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CORTE LIMPO



Quarta-feira, 07.12.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – FC Porto 5-0 Leicester City – Fartura

Não há fome que não dê em fartura, diz o povo. Não sendo possível atestar cientificamente a validade do dito, sobejam os exemplos que justificam a sua existência. Para o caso em apreço, o mais recente exemplo é o FC Porto, que passou a goleador depois de um período em que foi incapaz de marcar. O fim do jejum não podia ter vindo em melhor altura, já que além de permitir aos dragões carimbar a passagem aos oitavos-de-final da liga milionária, proporcionou também uma injecção de moral na equipa. Se nas partidas frente a Benfica e Braga o vigor foi a nota dominante, aqui o FC Porto mostrou grande maturidade na gestão dos momentos do jogo, fazendo, do ponto de vista colectivo, a sua exibição mais conseguida até agora. É verdade que o Leicester, já apurado, fez da visita ao Dragão um tubo de ensaio, optando por um onze alternativo e dando descanso às peças principais da equipa – também porque a situação classificativa dos foxes na Premier League é tudo menos tranquila –, mas é difícil retirar mérito ao vencedor quando o marcador sobe até aos 5-0.

O pesadelo do campeão inglês começou logo ao minuto 6, altura em que André Silva cabeceou certeiro na zona fatal, na sequência de um canto. Diogo Jota podia ter elevado logo de seguida, mas foi preciso esperar pelo minuto 26 para que não restassem dúvidas de que o lugar na fase seguinte ficaria na posse do FC Porto. Alex Telles cruzou e Corona, solto de marcação na direita da área, rematou de primeira, ao ângulo, para um belo golo. O tento do mexicano só não foi o melhor da noite porque Brahimi assinou um excelente golpe de calcanhar (44’), a culminar uma óptima jogada de inisistência do FC Porto. O resultado ao intervalo não era lisonjeiro para nenhuma das partes; apenas sublinhava a valorosa prestação dos azuis-e-brancos, que tiveram Óliver, o próprio Brahimi e ainda Maxi Pereira em destaque. O lateral uruguaio subiu com propósito inúmeras vezes, realizando talvez a sua melhor exibição desde que chegou ao FC Porto.

Tendo as rédeas do jogo bem seguras, e perante um Leicester que era uma sombra até da equipa que foi em todas as épocas antes do seu incrível 2015/16, havia o risco de que a uma primeira parte de sonho sucedesse uma segunda metade de sono, mas tal não se verificou. O primeiro responsável foi mesmo o Leicester, que entrou com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. Depressa, contudo, a partida voltou aos moldes do primeiro tempo. O quarto golo apareceu aos 64 minutos, numa grande penalidade indiscutível convertida por André Silva, com a mão cheia a sair dos pés de Diogo Jota (77’), que finalizou por entre as pernas do desamparado Hamer. Nuno Espírito Santo refrescou a equipa com as trocas simultâneas de Danilo Pereira – ovacionado de pé – por Rúben Neves, e de Corona por Herrera. Pouco depois André Silva dava o lugar a Rui Pedro, em mais um sinal de que Depoitre desceu um lugar na hierarquia dos pontas-de-lança do FC Porto.

O Leicester teve apenas um lance de algum perigo, já na recta final, quando o suplente Ulloa aproveitou uma segunda bola para disparar à trave, mas a solidez da defensiva portista não seria beliscada, pelo sexto encontro consecutivo. Apesar de ainda faltarem cerca de dois meses para os oitavos-de-final, o simples facto de o FC Porto lá estar serve para contrabalançar a saída prematura da Taça de Portugal, e devolve alguma margem de manobra a Nuno. Haja pés assentes na terra, contudo; ainda há muito caminho a percorrer.

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por Miran Pavlin às 23:15




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