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CORTE LIMPO


Domingo, 27.08.17

Liga NOS, 4.ª jornada - SC Braga 0-1 FC Porto - Pássaro na mão

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Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. O ditado, como todos, é antigo, e adaptando-o a este jogo dá qualquer coisa como "marcar cedo e não sofrer, dá pontos e faz crescer". Num jogo vivo, disputado a bom ritmo, fica a dúvida se um segundo golo se ajustaria à produção do FC Porto, pelo menos a julgar pelas várias defesas apertadas a que o guarda-redes Matheus foi forçado, nomeadamente durante o primeiro tempo. O primeiro a causar algum perigo, no entanto, foi o improvável Sequeira, cujo mau cruzamento quase se transformava em golo, caindo sobre a rede superior de Casillas (3'). Quando o FC Porto se mostrou, foi a valer. Brahimi rompeu até junto da área contrária, Marcelo Goiano opôs-se com um corte para onde estava virado, e a bola sobrou para Corona, descaído sobre a direita do ataque; o mexicano fez um véu a Sequeira e rematou de pronto, com a bola a passar por entre as pernas de Matheus. Decorria o minuto 7 e fixava-se aí mesmo o resultado final.
O segundo golo portista mostrou então a cara por diversas vezes. Aos 19 minutos Felipe apareceu na área em posição prometedora mas Rosic cortou; sete minutos mais tarde, três remates na pequena área não foram suficientes para voltar a mexer com o marcador, com Brahimi, Aboubakar e Felipe a encontrarem sempre alguém dos guerreiros no caminho. O quarto remate, pelo mesmo Felipe, saiu por cima. Depois da meia hora foi Marega a tentar, primeiro numa recarga a remate de Aboubakar (31') - Matheus voltou a estar lá - e de seguida num cabeceamento (36') que o guardião brasileiro segurou para a fotografia.
O FC Porto jogava com ímpeto, tal como o Braga, mas com uma diferença: enquanto os dragões chegavam à baliza oposta, os donos da casa nem por isso. Em nenhum momento pareceu que os azuis-e-brancos pudessem sofrer, por muito que o resultado se mantivesse na sempre incerta margem mínima. O arranque da segunda parte trouxe um livre de laboratório, cobrado através de um passe rasteiro de Alex Telles para Otávio - entrado ao intervalo -, que já com pouco ângulo ainda conseguiu rematar e ganhar um canto (47'), mas os dragões não voltariam a criar tanto perigo como antes do descanso, excepção feita a um lance ao minuto 79, no qual o mesmo Alex Telles forçou Matheus a mais uma defesa apertada, com um remate que ainda tocou no poste após a intervenção do guarda-redes. Aliás, assim que o cronómetro se aproximou da recta final, o FC Porto adoptaria uma postura mais de contenção, preferindo segurar o pássaro firme na mão. Talvez já desgastados, os bracarenses nem assim passaram a impressão de que pudessem ainda escrever uma história diferente.
O pássaro ficaria mesmo na posse do FC Porto, que assim se mantém no grupo da frente. Um grupo que ficou reduzido a apenas dois elementos - já não é um grupo, portanto -, mercê do empate da noite anterior entre Rio Ave e Benfica. Conforme tem sido hábito nas últimas décadas, a passagem de Agosto para Setembro está reservada às selecções. No fundo, é como se a temporada só começasse a sério depois desta paragem, já com o mercado fechado e com a fase de grupos das provas da UEFA na curva seguinte. O FC Porto chega a essa "partida real" sem ter deixado nada caído pelo caminho.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quarta-feira, 31.05.17

SC BRAGA 2016/17

Olhando para os números finais do campeonato, o Braga repetiu, grosso modo, a prestação da época anterior, mas há uma diferença notória: os quatro pontos a menos em relação a 2015/16 zpenas chegaram para um quinto posto, ainda para mais tendo sido ultrapassado precisamente pelo seu rival de Guimarães, ao longo de uma segunda volta terrível, na qual os arsenalistas venceram apenas quatro partidas. Além disso, há um ano havia a conquista da Taça de Portugal para festejar, ao passo que esta época a defesa do troféu terminou com estrondo nos oitavos-de-final aos pés do Covilhã, que venceu de reviravolta na Pedreira. O resultado teve consequências catastróficas para José Peseiro, que sentiu o chicote estalar nas suas costas. A eliminação da Taça foi a gota de água para o técnico, que aparentemente gastou os seus créditos junto da direcção arsenalista nos jogos da Liga Europa.

 

DESASTRE EUROPEU

O sorteio da prova continental ditou ao Braga um grupo respeitável, mas acessível, com o condimento extra do regresso de Paulo Fonseca ao Minho aos comandos do Shakhtar Donetsk, adversário com quem os bracarenses têm um registo europeu terrível. O Braga voltou a perder os dois jogos frente ao gigante ucraniano, mas o destino da equipa na prova ter-se-á decidido na visita ao Gent, na qual o Braga desperdiçou duas vantagens no marcador, que lhe teriam dado logo aí o apuramento para a fase seguinte. Tendo empatado (2-2), o Braga entrava na última jornada (8 de Dezembro) de calculadora na mão, enquanto recebia precisamente o Shakhtar (2-4). Face ao resultado do outro jogo, os arsenalistas estavam apurados mesmo perdendo, mas da Turquia chegou um golpe de teatro: aos 90’+4’ minutos o Genk marcava e saltava para o segundo lugar do grupo. O Braga ficou sem palavras.

 

DE VOLTA A CASA

Seguiu-se então o desaire com os serranos na Taça (14 de Dezembro) e o Braga entrou em curto-circuito. Olhando ao que se ia passando no campeonato, é até difícil entender o porquê da troca de treinador, já que os minhotos eram quartos classificados a apenas dois pontos do segundo e a seis do topo. E com Abel Ferreira – ex-leão – como treinador interino o Braga foi a Alvalade vencer com um golo solitário de Wilson Eduardo – ex-leão –, saltando para o terceiro lugar por troca precisamente com o Sporting. Jogava-se a 14.ª jornada e Jorge Simão parecia pegar numa equipa motivada para responder aos desaires, mas tal não se verificou. Até final da primeira volta o Braga ainda venceu Moreirense (c) e Tondela (c), e empatou com o Nacional (f), mas somaria então apenas mais quatro vitórias até final, com uma série de seis jogos sem ganhar pelo meio. E como se tratou de uma temporada de dissabores, a Taça da Liga reservou mais um.

 

TAÇA DA LIGA

Vencedor em 2012/13, o Braga não conseguiu tornar-se no primeiro clube que não o Benfica a repetir a vitória na Taça da Liga, ao perder com o Moreirense (0-1). Curiosamente, da mesma forma que tinha ganho há quatro anos: com uma grande penalidade em cima do intervalo. Até chegar à decisão, o Braga precisou de alguma sorte para chegar às meias-finais, tendo terminado o grupo em igualdade pontual com o Rio Ave, que até venceu em Braga (1-2) na primeira jornada. Na última, o Braga venceu de forma dramática em casa do Marítimo, com o único golo a surgir aos 90’+4’ minutos, numa altura em que os da casa tinham um jogador de campo na baliza por lesão de Gottardi quando já tinham esgotado as substituições. Os critérios de desempate deram então a passagem ao Braga, que vergou o Setúbal (0-3) na meia-final.

 

FIGURAS

Rui Fonte foi o melhor marcador da equipa na Liga, com 11 golos. Wilson Eduardo, Pedro Santos e Ricardo Horta fizeram seis golos cada. Stojiljković apontou cinco.

 

TREINADORES

José Peseiro comandou a equipa até à jornada 13, não resistindo então aos fracassos na Europa e na Taça.

Jorge Simão entrou na 15.ª jornada mas não conseguiu dar seguimento ao trabalho que vinha fazendo até aí em Chaves. Com a equipa progressivamente em perda, pouco mais fica da sua passagem pela cidade dos arcebispos além da “parábola da posse de bola” e da demissão, após a 30.ª jornada, por não haver mais hipóteses de garantir os 65 pontos que prometeu quando foi apresentado.

E assim Abel Ferreira terminou a época como treinador de corpo inteiro, reassumindo funções antes do jogo com o Sporting, tal como na primeira volta.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 5.º lugar, 15v-9e-10d, 51gm-36gs, 54 pontos; apurado para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa;

Taça de Portugal: eliminou AD Oliveirense (1-3) e Santa Clara (2-1), caindo nos oitavos-de-final frente ao Covilhã (1-2);

Taça da Liga: finalista vencido; venceu o grupo C (6 pontos), à frente de Rio Ave, Marítimo e Covilhã;

Supertaça Cândido de Oliveira: derrotado pelo Benfica (3-0);

Liga Europa: eliminado na fase de grupos (6 pontos), atrás de Shakhtar Donetsk e Gent, e à frente do Konyaspor.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 15.04.17

Liga NOS, 29.ª jornada – SC Braga 1-1 FC Porto

Compromissos sociais fizeram com que não pudesse assistir ao jogo nas melhores condições. Estando a vários metros do ecrã televisivo mais próximo, só me era possível vislumbrar uns homenzinhos a correr sobre o verde do relvado. A bola só às vezes. Ao longo da primeira parte a câmara principal focou as proximidades da grande área do FC Porto mais vezes que as do Braga, pelo que se depreende que os dragões tenham tido dificuldade em impor-se no jogo desde o início. Ainda por cima, logo ao minuto 6, o Braga adiantava-se, através de um golpe de cabeça de Pedro Santos no coração da área, após cruzamento de Cartabia. Tal como no recente jogo da Luz, como no anterior com o Setúbal, o FC Porto parece atordoar-se sempre que sofre um golo e demora a reagir. O primeiro lance com algum perigo apareceu apenas aos vinte minutos, quando Soares irrompeu pela grande área bracarense mais rematou mal. Em cima do intervalo o Braga dispôs de uma grande penalidade por mão na bola de Óliver Torres, mas na conversão Pedro Santos acertou em cheio no poste direito de Casillas. O FC Porto escapava de boa.

No segundo tempo os dragões equilibraram a contenda, igualando ao minuto 61, altura em que Soares se elevou para cabecear certeiro a cruzamento de Alex Telles, imitando assim Pedro Santos. Óliver já tinha saído para entrar Corona (55’), e apesar de o FC Porto não ter permitido mais avanços ao Braga, a verdade é que também ele próprio não encontrou meio de causar mais perigo. Ainda assim, o hoje titular Matheus foi chamado a intervir mais vezes que Casillas. Indisfarçável foi a tensão das equipas, que resultou numa partida muito faltosa e com reclamações constantes pós-apito. Afinal de contas, não era só o FC Porto que estava no calor da luta pelos pontos; também o Braga precisava deles para a sua luta acesa pelo quarto lugar. A pressão era tal, que Brahimi foi mesmo expulso do banco (88’) por protestos contra uma decisão do árbitro Hugo Miguel. O argelino tinha saído cinco minutos antes para entrar Otávio, ao mesmo tempo que André André saía para entrar Herrera. Danilo Pereira teve as melhores oportunidades do FC Porto (77’ e 84’), com dois cabeceamentos. No primeiro Matheus opôs-se bem, o segundo foi um desastre do internacional português, muito ao lado.

O empate final é deveras penalizador para as duas equipas. O FC Porto passa a estar três pontos atrás do líder Benfica, enquanto o Braga se vê ultrapassado pelo Vitória de Guimarães, ficando dois pontos abaixo deste. No fundo, os dragões continuam a estar à distância de um disparo, mas cada vez é necessário considerar mais variáveis e outros cenários condicionais.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 03.12.16

Liga NOS, 12.ª jornada – FC Porto 1-0 SC Braga – Exorcismo

Sobrepondo o filme deste encontro ao da visita do Benfica, as semelhanças eram óbvias, e não se ficavam pela cor das camisolas. Em ambos os casos o FC Porto foi dominador e enérgico, e teve oportunidades para ascender a números tranquilos. Havia entendimento suficiente no ataque – descontando uma ou outra inicativa sem sentido – e a bola andava sempre nas imediações da área contrária. A diferença em relação ao clássico estava no número de oportunidades criadas, que neste jogo fez rebentar a escala. O golo é que se mantinha fugidio. Sem incluir as compensações, eram já 520 os minutos que o FC Porto levava à espera daquele segundo de felicidade.

Já Óliver tinha desperdiçado um lance claro (27’), após uma má reposição de Marafona, quando os dragões dispuseram de uma grande penalidade (34’), por um puxão de                 Artur Jorge a André Silva, quando este ia isolado para a baliza. Embora as repetições deixem transparecer que o avançado portista se aproveitou de um contacto mínimo, à primeira vista ficou toda a sensação de ter havido mesmo falta. E uma vez assinalado o castigo, não restava senão expulsar o central bracarense. O guarda-redes Marafona, quiçá ainda com a última final da Taça na memória, defendeu bem a conversão do mesmo André Silva. Foi apenas a primeira das suas muitas intervenções de qualidade ao longo da partida, em contraste com o seu homólogo portista Casillas, que em momento algum foi importunado. Até porque se o Braga não tinha tido qualquer lance de relevo até aqui, com menos uma unidade praticamente não saiu do momento defensivo. O FC Porto foi então coleccionando oportunidades. Em cima do intervalo Layún cruzou e Danilo Pereira desviou de cabeça para o poste, com a recarga de Diogo Jota a ser salva no limite por Marafona. No segundo parcial os azuis-e-brancos introduziram mesmo a bola na baliza em duas ocasiões, mas nenhuma contou; primeiro (55’) porque o árbitro Carlos Xistra considerou ter havido falta de Diogo Jota sobre Maurício – decisão muito controversa –, e mais tarde porque foi tirado um fora-de-jogo microscópico a Rui Pedro (88’) – mais sobre ele dentro de momentos. O FC Porto nunca desistiu. André Silva perdeu um par de golos cantados, e até Maxi Pereira passou grande parte do tempo junto ao ataque, tendo também ele hipótese de decidir o jogo (76’), numa finalização na pequena área, mas mais uma vez Marafona disse “presente”. O lateral uruguaio tentou uma bicicleta na recarga; a bola saiu paralela à linha de golo.

Face à ausência de ataque no Braga, Nuno Espírito Santo acabou por colocar o FC Porto em sistema de três defesas (75’), retirando Óliver para entrar Herrera, ao mesmo tempo que trocou Layún por Rui Pedro, o homem que se estreara no recente encontro da Taça da Liga. A outra substituição acontecera perto do intervalo, quando Otávio saiu lesionado para entrar Brahimi. O argelino, hoje menos individualista, também esteve perto do golo (48’), num remate cruzado em arco que passou a centímetros do poste. Por uma vez, o árbitro deu compensação justa para as incidências da segunda parte, decretando sete minutos, sete, de descontos. O redondo 0-0, esse, continuava gigante no marcador. A artilharia portista em campo era mais que pesada: Brahimi, Corona, Diogo Jota, André Silva, Rui Pedro. Acantonado junto à sua área, o Braga estava prestes a concluir a sua tarefa. Brahimi ainda cobrou um livre directo que passou um tudo ou nada por cima (90’+4’) e não parecia restar muito mais tempo.

Havia, contudo, uma última palavra. Uma rara bola que passou por terrenos mais recuados resultou num chuto para a frente, que encontrou Diogo Jota no meio, já para lá da linha divisória; com dois toques no ar, tão deliciosos quanto eficazes, Jota lançou o improvável Rui Pedro, que se desmarcou no momento certo e picou a bola sobre Marafona (90’+5’), assumindo assim a pele de exorcista. Era golo! Enquanto jogadores, suplentes e técnicos festejavam como se fosse aquele minuto 92 de 2012/13, Depoitre, onde quer que estivesse, via a sua vida andar para trás. O longo festejo fez com que se jogasse até ao minuto 98, e o Braga ainda tentou escrever injustiça, mas não conseguiu chegar perto da baliza. Por muito que o técnico José Peseiro tenha procurado defender a dama bracarense ao referir, na sala de imprensa, que houve um jogo antes e depois da expulsão, a verdade é que não há muito a que o Braga se possa agarrar.

Foi preciso roer unhas, dedos, um pouco do carpo e arrancar uns quantos cabelos com a outra mão até que o FC Porto exorcizasse o fantasma dos nulos e pudesse aproveitar o deslize do líder na noite anterior. Os azuis-e-brancos estão agora quatro pontos abaixo do topo.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 25.05.16

SC BRAGA 2015/16

O dia 22 de Maio já era feriado em Braga. Foi nesse dia em 1966 que os arsenalistas conquistaram a sua primeira Taça de Portugal. A segunda demorou, mas chegou mesmo à capital do Minho, curiosamente no exacto dia em que se completavam 50 anos sobre esse primeira conquista. É fácil pegar nesta vitória e extrapolar as ilações que dela se podem tirar, mas este Braga continua a não ser o mesmo da viragem da década. Basta olhar para a sequência de resultados na Liga NOS e constatar que o Braga não conseguiu vencer mais que dois jogos consecutivos. Por muito surpreendente que a estatística possa ser.

É também verdade que o Braga mais uma vez foi quarto classificado, mas o clube é hoje vítima dos standards que foi definindo ao longo da presidência de António Salvador. A partir de 2003/04 os bracarenses registaram um terceiro lugar, sete quartos e dois quintos. Os momentos mais memoráveis desse período foram, no entanto, o vice-campeonato de 2009/10 – perdido por cinco pontos – e a ida à final da Liga Europa em 2010/11, o ponto mais alto da história europeia do Braga. Daí que um quarto lugar a 15 pontos do terceiro não possa ser visto como um ano fantástico. É preciso contabilizar as restantes provas para compor o quadro, e aí é impossível não reparar que o Braga, no início de Abril, era a única equipa portuguesa que se mantinha em prova em todas as frentes, incluindo a europeia.

De facto, na Liga Europa o Braga não deixou os seus créditos por mãos alheias. Passou tranquilamente por um grupo contendo Olympique Marselha, Slovan Liberec e FC Groningen, antes de vergar o FC Sion nos 16-avos-de-final, tornando-se na única equipa portuguesa a seguir em frente entre as três que disputaram essa eliminatória. Os oitavos-de-final reservaram talvez o melhor jogo do Braga em toda a época. Perante o Fenerbahçe SK, um gigante do futebol turco, os bracarenses deram a volta a uma derrota por 1-0 em Istambul com um fantástico resultado de 4-1 na Pedreira, num jogo quente.

Tendo-se fixado no quarto posto da Liga NOS à 11.ª jornada, e progressivamente sem hipóteses de subir mais alto – quatro jornadas mais tarde já estava oito pontos abaixo do pódio –, o Braga centrou em definitivo atenções nos jogos a contar para as restantes provas. O primeiro grande momento dos arsenalistas até já tinha ocorrido, a 22 de Outubro, quando bateu em casa o Marselha, de forma dramática, por 3-2, mas seria a 16 de Dezembro que surgiria a grande declaração de intenções da equipa, com o afastamento do Sporting da Taça de Portugal. Os leões começaram a ganhar, mas três reviravoltas depois era o Braga que saía por cima, por 4-3, com o golo decisivo a ser apontado por Rui Fonte, ao minuto 111.

Janeiro traria a fase de grupos da Taça da Liga, que o Braga ultrapassou sem problemas de maior, ao mesmo tempo que deu sequência ao caminho na Taça, batendo o Arouca (2-0) nos quartos-de-final, a 13 de Janeiro. A longa caminhada europeia foi forçando o adiamento indefinido da meia-final da Taça da Liga, que deveria ter-se jogado em inícios de Fevereiro. O Braga só diria o adeus europeu nos quartos-de-final, em meados de Abril, perdendo com o Shakhtar Donetsk por 1-6 no agregado das duas mãos. A meia-final da Taça da Liga disputar-se-ia semanas mais tarde. Na visita à Luz, os minhotos adiantaram-se aos 19 minutos, por Rafa, mas consentiram a reviravolta e despediram-se da competição.

Já com o quarto posto seguro, apesar de ainda não confirmado pela matemática, restava ao Braga preparar a ida ao Jamor, onde se bateria com o FC Porto. Talvez ainda com o drama da final anterior na memória, o Braga não quis ser expansivo no jogo da decisão, mas acabou mesmo assim premiado, no caso pela intranquilidade dos dragões, que resultou em dois erros defensivos que o Braga aproveitou para transformar em golo. O FC Porto reeditou o que o Sporting fizera um ano antes, levando tudo para o prolongamento praticamente no último fôlego, mas também não conseguiu dar o golpe final no tempo extra. Nas grandes penalidades mais uma vez a intranquilidade dos portistas veio ao de cima, em claro contraste com as cobranças irrepreensíveis de Pedro Santos, Stojiljković, Hassan e Marcelo Goiano. Estava aberto o caminho para uma festa que se prolongou pela madrugada, com a equipa ser vitoriada por um mar de gente à chegada a Braga.

No campeonato, o Braga não foi, então, exuberante, mas soube como fazer para atingir o objectivo mínimo. Competente em casa, onde só Benfica e Sporting ganharam, os arsenalistas conseguiram o seu melhor registo de sempre, com 41 golos marcados, muito à custa das goleadas a Boavista (4-0), Marítimo (5-1), Belenenses (4-0) e Rio Ave (5-1). Fora, o Braga optou por uma abordagem mais cautelosa, como provam os escassos 13 golos marcados, que chegaram para vencer cinco jogos. Longe de impressionar.

Na euforia da festa da Taça, o presidente da Câmara Municipal de Braga pediu o título nacional. Tendo em conta o status quo do campeonato português, para isso é necessário não apenas que o Braga faça uma época, no mínimo, igual a 2009/10, mas também que os três grandes estejam mal ao mesmo tempo – só o Boavista de 2000/01 aproveitou um cenário assim – e que o Braga ele próprio consiga ser mais forte que todas e quaisquer forças estranhas que se possam atravessar no seu caminho. Não sendo este o mesmo Braga desses anos, mas sendo capaz de ir longe noutras provas, haverá estofo para um assalto ao título?

 

Treinador

Diz-se que por vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois em frente. Entre então Paulo Fonseca, que fez justamente isso depois de uma passagem mal sucedida pelo FC Porto em 2013/14. No Paços de Ferreira, em 2014/15, ficou a um ponto de levar o clube à Liga Europa; este ano adicionou um título ao seu palmarés pessoal, ao leme do Braga, clube em que a pressão imposta pelo presidente nem sempre é bem suportada pelos sucessivos treinadores. Quão irónico foi que essa vitória no Jamor tenha surgido frente ao FC Porto. Decerto Fonseca terá ficado com um gosto especial.

 

Figuras

Hassan e Stojiljković terminaram como melhores marcadores da equipa no campeonato, ambos com 10 golos, mas o egípcio marcou onze no total. Esse outro golo foi apontado na segunda jornada, pelo Rio Ave… precisamente contra o Braga, que perdeu mesmo por 1-0. Rafa voltou a cotar-se como um avançado sem medo de ter a bola e furar por entre os contrários; o prémio foi a inclusão nos 23 nomes que estarão no Euro 2016. O veterano Alan voltou a ser um elemento unificador do balneário, enquanto o reforço de inverno Josué foi decisivo tanto na final da Taça, onde marcou, como na Liga Europa. Mais atrás, Ricardo Ferreira, Goiano e Marcelo Baiano foram pilares. Marafona foi o herói do Jamor, ao defender duas grandes penalidades.

 

Contas finais

Campeonato: 4.º lugar, com 16v, 10e, 8d, 54gm, 35gs, 58pts

Taça de Portugal: vencedor

Taça da Liga: eliminado nas meias-finais (Benfica, 2-1)

Europa: eliminado nos quartos-de-final (Shakhtar Donetsk 1-2c, 0-4f)

 

Para mais tarde recordar

25.10.2015, jornada 8 – Braga empata no Dragão a zero. Foi a primeira vez que não sofreu golos em casa do FC Porto desde 2001/02;

14.02.2016 – jornada 22 – vitória por 1-3 em casa do Marítimo; nunca o Braga aí tinha marcado três golos no mesmo jogo;

17.03.2016, Liga Europa – ao vencer por 4-1 na segunda mão dos oitavos-de-final, os arsenalistas eliminaram o Fenerbahçe de Vítor Pereira.

 

Para esquecer

01.04.2016, jornada 28 – derrota na Luz por 5-1; o Braga continua sem vencer em casa do Benfica em jogos da I Liga desde 1954/55;

14.04.2016, Liga Europa: a saída da competição foi dura, após derrota com o Shakhtar Donetsk por 4-0, na segunda mão dos quartos-de-final.

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por Miran Pavlin às 12:00

Domingo, 22.05.16

Final da Taça de Portugal – FC Porto 2-2 SC Braga (a.p., 2-4 g.p.) – O peso do contexto

Passara um lustro desde a última subida do FC Porto ao relvado do Jamor para discutir a Taça de Portugal. Nesse dia 22 de Maio de 2011 os azuis-e-brancos comemoravam o final de uma época memorável com um triunfo retumbante frente ao Vitória de Guimarães. Volvidos exactos cinco anos, o contexto em que o FC Porto chegava ao jogo decisivo não podia ser mais diverso. Era a derradeira hipótese de festejar um título antes que se completassem três anos sobre o último. Mais que isso: era a oportunidade de acrescentar um apêndice positivo a uma temporada, em termos gerais, para esquecer.

O jogo pareceu ser uma cópia em papel vegetal da decisão da temporada anterior. Mais uma vez o Braga esteve a vencer por 0-2 e permitiu o empate em cima da hora, adiando tudo para as grandes penalidades. Aí, todavia, os arsenalistas não vacilaram como na época anterior.

O FC Porto complicou a sua tarefa do mesmo modo que em diversas vezes no decorrer da época, no caso através de erros defensivos. Logo ao minuto 12, numa bola lançada em profundidade, tanto Chidozie como Helton ficaram à espera que o outro cortasse a bola. A decisão ficou por tomar, e Rui Fonte aproveitou da melhor maneira para se intrometer entre os dois portistas, afastar a bola e empurrá-la para a baliza deserta. No minuto 58 o sector recuado dos dragões comprometeria de novo, agora por Marcano, que recebeu um passe de Helton com um terrível domínio, numa altura em que já estava a ser pressionado por Josué. A bola fugiu do central espanhol o suficiente para que o médio arsenalista a apanhasse e desfeiteasse Helton com uma finalização cruzada. Emprestado pelo FC Porto, Josué não festejou.

O Braga, que vinha realizando um jogo deveras cauteloso, conseguia mesmo assim construir uma boa vantagem. Faltava saber se o FC Porto ainda teria palavras a dizer, uma vez que até esse momento ainda não tinha incomodado as redes do Braga. Quando incomodou, foi a valer. Na primeira bola que chegou à zona fatal, André Silva estava no local certo para emendar uma defesa incompleta de Marafona a remate de Brahimi e relançar o jogo (61’). Apesar da pouca acutilância ofensiva, este não foi o pior jogo do FC Porto esta época. Longe disso. Mesmo que por vezes se pressentisse algum nervosismo, os dragões tentavam de tudo para furar um Braga que manteve, então, muitos homens atrás da linha da bola durante todo o jogo.

André Silva foi um tractor, Maxi Pereira deu o que tinha e o que não tinha, Brahimi fez, finalmente, uma exibição mais colectiva, Sérgio Oliveira e mais tarde André André acrescentaram músculo, Layún não se cansou de ir ao ataque, e até Varela não foi um desastre. Mas faltou sempre encontrar a baliza contrária. Seria quando o Braga já tinha nos pés a areia da praia onde morreu no ano passado que o FC Porto juntou um toque dramático aos acontecimentos.

Após uma sucessão de cantos, e em mais uma jogada de insistência, Herrera cruzou no limite e André Silva foi herói por uns momentos, ao igualar a contenda com um pontapé de bicicleta (90’), atrasando o final do jogo pelo menos por meia hora. O prolongamento pertenceu por completo ao FC Porto, mas o perigo criado foi, mesmo assim, pouco. Muito porque o Braga disfarçou a falta de pernas com a continuação de uma notável performance defensiva.

Pelo jogo em si talvez o FC Porto merecesse mais, mas na hora das grandes penalidades pouco ou nada do que se passou até aí interessa. Terá pesado mais o tal contexto negativo em que o FC Porto aqui chegou. Com efeito, Herrera e Maxi Pereira viram as mãos de Marafona negar as suas cobranças; o Braga foi irrepreensível em cada uma das quatro conversões de que necessitou. Marcelo Goiano foi o último a rematar certeiro, espoletando os festejos dos guerreiros. 50 anos depois, o Braga junta ao seu palmarés a segunda Taça de Portugal, apagando, talvez para sempre, a frustração da última final.

O FC Porto fica em branco pela segunda época consecutiva, e vai de férias com mais problemas do que respostas para os mesmos.

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por Miran Pavlin às 23:00

Domingo, 06.03.16

Liga NOS, 25.ª jornada – SC Braga 3-1 FC Porto – Velas acesas

Alguns jogos condensam em si mesmos a fotografia global daquilo que está a ser a época de uma equipa. Tanto neste encontro como ao longo da temporada 2015/16, o FC Porto andou por cima, tremeu, reagiu, mas acabou por se desmoronar, hipotecando com isso a esperança que ainda tinha em recuperar o título que lhe foge há duas épocas.

Apesar de o FC Porto ter entrado no jogo com ganas, a verdade é que o Braga é credor do mérito de ter sabido adaptar-se àquilo a que os dragões o obrigaram. Sem problemas em recuar a equipa para bem junto da sua área quando era preciso, os guerreiros conseguiram ser um obstáculo às movimentações dos portistas, que com José Peseiro continuam a ser mais proactivos. Mas, como diz o ditado, o que nasce torto tarda a endireitar-se, e os meses de futebol cinzento ainda pesam na psique da equipa.

Daí que a primeira oportunidade flagrante tenha sido dos minhotos, ao minuto 34, quando Hassan e Rafa combinaram para três remates que o poste e a defensiva portista conseguiram anular. Antes, já Brahimi também tinha encontrado o ferro, na marcação de um livre directo. A primeira metade terminaria sem golos, não por falta de empenho, mas porque nenhum dos conjuntos conseguiu pegar no jogo tempo suficiente para o inclinar sobre o último terço contrário.

No arranque do segundo tempo o FC Porto ainda deu um leve ar da sua graça, mas rapidamente começou a ficar sem ideias, o que permitiu ao Braga, pouco a pouco, crescer no jogo. Ou, pelo menos, obrigar o FC Porto a recuar mais do que desejaria. E enquanto muitos estariam na dúvida se este seria um caso de “quem marcar ganha” ou de “vai ficar 0-0”, o jogo ensandeceu.

Decorria o minuto 71 quando Marcano fez o equivalente futebolístico a destapar uma mina no clássico jogo do Windows, falhando um corte simples a um cruzamento aparentemente inofensivo de Djavan. O desastre do central portista foi a felicidade de Hassan, que aparecia nesse momento na cara de Casillas e só teve que encostar. Com o credo na boca e as aspirações na I Liga em risco, o FC Porto não tinha outra solução senão atacar, em certos momentos mais com o coração que com a cabeça.

Com a manta destapada, os dragões expuseram-se a contra-ataques, e Rafa poderia ter sentenciado a partida logo ao minuto 81, quando se isolou e colocou a bola em cheio no poste. Os riscos corridos pelo FC Porto pagaram dividendos quatro minutos mais tarde, quando Maxi Pereira, num cabeceamento de ressaca, igualou a contenda. Era a fase mais intensa do jogo, e talvez aquela em que mais fez falta ter Peseiro no banco – o técnico tinha sido expulso aos 34 minutos, por abandonar a área técnica para protestar uma decisão do juiz Carlos Xistra.

O FC Porto continuava a não ter outra opção que não fosse buscar o 1-2, pelo que a equipa se manteve demasiado subida no terreno, abrindo espaço para mais um rápido contra-ataque arsenalista, que terminou no golo de Rafa (89’), que ao segundo poste correspondeu a novo cruzamento de Djavan. Martins Indi acumulou cartões amarelos uns segundos mais tarde, e seria já no desespero total que o FC Porto sofreria o terceiro golo, com o ex-portista Alan a aproveitar uma saída tão despropositada quanto ineficaz de Casillas para empurrar para a baliza deserta.

O FC Porto não sofria três golos num jogo de I Liga desde Janeiro de 2012, ao mesmo tempo que concede golos pelo sexto jogo consecutivo no campeonato. Peseiro tinha que se resignar a assistir a tudo desde a tribuna de imprensa. Os acontecimentos do Sporting-Benfica da véspera deixam os dragões a seis pontos do topo, quando faltam disputar nove jornadas. No futebol nada é garantido, e as recuperações acontecem, mas as indicações que transparecem deste FC Porto não são as melhores. É oficialmente hora de acender as velas.

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por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 25.10.15

Liga NOS, 8.ª jornada – FC Porto 0-0 SC Braga – Complicações

Assim que acabei de lavrar a crónica anterior deixei para minha memória futura a seguinte consideração: “como vai ser no jogo em que o FC Porto tenha bola e crie lances de perigo, mas o golo não apareça? Que soluções/alternativas a equipa terá/tentará?”

Pois bem… esse jogo chegou. O FC Porto teve efectivamente muita posse de bola, mas não é que tenha criado lances de perigo uns atrás dos outros. Em parte porque a acumulação de jogadores do Braga em missão defensiva fazia com que houvesse sempre um corpo a mais entre a bola e a baliza, mas também porque os dragões complicaram em demasia as jogadas junto à área contrária.

Essa tendência dos azuis-e-brancos não é nova. Há sempre mais uma finta, mais um passe, mais um segundo de espera antes que a equipa se desmultiplique na saída para o ataque. Tudo isso permite que o adversário se recoloque e cerre as suas fileiras, e o FC Porto foi cometendo cada um destes pecados. Mas nem tudo foi cinzento. Houve lances em que os dragões assustaram os arsenalistas, mas os remates ora saíam frouxos, ora à figura de Kritsyuk.

Com Alan e Rafa a demonstrar grande à-vontade, o Braga teve algumas saídas ao ataque, principalmente durante o primeiro tempo, mas pode dizer-se que Casillas foi espectador ao longo dos 90 minutos. Depois do intervalo os minhotos foram ficando gradualmente mais confortáveis numa pele sobretudo defensiva, mas a melhor situação de golo foi sua (70’), num contra-ataque pela esquerda que deixou dois homens soltos em zona de remate. O lance acabou por não ser de perigo extremo pela lentidão na definição final da jogada, que permitiu a André André cortar o disparo de Alan.

A isto o FC Porto respondeu com o grande volume de jogo no meio-campo ofensivo e um onze que terminou a partida bastante inclinado para a frente, fruto das presenças de André André, Danilo Pereira, Bueno, Corona, Tello e Aboubakar; Layún foi mais extremo que lateral, coleccionando cruzamentos – e diga-se, todos foram para a área, nenhum bateu no adversário imediatamente à frente. Brahimi foi o azarado da noite, ao sair lesionado cerca da hora de jogo. O argelino ficou tocado na coxa num lance em que optava pela via mais complicada, a de passar por dois defesas em vez de soltar para um colega.

Foi apenas uma entre muitas complicações para o FC Porto neste jogo. O nulo final, além de ter quebrado uma sequência de 20 triunfos consecutivos no Dragão em todas as provas, significa que o FC Porto perde a liderança da Liga, estando agora dois pontos atrás do Sporting, que à hora do início deste jogo acabava de bater o Benfica na Luz por 0-3. Depois de cinco jornadas lado a lado no topo da classificação, dragões e leões separam-se, num momento que pode ou não ser simbólico. O FC Porto volta a encontrar-se em desvantagem pontual ainda cedo no campeonato. E a margem de erro entra na equação.

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por Miran Pavlin às 23:35

Sábado, 06.06.15

SC Braga 2014/15 – 4.º lugar – 17v, 7e, 10d, 55gm-28gs, 58 pts

O Sporting de Braga viveu um período áureo entre 2008 e 2013. Nessas seis épocas o clube não só conseguiu um inédito vice-campeonato (2009/10), como também teve as suas melhores presenças europeias de sempre, que incluem uma ida à final da Liga Europa (2010/11). Anos de sucesso que começaram com uma simbólica Taça Intertoto e culminaram com a conquista da Taça da Liga.

De então para cá o Braga caiu de rendimento. Alan já não vai para novo, e ter Baiano, Ruben Micael, Rafa e Éder não é a mesma coisa que ter Sílvio, Vandinho, Hugo Viana ou Lima. Daí que o Braga, mesmo num ano sem Europa, não tenha conseguido melhor que um quarto lugar bem distante do terceiro classificado. De resto, os arsenalistas só ocuparam lugares do pódio em duas jornadas: na primeira, quando lideraram a classificação, e na 14.ª, quando ascenderam ao terceiro posto. Foi uma prenda de Natal passageira, já que o Braga logo cairia para quinto classificado, posição que manteria até à ronda 20, quando subiu a quarto, por troca com o Guimarães.

O Braga estava a meio de uma série de cinco vitórias, a sua melhor da temporada, que duraria até à jornada 23. Seis pontos acima do quinto classificado, talvez a equipa tenha centrado em demasia as atenções na Taça de Portugal, já que brincou com o fogo no campeonato por diversas vezes, vencendo apenas três dos últimos onze jogos, permitindo ao Guimarães aproximar-se até aos três pontos abaixo.

A primeira presença no Jamor em 17 anos acabou por justificar a ambição depositada na prova rainha, onde os bracarenses viveram os seus momentos mais memoráveis de 2014/15. Na 4.ª eliminatória fizeram tombar o Guimarães em pleno D. Afonso Henriques (1-2), com golos de Rafa e Pardo, repetindo depois a façanha na Luz, pelo mesmo resultado. Pardo também marcou, com o outro golo a ser apontado por Santos. Seguiu-se uma goleada das antigas sobre o Belenenses (7-1), antes de um hat-trick de Zé Luís na primeira mão das meias-finais deixar os arsenalistas com pé e meio na final. Quão irónico que o adversário das meias tenha sido o Rio Ave, precisamente o carrasco do Braga na mesma fase da edição transacta.

A final teve um desfecho amargo, com o triunfo a escapar nos descontos do tempo regulamentar. A jogar com mais um e a vencer por 0-2 desde cedo, o Braga deixou-se apanhar e ficou por baixo do jogo. O desempate por grandes penalidades foi terrível, com André Pinto, Éder e Salvador Agra a falhar os seus pontapés.

A derrota no Jamor teve efeitos desastrosos para Sérgio Conceição. Nem o quarto lugar valeu ao técnico, que deixou o clube dias depois do final da época, por entre relatos de discussão acesa com o presidente António Salvador.

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por Miran Pavlin às 15:00

Sexta-feira, 06.03.15

Liga NOS, 24.ª jornada – SC Braga 0-1 FC Porto – Pouco sofrido

Um golo bastou para que o FC Porto concluísse com aproveitamento total o mesmo ciclo forte que na primeira volta custou pontos que os dragões ainda não conseguiram recuperar. Num jogo que se adivinhava mais problemático que o clássico da jornada transacta, foi novamente Tello o homem em foco, ao anotar o tento solitário (73’), num movimento em tudo semelhante aos golos que fez ao Sporting.

O resultado foi apertado, e o golo surgiu tarde, mas não se pode dizer que o FC Porto tenha sofrido para o conseguir. Causou mesmo estranheza a forma como o Braga abordou o jogo, tendo em conta o digno registo caseiro que ostenta, e a proximidade do terceiro lugar da classificação. Apenas Sporting e Guimarães roubaram pontos na Pedreira, no entanto o Braga foi muito cauteloso, jogando num bloco baixo, e foram portanto poucas as incursões no último terço do terreno.

Com o factor casa a não valer de muito, consequentemente o FC Porto ficou mais à vontade para trabalhar a bola e construir lances de perigo. A primeira oportunidade até foi dos arsenalistas, numa recarga de Zé Luís que desviou em Casemiro e saiu um cabelo ao lado do poste, mas a partir daí foi só o FC Porto a causar problemas à bem organizada defensiva bracarense, que se foi revelando eficaz.

Primeiro foi o guarda-redes Matheus, muito atento, a opor-se bem a um centro-remate de Tello; uns minutos mais tarde seriam André Pinto e Tiago Gomes a serem salvadores, bloqueando um remate de Jackson Martínez e a recarga de Herrera, à mistura com outros remates, novamente de Tello e ainda de Evandro, que erraram o alvo por pouco.

A pressão continuou na segunda parte, altura em que um raio caiu sobre o FC Porto, quando Jackson, ao perseguir uma bola, se agarrou à coxa e se prostrou no relvado. Problema sério em vésperas de uma decisão europeia. Entrou Aboubakar, e o camaronês não tardaria a aproveitar a oportunidade nascida do infortúnio do colega, sendo o autor da solicitação que Tello finalizou em golo. Só aí o Braga saiu da casca e procurou o ataque, sem sucesso.

As repercussões da lesão de Jackson ficam então reservadas para terça-feira, quando o FC Porto receber o Basileia na segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. No plano interno, o FC Porto passa com distinção por quatro testes de respeito, mas não chega. Falta um deslize de quem segue na frente para que a perseguição portista conheça desenvolvimentos.

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por Miran Pavlin às 23:55



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