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CORTE LIMPO


Quinta-feira, 26.05.16

A ACADÉMICA COIMBRA 2015/16

Há anos que a I Liga tinha duas equipas para quem a despromoção era um acidente à espera de acontecer. O Setúbal é uma delas; a outra era, já se percebe, a Académica. Enquanto os sadinos mais uma vez escaparam à justa, a Académica não conseguiu voltar a desfeitear a descida de divisão, regressando à II Liga depois de 14 temporadas no chamado convívio dos grandes. Nesses anos, só por duas vezes a Briosa terminou acima do décimo lugar. Treinada por Domingos Paciência, a Académica foi 7.ª em 2008/09, e em 2013/14 saboreou o oitavo posto, comandada por Sérgio Conceição.

Esta época não houve mesmo hipótese. A melhor classificação dos estudantes foi um 15.º posto, logo na primeira jornada. Daí para a frente, passaram nada menos que 27 jornadas abaixo da linha de água, nove das quais com a lanterna vermelha na mão. Numa prova longa como uma liga nacional, começar mal nem sempre é um obstáculo inultrapassável, mas no caso da Académica foi mesmo. As seis derrotas a abrir tornaram-se numa montanha demasiado alta. O treinador José Viterbo, que na época passada salvou a Académica da descida, só aguentou cinco dessas derrotas, apresentando a demissão. O presidente José Eduardo Simões chorou na hora de o anunciar aos jornalistas.

O substituto Filipe Gouveia conseguiu apenas corrigir, em parte, o péssimo trajecto caseiro da Académica, que em 2014/15 só venceu um jogo como visitada. Desta vez somou cinco triunfos (e outros tantos empates), mas foi, ao mesmo tempo, a única equipa que não venceu fora de casa. Ainda com Viterbo no banco, a Académica despediu-se da Taça da Liga bem cedo, a 16 de Setembro, ao perder com o Marítimo (2-1). A saída da Taça de Portugal deu-se em Dezembro, nos oitavos-de-final, com uma derrota por 1-0 no Bessa. O golo do Boavista apareceu aos 86 minutos.

Entretanto no campeonato a Académica lutava pelo 16.º lugar precisamente com o Boavista. Os dois clubes passaram grande parte da competição lado a lado, ultrapassaram-se mutuamente, mas o Boavista acabaria por recuperar, já perto do fim, deixando a Briosa cada vez mais afundada, numa altura em que o outrora condenado Tondela já recuperava ponto atrás de ponto.

O jogo da 32.ª jornada, em casa do União, era crucial para os destinos da Académica, mas os insulares venceriam por 3-1. Na jornada seguinte, o nulo caseiro com o Braga selou a descida dos estudantes. Restava disputar um jogo, em casa do Tondela. Nas semanas que o antecederam, diversos cenários foram possíveis para esse encontro. Poderia ter sido um jogo explosivo em que quem perdesse descia, ou um jogo de lágrimas com os dois já despromovidos. Acabaria por ser uma hipótese de a Académica morder os lábios e fazer questão de não descer sozinha, levando o Tondela consigo. Nem isso conseguiu, perdendo por 2-0 e tendo que assistir à festa do adversário.

16 jogadores marcaram pela Académica na I Liga, com Pedro Nuno a ser o artilheiro… com escassos quatro golos. Diz muito das dificuldades por que a Académica passou. O central João Real apontou três golos. Marinho não pôde dar o seu melhor contributo, ainda devido a uma lesão contraída na época anterior. Fernando Alexandre, Ricardo Nascimento e Nuno Piloto foram outros dos nomes em destaque.

A I Liga perde assim um dos seus históricos, que totaliza 54 épocas ao mais alto nível. Da penúltima vez que desceu, em 1987/88, a Académica demorou dez anos a voltar; em 1999 desceu de novo, regressando em 2002 para a série que agora termina.

 

Contas finais

Campeonato: 18.º lugar, com 5v, 10e, 19d, 32gm, 60gs, 25pts (despromovido)

Taça de Portugal: eliminada nos oitavos-de-final

Taça da Liga: afastada na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

14.12.2015, jornada 13 – vence o Belenenses por 4-3; não marcava tantos golos ao Belenenses em casa desde 1966/67. O próprio Belenenses não marcava tantos em Coimbra desde 1959/60.

 

Para esquecer

16.09.2015, Taça da Liga: a braços com uma crise de resultados no campeonato, os estudantes saem da Taça da Liga ao perder em casa do Marítimo (2-1);

28.09.2015, jornada 6 – o terrível arranque da Académica atinge a sexta derrota consecutiva;

07.02.2016, jornada 21 – Académica empata em casa com o Nacional a duas bolas. Os dois golos dos insulares resultam de auto-golos;

09.04.2016, jornada 29 – ao perder por 1-2, a Académica mantém-se sem vergar o Benfica em casa desde 1973/74;

07.05.2016, jornada 33 – um nulo caseiro com o Braga despromoveu os estudantes à II Liga.

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por Miran Pavlin às 20:00

Sábado, 23.04.16

Liga NOS, 31.ª jornada - A Académica Coimbra 1-2 FC Porto

Não assisti ao jogo. Sem visionar não há comentários.

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por Miran Pavlin às 23:00

Domingo, 20.12.15

Liga NOS, 14.ª jornada – FC Porto 3-1 A Académica Coimbra – Prenda de Natal

Toquem-se os sinos a rebate, porque finalmente aconteceu! Encontrando-se perante uma autêntica prenda de Natal, na forma de uma derrota do líder Sporting, o FC Porto não perdeu tempo e reclamou-a para si, ascendendo ao comando da Liga NOS. Foi a primeira vez na era Lopetegui que os dragões aproveitaram um deslize alheio com implicações directas na classificação.

A exibição foi também ela uma raridade deste FC Porto, que praticou um futebol muito mais vertical que o habitual. A equipa jogou mais vezes ao primeiro toque, e os jogadores proporcionaram mais dobras ao colega que tinha a bola. No fundo, a equipa teve um pouco daquela vontade de vencer que nos anos recentes tantas vezes ficou escondida sob um manto de ansiedade. Faltou apenas mais acerto no último passe, sendo por aí, em parte, que não se deve embandeirar em arco desde já.

Os pés devem estar assentes na terra também porque o adversário era uma Académica que vive mais uma época difícil. A Briosa só apareceu no jogo perto do intervalo, coincidindo com uma fase em que o FC Porto abrandou o ritmo, na iminência do descanso; mais à frente, já com a conta portista fechada, a Académica voltou a dar sinal de vida, novamente num período de relaxe dos da casa, altura em que conseguiu alguns cantos e até marcou um golo, por Rui Pedro (83’), após tabelinha na área.

No resto do jogo o FC Porto justificou por inteiro a vitória. A entrada forte foi premiada ao sétimo minuto, quando Danilo Pereira cabeceou certeiro na sequência de um canto. Se os dragões já estavam bem, mais tranquilos ficaram. O passe final, como se escreve acima, é que teimava em não sair, daí que a margem mínima se tenha mantido até ao minuto 52, quando outra bola parada resultou no 2-0, em novo cabeceamento, agora de Aboubakar. O momento alto do encontro surgiu aos 74 minutos. Corona partiu um adversário, no flanco direito, e cruzou para a zona fatal, onde Herrera desviou de calcanhar para o terceiro golo da noite – e o quanto os adeptos do FC Porto gostam de um golo de calcanhar.

O salto para a liderança não podia ter chegado em melhor altura. O próximo compromisso dos azuis-e-brancos para a I Liga é nada menos que em Alvalade. Obviamente que ainda não é o jogo do título, mas definirá uma parte dos contornos da segunda volta, que começa três jornadas depois do clássico.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 07.06.15

A Académica Coimbra 2014/15 – 15.º lugar – 4v, 17e, 13d, 26gm-46gs, 29pts

O Estádio Cidade de Coimbra fica de longe com o título de recinto onde era mais difícil ganhar. Tanto, que nem a equipa da casa o conseguia. Isso mesmo. A Académica só ganhou um dos 17 jogos caseiros, e já na 25.ª jornada, frente ao Nacional (2-1). Dos visitantes, só Benfica (0-2), FC Porto (0-3), Gil Vicente (1-2) e Guimarães (2-4) venceram.

Foi incrível a forma como o técnico Paulo Sérgio foi resistindo a uma eliminação precoce na Taça de Portugal, aos pés do Santa Maria (CNS), e a uma série de quinze jogos sem vencer entre as jornadas 7 e 21. De lenço branco em lenço branco, o treinador só aí abandonaria, com a equipa em 17.º lugar. O substituto foi José Viterbo, que treinava a equipa sub-23.

Viterbo estava feliz da vida por poder orientar a equipa principal, e terá conseguido passar algum desse entusiasmo aos jogadores, transformando a série negra numa sequência de seis jogos sem perder, que incluiu triunfos no Estoril (1-2) e em Moreira de Cónegos (0-2) e um empate em Braga (0-0), que levaram a Académica ao 13.º posto à jornada 25. A ponta final foi titubeante, já que os dois últimos empates dessa sequência foram ao mesmo tempo os primeiros dois jogos de uma série de nove sem vencer, a encerrar o campeonato.

Os 17 empates, precisamente metade do campeonato, foram o máximo de entre os 18 participantes na I Liga. Terão sido essas igualdades a salvar os estudantes da despromoção, uma vez que quatro vitórias em 34 jogos é, de facto, pouco. A Académica foi outra das equipas a quem faltaram referências dentro das quatro linhas. A lesão do capitão Marinho foi outro revés com que o plantel academista teve que lidar.

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por Miran Pavlin às 15:20

Sábado, 18.04.15

Liga NOS, 29.ª jornada – FC Porto 1-0 A Académica Coimbra – De passagem

Na antevisão ao jogo, Julen Lopetegui queixou-se de a Liga não ter permitido que fosse adiado. O motivo era mais que válido, uma vez que o jogo surgia encravado entre as duas mãos de uma tão exigente quanto importante eliminatória europeia. Contudo, e vistas bem as coisas, a reclamação chega bastante tarde, uma vez que o calendário da UEFA para esta época saiu em Maio de 2014 e o da Liga NOS é conhecido desde Julho último.

Daí que a bola tenha mesmo rolado no fim-de-semana previsto, e o onze que subiu ao relvado do Dragão não deixou dúvidas quanto às prioridades do FC Porto neste momento em particular. Nomes como José Ángel, Ricardo, Campaña, Quintero ou Hernâni jogaram de início, e até o quase proscrito Reyes foi bafejado com a titularidade, a sua primeira na Liga em 2014/15.

O golo de Hernâni (12’) na recarga ao seu próprio remate ainda fez pensar que, apesar das circunstâncias, os dragões dariam aos adeptos, pelo menos, uma tarde agradável, mas nem a tão criticada rotatividade de Lopetegui resiste a tantas mudanças, ficando no ar a sensação de a equipa estar neste jogo apenas de passagem.

Apesar de os suplentes do FC Porto terem mantido a Académica presa a um colete de forças durante praticamente todo o jogo, foram notórios os motivos pelos quais o golo da tranquilidade nunca apareceu: não houve grande intensidade no futebol portista e Aboubakar estava em dia não, perdendo diversas oportunidades mais ou menos claras de golo.

Lopetegui é que estava tão agitado como em outros jogos, esbracejando e passando inúmeras indicações à equipa. O técnico ainda experimentou outras soluções tácticas quando trocou Quintero por Marcano (60’), mas acabaria por lançar no jogo Óliver (68’) e Jackson Martínez (83’), na tentativa de o resolver.

Jackson deu outra cara aos movimentos de ataque, mas mostrou estar tão desinspirado quanto Aboubakar, falhando um golo cantado, a escassos dois metros da baliza. O desperdício acabou por não ter consequências para o FC Porto, pois a Académica, apesar de algum atrevimento nos minutos finais, apenas num lance, por Esgaio, conseguiu deixar os dragões em sentido. O verdadeiro prejudicado pode vir a ser o próprio Jackson, que viu o encarnado Jonas aproximar-se de si na lista dos melhores marcadores, agora com 16 golos contra os 17 do colombiano.

A verdade é que um segundo golo seria lisonjeiro para o FC Porto, que apenas controlou o jogo, não o dominou. Por muito que Lopetegui não quisesse, as atenções do plantel estão centradas no que aí vem esta semana. Terça-feira joga-se a segunda prestação dos quartos-de-final da Champions. No próximo domingo chega a hora da verdade, com o Benfica-Porto. Dois jogos que ajudarão a definir a que secção dos livros de história pertence a temporada 2014/15 portista.

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por Miran Pavlin às 22:00

Quarta-feira, 28.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – FC Porto 4-1 A Académica Coimbra – Música, maestro

Bastou levar a jogo três habituais titulares para a música ser diferente da que normalmente se escuta quando o jogo vale para a Taça da Liga. Talvez não querendo ficar intranquilo no sofá à espera dos resultados de terceiros – para isso já basta o campeonato – o FC Porto resolveu desde já a questão do apuramento para as meias-finais.

Não terá sido só por estarem titulares em campo. Todos os que jogaram contribuíram para uma exibição bem airosa, de pendor ofensivo, com muitas jogadas colectivas e rápidas recuperações de bola, mas acima de tudo com grande afinação.

O FC Porto reduziu a Académica a escassos dois lances com princípio, meio e fim, um em cada parte. O segundo desses lances deu mesmo golo, por Mbala (72’), à ponta-de-lança. Foi o despertador que o jogo precisava, e que impeliu os dragões para uma ponta final frenética, em que não deu descanso aos estudantes.

Antes já se assistira a um solo de Jackson Martínez, que assim se estreou a marcar nesta edição da prova. Aos seis minutos aproveitou uma perda de bola infantil de Aníbal Capela para inaugurar o marcador, e aos 59 dobrou a vantagem portista num excelente golpe de calcanhar. Cumprida a missão, o colombiano deu o lugar a Gonçalo Paciência, que demorou um quarto de hora a fazer história.

Numa jogada individual que incluiu uma magnífica finta de corpo, o jovem concluiu-a com um remate colocado, de pé esquerdo, no milésimo de segundo antes de o defesa academista chegar ao corte. O seu primeiro golo pela equipa sénior. Gonçalo festejou-o de dedo em riste, tal como o pai fez dezenas de vezes em tempos idos. Haverá mais no futuro?

Talvez tenha sido a beleza dos golos a ofuscar a parte menos interessante do jogo, que ainda durou um bom par de minutos, com o FC Porto a limitar-se a controlar as operações contra uma Académica sem último terço. Evandro ainda faria o quarto golo portista (80’), de grande penalidade. O médio está a revelar-se um especialista da marca dos onze metros.

Pena que seja só a Taça da Liga. É imperioso que os jogadores mais utilizados consigam exibições como a desta noite nos jogos de campeonato. Porque nunca se sabe quando os adversários directos poderão dar passos em falso.

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por Miran Pavlin às 23:30

Sábado, 06.12.14

I Liga, 12.ª jornada – A Académica Coimbra 0-3 FC Porto – História repetida

Não gosto de me repetir. Nem o queria fazer, mas o jogo não deixa hipótese. Tal como no último encontro entre ambos, então já na recta final da época, o FC Porto prevaleceu de forma simples e rápida sobre a Académica. Não tanto pelo jogo competente que os dragões realizaram, mas antes porque a Académica não conseguiu disfarçar um futebol sem ideias, que porventura estará de acordo com sua a fraca posição classificativa.

Numa altura da competição em que a luta pelo trono dos marcadores aquece, Jackson Martínez mostrou ao que vinha logo ao terceiro minuto, mas o seu desvio certeiro foi invalidado por fora de jogo. Não tardaria muito para que o ponta-de-lança, a solo, encaminhasse o resultado. Primeiro num remate cruzado já de ângulo apertado, e depois de forma magistral com um remate em arco, Jackson chegava aos dez golos na I Liga. 24 minutos de jogo.

O FC Porto não deixou de impor o seu domínio daí para a frente, e o golo de Herrera, a corresponder a uma boa solicitação de Tello, foi uma pedra de gelo sobre o jogo. Não sobrava réstia de dúvida sobre quem levaria de Coimbra os três pontos, e o FC Porto aproveitou para dosear o seu esforço até final. Longos minutos que pela escassez de emoção pouco acrescentaram a nível de história do futebol, mas que serviram para Julen Lopetegui fazer descansar algumas peças e dar minutos a Aboubakar, ainda que poucos.

O jogo de Coimbra tornou-se, de facto, simples. O FC Porto evitou o último falso degrau e chega à porta do encontro com o Benfica a três pontos de distância. Ainda com a derrota frente ao Sporting para a Taça de Portugal na memória, é um teste muito importante para os azuis-e-brancos.

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por Miran Pavlin às 23:30

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte III

sapodesporto

GD ESTORIL-PRAIA

Não se pode dizer que a edição 2013/14 da divisão maior tenha tido uma equipa-revelação. Teve antes uma confirmação, e foi exactamente o Estoril, que igualou a sua melhor classificação de sempre, obtida há 66 anos.

Mesmo perdendo jogadores importantes como Steven Vitória, Jefferson, Licá e Carlos Eduardo, o técnico Marco Silva teve o mérito de não deixar a equipa seguir a indesejada tradição de tantos emblemas de menor dimensão que caem a pique depois de uma época de sonho.

Marco Silva teve tanto mérito como os jogadores que o conseguiram, pois o Estoril fez ainda melhor que na época passada. Com um impressionante pecúlio de quinze vitórias – metade dos jogos disputados, incluindo Dragão, Alvalade, Guimarães e Barreiros – os canarinhos podem orgulhar-se de ter perdido menos jogos que o FC Porto.

Com nomes como Vagner, Tiago Gomes, Evandro, Bruno Lopes, Carlitos ou Balboa em destaque, o Estoril apresentou um futebol sem autocarros, antes com entreajuda, calma, matreirice, propósito, e com os sectores bem ligados entre si, conforme tive oportunidade de testemunhar na visita ao Dragão.

Esta época assinalou ainda a estreia estorilista nas provas europeias, onde deixou uma imagem mais humilde, mas ainda assim marcando golos em oito dos dez jogos efectuados na Liga Europa, e arrancando um empate em casa do Sevilha, que venceria a competição.

Na Taça atingiu os quartos-de-final, perdendo em casa do FC Porto (2-1), numa partida em que talvez lhe tenha faltado um pouco mais de ambição. Para a história fica também o póquer de Bruno Lopes na goleada sobre o Leixões (1-5) nos oitavos-de-final.

É uma boa altura para ser adepto do Estoril, mas o futuro torna-se agora uma incógnita. Marco Silva anunciou o adeus no final da temporada, e foi apresentado como próximo treinador do Sporting.

O Estoril tem mais uma participação europeia no horizonte, na esperança de que não bata à porta a tal tradição da queda a pique.

 

 

CD NACIONAL

Manuel Machado tem de ter uma receita mágica que só utiliza no nevoeiro da Choupana. É a terceira vez que o treinador minhoto qualifica os alvinegros para a Taça UEFA/Liga Europa.

A época foi discreta, mas regular o suficiente para garantir com antecedência o posto europeu. Invicto diante de FC Porto e Sporting, o Nacional provou ser uma equipa sólida, mas é melhor não olhar para a Taça de Portugal, onde caiu à primeira tentativa, aos pés do Santa Maria (1-0), que milita no CNS.

Com Candeias a organizar jogo, e Diego Barcellos e Mário Rondón a converter oportunidades, o Nacional apontou 43 golos, a melhor marca a seguir aos três grandes, no ano em que conseguiu a sua maior vitória de sempre fora de portas (0-5 em Paços de Ferreira). Foi mesmo o triunfo mais gordo de todo o campeonato.

O guarda-redes Gottardi, e ainda Marçal e Claudemir cotaram-se como os pilares da defesa insular.

 

 

CS MARÍTIMO

O outro emblema madeirense realizou uma época de trás para a frente. Começou a meio gás, passou por uma série de cinco derrotas entre as jornadas 5 e 9, e terminou a primeira volta com 17 pontos.

Somou 24 durante a segunda metade do campeonato, e acabou por chegar ao sexto posto final, apesar de ter perdido o avançado Heldon para o Sporting.

O treinador Pedro Martins despede-se ao fim de quatro temporadas ao leme verde-rubro, que incluíram uma aceitável participação na Liga Europa em 2012/13.

 

 

VITÓRIA FC

O Vitória sadino conseguiu a sua melhor classificação em sete anos, ao terminar no sétimo posto. E se Manuel Machado tem a chave para o sucesso no Nacional, só José Couceiro sabe como fazer as coisas acontecer em Setúbal.

O treinador substituiu José Mota à passagem da jornada 8, quando o clube tinha míseros seis pontos, e logo fez do Setúbal um dos quatro clubes que conseguiram vencer na Amoreira. Foi a primeira de três vitórias em quatro jogos.

Seguiram-se quatro derrotas na viragem do campeonato, mas logo a equipa se reencontrou, somando 23 pontos e marcando 24 golos nos últimos 14 jogos.

Uma das revelações, Rúben Vezo, mudou-se em Janeiro para Valência, abrindo espaço a Rafael Martins e Ricardo Horta, que foram os jogadores em foco na formação sadina.

De saída está o próprio Couceiro, a caminho do Estoril. Será o regresso do Vitória de Setúbal à metade baixa da tabela?

 

 

A. ACADÉMICA DE COIMBRA

Os estudantes, por sua vez, obtiveram a melhor classificação em cinco anos, sob a liderança do efervescente Sérgio Conceição.

O jovem técnico de 39 anos é o quarto antigo jogador do FC Porto a orientar a Académica no mesmo espaço de tempo, e à falta tanto de nomes sonantes como de um goleador, montou uma equipa combativa, bem segura nas luvas de Ricardo, e na resistência de homens como Fernando Alexandre, Marinho ou Salvador Agra.

Os 25 golos marcados são o pior registo dos academistas desde 1986/87, mas o Paços de Ferreira não acreditará nestas linhas, já que sofreu oito golos nas duas partidas com a Académica.

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por Miran Pavlin às 09:21

Domingo, 06.04.14

FC Porto 3-1 A Académica de Coimbra – Simples e rápido

sapodesporto

Claramente em poupanças para o compromisso europeu, o FC Porto levou de vencida a Académica, sem grande esforço, graças a um primeiro parcial em que apontou todos os três golos.

Jackson Martínez e Ghilas trocaram afectos, cada um assistindo para o golo do outro, e o colombiano bisou já em cima do descanso, na conversão de uma grande penalidade. A Académica apenas se fez mostrar em dois lances, com Fabiano a ser providencial ao desviar esses remates para os ferros.

Logo no arranque da segunda metade Marcos Paulo fez o gosto ao pé para o lado dos estudantes, a culminar uma boa jogada, mas nem por isso o jogo ficou relançado. O decorrer dos minutos não trouxe motivos que justificassem ficar colado ao ecrã até final, pelo que abandonei o sofá por volta dos 75 minutos, com medo de adormecer.

A rapidez com que o FC Porto resolveu o jogo permitiu-lhe colocar o pensamento no jogo de Sevilha, por muito que Luís Castro quisesse fazer passar a mensagem contrária, ao lançar Danilo e Quaresma no jogo.

Talvez tenha mesmo sido o treinador a ter a interpretação correcta do desafio, já que a Académica ainda criaria um lance de grande perigo, com Fabiano, no meio da confusão, a segurar a bola sobre a linha de golo.

Pouco mais se retém deste jogo além das referidas poupanças operadas pelo técnico azul-e-branco. Ricardo jogou a lateral direito, e depois esquerdo quando entrou Danilo; Abdoulaye fez par com Reyes a central, e foram Herrera e Quintero a jogar à frente de Fernando no meio-campo.

Também o árbitro Manuel Mota entrou na história do jogo, ao colidir com um jogador da Académica e solicitar assistência médica. O juiz aguentou até ao intervalo, tendo sido o quarto-árbitro Ricardo Coimbra a dirigir o encontro a partir daí.

A manutenção do terceiro lugar continua em Braga, na próxima semana.

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por Miran Pavlin às 22:45

Terça-feira, 03.12.13

A Académica de Coimbra 1-0 FC Porto – Coimbra do desencanto

Ao 11.º golpe de 2013/14, o FC Porto acabou por cair. Na queda perder-se-iam também a liderança da Liga, e até o segundo posto, mercê das vitórias dos grandes lisboetas no dia seguinte a este jogo de Coimbra – note-se que escrevo já depois de terminada a jornada 11.

Uma derrota no campeonato era resultado desconhecido nas hostes azuis-e-brancas desde Janeiro de 2012. Se nessa altura o FC Porto saiu com queixas da arbitragem, neste jogo não há dedos a apontar a ninguém senão a si próprio, após uma exibição tão pálida que se pode classificar de doente.

Não há ligação em campo, faltam soluções, e o FC Porto parece acusar em cada jogo todos os pontos que foi desperdiçando nas partidas anteriores, mesmo nas europeias. Foi o terceiro jogo consecutivo para o campeonato sem ganhar – algo que não se via desde 2004/05, o ano da ressaca de todas as conquistas. Nos últimos seis encontros, contando com este, e para todas as competições, o FC Porto apenas venceu um. Serão necessários mais avisos de que algo não está bem?

No jogo com os estudantes um golo do improvável Fernando Alexandre, perto do descanso, viria a ser decisivo, uma vez que o FC Porto não aproveitou nenhum dos poucos lances de perigo de que dispôs ao longo do segundo tempo.

Mangala teve um falhanço inacreditável – digno mesmo de rivalizar com os melhores falhanços de Nuno Gomes, por exemplo – a três metros da baliza, numa jogada caricata em que tanto os avançados como os defesas andaram “aos papéis”. Mais tarde seria Danilo a desperdiçar um castigo máximo – inexistente? – praticamente oferecendo a bola ao guarda-redes Ricardo, que assim acabaria por garantir em definitivo uma saborosa vitória a uma Académica de combate, que soube levar a água ao seu moinho.

Diga-se que a vitória dos capas negras é justa, perante a inépcia de um FC Porto a milhas do rendimento habitual, mesmo em anos de futebol menos deslumbrante – nem mesmo sob as ordens do mal-amado Vítor Pereira o FC Porto andava tão perdido em campo.

Numa época que ainda nem a meio vai mas que já teve demasiados jogos decisivos, segue-se a visita de um Sp. Braga também necessitado de pontos para reverter a sua própria carreira abaixo das expectativas. Quem dará o pontapé na crise?

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por Miran Pavlin às 12:39



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