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CORTE LIMPO



Terça-feira, 24.05.16

SPORTING CP 2015/16

A época do Sporting foi como que um clímax ao contrário. Começou em clima de euforia, mas terminaria sem nada de palpavelmente positivo a reter. Esse entusiasmo inicial tinha razões de ser. A chegada de Jorge Jesus, vindo directamente do Benfica, funcionou como uma promessa tácita de vitórias. Afinal de contas, o treinador ingressava no Sporting não por ter falhado no anterior clube, mas sim porque não renovou contrato no final de seis anos, globalmente, de sucesso. As palavras do treinador no momento da apresentação – “a partir de agora há três candidatos ao título” – ajudou ainda mais a que os adeptos e simpatizantes leoninos sentissem que estavam perto de uma temporada de sonho.

A conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, justamente diante do Benfica, com um golo solitário do reforço colombiano Gutiérrez, foi sem dúvida o melhor dos arranques que o Sporting poderia desejar, mas não seria preciso esperar muito por um desaire. Ainda em Agosto, os leões eram eliminados da Liga dos Campeões no play-off de acesso, passando assim ao lado do prémio de entrada e da oportunidade de se exibirem na montra principal do futebol europeu. A digestão foi difícil, ou não tivesse a eliminação acontecido às mãos do CSKA Moscovo, esse velho fantasma sportinguista.

Com o avançar da época, e de resto tal como fazia no Benfica, Jorge Jesus tendeu a desvalorizar as outras competições, no sentido de focar o plantel exclusivamente no campeonato. Daí que talvez não tenham sido assim tão surpreendentes os resultados menos positivos na fase de grupos da Liga Europa, nomeadamente as derrotas com o Lokomotiv Moscovo (1-3) e em casa dos albaneses do KF Skënderbeu (3-0). Na conferência de imprensa após a vitória em casa do Lokomotiv (2-4), na penúltima ronda, que recolocou o Sporting no caminho do apuramento, Jesus chegou mesmo a admitir que esse triunfo o ia obrigar a encarar o derradeiro encontro de outra maneira, o que diz muito da importância que o técnico dava à Liga NOS, em detrimento das outras frentes.

E não ficaram mesmo dúvidas de que vencer o campeonato era o desiderato que o Sporting mais procurava atingir. Os verde-e-brancos não só foram a equipa que mais tempo passou na liderança (15 jornadas), como terminaram com recordes de pontos (86) e vitórias (27), além do seu melhor registo ofensivo (79 golos) desde 1973/74, quando Yazalde, sozinho, marcou 46. Os números levaram a decisão do campeonato para a última jornada, mas não foram suficientes para mais que vender bem caro o título que ficaria nas mãos do Benfica.

Mais do que a derrota (0-1) com o Benfica, na 25.ª jornada, que significou uma troca de comandante, o que verdadeiramente traiu o Sporting foram os empates caseiros com o Paços de Ferreira (1-1) na terceira jornada, com o Tondela (2-2) na 18.ª e com o Rio Ave (0-0) na 21.ª. Bastava que um desses não tivesse acontecido e o Sporting seria mesmo o campeão, beneficiando da vantagem no confronto directo com os encarnados. O Sporting foi ainda a equipa que menos vezes foi derrotada (apenas duas) e venceu todos os clássicos da temporada, à excepção dessa recepção ao Benfica, que apesar do que se escreve acima, haveria de ser decisiva para o desfecho da Liga NOS. A partir desse jogo, que deixou o Sporting com dois pontos de atraso, os gigantes de Lisboa venceram todos os jogos até final.

A Taça de Portugal deixaria aos leões um sabor agridoce. Depois de eliminar o Benfica (2-1 após prolongamento), a defesa do troféu conquistado no ano transacto terminaria na Pedreira, onde o Braga sairia vencedor de um jogo louco (4-3 após prolongamento), em que o Sporting se pode queixar de um golo limpo que o juiz Fábio Veríssimo não sancionou, minutos antes do quarto tento bracarense. No tocante à Taça da Liga, a participação leonina cingiu-se à fase de grupos, onde o surpreendente Portimonense, da II Liga, bateu um Sporting em poupanças (2-0) e comprometeu a passagem deste às meias-finais.

O afastamento da Taça da Liga aconteceu semanas antes do regresso da Liga Europa, onde o Sporting acabara por se apurar para os 16-avos-de-final, que se revelariam a paragem final dos leões na sua viagem pela Europa. Tal como os outros dois grandes, também o Sporting tombou frente a uma equipa alemã, no caso o Bayer Leverkusen, outro velho conhecido de Alvalade. O Werkself – “onze da fábrica”, traduzindo à letra – venceu os dois jogos, com Bellarabi a fazer o único golo em Lisboa, e mais dois na confirmação na Alemanha (3-1).

O verde, diz-se, é a cor da esperança, e essa manteve-se então até à última ronda da Liga NOS. O Sporting fez a sua parte, vencendo em Braga (0-4), mas o jejum do título nacional completaria mesmo 14 anos. Se bater recordes e completar séries de 13, 10 e 9 jogos sem perder não chegou, na próxima época, para ser campeão o Sporting terá que ser perfeito.

 

Treinador

De uma coisa ninguém se pode queixar: Jorge Jesus defende a sua dama até ao fim, nem que para isso lhe possam chamar convencido, arrogante, ou mesmo cego. No fundo, Jesus foi igual a si próprio. Enquanto a equipa conseguiu vitórias importantes, o técnico acumulou muitas frases fortes e uma enorme falta de cortesia para com o homem que lhe sucedeu no Benfica, mas assim que o Sporting ficou em desvantagem tudo se resumiu a uma bolha que rebentou e não libertou mais que ar quente. Pelo menos no campeonato, o Sporting de Jesus praticou bom futebol ao longo de toda a campanha, e nunca deixou de acreditar, mas o treinador teria que se contentar com a Supertaça na hora de conferir o saldo final da temporada.

 

Figuras

Slimani foi o segundo melhor marcador do campeonato, com 27 golos, o melhor pecúlio de um jogador do Sporting desde os 42 de Jardel em 2001/02, e superando os 25 de Liedson em 2004/05. O argelino não o teria conseguido sem o bom trabalho de Adrien Silva e João Mário no equilíbrio do meio-campo.

 Ruiz e Gutiérrez contribuíram com 19 golos entre si, só no campeonato. Conhecido por não utilizar muitos jogadores jovens, Jorge Jesus concedeu algumas oportunidades a outros elementos principalmente nos encontros extra-campeonato, onde Matheus Pereira e Gelson Martins mostraram algo de positivo.

 

Contas finais

Campeonato: 2.º lugar, com 27v, 5e, 2d, 79gm, 21gs (melhor defesa), 86pts

Taça de Portugal: afastado na 5.º eliminatória (Braga, 4-3 a.p.)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

Supertaça Cândido de Oliveira: vencedor (Benfica, 1-0)

Europa: eliminado da Liga dos Campeões no play-off; eliminado da Liga Europa nos 16-avos-de-final (Bayer Leverkusen 0-1c, 1-3f)

 

Para mais tarde recordar

25.10.2015, jornada 8 – vitória na Luz por 0-3. Primeira vitória aí desde 2005/06, e a mais folgada desde 1947/48;

06.01.2016, jornada 16 – vitória no Bonfim por 0-6; a maior desde 1959/60 (1-7);

13.02.2016, jornada 22 – Sporting consegue a sua vitória mais folgada nas visitas ao terreno do Nacional (0-4)

 

Para esquecer

26.08.2016, Liga dos Campeões: perde em Moscovo frente ao CSKA por 3-1 na segunda mão do play-off de acesso, e baixa à Liga Europa;

05.03.2016, 25.ª jornada – derrota caseira por 0-1 frente ao Benfica; o Sporting viu-se ultrapassado pelas águias e não mais voltaria ao comando da classificação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 22:30




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