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CORTE LIMPO



Domingo, 23.04.17

Liga NOS, 30.ª jornada – FC Porto 0-0 CD Feirense – Contas à vida

Mesmo tendo vivido diversos momentos positivos ao longo da segunda volta, até este ponto o FC Porto ainda não encontrou forma de erradicar a ansiedade da psique colectiva da equipa. Controlada numas vezes, à solta noutras, essa ânsia de chegar ao golo volta a ser tida como uma das causas de não o ter alcançado. Pelo menos na segunda parte, pois no arranque o FC Porto cometeu o pecado recorrente desta temporada, ao voltar a entrar no jogo sem chama. Tal só podia ajudar um Feirense que subia ao relvado a precisar de um ponto apenas para garantir a manutenção antecipada. Era mesmo como se os fogaceiros estivessem no pólo oposto de ansiedade em relação aos dragões. Enquanto o FC Porto não tinha margem de erro, o Feirense só precisava saber de que lado da tranquilidade a sua equipa estava; se do lado que conduz à displicência, se daquele que elimina hesitações e leva ao jogo pelo jogo.

E até foram os visitantes os primeiros a ameaçar (18’), quando o grego Karamanos se isolou e obrigou Casillas a defender para canto. Os dragões ofereceram como resposta dois lances de Danilo Pereira, através de um cabeceamento que não passou longe após canto de Alex Telles (27’) e de um remate de ressaca que ainda tocou na malha superior, mas do lado de fora (41’). Ficou a centímetros de ser um golaço ao ângulo. Estes lances não foram de modo algum suficientes para ver a primeira parte como mais que um jogo morno e de meias-oportunidades. Com Diogo Jota e Soares a ocuparem os lugares dos mais habituais Brahimi – castigado por dois jogos – e Corona – lesionado – nas extremas, o FC Porto não estava a conseguir esticar o seu jogo e forçar o Feirense a abrir espaços. Talvez isso acontecesse porque tanto Jota como Soares tendem a flectir muito para o meio. Sentindo isso, ao intervalo Nuno Espírito Santo alterou o esquema de 4x3x3 para 4x4x2 trocando Óliver Torres por Otávio, ganhando com isso mais jogo exterior e passando a ter Soares e André Silva no meio à espera de munições.

A mudança táctica resultou. O FC Porto tornou-se finalmente dono e senhor do jogo e o Feirense passou mesmo por alguns momentos de grande aperto junto à sua baliza, quando os dragões conseguiam construir vagas sucessivas de ataque. O FC Porto terminou o encontro com 22 remates e 31 cruzamentos – o Feirense somou quatro e seis, respectivamente –, e tentou jogadas pelo chão e pelo ar, pelos flancos e pelo centro, mas o Feirense nunca tremeu. De entre as muitas oportunidades de golo destacam-se um remate sem ângulo de Rui Pedro (72’) e um cabeceamento de Maxi Pereira (82’), aos quais Vaná correspondeu com duas boas defesas, nomeadamente no lance do lateral uruguaio. Conforme os minutos passavam, a resistência fogaceira, feita da aglomeração de jogadores perto da área e da acção certeira do guarda-redes adversário, conduzia então o FC Porto àquela ansiedade crescente que torna infrutíferas todas as soluções tentadas para contornar esse veto ao golo imposto pelo Feirense. E não houve mesmo meio de desfazer o nulo.

O Feirense sai do Dragão com a manutenção assegurada e o crédito de ter resistido à tentação do anti-jogo barato. Já o FC Porto, que poderia recolocar-se a um ponto do líder, em virtude de este na véspera ter cedido uma igualdade, continua assim à distância de três pontos e a fazer contas à diferença de golos na eventualidade de esta vir a ser necessária para apurar o campeão. Ao mesmo tempo que faz também contas à vida.

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por Miran Pavlin às 23:30




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