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CORTE LIMPO



Domingo, 28.08.16

Liga NOS, 3.ª jornada – Sporting CP 2-1 FC Porto – Protagonista indesejado

Sem ganhar em Alvalade desde 2008/09, o FC Porto parecia chegar em forma ao último teste do primeiro lanço da temporada, mas o tónico trazido de Roma não foi suficiente para que o FC Porto mantivesse o registo imaculado nesta Liga NOS. Ainda assim, a entrada em jogo do FC Porto não fazia prever um desfecho desfavorável. Sensivelmente ao mesmo minuto que no jogo de Roma, Felipe voltou a fazer das suas, abrindo o activo com um desvio à boca da baliza após livre sobre a direita. Antes do golo o FC Porto já havia procurado lançar o ataque através de bolas em profundidade pelo corredor central, conseguindo um lance em que André Silva viu o seu esforço negado por um corte no momento certo de Rúben Semedo. Ao quarto-de-hora Slimani empatava num lance do qual alguns jogadores portistas se queixaram de mão na bola, mas não parece haver irregularidade. Bruno César cobrou um livre directo que bateu no poste e sobrou para Gelson Martins, que ajeitou a bola e a encostou na direcção da baliza. O esférico prensou no corpo de Casillas, e o tento só seria confirmado por Slimani, em cima da linha. Talvez houvesse tempo para o FC Porto evitar o golo, mas os jogadores preferiram ficar parados, de braço no ar, virados para o árbitro assistente. No entanto, a haver irregularidade só nos livres que deram origem aos dois golos; em nenhum deles parece haver falta.

O Sporting não demorou a corrigir o seu posicionamento em campo depois de sofrer o golo, com isso fechando a torneira ao miolo do FC Porto, que não conseguiu mais fazer a bola chegar perto da pequena área. O mais perto que os azuis-e-brancos estiveram do golo até final do jogo foi num remate em arco de André André que tocou no poste antes de sair, num contra-ataque em que Layún dominou mal a bola quando tinha dois colegas em posição privilegiada no meio, e já no estertor do desespero, quando Adrián López pareceu escapar-se na esquerda com espaço para rematar mas optou por flectir para o meio, perdendo de imediato a bola.

Aos 26 minutos Gelson Martins consumou a reviravolta leonina num remate firme à entrada da área. As queixas dos portistas repetiram-se, novamente por alegado domínio com o braço de Bryan Ruiz antes de endossar ao colega, mas também aqui não parecem existir motivos para tal. Os argumentos a que os dragões podem recorrer residem noutras vertentes da arbitragem de Tiago Martins – que dirigia o seu primeiro clássico –, nomeadamente no lance em que Bruno César, logo ao minuto 10, teve uma entrada de sola ao tornozelo, em tudo idêntica à que rendeu uma das expulsões no jogo de Roma. Aqui, nem o cartão amarelo saltou do bolso, e ao longo da partida o juiz foi permitindo que o mesmo Bruno César acumulasse faltas suficientes para ser expulso duas vezes, mas também que em várias disputas de bola – com Slimani à cabeça – o cotovelo também fosse utilizado. Otávio foi dos jogadores mais visados pelos adversários. A excessiva permissividade do árbitro perante os abusos do Sporting deixa-o em condições de ser acusado de caseirismo. Num jogo em que todos os golos oferecem dúvidas, é incrível como o foco das queixas incide sobre outros lances.

Os níveis de tensão foram elevados ao longo da partida, ou não estivesse em jogo uma liderança isolada com vantagem pontual sobre os outros dois candidatos crónicos ao título, e Jorge Jesus seria expulso durante a segunda parte, juntamente com o médico dos leões. Por vezes uma expulsão do técnico mexe com a equipa, mas o Sporting tinha o jogo bem controlado e segurou a vantagem. Nuno Espírito Santo efectuou substituições que inclinaram a equipa para o ataque, mas o efeito foi praticamente nulo. Óliver Torres foi utilizado na segunda parte, mas tendo chegado apenas a meio da semana, talvez tenha sido uma entrada prematura.

Ficar cedo sob pressão classificativa não é cenário novo para o FC Porto nestes últimos anos, mas a equipa não dá sinais do desnorte em campo tantas vezes visto nos dias de Julen Lopetegui, pelo que o alarme não deverá soar desde já. Antes pelo contrário. Os elogios tecidos durante a semana pelo presidente leonino Bruno de Carvalho à qualidade das arbitragens, e a actuação caseira de Tiago Martins só mostram que a concorrência está em sentido com o arranque de época do FC Porto.

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por Miran Pavlin às 22:15




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