15.º lugar, com 6v, 12e, 16d, 40gm, 61gs, 30pts

Taça de Portugal: eliminado nos oitavos-de-final (Rio Ave, 1-1 a.p., 1-3 g.p.)

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória (Moreirense, 1-0)

Para mais tarde recordar

24.08.2015, jornada 2 – ao vencer em Coimbra por 0-4, o Setúbal obteve a sua maior vitória fora de casa desde Setembro de 2002, quando venceu nos Barreiros por 0-5;

25.10.2015, jornada 8 – vence pela primeira vez em Moreira de Cónegos em jogos a contar para a I Liga;

05.12.2015, jornada 12 – consegue o seu maior triunfo de sempre em casa do Belenenses (0-3).

 

Para esquecer

06.01.2016, jornada 16 – ao perder por 0-6, sofre a pior derrota caseira com o Sporting desde 1959/60 (1-7);

31.01.2016, jornada 20 – derrotado por 2-1, o Setúbal continua sem vencer em Vila do Conde, incluindo todas as competições. Só na I Liga são já 20 visitas sem nunca ter trazido os três pontos;

19.03.2016, jornada 27 – ao perder por 0-1, o Setúbal continua sem ganhar em casa ao FC Porto desde 1982/83;

03.04.2016, jornada 28 – ao empatar a dois golos, o Vitória continua sem ganhar em casa do União em jogos da I Liga.

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por Miran Pavlin às 13:45

Quinta-feira, 26.05.16

BOAVISTA FC 2015/16

A tarefa do Boavista adivinhava-se mais difícil que na época passada. Já não havia factor surpresa, nem relvado sintético para eventualmente causar dificuldades aos adversários. A perspectiva era de uma luta extenuante, do ponto de vista mental, no sentido de cruzar a meta, no mínimo, em 16.º lugar. O arranque do campeonato, contudo, contrariou as previsões. Logo no começo, em Setúbal, os axadrezados recuperaram dois golos de desvantagem já a jogar com menos um homem e lograram um empate. Seguiram-se uma vitória tangencial sobre o Tondela (1-0), outra em Coimbra (0-2) e um nulo caseiro com o Sporting; de permeio, derrotas com o Braga (4-0) e o Paços de Ferreira (0-1). Oito pontos em seis jornadas não era um pecúlio propriamente mau, e o Boavista encontrava-se nessa altura no nono lugar. As complicações, porém, começaram a partir deste ponto.

Nessa sexta jornada o Boavista embarcava numa viagem de doze jogos sem vencer, em que somou escassos três pontos. O xadrez chegava à 17.ª jornada sem marcar golos há quatro partidas, sofria há nove jogos seguidos, e era derrotado em casa pelo FC Porto por 0-5. O treinador Petit demitira-se após a 11.ª jornada, invocando razões pessoais. O cenário era, de facto negro, mas começaria a mudar assim que começou a segunda volta.

Com efeito, o Boavista entrou na segunda metade da Liga NOS com três vitórias e dois empates, e apenas um golo sofrido. Era o balão de oxigénio de que a equipa tanto precisava. As panteras começaram por bater o Setúbal por 4-0, antes de uma vitória estratégica em Tondela (1-2) e um empate com o Braga (0-0). Ainda haveria tempo para vencer em Paços (0-1) e empatar no Bessa com a Académica (0-0), que apesar de ser mais um ponto somado, não era o resultado mais conveniente. Até porque o Boavista passou grande parte da época num jogo das cadeiras com a Briosa. Os dois conjuntos alternaram no 16.º e 17.º lugares entre as jornadas 12 e 28. Nessa luta a vantagem, primeiro psicológica, mais tarde real, era do Boavista, que tinha então vencido no terreno da Académica.

Os axadrezados ainda tiveram que sofrer mais um pouco até perto do final do campeonato, mas conseguiram acrescentar os pontos necessários para celebrar a manutenção à 32.ª jornada. Nesse último esforço a equipa obteve uma vitória no recinto do Marítimo (0-3), deu luta ao Benfica, que só venceu com um golo no último suspiro, empatou em Guimarães (1-1) e derrotou o Belenenses (1-0), antes de garantir o objectivo maior empatando em Moreira de Cónegos (1-1).

Parte das forças que o Boavista encontrou vieram de fora das quatro linhas. O substituto de Petit no banco foi nada menos que outra glória do clube, Erwin Sánchez. A estrutura do futebol do Boavista contou ainda com o adjunto Jorge Couto, que orientou a equipa interinamente na 12.ª jornada, mas também com Fary e Ion Timofte, além do técnico de guarda-redes Alfredo Castro. Tudo homens com história de xadrez ao peito.

Dentro de campo, o guarda-redes Mika deu o que tinha, Carlos Santos foi o pilar da defesa, em conjunto com Tengarrinha, enquanto o senegalês Idris foi o motor do meio-campo. Zé Manuel foi o melhor marcador da equipa na Liga, com cinco tentos. Foi o único jogador do Boavista que apontou mais que dois golos no campeonato. Anderson Carvalho e Paulo Vinícius foram outros dos nomes em foco na equipa.

A presença na Taça da Liga durou apenas um jogo, com as panteras a perderem nas grandes penalidades na visita ao Feirense (1-1 nos 90 minutos). Na Taça de Portugal o Boavista eliminou Loures (1-2 após prolongamento), Operário (1-0) e Académica (1-0), antes de tombar em casa nos quartos-de-final, numa batalha frente ao FC Porto (0-1), na qual desperdiçou uma grande penalidade no último minuto da compensação. Apesar do estatuto que tem na prova rainha, por enquanto não é essa a história que o Boavista quer escrever; é no campeonato que o xadrez coloca todas as suas peças. E para o ano elas lá estarão no tabuleiro da Liga NOS.

 

Contas finais

Campeonato: 14.º lugar, com 8v, 9e, 17d, 24gm (pior ataque), 47gs, 33pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

18.01.2016, jornada 18 – vitória por 4-0 sobre o Setúbal; desde 1979/80 que o Boavista não batia os sadinos em casa tão folgadamente. Além disso, foi a maior vitória dos axadrezados na I Liga desde 2001/02, quando derrotou o Paços de Ferreira por 5-0;

11.03.2016, jornada 26 – ao vencer por 0-3, o Boavista consegue a sua maior vitória de sempre em casa do Marítimo.

 

Para esquecer

10.01.2016, jornada 17 – derrota caseira com o FC Porto por 0-5; a pior do Boavista no Bessa desde 1981/82 (0-6, também contra os dragões).

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por Miran Pavlin às 13:00

Quinta-feira, 26.05.16

CS MARÍTIMO 2015/16

A palavra-chave da época do Marítimo é: inconstância. Capaz de golear e ser goleado, foi como se o emblema insular passasse toda a época no interminável sobe-e-desce de uma montanha russa. Quem sai da montanha russa fá-lo por baixo, e foi precisamente isso que sucedeu ao Marítimo. O 13.º lugar foi a sua pior classificação desde 1982/83, ao passo que os 63 golos sofridos são novo recorde do clube. Como se não bastasse, nunca antes o clube tinha perdido 19 jogos numa só edição da I Liga.

A primeira dessas derrotas ocorreu logo na jornada inaugural, e não terá sido fácil de digerir. Apadrinhando o regresso do União à categoria máxima, o Marítimo inadvertidamente entrou na festa, ao sair derrotado por 2-1. Na segunda jornada, e pelo quarto ano consecutivo, os verde-rubros roubaram pontos na recepção ao FC Porto (1-1). Era só o primeiro exemplo da disparidade de resultados de que o Marítimo era capaz. Nas jornadas imediatas, o Marítimo brindou o Setúbal com um 5-2, saindo depois de Braga vergado a um robusto 5-1. Como visitante, o Marítimo venceria apenas três jogos, frente a Boavista (0-1), Guimarães (3-4) e Tondela (3-4), perdendo onze, com as goleadas sofridas em Arouca (4-1) e na Luz (6-0) à cabeça. A resposta ao vexame na capital – 5-1 na recepção ao Moreirense – foi apenas mais um exemplo das duas caras dos leões do Funchal.

As duas taças nacionais também trouxeram resultados diametralmente opostos. Enquanto na Taça de Portugal o Marítimo foi vítima do episódio de tomba gigantes do ano, ao ser afastado na 4.ª eliminatória pelo Amarante, do Campeonato de Portugal (1-0, golo de Miguelito aos 44’), na Taça da Liga os maritimistas chegaram até à final, num percurso que incluiu uma vitória por 1-3 em casa do FC Porto na fase de grupos. O Marítimo nunca aí tinha ganho qualquer jogo, incluindo todas as competições. O passaporte para o jogo decisivo seria carimbado com uma vitória por 3-1 sobre o Portimonense, que se tornou na primeira equipa da II Liga a atingir as meias-finais, após concluir a fase de grupos à frente do Sporting.

A final foi uma repetição do encontro da época passada, mas só nos intervenientes e no local, pois desta vez o Benfica esteve intratável e goleou por 6-2 – em 2014/15 tinha havido 2-1. O estádio Cidade de Coimbra é definitivamente de má memória para o Marítimo, que havia perdido também na visita à Académica (1-0) para o campeonato.

Tantos desaires acabaram por custar o lugar ao técnico Ivo Vieira, que se demitiu após a 18.ª jornada, naquele que seria o último chicote a estalar esta época na Liga NOS. O resto da temporada ficaria a cargo de Nelo Vingada, mas o experiente técnico, na sua segunda passagem pelo clube – que orientou entre 1999 e 2002 – não conseguiu recuperar o ânimo do plantel.

Nada menos que 16 jogadores fizeram o gosto ao pé pelo Marítimo na Liga NOS, com Dyego Sousa a facturar 12 golos – nenhum de grande penalidade. Fransérgio (5 golos) e Edgar Costa (4) também estiveram em foco, com este último a apontar talvez o golo do ano, rematando de costas para a baliza, depois de receber a bola e dar dois toques. Marcá-lo frente ao Nacional abrilhantou ainda mais o movimento. Baba regressou ao clube em Janeiro para colmatar a saída de Marega para o FC Porto, mas foi pouco mais que um fracasso; curiosamente, tal como o próprio Marega, que se eclipsou no Dragão. Na defesa, João Diogo e Rúben Ferreira não chegaram para as encomendas.

 

Contas finais

Campeonato: 13.º lugar, com 10v, 5e, 19d, 45gm, 63gs, 35pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: finalista vencido

 

Para mais tarde recordar

13.09.2015, jornada 4 – vence o Setúbal por 5-2; não marcava cinco golos num jogo de I Liga desde um 1-5 em Coimbra, em 2010/11;

12.12.2015, jornada 13 – marcou pela primeira vez quatro golos em casa do Guimarães (3-4);

10.01.2016, jornada 17 – vitória sobre o Moreirense por 5-1; a maior de sempre frente aos cónegos na I Liga.

 

Para esquecer

22.11.2015, Taça de Portugal: afastado pelo Amarante, do Campeonato de Portugal;

06.01.2016, jornada 16 – derrota na Luz por 6-0. A pior do Marítimo desde 1995/96, quando perdeu pelo mesmo resultado tanto em Guimarães, como nas Antas.

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por Miran Pavlin às 12:45

Quinta-feira, 26.05.16

MOREIRENSE FC 2015/16

O outro representante minhoto da Liga NOS conseguiu um pequeno milagre. Embora tenha terminado apenas um lugar abaixo em relação a 2014/15, esta época foi bastante mais difícil que a anterior. O mau arranque deixou os cónegos em grande sobressalto até que surgisse a primeira vitória, que se fez tardar até à jornada 10. Até aí, o Moreirense somara apenas quatro pontos, fruto dos empates com União (0-0), FC Porto (2-2), Tondela (1-1) e Académica (1-1). A igualdade com o FC Porto era o único sinal de que a equipa teria mais valor do que mostrava em campo, ainda para mais quando as restantes divisões de pontos aconteceram frente aos emblemas que ocupavam as três últimas posições nessa 10.ª jornada.

A direcção do clube resistiu à tentação de trocar de treinador, preferindo confiar que Miguel Leal encontraria uma solução para as desventuras da equipa. Afinal de contas, tratava-se do mesmo homem que orientou os cónegos na época passada. Foi a opção certa. Entre as rondas 10 e 15 o Moreirense venceu quatro partidas – Paços de Ferreira (2-0), Rio Ave (0-1), Nacional (2-0) e Boavista (0-3) – e ainda empatou com o Braga, somando 13 pontos que o içaram do 15.º para o 11.º lugar, a sua melhor classificação em toda a época. Guiado pelos golos de Rafael Martins, o Moreirense vivia mesmo um período áureo no departamento ofensivo, marcando golos em 14 jornadas consecutivas. Só o Benfica teve uma sequência mais longa. Depois do nulo caseiro com o Braga, na jornada 12, o Moreirense só voltou a ficar em branco na ronda 27, em novo empate a zero, agora no terreno do Paços.

O Moreirense ainda sofreu um ou outro resultado mais pesado, como o 5-1 em casa do Marítimo ou o 4-1 em Guimarães, mas os 19 pontos que somou na segunda volta foram suficientes para que os minhotos passassem nove jornadas no 14.º lugar. Faltava apenas a confirmação matemática da permanência, que surgiu a três jogos do fim. A tranquilidade daí resultante ainda permitiu ao Moreirense derrotar o Marítimo (2-1) na última jornada, subindo ao 12.º posto, por troca precisamente com os verde-rubros.

Rafael Martins foi, de longe, o nome maior da campanha do Moreirense. Os seus 16 golos tornaram-no no melhor marcador de sempre do clube na I Liga. Iuri Medeiros, emprestado pelo Sporting, foi o motor do meio-campo, enquanto a experiência de Danielson e Evaldo foi valiosa no sector mais recuado. A chegada de Fábio Espinho em Janeiro foi importante para o equilíbrio da equipa. Nildo foi outro dos homens em destaque. Os 38 golos do Moreirense ficaram repartidos por doze jogadores.

 

Contas finais

Campeonato: 12.º lugar, com 9v, 9e, 16d, 38gm, 54gs, 36pts

Taça de Portugal: afastado na 3.ª eliminatória

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

02.01.2016, jornada 15 – vence no Bessa por 0-3; maior triunfo dos cónegos fora de portas na I Liga desde 2004/05 (0-4 em Coimbra).

 

Para esquecer

17.10.2015, Taça de Portugal – eliminado logo à 3.ª ronda, em casa do secundário Desportivo das Aves, por 3-2 após prolongamento;

23.01.2016, jornada 19 – ao perder com o Estoril por 1-3, o Moreirense continua sem vergar os canarinhos em casa em jogos da I Liga;

26.01.2016, Taça da Liga – tornou-se na primeira equipa nesta prova a sofrer seis golos no mesmo jogo. O Benfica foi o responsável pela indesejada proeza;

10.04.2016, jornada 29 – o empate a um golo em Braga significa que o Moreirense nunca aí ganhou para a I Liga.

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por Miran Pavlin às 12:15

Quinta-feira, 26.05.16

CD NACIONAL 2015/16

Tempos houve em que a Choupana era a casa dos horrores da I Liga. Muito boa gente por lá passou e saiu não apenas derrotada, mas também goleada. Esses anos são hoje uma memória distante, e o único factor de perturbação para quem visita o reduto do Nacional é mesmo o nevoeiro, que ano após ano obriga à interrupção ou adiamento de um par de jogos. É certo que esta época os alvinegros até venceram oito partidas caseiras, mas esse número fica longe das treze conseguidas em 2003/04, que ainda hoje são recorde do clube; e só um pouco aquém das dez somadas na pretérita temporada.

As vitórias foram justamente aquilo que escasseou no trajecto do Nacional, principalmente durante a primeira volta. Os insulares dobraram o campeonato no 15.º lugar, tendo averbado apenas quatro triunfos nessas 18 jornadas. Além disso, nessa altura o Nacional estava numa série de oito jogos sem vencer, que só seria quebrada na jornada 20, quando bateu o Tondela por 3-1.

Na época passada o Nacional renasceu por alturas da viragem do campeonato; este ano o ressurgimento demorou mais a aparecer. Os problemas defensivos terão sido a causa principal desse atraso, já que o Nacional sofreu golos consecutivamente entre as jornadas 11 e 23. As quatro vitórias que se seguiram, frente a Paços de Ferreira (3-0), Boavista (0-1), Rio Ave (1-0) e Guimarães (3-2) constituiriam o melhor período da época, fazendo o Nacional pular cinco posições na classificação, até ao décimo lugar. A jornada 29 traria uma vitória por 4-1 sobre o Estoril, mas até final não haveria mais triunfos, e a equipa acabou por estacionar no 11.º lugar. O Nacional subiu acima do décimo posto apenas em seis das 34 jornadas.

O treinador Manuel Machado, apesar de toda a sua experiência, não conseguiu encontrar antídoto para o maior dos problemas da equipa: vencer como visitante. Na I Liga, tal aconteceu apenas por duas vezes. Em Guimarães (0-1), numa “traição” ao seu clube do coração, e no Bessa, como se escreve acima. Na Taça de Portugal os alvinegros venceram com naturalidade (0-6) em casa do Mosteirense, dos Distritais, mas assim que a capacidade dos adversários aumentou, também cresceram os problemas. Na 5.ª eliminatória foram precisas grandes penalidades para vergar o Desportivo das Aves, da II Liga, depois de um 2-2 ao cabo de 120 minutos de jogo. Nos quartos-de-final, novamente frente a um adversário do escalão secundário, no caso o Gil Vicente, o Nacional perdeu mesmo (1-0).

O trabalho de Manuel Machado, contudo, parece ser reconhecido, uma vez que o técnico está à frente do Nacional há já três épocas e meia. Machado é também um dos treinadores com mais jogos na I Liga, tendo completado 403 partidas, ao serviço de diversos emblemas. Dos treinadores actualmente no activo na Liga NOS, só Jorge Jesus supera Manuel Machado em número de jogos.

O Nacional não teve no seu plantel figuras que se destacassem sobremaneira. O melhor marcador na I Liga, com dez golos, foi o brasileiro Soares, seguido de Salvador Agra, que apontou nove; Rui Correia terminou com cinco golos. O Nacional foi, juntamente com o Guimarães, a equipa que beneficiou de mais auto-golos, num total de quatro. Dois deles surgiram na visita à Académica, num jogo que terminou 2-2.

Contas finais

Campeonato: 11.º lugar, com 10v, 8e, 16d, 40gm, 56gs, 38pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

23.08.2015, jornada 2 – venceu pela primeira vez o União em jogos de I Liga.

 

Para esquecer

13.01.2016, Taça de Portugal – eliminado em casa do Gil Vicente, após derrota por 1-0.

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por Miran Pavlin às 12:00

Quarta-feira, 25.05.16

VITÓRIA SC 2015/16

Santos da casa não fazem milagres. O ditado é antigo, e explica parte daquilo que foi a temporada do Vitória. Com o homem da casa Armando Evangelista ao leme, os dissabores sucederam-se, e bem cedo na época. O primeiro desaire apareceu logo no início de Agosto, quando o Guimarães saiu do comboio da Liga Europa frente ao modesto SCR Altach, que se estreava nas provas da UEFA. Se perder a primeira mão na Áustria por 2-1 não era suficiente para grandes sinais de alarme, o jogo de retorno clarificou sem margem para dúvidas que algo não estava bem. Por muito humilde que fosse, o Altach venceu no D. Afonso Henriques por 1-4, deixando o conjunto vimaranense a caminhar sobre brasas.

Começar o campeonato com uma visita ao FC Porto era ingrato, e os dragões venceriam sem grande dificuldade (3-0). Apesar da exigência de uma visita a casa de um grande, o arranque em falso foi mais um sinal de que o Vitória estava praticamente parado na casa de partida. Empates com Belenenses (1-1), União (0-0) e Setúbal (2-2), aliados a uma vitória (1-0) sobre o Tondela obtida com um auto-golo, não chegavam para mais que um 13.º lugar, e Armando Evangelista abandonou a equipa. Estava-se ainda nos idos de Setembro.

Sérgio Conceição tomou aí as rédeas da equipa, não sem antes passar por uma conferência de imprensa de apresentação presenciada por sócios do clube. O treinador, que orientou nada menos que o Braga na época anterior, logo tratou de frisar que estava de corpo e alma com o clube, e isso deu-lhe a tranquilidade necessária para trabalhar. Mas os resultados continuaram a não surgir. A estreia de Conceição, de resto, não podia ter corrido pior, sofrendo uma derrota caseira precisamente diante do Braga (0-1, golo de Rafa aos 74 minutos). A jornada 7 traria uma pesada derrota em Alvalade (5-1), seguida das eliminações da Taça da Liga, a 10 de Outubro, e da Taça de Portugal, a 18 do mesmo mês. O regresso do campeonato, a 24 de Outubro, trouxe um empate caseiro com a aflita Académica (1-1). E era justamente a Liga NOS tudo o que restava ao Guimarães até final da época.

A equipa aos poucos daria uma resposta. Primeiro em casa do Paços de Ferreira (0-1), à jornada 9, depois no Bessa (1-2), duas rondas mais tarde. Os conquistadores entrariam de seguida na sua melhor fase da época, um período de 13 jogos – jornadas 12 a 24 – dos quais perderam apenas dois. O Guimarães vergou Rio Ave (3-1), Estoril (0-1), Moreirense (3-4), FC Porto (1-0) e União (3-1), chegando à 20.ª jornada no sexto lugar.

O Vitória subiria a quinto classificado, nas rondas 21 e 22, mas à custa de empates com Tondela (1-1) e Setúbal (2-2). Essas igualdades foram os primeiros jogos de uma terrível sequência de doze sem vencer, que recolocou o Guimarães praticamente no mesmo ponto em que estava no início da temporada. Foi a segunda pior série sem triunfos da época, ex æquo com outras duas formações. O Vitória só ganharia mais um jogo, frente ao Moreirense (4-1) na 33.ª jornada, e terminou em plena série de dez jogos consecutivos a sofrer golos.

O décimo lugar final ficou então seguro pelos rendimentos dessa boa fase a meio da época. Por muito que a equipa estivesse bem entregue a Sérgio Conceição, ficou à vista que a saída de Rui Vitória foi um golpe de que o plantel não conseguiu recuperar. Nem com os golos de Henrique Dourado – nada menos que 12 –, um jogador que o Vitória decerto gostaria que não estivesse na casa por empréstimo, nem com a iniciativa de Otávio, outro homem cedido, que ainda apontou seis golos. Ricardo Valente fez cinco golos mas não esteve em tão boa forma como na época passada, enquanto Licá, ainda mexeu com o ataque, mas não foi além de outros cinco tentos. O jovem guarda-redes Miguel Silva – ou João Miguel, conforme as fontes – destacou-se num ou noutro jogo, na ausência de Douglas.

O Vitória até foi quinto classificado em 2014/15, mas têm sido tempos difíceis em Guimarães. A saúde financeira do clube não é das melhores, e disso se ressente a qualidade global do plantel. É preciso muito coração e alguma felicidade para corresponder em campo à pressão que a massa associativa vitoriana sempre exerce. A recta final de temporada não foi bonita, mas chegou para estar a salvo da insegurança dos últimos lugares. Um bom arranque na próxima época será de capital importância. Vencer apenas nove dos 38 jogos realizados na temporada é manifestamente pouco.

 

Contas finais

Campeonato: 10.º lugar, com 9v, 13e, 12d, 45gm, 53gs, 40pts

Taça de Portugal: afastado na 3.ª eliminatória

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

Europa: afastado da Liga Europa na 3.ª pré-eliminatória

 

Para mais tarde recordar

28.11.2015, jornada 11 – ao vencer o Boavista por 1-2, o Vitória consegue o seu primeiro triunfo no Bessa desde 1997/98;

17.01.2016, jornada 18 – vence o FC Porto em casa (1-0) pela primeira vez desde 2001/02.

 

Para esquecer

06.08.2015, Liga Europa: eliminado logo na terceira pré-eliminatória;

10.10.2015, Taça da Liga – sai da Taça da Liga ao perder em Vila do Conde por 3-2;

18.10.2015, Taça de Portugal – eliminado da prova rainha logo à primeira tentativa, ao perder por 2-0 em casa do secundário Penafiel;

17.04.2016, jornada 30 – ao perder por 3-0, o Vitória sai derrotado de casa do Marítimo pela sexta época consecutiva.

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por Miran Pavlin às 15:00

Quarta-feira, 25.05.16

CF OS BELENENSES 2015/16

A época dos azuis do Restelo fica marcada pelo ansiado regresso às provas da UEFA, oito anos depois da última, e fugaz, presença, na qual se bateram com o Bayern Munique. A caminhada europeia desta vez durou até Dezembro, graças a uma inédita presença na fase de grupos da Liga Europa, onde roubou pontos ao campeão polaco KKS Lech Poznań (dois empates a zero), juntamente com uma inesperada vitória em casa do hexacampeão suíço FC Basileia (1-2). Para chegar a essa fase da competição, o Belenenses ultrapassou IFK Gotemburgo e SCR Altach, sem sofrer qualquer golo.

É fácil dizer que a distracção proporcionada pela Liga Europa pode ter contribuído para uma campanha sem sal na Liga NOS, mas a verdade é que o Belenenses não foi muito diferente da versão de 2014/15. Os resultados mais uma vez foram mistos, mas desta feita a equipa conheceu um retrocesso notório em termos defensivos. Os 66 golos que concedeu são nada menos que o pior registo do clube em 75 anos de I Liga. O Benfica foi responsável por onze desses golos (seis na Luz e cinco no Restelo), mas o Benelenses sofreu pesadas derrotas também diante de FC Porto (4-0), Braga (4-0), Setúbal (0-3) e Sporting (2-5).

O treinador Ricardo Sá Pinto demitiu-se após a jornada 13, disputada em meados de Dezembro, na qual o Belenenses foi a casa da aflita Académica perder por 4-3. Já estava concluída a participação europeia, e também o percurso na Taça de Portugal, onde na 4.ª eliminatória perdeu no reduto do Portimonense, da II Liga, por 3-2 com um golo ao cair do pano. O substituto foi Julio Velázquez, o que não deixou de ser um contra-senso, se pensarmos que o plantel azul tem uma larga maioria de jogadores portugueses.

Sob o comando do técnico espanhol os resultados não melhoraram de forma visível, embora as chegadas de Juanto e Bakić na reabertura do mercado tenham dado outra consistência ao futebol atacante do Belenenses, que marcou mais dez golos que na época transacta. O melhor marcador da equipa na Liga foi, no entanto, Tiago Caeiro, com sete golos, secundado por Miguel Rosa, com seis, embora este último só a espaços tenha estado na sua melhor forma. Sturgeon é lutador mas não traz consigo muitos golos.

Tendo em conta os muitos golos sofridos, talvez a experiência de Gonçalo Brandão e principalmente do central Tonel tenha sido irrelevante. Ficaram na memória o auto-golo tão ridículo quanto infeliz que Tonel marcou ao FC Porto – o jogador queixou-se do encandeamento provocado pela iluminação artificial –, bem como o penálti cometido nos descontos da visita a Alvalade, que deu a vitória ao Sporting (1-0). O próprio Carlos Martins acabou por nem sempre ser tão efectivo como se esperava.

 

Contas finais

Campeonato: 9.º lugar, com 10v, 11e, 13d, 44gm, 66gs, 41pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória (Portimonense, 3-2)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

Europa: eliminado da Liga Europa na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

27.08.2015, Liga Europa – o Belenenses qualifica-se para a fase de grupos ao eliminar, ironicamente, o mesmo SCR Altach que havia mostrado a porta de saída ao Vitória minhoto na ronda anterior. O único golo da eliminatória fora apontado na primeira mão, uma semana antes.

13.03.2016, jornada 26 – ao vencer o Braga por 3-0, o Belenenses conseguiu a sua maior vitória da temporada.

 

Para esquecer

11.09.2015, jornada 4 – a derrota por 6-0 em casa do Benfica foi a pior dos azuis desde o 7-1 nas Antas em 1987/88;

20.11.2015, Taça de Portugal – eliminado pelo Portimonense (II Liga), ao perder no Algarve por 3-2;

30.11.2015, jornada 11 – derrotado por 1-0 com uma grande penalidade infantil nos descontos, o Belenenses continua sem vencer em casa do Sporting desde 1954/55.

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por Miran Pavlin às 13:45

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