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CORTE LIMPO


Sábado, 21.10.17

Liga NOS, 9.ª jornada - FC Porto 6-1 FC Paços de Ferreira - Ponta da língua

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Salvaguardadas as devidas distâncias, o Paços de Ferreira viveu no Dragão aquilo que o FC Porto vivera na Alemanha a meio da semana. Perante um adversário mais rápido sobre a bola ao longo de todo o jogo, os pacenses ainda lograram igualar, antes de perderem contacto com um eventual resultado positivo; contudo, ao contrário dos dragões nesse jogo, o Paços não conseguiu encontrar um segundo golo que retirasse tranquilidade ao adversário, acabando por ser praticamente impotente enquanto o marcador se avolumava. A marcha começou bem cedo (4'), quando Ricardo aproveitou um corte ineficaz ainda fora da área para, qual tanque, romper até à finalização certeira. Os castores chegavam ao empate pouco depois (8'), por Welthon, que roubou a bola a Herrera e face à frouxa marcação contrária desferiu um forte e colocado remate de fora da área. Correndo o risco de ser demasiado parcial na análise, foi a última vez que se viu o Paços de Ferreira em campo, pois o FC Porto não deixou cair a batuta, continuando a conduzir o jogo como até aí. O segundo golo azul-e-branco surgiu ao minuto 18, na insistência, pelo central Felipe após grande passe de Ricardo pelo ar. Daí à goleada foi um estalar de dedos. Uma jogada envolvente do ataque portista deu o 3-1 a Marega (25'), que aos 33 minutos aproveitou para bisar após corte defeituoso de um defensor pacense. José Sá foi chamado a intervir num livre desviado por Miguel Vieira (36'), mas logo a seguir o FC Porto construiu mais duas oportunidades, por Brahimi e Marcano (38' e 39'), desta vez limpas em conformidade pela defesa do Paços.
A segunda metade poderia ir por vários caminhos: o do sono, caso o FC Porto optasse por gerir a vantagem; o da chamada "valorização do espectáculo", caso o Paços de Ferreira esquecesse o resultado e procurasse encurtá-lo; ou o do descalabro, se os dragões não baixassem o ritmo. O Paços ainda assustou, nomeadamente quando António Xavier se isolou à frente de três portistas e Marega limpou com um desarme exemplar (49'), e quando o mesmo Xavier rematou pouco ao lado (59'), mas pelo meio o FC Porto teve mais duas oportunidades claras, pelo que a partida tomou em definitivo o caminho do descalabro pacense. Ao minuto 62 Felipe bisou, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo posicional de Aboubakar. Três minutos mais tarde valeu mesmo, com Corona a colocar na baliza deserta após defesa incompleta de Mário Felgueiras a remate de Marega. As oportunidades eram tantas que não havia meio de o Paços se encontrar. Faltava ainda o golo de Aboubakar, que apareceu com 72 minutos decorridos, ao cabo de mais uma jogada envolvente que a defesa dos castores não neutralizou. A bola sobrou para o camaronês, que descaído sobre a esquerda apenas teve que finalizar cruzado.
Só aí a intensidade abrandou, de mão dada com a gestão proporcionada pelas substituições operadas por Sérgio Conceição. Muitas vezes, depois de um desaire, se diz que o melhor é que o próximo jogo venha o quanto antes, para que a equipa possa rapidamente esquecer o passado e dar uma resposta que elimine os bichos que possam existir na cabeça da equipa. Pelo que se viu neste jogo, a equipa do FC Porto tinha essa resposta na ponta da língua.

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por Miran Pavlin às 23:45

Terça-feira, 17.10.17

Liga dos Campeões, fase de grupos - RB Leipzig 3-2 FC Porto - Fosso

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Decorrida metade da fase de grupos, é como se o FC Porto estivesse numa montanha russa de emoções, percepções e, mais importante, de resultados. O deste jogo, mais que adverso, é lisonjeiro para um FC Porto que primou pela eficácia, como fizera no Mónaco, mas desta vez encontrou um adversário com outro estado de espírito. Logo nos primeiros minutos o Leipzig mostrou ao que vinha, chegando com facilidade a posições de remate e não hesitando em fazê-lo. Quando Orban abriu o marcador (8'), já não era a primeira vez que os alemães causavam perigo sério junto à baliza portista, hoje guardada por José Sá, que nesse lance defendeu para a frente um forte remate de Bruma, ficando depois muito mal na fotografia quando aparentemente poderia ter feito melhor para deter a recarga. A mobilidade dos atacantes Bruma, Forsberg e Augustin ia desmontando o FC Porto e os instantes de sufoco sucediam-se, até que ao minuto 18, os dragões aproveitaram um certo relaxamento do adversário, e de um lançamento lateral fizeram um golo; Layún arremessou longo, Marcano tocou de cabeça, Felipe desviou ainda mais para o meio, e Aboubakar, à meia volta, atirou a contar. O Leipzig sentiu o toque e voltou a acelerar. O famoso espaço entre linhas voltava a ser dominado pelos da casa, e entre cortes in extremis e remates a rasar o poste os dragões iam sobrevivendo, até que se desnortearam e abriram todo o espaço do mundo a Forsberg (38') e Augustin (41'), que marcaram isolados. Perto do intervalo, uma bóia de salvação noutra bola parada, no caso um canto tão básico quanto certeiro: Alex Telles bateu para o segundo poste e Herrera amorteceu de cabeça para o meio, onde Marcano aparecia para empurrar. O FC Porto podia dar-se por feliz por ir para o intervalo na margem mínima.
Até porque numa segunda parte menos frenética, foi o Leipzig quem esteve a centímetros de voltar a marcar (62'), com Marcano a salvar uma mancha insuficiente de José Sá a remate de Bruma, quando a bola já se encaminhava calmamente para dentro da baliza. Nessa altura já Sérgio Oliveira tinha cedido o lugar a Óliver (58'), mas sem efeitos, de resto como não tiveram as substituições de Brahimi por Corona (76') e de Herrera por Hernâni (81'). É inegável que a equipa lutou ao longo da segunda parte, mas foi pouco mais que desconexa. Os golos foram mesmo as únicas oportunidades claras que o FC Porto teve num jogo em que nunca chegou realmente a acordar. Mesmo já mais cansado, o Leipzig nunca deixou de dar a impressão de estar por cima do jogo. Talvez o desnível do resultado do Mónaco-FC Porto devesse ter acontecido aqui, e vice versa. É um mistério o FC Porto não estar num fosso classificativo como aquele que em campo separou as equipas. Os azuis-e-brancos estão um ponto abaixo do Leipzig, que retribui a visita na próxima jornada.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sexta-feira, 13.10.17

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória - Lusitano GC 0-6 FC Porto - Festa da Taça?

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Costuma dizer-se que na Taça de Portugal as diferenças entre as equipas tendem a esbater-se. Mais se esbatem quando as equipas em jogo têm longo historial na prova, como é o caso do Lusitano de Évora, que em 1954/55 chegou a eliminar o FC Porto nos oitavos-de-final (0-2 nas então novíssimas Antas), coincidindo com o período em que militou na então I Divisão (1952-1966). Foi há tanto tempo que é como se esse jogo tivesse sido noutro mundo. No mundo de 2017, mesmo tentando pesar esse histórico, é difícil esbater a diferença entre uma equipa de topo e outra do Distrital da AF Évora. Em campo, sempre o palco onde tudo se decide, a diferença começou a marcar-se aos 20 minutos, quando Aboubakar trabalhou na área para o primeiro golo. Os adeptos do FC Porto mal tiveram tempo para se sentar, já que o camaronês voltou a facturar no minuto seguinte, agora de cabeça, a cruzamento de Diogo Dalot, lateral direito que se estreava pela equipa principal do FC Porto. Dalot era praticamente o único nome menos habitual do onze dos dragões, que contou ainda com nomes como Marcano, Óliver, André André e Brahimi.
Ao intervalo Sérgio Conceição começou a lançar integrantes do seu banco experimental. Galeno foi o primeiro a ir a jogo, e com ele em campo os dragões chegaram ao 0-4, num canto desviado na pequena área por Marcano (49'), e num remate em arco após trabalho individual de Otávio (55'). Logo a seguir (59'), Galeno pontuou a estreia com um golo, num remate que sofreu um desvio quase imperceptível, mas suficiente para trair o guarda-redes. As entradas de Luizão (52') e Jorge Fernandes (67') em última instância acabaram por fazer o FC Porto perder alguma acutilância, mas ainda havia um golo a acrescentar (90'), num golpe de escorpião de Hernâni - a um pé, não como o célebre momento de René Higuita. Hernâni parece estar em descarado fora-de-jogo, mas ninguém levantou a questão.
Tendo corrido tudo como no livrinho, pouco mais fica para contar. Se assim não fosse, teria sido o maior escândalo de toda a história da Taça de Portugal. Só não fica para a posteridade como mais um episódio da festa da Taça porque o encontro decorreu no Estádio do Restelo. É incompreensível como podem as regras, regulamentos e exigências obrigar os clubes da I Liga a realizar esta eliminatória como visitantes, ao mesmo tempo que inviabilizam que se jogue na casa dos visitados. Não acontece sempre, mas os exemplos são muitos e variados. Os cerca de 150 quilómetros entre Évora e Lisboa obrigam a questionar se não havia mesmo alternativas mais perto da capital do Alentejo, mas por outro lado talvez a simples mudança do local do jogo seja sintomática do estado em que se encontra o futebol de Évora, sede de dois clubes históricos que estão fora dos nacionais. Foi o primeiro encontro entre Lusitano e FC Porto desde 1965/66. Na Taça, cruzaram-se pela quinta vez.

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por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 01.10.17

Liga NOS, 8.ª jornada - Sporting CP 0-0 FC Porto - Jogo jogado

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Se o que em futebolês se denomina "jogo jogado" valesse para alguma coisa, a história do futebol seria muito diferente, nomeadamente no que toca às listas de vencedores de competições. Como é mais fácil decidir uma partida pelo número de golos marcados, o jogo jogado torna-se no mecanismo privilegiado de análise quando os golos não aconteceram. Em casos como este, nos quais o jogo jogado não resulta em vitória moral, o primeiro critério de desempate são os lances claros em frente à baliza, e nesse capítulo o FC Porto saiu por cima. Foi, portanto, um clássico como tantos outros, em que cada uma das equipas se sobrepôs à outra em cada parte, terminando com um cortês aperto de mão. Não tendo havido golos, resta puxar a brasa para a sardinha mais conveniente.
O FC Porto foi então quem esteve mais perto de marcar. À cabeça surge o lance de Marega (44'), cujo remate embateu na trave, mas existiram ainda avanços de Brahimi (22') e Aboubakar (40'), ambos anulados por boas intervenções de Rui Patrício. Ainda que ao longo da primeira parte o domínio fosse portista, esses lances constituíram também os únicos momentos em que a defesa do Sporting foi furada. Grande parte do crédito da coesão defensiva leonina recaiu sobre Coates, que se mostrou mais assertivo que Mathieu. Nas laterais, Jonathan Silva e Piccini procuravam alargar a longitude do ataque verde-e-branco, mas esbarravam invariavalmente no miolo do FC Porto, que ia recuperando a bola sem problemas. Repetindo dez nomes em relação ao encontro com o Mónaco - mudou apenas Ricardo na lateral direita, entrando Layún -, o FC Porto manteve a dinâmica, tendo-lhe faltado, porventura, um pouco mais de velocidade no último terço do terreno. Na única vez em que o Sporting se aproximou das redes de Casillas, William Carvalho - bom jogo - cabeceou para defesa fácil do internacional espanhol (43').
Na segunda metade os papéis inverteram-se. O meio-campo do FC Porto deixou de estar tão afinado e os leões começaram a aparecer mais vezes perto da área contrária. Ainda assim, os lances mais perigosos do Sporting nasceram de erros directos dos dragões, como ao minuto 59, quando um lançamento lateral apanhou Danilo Pereira distraído, permitindo a Bruno Fernandes um remate sem oposição, mas muito por cima. Pouco depois começava a dança das substituições. Sérgio Conceição apostou na chamada troca-por-troca, preferindo não mexer num esquema que mesmo não dando espectáculo no ataque, mantinha a defesa bem segura - grande jogo de Felipe e Marcano -, por muito que Danilo Pereira não aparentasse estar nas melhores condições. Já Jorge Jesus refrescou apenas o meio-campo, tirando Bruno Fernandes para meter Bruno César (62'), operando só mais uma substituição - Acuña por Podence (90'). Conceição tirou então Herrera para colocar Otávio (74'), trocando também Aboubakar por Soares (86') e Brahimi por Corona (88').
Apesar do maior domínio sportinguista no segundo parcial, o FC Porto esteve mais uma vez perto de marcar (79'), num lance que se tivesse dado golo, dava também polémica da grossa, à conta de um desentendimento entre o juiz Carlos Xistra e o seu auxiliar acerca de um lançamento lateral após bola dividida. As imagens televisivas mostram que Xistra teve razão ao autorizar a posse de bola do FC Porto, mas nesse segundo de indecisão os dragões seguiram jogo e Marega, isolado, desviou para defesa apertada de Rui Patrício. Os adeptos dos verdes-e-brancos terminariam o jogo com novo susto, na forma de um livre frontal (90'+2'). Layún cobrou mais em jeito que em força e mais uma vez Patrício esteve lá.
O jogo acabaria como começou e as equipas permaneceram como estavam nos primeiros lugares da classificação - obviamente. Só uma coisa mudou: o FC Porto, única equipa com registo ainda imaculado neste campeonato, perdeu os primeiros pontos.

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por Miran Pavlin às 23:00

Terça-feira, 26.09.17

Liga dos Campeões, grupo G - AS Mónaco FC 0-3 FC Porto - Implacável

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No rescaldo da partida com o Beşiktaş alguns comentadores apontaram deficiências ao miolo do FC Porto. Só o próprio poderá confirmar se levou esses reparos em linha de conta, mas a verdade é que Sérgio Conceição apresentou neste jogo um meio-campo reforçado com as presenças de Herrera e de Sérgio Oliveira, que somou os seus primeiros minutos da temporada. Se a aposta tivesse falhado, Conceição estaria agora na linha de fogo, acusado de fazer experiências e invenções na pior altura; da forma como correu, é óbvio que a questão não se põe. Ainda assim, o resultado talvez seja exagerado, porque não houve grande desequilíbrio. Nem em face da posse de bola - 47% para o FC Porto -, nem do uso que as equipas fizeram dela, que é sempre mais importante que a percentagem em si. Nesse particular, enquanto o Mónaco praticava um futebol mais rendilhado, o FC Porto optava por um estilo mais pausado mas não hesitante, e a correlação de forças traduzia-se em poucos lances junto às balizas. A decisão do encontro acabou por centrar-se no aproveitamento desses poucos momentos de perigo, e aí os azuis-e-brancos foram implacáveis.
Mesmo assim, e mesmo tendo nessas jogadas as redes monegascas à mercê, foi preciso partir alguma pedra para marcar. Foi o que aconteceu ao minuto 31. Alex Telles executou um lançamento lateral longo na esquerda, Marcano ajeitou de cabeça e Danilo Pereira rematou de pronto, com Benaglio a defender para a frente; Aboubakar estava lá para a sobra, mas ainda viu o guardião suíço defender à queima-roupa a recarga. Golo, só à terceira. O terceiro golo (89') bebeu inspiração no primeiro, já que também foram precisos três remates para o confirmar. Neste caso, foi Marega quem primeiro "aqueceu" o guarda-redes, que defendeu pura e simplesmente porque estava no caminho, mas fê-lo de novo para a frente. Na enorme confusão que se seguiu, Marega atrapalhou-se sozinho, Herrera apareceu a tentar picar a bola, Benaglio voltou a tirá-la, e esta regressou a Marega, que a entregou à esquerda para Layún por fim marcar com um forte remate. Pelo meio, o FC Porto fez um golo mais convencional (69'), num contra-ataque lançado com mestria por Brahimi, conduzido na direita por Marega e finalizado por Aboubakar. O Mónaco ficou-se por um remate de Falcao à trave (71'), no único instante em que escapou à atenção do sector recuado portista.
A busca por outros momentos de relevo apenas encontra um lance (42') em que os dragões trabalharam bem no flanco direito, de onde Ricardo cruzou para Brahimi, que aparecia no coração da área. Era prometedor, mas deixou de o ser assim que o remate do argelino saiu para essa baliza imaginária que fica algures entre o poste e a bandeirola de canto. A escassez de oportunidades só vem corroborar a tese de que o resultado é bem mais vistoso que a acção sobre a relva. Sinal também de que este grupo é efectivamente muito aberto. Se ainda havia dúvidas quanto a isso, elas terão ficado extintas.

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por Miran Pavlin às 23:15

Sexta-feira, 22.09.17

Liga NOS, 7.ª jornada - FC Porto 5-2 Portimonense SC - Mensagem

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A argumentação habitual quando a esquina seguinte traz um jogo europeu estava debaixo da língua, mas por uma vez o FC Porto não deixou que a lengalenga da poupança e gestão se soltasse nas análises que eventualmente serão feitas. E motivos para isso não faltaram, muito mais quando os azuis-e-brancos encaminharam o resultado para o seu lado através de três golos em cinco minutos. Marcano foi o primeiro a festejar (20'), com um forte remate no aproveitamento de um corte deficiente dos centrais algarvios, seguindo-se-lhe Aboubakar (22'), que também beneficiou da ineficácia defensiva do Portimonense, e Marega (25'), que finalizou picado após se isolar a passe de Corona. Um triplete de golos em tão pouco tempo é uma raridade nas últimas décadas, e era então pecúlio mais que suficiente para que o resto do jogo se transformasse numa formalidade, mas assim não seria. Desde logo porque o Portimonense não veio a jogo com ideias de ficar em reclusão junto à sua área. Talvez esse fosse o caminho mais fácil para regressar a casa, digamos, com três golos sofridos e nada a acrescentar, mas o Portimonense queria mais. E o japonês Nakajima deu corpo às pretensões algarvias, apontando a solo o primeiro golo da sua equipa (36'), com um bom trabalho sobre Felipe e uma finalização cruzada, com classe. Era um justo prémio para os visitantes, que sem entrar em loucuras iam procurando a área contrária.
No reatamento o FC Porto voltou a não deixar que se pensasse sequer na tal argumentação do costume, marcando logo ao minuto 50 por Brahimi, cujo remate ainda desviou em Ricardo Pessoa antes de entrar. O Portimonense mesmo assim nunca desmoralizou e continuou a sair da toca com frequência, valorizando o jogo por um lado, e obrigando o FC Porto a manter-se desperto por outro. O minuto 68 trouxe o quinto golo portista, o melhor da noite. Brahimi conduziu um ataque rápido pela esquerda, tocou para Aboubakar, o camaronês deu de calcanhar para o meio da área, Herrera simulou e o mesmo Brahimi fechou a jogada depois de tirar um defesa do lance. As poupanças continuariam guardadas, pois o Portimonense não só voltou a marcar (73'), em lance de insistência no qual o larguíssimo cruzamento de Hackman, desde a esquerda, encontrou a cabeça de Rúben Fernandes, que foi melhor e mais alto que os defensores portistas, como ainda ameaçou um terceiro golo (87'), mas Casillas defendeu bem o remate cruzado de Paulinho. Antes (85'), Herrera tinha visto o seu cabeceamento bater no poste, em mais uma prova de que o resultado poderia ter sido mais robusto, para ambos os lados.
Não sendo então possível recorrer à teoria fácil, e tendo em conta a incerteza da situação portista na Liga dos Campeões, fica a ideia de que a equipa quis passar uma clara mensagem a quem quiser ouvir: o campeonato está em primeiro lugar na lista de prioridades do FC Porto para esta época. O objectivo mínimo de passar à fase seguinte na prova continental fica para considerações futuras, quando e se as nuvens se dissiparem. O céu portista na Liga NOS, esse, está limpo, pois os dragões mantêm-se com aproveitamento total.

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por Miran Pavlin às 23:25

Domingo, 17.09.17

Liga NOS, 6.ª jornada - Rio Ave FC 1-2 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 20:30

Quarta-feira, 13.09.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 1-3 Beşiktaş JK - Falta de material

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O FC Porto não poderia ter escolhido pior jogo para faltar. Ou, pelo menos a avaliar pelas estatísticas finais, para ter o que em linguagem escolar seria apenas falta de material, uma vez que apesar de ter tido muitos cantos (11 contra 3) e ainda mais remates (18), na verdade, no final da partida, é então muito difícil achar que os dragões foram a jogo. Tão difícil como avaliar o que terá corrido mal. Entrar em jogo aparentemente sem vontade foi o primeiro dos males do dragão, com isso permitindo ao Beşiktaş jogar tranquilo. Tão tranquilo que o primeiro golo surgiu bem cedo (13'), num cabeceamento frontal de Talisca a cruzamento de Quaresma, numa insistência após primeiro alívio da defensiva portista. O FC Porto pareceu reagir bem ao golpe. Óliver Torres rematou ao poste quando estava em óptima posição, na sequência de um amortecimento de Soares a cruzamento de Brahimi (19'), e Marega pareceu ter feito o golo do empate (21') ao desviar de cabeça no primeiro poste um canto de Alex Telles. Mas não era, na realidade tinha sido Duško Tošić a introduzir a bola na própria baliza.
Talvez amolecido pelo golo, o FC Porto voltou a ser castigado ao minuto 28, quando Cenk Tosun arrancou um remate de fora da área que o voo de Casillas para a fotografia não conseguiu deter. Os minutos seguintes deixaram claro que os dragões não terão vindo com o espírito certo. Danilo Pereira estava irreconhecível, Corona não existia, Ricardo era continuamente engolido por Talisca, e até Marcano estava estranhamente inseguro. A desinspiração colectiva deixava Brahimi, Óliver, Marega e Soares demasiado sozinhos para serem efectivos. Dito de outra forma, o Beşiktaş estava a ser a melhor equipa em campo e colhia os frutos disso. Ao intervalo Sérgio Conceição procurou corrigir lançando André André e Otávio para os lugares de Óliver e Corona. A equipa ficou mais coesa, mas nem por isso mais perigosa, excepção feita a nova desmarcação prometedora de Soares (62') à qual Fabrício respondeu com uma boa mancha. Por muito que as estatísticas ofensivas do FC Porto indicassem o contrário, era impossível escapar à ideia de que o Beşiktaş continuava a ser a melhor equipa em campo. Para que não houvesse dúvidas, Babel fixou o resultado final (86') com um remate cruzado após tabela à direita com Negredo. A jogada passou por boa parte da equipa do Besiktas.
O resultado final vem reforçar a percepção de que o FC Porto se encontra num grupo de Liga dos Campeões muito aberto, onde qualquer equipa pode ficar em primeiro, ou em último. Não tendo o estatuto de campeões nacionais, os dragões não podem, no mínimo, repetir esta prestação desligada se quiserem pensar em cumprir o objectivo mínimo de se qualificarem para a fase a eliminar.

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por Miran Pavlin às 22:45

Sábado, 09.09.17

Liga NOS, 5.ª jornada - FC Porto 3-0 GD Chaves - Velha máxima

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A história guardará nos seus arquivos um resultado final que indica um triunfo tranquilo do FC Porto, mas por uma vez os momentos mais relevantes do encontro não residem nos golos. Antes de os dragões fugirem com o resultado, o Chaves teve duas oportunidades de sonho para adicionar contornos à história, ficando-se apenas pelas intenções. O primeiro a falhar foi William, que em posição privilegiada finalizou para o lado quando já nem o Casillas de há dez anos chegaria à bola (70'), seguindo-se-lhe Tiago Galvão no desperdício (81'), num lance ainda mais gritante que o anterior. O FC Porto pode dar-se por feliz por ter escapado de boa duas vezes, e por ter tido ainda tempo de acrescentar os golos que não deixam espaço para discussão sobre a justiça do triunfo. Até porque o jogo esteve longe de ser dos melhores a que o Dragão assistiu - e assistirá - esta época.
As proverbiais "véspera de jogo europeu" e "regressos das selecções" poderão servir de explicação para a prestação menos dominadora dos azuis-e-brancos, mas não são, de maneira nenhuma, atenuantes. Desde logo porque todos os anos o FC Porto tem que lidar com esses aspectos, e muito mau era que assim não fosse. Com o FC Porto mais interessado em controlar o jogo do que em sufocar o adversário, não foi surpresa que o intervalo chegasse com o resultado inalterado. Nem sequer havia lances de perigo do lado dos dragões. A única oportunidade foi mesmo do Chaves (28'), num remate de Jefferson que colocou Casillas à prova; ainda assim, o lance na verdade não conta, devido a fora-de-jogo posicional de Renan Bressan.
Antes que o jogo entrasse no domínio das velhas máximas, Aboubakar aproveitou uma bola recuperada a meio-campo por Soares, suportou a forte marcação de Paulinho, e já na área rematou para golo (49'), com a bola a prensar ainda no defensor flaviense. Num jogo com tão pouca baliza estar em vantagem era uma dádiva. Sem transformar o controlo em domínio, como no jogo frente ao Moreirense, o FC Porto expôs-se então àqueles deslizes que o Chaves não soube capitalizar. Foi aí que uma velha máxima acabou mesmo por entrar em campo: quem não marca, sofre. Nem mais. O central Maras deu mão na área, e Soares converteria a grande penalidade, mas só na recarga (86'). Dois minutos mais tarde Marega fixou o resultado final ao desviar um cruzamento de Óliver Torres ao segundo poste.
A tranquilidade foi tardia, mas chegou, e veio bem a tempo de manter o FC Porto com aproveitamento total e a baliza ainda por estrear. Desde 1983/84 que tal não se verificava à passagem da 5.ª jornada.

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por Miran Pavlin às 23:40

Domingo, 27.08.17

Liga NOS, 4.ª jornada - SC Braga 0-1 FC Porto - Pássaro na mão

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Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. O ditado, como todos, é antigo, e adaptando-o a este jogo dá qualquer coisa como "marcar cedo e não sofrer, dá pontos e faz crescer". Num jogo vivo, disputado a bom ritmo, fica a dúvida se um segundo golo se ajustaria à produção do FC Porto, pelo menos a julgar pelas várias defesas apertadas a que o guarda-redes Matheus foi forçado, nomeadamente durante o primeiro tempo. O primeiro a causar algum perigo, no entanto, foi o improvável Sequeira, cujo mau cruzamento quase se transformava em golo, caindo sobre a rede superior de Casillas (3'). Quando o FC Porto se mostrou, foi a valer. Brahimi rompeu até junto da área contrária, Marcelo Goiano opôs-se com um corte para onde estava virado, e a bola sobrou para Corona, descaído sobre a direita do ataque; o mexicano fez um véu a Sequeira e rematou de pronto, com a bola a passar por entre as pernas de Matheus. Decorria o minuto 7 e fixava-se aí mesmo o resultado final.
O segundo golo portista mostrou então a cara por diversas vezes. Aos 19 minutos Felipe apareceu na área em posição prometedora mas Rosic cortou; sete minutos mais tarde, três remates na pequena área não foram suficientes para voltar a mexer com o marcador, com Brahimi, Aboubakar e Felipe a encontrarem sempre alguém dos guerreiros no caminho. O quarto remate, pelo mesmo Felipe, saiu por cima. Depois da meia hora foi Marega a tentar, primeiro numa recarga a remate de Aboubakar (31') - Matheus voltou a estar lá - e de seguida num cabeceamento (36') que o guardião brasileiro segurou para a fotografia.
O FC Porto jogava com ímpeto, tal como o Braga, mas com uma diferença: enquanto os dragões chegavam à baliza oposta, os donos da casa nem por isso. Em nenhum momento pareceu que os azuis-e-brancos pudessem sofrer, por muito que o resultado se mantivesse na sempre incerta margem mínima. O arranque da segunda parte trouxe um livre de laboratório, cobrado através de um passe rasteiro de Alex Telles para Otávio - entrado ao intervalo -, que já com pouco ângulo ainda conseguiu rematar e ganhar um canto (47'), mas os dragões não voltariam a criar tanto perigo como antes do descanso, excepção feita a um lance ao minuto 79, no qual o mesmo Alex Telles forçou Matheus a mais uma defesa apertada, com um remate que ainda tocou no poste após a intervenção do guarda-redes. Aliás, assim que o cronómetro se aproximou da recta final, o FC Porto adoptaria uma postura mais de contenção, preferindo segurar o pássaro firme na mão. Talvez já desgastados, os bracarenses nem assim passaram a impressão de que pudessem ainda escrever uma história diferente.
O pássaro ficaria mesmo na posse do FC Porto, que assim se mantém no grupo da frente. Um grupo que ficou reduzido a apenas dois elementos - já não é um grupo, portanto -, mercê do empate da noite anterior entre Rio Ave e Benfica. Conforme tem sido hábito nas últimas décadas, a passagem de Agosto para Setembro está reservada às selecções. No fundo, é como se a temporada só começasse a sério depois desta paragem, já com o mercado fechado e com a fase de grupos das provas da UEFA na curva seguinte. O FC Porto chega a essa "partida real" sem ter deixado nada caído pelo caminho.

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por Miran Pavlin às 23:50



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