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CORTE LIMPO



Quarta-feira, 17.08.16

Liga dos Campeões, play-off, 1.ª mão – FC Porto 1-1 AS Roma – Ansiedade

As incidências do jogo foram tantas que no final é difícil perceber qual delas teve mais influência no seu desfecho. Terão sido os 35 minutos de avanço que o FC Porto deu ao adversário? Terão sido algumas decisões, correctas ou não, da equipa de arbitragem? Os cerca de 50 minutos que o FC Porto jogou contra dez elementos? A falta de eficácia quando o golo parecia estar à sua frente? A sorte que ora sorriu, ora virou costas? O debate durará pelo menos até à segunda mão. A única certeza, por enquanto, é que o golo sofrido em casa tem tudo para ser um óbice às aspirações dos azuis-e-brancos na prova máxima do futebol europeu.

À semelhança do que acontecera em Vila do Conde, o FC Porto entrou bastante mal na partida. A ansiedade dos dragões estava à flor do relvado, traduzindo-se em descompensações no sector defensivo e inúmeras entregas de bola aos homens da Roma. Os giallorossi traziam na ponta da língua as transições rápidas para o ataque, com Salah em foco, além da consistência defensiva tão querida dos italianos. O pânico no sector recuado portista era evidente sempre que a Roma se abeirava da área. Logo no terceiro minuto Felipe limpou in extremis uma iniciativa precisamente de Salah, antes de o mesmo jogador desferir um remate que saiu pouco ao lado do poste (7’). Ao minuto 13 Casillas fez asneira da grossa ao não segurar uma bola que era mais que sua junto aos pés de Džeko, mas o avançado bósnio, com a baliza à sua mercê, finalizou contra o corpo de Alex Telles, que foi absolutamente salvador. O minuto 21, contudo, seria fatídico, com a Roma a chegar ao golo numa infelicidade de Felipe, que desviou para a própria baliza um canto batido por Salah.

O FC Porto parecia paralisado em campo. Não conseguia sair para o ataque com a bola junto à relva e a equipa não proporcionava linhas de passe. Decerto que uma coisa levava à outra, e as poucas bolas que chegavam ao ataque resultavam de lançamentos longos pelo ar. André Silva bem lutava, mas a defesa romana ia sendo mais forte. Até que a equipa acordou para os minutos finais do primeiro tempo. Como se alguém tivesse acendido a luz, subitamente o FC Porto começou a carregar sobre a Roma, criando finalmente lances de perigo. Aos 41 minutos Vermaelen deixava a Roma reduzida a dez unidades, ao acumular cartões amarelos num derrube a André Silva, que se preparava para ficar isolado frente à baliza.

O intervalo não quebrou o ímpeto que os dragões, ainda que a custo, encontraram. Por esta altura já Otávio se cotava como principal municiador do ataque portista, enquanto André Silva ia mostrando toda a sua disponibilidade para perseguir praticamente tudo o que mexia no último terço do campo. Aos 50 minutos as bancadas explodiram no festejo de um golo de Adrián López, mas o fiscal-de-linha não ficou convencido da legalidade do lance e assinalou fora-de-jogo. Apesar de ser um lance difícil, as imagens televisivas parecem dar razão ao assistente, com quem o juiz principal Björn Kuipers conferenciou antes de validar a decisão. À passagem da hora de jogo a sorte voltaria a olhar para o FC Porto, que beneficiou de uma grande penalidade por mão na bola de Emerson Palmieri – o brasileiro já tinha cortado um lance com a mão na primeira parte, mas esse passou despercebido. André Silva converteu o castigo com excelência, apontando assim o seu primeiro golo europeu.

O FC Porto manteve a pressão, criou oportunidades bastante claras, mas continuou a não conseguir alvejar a baliza da Roma. Perdeu-se a conta aos remates bloqueados e interceptados pelos romanos, que assim resistiram à inferioridade numérica e seguem para a segunda mão com um precioso golo na bagagem. Tanto o FC Porto como a Roma têm boas hipóteses de alcançar a fase de grupos, no entanto os dragões não se podem dar ao luxo de voltar a entrar em falso no jogo; nem podem deixar que tal se torne uma tendência. Pela reacção demonstrada em cada um dos jogos fica a ideia de que este FC Porto é capaz de fazer mais, até porque parece ter melhor circulação de bola que na época passada, mas por outro lado não é líquido que os problemas defensivos da equipa estejam resolvidos. As soluções, por enquanto, não abundam, pelo que a estrela terá mesmo que ser a equipa. Da sua consistência depende o futuro próximo do FC Porto.

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por Miran Pavlin às 23:55




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