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CORTE LIMPO



Quinta-feira, 26.05.16

CD TONDELA 2015/16

A I Liga não via nada assim desde o Rio Ave de 1996/97. Com oito jogos por disputar, o Tondela estava a 11 pontos de distância do 16.º lugar, portanto praticamente condenado à despromoção. O que se seguiu não estava nas previsões de ninguém; talvez só estivesse mesmo nos sonhos mais loucos dos seus adeptos. Nessas oito partidas, o Tondela somou nada menos que 17 pontos – só Benfica e Sporting fizeram melhor nesse período – e terminou a festejar uma permanência conseguida à justa. Foi uma recuperação tão ou mais sensacional que o 5.º posto obtido pelo Arouca.

É quase impossível explicar como o Tondela conseguiu inverter a tendência que o acompanhou desde o início da época. A equipa conheceu três treinadores e teve sequências de 14 e depois 9 jogos sem vencer, e de 24 a sofrer golos, além de 22 jornadas como lanterna vermelha e 20 derrotas, mais que qualquer outra equipa. É certo que o Tondela deu um ar de sua graça aqui e ali, nomeadamente através da vitória em Vila do Conde (2-3) à jornada 15, e do empate em Alvalade (2-2) três rondas mais tarde, mas face aos números que a equipa trazia, era difícil não encarar esses resultados como um acaso.

A primeira vez em que o Tondela foi verdadeiramente feliz ocorreu então nessa jornada 27. A perder por 0-2 com o Belenenses, o Tondela conseguiu igualar já nos descontos. Na semana seguinte deu-se o escândalo do ano na I Liga, com a vitória no Dragão (0-1), graças a um pedaço de arte de Luís Alberto. A avaliar pelas reacções ao jogo, foi o desventurado FC Porto que o perdeu, não o Tondela que o ganhou.

E se ainda não era possível ver as coisas dessa forma, o Tondela fez com que fosse, prosseguindo com uma vitória sobre o igualmente aflito União (1-0), antes de perder em Braga (3-0) na jornada 30. Precisando agora de seis pontos quando faltavam jogar 12, seria o fim da linha para os beirões? Nada disso. Seguiu-se uma vitória diante de outro aflito, no caso o Setúbal (0-1), um empate com o Rio Ave (1-1), e um impressionante triunfo em Paços de Ferreira (1-4). Na derradeira jornada o Tondela ainda esteve com o coração nas mãos durante alguns minutos, mas a conjugação da sua vitória por 2-0 sobre a Académica com os outros resultados ditou então a permanência.

Foi como se a temporada do Tondela se assemelhasse a um dia de Março, chuvoso de manhã e soalheiro à tarde. Enquanto não encontraram a fortuna, os tondelenses foram coleccionando derrotas pela margem mínima – nada menos que 13, com a mais inglória de todas a surgir na jornada 23, na qual estiveram a perder com o Marítimo por 0-2 (33’), deram a volta (85’), mas acabaram derrotados por 3-4. Ao fim de sete jornadas – e quatro pontos somados – estalava o chicote pela primeira vez, com Vítor Paneira a ceder o lugar a Rui Bento.

Com Bento ao volante o Tondela despistou-se nas duas Taças no espaço de poucos dias. A 10 de Outubro saiu da Taça da Liga nas grandes penalidades contra o Nacional; oito dias depois foi eliminado da Taça de Portugal ao perder frente ao secundário Gil Vicente (2-1). Sem conseguir recuperar no campeonato, Rui Bento foi também ele afastado, após a 12.ª jornada.

O central Pica foi figura central da equipa, passe o pelonasmo, ao marcar quatro golos. Três deles valeram sete pontos; o último, na jornada de fecho, abriu caminho à manutenção. Nathan Júnior marcou 13 golos, Chamorro marcou o golo que valeu o empate em Alvalade, e Kaká foi a voz da experiência numa defesa muito massacrada. Luís Alberto marcou o primeiro golo de sempre da equipa na I Liga, com Jhon Murillo e Lucas Souza a mostrarem-se a epaços.

A época de estreia do Tondela na I Liga foi inesquecível, tanto pelos bons como pelos maus motivos. Só um louco arriscará agora um prognóstico para o segundo ano.

 

Treinador

O que terá passado pela cabeça de Petit para abandonar a luta pela manutenção do Boavista, e duas jornadas depois ter a seu cargo a luta de outro emblema ainda mais mal classificado? Demorou algum tempo, mas o antigo médio acabaria por justificar a troca – não sem antes ser derrotado pelo próprio Boavista (1-2), na 19.ª jornada –, entrando assim na história do clube. Petit foi o único técnico que esteve ao comando de duas equipas nesta edição da I Liga. Já o Tondela termina a época tendo sido orientado por três antigos internacionais portugueses.

 

 

Contas finais

Campeonato: 16.º lugar, com 8v, 6e, 20d, 34gm, 54gs, 30pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

03.01.2016, jornada 15 – primeira vitória de sempre fora de casa na I Liga (2-3 em Vila do Conde);

03.04.2016, jornada 28 – vitória por 0-1 sobre o FC Porto. A primeira da história do Tondela frente a um grande.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 19:00




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