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CORTE LIMPO



Domingo, 07.02.16

Liga NOS, 21.ª jornada – FC Porto 1-2 FC Arouca – Casca de banana

Ao terceiro jogo sob a égide de José Peseiro surgiu a derrota que coloca o trabalho do treinador em perspectiva. Se por um lado este jogo foi a confirmação de que Peseiro acabou com o futebol entediante e horizontal do seu antecessor, por outro, tendo mudado o chip da equipa, o técnico não pode ser responsabilizado por aquilo que os seus pupilos mesmo assim não conseguem fazer.

Será um sinal dos tempos? Este FC Porto não tem conseguido ser implacável nos pequenos detalhes em que as sucessivas equipas do passado eram. Aboubakar aparece isolado em frente à baliza mas não consegue desfeitear o guarda-redes. Os homens mais adiantados repetidamente não encontram espaço para rematar sem pernas adversárias a interceptar. Os cruzamentos são inócuos. E as soluções para colmatar lesões e castigos deixam a desejar; pensa-se em José Ángel, Varela e Maicon, de quem já nem a sombra se vê.

Jogos como este costumavam acontecer só ao Sporting e ao Benfica. Os jogadores entregam-se, imprimem intensidade no ataque e passam o grosso do jogo no meio-campo adversário, mas parece faltar sempre alguma coisa. Este aspecto ficou bem à vista ao minuto 86, quando Marega chegou uma fracção de segundo atrasado a uma bola que pedia um desvio certeiro na pequena área. Nem aquilo que a equipa não consegue controlar corre de feição, no caso uma decisão do árbitro assistente, que assinalou erradamente um fora-de-jogo, minutos antes do segundo golo arouquense.

Bastaram dez segundos para que o FC Porto ficasse em apuros. Saída de bola para o Arouca, bola no médio, passe para as costas, avanço pela direita até à área, cruzamento e Walter González desvia para o 0-1. Casillas ficou mal na fotografia, não agarrando uma bola que era sua.

O FC Porto reagiu de pronto e chegou ao empate ao minuto 14, num cabeceamento colocado de Aboubakar na cobrança de um canto. Até ao descanso o Arouca manteve-se atrevido q.b., atacando principalmente pelo flanco onde estava José Ángel, mas a acção desenrolou-se maioritariamente no seu último terço defensivo.

No reatamento o FC Porto ter-se-á acomodado em demasia e o jogo adormeceu. O ex-portista Bracalli teve uma ou outra defesa mais apertada, mas a bomba explodiria no outro extremo do relvado, onde Maicon não tem justificação possível para a perda de bola que permitiu ao mesmo Walter González isolar-se e rematar certeiro para o 1-2 (66’). Maicon ficou a queixar-se da coxa e abandonou o relvado com o jogo a decorrer, o que não agradou aos adeptos presentes, que o assobiaram de imediato.

Ciente de que tinha em mãos uma jóia rara, a turma de Lito Vidigal utilizou as artimanhas habituais quando se quer congelar um jogo. Entre as demoradas reposições de bola e as explorações de todo e qualquer contacto, Bracalli foi assistido três vezes, e os segundos finais da longa compensação passaram com a bola junto à bandeirola de canto.

Não é de espantar que o Arouca o fizesse. Afinal de contas, esta foi a primeira vez que venceu o FC Porto, fazendo os dragões escorregar numa casca de banana que faz com que entrem sobre brasas no próximo jogo, que é nada menos que um decisivo clássico na Luz. Este é mesmo de tudo ou nada; o empate ou a derrota decerto deixarão o FC Porto irremediavelmente perdido na corrida pelo título – mesmo contando que o líder Sporting ainda não realizou o seu jogo desta jornada.

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por Miran Pavlin às 23:00




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