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CORTE LIMPO



Terça-feira, 30.05.17

SL BENFICA 2016/17

O adejctivo “histórico”, tão banalizado hoje em dia, por uma vez aplica-se na perfeição. A corrida atrás da história que o Benfica vinha empreendendo nos últimos anos culmina agora no primeiro tetracampeonato encarnado, sendo quase inacreditável como um clube com tão ilustre palmarés só agora o tenha conseguido – o Sporting fê-lo em 1954, seguindo-se o FC Porto em 1998 e 2009. O Benfica foi, sem dúvida, a equipa mais regular desta edição da Liga NOS, liderando ininterruptamente desde a jornada 5 e sobrevivendo a um período menos bom por alturas da viragem do campeonato. A concorrência também contribuiu com o seu quinhão para o título das águias, nomeadamente no caso do FC Porto, que se ficou pelas ameaças quando parecia ter tudo para tomar o comando da classificação numa fase já adiantada da época, mas é impossível sugerir que o Benfica revalidou o título apenas graças ao demérito dos adversários directos.

Até porque o Benfica teve o mérito de saber adaptar-se aos diferentes momentos de forma por que a equipa passou, manejando da melhor maneira os ferros para arrancar o resultado que interessava quando não era possível praticar futebol de encher o olho. Determinante foi também a forma como os jogadores foram entrando e saindo das opções sem tornar o rendimento global da equipa assustadoramente baixo. Enquanto Jonas não regressou em força da lesão – o brasileiro marcou o primeiro dos seus 13 golos na Liga à 16.ª jornada –, as despesas ofensivas ficaram a cargo de Mitroglou e Jiménez, apoiados por Pizzi, que realizou a sua melhor época desde que está no Benfica. Enquanto nomes como Rafa – tanta tinta correu sobre ele no defeso – e Carrillo praticamente passaram ao lado, Gonçalo Guedes chamou tanto a atenção que saiu para o Paris Saint-Germain no mercado de inverno. Mais atrás no terreno, os centrais fizeram dos clássicos a sua coutada, com Lisandro López a marcar no Dragão e Lindelöf em Alvalade. Éderson voltou a dominar a baliza, e Nélson Semedo e Grimaldo – este mais na primeira volta – cotaram-se como outros nomes em destaque.

A época encarnada arrancou com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira (3-0 frente ao Braga), mas tal não se traduziu propriamente num tónico, pois o Benfica demorou a estabilizar. Logo à 2.ª jornada um empate caseiro com o Setúbal (1-1) foi o primeiro sinal de que havia trabalho a fazer. Esses até acabariam por ser os únicos pontos desperdiçados nas primeiras quatro jornadas da Liga, mas é curioso constatar que o Benfica defrontou exactamente as três equipas que terminariam o campeonato na cauda da classificação. Esses dois pontos perdidos foram suficientes para deixar os encarnados no terceiro posto, na véspera do arranque da Liga dos Campeões, onde o Benfica tomaria dois golpes duros ainda no mês de Setembro.

Com efeito, o Beşiktaş seria o primeiro a causar estragos, ao empatar na Luz (1-1) com um golo de Talisca – emprestado aos turcos precisamente pelo Benfica – no último suspiro do encontro. Duas semanas depois, em Nápoles, com uma hora de jogo o Benfica perdia por 4-0 e os pontos de interrogação eram mais que muitos. Gonçalo Guedes e Salvio ainda marcariam dois golos cosméticos, que não impediram que o Benfica voltasse a Portugal envolto em dúvidas. No campeonato, porém, as águias já tinham somado duas vitórias tidas como difíceis, frente a Braga (3-1) e Chaves (0-2), que funcionavam como sinais contrários às agruras vividas na prova continental. O mês de Outubro chegou já com o Benfica numa liderança que nunca cederia, o que vale por dizer que uma vez pesados os prós e os contras do primeiro mês e meio de temporada, a entourage benfiquista terá dado pouca importância aos desaires da Champions. Com maior ou menor dificuldade, o Benfica conseguiu as vitórias suficientes para resistir aos três tremores que ainda sofreria até final.

O primeiro desses tremores foi uma repetição do mau arranque na Liga dos Campeões. A 23 de Novembro, em Istambul, em meia hora o Benfica colocou-se a vencer por 0-3 e parecia ter o jogo na mão, mas o marcador final assinalaria 3-3, com dois dos golos do Beşiktaş a serem assinados por outros velhos conhecidos, no caso Quaresma e Aboubakar, ambos ex-FC Porto; a 6 de Dezembro, o Nápoles venceu na Luz (1-2), beneficiando de um Benfica na ressaca da derrota em casa do Marítimo (2-1) na sexta-feira anterior. Esse desaire na Madeira reduziu o avanço encarnado na tabela para apenas dois pontos. Os suores frios voltariam no novo ano. A 14 de Janeiro o Boavista demorou 25 minutos a colocar-se a vencer por 0-3 em pleno Estádio da Luz, antes de ver os homens da casa recuperar até ao empate final; a 25 foi o Moreirense a causar espanto ao afastar o Benfica da final da Taça da Liga com um valoroso triunfo por 3-1; por fim, a 30 de Janeiro, o Setúbal – o outro derrotado das meias-finais da Taça da Liga – voltou a fazer das suas e bateu os encarnados no Bonfim (1-0) pela primeira vez desde 1998/99.

Jogava-se a jornada 19 e o Benfica via-se com apenas um ponto de vantagem sobre o segundo classificado FC Porto. Foram necessários nervos de aço para sobreviver a essa fase, que coincidiu com o melhor período dos da Invicta. O Benfica respondeu a esse ímpeto do adversário com seis triunfos consecutivos – Nacional (c), Arouca (c), Braga (f), Chaves (c), Feirense (f) e Belenenses (c) –, numa sequência apenas manchada pela eliminação nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões frente ao Borussia Dortmund. Tendo vencido em casa por um suado 1-0 – marcou Mitroglou (48’) e Éderson defendeu uma grande penalidade a Aubameyang (58’) – na Alemanha o Dortmund esteve ao seu melhor nível e reverteu a eliminatória (4-0), com Aubameyang desta vez a assinar um hat-trick. A série de vitórias na Liga conheceu um ponto final na jornada 26, a 18 de Março, com um empate em Paços de Ferreira (0-0). Seria aqui, em última instância, que o campeonato se decidiu. Enquanto o alarme soava estridente nas hostes encarnadas, o FC Porto não aproveitou para saltar para o comando, cedendo ele próprio um empate na recepção ao Setúbal. Na jornada seguinte os dois candidatos defrontaram-se na Luz e repetiram o resultado da primeira volta (1-1). Embora tenha ficado tudo na mesma, na prática o FC Porto desperdiçava duas oportunidades de escrever uma história diferente e ficava com esse ónus sobre os ombros. A velha máxima da candeia que vai à frente explica na perfeição a recta final do Benfica na Liga; cinco triunfos e um empate – em Alvalade (1-1) – garantiram o tetra a uma jornada do fim, num título carimbado com uma goleada (5-0) na recepção ao Guimarães. O empate final no Bessa (2-2) terá sido fruto de uma descompressão que quase custou ainda mais caro, já que o Benfica esteve a perder por 2-0.

 

TAÇA DE PORTUGAL

A época do Benfica encerrou com a conquista da sua 26.ª Taça de Portugal. Quatro anos depois da última final entre Benfica e Guimarães o resultado (2-1) repetiu-se, mas desta vez foi favorável às águias, que resistiram a uma boa primeira parte dos conquistadores, antes dos golos de Jiménez (48’) e Salvio (53’) darem alguma tranquilidade ao Benfica. O Vitória marcaria por Zungu (78’). O percurso encarnado até ao Jamor foi também ele feito de sobressaltos. Logo na terceira eliminatória o 1.º Dezembro, do Campeonato de Portugal, só caiu em definitivo (1-2) com um golo de Luisão aos 90’+6’ minutos. Foi por um triz. A fava desse susto foi paga pelo Marítimo, que saiu da Luz derrotado por 6-0. Nos oitavos-de-final o Benfica ultrapassou o Real (0-3), que viria a sagrar-se vencedor do Campeonato de Portugal, em encontro disputado no Restelo, antes de nova goleada (6-2), agora sobre o Leixões, nos quartos-de-final. Na meia-final o Estoril vendeu cara a derrota, principalmente na segunda mão, na qual por três vezes se colocou a um golo de distância de eliminar o Benfica. O 3-3 final foi suficiente para os encarnados, que tinham vencido na Amoreira por 1-2.

 

TREINADOR

Mais uma vez, Rui Vitória mostrou que não cede facilmente à pressão. Assim que se acomodou à dimensão da cadeira que ocupa, Vitória rebateu bem as constantes invectivas do seu homólogo do Sporting ao longo da época passada, e tanto nesse ano como neste, defendeu o grupo de trabalho sem precisar de fazer grandes declarações e, mais importante, sem entrar em pânico quando a pressão classificativa imposta pelos rivais mais apertou, ou quando apareceram restulados menos positivos.

 

FIGURAS

Éderson assumiu-se como um guarda-redes em nome próprio. Em nenhum momento da temporada o lugar do brasileiro foi questionado.

Durante a primeira metade da temporada Gonçalo Guedes e Grimaldo estiveram em foco; no retrato global saltam à vista o central Lindelöf, os médios Pizzi e Salvio, e os avançados Mitroglou e Jonas, que juntos marcaram 29 golos só no campeonato.

O avançado mexicano Jiménez foi ele próprio decisivo em alguns jogos mais apertados.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 1.º lugar, 25v-7e-2d, 72gm-18gs, 82 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: vencedor;

Taça da Liga: venceu o grupo C (9 pontos), à frente de Guimarães, Paços de Ferreira e Vizela; eliminado na meia-final pelo Moreirense (3-1);

Supertaça Cândido de Oliveira: vencedor, ao bater o Braga (3-0);

Liga dos Campeões: segundo classificado no grupo B (8 pontos), atrás do Nápoles e à frente de Beşiktaş e Dinamo Kiev; eliminado nos oitavos-de-final pelo Borussia Dortmund (1-0c, 0-4f).

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 13:00




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