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CORTE LIMPO



Sábado, 03.12.16

Liga NOS, 12.ª jornada – FC Porto 1-0 SC Braga – Exorcismo

Sobrepondo o filme deste encontro ao da visita do Benfica, as semelhanças eram óbvias, e não se ficavam pela cor das camisolas. Em ambos os casos o FC Porto foi dominador e enérgico, e teve oportunidades para ascender a números tranquilos. Havia entendimento suficiente no ataque – descontando uma ou outra inicativa sem sentido – e a bola andava sempre nas imediações da área contrária. A diferença em relação ao clássico estava no número de oportunidades criadas, que neste jogo fez rebentar a escala. O golo é que se mantinha fugidio. Sem incluir as compensações, eram já 520 os minutos que o FC Porto levava à espera daquele segundo de felicidade.

Já Óliver tinha desperdiçado um lance claro (27’), após uma má reposição de Marafona, quando os dragões dispuseram de uma grande penalidade (34’), por um puxão de                 Artur Jorge a André Silva, quando este ia isolado para a baliza. Embora as repetições deixem transparecer que o avançado portista se aproveitou de um contacto mínimo, à primeira vista ficou toda a sensação de ter havido mesmo falta. E uma vez assinalado o castigo, não restava senão expulsar o central bracarense. O guarda-redes Marafona, quiçá ainda com a última final da Taça na memória, defendeu bem a conversão do mesmo André Silva. Foi apenas a primeira das suas muitas intervenções de qualidade ao longo da partida, em contraste com o seu homólogo portista Casillas, que em momento algum foi importunado. Até porque se o Braga não tinha tido qualquer lance de relevo até aqui, com menos uma unidade praticamente não saiu do momento defensivo. O FC Porto foi então coleccionando oportunidades. Em cima do intervalo Layún cruzou e Danilo Pereira desviou de cabeça para o poste, com a recarga de Diogo Jota a ser salva no limite por Marafona. No segundo parcial os azuis-e-brancos introduziram mesmo a bola na baliza em duas ocasiões, mas nenhuma contou; primeiro (55’) porque o árbitro Carlos Xistra considerou ter havido falta de Diogo Jota sobre Maurício – decisão muito controversa –, e mais tarde porque foi tirado um fora-de-jogo microscópico a Rui Pedro (88’) – mais sobre ele dentro de momentos. O FC Porto nunca desistiu. André Silva perdeu um par de golos cantados, e até Maxi Pereira passou grande parte do tempo junto ao ataque, tendo também ele hipótese de decidir o jogo (76’), numa finalização na pequena área, mas mais uma vez Marafona disse “presente”. O lateral uruguaio tentou uma bicicleta na recarga; a bola saiu paralela à linha de golo.

Face à ausência de ataque no Braga, Nuno Espírito Santo acabou por colocar o FC Porto em sistema de três defesas (75’), retirando Óliver para entrar Herrera, ao mesmo tempo que trocou Layún por Rui Pedro, o homem que se estreara no recente encontro da Taça da Liga. A outra substituição acontecera perto do intervalo, quando Otávio saiu lesionado para entrar Brahimi. O argelino, hoje menos individualista, também esteve perto do golo (48’), num remate cruzado em arco que passou a centímetros do poste. Por uma vez, o árbitro deu compensação justa para as incidências da segunda parte, decretando sete minutos, sete, de descontos. O redondo 0-0, esse, continuava gigante no marcador. A artilharia portista em campo era mais que pesada: Brahimi, Corona, Diogo Jota, André Silva, Rui Pedro. Acantonado junto à sua área, o Braga estava prestes a concluir a sua tarefa. Brahimi ainda cobrou um livre directo que passou um tudo ou nada por cima (90’+4’) e não parecia restar muito mais tempo.

Havia, contudo, uma última palavra. Uma rara bola que passou por terrenos mais recuados resultou num chuto para a frente, que encontrou Diogo Jota no meio, já para lá da linha divisória; com dois toques no ar, tão deliciosos quanto eficazes, Jota lançou o improvável Rui Pedro, que se desmarcou no momento certo e picou a bola sobre Marafona (90’+5’), assumindo assim a pele de exorcista. Era golo! Enquanto jogadores, suplentes e técnicos festejavam como se fosse aquele minuto 92 de 2012/13, Depoitre, onde quer que estivesse, via a sua vida andar para trás. O longo festejo fez com que se jogasse até ao minuto 98, e o Braga ainda tentou escrever injustiça, mas não conseguiu chegar perto da baliza. Por muito que o técnico José Peseiro tenha procurado defender a dama bracarense ao referir, na sala de imprensa, que houve um jogo antes e depois da expulsão, a verdade é que não há muito a que o Braga se possa agarrar.

Foi preciso roer unhas, dedos, um pouco do carpo e arrancar uns quantos cabelos com a outra mão até que o FC Porto exorcizasse o fantasma dos nulos e pudesse aproveitar o deslize do líder na noite anterior. Os azuis-e-brancos estão agora quatro pontos abaixo do topo.

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por Miran Pavlin às 23:55




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