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CORTE LIMPO


Domingo, 01.10.17

Liga NOS, 8.ª jornada - Sporting CP 0-0 FC Porto - Jogo jogado

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Se o que em futebolês se denomina "jogo jogado" valesse para alguma coisa, a história do futebol seria muito diferente, nomeadamente no que toca às listas de vencedores de competições. Como é mais fácil decidir uma partida pelo número de golos marcados, o jogo jogado torna-se no mecanismo privilegiado de análise quando os golos não aconteceram. Em casos como este, nos quais o jogo jogado não resulta em vitória moral, o primeiro critério de desempate são os lances claros em frente à baliza, e nesse capítulo o FC Porto saiu por cima. Foi, portanto, um clássico como tantos outros, em que cada uma das equipas se sobrepôs à outra em cada parte, terminando com um cortês aperto de mão. Não tendo havido golos, resta puxar a brasa para a sardinha mais conveniente.
O FC Porto foi então quem esteve mais perto de marcar. À cabeça surge o lance de Marega (44'), cujo remate embateu na trave, mas existiram ainda avanços de Brahimi (22') e Aboubakar (40'), ambos anulados por boas intervenções de Rui Patrício. Ainda que ao longo da primeira parte o domínio fosse portista, esses lances constituíram também os únicos momentos em que a defesa do Sporting foi furada. Grande parte do crédito da coesão defensiva leonina recaiu sobre Coates, que se mostrou mais assertivo que Mathieu. Nas laterais, Jonathan Silva e Piccini procuravam alargar a longitude do ataque verde-e-branco, mas esbarravam invariavalmente no miolo do FC Porto, que ia recuperando a bola sem problemas. Repetindo dez nomes em relação ao encontro com o Mónaco - mudou apenas Ricardo na lateral direita, entrando Layún -, o FC Porto manteve a dinâmica, tendo-lhe faltado, porventura, um pouco mais de velocidade no último terço do terreno. Na única vez em que o Sporting se aproximou das redes de Casillas, William Carvalho - bom jogo - cabeceou para defesa fácil do internacional espanhol (43').
Na segunda metade os papéis inverteram-se. O meio-campo do FC Porto deixou de estar tão afinado e os leões começaram a aparecer mais vezes perto da área contrária. Ainda assim, os lances mais perigosos do Sporting nasceram de erros directos dos dragões, como ao minuto 59, quando um lançamento lateral apanhou Danilo Pereira distraído, permitindo a Bruno Fernandes um remate sem oposição, mas muito por cima. Pouco depois começava a dança das substituições. Sérgio Conceição apostou na chamada troca-por-troca, preferindo não mexer num esquema que mesmo não dando espectáculo no ataque, mantinha a defesa bem segura - grande jogo de Felipe e Marcano -, por muito que Danilo Pereira não aparentasse estar nas melhores condições. Já Jorge Jesus refrescou apenas o meio-campo, tirando Bruno Fernandes para meter Bruno César (62'), operando só mais uma substituição - Acuña por Podence (90'). Conceição tirou então Herrera para colocar Otávio (74'), trocando também Aboubakar por Soares (86') e Brahimi por Corona (88').
Apesar do maior domínio sportinguista no segundo parcial, o FC Porto esteve mais uma vez perto de marcar (79'), num lance que se tivesse dado golo, dava também polémica da grossa, à conta de um desentendimento entre o juiz Carlos Xistra e o seu auxiliar acerca de um lançamento lateral após bola dividida. As imagens televisivas mostram que Xistra teve razão ao autorizar a posse de bola do FC Porto, mas nesse segundo de indecisão os dragões seguiram jogo e Marega, isolado, desviou para defesa apertada de Rui Patrício. Os adeptos dos verdes-e-brancos terminariam o jogo com novo susto, na forma de um livre frontal (90'+2'). Layún cobrou mais em jeito que em força e mais uma vez Patrício esteve lá.
O jogo acabaria como começou e as equipas permaneceram como estavam nos primeiros lugares da classificação - obviamente. Só uma coisa mudou: o FC Porto, única equipa com registo ainda imaculado neste campeonato, perdeu os primeiros pontos.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sexta-feira, 22.09.17

Liga NOS, 7.ª jornada - FC Porto 5-2 Portimonense SC - Mensagem

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A argumentação habitual quando a esquina seguinte traz um jogo europeu estava debaixo da língua, mas por uma vez o FC Porto não deixou que a lengalenga da poupança e gestão se soltasse nas análises que eventualmente serão feitas. E motivos para isso não faltaram, muito mais quando os azuis-e-brancos encaminharam o resultado para o seu lado através de três golos em cinco minutos. Marcano foi o primeiro a festejar (20'), com um forte remate no aproveitamento de um corte deficiente dos centrais algarvios, seguindo-se-lhe Aboubakar (22'), que também beneficiou da ineficácia defensiva do Portimonense, e Marega (25'), que finalizou picado após se isolar a passe de Corona. Um triplete de golos em tão pouco tempo é uma raridade nas últimas décadas, e era então pecúlio mais que suficiente para que o resto do jogo se transformasse numa formalidade, mas assim não seria. Desde logo porque o Portimonense não veio a jogo com ideias de ficar em reclusão junto à sua área. Talvez esse fosse o caminho mais fácil para regressar a casa, digamos, com três golos sofridos e nada a acrescentar, mas o Portimonense queria mais. E o japonês Nakajima deu corpo às pretensões algarvias, apontando a solo o primeiro golo da sua equipa (36'), com um bom trabalho sobre Felipe e uma finalização cruzada, com classe. Era um justo prémio para os visitantes, que sem entrar em loucuras iam procurando a área contrária.
No reatamento o FC Porto voltou a não deixar que se pensasse sequer na tal argumentação do costume, marcando logo ao minuto 50 por Brahimi, cujo remate ainda desviou em Ricardo Pessoa antes de entrar. O Portimonense mesmo assim nunca desmoralizou e continuou a sair da toca com frequência, valorizando o jogo por um lado, e obrigando o FC Porto a manter-se desperto por outro. O minuto 68 trouxe o quinto golo portista, o melhor da noite. Brahimi conduziu um ataque rápido pela esquerda, tocou para Aboubakar, o camaronês deu de calcanhar para o meio da área, Herrera simulou e o mesmo Brahimi fechou a jogada depois de tirar um defesa do lance. As poupanças continuariam guardadas, pois o Portimonense não só voltou a marcar (73'), em lance de insistência no qual o larguíssimo cruzamento de Hackman, desde a esquerda, encontrou a cabeça de Rúben Fernandes, que foi melhor e mais alto que os defensores portistas, como ainda ameaçou um terceiro golo (87'), mas Casillas defendeu bem o remate cruzado de Paulinho. Antes (85'), Herrera tinha visto o seu cabeceamento bater no poste, em mais uma prova de que o resultado poderia ter sido mais robusto, para ambos os lados.
Não sendo então possível recorrer à teoria fácil, e tendo em conta a incerteza da situação portista na Liga dos Campeões, fica a ideia de que a equipa quis passar uma clara mensagem a quem quiser ouvir: o campeonato está em primeiro lugar na lista de prioridades do FC Porto para esta época. O objectivo mínimo de passar à fase seguinte na prova continental fica para considerações futuras, quando e se as nuvens se dissiparem. O céu portista na Liga NOS, esse, está limpo, pois os dragões mantêm-se com aproveitamento total.

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por Miran Pavlin às 23:25

Domingo, 17.09.17

Liga NOS, 6.ª jornada - Rio Ave FC 1-2 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 20:30

Sábado, 09.09.17

Liga NOS, 5.ª jornada - FC Porto 3-0 GD Chaves - Velha máxima

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A história guardará nos seus arquivos um resultado final que indica um triunfo tranquilo do FC Porto, mas por uma vez os momentos mais relevantes do encontro não residem nos golos. Antes de os dragões fugirem com o resultado, o Chaves teve duas oportunidades de sonho para adicionar contornos à história, ficando-se apenas pelas intenções. O primeiro a falhar foi William, que em posição privilegiada finalizou para o lado quando já nem o Casillas de há dez anos chegaria à bola (70'), seguindo-se-lhe Tiago Galvão no desperdício (81'), num lance ainda mais gritante que o anterior. O FC Porto pode dar-se por feliz por ter escapado de boa duas vezes, e por ter tido ainda tempo de acrescentar os golos que não deixam espaço para discussão sobre a justiça do triunfo. Até porque o jogo esteve longe de ser dos melhores a que o Dragão assistiu - e assistirá - esta época.
As proverbiais "véspera de jogo europeu" e "regressos das selecções" poderão servir de explicação para a prestação menos dominadora dos azuis-e-brancos, mas não são, de maneira nenhuma, atenuantes. Desde logo porque todos os anos o FC Porto tem que lidar com esses aspectos, e muito mau era que assim não fosse. Com o FC Porto mais interessado em controlar o jogo do que em sufocar o adversário, não foi surpresa que o intervalo chegasse com o resultado inalterado. Nem sequer havia lances de perigo do lado dos dragões. A única oportunidade foi mesmo do Chaves (28'), num remate de Jefferson que colocou Casillas à prova; ainda assim, o lance na verdade não conta, devido a fora-de-jogo posicional de Renan Bressan.
Antes que o jogo entrasse no domínio das velhas máximas, Aboubakar aproveitou uma bola recuperada a meio-campo por Soares, suportou a forte marcação de Paulinho, e já na área rematou para golo (49'), com a bola a prensar ainda no defensor flaviense. Num jogo com tão pouca baliza estar em vantagem era uma dádiva. Sem transformar o controlo em domínio, como no jogo frente ao Moreirense, o FC Porto expôs-se então àqueles deslizes que o Chaves não soube capitalizar. Foi aí que uma velha máxima acabou mesmo por entrar em campo: quem não marca, sofre. Nem mais. O central Maras deu mão na área, e Soares converteria a grande penalidade, mas só na recarga (86'). Dois minutos mais tarde Marega fixou o resultado final ao desviar um cruzamento de Óliver Torres ao segundo poste.
A tranquilidade foi tardia, mas chegou, e veio bem a tempo de manter o FC Porto com aproveitamento total e a baliza ainda por estrear. Desde 1983/84 que tal não se verificava à passagem da 5.ª jornada.

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por Miran Pavlin às 23:40

Domingo, 27.08.17

Liga NOS, 4.ª jornada - SC Braga 0-1 FC Porto - Pássaro na mão

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Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. O ditado, como todos, é antigo, e adaptando-o a este jogo dá qualquer coisa como "marcar cedo e não sofrer, dá pontos e faz crescer". Num jogo vivo, disputado a bom ritmo, fica a dúvida se um segundo golo se ajustaria à produção do FC Porto, pelo menos a julgar pelas várias defesas apertadas a que o guarda-redes Matheus foi forçado, nomeadamente durante o primeiro tempo. O primeiro a causar algum perigo, no entanto, foi o improvável Sequeira, cujo mau cruzamento quase se transformava em golo, caindo sobre a rede superior de Casillas (3'). Quando o FC Porto se mostrou, foi a valer. Brahimi rompeu até junto da área contrária, Marcelo Goiano opôs-se com um corte para onde estava virado, e a bola sobrou para Corona, descaído sobre a direita do ataque; o mexicano fez um véu a Sequeira e rematou de pronto, com a bola a passar por entre as pernas de Matheus. Decorria o minuto 7 e fixava-se aí mesmo o resultado final.
O segundo golo portista mostrou então a cara por diversas vezes. Aos 19 minutos Felipe apareceu na área em posição prometedora mas Rosic cortou; sete minutos mais tarde, três remates na pequena área não foram suficientes para voltar a mexer com o marcador, com Brahimi, Aboubakar e Felipe a encontrarem sempre alguém dos guerreiros no caminho. O quarto remate, pelo mesmo Felipe, saiu por cima. Depois da meia hora foi Marega a tentar, primeiro numa recarga a remate de Aboubakar (31') - Matheus voltou a estar lá - e de seguida num cabeceamento (36') que o guardião brasileiro segurou para a fotografia.
O FC Porto jogava com ímpeto, tal como o Braga, mas com uma diferença: enquanto os dragões chegavam à baliza oposta, os donos da casa nem por isso. Em nenhum momento pareceu que os azuis-e-brancos pudessem sofrer, por muito que o resultado se mantivesse na sempre incerta margem mínima. O arranque da segunda parte trouxe um livre de laboratório, cobrado através de um passe rasteiro de Alex Telles para Otávio - entrado ao intervalo -, que já com pouco ângulo ainda conseguiu rematar e ganhar um canto (47'), mas os dragões não voltariam a criar tanto perigo como antes do descanso, excepção feita a um lance ao minuto 79, no qual o mesmo Alex Telles forçou Matheus a mais uma defesa apertada, com um remate que ainda tocou no poste após a intervenção do guarda-redes. Aliás, assim que o cronómetro se aproximou da recta final, o FC Porto adoptaria uma postura mais de contenção, preferindo segurar o pássaro firme na mão. Talvez já desgastados, os bracarenses nem assim passaram a impressão de que pudessem ainda escrever uma história diferente.
O pássaro ficaria mesmo na posse do FC Porto, que assim se mantém no grupo da frente. Um grupo que ficou reduzido a apenas dois elementos - já não é um grupo, portanto -, mercê do empate da noite anterior entre Rio Ave e Benfica. Conforme tem sido hábito nas últimas décadas, a passagem de Agosto para Setembro está reservada às selecções. No fundo, é como se a temporada só começasse a sério depois desta paragem, já com o mercado fechado e com a fase de grupos das provas da UEFA na curva seguinte. O FC Porto chega a essa "partida real" sem ter deixado nada caído pelo caminho.

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por Miran Pavlin às 23:50

Domingo, 20.08.17

Liga NOS, 3.ª jornada - FC Porto 3-0 Moreirense FC - Do controlo ao domínio

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De volta ao Dragão, o FC Porto voltou a ser dominador, diante de um Moreirense que ficou preso na teia da velha máxima de uma equipa só conseguir jogar o que a outra deixa. A posse de bola quase constante dos da casa pouco espaço deixava para que os minhotos pudessem montar a eventual estratégia que traziam para o jogo. À posse portista juntava-se a pressão, nesses vinte minutos iniciais muito inclinados sobre o último reduto do Moreirense. Através de rápidas trocas de bola - algumas ao primeiro toque - e movimentações inteligentes, o FC Porto efectivamente cortava a respiração do adversário e ameaçava o golo a qualquer instante.
Seria preciso esperar então 18 minutos. Numa jogada simples, Brahimi trabalhou no meio e lançou o lateral Alex Telles, que cruzou certeiro para a cabeça de Aboubakar, que irrompeu solto pelo centro da área. Ainda os adeptos portistas se acomodavam depois do festejo do golo quando o ponta-de-lança bisou (21'), num lance em que os atacantes do FC Porto fizeram fila em frente à baliza como se alguém estivesse a vender alguma coisa. Marega foi o primeiro a rematar, para defesa incompleta de Jhonatan. Óliver Torres tentou uma recarga que o guarda-redes ainda susteve, até que Aboubakar finalmente acertou. E ainda estava lá Brahimi caso fosse necessário novo disparo.
A tranquilidade do 2-0 fez o FC Porto abrandar o ritmo, mas nem assim o Moreirense pôs a cabeça fora da toca. Entre um ou outro lance de maior perigo, quando se deu por ela já ia alta a segunda parte, e não havia indícios de que o jogo conhecesse novos capítulos. O FC Porto não só controlava, como dominava os acontecimentos e Sérgio Conceição aproveitou para dar minutos a Otávio (entrado ao intervalo) e a Hernâni (67'), substituindo respectivamente Brahimi e Corona. O minuto 77 trouxe o terceiro golo, a castigar uma hesitação dos centrais do Moreirense numa bola aparentemente inofensiva. Quem não hesitou foi, novamente, Aboubakar, que avançou decidido e rematou forte para carimbar o seu primeiro hat-trick pelos dragões.
Reduzido a um remate de Arsénio para boa defesa de Casillas (87'), o Moreirense pouco mais fez que sublinhar a justiça do triunfo portista, que assim segue no pelotão da frente da I Liga, formado pelos clientes habituais e pelo Rio Ave, e com a baliza ainda virgem. Um bom arranque, ao qual falta a peça-chave: a ida a Braga, naquele que se prevê ser o teste mais complicado da "primeira etapa" desta edição da Liga.

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por Miran Pavlin às 22:00

Domingo, 13.08.17

Liga NOS, 2.ª jornada - CD Tondela 0-1 FC Porto - À justa

 

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Principalmente enquanto visitante, ao longo dos tempos o FC Porto tem-se cruzado com uma ou outra besta negra que lhe custa pontos atrás de pontos, como o Estoril de meados do século passado, ou, a partir da década de 1990, o Marítimo. Esse testemunho, aparentemente, está agora nas mãos do Tondela, que voltou a impedir os azuis-e-brancos de viver uma jornada tranquila. Este foi o quinto encontro entre os dois emblemas, e só por uma vez o FC Porto terminou com mais que um golo marcado - e em duas ocasiões nem isso conseguiu. Não se pense, porém, que se assistiu a um jogo de Champions, como diria Jorge Jesus. Longe disso. Oportunidades contaram-se três: o golo de Aboubakar (37'), quase fortuito, com o camaronês a aproveitar, à segunda, um remate falhado de Alex Telles que acabou por o deixar sozinho na zona proibida; um remate do mesmo Aboubakar ao poste (63'); e um lance do Tondela (70') que Casillas abordou de forma terrível e quase sofria um golo extraído do seu terrível 2015/16, não fosse o corte in extremis de Alex Telles.
Só aquando do remate de Aboubakar ao poste se tornou possível ponderar se o FC Porto fizera o suficiente para estar em vantagem, o que diz bem das já históricas dificuldades que os dragões encontram quando do outro lado está a formação beirã. Mais ainda quando a defesa tondelense é agora liderada por Ricardo Costa, homem com um passado de glória como jogador do FC Porto. Por outro lado, talvez esta vitória à justa tenha vindo na altura certa para fazer os jogadores e os adeptos portistas manter os pés na terra. A época não vai ser o jackpot de golos que saiu nos jogos de preparação e na partida inaugural. O lado mental e a capacidade de sofrimento terão que estar ao máximo para que o FC Porto atinja o objectivo máximo da época.

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por Miran Pavlin às 23:10

Quarta-feira, 09.08.17

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 4-0 GD Estoril Praia - Tracção à frente

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A pré-temporada perspectivou-o, a estreia oficial confirmou: o FC Porto está virado para a frente e traz golos na manga. Dito isto, é favor fazer a bandeira descer da haste e ter bem presente que uma andorinha não faz a primavera, e que se tratou apenas do primeiro jogo a doer. A verdade, ainda assim, é que os dragões começam o novo campeonato na mesma forma que exibiram no seu melhor período da época passada. Com uma nuance: os laterais, principalmente o regressado Ricardo, na direita, porporcionaram jogo à largura do terreno de uma forma bastante mais efectiva que na pretérita temporada. Face a esse pendor ofensivo, acaba por ser paradoxal que o FC Porto tenha chegado ao conforto do 2-0 graças a um erro da defensiva estorilista e a um ressalto feliz. O também regressado Marega foi o responsável por castigar a asneira contrária (35'), pressionando Mano na altura certa, quando o lateral canarinho, julgando-se sozinho, devolveu nas calmas um passe ao guarda-redes Moreira; o maliano do FC Porto intrometeu-se então e só teve de empurrar para assinar o primeiro golo azul-e-branco da época. Pouco depois do intervalo (54'), Brahimi furou pelo centro, beneficiou do tal ressalto quando procurava fintar um contrário, e acabou por ficar solto frente ao golo, colocando rasteiro para o golo junto ao poste esquerdo de Moreira.
O Estoril pouco tinha aparecido no ataque até aí, pelo que se tornava evidente que o FC Porto tinha o caminho aberto para a vitória. O resultado acabou por se avolumar mercê da atitude portista, que se manteve inalterável até final. Marega, imagine-se, bisou à boca da baliza a cruzamento de Óliver Torres (62'), e Marcano (70') fechou o resultado, de cabeça, após recurso ao vídeo-árbitro, que corrigiu um fora-de-jogo mal assinalado ao central espanhol. Por esta vez, a nova funcionalidade surtiu o efeito esperado ao emendar essa decisão incorrecta. Só depois do 4-0, e especialmente com Aylton Boa Morte em campo, é que o Estoril deu trabalho a Casillas, que se mostrou atento.
Num final de tarde globalmente positivo para os azuis-e-brancos, Soares ficou com a fava, ao resistir pouco mais de vinte minutos em campo, sendo rendido precisamente por Marega. O treinador Sérgio Conceição, na antevisão à partida, guardara para a hora do jogo a decisão sobre a utilização do ponta-de-lança brasileiro, que acabou por confirmar não estar em condições. Falando de pontas-de-lança, Aboubakar - não apenas o regressado, antes o convencido a regressar - apareceu um pouco por todo o lado na frente de ataque, mas não veria premiadas as suas inúmeras tentativas de facturar. Valeu-lhe o empenho com que jogou, que por ora mostra que está de corpo e alma com o clube.
E porque uma primeira jornada com vitória tranquila do FC Porto, por norma, não deixa muito mais que contar, não resisto a socorrer-me mais uma vez de uma estatística para acrescentar linhas ao texto: o FC Porto não conseguia um triunfo tão folgado na ronda de abertura desde 1998/99, então diante do Rio Ave. Era o início do ano do penta. Essa palavra tão querida do FC Porto, mas que este ano os simpatizantes do Dragão desejam ver proibida. Dê por onde der.

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por Miran Pavlin às 23:30

Domingo, 21.05.17

Liga NOS, 34.ª jornada – Moreirense FC 3-1 FC Porto – Cabeça

Calma, estimados leitores portistas, o título deste texto é apenas uma ironia. Porque cabeça foi coisa que o FC Porto não teve no derradeiro jogo de 2016/17. Por cabeça entenda-se motivação para defrontar um Moreirense que jogava toda a temporada nesta partida. Já no último parágrafo da crónica anterior o Corte Limpo deixou uma previsão daquilo que o FC Porto poderia encontrar na última jornada. Por muito que não fosse preciso lançar avisos, pois a história recente era esclarecedora: o FC Porto não vencera nas últimas duas deslocações a Moreira de Cónegos. E à terceira não foi de vez.

Se havia coisa que o Moreirense não podia ter era medo. Não só porque jogando com medo dificilmente conseguiria os seus objectivos, mas também porque nesta temporada já tinha batido FC Porto e Benfica, ainda que a contar para outra prova. Nesse jogo da Taça da Liga, em Janeiro, os cónegos encontraram um FC Porto numa fase mais instável, desta vez os dragões vinham já sem objectivos. E se não os havia, ao minuto 19 passou a existir um, mercê do golo de Emmanuel Boateng (16’), num golpe de cabeça em antecipação no coração da área. Já tínhamos visto o FC Porto sofrer este golo no Marítimo. A reacção portista fez-se principalmente de arrancadas individuais de Brahimi, que hoje primou pela inconsequência. Mas tal também era reflexo da falta de ideias e de entreajuda na equipa. É difícil encontrar uma explicação para isso, tendo em conta que a única rotação efectuada por Nuno Espírito Santo foi na baliza, onde José Sá se estreou nesta Liga NOS. Enquanto o FC Porto tentava perceber o que se estava a passar, o Moreirense aproveitou para dilatar a vantagem (37’), com Frédéric Maciel a finalizar um contra-ataque, via que os minhotos já tinham explorado antes.

Ao intervalo Nuno trocou Otávio por André Silva e Herrera por Corona, e o FC Porto esboçou uma reacção, ainda que com pouco ou nenhum critério. A bola circulava entre flancos mas não havia incursões à área. Mesmo assim, os azuis-e-brancos conseguiriam chegar ao golo (66’), e que golo! André André cruzou na direita e Maxi Pereira, de costas para a baliza, fez um chapéu a Makaridze com um magnífico gesto técnico. A corrida portista atrás do prejuízo não duraria muito mais tempo, porém, e o FC Porto voltou a reduzir-se à palidez do primeiro tempo. O Moreirense reagrupou-se, voltou ele próprio à estabilidade exibida na primeira parte, obrigou José Sá a uma óptima defesa num livre de Nildo (71’), e mataria o jogo já na recta final (83’), por intermédio de Alex, que frente a José Sá ameaçou rematar forte mas colocou em jeito, rasteiro, ao poste mais distante.

A derrota, que já era previsível há largos minutos, tornou-se então óbvia. Mais que isso: despedindo-se da época tendo feito parte da festa da permanência do Moreirense, o FC Porto permite ao mesmo tempo que o triunfo dos cónegos na Taça da Liga mantenha validade total. Sim, porque das equipas em campo neste jogo, aquela que termina a temporada com um título no bolso é mesmo o Moreirense. Diz bastante das profundezas a que o FC Porto chegou na hora de fazer o balanço de quatro anos aquém dos serviços mínimos.

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por Miran Pavlin às 21:45

Domingo, 14.05.17

Liga NOS, 33.ª jornada – FC Porto 4-1 FC Paços de Ferreira – Brio

Nas épocas mais recentes o FC Porto tem chegado ao seu último jogo em casa com a face do abismo colada ao nariz. Mais uma vez falhados os objectivos mínimos a que por inerência se propõe, o FC Porto mais uma vez se despedia dos adeptos apenas com a honra em jogo. Alguns poderão recordar que na época passada os dragões ainda tinham a final da Taça pela frente, mas tal foi uma excepção por ser a única ida ao Jamor em seis temporadas. O FC Porto, portanto, tem vindo a cumprir uma indesejável regra de resultados insuficientes. Enquanto os adeptos se debatiam com esta ideia e a equipa demorava a encontrar o ritmo certo para o jogo, o Paços de Ferreira adiantava-se num lance fortuito (31’). André Leal rematou um tanto ou quanto frouxo e a bola desviou o suficiente em Ricardo Valente para trair Casillas.

Sem derrotas como visitado, o FC Porto não tardou a reagir. Talvez o golo sofrido tenha mesmo sido um mal que veio por bem, já que de outra forma não se saberia de quanto tempo o FC Porto ia precisar para ligar o motor. A reviravolta portista demorou apenas oito minutos a consumar-se. Herrera elevou-se para cabecear forte a cruzamento de Corona após boa jogada (35’), antes de Brahimi (39’) converter um castigo máximo, com a bola a passar de forma ingrata sob o corpo do guardião pacense Mário Felgueiras. Ao intervalo saiu Corona para entrar Diogo Jota, que de imediato fez estragos (47’), com uma finalização convicta após se desmarcar a passe de costas, pelo ar, de Herrera. O FC Porto tomava o controlo do marcador e não o largaria até final. O quarto golo apareceu aos 88 minutos, em nova grande penalidade, desta vez batida por André Silva. Valeu o brio profissional dos jogadores azuis-e-brancos, já que foi notória a pouca alegria no futebol praticado.

Nem podia ser de outra maneira. Campeão no sofá noutras épocas, foi nesse mesmo sofá, na véspera desta recepção aos castores, que o FC Porto viu as hipóteses de ainda atingir o título se esgotarem. O FC Porto chegará então ao final da temporada com o abismo de que escrevia no início bem à sua frente, face a um insucesso continuado que era impensável até há poucos anos. A última jornada reserva uma visita a um Moreirense que ainda não assegurou a manutenção, e que por isso se espera que não seja nem esteja tão tranquilo em campo como este Paços de Ferreira, que diga-se, não veio ao Dragão fazer figura de corpo presente, pelo menos enquanto o resultado se manteve inseguro. O FC Porto acabou por não durar até ao fim do campeonato, mas será bom não esquecer que dentro de campo se joga sempre até ao fim.

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por Miran Pavlin às 22:30



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