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CORTE LIMPO


Domingo, 10.12.17

Liga NOS, 14.ª jornada - Vitória FC 0-5 FC Porto - Porto seguro

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O interregno durou apenas uma temporada, e as margens do Sado voltaram a ser porto seguro para o FC Porto, que serviu ao Vitória a mesma dose de golos que ao Mónaco, desta vez sem sofrer. Sérgio Conceição mexeu nos titulares em relação ao último jogo, introduzindo Maxi Pereira na lateral direita e fazendo subir Ricardo, enquanto Reyes ocupou o posto de Felipe no centro da defesa. As possíveis entrelinhas desta última mudança não foram esclarecidas pelo técnico, mas fica toda a ideia de ter sido uma lição precoce para o central brasileiro, para juntar àquela que terá quando vir da bancada o jogo da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A subida posicional de Ricardo remeteu também André André para o banco, mas ressalvadas as devidas distâncias, não se notou diferença no rendimento ofensivo, nem na acutilância dos dragões. Ainda assim, o jogo não teve grandes aberturas até ao primeiro golo, salientando-se apenas uma desmarcação prometedora de Brahimi (23'), negada pela saída do guardião sadino Cristiano. Pouco depois (31'), Aboubakar abria o marcador ao desviar na pequena área um canto de Alex Telles. Os setubalenses queixaram-se de que o avançado empurrou Edinho antes de cabecear para o golo, mas o árbitro Tiago Martins não foi do mesmo entendimento. O treinador sadino José Couceiro protestou junto ao auxiliar e o que quer que tenha dito foi suficiente para ser expulso. Sem o timoneiro o Setúbal entrou em deriva e concederia outros dois golos até ao descanso, primeiro num lance às três tabelas (40'), depois num castigo máximo (45'+4'). No segundo golo Aboubakar rematou forte, Cristiano defendeu como pôde, Maxi Pereira enviou a recarga ao poste e o ressalto autenticamente foi ter Marega, que marcou quase sem querer. Já na grande penalidade, à primeira vista Aboubakar ter-se-á aproveitado da mão de Vasco Fernandes nas suas costas para cair enquanto rodava sobre si, mas o juiz da partida confirmou a decisão inicial após rever as imagens. Aboubakar converteu com segurança. No segundo tempo o encontro esteve algum tempo na sombra de uma mortal conjugação de factores: chuva e vento com maior intensidade, resultado aparentemente encaminhado e Brahimi a descansar mais cedo por troca com Corona. Até Aboubakar completar o hat-trick (68') com uma finalização simples após cruzamento atrasado de Marega, que se impôs junto à linha de fundo. O maliano faria ele próprio mais um golo (82'), isolado, no aproveitamento de um corte falhado de Pedro Pinto a um passe pelo ar de Aboubakar. Marega não tremeu na cara do golo, picando sobre o guarda-redes.
Na conferência de imprensa pós-jogo José Couceiro apontou a controvérsia do primeiro golo como causa de uma derrota que, apesar de tudo, considerou justa. É certo que tanto esse lance como o da grande penalidade serão passíveis de mais que uma interpretação, mas, tal como em incontáveis casos passados - e futuros -, isso é fruto da subjectividade inerente às leis do jogo. Por mais recomendações e uniformizações de critério que se façam, a solução para os "casos" está longe sequer de estar no horizonte.

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por Miran Pavlin às 23:35

Sexta-feira, 01.12.17

Liga NOS, 13.ª jornada - FC Porto 0-0 SL Benfica - Jogo decisor

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Embora com contornos diferentes, tal como na época passada o FC Porto voltou a fazer o suficiente para somar três pontos na recepção ao Benfica, mas tem que se contentar com um empate que não só o mantém sem margem de segurança, como também o deixa agora em igualdade pontual com o Sporting. Se ao intervalo o empate era mais que adequado, ao cabo dos segundos 45 minutos ajustava-se que o algarismo 1 estivesse sob o emblema do FC Porto. Mas assim não foi. E como a primeira parte não teve grandes motivos de interesse quanto ao futebol jogado, tornava-se impossível não notar uma certa dualidade de critérios do juiz Jorge Sousa, com prejuízo do FC Porto. No lance mais difícil, porém, aguardamos pelos corajosos que consigam afirmar que um corte pouco ortodoxo de Luisão (45'), sozinho na área, foi efectivamente com o braço. A oportunidade mais clara do primeiro tempo terá mesmo sido do Benfica (3'), num cabeceamento de Jonas após confusão na área, ao qual José Sá correspondeu com uma atenta palmada. O lance marcou a melhor entrada do Benfica no jogo. Sem bola, o FC Porto naturalmente que não conseguia assentar jogo, e sempre que procurava sair os obstáculos eram muitos e não havia linhas de passe. Os dragões apenas conseguiriam equilibrar a posse de bola para lá dos 30 minutos. Seria o intervalo a refrescar as ideias do FC Porto, que aumentou um nível na intensidade e com isso somou diversas oportunidades claras. O guardião encarnado Bruno Varela foi vital num par de ocasiões; noutras foram os portistas a desperdiçar. Felipe apareceu bem colocado numa sobra na área mas rematou um nada ao lado (68'), Marega atrapalhou-se e não rematou quando só tinha o golo pela frente (86'), Ricardo rematou frouxo em boa posição (90'+2') e Marega cabeceou por cima em posição ainda melhor (90'+5'). O Benfica esteve ele próprio muito perto de marcar num lance fortuito (85'), no caso um alívio de Felipe contra Danilo Pereira que deixou Krovinovic na cara do golo, mas José Sá saiu bem e anulou o perigo. De realçar ainda a participação-relâmpago do benfiquista Zivkovic: entrou aos 76 minutos, e aos 82 acumulou amarelos.
A verdade é que o FC Porto de facto marcou, aos 56 minutos, quando um desvio de Sérgio Oliveira a cruzamento de Brahimi deixou Aboubakar sozinho em frente a Bruno Varela, que defendeu o remate do camaronês, mas não a recarga de Herrera. Havia um homem do Benfica junto à linha, do outro lado do relvado, a colocar toda a gente em jogo, mas o auxiliar assinalou fora-de-jogo. Sendo este um dos jogos de cartaz do futebol português, com ampla transmissão internacional, e jogando-se já a 13.ª jornada da I Liga, não pode haver uma justificação plausível para ainda não serem claros quais os critérios de intervenção do video-árbitro. Não é uma questão de uniformidade dos mesmos. A questão é que se trata de um lance flagrante, grosseiro, em que todos sem excepção concordam que o golo é limpo. É precisamente o tipo de lance que justifica a existência dessa ferramenta auxiliar de decisão, mas não houve qualquer revisão das imagens. Terminado o jogo, o campeonato continua, pois, mas é impossível não questionar e comparar tudo e mais alguma coisa face a esse minuto 56. Como Sérgio Conceição disse na antevisão, não era um jogo decisivo. Terá sido antes um jogo decisor.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 25.11.17

Liga NOS, 12.ª jornada - CD Aves 1-1 FC Porto - Jogo de Champions

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É impossível não colocar a piada fácil no título. Perante um FC Porto para quem aparentemente o jogo não devia ter sido hoje, o Aves acabou por ver a sua coragem recompensada e voou com um ponto no bico. E como na antevisão o técnico dos avenses Lito Vidigal referiu que o FC Porto é uma equipa que luta pela Liga dos Campeões, pode até dizer-se que foi mesmo um jogo de Champions, pois tal como nos seus recentes jogos para essa prova, os dragões marcaram naquela que terá sido a sua única oportunidade clara. Logo ao minuto 5, Ricardo marcou numa movimentação rápida com a surpresa Soares junto à área. Não se esperava que o ponta-de-lança fosse a jogo, tal como Marega, que substituiu Aboubakar aos 68 minutos, mas não terá sido por aí que o FC Porto sentiu problemas. Ou talvez só em parte, porque de facto pela forma como o Aves jogou era necessário que os titulares estivessem com ritmo. O próprio golo do FC Porto surge encravado entre duas oportunidades dos da casa, num remate de Salvador Agra a rasar o poste (4') e numa bola de Arango à trave (10'). A partir daí o Aves não voltou a incomodar seriamente a baliza portista, mas manteve-se insubmisso perante uma certa lentidão de processos do adversário. A expulsão de Corona por acumulação (51') obrigou Sérgio Conceição a corrigir com a entrada de Maxi Pereira para o lugar de Soares (56'), mas não foi suficiente para impedir o golo do Aves, num cabeceamento de Vítor Gomes em posição frontal (62'). De seguida, Aboubakar falhou um lance flagrante (68'), na única resposta azul-e-branca ao golo sofrido. Perdido na eternamente ténue linha entre o coração e a cabeça, o FC Porto não encontrou inspiração para contornar a determinação do Aves. É caso para pensar que ter pela frente um adversário que veste de vermelho e tem uma ave no topo do emblema na véspera de defrontar o Benfica causou frio na barriga ao FC Porto. Ou talvez seja mais um sinal da exigência de abordar uma temporada com um plantel curto. Sérgio Conceição tem dado voltas e voltas para construir cada onze titular, e é assinalável que esta seja apenas a segunda cedência de pontos na Liga. Uma eventual cedência na próxima jornada terá certamente outras consequências.

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por Miran Pavlin às 23:50

Sábado, 04.11.17

Liga NOS, 11.ª jornada - FC Porto 2-0 CF Os Belenenses - Espuma dos dias

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A percepção que há meses boiava na espuma dos dias finalmente deu à costa, trazida por uma leve corrente de lesões. Trata-se da exiguidade do plantel do FC Porto, que pela primeira vez foi posta à prova. Sem Danilo Pereira nem Marega, ainda sem Soares, e com Corona tocado, foi necessária alguma ginástica para montar o onze, no qual Reyes jogou a trinco e Herrera aproveitou para somar créditos. Pela exibição realizada, as alternativas não ficaram a dever nada àqueles que têm jogado mais vezes, sujeitando o Belenenses a momentos de grande sufoco junto à baliza. Não é que os do Restelo tivessem vindo com ideias de jogar com o autocarro, mas as oportunidades de subir no terreno escassearam. Excepção feita a um ou outro remate mais ou menos colocado à baliza do FC Porto, a primeira parte foi uma batalha entre o ataque portista e o guarda-redes Muriel, que só cedeu ao minuto 42, e por muito pouco não defendia também essa recarga de Herrera após ressalto no centro da área. O Belenenses teve a sua melhor oportunidade em cima do intervalo (45'+2'), mas o desvio de Yebda na zona fatal apanhou José Sá no caminho.
A intensidade da pressão do FC Porto decresceu um pouco na segunda parte, permitindo ao Belenenses respirar com bola em terrenos mais avançados, mas a defesa dos da casa, sem baixas, não passou por grandes dificuldades. À hora de jogo, Corona acabou por ir a jogo, no lugar de Hernâni, que passou despercebido. Mais tarde, Sérgio Oliveira (75') e Galeno (76') foram a jogo, rendendo André André e Brahimi. Faltava apenas o proverbial golo da tranquilidade, que se fez esperar até ao último minuto do tempo regulamentar, altura em que um ataque rápido isolou Aboubakar, que ajeitou e picou com classe sobre Muriel. As curtas linhas deste texto denotam que o jogo não teve muita história. Valeu a boa resposta da equipa face às alterações efectuadas. A boiar na espuma dos dias do FC Porto continua Óliver Torres, que mais uma vez foi suplente não utilizado.

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por Miran Pavlin às 23:15

Sábado, 28.10.17

Liga NOS, 10.ª jornada - Boavista FC 0-3 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sábado, 21.10.17

Liga NOS, 9.ª jornada - FC Porto 6-1 FC Paços de Ferreira - Ponta da língua

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Salvaguardadas as devidas distâncias, o Paços de Ferreira viveu no Dragão aquilo que o FC Porto vivera na Alemanha a meio da semana. Perante um adversário mais rápido sobre a bola ao longo de todo o jogo, os pacenses ainda lograram igualar, antes de perderem contacto com um eventual resultado positivo; contudo, ao contrário dos dragões nesse jogo, o Paços não conseguiu encontrar um segundo golo que retirasse tranquilidade ao adversário, acabando por ser praticamente impotente enquanto o marcador se avolumava. A marcha começou bem cedo (4'), quando Ricardo aproveitou um corte ineficaz ainda fora da área para, qual tanque, romper até à finalização certeira. Os castores chegavam ao empate pouco depois (8'), por Welthon, que roubou a bola a Herrera e face à frouxa marcação contrária desferiu um forte e colocado remate de fora da área. Correndo o risco de ser demasiado parcial na análise, foi a última vez que se viu o Paços de Ferreira em campo, pois o FC Porto não deixou cair a batuta, continuando a conduzir o jogo como até aí. O segundo golo azul-e-branco surgiu ao minuto 18, na insistência, pelo central Felipe após grande passe de Ricardo pelo ar. Daí à goleada foi um estalar de dedos. Uma jogada envolvente do ataque portista deu o 3-1 a Marega (25'), que aos 33 minutos aproveitou para bisar após corte defeituoso de um defensor pacense. José Sá foi chamado a intervir num livre desviado por Miguel Vieira (36'), mas logo a seguir o FC Porto construiu mais duas oportunidades, por Brahimi e Marcano (38' e 39'), desta vez limpas em conformidade pela defesa do Paços.
A segunda metade poderia ir por vários caminhos: o do sono, caso o FC Porto optasse por gerir a vantagem; o da chamada "valorização do espectáculo", caso o Paços de Ferreira esquecesse o resultado e procurasse encurtá-lo; ou o do descalabro, se os dragões não baixassem o ritmo. O Paços ainda assustou, nomeadamente quando António Xavier se isolou à frente de três portistas e Marega limpou com um desarme exemplar (49'), e quando o mesmo Xavier rematou pouco ao lado (59'), mas pelo meio o FC Porto teve mais duas oportunidades claras, pelo que a partida tomou em definitivo o caminho do descalabro pacense. Ao minuto 62 Felipe bisou, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo posicional de Aboubakar. Três minutos mais tarde valeu mesmo, com Corona a colocar na baliza deserta após defesa incompleta de Mário Felgueiras a remate de Marega. As oportunidades eram tantas que não havia meio de o Paços se encontrar. Faltava ainda o golo de Aboubakar, que apareceu com 72 minutos decorridos, ao cabo de mais uma jogada envolvente que a defesa dos castores não neutralizou. A bola sobrou para o camaronês, que descaído sobre a esquerda apenas teve que finalizar cruzado.
Só aí a intensidade abrandou, de mão dada com a gestão proporcionada pelas substituições operadas por Sérgio Conceição. Muitas vezes, depois de um desaire, se diz que o melhor é que o próximo jogo venha o quanto antes, para que a equipa possa rapidamente esquecer o passado e dar uma resposta que elimine os bichos que possam existir na cabeça da equipa. Pelo que se viu neste jogo, a equipa do FC Porto tinha essa resposta na ponta da língua.

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por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 01.10.17

Liga NOS, 8.ª jornada - Sporting CP 0-0 FC Porto - Jogo jogado

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Se o que em futebolês se denomina "jogo jogado" valesse para alguma coisa, a história do futebol seria muito diferente, nomeadamente no que toca às listas de vencedores de competições. Como é mais fácil decidir uma partida pelo número de golos marcados, o jogo jogado torna-se no mecanismo privilegiado de análise quando os golos não aconteceram. Em casos como este, nos quais o jogo jogado não resulta em vitória moral, o primeiro critério de desempate são os lances claros em frente à baliza, e nesse capítulo o FC Porto saiu por cima. Foi, portanto, um clássico como tantos outros, em que cada uma das equipas se sobrepôs à outra em cada parte, terminando com um cortês aperto de mão. Não tendo havido golos, resta puxar a brasa para a sardinha mais conveniente.
O FC Porto foi então quem esteve mais perto de marcar. À cabeça surge o lance de Marega (44'), cujo remate embateu na trave, mas existiram ainda avanços de Brahimi (22') e Aboubakar (40'), ambos anulados por boas intervenções de Rui Patrício. Ainda que ao longo da primeira parte o domínio fosse portista, esses lances constituíram também os únicos momentos em que a defesa do Sporting foi furada. Grande parte do crédito da coesão defensiva leonina recaiu sobre Coates, que se mostrou mais assertivo que Mathieu. Nas laterais, Jonathan Silva e Piccini procuravam alargar a longitude do ataque verde-e-branco, mas esbarravam invariavalmente no miolo do FC Porto, que ia recuperando a bola sem problemas. Repetindo dez nomes em relação ao encontro com o Mónaco - mudou apenas Ricardo na lateral direita, entrando Layún -, o FC Porto manteve a dinâmica, tendo-lhe faltado, porventura, um pouco mais de velocidade no último terço do terreno. Na única vez em que o Sporting se aproximou das redes de Casillas, William Carvalho - bom jogo - cabeceou para defesa fácil do internacional espanhol (43').
Na segunda metade os papéis inverteram-se. O meio-campo do FC Porto deixou de estar tão afinado e os leões começaram a aparecer mais vezes perto da área contrária. Ainda assim, os lances mais perigosos do Sporting nasceram de erros directos dos dragões, como ao minuto 59, quando um lançamento lateral apanhou Danilo Pereira distraído, permitindo a Bruno Fernandes um remate sem oposição, mas muito por cima. Pouco depois começava a dança das substituições. Sérgio Conceição apostou na chamada troca-por-troca, preferindo não mexer num esquema que mesmo não dando espectáculo no ataque, mantinha a defesa bem segura - grande jogo de Felipe e Marcano -, por muito que Danilo Pereira não aparentasse estar nas melhores condições. Já Jorge Jesus refrescou apenas o meio-campo, tirando Bruno Fernandes para meter Bruno César (62'), operando só mais uma substituição - Acuña por Podence (90'). Conceição tirou então Herrera para colocar Otávio (74'), trocando também Aboubakar por Soares (86') e Brahimi por Corona (88').
Apesar do maior domínio sportinguista no segundo parcial, o FC Porto esteve mais uma vez perto de marcar (79'), num lance que se tivesse dado golo, dava também polémica da grossa, à conta de um desentendimento entre o juiz Carlos Xistra e o seu auxiliar acerca de um lançamento lateral após bola dividida. As imagens televisivas mostram que Xistra teve razão ao autorizar a posse de bola do FC Porto, mas nesse segundo de indecisão os dragões seguiram jogo e Marega, isolado, desviou para defesa apertada de Rui Patrício. Os adeptos dos verdes-e-brancos terminariam o jogo com novo susto, na forma de um livre frontal (90'+2'). Layún cobrou mais em jeito que em força e mais uma vez Patrício esteve lá.
O jogo acabaria como começou e as equipas permaneceram como estavam nos primeiros lugares da classificação - obviamente. Só uma coisa mudou: o FC Porto, única equipa com registo ainda imaculado neste campeonato, perdeu os primeiros pontos.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sexta-feira, 22.09.17

Liga NOS, 7.ª jornada - FC Porto 5-2 Portimonense SC - Mensagem

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A argumentação habitual quando a esquina seguinte traz um jogo europeu estava debaixo da língua, mas por uma vez o FC Porto não deixou que a lengalenga da poupança e gestão se soltasse nas análises que eventualmente serão feitas. E motivos para isso não faltaram, muito mais quando os azuis-e-brancos encaminharam o resultado para o seu lado através de três golos em cinco minutos. Marcano foi o primeiro a festejar (20'), com um forte remate no aproveitamento de um corte deficiente dos centrais algarvios, seguindo-se-lhe Aboubakar (22'), que também beneficiou da ineficácia defensiva do Portimonense, e Marega (25'), que finalizou picado após se isolar a passe de Corona. Um triplete de golos em tão pouco tempo é uma raridade nas últimas décadas, e era então pecúlio mais que suficiente para que o resto do jogo se transformasse numa formalidade, mas assim não seria. Desde logo porque o Portimonense não veio a jogo com ideias de ficar em reclusão junto à sua área. Talvez esse fosse o caminho mais fácil para regressar a casa, digamos, com três golos sofridos e nada a acrescentar, mas o Portimonense queria mais. E o japonês Nakajima deu corpo às pretensões algarvias, apontando a solo o primeiro golo da sua equipa (36'), com um bom trabalho sobre Felipe e uma finalização cruzada, com classe. Era um justo prémio para os visitantes, que sem entrar em loucuras iam procurando a área contrária.
No reatamento o FC Porto voltou a não deixar que se pensasse sequer na tal argumentação do costume, marcando logo ao minuto 50 por Brahimi, cujo remate ainda desviou em Ricardo Pessoa antes de entrar. O Portimonense mesmo assim nunca desmoralizou e continuou a sair da toca com frequência, valorizando o jogo por um lado, e obrigando o FC Porto a manter-se desperto por outro. O minuto 68 trouxe o quinto golo portista, o melhor da noite. Brahimi conduziu um ataque rápido pela esquerda, tocou para Aboubakar, o camaronês deu de calcanhar para o meio da área, Herrera simulou e o mesmo Brahimi fechou a jogada depois de tirar um defesa do lance. As poupanças continuariam guardadas, pois o Portimonense não só voltou a marcar (73'), em lance de insistência no qual o larguíssimo cruzamento de Hackman, desde a esquerda, encontrou a cabeça de Rúben Fernandes, que foi melhor e mais alto que os defensores portistas, como ainda ameaçou um terceiro golo (87'), mas Casillas defendeu bem o remate cruzado de Paulinho. Antes (85'), Herrera tinha visto o seu cabeceamento bater no poste, em mais uma prova de que o resultado poderia ter sido mais robusto, para ambos os lados.
Não sendo então possível recorrer à teoria fácil, e tendo em conta a incerteza da situação portista na Liga dos Campeões, fica a ideia de que a equipa quis passar uma clara mensagem a quem quiser ouvir: o campeonato está em primeiro lugar na lista de prioridades do FC Porto para esta época. O objectivo mínimo de passar à fase seguinte na prova continental fica para considerações futuras, quando e se as nuvens se dissiparem. O céu portista na Liga NOS, esse, está limpo, pois os dragões mantêm-se com aproveitamento total.

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por Miran Pavlin às 23:25

Domingo, 17.09.17

Liga NOS, 6.ª jornada - Rio Ave FC 1-2 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 20:30

Sábado, 09.09.17

Liga NOS, 5.ª jornada - FC Porto 3-0 GD Chaves - Velha máxima

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A história guardará nos seus arquivos um resultado final que indica um triunfo tranquilo do FC Porto, mas por uma vez os momentos mais relevantes do encontro não residem nos golos. Antes de os dragões fugirem com o resultado, o Chaves teve duas oportunidades de sonho para adicionar contornos à história, ficando-se apenas pelas intenções. O primeiro a falhar foi William, que em posição privilegiada finalizou para o lado quando já nem o Casillas de há dez anos chegaria à bola (70'), seguindo-se-lhe Tiago Galvão no desperdício (81'), num lance ainda mais gritante que o anterior. O FC Porto pode dar-se por feliz por ter escapado de boa duas vezes, e por ter tido ainda tempo de acrescentar os golos que não deixam espaço para discussão sobre a justiça do triunfo. Até porque o jogo esteve longe de ser dos melhores a que o Dragão assistiu - e assistirá - esta época.
As proverbiais "véspera de jogo europeu" e "regressos das selecções" poderão servir de explicação para a prestação menos dominadora dos azuis-e-brancos, mas não são, de maneira nenhuma, atenuantes. Desde logo porque todos os anos o FC Porto tem que lidar com esses aspectos, e muito mau era que assim não fosse. Com o FC Porto mais interessado em controlar o jogo do que em sufocar o adversário, não foi surpresa que o intervalo chegasse com o resultado inalterado. Nem sequer havia lances de perigo do lado dos dragões. A única oportunidade foi mesmo do Chaves (28'), num remate de Jefferson que colocou Casillas à prova; ainda assim, o lance na verdade não conta, devido a fora-de-jogo posicional de Renan Bressan.
Antes que o jogo entrasse no domínio das velhas máximas, Aboubakar aproveitou uma bola recuperada a meio-campo por Soares, suportou a forte marcação de Paulinho, e já na área rematou para golo (49'), com a bola a prensar ainda no defensor flaviense. Num jogo com tão pouca baliza estar em vantagem era uma dádiva. Sem transformar o controlo em domínio, como no jogo frente ao Moreirense, o FC Porto expôs-se então àqueles deslizes que o Chaves não soube capitalizar. Foi aí que uma velha máxima acabou mesmo por entrar em campo: quem não marca, sofre. Nem mais. O central Maras deu mão na área, e Soares converteria a grande penalidade, mas só na recarga (86'). Dois minutos mais tarde Marega fixou o resultado final ao desviar um cruzamento de Óliver Torres ao segundo poste.
A tranquilidade foi tardia, mas chegou, e veio bem a tempo de manter o FC Porto com aproveitamento total e a baliza ainda por estrear. Desde 1983/84 que tal não se verificava à passagem da 5.ª jornada.

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por Miran Pavlin às 23:40



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