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CORTE LIMPO



Sábado, 26.11.16

Liga NOS, 11.ª jornada – CF Os Belenenses 0-0 FC Porto – Bloqueio

Minuto 69. Depoitre, que entrara oito minutos antes, isola-se perigosamente a caminho da baliza do Belenenses. Na hora de decidir a jogada, chuta em falso, escorrega, cai, desmorona-se. Tudo no mesmo movimento. Foi a personificação da crise do ataque portista, que rendeu escassos dois golos nos últimos seis jogos, incluindo este. O despiste de Depoitre foi talvez o mais claro dos três lances de golo que o FC Porto construiu. Antes (23’), Óliver tinha aparecido em boa posição na esquerda da área mas decidiu mal, não se percebendo se quis passar ao colega que aparecia no meio ou fazer um desvio mais ou menos subtil, e na segunda parte um cabeceamento de Marcano ultrapassou o guarda-redes mas foi salvo in extremis pelo belenense Florent (55’). O próprio Belenenses teve apenas um lance perigoso, através de um remate de André Sousa que encontrou o poste (13’), apesar da irreverência de Abel Camará, que obrigou mais que uma vez Casillas a atenções redobradas. O golo, esse, tirou folga, e a sua ausência tirou também mais dois pontos ao FC Porto, que empata pela terceira vez consecutiva no campeonato. Juntando todas as provas, os dragões acabam de completar uma trilogia de nulos, e não marcam há já 340 minutos, mais descontos.

Qual escritor, o sector atacante do FC Porto vive um bloqueio. Sem Diogo Jota e Otávio na melhor forma, André Silva parece ficar muito mais sozinho entre os defensores contrários, mas isso não explica na totalidade a falta de garras afiadas nos movimentos ofensivos do FC Porto. Até porque o desacerto é generalizado. Os passes sem nexo, quer pelo ar, quer sobre a relva, repetem-se, e os jogadores não mostram entendimento entre si, o que se traduz na incapacidade de os médios solicitarem os avançados, e vice-versa. Apenas a defesa tem mantido de pé as fundações do edifício portista. Com oito pontos perdidos em quatro encontros, o FC Porto vê-se ultrapassado pelo Sporting, e em risco de cair, na conclusão da jornada, para o quinto lugar a sete pontos da liderança; sem esquecer de que já está fora da Taça de Portugal e ainda não garantiu a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. São demasiados sinais de alarme, e a época ainda só leva três meses.

O Belenenses foi pouco mais que lutador, tornando-se progressivamente mais confortável com a ideia de empatar a zero, enquanto o FC Porto ia deixando o coração levar a melhor sobre a cabeça conforme os minutos escoavam. As substituições não surtiriam grandes efeitos, e a partida terminaria com o resultado que se foi adivinhando durante toda a segunda parte. É difícil perceber como esta mesma equipa que se impôs tão vincadamente no encontro com o Benfica não tenha conseguido voltar a marcar desde esse jogo. Naturalmente que os golos vão voltar a aparecer, mas enquanto tal não acontece a única certeza é que esses golos futuros não servirão para devolver os pontos que ficaram pelo caminho. E só eles poderão diminuir a intensidade das brasas sobre que o FC Porto a partir de agora definitivamente caminha.

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por Miran Pavlin às 23:50




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