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CORTE LIMPO



Terça-feira, 24.05.16

SL BENFICA 2015/16

Depois do primeiro bicampeonato em 31 anos, o Benfica escavou um pouco mais nos livros de história e regressou trazendo em mãos o seu primeiro tricampeonato em 39 anos. E pode até dizer-se que os encarnados foram campeões quando tinham tudo para não o ser. Além das saídas de jogadores, o Benfica entrava na primeira época pós-Jesus, era alvo de ataques constantes por parte do ex-treinador, chegou a ver-se no oitavo posto, à oitava jornada, e passou as cinco rondas seguintes com um atraso de oito pontos face ao primeiro lugar, em parte motivado pelo jogo que teve em atraso, e que só acertou – com um empate – após a jornada 13, altura em que ficou cinco pontos abaixo do líder.

Até essa oitava jornada, o Benfica tinha perdido três jogos, aos quais se somava o desaire na Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Sporting (0-1). As águias encontravam-se mesmo num bloqueio de clássicos, uma vez que perderam os encontros da Liga NOS com FC Porto (1-0, na 5.ª jornada) e Sporting (0-3, na jornada 8). A saída da Taça de Portugal ocorreu bastante cedo, e novamente às mãos dos seus rivais de Alvalade, que saíram vencedores por 2-1, após prolongamento.

O Benfica parecia estar perto de uma calamidade, mas seria por essa altura que arrancaria para uma impressionante sequência, que justificou por inteiro a conquista do título de campeão. Entre a jornada 9, na qual bateu o Tondela, em Aveiro, por 0-4, e a última, o Benfica venceu 25 dos 27 jogos que realizou, cedendo pontos apenas nesse tal jogo em atraso com o União (0-0) e na recepção ao FC Porto (1-2). A prova cabal de que o Benfica é um justo campeão reside num dado estatístico: foi o campeão mais pontuado da era dos três pontos por vitória, com 88, número que nem as melhores edições do FC Porto atingiram. Nem se deu pelas ausências, devido a lesão, do guarda-redes Júlio César e do central Luisão.

A jornada 25 foi simbólica para o Benfica, que disputou aí o último clássico da época, novamente em Alvalade, com os dois conjuntos separados por dois pontos. Carregando o peso de ainda não ter vencido nenhum dos clássicos já realizados, as águias estavam perante uma autêntica final, e não perderiam a hipótese de saltar logo aí para o topo da classificação. Um golo de Mitroglou, ao minuto 20, foi o suficiente para quebrarem o enguiço. A marcha do Benfica continuou a todo o vapor até ao termo do campeonato, e foi bem necessário que assim fosse, já que a vantagem de dois pontos obtida em casa do Sporting se manteve até final.

A campanha europeia foi também ela positiva, com o Benfica a atingir os quartos-de-final da Liga dos Campeões. O saldo da fase de grupos não foi particularmente esclarecedor, mas os dez pontos somados, ao contrário do que sucedera em 2013/14, foram suficientes para passar à fase seguinte. Aí, o Benfica ultrapassou o Zenit, numa eliminatória de nervos, antes de se bater dignamente com o Bayern Munique nos quartos-de-final, onde cairia por 2-3 no agregado das duas mãos.

A época terminaria com a conquista da sétima Taça da Liga, em nove edições possíveis. Numa repetição da época anterior, o Benfica defrontou o Marítimo na final de Coimbra, triunfando desta vez por um robusto 6-2. Num dado tão impressionante quanto a carreira nesta Liga NOS, o Benfica apenas perdeu um jogo nos 90 minutos em toda a história da Taça da Liga – 2-1 em Setúbal, em 2007/08. Mas não só: ao bater o Moreirense por 1-6 na fase de grupos, tornou-se na primeira equipa a atingir a meia dúzia nessa competição.

 

Treinador

Enquanto as suas ideias não deram frutos, foi impossível a Rui Vitória escapar às comparações com o seu antecessor. Pois aqui fica mais uma: enquanto Jorge Jesus frequentemente reclamava para si o mérito dos triunfos da equipa, Vitória é credor de uma fatia generosa do mérito da época benfiquista, e não o reclama. O técnico é um homem cordato, que sabe estar no futebol, e lidou da melhor maneira com toda a pressão que teve nos seus ombros. Não apenas aquela inerente ao cargo que ocupa, mas também aquela a que o seu antecessor o sujeitou, através das inúmeras tiradas que lhe dirigiu durante praticamente toda a época. O clube teve a paciência necessária para que Rui Vitória se ajustasse, e os dividendos não tardaram a aparecer, em termos de lançamento de jogadores jovens e, mais importante, títulos.

 

Figuras

Se a época passada tinha sido boa, que dizer então desta, na qual Jonas apontou nada menos que 31 golos na Liga NOS, cifra que ninguém atingia desde Jardel, em 2001/02. O seu companheiro de ataque, o grego Mitroglou, demorou algum tempo a acomodar-se, mas assim que o fez foi tão letal como o brasileiro, terminando a campanha na Liga com 19 golos. Os 50 golos da dupla representam perto de 57% dos golos apontados pela equipa no campeonato.

Entre os mais jovens, Gonçalo Guedes destacou-se na primeira fase da época, apontando mesmo o golo da vitória em casa do Atlético Madrid (1-2) na Liga dos Campeões, cedendo depois o epíteto de next big thing a Renato Sanches, que pese embora a dureza por vezes excessiva que emprega nas disputas de bola, tem uma rebeldia que empresta um perfume diferente à equipa. O central sueco Lindelöf aproveitou da melhor maneira a indisponibilidade de Luisão para se afirmar, enquanto Jardel mostrou uma segurança que se lhe desconhecia.

Em sentido contrário, Gaitán não foi tão proeminente como em outros anos e Talisca ficou reduzido a um papel secundário.

 

Contas finais

Campeonato: 1.º lugar, com 29v, 1e, 4d, 88gm,22gs, 88pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória (Sporting, 2-1 a.p.)

Taça da Liga: vencedor

Supertaça Cândido de Oliveira: derrotado pelo Sporting (0-1)

Europa: eliminado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões (Bayern 0-1f, 2-2c)

 

Para mais tarde recordar

30.09.2015, Liga dos Campeões: vitória por 1-2 sobre o Atlético Madrid, depois de estar a perder, na segunda jornada da fase de grupos;

05.02.2016, jornada 21 – ao vencer no Restelo por 0-5, o Benfica consegue a sua maior vitória em casa do Belenenses desde o 0-6 de 1964/65;

01.04.2016, jornada 28 – vitória por 5-1 sobre o Braga; os encarnados não marcavam tantos golos nas recepções aos minhotos desde 1983/84

 

Para esquecer

23.08.2015, jornada 2 – sofreu a sua primeira derrota de sempre diante do Arouca (1-0).

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 22:00




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