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CORTE LIMPO


Sexta-feira, 01.12.17

Liga NOS, 13.ª jornada - FC Porto 0-0 SL Benfica - Jogo decisor

FCPSLB.jpg

Embora com contornos diferentes, tal como na época passada o FC Porto voltou a fazer o suficiente para somar três pontos na recepção ao Benfica, mas tem que se contentar com um empate que não só o mantém sem margem de segurança, como também o deixa agora em igualdade pontual com o Sporting. Se ao intervalo o empate era mais que adequado, ao cabo dos segundos 45 minutos ajustava-se que o algarismo 1 estivesse sob o emblema do FC Porto. Mas assim não foi. E como a primeira parte não teve grandes motivos de interesse quanto ao futebol jogado, tornava-se impossível não notar uma certa dualidade de critérios do juiz Jorge Sousa, com prejuízo do FC Porto. No lance mais difícil, porém, aguardamos pelos corajosos que consigam afirmar que um corte pouco ortodoxo de Luisão (45'), sozinho na área, foi efectivamente com o braço. A oportunidade mais clara do primeiro tempo terá mesmo sido do Benfica (3'), num cabeceamento de Jonas após confusão na área, ao qual José Sá correspondeu com uma atenta palmada. O lance marcou a melhor entrada do Benfica no jogo. Sem bola, o FC Porto naturalmente que não conseguia assentar jogo, e sempre que procurava sair os obstáculos eram muitos e não havia linhas de passe. Os dragões apenas conseguiriam equilibrar a posse de bola para lá dos 30 minutos. Seria o intervalo a refrescar as ideias do FC Porto, que aumentou um nível na intensidade e com isso somou diversas oportunidades claras. O guardião encarnado Bruno Varela foi vital num par de ocasiões; noutras foram os portistas a desperdiçar. Felipe apareceu bem colocado numa sobra na área mas rematou um nada ao lado (68'), Marega atrapalhou-se e não rematou quando só tinha o golo pela frente (86'), Ricardo rematou frouxo em boa posição (90'+2') e Marega cabeceou por cima em posição ainda melhor (90'+5'). O Benfica esteve ele próprio muito perto de marcar num lance fortuito (85'), no caso um alívio de Felipe contra Danilo Pereira que deixou Krovinovic na cara do golo, mas José Sá saiu bem e anulou o perigo. De realçar ainda a participação-relâmpago do benfiquista Zivkovic: entrou aos 76 minutos, e aos 82 acumulou amarelos.
A verdade é que o FC Porto de facto marcou, aos 56 minutos, quando um desvio de Sérgio Oliveira a cruzamento de Brahimi deixou Aboubakar sozinho em frente a Bruno Varela, que defendeu o remate do camaronês, mas não a recarga de Herrera. Havia um homem do Benfica junto à linha, do outro lado do relvado, a colocar toda a gente em jogo, mas o auxiliar assinalou fora-de-jogo. Sendo este um dos jogos de cartaz do futebol português, com ampla transmissão internacional, e jogando-se já a 13.ª jornada da I Liga, não pode haver uma justificação plausível para ainda não serem claros quais os critérios de intervenção do video-árbitro. Não é uma questão de uniformidade dos mesmos. A questão é que se trata de um lance flagrante, grosseiro, em que todos sem excepção concordam que o golo é limpo. É precisamente o tipo de lance que justifica a existência dessa ferramenta auxiliar de decisão, mas não houve qualquer revisão das imagens. Terminado o jogo, o campeonato continua, pois, mas é impossível não questionar e comparar tudo e mais alguma coisa face a esse minuto 56. Como Sérgio Conceição disse na antevisão, não era um jogo decisivo. Terá sido antes um jogo decisor.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 30.05.17

SL BENFICA 2016/17

O adejctivo “histórico”, tão banalizado hoje em dia, por uma vez aplica-se na perfeição. A corrida atrás da história que o Benfica vinha empreendendo nos últimos anos culmina agora no primeiro tetracampeonato encarnado, sendo quase inacreditável como um clube com tão ilustre palmarés só agora o tenha conseguido – o Sporting fê-lo em 1954, seguindo-se o FC Porto em 1998 e 2009. O Benfica foi, sem dúvida, a equipa mais regular desta edição da Liga NOS, liderando ininterruptamente desde a jornada 5 e sobrevivendo a um período menos bom por alturas da viragem do campeonato. A concorrência também contribuiu com o seu quinhão para o título das águias, nomeadamente no caso do FC Porto, que se ficou pelas ameaças quando parecia ter tudo para tomar o comando da classificação numa fase já adiantada da época, mas é impossível sugerir que o Benfica revalidou o título apenas graças ao demérito dos adversários directos.

Até porque o Benfica teve o mérito de saber adaptar-se aos diferentes momentos de forma por que a equipa passou, manejando da melhor maneira os ferros para arrancar o resultado que interessava quando não era possível praticar futebol de encher o olho. Determinante foi também a forma como os jogadores foram entrando e saindo das opções sem tornar o rendimento global da equipa assustadoramente baixo. Enquanto Jonas não regressou em força da lesão – o brasileiro marcou o primeiro dos seus 13 golos na Liga à 16.ª jornada –, as despesas ofensivas ficaram a cargo de Mitroglou e Jiménez, apoiados por Pizzi, que realizou a sua melhor época desde que está no Benfica. Enquanto nomes como Rafa – tanta tinta correu sobre ele no defeso – e Carrillo praticamente passaram ao lado, Gonçalo Guedes chamou tanto a atenção que saiu para o Paris Saint-Germain no mercado de inverno. Mais atrás no terreno, os centrais fizeram dos clássicos a sua coutada, com Lisandro López a marcar no Dragão e Lindelöf em Alvalade. Éderson voltou a dominar a baliza, e Nélson Semedo e Grimaldo – este mais na primeira volta – cotaram-se como outros nomes em destaque.

A época encarnada arrancou com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira (3-0 frente ao Braga), mas tal não se traduziu propriamente num tónico, pois o Benfica demorou a estabilizar. Logo à 2.ª jornada um empate caseiro com o Setúbal (1-1) foi o primeiro sinal de que havia trabalho a fazer. Esses até acabariam por ser os únicos pontos desperdiçados nas primeiras quatro jornadas da Liga, mas é curioso constatar que o Benfica defrontou exactamente as três equipas que terminariam o campeonato na cauda da classificação. Esses dois pontos perdidos foram suficientes para deixar os encarnados no terceiro posto, na véspera do arranque da Liga dos Campeões, onde o Benfica tomaria dois golpes duros ainda no mês de Setembro.

Com efeito, o Beşiktaş seria o primeiro a causar estragos, ao empatar na Luz (1-1) com um golo de Talisca – emprestado aos turcos precisamente pelo Benfica – no último suspiro do encontro. Duas semanas depois, em Nápoles, com uma hora de jogo o Benfica perdia por 4-0 e os pontos de interrogação eram mais que muitos. Gonçalo Guedes e Salvio ainda marcariam dois golos cosméticos, que não impediram que o Benfica voltasse a Portugal envolto em dúvidas. No campeonato, porém, as águias já tinham somado duas vitórias tidas como difíceis, frente a Braga (3-1) e Chaves (0-2), que funcionavam como sinais contrários às agruras vividas na prova continental. O mês de Outubro chegou já com o Benfica numa liderança que nunca cederia, o que vale por dizer que uma vez pesados os prós e os contras do primeiro mês e meio de temporada, a entourage benfiquista terá dado pouca importância aos desaires da Champions. Com maior ou menor dificuldade, o Benfica conseguiu as vitórias suficientes para resistir aos três tremores que ainda sofreria até final.

O primeiro desses tremores foi uma repetição do mau arranque na Liga dos Campeões. A 23 de Novembro, em Istambul, em meia hora o Benfica colocou-se a vencer por 0-3 e parecia ter o jogo na mão, mas o marcador final assinalaria 3-3, com dois dos golos do Beşiktaş a serem assinados por outros velhos conhecidos, no caso Quaresma e Aboubakar, ambos ex-FC Porto; a 6 de Dezembro, o Nápoles venceu na Luz (1-2), beneficiando de um Benfica na ressaca da derrota em casa do Marítimo (2-1) na sexta-feira anterior. Esse desaire na Madeira reduziu o avanço encarnado na tabela para apenas dois pontos. Os suores frios voltariam no novo ano. A 14 de Janeiro o Boavista demorou 25 minutos a colocar-se a vencer por 0-3 em pleno Estádio da Luz, antes de ver os homens da casa recuperar até ao empate final; a 25 foi o Moreirense a causar espanto ao afastar o Benfica da final da Taça da Liga com um valoroso triunfo por 3-1; por fim, a 30 de Janeiro, o Setúbal – o outro derrotado das meias-finais da Taça da Liga – voltou a fazer das suas e bateu os encarnados no Bonfim (1-0) pela primeira vez desde 1998/99.

Jogava-se a jornada 19 e o Benfica via-se com apenas um ponto de vantagem sobre o segundo classificado FC Porto. Foram necessários nervos de aço para sobreviver a essa fase, que coincidiu com o melhor período dos da Invicta. O Benfica respondeu a esse ímpeto do adversário com seis triunfos consecutivos – Nacional (c), Arouca (c), Braga (f), Chaves (c), Feirense (f) e Belenenses (c) –, numa sequência apenas manchada pela eliminação nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões frente ao Borussia Dortmund. Tendo vencido em casa por um suado 1-0 – marcou Mitroglou (48’) e Éderson defendeu uma grande penalidade a Aubameyang (58’) – na Alemanha o Dortmund esteve ao seu melhor nível e reverteu a eliminatória (4-0), com Aubameyang desta vez a assinar um hat-trick. A série de vitórias na Liga conheceu um ponto final na jornada 26, a 18 de Março, com um empate em Paços de Ferreira (0-0). Seria aqui, em última instância, que o campeonato se decidiu. Enquanto o alarme soava estridente nas hostes encarnadas, o FC Porto não aproveitou para saltar para o comando, cedendo ele próprio um empate na recepção ao Setúbal. Na jornada seguinte os dois candidatos defrontaram-se na Luz e repetiram o resultado da primeira volta (1-1). Embora tenha ficado tudo na mesma, na prática o FC Porto desperdiçava duas oportunidades de escrever uma história diferente e ficava com esse ónus sobre os ombros. A velha máxima da candeia que vai à frente explica na perfeição a recta final do Benfica na Liga; cinco triunfos e um empate – em Alvalade (1-1) – garantiram o tetra a uma jornada do fim, num título carimbado com uma goleada (5-0) na recepção ao Guimarães. O empate final no Bessa (2-2) terá sido fruto de uma descompressão que quase custou ainda mais caro, já que o Benfica esteve a perder por 2-0.

 

TAÇA DE PORTUGAL

A época do Benfica encerrou com a conquista da sua 26.ª Taça de Portugal. Quatro anos depois da última final entre Benfica e Guimarães o resultado (2-1) repetiu-se, mas desta vez foi favorável às águias, que resistiram a uma boa primeira parte dos conquistadores, antes dos golos de Jiménez (48’) e Salvio (53’) darem alguma tranquilidade ao Benfica. O Vitória marcaria por Zungu (78’). O percurso encarnado até ao Jamor foi também ele feito de sobressaltos. Logo na terceira eliminatória o 1.º Dezembro, do Campeonato de Portugal, só caiu em definitivo (1-2) com um golo de Luisão aos 90’+6’ minutos. Foi por um triz. A fava desse susto foi paga pelo Marítimo, que saiu da Luz derrotado por 6-0. Nos oitavos-de-final o Benfica ultrapassou o Real (0-3), que viria a sagrar-se vencedor do Campeonato de Portugal, em encontro disputado no Restelo, antes de nova goleada (6-2), agora sobre o Leixões, nos quartos-de-final. Na meia-final o Estoril vendeu cara a derrota, principalmente na segunda mão, na qual por três vezes se colocou a um golo de distância de eliminar o Benfica. O 3-3 final foi suficiente para os encarnados, que tinham vencido na Amoreira por 1-2.

 

TREINADOR

Mais uma vez, Rui Vitória mostrou que não cede facilmente à pressão. Assim que se acomodou à dimensão da cadeira que ocupa, Vitória rebateu bem as constantes invectivas do seu homólogo do Sporting ao longo da época passada, e tanto nesse ano como neste, defendeu o grupo de trabalho sem precisar de fazer grandes declarações e, mais importante, sem entrar em pânico quando a pressão classificativa imposta pelos rivais mais apertou, ou quando apareceram restulados menos positivos.

 

FIGURAS

Éderson assumiu-se como um guarda-redes em nome próprio. Em nenhum momento da temporada o lugar do brasileiro foi questionado.

Durante a primeira metade da temporada Gonçalo Guedes e Grimaldo estiveram em foco; no retrato global saltam à vista o central Lindelöf, os médios Pizzi e Salvio, e os avançados Mitroglou e Jonas, que juntos marcaram 29 golos só no campeonato.

O avançado mexicano Jiménez foi ele próprio decisivo em alguns jogos mais apertados.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 1.º lugar, 25v-7e-2d, 72gm-18gs, 82 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: vencedor;

Taça da Liga: venceu o grupo C (9 pontos), à frente de Guimarães, Paços de Ferreira e Vizela; eliminado na meia-final pelo Moreirense (3-1);

Supertaça Cândido de Oliveira: vencedor, ao bater o Braga (3-0);

Liga dos Campeões: segundo classificado no grupo B (8 pontos), atrás do Nápoles e à frente de Beşiktaş e Dinamo Kiev; eliminado nos oitavos-de-final pelo Borussia Dortmund (1-0c, 0-4f).

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por Miran Pavlin às 13:00

Sábado, 01.04.17

Liga NOS, 27.ª jornada – SL Benfica 1-1 FC Porto – Filme invertido

O clássico da Luz foi como que uma imagem invertida do encontro da primeira volta. Nesse jogo da 10.ª jornada o FC Porto foi dominador, mas viu o Benfica obter o empate praticamente no único lance que teve junto à baliza contrária. Desta vez foram os encarnados a viver o mesmo filme, ainda que de forma menos dolorosa, pelo menos em face do minuto em que o golo da igualdade aconteceu. Com as equipas separadas por um mísero ponto, as implicações eram enormes; ou o Benfica se escapava quiçá irreversivelmente rumo ao título, ou o FC Porto saltava para a liderança, ou… a montanha paria um rato e tudo ficaria remetido para os próximos capítulos. E foi justamente isso que aconteceu, de resto tal como os dois técnicos anteviam.

Continuando a sobrepor o filme dos dois jogos desta época, foi a equipa da casa quem entrou melhor. Através de rápidas transições e pressão incessante, o Benfica não deixava o FC Porto respirar. Logo ao minuto 7, em mais uma investida encarnada, Carlos Xistra assinalou grande penalidade num lance porventura passível de mais que uma interpretação entre Felipe e Jonas. Ainda assim, no momento, no desenrolar do lance, era difícil o juiz fazer vista grossa. O mesmo Jonas converteu e festejou efusivamente. Só perto do minuto 20 o FC Porto começou a ter mais bola, mas não conseguia ver de perto a baliza adversária. Óliver Torres tentou a sorte de longe, com a bola a sair ligeiramente ao lado (19’), antes de um livre de Brahimi que obrigou Ederson a defender a custo para canto (37’), mas a melhor oportunidade foi do Benfica (41’), com um cabeceamento de Luisão a passar assustadoramente perto do golo, após livre em posição central. Por esta altura já se percebia que Jonas tentava a todo o momento forçar o mesmo tipo de situação do lance da grande penalidade, e que Brahimi era o homem mais desperto dos dragões, capaz de procurar com a bola os espaços que a teia do Benfica não queria dar. Mas com pouco efeito, pois o FC Porto não atacava com muitas unidades, portanto não proporcionando soluções suficientes ao argelino. Do outro lado do campo Corona estava a ser muito castigado pelos adversários e no meio Soares era pouco mais que discreto. O meio-campo com Óliver, André André e Danilo Pereira funcionava bem, mas não conseguia compensar aquilo que os avançados não estavam a dar.

A perder ao intervalo o FC Porto estava com um pé no cadafalso. Nuno Espírito Santo resistiu à pressão de mexer, e o mesmo onze apareceu transfigurado para a segunda metade. Assumindo de imediato um claro ascendente, os azuis-e-brancos trouxeram o jogo até ao último reduto do Benfica, e logo aos 50 minutos Maxi Pereira realizou o sonho secreto de muitos portistas – e quiçá dele próprio – e marcou um golo na Luz. Brahimi voltou a encontrar espaços escondidos no flanco esquerdo e cruzou para a área lançando a confusão. André André aproveitou um primeiro corte incompleto para rematar com perigo, com a recarga do próprio a ser aliviada por Lindelöf de bandeja para o lateral uruguaio receber de peito e rematar colocado ao ângulo inferior direito de Ederson. Era o culminar da entrada forte do FC Porto. Pouco depois Soares esteve cara-a-cara com a reviravolta, mas o guardião encarnado tirou-lhe a bola com uma saída aos pés no limite. E aqui voltamos ao filme invertido do jogo da primeira volta. O Benfica voltou a assumir as despesas e dominaria o jogo até final, mas teve em Casillas um obstáculo megalítico, especialmente ao minuto 73, altura em que negou à queima-roupa finalizações consecutivas de Mitroglou e Lindelöf, com Marcano a limpar para canto. Antes (65'), Casillas já tinha feito uma defesa no limite a outra tentativa de Mitroglou. Fiel ao plano que trazia, o técnico portista apostou na chamada troca por troca, tirando Corona – que saiu com cara de poucos amigos – para colocar Diogo Jota (66’), Soares para meter André Silva (72’), e o esgotado Brahimi para entrar Otávio (87’).

Num jogo que não foi quezilento, não deixam de saltar à vista os cinco cartões amarelos exibidos a jogadores do FC Porto, incluindo a cada um dos defesas, contra nenhum a homens do Benfica. Os motivos para isso, subliminares ou não, levá-los-á a espuma dos dias. O que fica é que o FC Porto pela segunda vez consecutiva perde a oportunidade de trocar de posição com o Benfica, desperdiçando aqui também a oportunidade de ter vantagem no confronto directo com as águias. Se a bola de cristal de Nuno Espírito Santo e de Rui Vitória estiver correcta, o campeonato será mesmo disputado até ao fim, mas a candeia que alumia mais é sempre a que vai à frente, e essa o FC Porto segurou apenas nas duas primeiras jornadas deste campeonato. A pressão segue então nos próximos capítulos, com o FC Porto agora a precisar da ajuda de terceiros para subir ao topo da classificação.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 06.11.16

Liga NOS, 10.ª jornada – FC Porto 1-1 SL Benfica – Sinal dos tempos

Outrora feliz, o minuto 92 fica hoje para a história como aquele em que se desmoronou tudo aquilo que o FC Porto procurava de há uns anos a esta parte, e que foi encontrando ao longo deste clássico. De facto, o FC Porto não podia ter escolhido melhor jogo para se apresentar ao máximo das suas capacidades. Enérgicos e cheios de intenção, os azuis-e-brancos deixaram as hesitações à porta e realizaram uma notável exibição, pontuada por inúmeras recuperações de bola, com fio de jogo, entrega, e com o entrosamento que tão frequentemente tem faltado. A pecha foi, mais uma vez, a finalização, que em última análise não terá permitido ao FC Porto segurar o jogo com as duas mãos.

Oportunidades para isso não faltaram, nomeadamente no primeiro tempo, altura em que o FC Porto teve o seu motor em alta rotação. Com Corona, Diogo Jota e André Silva a emprestar grande dinâmica às movimentações ofensivas, e bem apoiados por Óliver e Otávio, os dragões não deixavam o Benfica respirar. Com efeito, sempre que saíam da zona defensiva, os encarnados rapidamente se viam cercados por homens de azul-e-branco e sem opções para avançar mais no terreno. Ganhando a bola, os jogadores do FC Porto tinham sempre quem desse linhas de passe para a construção de novo ataque; a situação era idêntica a cada perda de bola, já que havia sempre alguém na posição ideal para fechar o caminho ao adversário. Faltava apenas o golo. André Silva disparou forte após um mau alívio da defesa contrária – graças à pressão de Óliver, em quem a bola ressaltou –, com o remate a sair um tudo ou nada ao lado (22’), e Corona isolou-se mas não foi capaz de desfeitear Ederson (24’), naquelas que foram as melhores oportunidades do FC Porto. Do outro lado, apenas um lance, já em cima do descanso, quando Felipe por pouco fazia auto-golo ao tentar cortar um canto. A bola ainda raspou no poste.

Se por um lado o Benfica não saía da toca porque o FC Porto estava inexcedível, por outro talvez isso não acontecesse porque os comandados de Rui Vitória não queriam. Pelo menos, a avaliar pelos primeiros minutos da segunda parte, altura em que Ederson foi amarelado por demorar a cobrar um pontapé de baliza. A estratégia não duraria muito mais tempo, pois aos 50 minutos o Benfica passava a estar obrigado a correr atrás do prejuízo. Sobre a esquerda do ataque, Diogo Jota fintou Nélson Semedo e rematou cruzado, com a bola a entrar pelo buraco da agulha do primeiro poste. O golo teve um efeito quiçá inesperado. Em vez de fazer com que o FC Porto se galvanizasse em busca do segundo tento – aquele que a gíria diz ser o da tranquilidade – o resultado foi um crescimento do Benfica, que começou a aparecer mais vezes junto à área portista. Tal era consequência directa do retraimento do FC Porto, que deixou de atacar com tanta motivação. Nuno Espírito Santo procurou fechar a zona central fazendo entrar Rúben Neves (67’), mas para isso retirou Corona, hoje uma das unidades que mais estava a mexer com o jogo; mais tarde sairia Óliver (76’), outro nome que encaixa nesta descrição, entrando Layún, novamente para jogar na extrema.

Tendo retirado o poder de fogo nas alas, o FC Porto não conseguiu evitar que o Benfica continuasse a mostrar o quão instável o 1-0 era. Casillas já tinha sido chamado para duas intervenções mais vistosas, enquanto o FC Porto respondeu com um livre colocado de Alex Telles, que Ederson defendeu bem. Já o relógio escoava a compensação quando Herrera, que entrara aos 87 minutos para o lugar de Diogo Jota, protagonizou o golpe de teatro da noite. Ao tentar chutar contra um adversário para ganhar um lançamento, o mexicano acabou por ceder um canto. O Benfica bateu curto, e o cruzamento subsequente encontrou a cabeça de Lisandro López, que assinou o empate, literalmente silenciando o estádio.

Este lance deitou por água abaixo todo o trabalho da equipa, bem como as perspectivas que se abriam se o triunfo portista se tivesse confirmado, e até o espaço para a reclamação de uma vitória moral, às costas da óptima exibição colectiva. O topo da classificação manter-se-ia sempre na posse das águias, mas tal não invalida que o FC Porto tenha pago bem caro a má decisão de Herrera. Olhando apenas à exibição, o FC Porto deixa a fasquia muito alta. Se é capaz de estar a este nível num clássico, a equipa fica desde já obrigada a não fraquejar novamente, pelo menos sem ter um bom motivo para tal. Considerando o resultado final e o momento do golo sofrido, é difícil não o ver como um sinal dos tempos. Por mais que a equipa faça, falha sempre alguma coisa; num dia é a finalização, no outro são as carências defensivas, uma decisão do árbitro, uma opção do treinador, ou, como foi o caso, um disparate de um jogador próprio. O FC Porto continua assim a cinco pontos da liderança.

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por Miran Pavlin às 22:45

Terça-feira, 24.05.16

SL BENFICA 2015/16

Depois do primeiro bicampeonato em 31 anos, o Benfica escavou um pouco mais nos livros de história e regressou trazendo em mãos o seu primeiro tricampeonato em 39 anos. E pode até dizer-se que os encarnados foram campeões quando tinham tudo para não o ser. Além das saídas de jogadores, o Benfica entrava na primeira época pós-Jesus, era alvo de ataques constantes por parte do ex-treinador, chegou a ver-se no oitavo posto, à oitava jornada, e passou as cinco rondas seguintes com um atraso de oito pontos face ao primeiro lugar, em parte motivado pelo jogo que teve em atraso, e que só acertou – com um empate – após a jornada 13, altura em que ficou cinco pontos abaixo do líder.

Até essa oitava jornada, o Benfica tinha perdido três jogos, aos quais se somava o desaire na Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Sporting (0-1). As águias encontravam-se mesmo num bloqueio de clássicos, uma vez que perderam os encontros da Liga NOS com FC Porto (1-0, na 5.ª jornada) e Sporting (0-3, na jornada 8). A saída da Taça de Portugal ocorreu bastante cedo, e novamente às mãos dos seus rivais de Alvalade, que saíram vencedores por 2-1, após prolongamento.

O Benfica parecia estar perto de uma calamidade, mas seria por essa altura que arrancaria para uma impressionante sequência, que justificou por inteiro a conquista do título de campeão. Entre a jornada 9, na qual bateu o Tondela, em Aveiro, por 0-4, e a última, o Benfica venceu 25 dos 27 jogos que realizou, cedendo pontos apenas nesse tal jogo em atraso com o União (0-0) e na recepção ao FC Porto (1-2). A prova cabal de que o Benfica é um justo campeão reside num dado estatístico: foi o campeão mais pontuado da era dos três pontos por vitória, com 88, número que nem as melhores edições do FC Porto atingiram. Nem se deu pelas ausências, devido a lesão, do guarda-redes Júlio César e do central Luisão.

A jornada 25 foi simbólica para o Benfica, que disputou aí o último clássico da época, novamente em Alvalade, com os dois conjuntos separados por dois pontos. Carregando o peso de ainda não ter vencido nenhum dos clássicos já realizados, as águias estavam perante uma autêntica final, e não perderiam a hipótese de saltar logo aí para o topo da classificação. Um golo de Mitroglou, ao minuto 20, foi o suficiente para quebrarem o enguiço. A marcha do Benfica continuou a todo o vapor até ao termo do campeonato, e foi bem necessário que assim fosse, já que a vantagem de dois pontos obtida em casa do Sporting se manteve até final.

A campanha europeia foi também ela positiva, com o Benfica a atingir os quartos-de-final da Liga dos Campeões. O saldo da fase de grupos não foi particularmente esclarecedor, mas os dez pontos somados, ao contrário do que sucedera em 2013/14, foram suficientes para passar à fase seguinte. Aí, o Benfica ultrapassou o Zenit, numa eliminatória de nervos, antes de se bater dignamente com o Bayern Munique nos quartos-de-final, onde cairia por 2-3 no agregado das duas mãos.

A época terminaria com a conquista da sétima Taça da Liga, em nove edições possíveis. Numa repetição da época anterior, o Benfica defrontou o Marítimo na final de Coimbra, triunfando desta vez por um robusto 6-2. Num dado tão impressionante quanto a carreira nesta Liga NOS, o Benfica apenas perdeu um jogo nos 90 minutos em toda a história da Taça da Liga – 2-1 em Setúbal, em 2007/08. Mas não só: ao bater o Moreirense por 1-6 na fase de grupos, tornou-se na primeira equipa a atingir a meia dúzia nessa competição.

 

Treinador

Enquanto as suas ideias não deram frutos, foi impossível a Rui Vitória escapar às comparações com o seu antecessor. Pois aqui fica mais uma: enquanto Jorge Jesus frequentemente reclamava para si o mérito dos triunfos da equipa, Vitória é credor de uma fatia generosa do mérito da época benfiquista, e não o reclama. O técnico é um homem cordato, que sabe estar no futebol, e lidou da melhor maneira com toda a pressão que teve nos seus ombros. Não apenas aquela inerente ao cargo que ocupa, mas também aquela a que o seu antecessor o sujeitou, através das inúmeras tiradas que lhe dirigiu durante praticamente toda a época. O clube teve a paciência necessária para que Rui Vitória se ajustasse, e os dividendos não tardaram a aparecer, em termos de lançamento de jogadores jovens e, mais importante, títulos.

 

Figuras

Se a época passada tinha sido boa, que dizer então desta, na qual Jonas apontou nada menos que 31 golos na Liga NOS, cifra que ninguém atingia desde Jardel, em 2001/02. O seu companheiro de ataque, o grego Mitroglou, demorou algum tempo a acomodar-se, mas assim que o fez foi tão letal como o brasileiro, terminando a campanha na Liga com 19 golos. Os 50 golos da dupla representam perto de 57% dos golos apontados pela equipa no campeonato.

Entre os mais jovens, Gonçalo Guedes destacou-se na primeira fase da época, apontando mesmo o golo da vitória em casa do Atlético Madrid (1-2) na Liga dos Campeões, cedendo depois o epíteto de next big thing a Renato Sanches, que pese embora a dureza por vezes excessiva que emprega nas disputas de bola, tem uma rebeldia que empresta um perfume diferente à equipa. O central sueco Lindelöf aproveitou da melhor maneira a indisponibilidade de Luisão para se afirmar, enquanto Jardel mostrou uma segurança que se lhe desconhecia.

Em sentido contrário, Gaitán não foi tão proeminente como em outros anos e Talisca ficou reduzido a um papel secundário.

 

Contas finais

Campeonato: 1.º lugar, com 29v, 1e, 4d, 88gm,22gs, 88pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória (Sporting, 2-1 a.p.)

Taça da Liga: vencedor

Supertaça Cândido de Oliveira: derrotado pelo Sporting (0-1)

Europa: eliminado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões (Bayern 0-1f, 2-2c)

 

Para mais tarde recordar

30.09.2015, Liga dos Campeões: vitória por 1-2 sobre o Atlético Madrid, depois de estar a perder, na segunda jornada da fase de grupos;

05.02.2016, jornada 21 – ao vencer no Restelo por 0-5, o Benfica consegue a sua maior vitória em casa do Belenenses desde o 0-6 de 1964/65;

01.04.2016, jornada 28 – vitória por 5-1 sobre o Braga; os encarnados não marcavam tantos golos nas recepções aos minhotos desde 1983/84

 

Para esquecer

23.08.2015, jornada 2 – sofreu a sua primeira derrota de sempre diante do Arouca (1-0).

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por Miran Pavlin às 22:00

Sexta-feira, 12.02.16

Liga NOS, 22.ª jornada – SL Benfica 1-2 FC Porto – Emergir das cinzas

Não havia margem de erro possível. A esperança do FC Porto só se manteria viva caso saísse da Luz com os três pontos, e os dragões, qual fénix, emergiram das cinzas da derrota com o Arouca para levar de vencida um dos seus velhos rivais. Mais importante ainda foi a forma como o triunfo foi obtido: de reviravolta, em casa de uma equipa que chegava a este jogo na crista de uma série de sete triunfos seguidos para o campeonato – mais três na Taça da Liga – e numa fase particularmente produtiva em termos de golos – 24 nos últimos seis encontros na I Liga.

Foi uma vitória cirúrgica do FC Porto, assente mais no colectivo que nas individualidades. Pelo menos em termos de jogadores de campo, pois na baliza Casillas escolheu o jogo certo para rubricar uma exibição de classe. O internacional espanhol já tinha feito um par de defesas vistosas no primeiro tempo, mas reclamou em definitivo o título de homem do jogo quando fez a defesa da noite (67’), curiosamente a negando o que teria sido um auto-golo chocante de Martins Indi. Mesmo assim, não peçam a Casillas para segurar bolas altas.

O jogo despertou ao minuto 18, quando Mitroglou, servido por Renato Sanches, aproveitou uma desatenção defensiva portista para se isolar e fazer o golo inaugural. O Benfica arrancou aí para a sua melhor fase no jogo, mas os azuis-e-brancos iam dando ténues sinais de que não estariam assim tão por baixo. Aos 28 minutos Herrera encontrou o espaço que tantas vezes não tem à entrada da área e rematou rasteiro, cruzado, com a bola a entrar bem junto ao poste esquerdo de Júlio César. Era o élan de que os azuis-e-brancos precisavam.

O FC Porto pode considerar-se afortunado por ter regressado às cabines com um empate, pois Mitroglou desperdiçou um lance flagrante a segundos do intervalo, mas após o descanso não ficou margem para dúvidas. Os dragões reentraram tonificados, e bastou um punhado de subidas à área contrária em poucos minutos para fazer o Benfica pensar duas vezes antes de atacar da mesma forma que fizera até aí. O coelho saltaria da cartola aos 65 minutos, quando uma triangulação entre Brahimi, André André e Aboubakar resultou no 1-2 que resolveu o encontro, com o golo a pertencer ao camaronês.

Até final o FC Porto soube ter a maturidade necessária para sobreviver, mas também é verdade que o Benfica ficou abalado por ter sofrido a reviravolta no seu próprio terreno, e não foi capaz de voltar a pegar no jogo. Em última instância, a partida foi como que um negativo da fotografia recente das duas equipas. Nem o Benfica foi tão avassalador como os seus adeptos mais confiantes previam, nem o FC Porto tão fracturado quanto os seus apoiantes menos optimistas antecipavam. O que sobrou aos dragões em carácter, faltou no departamento defensivo, onde a espaços se notou que ainda são necessárias afinações. O nigeriano Chidozie, que apenas tinha jogado um jogo na Taça da Liga e foi utilizado devido à indisponibilidade de Maicon e Marcano, revelou grande à-vontade, cotando-se como opção viável para o futuro.

Valeu então o colectivo. Foi a primeira vitória do FC Porto em casa do Benfica desde 2011/12. O sabor é, portanto, bem doce, mas mais não faz que reduzir para três pontos a distância para os encarnados, pelo que o FC Porto se mantém no terceiro posto. O grande beneficiado deste resultado poderá ser o Sporting, que recuperará o comando caso empate ou vença o seu jogo.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 20.09.15

Liga NOS, 5.ª jornada – FC Porto 1-0 SL Benfica – Um golpe bastou

Um jogo com escassos lances de perigo, logo pouca acção junto das balizas, só poderia ser decidido por um golpe. Ou de sorte, ou de génio. Deverá ter sido o segundo, pois o golo solitário da partida apareceu na única jogada em que uma equipa forçou um desequilíbrio claro no adversário. Brahimi, Varela e André André criaram uma movimentação simples que retirou do lance toda a defesa do Benfica, com o último a ter o privilégio de assinar o tento.

Não poderia ter sido melhor. Numa era em que a identidade portista se dilui na falange principalmente sul-americana do plantel, é muito importante que o golo decisivo de um clássico tenha sido marcado por um português, ainda para mais filho de um antigo jogador do clube. Além de que é um tónico para André André, que nos últimos jogos caiu no goto dos adeptos pela garra, que o assemelha a um Josué com melhores atributos técnicos.

O triunfo também vem muito a calhar para o treinador Julen Lopetegui, que teria pouca margem de manobra se falhasse mais uma tentativa de conduzir a equipa a uma vitória sobre o Benfica. Repetindo o esquema, a equipa esteve melhor que no jogo de Kiev, restringindo os encarnados a dois lances de perigo na primeira parte, com Casillas a mostrar-se atento a um cabeceamento e um remate de Mitroglou.

O que faltou ao FC Porto, nomeadamente na primeira parte, foi atitude, não só com a bola nos pés. Com Maxi Pereira no centro de alguma provocação por parte dos jogadores do Benfica, especialmente quando o lateral uruguaio se aprestava para executar lançamentos laterais, a única reacção dos atletas portistas surgiu sobre o apito para o descanso, altura em que Maicon saltou decidido sobre Jonas, de perna à frente. Não para o atingir, o que de resto não aconteceu, mas para impor respeito. Um passo à frente quando os jogadores das duas equipas já rodeavam o central portista, o guarda-redes suplente Helton rapidamente removeu o colega para o balneário e a questão morreu por ali.

Consequência ou não do abanão psicológico de Maicon, a verdade é que o FC Porto apareceu mais diligente no segundo tempo. Logo aos 48 minutos, a cruzamento de André André, Aboubakar colocou-se bem na zona fatal, mas cabeceou ao poste, numa ocasião flagrante. A balança do jogo não pendeu aí, e com o passar dos minutos ficou claro que o jogo não se alteraria a favor do FC Porto se não houvesse mexidas na equipa.

Aos 63 minutos Lopetegui trocou o hoje apagado Corona por Varela, um homem mais experimentado neste tipo de jogos. A mudança trouxe algum vigor às movimentações dos azuis-e-brancos e foi já com um meio-campo refrescado com a troca de Ruben Neves por Danilo Pereira e, diga-se, com a ainda inexplicável substituição de Aboubakar por Osvaldo, que surgiu o golo (86’), numa jogada em que Varela foi o autor do toque de calcanhar que rasgou a defesa adversária e deixou André André à frente da felicidade.

Há algum tempo que pairava sobre o jogo a sensação de que quem marcasse ganhava, e esse golpe bastou. O apito final confirmou o triunfo do FC Porto, que abre uma vantagem de quatro pontos sobre o Benfica. Porventura pensando mais em segurar a igualdade do que em correr riscos, o técnico encarnado Rui Vitória mexeu tarde na equipa – só aos 77 minutos – e acabou por não colher benefícios das entradas de Talisca e Pizzi. Depois do golo não restava muito mais tempo e desta vez não houve um milagre no último suspiro, como em Alvalade na derradeira época.

O triunfo mantém o FC Porto no comando da Liga NOS, enquanto o Benfica, derrotado nos dois clássicos que disputou até agora esta temporada, regressa à capital com mais dúvidas que certezas. Ainda faltam muitas jornadas, é certo, mas a pressão é mais selectiva para quem tem pontos a recuperar. Para quem vai à frente, a candeia alumia duas vezes.

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por Miran Pavlin às 23:30

Segunda-feira, 01.06.15

SL Benfica 2014/15 – 1.º lugar – 27v, 4e, 3d, 86gm-16gs, 85 pts

O primeiro bicampeonato do Benfica em 31 anos ofuscou a fotografia maior: foi a primeira vez que o clube conquistou seis troféus em duas temporadas, numa séria ameaça ao domínio portista das últimas décadas. O saldo final de Supertaça, Liga e Taça da Liga volta a colocar os encarnados à frente do FC Porto no somatório de títulos oficiais conquistados.

Tal como na época anterior, o Benfica demonstrou ser a equipa mais tranquila da Liga, graças a uma base de trabalho sólida e com rotinas estabelecidas. Líder desde a quinta jornada, o Benfica cimentou o comando entre as rondas 9 e 17, período em que venceu nove partidas de enfiada, garantindo uma vantagem que lhe permitiu resistir às duas derrotas e três empates averbados na segunda volta.

Apesar de as águias terem sido tanto a equipa mais regular, como aquela que exibiu maior tranquilidade em campo, esses 12 pontos desperdiçados poderiam ter custado muito caro, uma vez que o FC Porto esteve sempre no encalço, terminando a época escassos três pontos mais atrás. Costuma dizer-se que “candeia que vai à frente alumia duas vezes”, e terá sido esse velho ditado a proteger o Benfica, principalmente nos momentos em que o FC Porto não o conseguiu colocar em apuros sérios, não aproveitando alguns desses pontos perdidos.

O destaque do Benfica tem que ir inteiramente para Jonas. O brasileiro, estreante no futebol português, marcou golos a rodos em todas as competições internas, incluindo 20 tentos na Liga. Não fosse um golo anulado na última jornada e teria mesmo sido Jonas o melhor marcador. Lima também esteve em foco, com 19 golos só no campeonato, numa equipa que beneficiou em grande medida da segurança de Júlio César na baliza e da liderança em campo de Luisão, juntamente com nomes como Maxi Pereira, Talisca, Salvio e Gaitán, que foram os motores da equipa, se bem que Talisca tenha sido mais proeminente durante a primeira metade da campanha.

A Europa é que continua a ser um quebra-cabeças para o Benfica. Num grupo teoricamente muito apertado – com Mónaco, Bayer Leverkusen e Zenit – os encarnados terminaram no último lugar, despedindo-se das provas da UEFA logo em Dezembro. A dificuldade de um grupo de Champions como este fica espelhada num aspecto em particular: o Benfica foi o único dos cabeças-de-série que não passou aos oitavos-de-final, enquanto o Mónaco foi a única equipa do pote 4 a apurar-se.

Foi também nesse mês de Dezembro que o Benfica saiu da Taça de Portugal, caindo aos pés do Braga em pleno Estádio da Luz (1-2). Pensando que em 2013/14 o Benfica terminou com cerca de 60 jogos nas pernas, de um certo ponto de vista estas duas eliminações podem ter sido uma dádiva, já que permitiram um enfoque mais intenso sobre o percurso na Liga NOS. A época benfiquista fecharia com a conquista da Taça da Liga, diante do Marítimo na final de Coimbra (2-1), a 29 de Maio.

Nessa altura já estavam praticamente esquecidos os graves tumultos verificados na celebração do 34.º título de campeão. A somar aos confrontos entre claques em Guimarães nas horas que antecederam o jogo decisivo, houve saque de bares e armazéns de material desportivo no recinto dos vimaranenses, antes de um capítulo final nas ruas de Lisboa, onde um grupo de adeptos se envolveu numa rixa com a Polícia, que acabaria por se prolongar por um par de horas, entre arremesso de pedras e garrafas e cargas policiais avenida acima.

Um final de festa bem negro, que desviou as atenções de um pormenor. No ano passado o técnico Jorge Jesus festejou junto de jogadores e adeptos enfeitado com tantos adereços do Benfica que até um agente da PSP o confundiu com um adepto; desta vez foi o último a surgir no palanque, acompanhado por Luís Filipe Vieira, sem que se vissem muitos sorrisos entre ambos. O contrato de Jesus, tanto nesse dia como à data em que escrevo, ainda não foi renovado.

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por Miran Pavlin às 12:00

Domingo, 26.04.15

Liga NOS, 30.ª jornada – SL Benfica 0-0 FC Porto – Uma questão de fé

Aquele que era tido como o jogo do ano foi parco em quase tudo. Emoção, incerteza, lances de perigo, defesas aparatosas… tudo faltou ao encontro da Luz. Nem polémicas sobram para preencher a semana que vai entrar.

Golos também não houve, o que não se estranha face à escassez de oportunidades. Apenas uma coisa sobejou: raça. De parte a parte, cada disputa de bola foi viril q.b., forçando o árbitro Jorge Sousa a manter o controlo dos acontecimentos com cartões amarelos. A conta parou nos nove.

Surpreendentemente, ou talvez não, não foi o Benfica a arriscar em busca de um golo que o pusesse com uma mão no título; quem assumiu as despesas ofensivas da tarde foi o FC Porto, que no entanto precisou de alguma paciência para se libertar das amarras impostas pelos da casa. Com efeito, o Benfica soube bloquear todos os canais por onde podia passar o jogo dos dragões, obrigando-os a procurar outras soluções. Não virando a cara ao desafio, o FC Porto acabou por encontrar um equilíbrio, e a partir da meia hora começou a inclinar o jogo sobre a metade encarnada do relvado.

Faltou uma presença mais forte na área, no sentido de abrir brechas na defesa contrária. Na única vez em que tal aconteceu, Jackson Martínez rematou por alto (34’), na sequência de um alívio deficiente das águias, que chegariam ao intervalo com o contador de remates a zero.

Após o descanso alguém carregou no acelerador do jogo. Ciente de que só um resultado lhe interessava, o FC Porto atacou sem preconceitos, o que lhe custou abrir espaços mais atrás, permitindo ao Benfica explorar um último terço adversário que até aí lhe estava vedado. Tal como os dragões, os encarnados só teriam um momento de claro perigo (84’), naquilo que pareceu uma repetição do lance de Jackson na primeira parte. O sérvio Fejsa rematou ainda mais por cima.

Sempre tranquilo em posse, o FC Porto conseguiu fazer aquilo em que tão redondamente falhara no jogo de Munique: sair com bola da pressão adversária, que tanto aqui como nesse jogo deu aos azuis-e-brancos pouco espaço e tempo para pensar. Repetindo a ideia acima, faltou apenas furar mais vezes até à grande área.

O pendor atacante do FC Porto obrigou o Benfica, imagine-se, a queimar algum tempo. Uma substituição ficou guardada para os descontos e Júlio César sacrificou-se, vendo um cartão amarelo por atrasar uma reposição de bola (86’). Fejsa, entrado apenas para destruir jogo, fez faltas suficientes para ser expulso. Deveria ter sido. No final do jogo, Lopetegui considerou que apenas o FC Porto quis atacar, perante um Benfica que jogou para não perder. Não estará muito longe da realidade.

Evandro e Ruben Neves foram surpresas no onze inicial portista, mas foi a inclusão de Helton que deu azo a mais interpretações. Terá o treinador querido resguardar Fabiano depois do desastre na Alemanha? Ou terá feito dele o bode expiatório? Será Helton novamente o titular para os jogos que faltam? É esperar para saber.

Um mau resultado nesta partida custaria muito mais ao Benfica que ao FC Porto, pelo que o empate satisfaz mais os primeiros. Nem poderia ser de outra maneira, já que o Benfica conserva a distância pontual, juntando-lhe a vantagem no confronto directo.

O FC Porto mostrou que está vivo, mas além de ter que vencer nas quatro jornadas que faltam, ainda precisa que o Benfica desperdice pontos em duas delas. Não seria inédito. Todavia, a recuperação do título é agora uma questão de fé. Quem arriscará colocar moedas na caixinha para acender velas?

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por Miran Pavlin às 23:00

Domingo, 14.12.14

I Liga, 13.ª jornada – FC Porto 0-2 SL Benfica – Sinal de perigo

 

Era o jogo-chave da época do FC Porto, o tal teste sério que faltava para a equipa, sem prejuízo da memória do encontro com o Sporting para a Taça de Portugal, em que o FC Porto vacilou. Por muito respeito que a Taça mereça, o campeonato é sempre o crivo por que passa a valia de uma equipa. E o FC Porto, ao sair derrotado deste encontro, coloca-se em xeque, ficando desde já dependente de terceiros para conseguir derrubar o Benfica do lugar cimeiro da classificação.

Não se pode dizer que a balança do jogo tenha estado desequilibrada. As duas equipas mostraram que se equivalem, mas num jogo desta importância não chega ter segurança na posse de bola e criar um punhado de oportunidades. Faltou ao FC Porto aquela força que vem de dentro, aquele desejo visceral de vencer o principal adversário na corrida a um título. Uma situação que talvez só se resolva com mais portugueses no plantel.

A diferença ficaria marcada precisamente no aproveitamento das oportunidades. Os encarnados converteram duas, os dragões ficaram-se pela trave. A chamada “fase de estudo” durou longos 36 minutos, com dois conjuntos bem encaixados, que protegeram da melhor forma as suas balizas. O estudo terminou não com o criar de um ascendente para um lado; foi com um golo, mesmo. Num lançamento de linha lateral que fez lembrar aquele de Fucile em 2006/07 que resultou no golo da vitória de Bruno Moraes, o Benfica adiantou-se, com Lima a antecipar-se a Danilo e a desviar para golo com a anca, na pequena área.

O andamento manteve-se por mais vinte minutos. Foi o tempo que levou até o mesmo Lima aproveitar uma defesa incompleta de Fabiano para fazer o 0-2. Só aqui Lopetegui mexeu na equipa, fazendo entrar Quintero e Quaresma. O Benfica respondeu baixando as linhas e ocupando bem os espaços, o que fez com que o FC Porto se abeirasse com mais frequência da baliza de Júlio César, ainda que sem grandes resultados práticos. Foi nesta fase que Jackson Martínez encontrou a trave, em dose dupla.

Lopetegui devia mexido na equipa logo ao intervalo, em vez de esperar para ver o que dava a segunda parte. Depois de sofrer outro golo já era tarde para encontrar um remédio. O jogo não estava com cara de milagres, nem mesmo terminando com três defesas, como aconteceu quando Alex Sandro cedeu o lugar a Aboubakar.

A arbitragem de Jorge Sousa, salvo possíveis equívocos na avaliação de dois lances envolvendo bola e mão, passou ao lado de polémicas, mas não deixa de ser incrível como Maxi Pereira e Samaris conseguem fazer cachos de faltas sem ver um único cartão. O grego só veria um cartão amarelo – na Liga dos Campeões não seria esta a cor – nos minutos finais, num lance em que entrou sobre Jackson Martínez muito fora de tempo, e de sola ao peito. Mais incrível só o facto de as últimas três vitórias do Benfica em casa do FC Porto, separadas por 24 anos, serem todas por 0-2 com um jogador a bisar.

Em suma, o Benfica foi afortunado ao capitalizar numa desatenção e numa falha, e soube fazer emperrar a engrenagem portista através da ocupação de espaços e da anulação do imprevisível Brahimi, muito castigado pelo referido Maxi Pereira. Sai da Invicta com seis pontos de vantagem e deixa o FC Porto com um enorme sinal de perigo à frente do nariz.

As cenas dos próximos capítulos serão de máxima exigência para o FC Porto.

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por Miran Pavlin às 23:55



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