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CORTE LIMPO



Terça-feira, 30.05.17

SPORTING CP 2016/17

Por vezes diz-se que a tradição já não é o que era, mas os exemplos que provam o contrário não páram de aparecer. Tal como noutras épocas do passado, o Sporting de 2016/17 voltou a ser vítima do fatídico síndrome do Natal, esse pesadelo recorrente que tantas noites sem dormir custa aos adeptos leoninos. Na última jornada de Liga antes da data festiva – 18 de Dezembro – o Sporting perdia em casa com um Braga (0-1) orientado interinamente pelo ex-leão Abel Ferreira e caía para o quarto lugar, a oito pontos do topo, por troca precisamente com os minhotos. Por essa altura já a presença europeia tinha terminado, e o novo ano não significaria um recomeço, já que logo a 4 de Janeiro o Sporting era eliminado também da Taça da Liga, ao perder no Bonfim com o Setúbal (2-1), curiosamente também treinado por um homem com história em Alvalade, no caso José Couceiro. O golo decisivo dos sadinos apareceu numa grande penalidade sobre o final da compensação, o que motivou veementes protestos dos verdes-e-brancos. A 17 de Janeiro o Sporting despediu-se de mais um objectivo, ao ser afastado da Taça de Portugal pelo Chaves (1-0), que marcou aos 87 minutos por Carlos Ponck. O saldo das festas nesse dia era esclarecedor: restavam ao Sporting os 17 jogos da segunda volta do campeonato, com os mesmos oito pontos para recuperar face ao líder Benfica.

O cenário era diametralmente oposto ao do início da época, altura em que o optimismo era a nota dominante na casa do leão, muito por culpa da boa prestação global de 2015/16. Mesmo quando confrontado com um grupo difícil na Liga dos Campeões, o discurso da direcção do clube apontava a uma passagem aos oitavos-de-final. E enquanto na prova europeia a percepção ia mudando ao sabor das derrotas pela margem mínima frente a Real Madrid e Borussia Dortmund, na frente doméstica o Sporting não conseguiu capitalizar um arranque interessante, com cinco vitórias nas primeiras seis jornadas, que incluíram um clássico frente ao FC Porto (2-1), à terceira ronda. A derrota em Vila do Conde (3-1, 5.ª jornada) deu nas vistas, mas seriam os três empates consecutivos entre as rondas 7 e 9 que colocaram os leões em verdadeiros apuros. O primeiro a travar o Sporting nessa sequência seria o Guimarães, que recuperou de 0-3 para 3-3 no quarto-de-hora final do encontro, seguindo-se Tondela (1-1 em casa) e Nacional (0-0 fora).

O Natal aproximava-se então a passos largos, e o sinal mais claro disso apareceria a 7 de Dezembro, dia do fecho da fase de grupos da Liga dos Campeões. Um empate bastava para o Sporting assegurar o terceiro lugar do grupo e a passsagem para a Liga Europa, mas os leões saíram de Varsóvia derrotados pelo Legia (1-0), que assim se apurou com míseros quatro pontos, de resto os mesmos que teriam servido ao Sporting. O jogo seguinte, na jornada 13 da Liga, trouxe uma derrota (2-1) no dérbi da Luz, antecedendo a já referida derrota caseira com o Braga. Era então o princípio do fim para os leões. O desfecho ficou virtualmente confirmado pelos empates cedidos nas jornadas 17 (2-2 em Chaves) e 18 (2-2 no Marítimo), que elevaram a fasquia para os dez pontos de distância, e tiveram a saída da Taça de Portugal pelo meio. Pouco mais restava ao Sporting senão começar desde logo a pensar na próxima temporada, enquanto assistia à continuação uma luta particular.

 

FIGURA

Autor de 13 golos até à viragem do campeonato, Bas Dost não abrandou o ritmo até final da temporada, ao ponto de se ter imiscuído na luta pela Bota de Ouro com a fina flor do futebol europeu. Foi por pouco que o holandês perdeu o troféu para Lionel Messi, mas os seus 34 golos na Liga não só bateram os 32 do benfiquista Jonas em 2015/16, como foram o melhor registo desde os 42 de Jardel em 2001/02. Mais que isso: totalizaram metade dos golos marcados pelo Sporting neste campeonato! Dost terminou com três hat-tricks, frente a Boavista (28.ª jornada), Braga (31.ª) e Chaves (34.ª), mas o seu melhor momento aconteceu na jornada 25, na qual apontou os quatro golos do Sporting na visita a Tondela (1-4). Como nota de curiosidade, os últimos três póqueres na I Liga foram apontados por jogadores do Sporting: Liedson, frente ao Belenenses em 2009/10, e Carlos Bueno diante do Nacional em 2006/07). Bas Dost foi apenas o sexto jogador a assinar um póquer na I Liga desde a viragem do século.

 

NO OCASO

A performance de Bas Dost foi de tal forma luminosa que acabou por ofuscar o trabalho dos outros integrantes do Sporting de 2016/17, que ora foram tidos como flop, como Joel Campbell, ora passaram praticamente despercebidos, como aconteceu com Bryan Ruiz. Os golos do holandês tiveram também o condão de apagar quaisquer vestígios da passagem do seu antecessor, o argelino Islam Slimani, que ainda ficou o tempo suficiente para marcar no triunfo sobre o FC Porto na 3.ª jornada (28 de Agosto), antes de seguir para o Leicester City. Nessa partida o outro golo leonino foi apontado por Gelson Martins, que espalhou qualidade pelos flancos do ataque verde-e-branco.

Adrien Silva mais uma vez deu coração ao meio-campo, com o eterno Rui Patrício a adicionar coragem nas redes. Alan Ruiz despontou na segunda volta, a tempo de marcar seis golos na Liga, enquanto Coates se destacou no rector recuado.

 

TREINADOR

Com a equipa progressivamente fora da luta pelo título, faltaram a Jorge Jesus argumentos para alimentar a sua inesgotável fonte de declarações vistosas, pelo que se pode considerar que o técnico teve um ano atípico. Pelo menos em comparação com a última década. Ainda assim, em nenhum momento o seu lugar esteve perigosamente em causa, mesmo tendo chegado a ver lenços brancos.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 3.º lugar, 21v-7e-6d, 68gm-36gs, 70 pontos; apurado para o play-off da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: derrotou Famalicão (0-1), Praiense (5-1) e Setúbal (0-1), antes de cair diante do Chaves (1-0) nos quartos-de-final;

Taça da Liga: eliminado no grupo A (6 pontos), atrás do Setúbal e à frente de Arouca e Varzim;

Liga dos Campeões: eliminado na fase de grupos, ao ser último do grupo F (3 pontos), atrás de Borussia Dortmund, Real Madrid e Legia Varsóvia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 13:30




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