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CORTE LIMPO


Domingo, 04.06.17

FC AROUCA 2016/17

Era expectável que o Arouca não conseguisse terminar sequer perto do fantástico 5.º lugar da época anterior, mas não se previa de todo que a queda fosse tão abrupta. A equipa não sofreu mudanças de vulto, nem sequer a nível técnico, pelo que só a aprendizagem e distracção de um primeiro ano nas provas da UEFA poderia causar problemas inesperados. Mas nem isso pode ser visto como causa do desastre arouquense, já que a participação na Liga Europa foi positiva, apesar de curta. Frente ao também estreante Heracles Almelo, o Arouca passou nos golos fora (1-1f, 0-0c), encontrando no play-off o gigante grego Olympiakos, orientado na altura por Paulo Bento, que venceu a primeira mão (0-1). No jogo de retorno no Pireu, o Arouca levou valorosamente a eliminatória para o prolongamento, onde finalmente o Olympiakos deu a volta ao marcador.

Assim que começou o campeonato o Arouca rapidamente descarrilou, embarcando logo à 3.ª jornada numa viagem de seis partidas sem vencer. A parte central do calendário trouxe melhorias, com a equipa a conseguir sete vitórias nos doze jogos entre as rondas 9 e 20, que a fizeram subir do 17.º para o 10.º posto. Tudo parecia ter voltado ao normal, mas após a 21.ª jornada o técnico Lito Vidigal não resistiu ao convite do Maccabi Haifa e abandonou o clube.

 

OS TREINADORES SEGUINTES

Manuel Machado, que tinha saído do Nacional à 15.ª jornada, pegou na equipa, mas coleccionou derrotas nos cinco jogos em que esteve à frente do Arouca e acabou por bisar no chicote. Os arouquenses estavam de mãos dadas com a derrota, e o terceiro treinador da temporada, Jorge Leitão, adicionou-lhe mais uma na sua estreia, na jornada 27 (1-2 frente ao Sporting). Leitão conduziria a equipa a mais uma vitória apenas (2-0), na recepção ao Feirense na ronda 29.

 

A QUEDA

Após essa jornada, o Arouca tinha 11 pontos de vantagem em relação à linha fatal quando faltavam jogar 15. As hipóteses de descer eram praticamente nulas, mas faltava o carimbo oficial na permanência. Só os jogadores poderão explicar se foi por excesso de confiança ou por relaxamento excessivo, mas a verdade é que o Arouca, talvez sem o perceber, fez por adiar a chegada da confirmação. E a matemática nunca chegou sequer a estar em vias de ajudar. Na jornada 30 o Arouca perdeu em Vila do Conde (3-0), antes de falhar na tentativa de afundar o Moreirense, ao empatar a dois depois de estar a vencer por 2-0; seguiram-se derrotas em Guimarães (1-0, 32.ª) e, crucialmente, em casa com um Tondela que já vinha ao sprint (1-2, 33.ª).

Restavam três pontos dessa vantagem de 11, e só uma conjugação improvável de resultados na última jornada despromoveria o Arouca. E, como se fossem planetas a alinhar-se, essa conjugação aconteceu. Enquanto o Moreirense vencia o FC Porto (3-1) e o Tondela vergava o Braga (2-0), o Arouca complicava a sua vida na visita ao Estoril, vendo-se a perder por 3-1 à meia hora, depois de entrar no jogo a ganhar (1’). Adilson bisou ao minuto 31, mas Hugo Basto foi expulso pouco antes do intervalo e o Arouca não conseguiu forçar o empate de que precisava. Pelo contrário, viu mesmo Gustavo Tocantins fazer o 4-2 final para os da casa, colocando um ponto final nas quatro épocas do Arouca na I Liga.

A queda depois da ascensão de 2015/16 foi tão grande quanto o choque de uma despromoção inesperada.

 

MOMENTO DA ÉPOCA

Após a derrota em Alvalade (3-0), à 10.ª jornada, os presidentes de Sporting e Arouca, Bruno de Carvalho e Carlos Pinho respectivamente, envolvem-se numa altercação junto aos balneários, com muitas trocas de palavras fortes. As televisões repetiram até à exaustão as imagens de vídeo-vigilância em que Bruno de Carvalho parece cuspir no seu homólogo arouquense; a isto de outro ângulo, dá toda a impressão de se tratar de vapor de cigarro electrónico. A discussão nos media durou semanas. A decisão no Conselho de Disciplina da Liga demora meses.

 

FIGURAS

Kuca marcou seis golos na Liga, seguido de Walter González e Jorginho, ambos com cinco. Mateus, Tomané e Crivellaro também estiveram em destaque, bem como os defesas Hugo Basto e Nuno Coelho.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 17.º lugar, 9v-5e-20d, 33gm-57gs, 32 pontos; despromovido à II Liga;

Taça de Portugal: afastado pelo Real (1-0) logo na 3.ª eliminatória, golo de Nélson (85’);

Taça da Liga: afastou o Cova da Piedade (2-1) na 2.ª eliminatória; terceiro classificado no grupo A (3 pontos), atrás de Setúbal e Sporting, e à frente do Varzim.

Liga Europa: eliminou o Heracles Almelo, antes de perder no play-off com o Olympiakos.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sexta-feira, 10.03.17

Liga NOS, 25.ª jornada – FC Arouca 0-4 FC Porto – Unhas

Nervoso e hesitante em diversos momentos ao longo da primeira volta, especialmente longe do Estádio do Dragão, o FC Porto mostra agora um rosto bastante mais atraente, maquilhado por nove vitórias consecutivas e pelo impacto que a chegada de Soares provocou. Em seis jogos para a I Liga, incluindo este, o avançado brasileiro soma já nove golos, oferecendo à equipa justamente aquilo que lhe faltava: uma referência ofensiva para os momentos em que André Silva não vem de pontaria afinada. Desde que chegou ao FC Porto, Soares só ficou em branco no encontro da Liga dos Campeões. Decerto que mais cedo ou mais tarde Soares passará momentos longe do golo, mas por enquanto tem sido um matador com todas as letras.

Ainda assim, não foi Soares o primeiro a colorir o marcador. Ao cabo de quinze minutos de estudo, o FC Porto beneficiou de um livre a meio do meio-campo do Arouca. Brahimi bateu para a área e Danilo Pereira subiu às alturas por entre os defesas arouquenses para um cabeceamento cruzado. Três minutos mais tarde Soares apareceu isolado frente a Bracali, num lance iluminado por enormes néons com a palavra “golo”, mas a finalização do ponta-de-lança bateu no poste. Valeu a mancha do ex-portista Bracali. Não foi à primeira, foi à segunda. Ao minuto 25 Óliver Torres cruzou na esquerda para um desvio certeiro de Soares na zona fatal. Felipe, imagine-se, saltou com o avançado para o cabeceamento, quase importunando o movimento. Com dois golos à maior em menos de meia hora o FC Porto tinha o jogo na mão. Não restava ao Arouca senão procurar um golo que lhe pudesse injectar um pouco de ânimo, mas o FC Porto não estava na disposição de permitir veleidades. O Arouca, diga-se, não foi em nenhum momento uma equipa defensiva, mas não conseguiria causar desequilíbrios na defensiva contrária, terminando a partida sem nenhuma oportunidade clara de golo.

No segundo tempo o jogo pautou-se por uma tranquilidade talvez excessiva de parte a parte. Houve tempo para o FC Porto limpar a folha disciplinar com vista à ida à Luz, no caso através do quinto cartão amarelo visto por Maxi Pereira e André André, e para refrescar a equipa com as entradas de Diogo Jota, Otávio e João Carlos Teixeira – saíram André Silva (71’), Brahimi (76’) e André André (85’), respectivamente. Jota foi determinante para o avolumar do marcador já perto da recta final do encontro, não só porque apontou o 0-3 mal entrou em campo (71’), mas também através da energia e disponibilidade que emprestou às movimentações dos azuis-e-brancos, permitindo também a Brahimi ter menos atenções sobre si. O quarto golo apareceu ao minuto 86, numa arrancada de Maxi Pereira, que cruzou para o bis de Soares, que aparecia sozinho em frente à baliza.

Era o 11.º golo portista em dois jogos, cifra impensável não há muito tempo. De gato sem unhas, o FC Porto passou a arranhar como um tigre. Até quando durará a melhor fase da época?

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 22.10.16

Liga NOS, 8.ª jornada – FC Porto 3-0 FC Arouca – Perspectiva

21 dias depois, o FC Porto retomou o caminho do campeonato no mesmo ponto em que tinha parado, com uma vitória tão segura quanto tranquila, outra vez sem sofrer golos. Competentes, os dragões souberam mais uma vez interpretar da melhor forma o esquema-base de tantos jogos na I Liga, gozando do grosso da posse de bola frente a um adversário recuado no terreno, na expectativa do contra-ataque. Através do seu colectivo, o FC Porto impôs um cerco ao Arouca durante praticamente toda a primeira parte, mas faltava um toque de individualidade que fizesse quebrar a resistência contrária. Corona foi talvez o único a tentar assumir a responsabilidade (7’), numa arrancada pela direita em que fintou dois adversários antes de irromper pela área, paralelo à linha de fundo, e desferir um forte remate ao poste. Óliver (10’) e Diogo Jota (34’) tiveram o golo nos pés, mas o guarda-redes Bracali e o central Jubal, respectivamente, este último em cima da linha, negaram as investidas. A corrente do Arouca só quebraria ao minuto 43, quando André Silva foi servido de bandeja por Otávio, após centro largo de Layún, para uma finalização simples.

Pouco depois do reatamento o Arouca começou a atrever-se em terrenos mais avançados, ainda que não abandonasse a estratégia de contra-ataque. O resultado mantinha-se apertado, e pese embora Nuno Espírito Santo tenha feito uma substituição de sinal defensivo – Corona, com queixas físicas, por Rúben Neves –, ao mesmo tempo que trocou também Óliver Torres por Brahimi (65’), seria depois disso que o FC Porto duplicaria a vantagem, novamente por André Silva (79’), de cabeça, agora solicitado por Diogo Jota.

O terceiro golo apareceu no tempo de compensação, num lance a solo de Brahimi, que pegou na bola ainda longe da área, descaído na esquerda, e avançou decidido, passando pelos poucos que se atreveram a colocar-se no caminho, antes de se enquadrar com a baliza e rematar a contar. Quando corre bem, é como se fosse magia; não correndo, é de fazer arrancar cabelos. E são momentos como este que fazem com que o argelino não consiga aprender a dosear o seu individualismo.

O Arouca acabou então por só se mostrar na partida durante aqueles escassos minutos por volta da hora de jogo, o que não será surpreendente, dadas as dificuldades por que a equipa tem passado nesta temporada – em claro contraste com os feitos do ano transacto, no qual aqui venceu. Esse aperto classificativo, que se aplica também ao Nacional que o FC Porto encontrou na jornada anterior, e até mesmo ao Boavista da 6.ª jornada – se bem que esse jogo tenha contornos especiais –, coloca em perspectiva a série de três vitórias que o FC Porto agora completa. Todas legítimas, qualquer delas uma boa resposta ao feio empate em Tondela na jornada 5, mas que conjugadas com alguns dos jogos europeus e com a ida a Alvalade, continuam a deixar a questão essencial sem resposta: até onde pode ir o FC Porto 2016/17?

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por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 25.05.16

FC AROUCA 2015/16

Qualquer equipa que consiga um ou outro resultado improvável e se aguente, pelo menos por um tempo, em posições classificativas pouco habituais para os seus pergaminhos, é imediatamente apelidada de “equipa sensação”. Acontece tantas vezes que até se torna um chavão. Tal não se aplica, contudo, ao Arouca, a quem o epíteto cai que nem uma luva. Conseguir, imagine-se, um apuramento para a Liga Europa é simplesmente notável, tendo em conta que se trata de um clube que disputava apenas a sua terceira época na categoria máxima.

Ainda assim, a dada altura, o feito do emblema da Serra da Freita pareceu estar muito longe de ser possível. Alguém que chegasse a este mundo nos últimos dias de Novembro e olhasse para a classificação da Liga NOS ao fim de onze jornadas, encontrava o Arouca em 11.º lugar, e sem vencer há nove jogos, cedendo pontos até frente às equipas mais aflitas nessa fase da temporada. O que se seguiu desafiou toda e qualquer lógica.

A primeira curiosidade digna de nota começou a tomar forma precisamente nessa 11.ª ronda, na qual o Arouca empatou a um golo em Coimbra. Foi o primeiro de 13 jogos consecutivos sempre a marcar golos. Por termo de comparação, FC Porto e Sporting não conseguiram mais que nove, enquanto o Braga não passou dos sete. Já perto do fim dessa sequência surgiu o resultado da época, no caso uma vitória em pleno Estádio do Dragão (1-2). Não aconteceu por acidente. Jogava-se a jornada 21 e o Arouca, apesar de ainda oitavo classificado, era, por esta altura, uma equipa que tinha tanto de tranquilo como de confiante.

O nulo caseiro com o Braga, à jornada 24, quebrou a série, e o Arouca só se pôde queixar de si próprio, já que terminou essa partida com mais duas unidades que os minhotos, que até falharam uma grande penalidade. No entanto, esse empate manteve em curso uma outra série dos arouquenses, que entre as jornadas 20 e 26, além de não terem sido derrotados, somaram 17 dos 21 pontos possíveis. Nono classificado à entrada para essa 20.ª jornada, o Arouca subiria até ao quinto posto, que não mais largou até ao final do campeonato, cruzando a linha de meta em nova série de sete jogos sem perder.

O Arouca terminaria a carreira na Liga NOS com apenas seis derrotas, menos, pasme-se, que o FC Porto, que perdeu em sete ocasiões. Nos jogos em Arouca, só FC Porto, Sporting e Moreirense venceram; fora, os arouquenses só foram vergados por Rio Ave, Benfica e Sporting – e só os grandes de Lisboa perderam menos vezes como visitantes. A intenção não é maçar o estimado leitor com estatísticas, mas é impossível escapar-lhes ao passar em revista o conto de fadas vivido pelo Arouca. Os cinco jogos sem sofrer golos, entre as jornadas 22 e 26, foram um registo apenas igualado por Braga, FC Porto e Sporting.

Como se tudo isto não bastasse, o Arouca ainda encontrou forças para chegar aos quartos-de-final da Taça de Portugal, eliminando Leixões (II Liga, 1-2 após prolongamento), Desportivo de Chaves (II Liga, 6-5 no desempate após 120 minutos sem golos) e Amarante (Campeonato de Portugal, 1-2), antes de cair em Braga por 2-0. A Taça da Liga resumiu-se a uma passagem pouco conseguida pela fase de grupos.

A próxima época será território inexplorado para o Arouca. As provas da UEFA por vezes são uma distracção para os clubes de menor dimensão, ao mesmo tempo que os restantes emblemas da Liga NOS não encararão os jogos com o Arouca da mesma forma. É possível também que tenha sido um ano de excepção, com um desfecho totalmente inesperado. 16.º classificado em 2014/15, o Arouca é agora europeu. A viagem poderá até ser curta, mas é inteiramente merecida.

 

Treinador

Numa era em que o treinador português goza de grande prestígio internacional, é quase um anacronismo ser orientado por um estrangeiro. O angolano Lito Vidigal, contudo, não é um estrangeiro qualquer. Oriundo de uma família de futebolistas, alguns já nascidos em Portugal – o seu irmão Luís representou o Sporting e a selecção portuguesa –, Lito tem uma longa trajectória no futebol português, também como jogador. O Arouca é o quarto clube que treina na I Liga, e aquele que conseguiu levar mais alto. Protagonizou um dos episódios mais caricatos da época, ao envolver-se com o central sportinguista Naldo, nos minutos finais do encontro da 10.ª jornada

 

Figuras

Com um plantel composto por sobras e antigos jogadores dos grandes, e deprovido de estrelas, o Arouca valeu pelo colectivo. Os 47 golos na Liga NOS ficaram repartidos por 16 jogadores, com Walter González à cabeça (7 golos). Maurides (5 golos) esteve em evidência na primeira metade da época. A defesa também contribuiu com golos, nomeadamente pelo venezuelano Velázquez (3 golos) e por Lucas Lima (4 golos). O guarda-redes Bracali foi sólido ao longo de toda a campanha. Ivo Rodrigues e Mateus também deixaram marca.

 

Contas finais

Campeonato: 5.º lugar, com 13v, 15e, 6d, 47gm, 38gs, 54pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final (Braga, 2-0)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

23.08.2015, jornada 2 – ao vencer o Benfica por 1-0, o Arouca não só bateu pela primeira vez um grande, como também conseguiu o inédito feito de liderar a I Liga;

19.12.2015, jornada 14 – marcou quatro golos no mesmo jogo de I Liga pela primeira vez (4-1 diante do Marítimo);

06.01.2016, jornada 16 – vence o Estoril pela primeira vez em jogos da I Liga;

13.03.2016, jornada 26 – ao bater o Setúbal por 1-0, o Arouca completou cinco jogos consecutivos sem sofrer golos;

02.04.2016, jornada 28 – vence a Académica pela primeira vez em jogos da I Liga.

 

Para esquecer

29.11.2015, jornada 11 – Arouca completa o nono jogo consecutivo sem vencer;

28.12.2015, Taça da Liga: sofreu a segunda pior derrota da época (4-1), na visita ao Portimonense (II liga), no arranque da fase de grupos.

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por Miran Pavlin às 12:30

Domingo, 07.02.16

Liga NOS, 21.ª jornada – FC Porto 1-2 FC Arouca – Casca de banana

Ao terceiro jogo sob a égide de José Peseiro surgiu a derrota que coloca o trabalho do treinador em perspectiva. Se por um lado este jogo foi a confirmação de que Peseiro acabou com o futebol entediante e horizontal do seu antecessor, por outro, tendo mudado o chip da equipa, o técnico não pode ser responsabilizado por aquilo que os seus pupilos mesmo assim não conseguem fazer.

Será um sinal dos tempos? Este FC Porto não tem conseguido ser implacável nos pequenos detalhes em que as sucessivas equipas do passado eram. Aboubakar aparece isolado em frente à baliza mas não consegue desfeitear o guarda-redes. Os homens mais adiantados repetidamente não encontram espaço para rematar sem pernas adversárias a interceptar. Os cruzamentos são inócuos. E as soluções para colmatar lesões e castigos deixam a desejar; pensa-se em José Ángel, Varela e Maicon, de quem já nem a sombra se vê.

Jogos como este costumavam acontecer só ao Sporting e ao Benfica. Os jogadores entregam-se, imprimem intensidade no ataque e passam o grosso do jogo no meio-campo adversário, mas parece faltar sempre alguma coisa. Este aspecto ficou bem à vista ao minuto 86, quando Marega chegou uma fracção de segundo atrasado a uma bola que pedia um desvio certeiro na pequena área. Nem aquilo que a equipa não consegue controlar corre de feição, no caso uma decisão do árbitro assistente, que assinalou erradamente um fora-de-jogo, minutos antes do segundo golo arouquense.

Bastaram dez segundos para que o FC Porto ficasse em apuros. Saída de bola para o Arouca, bola no médio, passe para as costas, avanço pela direita até à área, cruzamento e Walter González desvia para o 0-1. Casillas ficou mal na fotografia, não agarrando uma bola que era sua.

O FC Porto reagiu de pronto e chegou ao empate ao minuto 14, num cabeceamento colocado de Aboubakar na cobrança de um canto. Até ao descanso o Arouca manteve-se atrevido q.b., atacando principalmente pelo flanco onde estava José Ángel, mas a acção desenrolou-se maioritariamente no seu último terço defensivo.

No reatamento o FC Porto ter-se-á acomodado em demasia e o jogo adormeceu. O ex-portista Bracalli teve uma ou outra defesa mais apertada, mas a bomba explodiria no outro extremo do relvado, onde Maicon não tem justificação possível para a perda de bola que permitiu ao mesmo Walter González isolar-se e rematar certeiro para o 1-2 (66’). Maicon ficou a queixar-se da coxa e abandonou o relvado com o jogo a decorrer, o que não agradou aos adeptos presentes, que o assobiaram de imediato.

Ciente de que tinha em mãos uma jóia rara, a turma de Lito Vidigal utilizou as artimanhas habituais quando se quer congelar um jogo. Entre as demoradas reposições de bola e as explorações de todo e qualquer contacto, Bracalli foi assistido três vezes, e os segundos finais da longa compensação passaram com a bola junto à bandeirola de canto.

Não é de espantar que o Arouca o fizesse. Afinal de contas, esta foi a primeira vez que venceu o FC Porto, fazendo os dragões escorregar numa casca de banana que faz com que entrem sobre brasas no próximo jogo, que é nada menos que um decisivo clássico na Luz. Este é mesmo de tudo ou nada; o empate ou a derrota decerto deixarão o FC Porto irremediavelmente perdido na corrida pelo título – mesmo contando que o líder Sporting ainda não realizou o seu jogo desta jornada.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sábado, 12.09.15

Liga NOS, 4.ª jornada – FC Arouca 1-3 FC Porto – Noite tranquila

Tem sido bastante notório, nas épocas mais recentes, que enquanto o mercado de transferências não fecha, a equipa do FC Porto não parece tranquila em campo. Este ano não foi excepção, e neste primeiro jogo pós-fecho, que curiosamente valia o comando da I Liga caso um dos intervenientes vencesse, os dragões não foram tão hesitantes, mesmo que esta exibição não tenha sido muito diferente da anterior.

Por outro lado, e sem prejuízo de achar que deve fechar mais cedo, se o período de transferências não fosse tão prolongado, Jesús Corona não teria vindo e não haveria agora muito que escrever sobre esta visita a Arouca. Chegado dos holandeses do Twente, o atacante mexicano vem já com rotinas de futebol europeu, e teve uma estreia em cheio pelo FC Porto.

Aos 15 minutos, servido de calcanhar por Aboubakar, Corona inaugurou o marcador; aos 62 estava no local certo para a recarga a um forte remate de André André, que Bracali não conseguiu agarrar.

Até aí o jogo tinha sido dominado pelo FC Porto, ainda que só com mais clareza durante o segundo tempo. Depois do 0-1 o Arouca visitou algumas vezes o meio-relvado portista, mas não chegou a ver Casillas de perto, talvez porque o acerto de Ruben Neves e a energia de André André não deixaram.

Um meio-campo dois terços luso foi uma novidade muito bem vinda, e pelo menos por hoje foi uma aposta ganha. Num jogo de um modo geral tranquilo, ainda houve tempo para um golo de Aboubakar, que está cada vez mais perigoso. A sucessão de Jackson Martínez parece estar completamente assegurada.

O Arouca ainda faria o tento de honra por Maurides, que é nada menos que irmão de Maicon. Ajusta-se ao que foi o jogo. O triunfo mantém o FC Porto na liderança, que pode ou não continuar a ser repartida com o Sporting. É importante o FC Porto manter-se no grupo da frente enquanto a procissão da I Liga não deixa o adro.

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por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 07.06.15

FC Arouca 2014/15 – 16.º lugar – 7v, 7e, 20d, 26gm-50gs, 28pts

A segunda participação do Arouca na divisão maior foi uma viagem bem mais agitada que no ano de estreia. 12.º em 2013/14, o Arouca entrou na nova época de pontaria desafinada, apontando escassos seis golos nos primeiros doze jogos. À 13.ª jornada completavam-se oito partidas sem vencer, com derrotas caseiras com outros aflitos (Académica e Penafiel, ambos 0-1). Vitórias, só duas, nas jornadas 5 (Rio Ave, 1-2) e 6 (Braga, 1-0).

Apesar da pobreza dos resultados, o Arouca só passou uma jornada dentro da zona perigosa, precisamente nessa 13.ª ronda. Ainda assim, foi preciso sofrer muito. Desde que caiu para 15.º classificado à oitava jornada, a equipa não conseguiu subir acima do 14.º posto, fez apenas 13 pontos em toda a segunda volta, e mesmo a manutenção foi assegurada com uma derrota por 2-1 em Setúbal, na 33.ª jornada. Curiosamente, no mesmo local onde os arouquenses foram eliminados da Taça de Portugal (1-0).

Que a equipa de Pedro Emanuel tenha conseguido a manutenção é por si só incrível. O Arouca é, de facto, lutador, mas ser-lhe-á suficiente para se manter na próxima temporada?

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por Miran Pavlin às 15:25

Domingo, 15.03.15

Liga NOS, 25.ª jornada – FC Porto 1-0 FC Arouca – Contrariedades crescentes

Há duas semanas a saúde do plantel portista era de ferro. Apenas Adrián López e Óliver estavam no estaleiro e este seria o lado mais positivo da rotação de jogadores lopeteguiana, que acabou por não sobrecarregar os jogadores ao ponto de provocar a chamada onda de lesões.

Agora que entramos nos idos de Março o cenário mudou ligeiramente. É verdade que Óliver até regressou neste jogo, mas entre os enfermos contam-se agora Jackson Martínez, que se lesionou sozinho em Braga, e Danilo, este atropelado por Fabiano na partida com o Basileia.

Como se não bastasse, esta noite foi o próprio Fabiano a ficar fora de combate, ao fazer-se expulsar bem cedo (12’). Talvez o brasileiro ande a ver demasiados vídeos de Neuer, já que a causa voltou a recair numa saída extemporânea. O lance por certo dividirá opiniões devido à proximidade do lateral Ricardo, mas a verdade é que Fabiano foi imprudente e interferiu com o avançado arouquense André Claro quando este ganhava vantagem sobre a bola e ficaria com a baliza à vista.

Talvez tenha sido a melhor coisa que aconteceu ao jogo, que de outra maneira certamente acabaria por vitimar por sono muitos telespectadores. Com menos uma unidade o FC Porto não podia deixar-se desequilibrar, o que foi conseguido, mas a equipa não evitou denotar alguma intranquilidade.

A reacção táctica de Lopetegui foi, no mínimo, audaz, ao retirar precisamente Ricardo para fazer entrar Helton, deixando os dragões a jogar em 3x3x3, com Casemiro a descer para compensar o defensor a menos. O técnico justificou a opção na conferência de imprensa pós-jogo – “a nossa ideia era ganhar o jogo. (…) Não quisemos perder força no meio nem no ataque. Arriscámos, claro, mas o risco tinha que acontecer” – e viu-a ser recompensada aos 32 minutos, quando um cruzamento suculento de Quaresma foi convertido em golo pela cabeça de Aboubakar, ao segundo poste.

O avançado camaronês tem aproveitado da melhor maneira cada minuto em campo. Fez o seu segundo golo na Liga, marcou também na Taça da Liga e na Liga dos Campeões, e ainda fez a assistência para o golo do triunfo na Pedreira. Enquanto Jackson não recuperar, é dia santo na loja de Aboubakar.

No final do jogo, Pedro Emanuel enalteceu a exibição da sua equipa, mas talvez tenha dourado um pouco a pílula. O Arouca construiu apenas um lance de perigo, num remate de Rui Sampaio – que aqui marcara em 2013/14 – logo no primeiro minuto, após boa jogada. A superioridade numérica não permitiu aos arouquenses muito mais que poder fazer uma pressão mais intensa sobre o portador da bola, mas o FC Porto foi sempre conseguindo encontrar soluções para esse problema.

Na segunda parte os dragões mostraram-se mais ajustados ao esquema reduzido, mas não colocaram dificuldades de maior à defensiva visitante. Herrera passou a cobrir o lado direito da defesa, mas notou-se a falta de rotinas naquela posição, compensadas pela solidez dada por Ruben Neves, entrado aos 56 minutos para o lugar de Óliver. Helton foi o injustiçado da noite, ao ver uma notável defesa, a sua única, ser irrelevante devido a fora-de-jogo no desenrolar do lance.

O veterano guarda-redes terá nova oportunidade na próxima jornada, e os adeptos poderão voltar a matar saudades do seu estilo dançante. Será um bom momento para Fabiano repensar a sua abordagem às saídas dos postes. Nos jogos europeus marcados para Abril um instante infeliz tem um preço demasiado caro.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sábado, 25.10.14

I Liga, 8.ª jornada – FC Arouca 0-5 FC Porto – Sem problemas

Como o resultado final espelha, o FC Porto não teve grandes dificuldades em impor o seu domínio. Apenas durante o quarto-de-hora inicial o Arouca incomodou os azuis-e-brancos, conseguindo uma série de cantos e forçando Fabiano a uma defesa vistosa, quiçá a única que teve que fazer.

O FC Porto praticamente assegurou os três pontos no espaço de dois minutos. Aos 24 Quintero abriu o activo num remate de fora da área que ainda bateu nas pernas de um defensor do Arouca, e aos 26 Jackson Martínez, à boca da baliza, regressava aos golos.

Antes do intervalo Casemiro, de cabeça na cobrança de um canto, fez o seu primeiro golo na época. Um tento importante para o brasileiro, que precisa de emendar a imagem menos boa dos dois jogos anteriores.

No segundo tempo Jackson bisou e ainda houve tempo para Aboubakar fixar o resultado final, desmarcando-se a passe de Quaresma e colocando a bola por entre as pernas do guardião, num golo construído por homens saídos do banco.

O jogo foi tão tranquilo que não há muito mais a contar. O volume do triunfo é bom para colocar a concorrência em sentido, mas é apenas mais um quilómetro percorrido na perseguição ao topo da tabela.

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por Miran Pavlin às 22:50

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte IV

sapodesporto

SC BRAGA

A época do Braga, com as devidas distâncias em termos de expectativa classificativa e de impacto mediático, parece tirada a papel químico da do FC Porto.

Terminou muito longe – a 24 pontos – do ambicionado pódio, foi eliminado nas meias-finais das duas Taças domésticas perante o mesmo adversário, a presença europeia foi um desastre, e o chicote estalou à 20.ª jornada – no FC Porto aconteceu na 21.ª.

Jesualdo Ferreira foi o técnico escolhido, graças aos créditos dos dois quartos lugares obtidos há dez anos, mas o primeiro revés surgiu logo em Agosto, com a eliminação da Liga Europa às mãos do desconhecido Pandurii, depois de vencer a primeira mão na Roménia.

O arranque de campeonato com 12 pontos em 15 possíveis prometeu, mas cinco derrotas entre as rondas 6 e 10 colocaram tudo em causa. Correndo atrás do prejuízo, tudo se complicou no início da segunda volta, ao não conseguir bater os aflitos Paços de Ferreira (1-1 na Pedreira) e Belenenses (2-1 no Restelo), e seria um sofrido empate caseiro com o Arouca (2-2) a custar o lugar a Jesualdo.

O escolhido para terminar a temporada foi o desconhecido Jorge Paixão, que apesar da energia no banco, não conseguiu passá-la à equipa, que teve vários elementos abaixo do rendimento esperado – Alan, Rúben Micael, Éder – e Eduardo debaixo de fogo pela insegurança na baliza. Salvou-se o jovem Rafa, de 20 anos, que foi a revelação dos arsenalistas.

O grande carrasco do Braga 2013/14 foi o Rio Ave, que lhe roubou cinco pontos no campeonato e o afastou da Taça da Liga – com arbitragem polémica – e da Taça de Portugal.

O 9.º lugar final é a pior classificação do Braga desde o 14.º posto em 2002/03.

 

 

VITÓRIA SC

A temporada do Vitória minhoto foi muito semelhante à anterior. A braços com problemas financeiros, não houve hipótese de reforçar a equipa, pelo que a juventude e a gente da casa foram mais uma vez a aposta.

Faltou uma presença mais prolongada nas taças nacionais para contrabalançar a carreira modesta no campeonato. Em semanas consecutivas, FC Porto e Leixões empurraram os conquistadores para fora da Taça de Portugal e da Taça da Liga, respectivamente.

Ainda se estava em Novembro, e ao Vitória restava apenas concluir a passagem pela fase de grupos da Liga Europa, onde foi digno, batendo o Rijeka (4-0) e empatando em Lyon (1-1), mas não conseguiu seguir em frente.

Os golos de Tomané e Marco Matias deram cor ao futebol vitoriano, com Maazou, a espaços, a emprestar a sua velocidade, numa equipa que teve em Douglas um guarda-redes sólido, e onde Crivellaro também se fez notar. O defesa Paulo Oliveira deixa o clube a caminho do Sporting.

 

 

RIO AVE FC

Os vilacondenses foram a sensação da temporada… mas apenas nas duas taças, já que no campeonato pagaram bem caro a inépcia caseira.

O Rio Ave apenas registou dois triunfos nos Arcos, contra Setúbal (2-0) e Belenenses (1-0), a juntar a cinco empates. Ninguém, nem mesmo o lanterna vermelha Olhanense, fez sequer semelhante.

Faltou, assim, complemento às seis vitórias fora para algo melhor que o 11.º lugar final. Apenas Benfica, Sporting e Estoril venceram mais partidas a jogar fora que os homens de Vila do Conde.

O Rio Ave fez então das provas a eliminar a sua coutada. Na Taça de Portugal ultrapassou Esperança de Lagos, Sertanense, Setúbal, Académica e Braga; na Taça da Liga desenvencilhou-se de Paços de Ferreira, Setúbal e Covilhã na fase de grupos, e novamente do Braga na meia-final. Em ambos os jogos decisivos o Benfica revelou-se um obstáculo intransponível, impedindo o Rio Ave de coroar o seu trajecto com uma conquista inédita.

De qualquer forma, em Agosto o clube estreia-se na Supertaça Cândido de Oliveira, já depois de se ter estreado nas provas da UEFA, disputando as pré-eliminatórias da Liga Europa.

 

 

FC AROUCA

Em ano de estreia no convívio dos grandes, o Arouca celebrou a permanência, mas vê-se agora na encruzilhada do segundo ano.

Será a afirmação ou d queda? Só o futuro esclarecerá qual o exemplo que o clube vai seguir. Se o do Penafiel de 2004/05 e 2005/06, ou o da Naval, que debutou na divisão maior com uma série de seis temporadas.

A estreia dos arouquenses foi dura – derrota por 5-1 em Alvalade – mas a carreira na Liga não foi um pesadelo. Apesar de ter ocupado sempre a metade baixa da tabela, o Arouca bateu-se com galhardia, conseguindo a sua primeira vitória logo à terceira jornada, diante do Rio Ave.

Com nomes como David Simão, Bruno Amaro, Pintassilgo, Lassad Nouioui ou Roberto em destaque, o Arouca fez furor ao empatar na Luz, em Braga e no Estoril, e ao vencer em Guimarães na 28.ª jornada, ficando a um passo da manutenção, que conseguiria na semana seguinte.

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por Miran Pavlin às 09:25



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