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CORTE LIMPO


Quinta-feira, 01.06.17

BOAVISTA FC 2016/17

No final da época passada aqui se escreveu que a base para os resultados do Boavista se devia ao facto de ter homens associados à casa. Pelo menos ao nível técnico bastou chegar a inícios de Outubro para que esta ideia se desactualizasse, com a saída de Erwin Sánchez.

O treinador não gostou das críticas dos adeptos após uma derrota caseira com o Belenenses (0-1) que ditou o afastamento da Taça da Liga. A direcção axadrezada não ficou indiferente à reacção dos adeptos, e entendeu trazer outro nome para o lugar do técnico boliviano. Por essa altura, no campeonato o Boavista seguia num modesto 13.º lugar, com apenas duas vitórias nesses primeiros sete jogos, marca que não era ela própria favorável a Sánchez.

Com Miguel Leal (de pé, à direita) ao leme, o Boavista haveria de fixar-se no confortável meio da tabela, a salvo das aflições das épocas anteriores e com espaço para arriscar ir um pouco mais alto assim que a manutenção foi garantida. Ainda que sem sucesso nesse aspecto. Leal conseguiu ainda tirar o melhor rendimento da manta de retalhos que o plantel boavisteiro voltou a ser, em especial na vitória sobre o Marítimo (3-0), à 25.ª jornada, naquela que foi a melhor exibição do Boavista esta temporada.

Se o caminho na Taça da Liga foi curto, o da Taça de Portugal durou apenas mais uma eliminatória. Depois de bater a União de Leiria (0-2), o Boavista perdeu em casa com o Vitória de Guimarães (1-2), com o golo decisivo a aparecer a dois minutos do final do prolongamento.

 

FIGURA

Iuri Medeiros foi o principal dinamizador do ataque das panteras, e terminou como melhor marcador da equipa na Liga NOS, com sete golos.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 9.º lugar, 10v-13e-11d,33gm-36gs, 43 pontos;

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória;

Taça da Liga: afastado na 2ª eliminatória.

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por Miran Pavlin às 13:00

Domingo, 26.02.17

Liga NOS, 23.ª jornada – Boavista FC 0-1 FC Porto – Arreganho

Nas idas ao Bessa os homens do FC Porto costumam ter que pedir emprestada a alcunha do Braga e ser guerreiros por 90 minutos, mais descontos. Foi o caso mais uma vez, e tal como na época passada não tanto por um jogo ultra-competente do Boavista, mas sim pelo seu arreganho. A vantagem, tanto material como psicológica, cedo ficou nas mãos do FC Porto, que marcou ao minuto 8 por Soares. Daí para a frente o jogo nunca decresceu de intensidade, o FC Porto visou com regularidade a baliza axadrezada e o Boavista deu o que tinha e o que não tinha em busca do empate. Não havia dúvidas de que era de dérbi que se tratava. As bancadas, compostas como há muito não se via num Boavista-FC Porto, também o indicavam. Quem não teve mãos a medir foi o árbitro Fábio Veríssimo. Foram assinaladas inúmeras faltas, umas mais unânimes que outras, mostrados 12 cartões amarelos, e ainda um vermelho por acumulação a Maxi Pereira, por faltas semelhantes a outras cometidas pelos boavisteiros. Valeu ao juiz a ausência de lances quentes dentro das grandes áreas.

O FC Porto tomou então a dianteira na fase inicial do encontro. Óliver Torres trabalhou bem no miolo e lançou Corona na direita, com o mexicano a cruzar para o desvio de Soares à boca da baliza. O Boavista pôs Casillas à prova num remate de Anderson Carvalho (30’) mas a melhor oportunidade foi do FC Porto (34’), com Soares a finalizar no meio da confusão na pequena área, opondo-se Vágner com uma espantosa defesa, antes de Óliver desperdiçar a recarga. Mais emoções ao rubro no caminho para as cabines, a propósito de uma entrada muito dura de Talocha sobre Corona (42’), que tirou o extremo portista do jogo. Corona tirou satisfações com o jogador axadrezado, motivando uma acesa troca de palavras entre Nuno Espírito Santo e o adjunto boavisteiro Alfredo Castro, que ficaram a ver o resto do jogo na bancada. Na segunda parte houve muita intensidade de parte a parte, mas pouca baliza, o que talvez explique que o marcador não tenha voltado a mexer. André André esteve perto do golo (75’), com o seu remate à entrada da área a passar ligeiramente sobre a barra, e pouco depois (82’) Maxi Pereira era expulso, recolocando as equipas de igual para igual, já que o defesa Henrique tinha saído lesionado (80’) quando o Boavista já tinha esgotado as substituições.

O destaque da noite acabou por ser Soares, não só pelo golo, mas também pela capacidade de luta que demonstrou, não desistindo de nenhuma bola e resistindo a tudo o que o Boavista lhe atravessou no caminho. De resto, tal como a equipa no seu todo, onde também merecem menção Brahimi pela deambulação por toda a frente de ataque e Boly, que substituiu o castigado Felipe, pela segurança que exibiu, em contraste com a tremideira em Tondela na primeira volta. Depois das inseguranças nos jogos fora de casa, o FC Porto passa agora incólume por Guimarães e Bessa, num sinal contrário a alguns mostrados na primeira volta. Até nova prova em contrário, até porque a deslocação fulcral só aparecerá mais lá à frente.

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por Miran Pavlin às 23:10

Sexta-feira, 23.09.16

Liga NOS, 6.ª jornada – FC Porto 3-1 Boavista FC – Morno

Para aqueles que ainda duvidam de que a visita do Boavista é um jogo especial, de entre os muitos hoje vistos como pequenos em cada edição do campeonato, aos cinco minutos de jogo os axadrezados lembraram de que se trata de um dérbi tripeiro, e inauguraram o marcador, por intermédio de Henrique, que apareceu sozinho na pequena área para desviar de cabeça um livre. A forma como o FC Porto sofreu o golo vem realçar um problema já visto no recente jogo com o Copenhaga: a defesa lida mal com bolas pelo ar.

Em vantagem, o Boavista rapidamente se fechou na zona mais recuada, convidando o FC Porto a ter a bola e estacionar em frente à muralha. Não era para menos, até porque nas dez visitas anteriores a contar para a I Liga, as panteras marcaram apenas por duas vezes. Mais esclarecido em campo, até porque jogava em casa, o FC Porto foi um pouco mais profícuo no capítulo ofensivo, e empatou a partida ao minuto 19, quando numa sobra junto à área, Otávio lançou André Silva com um passe suculento, que o ponta-de-lança tocou para o golo já na cara do guarda-redes. Antes do intervalo o mesmo André Silva deu a reviravolta na conversão de uma grande penalidade a castigar falta sobre Otávio. No reatamento o futebol foi, no mínimo, morno. Conformado e confortado pela vantagem, o FC Porto talvez não se tenha querido expor em vésperas de jornada europeia. O Boavista não desistiu de tentar, mas não teve arte para voltar a criar perigo. Os dragões matariam o jogo, mas nem isso por iniciativa própria, porque num cruzamento aparentemente mal tirado por Alex Telles, o estreante guarda-redes azeri Kamran Agayev deu um monumental frango (86’) ao não conseguir agarrar a bola.

Mesmo que a natureza de alguns dos golos que permitiram a reviravolta possa abrir espaço a especulações sobre o estado do FC Porto, a verdade é que pela segunda vez esta época os dragões dão a volta a um resultado adverso. Sinal de que parece haver um rumo na equipa, apesar de um futebol por vezes mais apagado, que ao mesmo tempo não dissipa as dúvidas sobre se a equipa realmente consegue mais, ou se está, qual pérola, escondida na concha, só se revelando em ocasiões especiais, como em Roma – não esquecendo o sinal contrário dado em Alvalade. Faltam dois jogos antes da segunda paragem para compromissos das selecções. Primeiro em Leicester, depois na Madeira frente ao Nacional.

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por Miran Pavlin às 22:45

Quinta-feira, 26.05.16

BOAVISTA FC 2015/16

A tarefa do Boavista adivinhava-se mais difícil que na época passada. Já não havia factor surpresa, nem relvado sintético para eventualmente causar dificuldades aos adversários. A perspectiva era de uma luta extenuante, do ponto de vista mental, no sentido de cruzar a meta, no mínimo, em 16.º lugar. O arranque do campeonato, contudo, contrariou as previsões. Logo no começo, em Setúbal, os axadrezados recuperaram dois golos de desvantagem já a jogar com menos um homem e lograram um empate. Seguiram-se uma vitória tangencial sobre o Tondela (1-0), outra em Coimbra (0-2) e um nulo caseiro com o Sporting; de permeio, derrotas com o Braga (4-0) e o Paços de Ferreira (0-1). Oito pontos em seis jornadas não era um pecúlio propriamente mau, e o Boavista encontrava-se nessa altura no nono lugar. As complicações, porém, começaram a partir deste ponto.

Nessa sexta jornada o Boavista embarcava numa viagem de doze jogos sem vencer, em que somou escassos três pontos. O xadrez chegava à 17.ª jornada sem marcar golos há quatro partidas, sofria há nove jogos seguidos, e era derrotado em casa pelo FC Porto por 0-5. O treinador Petit demitira-se após a 11.ª jornada, invocando razões pessoais. O cenário era, de facto negro, mas começaria a mudar assim que começou a segunda volta.

Com efeito, o Boavista entrou na segunda metade da Liga NOS com três vitórias e dois empates, e apenas um golo sofrido. Era o balão de oxigénio de que a equipa tanto precisava. As panteras começaram por bater o Setúbal por 4-0, antes de uma vitória estratégica em Tondela (1-2) e um empate com o Braga (0-0). Ainda haveria tempo para vencer em Paços (0-1) e empatar no Bessa com a Académica (0-0), que apesar de ser mais um ponto somado, não era o resultado mais conveniente. Até porque o Boavista passou grande parte da época num jogo das cadeiras com a Briosa. Os dois conjuntos alternaram no 16.º e 17.º lugares entre as jornadas 12 e 28. Nessa luta a vantagem, primeiro psicológica, mais tarde real, era do Boavista, que tinha então vencido no terreno da Académica.

Os axadrezados ainda tiveram que sofrer mais um pouco até perto do final do campeonato, mas conseguiram acrescentar os pontos necessários para celebrar a manutenção à 32.ª jornada. Nesse último esforço a equipa obteve uma vitória no recinto do Marítimo (0-3), deu luta ao Benfica, que só venceu com um golo no último suspiro, empatou em Guimarães (1-1) e derrotou o Belenenses (1-0), antes de garantir o objectivo maior empatando em Moreira de Cónegos (1-1).

Parte das forças que o Boavista encontrou vieram de fora das quatro linhas. O substituto de Petit no banco foi nada menos que outra glória do clube, Erwin Sánchez. A estrutura do futebol do Boavista contou ainda com o adjunto Jorge Couto, que orientou a equipa interinamente na 12.ª jornada, mas também com Fary e Ion Timofte, além do técnico de guarda-redes Alfredo Castro. Tudo homens com história de xadrez ao peito.

Dentro de campo, o guarda-redes Mika deu o que tinha, Carlos Santos foi o pilar da defesa, em conjunto com Tengarrinha, enquanto o senegalês Idris foi o motor do meio-campo. Zé Manuel foi o melhor marcador da equipa na Liga, com cinco tentos. Foi o único jogador do Boavista que apontou mais que dois golos no campeonato. Anderson Carvalho e Paulo Vinícius foram outros dos nomes em foco na equipa.

A presença na Taça da Liga durou apenas um jogo, com as panteras a perderem nas grandes penalidades na visita ao Feirense (1-1 nos 90 minutos). Na Taça de Portugal o Boavista eliminou Loures (1-2 após prolongamento), Operário (1-0) e Académica (1-0), antes de tombar em casa nos quartos-de-final, numa batalha frente ao FC Porto (0-1), na qual desperdiçou uma grande penalidade no último minuto da compensação. Apesar do estatuto que tem na prova rainha, por enquanto não é essa a história que o Boavista quer escrever; é no campeonato que o xadrez coloca todas as suas peças. E para o ano elas lá estarão no tabuleiro da Liga NOS.

 

Contas finais

Campeonato: 14.º lugar, com 8v, 9e, 17d, 24gm (pior ataque), 47gs, 33pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

18.01.2016, jornada 18 – vitória por 4-0 sobre o Setúbal; desde 1979/80 que o Boavista não batia os sadinos em casa tão folgadamente. Além disso, foi a maior vitória dos axadrezados na I Liga desde 2001/02, quando derrotou o Paços de Ferreira por 5-0;

11.03.2016, jornada 26 – ao vencer por 0-3, o Boavista consegue a sua maior vitória de sempre em casa do Marítimo.

 

Para esquecer

10.01.2016, jornada 17 – derrota caseira com o FC Porto por 0-5; a pior do Boavista no Bessa desde 1981/82 (0-6, também contra os dragões).

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por Miran Pavlin às 13:00

Sábado, 14.05.16

Liga NOS, 34.ª jornada – FC Porto 4-0 Boavista FC – De manhã começa o dia

O percurso portista na Liga NOS terminou com uma novidade. Foi o primeiro jogo de campeonato que o FC Porto realizou de manhã, e apenas o segundo em toda a história da I Liga. Quase que era preciso madrugar. Pese embora o horário invulgar, o FC Porto fez questão de se despedir dos seus adeptos com uma vitória sólida, num jogo disputado a médio ritmo.

Ainda não tinha havido muitas aberturas quando os dragões passaram para a frente do marcador, através de Danilo Pereira (11’), que rematou com sucesso no aproveitamendo de um ressalto em Marcano após corte de um defensor axadrezado. E sim, eram membros do sector mais recuado que se encontravam na área contrária nesse lance.

A goleada, contudo, não se explica a partir desta jogada, uma vez que quem esteve melhor até ao intervalo foi mesmo o Boavista. Não no sentido de colocar o FC Porto em apuros, mas sim porque a tranquilidade classificativa garantida há um par de jornadas permitiu aos homens do Bessa desenvolver sucessivas incursões no meio-campo contrário. A finalização, porém, não esteve à altura, com os remates a saírem muito longe do alvo. O FC Porto também surgiu diversas vezes junto à área do Boavista, mas não encontrou os espaços de que precisava.

Decorria já o minuto 56 quando Layún rematou colocado para o 2-0, após assistência astuta de André Silva, que descobriu o lateral mexicano solto na esquerda. Mika ainda tocou na bola mas não a conseguiu deter. Foi este golo que deu ao FC Porto a determinação necessária para pegar no jogo e não mais o largar. Por esta altura começava a ser notória a qualidade que André Silva emprestava aos movimentos dentro da área do Boavista, muito graças à sua corpulência, mas também à sua vontade. O jovem avançado tentou várias vezes visar as redes de Mika, mas ora o próprio guarda-redes, ora a acção do central Henrique, iam negando os seus intentos.

Ao minuto 82 Maxi Pereira é derrubado dentro da área. Apesar dos clamores dos adeptos para que fosse André Silva a subir à marca de onze metros, Brahimi tomou no seu pé a responsabilidade e não a enjeitou. Não seria preciso esperar muito mais para que o desejo dos adeptos fosse satisfeito. Lançado em profundidade por um passe bem medido de Brahimi, André Silva isolou-se, contornou Mika e selou o resultado final (88’), assinando o seu primeiro golo pela equipa principal. Um justo prémio para o trabalho que o ponta-de-lança vinha desenvolvendo.

O encontro terminou pouco depois, e em clima de festa. Comedida por parte dos dragões, porque uma época abaixo das expectativas não se apaga, um pouco mais vincada do lado dos adeptos boavisteiros, que mais uma vez viram a sua equipa ser maior que as adversidades e garantir presença na próxima edição da I Liga. A oficina dos azuis-e-brancos só fechará portas no próximo fim-de-semana, num regresso ao Jamor, cinco anos depois da última visita.

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por Miran Pavlin às 15:00

Quarta-feira, 13.01.16

Taça de Portugal, quartos-de-final – Boavista FC 0-1 FC Porto – A ferros e fogo

Já era de esperar que o segundo round entre panteras e dragões não fosse desnivelado como o primeiro. Além da memória ainda fresca sobre o jogo anterior, aqui as equipas defrontavam-se de igual para igual, sem a pressão dos pontos. Quem ganhasse, passava. E foi como que uma versão 2.0 do jogo anterior. Um dérbi da Invicta como há muito não se via. Tal como Rui Barros previra, o Boavista foi uma equipa bastante mais agressiva, à qual o FC Porto teve que responder à medida. Até apetece dizer que a vitória foi tirada a ferros e a fogo, tal foi o cariz do encontro.

Logo desde os primeiros segundos se notou que o Boavista vinha determinado a vingar a goleada sofrida. E se no domingo usara de alguma dureza na disputa dos lances, desta vez os axadrezados abusaram. Talvez decidido a conduzir o jogo sem cartões, o juiz Nuno Almeida foi, durante a primeira parte, no mínimo, passivo perante a excessiva virilidade com que por vezes se jogava, até porque o FC Porto nem sempre se deixou ficar. A partida aqueceu tanto que quase transbordou no segundo tempo, altura em que a rispidez aumentou e os jogadores se envolveram duas vezes em discussões de grupo mais acaloradas. Imbula, entrado para o lugar do infeliz Evandro, pagou o preço ao ser expulso por pisar o calcanhar de um adversário (68’). Face às incidências do encontro, outros jogadores também teriam que ter sido expulsos, pelo que a decisão do árbitro pode ser encarada como altamente questionável.

A expulsão alterou o desenrolar do jogo, uma vez que os jogadores se acalmaram e o Boavista, que tinha tido o grosso da posse de bola depois do intervalo, tentou um último assomo às redes de Helton. Nos últimos segundos da compensação, o golpe de teatro: grande penalidade a favor do Boavista, numa imprudência de Martins Indi. Quando todos tinham o coração na garganta, o último volte-face: Douglas Abner rematou mal e Helton, tendo adivinhado o lado, defendeu. O exemplo acabado do que é um final dramático.

Terá sido a primeira vez esta época que se viu uma equipa do FC Porto ser tão colectiva. Além de a exibição ter sido novamente bastante aceitável, ficou a sensação de que o FC Porto tem realmente um grupo, não apenas um conjunto de jogadores. Herrera e Danilo Pereira tiveram novamente uma prestação sólida, e com Brahimi a jogar mais no meio a interacção com os laterais Maxi Pereira e Layún tornou-se mais produtiva. Foi mesmo o argelino a fazer o único golo da noite (24’), que se revelaria precioso para o FC Porto resistir a tudo o que se seguiu. Trabalhando bem na esquerda sobre dois contrários e já de ângulo apertado, Brahimi rematou rasteiro, surpreendendo o guarda-redes Mika. Os azuis-e-brancos ainda tiveram duas bolas ao poste, num cabeceamento de Marcano e num remate de Aboubakar.

Pelas circunstâncias, a vitória tem que ser moralizante. Rui Barros conseguiu fazer os jogadores perceber ao que iam, e estes novamente corresponderam, dando as mãos e levando o FC Porto às meias-finais da Taça, onde o espera o Gil Vicente.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 10.01.16

Liga NOS, 17.ª jornada – Boavista FC 0-5 FC Porto – Resposta cabal

A notícia surgiu na noite seguinte ao encontro com o Rio Ave. Julen Lopetegui já não era treinador do FC Porto. Nesse jogo o técnico tinha visto a sua segunda dose de lenços brancos, com o empate a significar mesmo o fim da linha. O treinador-adjunto Rui Barros é novamente o homem que trava o sinal de alarme e, presume-se, assegura a transição. Já em Agosto de 2006 o diminuto antigo médio tinha tomado as rédeas da equipa, vencendo até uma Supertaça, antes da chegada de Jesualdo Ferreira.

Com pouco tempo para preparar o encontro, Rui Barros fez aquilo que o seu antecessor nunca se terá lembrado de fazer: repetiu o onze do último jogo, pedindo aos jogadores mais intensidade e mais rapidez na saída para o ataque. No fundo, mais proactividade. E a equipa correspondeu, estando à altura de um jogo tão exigente quanto um dérbi tripeiro no Bessa.

Logo aos 12 minutos Herrera abriu o marcador com um golo de belo efeito. André André picou a bola para a desmarcação do médio mexicano, que sempre em andamento se virou para receber de peito, rodou sobre si e finalizou com classe. A vantagem era preciosa, até porque o FC Porto se batia com um Boavista mais lutador que perigoso. O jogo foi bastante viril de parte a parte, e ficaram alguns cartões por mostrar aos axadrezados.

A luta dos da casa durou até aos 62 minutos, altura em que Corona se iluminou, fintou dois adversários com mestria e rematou colocado para o 0-2. A partir daí o FC Porto praticamente teve via verde, acrescentando números ao resultado. Aboubakar finalmente terminou a travessia do deserto e bisou (72’ e 81’), antes de Danilo Pereira fixar o resultado final, nos últimos segundos da compensação, com um golpe de calcanhar na sequência de um canto cobrado ao primeiro poste.

Tratando-se de um dérbi, a resposta da equipa em campo à turbulência por que o FC Porto tem passado foi cabal. Não se deve esquecer, porém, que neste jogo o técnico boavisteiro Erwin Sánchez teve que gastar as três substituições por lesões dos seus jogadores, o que o deixou sem margem de manobra para eventuais correcções na equipa. Aliado à aflitíssima situação que as panteras vivem na classificação, é sinal de que quando as coisas estão a correr mal, tudo acontece.

Terminada a primeira volta, o FC Porto vê-se quatro pontos atrás do Sporting e está no que se julga ser um interregno entre treinadores. O regente Rui Barros, tal como há quase dez anos, conseguiu motivar a equipa a apresentar um futebol em tons mais garridos. Sinal de que o FC Porto tem um plantel com mais qualidade e potencial do que tem exibido até agora. Será que chega para escrever uma história diferente na segunda metade da época? A luta continua já a meio da semana, no mesmo local com os mesmos intervenientes, agora para a Taça de Portugal.

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por Miran Pavlin às 22:00

Domingo, 07.06.15

Boavista FC 2014/15 – 13.º lugar – 9v, 7e, 18d, 27gm-50gs, 34pts

O regressado Boavista é o campeão moral da temporada. Com o clube a ser trasladado do CNS para a I Liga, uma subida de duas divisões, certamente que a equipa sentiria um choque competitivo com consequências difíceis de prever.

A primeira tentativa terminou com uma pesada derrota por 3-0 em Braga. O primeiro triunfo apareceu à quarta jornada, diante da Académica por 1-0, com um autogolo de Ofori. O empate no Dragão na jornada seguinte foi a pedra de toque para que a equipa do Boavista acreditasse que era de facto uma equipa de I Liga.

Vitórias estratégicas frente a Gil Vicente (3-2), Penafiel (1-0), Setúbal (0-1) e Arouca (3-1) – os aflitos – permitiam ao Boavista terminar a primeira metade do campeonato em 13.º lugar. Apesar de ter estado sempre na parte baixa da classificação, o Boavista foi conseguindo levar a água ao seu moinho, somando pontos aqui e ali, bem como duas vitórias saborosas, contra Braga (1-0) e Guimarães (3-1).

Por muito humilde que a equipa fosse, a manutenção do xadrez não será alheia a algumas peças mais destacadas ao dispor do técnico Petit. O hondurenho Beckeles (jogou o Mundial 2014), o nigeriano Uchebo (Mundial 2014), o reforço gabonês Appindangoye (CAN), ou o bem conhecido Marek Čech, o eslovaco que passara pelo FC Porto alguns anos atrás, foram o complemento à crença e combatividade de uma equipa que não virou a cara à luta.

A desejada permanência foi assegurada com três jogos por disputar, imagine-se. Um grande feito para o Boavista. Feito ainda maior seria replicá-lo na próxima época. Não haverá a desculpa do ano de aprendizagem e os adversários decerto sentirão menos problemas com o relvado sintético do Bessa.

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por Miran Pavlin às 15:05

Segunda-feira, 23.02.15

Liga NOS, 22.ª jornada – Boavista FC 0-2 FC Porto – Resistir

 

O dérbi tripeiro regressou ao Bessa e a tradição de ser um campo complicado para o FC Porto não se perdeu nos sete anos de interregno. Tantas vezes ameaçador no passado, desta vez o Boavista foi pouco mais que resistente, faltando-lhe dez minutos para merecer a classificação de estóico.

Por momentos, durante os primeiros minutos, até pareceu que os axadrezados iriam levar o jogo até à área portista, mas seria engano, pois o Boavista não trouxe ideias muito diferentes das que apresentara na primeira volta. Claramente apostado no contra-ataque, a destruição do jogo adversário era a principal preocupação da equipa.

Do outro lado, o FC Porto via-se mais ou menos na mesma situação que encontrou em Basileia. Havia bola e vários metros livres no meio-campo adversário, mas em frente à baliza estava uma muralha onde não se detectavam fissuras. Sem entrar em precipitações, o FC Porto procurou furar pelas alas, pelo meio e pelo ar, mas o ritmo com que jogava servia mais os interesses do Boavista do que os seus.

Talvez a ausência de vários dos jogadores mais utilizados justifique o futebol mais lento. Não havia Danilo, Alex Sandro e Casemiro, todos castigados, Óliver estava lesionado, Tello e Brahimi foram suplentes. Menos ritmo não quis dizer menos segurança, pois a equipa anulou sem grandes dificuldades as iniciativas atacantes dos boavisteiros.

José Ángel procurou dar a profundidade habitualmente exibida por Danilo – ainda que jogue do outro lado da defesa – enquanto o meio-campo cumpria com a missão de fazer a bola chegar ao tridente atacante, onde Hernâni, pela primeira vez titular, mostrou bons pormenores. Oportunidades, apenas uma, num remate de Jackson Martínez a fechar a primeira parte. A mancha de Mika foi suficiente para perturbar a finalização do colombiano.

O FC Porto entrou melhor no segundo parcial, mas não se pode dizer que o rosto do jogo tenha mudado. Não tardaria muito para que Julen Lopetegui começasse a jogar algumas fichas. Aos 55 minutos entrou Tello para o lugar de Hernâni e aos 64 Brahimi substituiu Quintero. Aparentemente inquebrantável, o Boavista respondeu pouco depois, reforçando a linha defensiva com o ex-dragão Marek Čech. Não seria suficiente, contudo.

Numa altura em que os adeptos portistas já roíam as unhas, Tello começou a puxar a manta para o lado do FC Porto. Após partir o lateral direito João Dias, o espanhol cruzou para Jackson marcar (80’). Foi preciso roer também o sabugo, porque a bola ainda prensou nas pernas de Carlos Santos, encaminhando-se em câmara lenta para o golo, quando Philipe Sampaio já se lançava no corte.

Agora com os pés destapados, o Boavista concedeu espaços que os dragões não tardariam a aproveitar, novamente com Tello a conduzir a bola pela esquerda, servindo depois Brahimi, que se enquadrou e rematou colocado (87’) para o 0-2.

A claque portista não resistiu a uns olés. Dérbi é dérbi, e a prová-lo estiveram também algumas entradas mais duras, principalmente do lado dos axadrezados.

O mérito acaba por ser entregue às duas equipas. Ao Boavista pela resistência demonstrada; ao FC Porto também por resistir, mas à sofreguidão que um prolongado 0-0 por vezes causa. O único mérito que conta, o dos golos, coube só aos azuis-e-brancos, que assim mantêm distâncias em vésperas da partida crucial da próxima jornada.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 21.09.14

I Liga, 5.ª jornada – FC Porto 0-0 Boavista FC – A não-questão

sapodesporto

Petit avisou: “vamos tentar jogar em blocos baixos e tentar sair em transições rápidas”. E assim foi. O FC Porto terminou com 82% de posse de bola e fez 15 remates contra dois do Boavista – embora apenas quatro tenham ido à baliza –, mas a expulsão de Maicon foi um tiro no pé que apenas veio ajudar à estratégia dos axadrezados.

O resultado final foi um nulo que veio lembrar a todos os que projectavam que o Boavista teria muitas dificuldades perante o FC Porto, que um dérbi é sempre um dérbi. Não importa a capacidade teórica das equipas.

O Boavista foi, contudo, inócuo em termos ofensivos. Andrés Fernández, em estreia na baliza do FC Porto, não foi posto à prova uma única vez. Do outro lado, o FC Porto não desistiu de procurar a brecha na muralha boavisteira, mas ela não apareceu, numa noite de pouca inspiração dos atacantes portistas.

Pode mesmo dizer-se que os dragões apenas construíram meia oportunidade de golo. Ainda a jogar com onze, Tello, num contra-ataque de dois para um, viu o seu passe rasteiro para Brahimi ficar preso numa zona empapada junto à marca de grande penalidade. Ninguém garante que seria golo, mas Brahimi poderia desfrutar de um remate sem oposição.

A oportunidade gorou-se, e minutos depois Maicon ia para o balneário mais cedo. Foi óptimo para o Boavista, que passaria então a dispor de mais um homem que o adversário para tapar os caminhos da sua baliza.

O empate motivou questões sobre a rotatividade posta em prática por Julen Lopetegui. Isso não passa de uma não-questão. Caso o FC Porto tivesse vencido, tanto esta noite como em Guimarães, os analistas diriam que os azuis-e-brancos dispunham de um plantel recheado de opções válidas, que entravam e saíam da equipa sem que se notassem flutuações no rendimento colectivo.

A questão essencial é que a segunda igualdade consecutiva deixa o FC Porto a fazer contas mais cedo do que seria esperado, apagando o bom início de campeonato, e até a goleada da partida anterior, ao mesmo tempo que aumenta exponencialmente a pressão. Numa temporada em que os adeptos portistas esperam uma resposta convincente, e tendo em conta o avultado investimento feito em contratações, haverá tolerância zero para sequências de maus resultados.

Com isto o Boavista decerto deixará de ser tido como praticamente um novato nas andanças da I Liga. O xadrez está mesmo de volta, ainda que do seu passado soalheiro só restem Fary e Petit, agora como treinador.

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por Miran Pavlin às 23:50



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