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CORTE LIMPO



Quarta-feira, 25.05.16

FC AROUCA 2015/16

Qualquer equipa que consiga um ou outro resultado improvável e se aguente, pelo menos por um tempo, em posições classificativas pouco habituais para os seus pergaminhos, é imediatamente apelidada de “equipa sensação”. Acontece tantas vezes que até se torna um chavão. Tal não se aplica, contudo, ao Arouca, a quem o epíteto cai que nem uma luva. Conseguir, imagine-se, um apuramento para a Liga Europa é simplesmente notável, tendo em conta que se trata de um clube que disputava apenas a sua terceira época na categoria máxima.

Ainda assim, a dada altura, o feito do emblema da Serra da Freita pareceu estar muito longe de ser possível. Alguém que chegasse a este mundo nos últimos dias de Novembro e olhasse para a classificação da Liga NOS ao fim de onze jornadas, encontrava o Arouca em 11.º lugar, e sem vencer há nove jogos, cedendo pontos até frente às equipas mais aflitas nessa fase da temporada. O que se seguiu desafiou toda e qualquer lógica.

A primeira curiosidade digna de nota começou a tomar forma precisamente nessa 11.ª ronda, na qual o Arouca empatou a um golo em Coimbra. Foi o primeiro de 13 jogos consecutivos sempre a marcar golos. Por termo de comparação, FC Porto e Sporting não conseguiram mais que nove, enquanto o Braga não passou dos sete. Já perto do fim dessa sequência surgiu o resultado da época, no caso uma vitória em pleno Estádio do Dragão (1-2). Não aconteceu por acidente. Jogava-se a jornada 21 e o Arouca, apesar de ainda oitavo classificado, era, por esta altura, uma equipa que tinha tanto de tranquilo como de confiante.

O nulo caseiro com o Braga, à jornada 24, quebrou a série, e o Arouca só se pôde queixar de si próprio, já que terminou essa partida com mais duas unidades que os minhotos, que até falharam uma grande penalidade. No entanto, esse empate manteve em curso uma outra série dos arouquenses, que entre as jornadas 20 e 26, além de não terem sido derrotados, somaram 17 dos 21 pontos possíveis. Nono classificado à entrada para essa 20.ª jornada, o Arouca subiria até ao quinto posto, que não mais largou até ao final do campeonato, cruzando a linha de meta em nova série de sete jogos sem perder.

O Arouca terminaria a carreira na Liga NOS com apenas seis derrotas, menos, pasme-se, que o FC Porto, que perdeu em sete ocasiões. Nos jogos em Arouca, só FC Porto, Sporting e Moreirense venceram; fora, os arouquenses só foram vergados por Rio Ave, Benfica e Sporting – e só os grandes de Lisboa perderam menos vezes como visitantes. A intenção não é maçar o estimado leitor com estatísticas, mas é impossível escapar-lhes ao passar em revista o conto de fadas vivido pelo Arouca. Os cinco jogos sem sofrer golos, entre as jornadas 22 e 26, foram um registo apenas igualado por Braga, FC Porto e Sporting.

Como se tudo isto não bastasse, o Arouca ainda encontrou forças para chegar aos quartos-de-final da Taça de Portugal, eliminando Leixões (II Liga, 1-2 após prolongamento), Desportivo de Chaves (II Liga, 6-5 no desempate após 120 minutos sem golos) e Amarante (Campeonato de Portugal, 1-2), antes de cair em Braga por 2-0. A Taça da Liga resumiu-se a uma passagem pouco conseguida pela fase de grupos.

A próxima época será território inexplorado para o Arouca. As provas da UEFA por vezes são uma distracção para os clubes de menor dimensão, ao mesmo tempo que os restantes emblemas da Liga NOS não encararão os jogos com o Arouca da mesma forma. É possível também que tenha sido um ano de excepção, com um desfecho totalmente inesperado. 16.º classificado em 2014/15, o Arouca é agora europeu. A viagem poderá até ser curta, mas é inteiramente merecida.

 

Treinador

Numa era em que o treinador português goza de grande prestígio internacional, é quase um anacronismo ser orientado por um estrangeiro. O angolano Lito Vidigal, contudo, não é um estrangeiro qualquer. Oriundo de uma família de futebolistas, alguns já nascidos em Portugal – o seu irmão Luís representou o Sporting e a selecção portuguesa –, Lito tem uma longa trajectória no futebol português, também como jogador. O Arouca é o quarto clube que treina na I Liga, e aquele que conseguiu levar mais alto. Protagonizou um dos episódios mais caricatos da época, ao envolver-se com o central sportinguista Naldo, nos minutos finais do encontro da 10.ª jornada

 

Figuras

Com um plantel composto por sobras e antigos jogadores dos grandes, e deprovido de estrelas, o Arouca valeu pelo colectivo. Os 47 golos na Liga NOS ficaram repartidos por 16 jogadores, com Walter González à cabeça (7 golos). Maurides (5 golos) esteve em evidência na primeira metade da época. A defesa também contribuiu com golos, nomeadamente pelo venezuelano Velázquez (3 golos) e por Lucas Lima (4 golos). O guarda-redes Bracali foi sólido ao longo de toda a campanha. Ivo Rodrigues e Mateus também deixaram marca.

 

Contas finais

Campeonato: 5.º lugar, com 13v, 15e, 6d, 47gm, 38gs, 54pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final (Braga, 2-0)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

23.08.2015, jornada 2 – ao vencer o Benfica por 1-0, o Arouca não só bateu pela primeira vez um grande, como também conseguiu o inédito feito de liderar a I Liga;

19.12.2015, jornada 14 – marcou quatro golos no mesmo jogo de I Liga pela primeira vez (4-1 diante do Marítimo);

06.01.2016, jornada 16 – vence o Estoril pela primeira vez em jogos da I Liga;

13.03.2016, jornada 26 – ao bater o Setúbal por 1-0, o Arouca completou cinco jogos consecutivos sem sofrer golos;

02.04.2016, jornada 28 – vence a Académica pela primeira vez em jogos da I Liga.

 

Para esquecer

29.11.2015, jornada 11 – Arouca completa o nono jogo consecutivo sem vencer;

28.12.2015, Taça da Liga: sofreu a segunda pior derrota da época (4-1), na visita ao Portimonense (II liga), no arranque da fase de grupos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:30




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