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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 09.08.17

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 4-0 GD Estoril Praia - Tracção à frente

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A pré-temporada perspectivou-o, a estreia oficial confirmou: o FC Porto está virado para a frente e traz golos na manga. Dito isto, é favor fazer a bandeira descer da haste e ter bem presente que uma andorinha não faz a primavera, e que se tratou apenas do primeiro jogo a doer. A verdade, ainda assim, é que os dragões começam o novo campeonato na mesma forma que exibiram no seu melhor período da época passada. Com uma nuance: os laterais, principalmente o regressado Ricardo, na direita, porporcionaram jogo à largura do terreno de uma forma bastante mais efectiva que na pretérita temporada. Face a esse pendor ofensivo, acaba por ser paradoxal que o FC Porto tenha chegado ao conforto do 2-0 graças a um erro da defensiva estorilista e a um ressalto feliz. O também regressado Marega foi o responsável por castigar a asneira contrária (35'), pressionando Mano na altura certa, quando o lateral canarinho, julgando-se sozinho, devolveu nas calmas um passe ao guarda-redes Moreira; o maliano do FC Porto intrometeu-se então e só teve de empurrar para assinar o primeiro golo azul-e-branco da época. Pouco depois do intervalo (54'), Brahimi furou pelo centro, beneficiou do tal ressalto quando procurava fintar um contrário, e acabou por ficar solto frente ao golo, colocando rasteiro para o golo junto ao poste esquerdo de Moreira.
O Estoril pouco tinha aparecido no ataque até aí, pelo que se tornava evidente que o FC Porto tinha o caminho aberto para a vitória. O resultado acabou por se avolumar mercê da atitude portista, que se manteve inalterável até final. Marega, imagine-se, bisou à boca da baliza a cruzamento de Óliver Torres (62'), e Marcano (70') fechou o resultado, de cabeça, após recurso ao vídeo-árbitro, que corrigiu um fora-de-jogo mal assinalado ao central espanhol. Por esta vez, a nova funcionalidade surtiu o efeito esperado ao emendar essa decisão incorrecta. Só depois do 4-0, e especialmente com Aylton Boa Morte em campo, é que o Estoril deu trabalho a Casillas, que se mostrou atento.
Num final de tarde globalmente positivo para os azuis-e-brancos, Soares ficou com a fava, ao resistir pouco mais de vinte minutos em campo, sendo rendido precisamente por Marega. O treinador Sérgio Conceição, na antevisão à partida, guardara para a hora do jogo a decisão sobre a utilização do ponta-de-lança brasileiro, que acabou por confirmar não estar em condições. Falando de pontas-de-lança, Aboubakar - não apenas o regressado, antes o convencido a regressar - apareceu um pouco por todo o lado na frente de ataque, mas não veria premiadas as suas inúmeras tentativas de facturar. Valeu-lhe o empenho com que jogou, que por ora mostra que está de corpo e alma com o clube.
E porque uma primeira jornada com vitória tranquila do FC Porto, por norma, não deixa muito mais que contar, não resisto a socorrer-me mais uma vez de uma estatística para acrescentar linhas ao texto: o FC Porto não conseguia um triunfo tão folgado na ronda de abertura desde 1998/99, então diante do Rio Ave. Era o início do ano do penta. Essa palavra tão querida do FC Porto, mas que este ano os simpatizantes do Dragão desejam ver proibida. Dê por onde der.

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por Miran Pavlin às 23:30

Domingo, 21.05.17

Liga NOS, 34.ª jornada – Moreirense FC 3-1 FC Porto – Cabeça

Calma, estimados leitores portistas, o título deste texto é apenas uma ironia. Porque cabeça foi coisa que o FC Porto não teve no derradeiro jogo de 2016/17. Por cabeça entenda-se motivação para defrontar um Moreirense que jogava toda a temporada nesta partida. Já no último parágrafo da crónica anterior o Corte Limpo deixou uma previsão daquilo que o FC Porto poderia encontrar na última jornada. Por muito que não fosse preciso lançar avisos, pois a história recente era esclarecedora: o FC Porto não vencera nas últimas duas deslocações a Moreira de Cónegos. E à terceira não foi de vez.

Se havia coisa que o Moreirense não podia ter era medo. Não só porque jogando com medo dificilmente conseguiria os seus objectivos, mas também porque nesta temporada já tinha batido FC Porto e Benfica, ainda que a contar para outra prova. Nesse jogo da Taça da Liga, em Janeiro, os cónegos encontraram um FC Porto numa fase mais instável, desta vez os dragões vinham já sem objectivos. E se não os havia, ao minuto 19 passou a existir um, mercê do golo de Emmanuel Boateng (16’), num golpe de cabeça em antecipação no coração da área. Já tínhamos visto o FC Porto sofrer este golo no Marítimo. A reacção portista fez-se principalmente de arrancadas individuais de Brahimi, que hoje primou pela inconsequência. Mas tal também era reflexo da falta de ideias e de entreajuda na equipa. É difícil encontrar uma explicação para isso, tendo em conta que a única rotação efectuada por Nuno Espírito Santo foi na baliza, onde José Sá se estreou nesta Liga NOS. Enquanto o FC Porto tentava perceber o que se estava a passar, o Moreirense aproveitou para dilatar a vantagem (37’), com Frédéric Maciel a finalizar um contra-ataque, via que os minhotos já tinham explorado antes.

Ao intervalo Nuno trocou Otávio por André Silva e Herrera por Corona, e o FC Porto esboçou uma reacção, ainda que com pouco ou nenhum critério. A bola circulava entre flancos mas não havia incursões à área. Mesmo assim, os azuis-e-brancos conseguiriam chegar ao golo (66’), e que golo! André André cruzou na direita e Maxi Pereira, de costas para a baliza, fez um chapéu a Makaridze com um magnífico gesto técnico. A corrida portista atrás do prejuízo não duraria muito mais tempo, porém, e o FC Porto voltou a reduzir-se à palidez do primeiro tempo. O Moreirense reagrupou-se, voltou ele próprio à estabilidade exibida na primeira parte, obrigou José Sá a uma óptima defesa num livre de Nildo (71’), e mataria o jogo já na recta final (83’), por intermédio de Alex, que frente a José Sá ameaçou rematar forte mas colocou em jeito, rasteiro, ao poste mais distante.

A derrota, que já era previsível há largos minutos, tornou-se então óbvia. Mais que isso: despedindo-se da época tendo feito parte da festa da permanência do Moreirense, o FC Porto permite ao mesmo tempo que o triunfo dos cónegos na Taça da Liga mantenha validade total. Sim, porque das equipas em campo neste jogo, aquela que termina a temporada com um título no bolso é mesmo o Moreirense. Diz bastante das profundezas a que o FC Porto chegou na hora de fazer o balanço de quatro anos aquém dos serviços mínimos.

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por Miran Pavlin às 21:45

Domingo, 14.05.17

Liga NOS, 33.ª jornada – FC Porto 4-1 FC Paços de Ferreira – Brio

Nas épocas mais recentes o FC Porto tem chegado ao seu último jogo em casa com a face do abismo colada ao nariz. Mais uma vez falhados os objectivos mínimos a que por inerência se propõe, o FC Porto mais uma vez se despedia dos adeptos apenas com a honra em jogo. Alguns poderão recordar que na época passada os dragões ainda tinham a final da Taça pela frente, mas tal foi uma excepção por ser a única ida ao Jamor em seis temporadas. O FC Porto, portanto, tem vindo a cumprir uma indesejável regra de resultados insuficientes. Enquanto os adeptos se debatiam com esta ideia e a equipa demorava a encontrar o ritmo certo para o jogo, o Paços de Ferreira adiantava-se num lance fortuito (31’). André Leal rematou um tanto ou quanto frouxo e a bola desviou o suficiente em Ricardo Valente para trair Casillas.

Sem derrotas como visitado, o FC Porto não tardou a reagir. Talvez o golo sofrido tenha mesmo sido um mal que veio por bem, já que de outra forma não se saberia de quanto tempo o FC Porto ia precisar para ligar o motor. A reviravolta portista demorou apenas oito minutos a consumar-se. Herrera elevou-se para cabecear forte a cruzamento de Corona após boa jogada (35’), antes de Brahimi (39’) converter um castigo máximo, com a bola a passar de forma ingrata sob o corpo do guardião pacense Mário Felgueiras. Ao intervalo saiu Corona para entrar Diogo Jota, que de imediato fez estragos (47’), com uma finalização convicta após se desmarcar a passe de costas, pelo ar, de Herrera. O FC Porto tomava o controlo do marcador e não o largaria até final. O quarto golo apareceu aos 88 minutos, em nova grande penalidade, desta vez batida por André Silva. Valeu o brio profissional dos jogadores azuis-e-brancos, já que foi notória a pouca alegria no futebol praticado.

Nem podia ser de outra maneira. Campeão no sofá noutras épocas, foi nesse mesmo sofá, na véspera desta recepção aos castores, que o FC Porto viu as hipóteses de ainda atingir o título se esgotarem. O FC Porto chegará então ao final da temporada com o abismo de que escrevia no início bem à sua frente, face a um insucesso continuado que era impensável até há poucos anos. A última jornada reserva uma visita a um Moreirense que ainda não assegurou a manutenção, e que por isso se espera que não seja nem esteja tão tranquilo em campo como este Paços de Ferreira, que diga-se, não veio ao Dragão fazer figura de corpo presente, pelo menos enquanto o resultado se manteve inseguro. O FC Porto acabou por não durar até ao fim do campeonato, mas será bom não esquecer que dentro de campo se joga sempre até ao fim.

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por Miran Pavlin às 22:30

Sábado, 06.05.17

Liga NOS, 32.ª jornada – CS Marítimo 1-1 FC Porto – Roleta russa

Ainda não foi desta. A visita ao Marítimo voltou a ser nefasta para o FC Porto, que deixa cair mais dois pontos, estes realmente vitais. Até porque não se tratava de mais um daqueles passageiros jogos decisivos que se vão apregoando ao longo da época; com a linha da meta já assustadoramente perto os pontos contam a sério. Afectado pelas lesões e castigos que não teve noutros momentos da temporada, o FC Porto voltou a ter Brahimi, mas ainda não podia contar com Danilo Pereira, nem com Maxi Pereira. Por defeito, a posição de lateral direito seria assegurada por Layún, mas Nuno Espírito Santo foi oblíquo, indo à equipa B pegar em Fernando Fonseca. O jovem não comprometeu, e até esteve perto de marcar (42’) quando apareceu solto na direita da pequena área, mas acabaria por dar o lugar a Rui Pedro quando o técnico inverteu o esquema para 3x3x4. Corria o minuto 84 e o FC Porto jogava com o desespero em pano de fundo. Por essa altura tinha já trocado ainda Rúben Neves por André Silva (76’). Já tinha também saltado à memória o fatídico jogo da 26.ª jornada com o Setúbal, no qual o FC Porto se deixou empatar na única oportunidade concedida ao adversário.

Os dragões não fizeram uma primeira parte de luxo, mas pareciam estar confiantes o suficiente para repetir o resultado de Chaves, ainda mais quando se adiantaram no marcador (28’), com Otávio na direita a aproveitar um mau corte de Zainadine para rematar cruzado e certeiro. Na segunda metade faltou ao FC Porto a iniciativa necessária para matar o jogo, o que se traduzia em escassez de oportunidades. Só depois do empate é que os azuis-e-brancos voltaram a ameaçar a baliza insular, num cabeceamento de André Silva (79’), noutro cabeceamento cruzado de Soares ao qual o mesmo André Silva não chegou a tempo de emendar (84’) e num terceiro cabeceamento, agora de Rui Pedro (90’+4). Mas inclinar a equipa para o ataque – Corona também estava em campo, no lugar de Otávio (74’) – não foi suficiente para que o FC Porto regressasse à vantagem.

O golo do Marítimo (69’) nasce de um canto talvez desnecessário cedido por Alex Telles, que não se apercebeu que tinha um adversário em cima das costas e não abordou o lance da melhor maneira. Na cobrança Djoussé, que fora a jogo um minuto antes, irrompeu decidido pelo coração da área e cabeceou forte para o fundo da baliza. O tento era também ele vital para os verde-rubros, que ainda têm o seu sexto lugar à mercê de predadores. Foi mesmo a única vez que o Marítimo alvejou as redes portistas em todo o jogo. Os insulares resistiriam até final, salvando um ponto muito importante para a sua luta. Já o FC Porto, tal como nesse jogo com os sadinos, fica a chorar os dois que fugiram após ser condenado na única desatenção que teve. Serão mais sinais dos tempos, ou o estádio outrora apelidado de caldeirão é mesmo como uma roleta russa em que o FC Porto leva sempre um tiro?

A verdadeira extensão deste empate só será conhecida depois de realizado o jogo do líder da classificação. Numa hipótese tresloucada o empate até poderá ter significado uma aproximação ao topo; o que só viria sublinhar o preço que o FC Porto paga pelos dois pontos perdidos. No aproveitar está o ganho, diz o povo. E o FC Porto não o tem feito quando mais interessa.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 29.04.17

Liga NOS, 31.ª jornada – GD Chaves 0-2 FC Porto – Primeira pedra

O FC Porto chegava à recta final do campeonato envolto numa súbita turbulência, fruto de quatro empates em cinco jogos. Visto de uma perspectiva oblíqua, os dragões podiam até dar-se por felizes de as consequências não terem sido catastróficas porque o líder também deslizou aqui e ali. Certo era que o FC Porto se mantinha na mesma posição comprometedora em que ficou no final de Novembro, agora com a margem de erro já muito para lá do prazo de validade. Ainda com o título em jogo, ter três deslocações nas últimas quatro jornadas é uma tarefa monumental, independentemente de quem sejam os adversários. O FC Porto teve que enfrentar a ida a Chaves sem Brahimi e Danilo Pereira, e talvez tenha sido por aí que o FC Porto esteve longe de deslumbrar; Corona estava de regresso após lesão, mas trouxe pouco ritmo. Os azuis-e-brancos controlaram a primeira parte, mas só se mostraram em dois livres de longe de Rúben Neves que proporcionaram boas defesas a Antrónio Filipe. O guardião flaviense cederia ao minuto 52, altura em que defendeu para a frente nova tentativa à distância, agora de André André. Oportuno, Soares chegou de pronto ao ressalto e abriu o marcador. Corona daria o lugar a Óliver Torres (66’) e foi já com o espanhol em campo que apareceu o 0-2 (72’), numa boa transição ofensiva iniciada pelo próprio e finalizada por André André à saída do guarda-redes. Talvez o FC Porto tenha beneficiado de um Chaves numa forma bastante menos fulgurante que na primeira metade da temporada, mas não deixou de justificar o triunfo. Não sem antes ficar reduzido a dez (89’) por uma entrada tão violenta como disparatada e desnecessária de Maxi Pereira, a pés juntos e de sola sobre Davidson. Expulsão indiscutível, mas um erro potencialmente tão grave como aquele de Herrera que deu o fatídico último canto na recepção ao Benfica (10.ª jornada), desfalcando os dragões para a colocação da próxima pedra da tal monumental empreitada portista. A primeira foi colocada então com pouco brilho, mas ficou lá. E quão necessária é para alicerçar a esperança que os adeptos mais optimistas ainda acalentem.

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por Miran Pavlin às 23:25

Domingo, 23.04.17

Liga NOS, 30.ª jornada – FC Porto 0-0 CD Feirense – Contas à vida

Mesmo tendo vivido diversos momentos positivos ao longo da segunda volta, até este ponto o FC Porto ainda não encontrou forma de erradicar a ansiedade da psique colectiva da equipa. Controlada numas vezes, à solta noutras, essa ânsia de chegar ao golo volta a ser tida como uma das causas de não o ter alcançado. Pelo menos na segunda parte, pois no arranque o FC Porto cometeu o pecado recorrente desta temporada, ao voltar a entrar no jogo sem chama. Tal só podia ajudar um Feirense que subia ao relvado a precisar de um ponto apenas para garantir a manutenção antecipada. Era mesmo como se os fogaceiros estivessem no pólo oposto de ansiedade em relação aos dragões. Enquanto o FC Porto não tinha margem de erro, o Feirense só precisava saber de que lado da tranquilidade a sua equipa estava; se do lado que conduz à displicência, se daquele que elimina hesitações e leva ao jogo pelo jogo.

E até foram os visitantes os primeiros a ameaçar (18’), quando o grego Karamanos se isolou e obrigou Casillas a defender para canto. Os dragões ofereceram como resposta dois lances de Danilo Pereira, através de um cabeceamento que não passou longe após canto de Alex Telles (27’) e de um remate de ressaca que ainda tocou na malha superior, mas do lado de fora (41’). Ficou a centímetros de ser um golaço ao ângulo. Estes lances não foram de modo algum suficientes para ver a primeira parte como mais que um jogo morno e de meias-oportunidades. Com Diogo Jota e Soares a ocuparem os lugares dos mais habituais Brahimi – castigado por dois jogos – e Corona – lesionado – nas extremas, o FC Porto não estava a conseguir esticar o seu jogo e forçar o Feirense a abrir espaços. Talvez isso acontecesse porque tanto Jota como Soares tendem a flectir muito para o meio. Sentindo isso, ao intervalo Nuno Espírito Santo alterou o esquema de 4x3x3 para 4x4x2 trocando Óliver Torres por Otávio, ganhando com isso mais jogo exterior e passando a ter Soares e André Silva no meio à espera de munições.

A mudança táctica resultou. O FC Porto tornou-se finalmente dono e senhor do jogo e o Feirense passou mesmo por alguns momentos de grande aperto junto à sua baliza, quando os dragões conseguiam construir vagas sucessivas de ataque. O FC Porto terminou o encontro com 22 remates e 31 cruzamentos – o Feirense somou quatro e seis, respectivamente –, e tentou jogadas pelo chão e pelo ar, pelos flancos e pelo centro, mas o Feirense nunca tremeu. De entre as muitas oportunidades de golo destacam-se um remate sem ângulo de Rui Pedro (72’) e um cabeceamento de Maxi Pereira (82’), aos quais Vaná correspondeu com duas boas defesas, nomeadamente no lance do lateral uruguaio. Conforme os minutos passavam, a resistência fogaceira, feita da aglomeração de jogadores perto da área e da acção certeira do guarda-redes adversário, conduzia então o FC Porto àquela ansiedade crescente que torna infrutíferas todas as soluções tentadas para contornar esse veto ao golo imposto pelo Feirense. E não houve mesmo meio de desfazer o nulo.

O Feirense sai do Dragão com a manutenção assegurada e o crédito de ter resistido à tentação do anti-jogo barato. Já o FC Porto, que poderia recolocar-se a um ponto do líder, em virtude de este na véspera ter cedido uma igualdade, continua assim à distância de três pontos e a fazer contas à diferença de golos na eventualidade de esta vir a ser necessária para apurar o campeão. Ao mesmo tempo que faz também contas à vida.

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por Miran Pavlin às 23:30

Sábado, 15.04.17

Liga NOS, 29.ª jornada – SC Braga 1-1 FC Porto

Compromissos sociais fizeram com que não pudesse assistir ao jogo nas melhores condições. Estando a vários metros do ecrã televisivo mais próximo, só me era possível vislumbrar uns homenzinhos a correr sobre o verde do relvado. A bola só às vezes. Ao longo da primeira parte a câmara principal focou as proximidades da grande área do FC Porto mais vezes que as do Braga, pelo que se depreende que os dragões tenham tido dificuldade em impor-se no jogo desde o início. Ainda por cima, logo ao minuto 6, o Braga adiantava-se, através de um golpe de cabeça de Pedro Santos no coração da área, após cruzamento de Cartabia. Tal como no recente jogo da Luz, como no anterior com o Setúbal, o FC Porto parece atordoar-se sempre que sofre um golo e demora a reagir. O primeiro lance com algum perigo apareceu apenas aos vinte minutos, quando Soares irrompeu pela grande área bracarense mais rematou mal. Em cima do intervalo o Braga dispôs de uma grande penalidade por mão na bola de Óliver Torres, mas na conversão Pedro Santos acertou em cheio no poste direito de Casillas. O FC Porto escapava de boa.

No segundo tempo os dragões equilibraram a contenda, igualando ao minuto 61, altura em que Soares se elevou para cabecear certeiro a cruzamento de Alex Telles, imitando assim Pedro Santos. Óliver já tinha saído para entrar Corona (55’), e apesar de o FC Porto não ter permitido mais avanços ao Braga, a verdade é que também ele próprio não encontrou meio de causar mais perigo. Ainda assim, o hoje titular Matheus foi chamado a intervir mais vezes que Casillas. Indisfarçável foi a tensão das equipas, que resultou numa partida muito faltosa e com reclamações constantes pós-apito. Afinal de contas, não era só o FC Porto que estava no calor da luta pelos pontos; também o Braga precisava deles para a sua luta acesa pelo quarto lugar. A pressão era tal, que Brahimi foi mesmo expulso do banco (88’) por protestos contra uma decisão do árbitro Hugo Miguel. O argelino tinha saído cinco minutos antes para entrar Otávio, ao mesmo tempo que André André saía para entrar Herrera. Danilo Pereira teve as melhores oportunidades do FC Porto (77’ e 84’), com dois cabeceamentos. No primeiro Matheus opôs-se bem, o segundo foi um desastre do internacional português, muito ao lado.

O empate final é deveras penalizador para as duas equipas. O FC Porto passa a estar três pontos atrás do líder Benfica, enquanto o Braga se vê ultrapassado pelo Vitória de Guimarães, ficando dois pontos abaixo deste. No fundo, os dragões continuam a estar à distância de um disparo, mas cada vez é necessário considerar mais variáveis e outros cenários condicionais.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 08.04.17

Liga NOS, 28.ª jornada - FC Porto 3-0 CF Os Belenenses

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 01.04.17

Liga NOS, 27.ª jornada – SL Benfica 1-1 FC Porto – Filme invertido

O clássico da Luz foi como que uma imagem invertida do encontro da primeira volta. Nesse jogo da 10.ª jornada o FC Porto foi dominador, mas viu o Benfica obter o empate praticamente no único lance que teve junto à baliza contrária. Desta vez foram os encarnados a viver o mesmo filme, ainda que de forma menos dolorosa, pelo menos em face do minuto em que o golo da igualdade aconteceu. Com as equipas separadas por um mísero ponto, as implicações eram enormes; ou o Benfica se escapava quiçá irreversivelmente rumo ao título, ou o FC Porto saltava para a liderança, ou… a montanha paria um rato e tudo ficaria remetido para os próximos capítulos. E foi justamente isso que aconteceu, de resto tal como os dois técnicos anteviam.

Continuando a sobrepor o filme dos dois jogos desta época, foi a equipa da casa quem entrou melhor. Através de rápidas transições e pressão incessante, o Benfica não deixava o FC Porto respirar. Logo ao minuto 7, em mais uma investida encarnada, Carlos Xistra assinalou grande penalidade num lance porventura passível de mais que uma interpretação entre Felipe e Jonas. Ainda assim, no momento, no desenrolar do lance, era difícil o juiz fazer vista grossa. O mesmo Jonas converteu e festejou efusivamente. Só perto do minuto 20 o FC Porto começou a ter mais bola, mas não conseguia ver de perto a baliza adversária. Óliver Torres tentou a sorte de longe, com a bola a sair ligeiramente ao lado (19’), antes de um livre de Brahimi que obrigou Ederson a defender a custo para canto (37’), mas a melhor oportunidade foi do Benfica (41’), com um cabeceamento de Luisão a passar assustadoramente perto do golo, após livre em posição central. Por esta altura já se percebia que Jonas tentava a todo o momento forçar o mesmo tipo de situação do lance da grande penalidade, e que Brahimi era o homem mais desperto dos dragões, capaz de procurar com a bola os espaços que a teia do Benfica não queria dar. Mas com pouco efeito, pois o FC Porto não atacava com muitas unidades, portanto não proporcionando soluções suficientes ao argelino. Do outro lado do campo Corona estava a ser muito castigado pelos adversários e no meio Soares era pouco mais que discreto. O meio-campo com Óliver, André André e Danilo Pereira funcionava bem, mas não conseguia compensar aquilo que os avançados não estavam a dar.

A perder ao intervalo o FC Porto estava com um pé no cadafalso. Nuno Espírito Santo resistiu à pressão de mexer, e o mesmo onze apareceu transfigurado para a segunda metade. Assumindo de imediato um claro ascendente, os azuis-e-brancos trouxeram o jogo até ao último reduto do Benfica, e logo aos 50 minutos Maxi Pereira realizou o sonho secreto de muitos portistas – e quiçá dele próprio – e marcou um golo na Luz. Brahimi voltou a encontrar espaços escondidos no flanco esquerdo e cruzou para a área lançando a confusão. André André aproveitou um primeiro corte incompleto para rematar com perigo, com a recarga do próprio a ser aliviada por Lindelöf de bandeja para o lateral uruguaio receber de peito e rematar colocado ao ângulo inferior direito de Ederson. Era o culminar da entrada forte do FC Porto. Pouco depois Soares esteve cara-a-cara com a reviravolta, mas o guardião encarnado tirou-lhe a bola com uma saída aos pés no limite. E aqui voltamos ao filme invertido do jogo da primeira volta. O Benfica voltou a assumir as despesas e dominaria o jogo até final, mas teve em Casillas um obstáculo megalítico, especialmente ao minuto 73, altura em que negou à queima-roupa finalizações consecutivas de Mitroglou e Lindelöf, com Marcano a limpar para canto. Antes (65'), Casillas já tinha feito uma defesa no limite a outra tentativa de Mitroglou. Fiel ao plano que trazia, o técnico portista apostou na chamada troca por troca, tirando Corona – que saiu com cara de poucos amigos – para colocar Diogo Jota (66’), Soares para meter André Silva (72’), e o esgotado Brahimi para entrar Otávio (87’).

Num jogo que não foi quezilento, não deixam de saltar à vista os cinco cartões amarelos exibidos a jogadores do FC Porto, incluindo a cada um dos defesas, contra nenhum a homens do Benfica. Os motivos para isso, subliminares ou não, levá-los-á a espuma dos dias. O que fica é que o FC Porto pela segunda vez consecutiva perde a oportunidade de trocar de posição com o Benfica, desperdiçando aqui também a oportunidade de ter vantagem no confronto directo com as águias. Se a bola de cristal de Nuno Espírito Santo e de Rui Vitória estiver correcta, o campeonato será mesmo disputado até ao fim, mas a candeia que alumia mais é sempre a que vai à frente, e essa o FC Porto segurou apenas nas duas primeiras jornadas deste campeonato. A pressão segue então nos próximos capítulos, com o FC Porto agora a precisar da ajuda de terceiros para subir ao topo da classificação.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 19.03.17

Liga NOS, 26.ª jornada – FC Porto 1-1 Vitória FC – Pouco cuidado

A subida rumo ao topo subitamente tornou-se tão íngreme que o FC Porto escorregou. Com a queda perdeu-se a sequência de nove vitórias consecutivas dos dragões e a oportunidade de saltar para o comando da classificação na véspera de defrontar o líder Benfica. Na circunstância em que o FC Porto entrava no jogo, e também por ser a equipa que persegue, nenhum adversário é ideal, mas o Vitória de Setúbal era particularmente inoportuno. Apesar de não vencer há seis jogos – agora são sete –, o Vitória não só tinha travado o FC Porto na primeira volta, como somou quatro pontos nas partidas com o Benfica. Todo o cuidado era pouco. E o FC Porto teve pouco cuidado, principalmente na segunda parte.

Ainda para mais quando os sinais de que a noite poderia não terminar bem para os azuis-e-brancos foram aparecendo ao longo do primeiro tempo. Decorria o minuto 19 quando o FC Porto pela primeira vez fez os adeptos se levantarem, encherem o peito de ar e ficarem com o grito de golo a meio da primeira sílaba. Brahimi rodopiou sobre si próprio junto à pequena área e colocou a bola; o guardião Bruno Varela foi batido, mas na cara do golo estava Vasco Fernandes, que o salvou com as pernas. Mais à frente (28’), novo golo cantado, numa tripla oportunidade que se ficou pela intenção. Layún bateu um canto na esquerda e Marcano cabeceou ao poste, com o ressalto a lançar a confusão total numa área densamente povoada. Por entre quedas, corpos e pernas Felipe empurrou para a baliza mas Thiago Santana imitou o colega e repeliu a bola em cima da linha, com Soares a tentar nova recarga, esta defendida in extremis por Bruno Varela. O lance ainda proporcionou mais uma insistência antes de morrer numa carga sobre o guarda-redes, que se prostrou no relvado, motivando fortes protestos dos jogadores dos dragões. Até porque já não era a primeira vez que os homens do Setúbal procuravam forçar uma assistência médica desnecessária. Essa estratégia era reflexo do domínio que o FC Porto ia exercendo. O jogo inclinava-se bastante sobre o último reduto setubalense, mas os portistas pareciam fazê-lo com mais sofreguidão do que cabeça. Apesar disso, o FC Porto colocou-se mesmo em vantagem (45’+1’), num forte remate de Corona, na direita da grande área, a cruzamento de Óliver Torres no lado oposto.

Todas as alturas são boas para marcar, mas fazê-lo em cima do intervalo tem frequentemente um peso psicológico especial. Não foi o caso neste jogo, contudo. O FC Porto tentou trazer para a segunda parte um modelo de jogo híbrido, já que continuaram a haver idas ao ataque, mas não sem antes cozinhar a jogada em demasia na zona defensiva. Mais lentos, os dragões convidavam o Vitória a tentar a sua sorte. E como a sorte de uns é o azar de outros, o empate apareceu na única vez em que os sadinos foram à baliza. Aproveitando espaço no seu flanco esquerdo, o lateral Nuno Pinto subiu com a bola e cruzou para a área; ao mesmo tempo que João Carvalho recebia a bola num delicioso domínio com a parte de fora do pé, Felipe escorregava ao tentar mudar de direcção, deixando o avançado sem oposição para finalizar cruzado em golo (56’). E com requintes de crueldade, já que se trata de um jogador emprestado pelo Benfica.

O FC Porto mordeu os lábios e voltou a carregar sobre a baliza adversária, mas agora com a ansiedade a juntar-se à sofreguidão, o que se traduziu em sucessivos despejos para a área. Num desses lances, André Silva voltou a encontrar o poste (67’). As linhas do Vitória estavam mais cerradas que na primeira parte e não cederiam, com mais algumas perdas de tempo à mistura, que motivaram sete minutos de descontos, a somar aos cinco decretados na etapa inicial. 102 minutos de jogo que não foram suficientes para os dragões marcarem o segundo golo que teria sido necessário para entrar na Luz já líder. Depois de sete jornadas um ponto abaixo do Benfica, o FC Porto vivia aqui um momento capital da temporada após o empate dos encarnados no dia anterior. A mesma pressão que pesou sobre o Benfica levou a melhor também sobre o FC Porto, deixando tudo na mesma à entrada para o clássico. Afinem-se os barómetros.

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por Miran Pavlin às 22:00



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