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CORTE LIMPO



Sexta-feira, 15.07.16

EURO 2016 - Oitavos-de-final

25 Junho – Saint-Étienne – Suíça 1-1 Polónia (a.p.), 4-5 g.p.

Golos: 0-1 Błaszczykowski 39’ / 1-1 Shaqiri 82’

Nota: 2,5

Numa fase final que não estava a proporcionar bom futebol, era pouco provável que a fase a eliminar trouxesse um inversão da tendência. Suíços e polacos demoraram pouco a confirmar essa impressão, deixando claro que não iriam abusar do ataque para conseguir o acesso aos quartos-de-final. Só um golo poderia abrir espaço às emoções, e esse apareceu perto do intervalo, e para a Polónia. Sem margem para contemplações a formação helvética começou a procurar mais o ataque, mas os seus intentos foram esbarrando na solidez defensiva polaca e até na barra da baliza. Até que Xherdan Shaqiri arrancou um magnífico pontapé de bicicleta para o golo do empate, sublinhando que os jogos com pouca procura pelas balizas se decidem em momentos fortuitos, ou de génio. No entanto o golo não decidiu nada, já que empurrou tudo para um prolongamento em que faltaram forças – principalmente do lado polaco – para atingir um segundo golo. Foram necessárias as dez grandes penalidades da ordem para encontrar a decisão, e a fava ficou para Granit Xhaka, que na segunda ronda rematou ao lado. As restantes nove tentativas foram convertidas com sucesso, cabendo a Grzegorz Krychowiak o pontapé decisivo.

 

25 Junho – Paris – País de Gales 1-0 Irlanda do Norte

Golo: 1-0 McAuley (p.b.) 75’

Nota: 2

O segundo jogo britânico deste Euro teve pouco a ver com o que opôs ingleses e galeses na fase de grupos. Faltou a emoção e o ataque-contra-ataque – parafraseando o slogan da liga portuguesa de futsal – que caracterizam o futebol em terras de Sua Majestade. Por um lado, é possível entender-se por que as equipas não optaram por futebol expansivo; estando ambas em estreia na prova, e encontrando um adversário pouco sonante, custaria ver a oportunidade de ir mais além gorar-se à custa de desvarios ofensivos, pelo que cautela foi a palavra de ordem. Socorrendo-me de palavras escritas acerca do jogo anterior, este encontro decidiu-se num golpe fortuito. A quinze minutos do fim, num cruzamento de Gareth Bale, o central norte-irlandês Gareth McAuley desviou para a própria baliza. Num jogo tão equilibrado, foi o suficiente.

 

25 Junho – Lens – Croácia 0-1 Portugal (a.p.)

Golo: 0-1 Quaresma 117’

Nota: 2,5

Depois de uma fase de grupos em que ficou a sensação de não ter ligado realmente o motor – ou então de estar presa ao velho fantasma de ter pela frente adversários que não assustam –, a selecção portuguesa transformou-se oficialmente na Grécia. No que toca a futebol nunca é recomendável falar da Grécia tratando-se de um jogo de Portugal, mas a forma como os lusos ultrapassaram a Croácia paga direitos de autor à equipa grega de 2004. Enquanto os croatas somavam números atrás de números às estatísticas ofensivas – 17-5 em remates – e tinham o grosso da posse de bola – 59%-41% – Portugal respondia com uma organização defensiva exemplar, ao ponto de nenhum desses 17 remates croatas ter acertado no alvo. Os portugueses insistiam em não ceder ao assédio da Croácia, não deixando alternativa senão a ida ao prolongamento. A toada manteve-se e foi quando as grandes penalidades já aguardavam junto à linha que o golpe de teatro aconteceu. Renato Sanches conduziu talvez o único contra-ataque com princípio, meio e fim que Portugal construiu e cruzou para Nani do lado contrário; Nani assistiu Cristiano Ronaldo, que rematou forte para defesa incompleta de Danijel Subašić, com Quaresma a aparecer no local certo para a recarga de cabeça. A Croácia já não teve tempo para se recompor.

 

26 Junho – Lyon – França 2-1 Irlanda

Golos: 0-1 Brady (g.p.) 2’ / 1-1 Griezmann 58’ / 2-1 Griezmann 61’

Nota: 3

Os anfitriões voltaram a ver-se em apuros bem cedo, e por culpa própria. Paul Pogba cometeu grande penalidade e Robbie Brady, que já havia marcado à Itália, converteu o castigo. Para que consumassem a surpresa os irlandeses necessitavam de aguentar 88 minutos – mais descontos – sem permitir que a França fizesse valer o factor-casa, proposição que se tornava agora bem mais difícil que antes de o jogo começar. Só após o intervalo a França começou a carburar com mais afinco, muito devido à troca do médio defensivo Ngolo Kanté pelo atacante Kingsley Coman. Os suores frios terminaram com dois golpes sucessivos de Antoine Griezmann, que se assume como o jogador mais em forma neste Euro 2016. Cinco minutos após o golo a Irlanda viu-se reduzida a dez unidades pela expulsão do central Shane Duffy. Ainda assim, os verdes não desistiram de procurar o empate, mas a França segurou a vantagem.

 

26 Junho – Lille – Alemanha 3-0 Eslováquia

Golos: 1-0 Jérôme Boateng 8’ / 2-0 Gómez 43’ / 3-0 Draxler 63’

Nota: 2

A Alemanha não encontrou problemas em ultrapassar a Eslováquia, deixando bem vincada a sua superioridade, num jogo em que não precisou de grande esforço para se impor. Logo ao minuto 8 Jérôme Boateng colocou a Mannschaft em vantagem com um potente remate de fora da área. Volvidos cinco minutos Mesut Özil desperdiçou uma grande penalidade, permitindo a defesa a Matúš Kozáčik, mas o golo da tranquilidade surgiria ainda antes do intervalo, por Mario Gómez. A segunda parte foi pouco mais que uma formalidade.

 

26 Junho – Toulouse – Hungria 0-4 Bélgica

Golos: 0-1 Alderweireld 10’ / 0-2 Batshuayi 78’ / 0-3 Hazard 80’ / 0-4 Ferreira-Carrasco 90’+1’

Nota: 3,5

A Bélgica conseguiu o resultado mais folgado de toda a fase final, mas tal não espelha o que se passou em campo. Os belgas marcaram cedo, mas a Hungria não teve medo de responder às tendências ofensivas dos diabos vermelhos com o seu próprio jogo atacante. Com oportunidades de parte a parte, o resultado manteve-se incerto até à recta final, altura em que a Bélgica apontou dois golos de rajada e assegurou o seu lugar nos quartos-de-final. O 0-3 já era pesado para aquilo que a Hungria mostrou, mas a Bélgica fez questão de acrescentar um quarto golo já sobre o termo da partida.

 

27 Junho – Saint-Denis – Itália 2-0 Espanha

Golos: 1-0 Chiellini 33’ / 2-0 Pellè 90’+1’

Nota: 4

O primeiro duelo de gigantes da fase final assinalou a despedida dos bicampeões em título. A Espanha, que se encontra em transição depois do desastre no Mundial do Brasil há dois anos, encontrou uma Itália que procura ela própria reencontrar-se com glórias passadas, e não restaram dúvidas sobre que direcção as duas equipas vão seguindo. A squadra azzurra foi superior à roja – que jogou de branco – ao longo de todo o encontro, não lhe dando espaço para pensar e executar, além de novamente ter sabido dar os golpes fatais nas alturas certas, tal como já tinha acontecido frente a Bélgica e Suécia na fase de grupos. Até porque, apesar dos momentos das duas equipas, um Itália-Espanha nunca é um jogo fácil. O primeiro golo apareceu pouco depois da meia hora. Éder marcou um livre que David de Gea defendeu para a frente, causando a confusão na pequena área, onde acabaria por aparecer Giorgio Chiellini para um oportuno desvio. A Espanha, que não tinha conseguido libertar-se do colete de forças imposto pelos transalpinos, continuou sem conseguir encontrar meios de respirar no jogo. As opções para refrescar o ataque não são as mesmas dos anos dourados entre 2008 e 2012, pelo que a entrada de Aritz Aduriz ao intervalo para o lugar de Nolito não fez qualquer efeito. O próprio Aduriz seria substituído por Pedro Rodríguez ao minuto 81. Mestres na arte de defender, os italianos sustiveram o canto do cisne espanhol nos minutos finais, matando o jogo nos descontos, num contra-ataque finalizado por Graziano Pellè.

 

27 Junho – Nice – Inglaterra 1-2 Islândia

Golos: 1-0 Rooney (g.p.) 4’ / 1-1 Ragnar Sigurdsson 6’ / 1-2 Sigthórsson 18’

Nota: 4

Quando não são as grandes penalidades, ou quando a linha não acaba na fase de grupos – ou na qualificação, como sucedeu no Euro 2008 –, a Inglaterra não resiste a ser vítima de eliminações improváveis. Encontrando-se em vantagem logo ao minuto 4, menos de um quarto de hora mais tarde a Inglaterra via-se atrás no marcador, ainda para mais frente a uma equipa que nunca na sua história tinha estado tão alto numa competição de futebol. A equipa dos três leões apenas esteve na frente durante alguns segundos. Após o pontapé de saída subsequente ao 1-0 a Islândia ganhou um lançamento lateral no enfiamento da área inglesa. Aron Gunnarsson executou-o, Gylfi Sigurdsson desviou já dentro da área, e o central Ragnar Sigurdsson estava lá para empurrar à boca da baliza para o empate. Na vez seguinte em que se aproximou da baliza contrária a Islândia voltou a ser fatal, com Kolbeinn Sigthórsson a consumar a reviravolta, num remate em que Joe Hart podia ter feito melhor. Claramente desorientados, e com poucas referências às quais recorrer, os ingleses não tiveram engenho para forçar pelo menos o prolongamento. Ressalvadas as devidas distâncias, até porque os jogos não são todos iguais, a Islândia sobreviveu a uma situação semelhante àquela com que a Irlanda se deparou no jogo com a França: segurar uma vantagem durante muitos minutos diante de uma equipa teoricamente mais forte. Os islandeses seguem do jogo mais importante da sua história… para o jogo mais importante da sua história. Desde que se apurou para esta fase final que tem sido assim. Já Roy Hodgson anunciou de imediato o abandono do comando da selecção inglesa.

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por Miran Pavlin às 12:00




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