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CORTE LIMPO



Quarta-feira, 25.05.16

SC BRAGA 2015/16

O dia 22 de Maio já era feriado em Braga. Foi nesse dia em 1966 que os arsenalistas conquistaram a sua primeira Taça de Portugal. A segunda demorou, mas chegou mesmo à capital do Minho, curiosamente no exacto dia em que se completavam 50 anos sobre esse primeira conquista. É fácil pegar nesta vitória e extrapolar as ilações que dela se podem tirar, mas este Braga continua a não ser o mesmo da viragem da década. Basta olhar para a sequência de resultados na Liga NOS e constatar que o Braga não conseguiu vencer mais que dois jogos consecutivos. Por muito surpreendente que a estatística possa ser.

É também verdade que o Braga mais uma vez foi quarto classificado, mas o clube é hoje vítima dos standards que foi definindo ao longo da presidência de António Salvador. A partir de 2003/04 os bracarenses registaram um terceiro lugar, sete quartos e dois quintos. Os momentos mais memoráveis desse período foram, no entanto, o vice-campeonato de 2009/10 – perdido por cinco pontos – e a ida à final da Liga Europa em 2010/11, o ponto mais alto da história europeia do Braga. Daí que um quarto lugar a 15 pontos do terceiro não possa ser visto como um ano fantástico. É preciso contabilizar as restantes provas para compor o quadro, e aí é impossível não reparar que o Braga, no início de Abril, era a única equipa portuguesa que se mantinha em prova em todas as frentes, incluindo a europeia.

De facto, na Liga Europa o Braga não deixou os seus créditos por mãos alheias. Passou tranquilamente por um grupo contendo Olympique Marselha, Slovan Liberec e FC Groningen, antes de vergar o FC Sion nos 16-avos-de-final, tornando-se na única equipa portuguesa a seguir em frente entre as três que disputaram essa eliminatória. Os oitavos-de-final reservaram talvez o melhor jogo do Braga em toda a época. Perante o Fenerbahçe SK, um gigante do futebol turco, os bracarenses deram a volta a uma derrota por 1-0 em Istambul com um fantástico resultado de 4-1 na Pedreira, num jogo quente.

Tendo-se fixado no quarto posto da Liga NOS à 11.ª jornada, e progressivamente sem hipóteses de subir mais alto – quatro jornadas mais tarde já estava oito pontos abaixo do pódio –, o Braga centrou em definitivo atenções nos jogos a contar para as restantes provas. O primeiro grande momento dos arsenalistas até já tinha ocorrido, a 22 de Outubro, quando bateu em casa o Marselha, de forma dramática, por 3-2, mas seria a 16 de Dezembro que surgiria a grande declaração de intenções da equipa, com o afastamento do Sporting da Taça de Portugal. Os leões começaram a ganhar, mas três reviravoltas depois era o Braga que saía por cima, por 4-3, com o golo decisivo a ser apontado por Rui Fonte, ao minuto 111.

Janeiro traria a fase de grupos da Taça da Liga, que o Braga ultrapassou sem problemas de maior, ao mesmo tempo que deu sequência ao caminho na Taça, batendo o Arouca (2-0) nos quartos-de-final, a 13 de Janeiro. A longa caminhada europeia foi forçando o adiamento indefinido da meia-final da Taça da Liga, que deveria ter-se jogado em inícios de Fevereiro. O Braga só diria o adeus europeu nos quartos-de-final, em meados de Abril, perdendo com o Shakhtar Donetsk por 1-6 no agregado das duas mãos. A meia-final da Taça da Liga disputar-se-ia semanas mais tarde. Na visita à Luz, os minhotos adiantaram-se aos 19 minutos, por Rafa, mas consentiram a reviravolta e despediram-se da competição.

Já com o quarto posto seguro, apesar de ainda não confirmado pela matemática, restava ao Braga preparar a ida ao Jamor, onde se bateria com o FC Porto. Talvez ainda com o drama da final anterior na memória, o Braga não quis ser expansivo no jogo da decisão, mas acabou mesmo assim premiado, no caso pela intranquilidade dos dragões, que resultou em dois erros defensivos que o Braga aproveitou para transformar em golo. O FC Porto reeditou o que o Sporting fizera um ano antes, levando tudo para o prolongamento praticamente no último fôlego, mas também não conseguiu dar o golpe final no tempo extra. Nas grandes penalidades mais uma vez a intranquilidade dos portistas veio ao de cima, em claro contraste com as cobranças irrepreensíveis de Pedro Santos, Stojiljković, Hassan e Marcelo Goiano. Estava aberto o caminho para uma festa que se prolongou pela madrugada, com a equipa ser vitoriada por um mar de gente à chegada a Braga.

No campeonato, o Braga não foi, então, exuberante, mas soube como fazer para atingir o objectivo mínimo. Competente em casa, onde só Benfica e Sporting ganharam, os arsenalistas conseguiram o seu melhor registo de sempre, com 41 golos marcados, muito à custa das goleadas a Boavista (4-0), Marítimo (5-1), Belenenses (4-0) e Rio Ave (5-1). Fora, o Braga optou por uma abordagem mais cautelosa, como provam os escassos 13 golos marcados, que chegaram para vencer cinco jogos. Longe de impressionar.

Na euforia da festa da Taça, o presidente da Câmara Municipal de Braga pediu o título nacional. Tendo em conta o status quo do campeonato português, para isso é necessário não apenas que o Braga faça uma época, no mínimo, igual a 2009/10, mas também que os três grandes estejam mal ao mesmo tempo – só o Boavista de 2000/01 aproveitou um cenário assim – e que o Braga ele próprio consiga ser mais forte que todas e quaisquer forças estranhas que se possam atravessar no seu caminho. Não sendo este o mesmo Braga desses anos, mas sendo capaz de ir longe noutras provas, haverá estofo para um assalto ao título?

 

Treinador

Diz-se que por vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois em frente. Entre então Paulo Fonseca, que fez justamente isso depois de uma passagem mal sucedida pelo FC Porto em 2013/14. No Paços de Ferreira, em 2014/15, ficou a um ponto de levar o clube à Liga Europa; este ano adicionou um título ao seu palmarés pessoal, ao leme do Braga, clube em que a pressão imposta pelo presidente nem sempre é bem suportada pelos sucessivos treinadores. Quão irónico foi que essa vitória no Jamor tenha surgido frente ao FC Porto. Decerto Fonseca terá ficado com um gosto especial.

 

Figuras

Hassan e Stojiljković terminaram como melhores marcadores da equipa no campeonato, ambos com 10 golos, mas o egípcio marcou onze no total. Esse outro golo foi apontado na segunda jornada, pelo Rio Ave… precisamente contra o Braga, que perdeu mesmo por 1-0. Rafa voltou a cotar-se como um avançado sem medo de ter a bola e furar por entre os contrários; o prémio foi a inclusão nos 23 nomes que estarão no Euro 2016. O veterano Alan voltou a ser um elemento unificador do balneário, enquanto o reforço de inverno Josué foi decisivo tanto na final da Taça, onde marcou, como na Liga Europa. Mais atrás, Ricardo Ferreira, Goiano e Marcelo Baiano foram pilares. Marafona foi o herói do Jamor, ao defender duas grandes penalidades.

 

Contas finais

Campeonato: 4.º lugar, com 16v, 10e, 8d, 54gm, 35gs, 58pts

Taça de Portugal: vencedor

Taça da Liga: eliminado nas meias-finais (Benfica, 2-1)

Europa: eliminado nos quartos-de-final (Shakhtar Donetsk 1-2c, 0-4f)

 

Para mais tarde recordar

25.10.2015, jornada 8 – Braga empata no Dragão a zero. Foi a primeira vez que não sofreu golos em casa do FC Porto desde 2001/02;

14.02.2016 – jornada 22 – vitória por 1-3 em casa do Marítimo; nunca o Braga aí tinha marcado três golos no mesmo jogo;

17.03.2016, Liga Europa – ao vencer por 4-1 na segunda mão dos oitavos-de-final, os arsenalistas eliminaram o Fenerbahçe de Vítor Pereira.

 

Para esquecer

01.04.2016, jornada 28 – derrota na Luz por 5-1; o Braga continua sem vencer em casa do Benfica em jogos da I Liga desde 1954/55;

14.04.2016, Liga Europa: a saída da competição foi dura, após derrota com o Shakhtar Donetsk por 4-0, na segunda mão dos quartos-de-final.

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por Miran Pavlin às 12:00




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