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CORTE LIMPO



Terça-feira, 24.11.15

Liga dos Campeões, grupo G – FC Porto 0-2 Dinamo Kiev – Trambolhão

É incrível como o futebol continua a ser uma caixinha de surpresas. Os oitavos-de-final, que estavam à distância de um braço, estão agora do outro lado da mais movimentada auto-estrada que se possa imaginar. O FC Porto só precisava de um ponto. Depois deste trambolhão passa a precisar de um milagre.

É também incrível como as equipas ocasionalmente se esquecem de que a teoria não joga. Mesmo sendo dono de um estádio difícil para os visitantes, nenhum jogo está ganho a priori. O nulo serviria, é verdade, mas trata-se da Liga dos Campeões, meus senhores. Passear camisolas não chega. A postura demasiado relaxada com que o FC Porto se apresentou não só o deixou a jeito, como se costuma dizer, como também facilitou a tarefa do Dinamo Kiev.

Mesmo assim, o Dinamo foi tão cortês que até deixou um aviso. Pouco depois dos vinte minutos Garmash a cabeceou ao poste e Júnior Moraes desperdiçou um golo cantado no ressalto, mas os dragões não se terão assustado o suficiente e à segunda pagaram mesmo. Imbula cometeu grande penalidade ao derrubar Rybalka e Yarmolenko fez o 0-1 (35’).

A ausência de André André do onze inicial carece de explicações, mais ainda quando se notou logo desde os primeiros minutos que sem o internacional português o meio campo do FC Porto, no seu todo, estava menos activo. Agradeceu o Dinamo, que teve praticamente carta branca para subir ao ataque.

A justificação da derrota, porém, não reside apenas na falta de atitude em campo. A verdade é que nada saiu bem aos azuis-e-brancos. Desde as combinações mais simples até aos movimentos mais complexos, os passes ora saíam com força a mais, ou a menos, ou então para um lado quando o colega se movia para o outro. Inversamente, o Dinamo pareceu sempre estar mais bem colocado em campo. Cada corte incompleto foi sempre resolvido, os ucranianos anteciparam-se vezes sem conta, e sempre que tinham a bola o propósito era atacar.

No recomeço Lopetegui fez então entrar André André. Para o lugar de Imbula? Não, para o de Maxi Pereira. Para quê complicar tanto? A equipa até reagiu, mas rapidamente caiu de novo na teia do Dinamo, voltando o jogo ao figurino da primeira parte. Até que Derlis González fez o 0-2 (64’), num lance em que Casillas não fica nada bem visto, defendendo para cima, só com uma mão. A bola descreveu um caprichoso arco que a levou até ao fundo da baliza. Lopetegui processou de imediato uma dupla substituição, lançando Osvaldo e Corona para os lugares de Brahimi e Imbula, mas não se livrou de um coro de assobios.

No fundo, o FC Porto pagou a factura do excessivo relaxamento inicial, combinado com uma noite desligada em que cada um jogou para seu lado. Pior que isso só pensar que das escassas duas oportunidades que os dragões tiveram, uma foi criada pelo Dinamo, num corte infeliz de Rybalka que bateu no poste; o ressalto, invariavelmente, ficou nas mãos do seu guarda-redes. Sobre o apito final, numa insistência, André André rematou forte mas a bola desviou em Dragović e bateu com estrondo na trave.

As contas são agora fáceis de fazer: na última jornada o FC Porto vai a casa do Chelsea – teoricamente o seu jogo mais difícil – enquanto o Dinamo Kiev recebe o Maccabi Telavive – teoricamente o seu jogo mais fácil. O FC Porto ainda lidera o grupo, mas irá do trambolhão à derrocada?

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por Miran Pavlin às 23:50




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