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CORTE LIMPO


Terça-feira, 14.03.17

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão – Juventus FC 1-0 FC Porto – Sinal vermelho

A esperança que o FC Porto ainda tinha em discutir a eliminatória caiu por terra de forma semelhante à primeira mão: com a exuplsão de um lateral. Depois de Alex Telles, agora foi Maxi Pereira a parar no sinal vermelho, ao cometer a grande penalidade que definiu o resultado. A inferioridade numérica voltou a condicionar o FC Porto, mas desta vez a equipa não procurou a contenção. Nem podia ser de outra forma, já que para todos os efeitos os dragões não tinham nada a perder. Apresentando o mesmo onze das jornadas mais recentes da I Liga – com Danilo Pereira, André André, Óliver Torres e Brahimi a povoar o meio-campo no apoio a André Silva e Soares – o FC Porto enfrentava uma Juventus com alterações em relação ao jogo do Dragão, principalmente na defesa, onde Lichtsteiner, Chiellini e Barzagli não repetiram a titularidade; mais à frente, Pjanić também ficou no banco. Alinharam então de início Daniel Alves, Bonucci, Benatia e Khedira, e se tivesse corrido mal falar-se-ia em sobranceria, mas como resultou será apenas gestão do plantel, num sinal da tranquilidade com que os bianconeri encararam esta segunda mão.

Sem medo de ter atitude, e com isso não perdendo a bola desnecessariamente, os homens do FC Porto saíram então em busca da baliza de Buffon, principalmente através da imprevisibilidade de Brahimi e de uma ou outra iniciativa de Danilo Pereira. A equipa ia mostrando conforto no jogo, conseguindo com isso algumas recuperações e posse de bola, no entanto os lances de maior perigo voltaram a ser da responsabilidade da Juventus, pois o FC Porto continuou sem conseguir visar as redes contrárias, à excepção de um remate de Soares (12’) que Buffon segurou facilmente. Dybala tentou dois remates de longe que não causaram perigo, antes de um cabeceamento de Mandžukić colocar Casillas à prova (23’). Ao minuto 41 Casillas respondeu com uma boa defesa a um cabeceamento em zona frontal, mas a bola ficou à mercê de novo remate, que Maxi Pereira, deitando-se, bloqueou com o corpo… e com os braços. Grande penalidade indiscutível e cartão vermelho, com Dybala a converter o castigo com mestria, rematando colocadíssimo junto ao poste esquerdo de Casillas.

Só no reatamento Nuno Espírito Santo corrigiu a defesa, lançando Boly em novo sacrifício de André Silva. Danilo Pereira quase fez auto-golo (48’), segundos antes de uma oportunidade para o FC Porto, quando Soares se isolou perigosamente a caminho do golo. Buffon fechou bem a baliza e a finalização saiu rente ao poste. Os dragões nunca desistiram de tentar, mas só estariam cara a cara com Buffon mais uma vez (82’), já com Diogo Jota em campo. O avançado também se isolou sobre o flanco esquerdo e tentou picar a bola sobre o guarda-redes, mas encontrou a malha lateral. Nos minutos em que esteve em campo – entrou aos 67 – Jota voltou a realizar uma sólida exibição, pontuada por mais uma arrancada que levou a bola quase de uma área à outra. Otávio também foi a jogo (70’), numa altura em que a partida começava a ter pouco para dar. A velha senhora também esteve perto do golo na segunda parte, nomeadamente num remate de Pjaca após assistência de calcanhar, no ar, de Mandžukić (60’) e num cabeceamento de Higuaín (66’), contudo não mais se gritaria golo.

Tendo em conta a atitude demonstrada pelo FC Porto, a segunda mão não foi um passeio, mas não deixou de ser uma noite predominantemente tranquila para a Juventus. Já ao FC Porto vale o brinde moral de não sair envergonhado da eliminatória. Uma coisa não ficou clara, nem nunca ficará, no caso o que poderia o FC Porto ter conseguido caso tivesse passado os 180 minutos sempre com onze jogadores; mesmo levando em linha de conta o potencial das duas equipas, que, como se sabe, nem sempre entra em campo.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quarta-feira, 22.02.17

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 1.ª mão – FC Porto 0-2 Juventus FC – Limites

Quase todos os anos a história se repete. Independentemente do sucesso que obtenha, na I Liga a equipa do FC Porto é posta à prova nos jogos com os outros grandes e numa ou noutra deslocação. Salvo um fracasso europeu, o teste dos testes fica sempre reservado para o tubarão que inevitavelmente acaba por se cruzar com os azuis-e-brancos na Liga dos Campeões. Esta época o sorteio ditou uma rara visita da Juventus logo nos oitavos-de-final, num jogo que por si só deixaria expostos os limites desta versão do FC Porto. Por outro lado, o Dragão não deixa de ser um recinto que impõe respeito a todos os que o visitam, e isso ficou também à vista logo desde o apito inicial. Embora a Juventus tivesse mais posse de bola, ambos os conjuntos iam praticando um futebol cauteloso, à procura de transições ofensivas pela certa. O FC Porto ia também dando mais uma mostra de acerto defensivo, que ia gorando as trocas de bola mais fluidas dos italianos.

Até que a bomba explodiu. Numa questão de segundos Alex Telles acumulou cartões amarelos e se despediu do jogo e da eliminatória. Uma carga extemporânea a Cuadrado e uma entrada mais ríspida sobre Lichtsteiner foram a sua desdita, ficando aberto o espaço para as interpretações: cartões bem exibidos ou excesso de zelo do juiz alemão Felix Brych? Enquanto muitos decerto debatiam o tema, o FC Porto tinha nas mãos uma batata a escaldar, que obrigou Nuno Espírito Santo a esquecer o plano que trazia para o jogo. Saiu André Silva e entrou Layún para compor a defesa. Em inferioridade os dragões não sentiram quebra na segurança defensiva, mas Soares passou a ser uma ilha remota no meio-relvado da Juventus. As manobras do FC Porto tiveram também que começar mais atrás, e com ainda mais cautela, no sentido de dar à equipa o tempo necessário para ir subindo no terreno. Muitas vezes foi Brahimi que veio até à área de Casillas recuperar a bola e procurar arrancadas para o ataque, mas a velha senhora não encontrou problemas em fechar os acessos à sua zona recuada.

Por uma vez, as estatísticas finais reflectiram o que se passou em campo. Nem era preciso consultar os números da posse de bola, que roçaram o esmagador a favor dos campeões italianos. Bastava ver outros capítulos: apenas um canto para o FC Porto, já nos dez minutos finais, e apenas três remates, nenhum à baliza. O FC Porto ficou restringido a um livre de Brahimi, nos primeiros minutos, que passou um pouco por cima da baliza.

A Juventus ameaçou várias vezes. Dybala acertou em cheio no poste à saída para o intervalo, Higuaín esteve perto do golo durante a segunda parte e Khedira quase marcou num desvio cruzado, já depois dos golpes fatais dados pela Juve no espaço de minutos. Aos 72, em mais um lance de ataque apoiado, Layún não teve reflexos suficentes para dominar uma bola que passou à sua frente e acabou por entregá-la de bandeja ao suplente Pjaca, que rematou cruzado de primeira para o 0-1. Dois minutos depois, e aproveitando o abalo sentido pelo FC Porto, outro suplente utilizado, no caso Daniel Alves, apontou o 0-2 após cruzamento do outro lateral, o ex-portista Alex Sandro.

Mesmo tendo em conta a expulsão, a vitória da Juventus é justa, já que a atitude dos dragões não chegou para pelo menos incomodar Buffon. Curiosamente, o maior perigo foi causado pela própria Juventus, num atraso deficiente de Chiellini que obrigou o veterano guarda-redes a cortar de cabeça para lançamento. Em igualdade numérica não se sabe como seria. Da forma como aconteceu, a Juventus sai do Porto com pé e meio na fase seguinte, enquanto o FC Porto viu os seus limites expostos. Em parte, pelo menos. A tarefa para Turim é mais que hercúlea. É ciclópica.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 07.12.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – FC Porto 5-0 Leicester City – Fartura

Não há fome que não dê em fartura, diz o povo. Não sendo possível atestar cientificamente a validade do dito, sobejam os exemplos que justificam a sua existência. Para o caso em apreço, o mais recente exemplo é o FC Porto, que passou a goleador depois de um período em que foi incapaz de marcar. O fim do jejum não podia ter vindo em melhor altura, já que além de permitir aos dragões carimbar a passagem aos oitavos-de-final da liga milionária, proporcionou também uma injecção de moral na equipa. Se nas partidas frente a Benfica e Braga o vigor foi a nota dominante, aqui o FC Porto mostrou grande maturidade na gestão dos momentos do jogo, fazendo, do ponto de vista colectivo, a sua exibição mais conseguida até agora. É verdade que o Leicester, já apurado, fez da visita ao Dragão um tubo de ensaio, optando por um onze alternativo e dando descanso às peças principais da equipa – também porque a situação classificativa dos foxes na Premier League é tudo menos tranquila –, mas é difícil retirar mérito ao vencedor quando o marcador sobe até aos 5-0.

O pesadelo do campeão inglês começou logo ao minuto 6, altura em que André Silva cabeceou certeiro na zona fatal, na sequência de um canto. Diogo Jota podia ter elevado logo de seguida, mas foi preciso esperar pelo minuto 26 para que não restassem dúvidas de que o lugar na fase seguinte ficaria na posse do FC Porto. Alex Telles cruzou e Corona, solto de marcação na direita da área, rematou de primeira, ao ângulo, para um belo golo. O tento do mexicano só não foi o melhor da noite porque Brahimi assinou um excelente golpe de calcanhar (44’), a culminar uma óptima jogada de inisistência do FC Porto. O resultado ao intervalo não era lisonjeiro para nenhuma das partes; apenas sublinhava a valorosa prestação dos azuis-e-brancos, que tiveram Óliver, o próprio Brahimi e ainda Maxi Pereira em destaque. O lateral uruguaio subiu com propósito inúmeras vezes, realizando talvez a sua melhor exibição desde que chegou ao FC Porto.

Tendo as rédeas do jogo bem seguras, e perante um Leicester que era uma sombra até da equipa que foi em todas as épocas antes do seu incrível 2015/16, havia o risco de que a uma primeira parte de sonho sucedesse uma segunda metade de sono, mas tal não se verificou. O primeiro responsável foi mesmo o Leicester, que entrou com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. Depressa, contudo, a partida voltou aos moldes do primeiro tempo. O quarto golo apareceu aos 64 minutos, numa grande penalidade indiscutível convertida por André Silva, com a mão cheia a sair dos pés de Diogo Jota (77’), que finalizou por entre as pernas do desamparado Hamer. Nuno Espírito Santo refrescou a equipa com as trocas simultâneas de Danilo Pereira – ovacionado de pé – por Rúben Neves, e de Corona por Herrera. Pouco depois André Silva dava o lugar a Rui Pedro, em mais um sinal de que Depoitre desceu um lugar na hierarquia dos pontas-de-lança do FC Porto.

O Leicester teve apenas um lance de algum perigo, já na recta final, quando o suplente Ulloa aproveitou uma segunda bola para disparar à trave, mas a solidez da defensiva portista não seria beliscada, pelo sexto encontro consecutivo. Apesar de ainda faltarem cerca de dois meses para os oitavos-de-final, o simples facto de o FC Porto lá estar serve para contrabalançar a saída prematura da Taça de Portugal, e devolve alguma margem de manobra a Nuno. Haja pés assentes na terra, contudo; ainda há muito caminho a percorrer.

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por Miran Pavlin às 23:15

Terça-feira, 22.11.16

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Copenhaga 0-0 FC Porto

Não assisti ao jogo. O empate significa que a decisão sobre o futuro do FC Porto na Liga dos Campeões ficou adiada para a última jornada do grupo. Na época passada desperdiçar oportunidades custou bem caro.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 02.11.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – FC Porto 1-0 Club Brugge KV – Construir sem peças

Não vale a pena repetir que parte da magia do futebol reside nas inúmeras formas através das quais se pode chegar a uma vitória. É até possível ganhar só a defender, mas isso acontece uma vez de longe a longe, pelo que é conveniente que uma equipa encare um jogo como se fosse um brinquedo de construção, juntando peça sobre peça até atingir o resultado final. Entre as peças essenciais contam-se o entendimento entre os jogadores, a velocidade de execução, a capacidade de aplicar diferentes soluções quando as que se tentam não resultam, e a determinação na hora de definir as jogadas. O FC Porto não utilizou nenhuma dessas peças nesta recepção ao Club Brugge… mas saiu vencedor. Para que a análise entre definitivamente em curto-circuito, falta referir que os dragões até podiam ter vencido por três, quiçá quatro golos de diferença.

Todavia, não é por essa ponta que que se desenrola o novelo do jogo. Lento, previsível – uma coisa leva à outra – e sem conteúdo na posse de bola, o FC Porto não conseguia importunar o Brugge. Certamente à espera de mais dificuldades, os belgas praticavam um futebol circunspecto e demoravam a perceber o que deviam mudar na abordagem que trouxeram para o jogo. Um remate de Wesley que obrigou Casillas a estirar-se para uma boa defesa (26’) foi o único momento relevante da meia hora inicial, o que diz muito sobre o que se ia passando, ou não, sobre o relvado. O FC Porto saiu da toca ao minuto 34, altura em que um livre lateral aparentemente inofensivo de Alex Telles acertou na trave, com Butelle a defender a insistência de Danilo Pereira. Os momentos de lucidez portista fizeram o Brugge tremer, e foi nessa fase que surgiu o golo, por André Silva (37’), que cabeceou cruzado após canto do mesmo Alex Telles, com a bola a ressaltar num defensor contrário, traindo o guardião francês do Brugge.

Com o marcador aberto, e perante o futebol curto dos campeões belgas, o FC Porto tinha caminho livre para finalmente mandar no jogo, mas os jogadores continuavam a hesitar sempre que tinham a bola; nomeadamente Óliver, que nas poucas vezes em que foi lançado em profundidade – o FC Porto falhou repetidamente nesses passes – nunca optou por arrancar, preferindo dar a um colega mais recuado para que tomasse ele a responsabilidade de prosseguir o ataque. Por volta dos 60 minutos as equipas partiram-se, o jogo conheceu uma fase mais desgarrada e o Brugge construiu a única jogada ao primeiro toque de todo o encontro, mas logo as coisas acalmaram e o FC Porto voltou a adormecer. Nuno Espírito Santo mexeu bem na equipa, lançando Rúben Neves (62’) para dar a solidez que Herrera mais uma vez não dava, e Corona (71’) para mexer com os flancos, pois Diogo Jota esteve indistinto. O FC Porto teria três cruzamentos perigosos mas não aproveitou nenhum, e voltou a causar perigo num contra-ataque conduzido por Layún, que entrara aos 79 minutos para jogar a extremo, em substituição de Otávio, já que Maxi Pereira ocupou o posto habitual do mexicano na lateral direita; Layún tinha dois colegas em boa posição nos flancos, mas embrulhou-se com a bola em vez de a passar, e o lance perdeu-se.

Apesar das investidas portistas, seria o Brugge a estar mais perto do golo que daria um tenebroso empate (85’), quando Pina apareceu solto na área para desviar um cruzamento, opondo-se Casillas com uma grande defesa. A crença do Brugge nos minutos finais causou grandes sobressaltos, com os dragões a terem mesmo que queimar tempo nas reposições de bola. Os calafrios durariam mesmo até final, ja que na demorada cobrança de um canto o FC Porto acabou por perder a bola e permitir um último contra-ataque aos visitantes. Já perto da área, Vormer precipitou-se e rematou sem grande nexo, com o apito final a soar logo de seguida, confirmando André Silva como o homem do jogo, à falta de uma boa nota colectiva.

Mesmo sem convencer, tanto aqui como na Bélgica, o FC Porto conclui com aproveitamento total o duplo confronto com o Brugge, e precisa agora de derrotar o FC Copenhaga na próxima jornada para carimbar desde logo a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 18.10.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – Club Brugge KV 1-2 FC Porto – Frios números

É frequente debater-se quem mais merecia ganhar o jogo que acaba de terminar. Tentar fazê-lo em relação a esta partida decerto resultaria numa discussão prolongada, pois aparentemente ninguém merecia chegar ao apito final com os três pontos na mão, de tão maltratada que a bola foi ao longo dos 90 minutos. Principalmente por parte do FC Porto, que teimava em não acertar passes, fossem eles simples ou em profundidade. Já o Club Brugge, por muito que quisesse, não conseguia fazer melhor, à falta de recursos técnicos da maioria dos seus homens. Valham então os números, frios como sempre, para sair do labirinto em que a retórica se perderia.

Tal como nos jogos com Boavista e Leicester, o FC Porto voltou a entrar mal, vendo-se cedo a perder. O Brugge, ainda assim, foi cortês o suficiente para deixar um aviso antes de provocar estragos, no caso através de um livre lateral de van Rhijn que Casillas defendeu para canto. À segunda, num lance que apanhou a defesa portista sem rumo, Vossen colocou os da casa em vantagem (12’), aproveitando um ressalto que pareceu acontecer numa zona difícil do corpo de Marcano. Os minutos foram passando e o FC Porto não dava mostras de se conseguir recompor do golpe. A bem arrumada equipa do Brugge não permitia que os dragões empreendessem transições ofensivas, e o futebol directo à procura ora de Otávio, ora de André Silva, encontrava-os demasiado desacompanhados.

A segunda metade ia pelo mesmo caminho. Dentro das suas limitações, o Brugge estava confortável em campo, e o FC Porto não via como encontrar a saída. Até que Nuno Espírito Santo agiu, lançando Brahimi e Corona, cerca da hora de jogo, para os lugares de Herrera e Diogo Jota. Com mais presença portista nos flancos, o Brugge perdeu algum rigor nas marcações, fazendo, entre outras coisas, com que os laterais encontrassem o espaço que até aí não tinham. Seria precisamente numa subida de Layún que o FC Porto chegaria ao empate (68’). Numa recuperação de bola, Otávio transportou pela esquerda, metendo depois no meio, por onde o lateral mexicano avançava solto e a todo o gás. Pela distância a que ainda estava da baliza, talvez Layún tenha arriscado em rematar, mas a verdade é que foi certeiro. Mesmo tendo tomado o controlo do jogo depois das alterações, nem por isso o FC Porto passou a deslumbrar, pelo que ainda não era líquido que a igualdade pudesse ser desfeita. Até porque o próprio Brugge estava a ficar sem pernas, e já não trazia o jogo tantas vezes para o meio campo contrário.

André André ainda substituiu o esgotado Otávio na tentativa de dar músculo ao meio-campo, mas o tempo de compensação chegou e o empate era deveras justo. Já se preparavam os tópicos para o rescaldo e se abriam os compêndios de aritmética para explicar o quão difícil era a situação classificativa em que o FC Porto ficava, quando o futebol relembrou todos de que é sempre até ao fim. Claudemir cometeu grande penalidade sobre Corona, e André Silva converteu o castigo (90’+3’). A bola ainda iria ao centro, mas não havia tempo para mais e o FC Porto, merecendo ou não, sai de Brugge ressuscitado para a segunda volta da fase de grupos. Todavia, ainda não é possível perceber se este FC Porto tem pernas para a frente europeia. Valham os frios números.

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por Miran Pavlin às 23:45

Terça-feira, 27.09.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – Leicester City 1-0 FC Porto – Fantasmas

Ainda falta cerca de um mês para a noite das bruxas, mas o jogo era mesmo de halloween, tantos eram os fantasmas com que o FC Porto se deparava. Desde logo o de nunca ter ganho em Inglaterra para as provas da UEFA. Embora a ideia de defrontar o Leicester City em vez de um dos tubarões da Premier League dificilmente pudesse ser vista como assustadora pelo FC Porto, a verdade é que o foi, na medida em que o jogo se decidiu com um golo de Slimani, que se torna assim no mais recente fantasma dos dragões. Tal como Lima no passado recente, também o argelino aparece de pontaria afinada sempre que defronta o FC Porto. O tento solitário apareceu aos 25 minutos. Antes o FC Porto tinha tido um par de lances de perigo, primeiro por Otávio, que se isolou mas perdeu algum ângulo, não acertando com o chapéu, depois num cruzamento delicioso de Layún, ao qual Adrián López chegou uma fracção de segundo atrasado. O Leicester colocou Casillas aos papéis na cobrança de um canto, mas não acertou com o alvo. Tal como o mesmo Laýun, cujo livre passou um tudo ou nada ao lado do poste.

Terminada a primeira parte, o FC Porto via-se numa encruzilhada. Em abstracto, estar a perder por 1-0 ao intervalo não é o fim do mundo, mas não parecia que a equipa eventualmente conseguisse marcar um golo. Tanto o futebol hesitante, como a insistência em bolas pelo ar, impediam essa percepção. Era óbvio que os homens do Leicester viriam bem despertos para o jogo, sabendo que escrevem história a casa passo, além de que o futebol aéreo é frequentemente o prato do dia no futebol inglês, pelo que estariam à vontade com isso. Era necessário algo mais sofisticado para crescer no jogo, mas o FC Porto demorou demasiado tempo a encontrar um pouco de inspiração. Seria já com Herrera, Diogo Jota e Corona em campo que o FC Porto reclamou a bola para si e se esforçou por justificar o golo que não haveria de acontecer, com Corona a encontrar mesmo o poste, numa sobra de um lance na área. Quinze minutos finais de alguma qualidade, no entanto, é pouco.

É como se o FC Porto fosse ele próprio um fantasma de si mesmo, capaz de fazer umas triangulações e um ocasional contra-ataque, mas que não sabe como o fazer mais vezes e durante mais tempo, o que se traduz na escassez de lances na grande área e num André Silva quase submerso pela equipa adversária. Este último aspecto faz parte da aprendizagem, mas por muito que Nuno Espírito Santo tenha conseguido verticalizar o futebol do FC Porto, a equipa ainda não vê uma ideia clara do que deve fazer em campo. Sem essa ideia, os azuis-e-brancos continuarão reféns dos deslizes na defesa. É quase inadmissível que Felipe se deixe apanhar por Slimani, tendo em conta que ainda há um mês o defrontou na 3.ª jornada do campeonato – não omitindo o mérito e sentido de oportunidade do argelino.

Terceiro classificado ao fim de duas jornadas, o FC Porto não tem margem de erro se quiser passar da fase de grupos. É muito conveniente que Leicester e Copenhaga – o duo da frente – se defronte nas jornadas seguintes, uma vez que um, ou ambos, perderão pontos que podem redefinir os contornos da classificação, mas o FC Porto não se pode dar ao luxo de desperdiçar nenhum nos seus jogos com o Club Brugge. Nem arriscar-se a que a tarefa de ultrapassar a fase de grupos da Liga dos Campeões se torne também ela num fantasma.

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por Miran Pavlin às 23:40

Quarta-feira, 14.09.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – FC Porto 1-1 FC Copenhaga – Sonolência

A comemoração do 200.º jogo do FC Porto na Taça/Liga dos Campeões ficou a meio. Ou nem chegou a começar. Ao empatar com o campeão dinamarquês, o FC Porto não só complicou, em potência, as suas contas, como também deitou por terra a argumentação daqueles que defendem que os dragões têm pela frente um grupo de Liga Europa. É difícil perceber como pode alguém pensar dessa forma, tendo em conta que o FC Porto é o único do seu grupo que não é campeão em título – Nuno Espírito Santo terá sido o único a salientar este facto, na antevisão ao jogo.

Olhando ao jogo em si, o empate é justo, mas quando se colocam na equação os pergaminhos internacionais de FC Porto e FC Copenhaga, torna-se impossível não achar que os azuis-e-brancos tinham obrigação absoluta de não perder pontos. Contudo, um pouco por falta de chama no futebol que praticou, mas também pelo jogo descomplexado que o Copenhaga fez, o FC Porto não foi capaz de se impor. Mesmo antes do golo os dragões estavam sonolentos em campo, e nada serviu para contrariar a tendência; nem o golo de Otávio (13’), num remate forte e colocado após assistência de calcanhar de André Silva – golo surgido ele próprio em resposta a uma iniciativa de Federico Santander que forçou Casillas a defender para canto –, nem um cabeceamento perigoso de Cornelius que saiu centímetros ao lado (15’), nem sequer o golo do mesmo Cornelius (52’), que aproveitou o desnorte colectivo da defesa portista para fixar o resultado final. O FC Porto só acordaria no desespero dos minutos finais, já com Brahimi em campo. O argelino fazia a estreia oficial esta época e circulou pelos flancos e pelo meio na tentativa de fazer os colegas aparecer na cara do golo, mas quando a equipa no seu todo joga com o coração e não com a cabeça, tudo se torna mais difícil.

Ao contrário de muitas equipas que vêm ao Dragão nas provas da UEFA, o Copenhaga não utilizou o chamado “autocarro”, preferindo trocar calmamente a bola enquanto procurava espaço para subir no terreno. É certo que os dinamarqueses só o conseguiram porque a pressão do FC Porto foi praticamente inexistente, mas não deixou de ser uma novidade. Ainda assim, de parte a parte escassearam os remates à baliza – o único remate do FC Porto no alvo foi mesmo o golo.

Ao minuto 66 o Copenhaga ficava reduzido a dez elementos por expulsão de Greguš. Nem foram necessárias imagens televisivas para perceber que Otávio simulou a falta, mas o juiz esloveno Matej Jug caiu no engodo e mostrou o segundo cartão amarelo ao médio eslovaco. Voltando à ideia veiculada mais acima, nem com a superioridade numérica o FC Porto se impôs. O Copenhaga recuou a equipa, colocando duas linhas de quatro homens à frente da área, com Cornelius sozinho na frente, enquanto o FC Porto respondeu com as trocas de Herrera por Brahimi e de Otávio por Diogo Jota, também ele em estreia. Depoitre já estava em campo desde o minuto 62, altura em que o FC Porto passou a jogar em 4x4x2, mas nem assim a baliza de Olsen foi alvejada. O belga teve consigo a última hipótese de desempatar, mas tentou um golpe de calcanhar que saiu frouxo e à figura do guarda-redes.

O público presente no estádio procurou ser um 12.º jogador, incentivando a equipa até ao fim, mas também isso não foi suficiente para que o FC Porto encontrasse o engenho necessário. Houve alguns assobios no final, mas poucos. Talvez o facto de ainda faltarem cinco partidas da fase de grupos ajude a que os adeptos tenham um pouco de paciência, mas a margem de erro pode muito bem ter desaparecido aqui. Hoje o FC Porto não acordou para o jogo; convém que venha bem desperto para as jornadas seguintes da Champions, primeiro em Leicester, depois em Bruges.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 23.08.16

Liga dos Campeões, play-off, 2.ª mão – AS Roma 0-3 FC Porto – Plano milionário

Na antevisão ao jogo, Nuno Espírito Santo disse que o FC Porto tinha um plano. Decorridos oito minutos, os dragões dissipavam todas as dúvidas que pudessem existir em como a equipa sabia como o pôr em prática. À cabeçada, o central Felipe colocava atrás das costas, pelo menos por um tempo, os problemas de adaptação que sentiu nas partidas anteriores, ao inaugurar o marcador, ao segundo poste, na sequência de um livre. O FC Porto conseguia materializar, talvez mais cedo do que esperava, a entrada com que decerto sonhou, entorpecendo ao mesmo tempo a equipa da Roma.

Além de anular a vantagem psicológica que os italianos traziam da primeira mão, o golo tranquilizou de tal maneira o FC Porto que os homens da casa praticamente não incomodaram Casillas, excepção feita a remates de Nainggolan e Džeko que obrigaram o internacional espanhol a aplicar-se. Do lado dos giallorossi os nervos começaram a levar a melhor. Aos 40 minutos De Rossi era expulso por uma entrada violenta que efectivamente colocou Maxi Pereira fora do jogo; o juiz polaco Szymon Marciniak foi corajoso ao não ter contemplações para com o capitão da equipa da casa. No minuto 50 era Emerson Palmieri, que curiosamente entrara para reequilibrar a equipa após a expulsão de De Rossi, a ver ele próprio o cartão vermelho, também por uma entrada dura, de sola ao tornozelo, sobre Corona. No espaço de poucos minutos, uma Roma que já estava encostada às cordas ajudou ainda mais a causa portista.

Com nove elementos, o conjunto da capital italiana agarrou-se ao coração, procurando o ataque como se ainda tivesse a equipa completa, mas o FC Porto foi impassível, embora por vezes transmitisse a sensação de que se estava a fazer rogado em dar o golpe de misericórdia no jogo e na eliminatória. Seria, contudo, uma questão de tempo. Decorria o minuto 73 quando Layún se escapou pelo flanco direito, contornou Szczęsny e já de ângulo apertado empurrou para a baliza deserta; dois minutos mais tarde Corona elevou para 0-3, agora pela esquerda, num lance em que ultrapassou Manolas antes de rematar forte, com a bola a entrar junto ao primeiro poste.

É fácil pensar que os cerca de 100 minutos que o FC Porto passou em superioridade numérica, no cômputo das duas mãos, jogou a seu favor, mas tal não é totalmente verdade, uma vez que o encontro do Dragão foi muito equilibrado, e em Roma o FC Porto já tinha agarrado as rédeas do jogo com firmeza quando apareceram as expulsões. A passagem do FC Porto à fase de grupos é justa, e mantém o clube na frente da tabela de presenças nessa fase, com 21, ex æquo com Barcelona e Real Madrid. A Roma desce à Liga Europa, e terá que justificar o porquê de um investimento tão avultado na equipa não ter sido suficiente para se manter na elite do futebol europeu.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 17.08.16

Liga dos Campeões, play-off, 1.ª mão – FC Porto 1-1 AS Roma – Ansiedade

As incidências do jogo foram tantas que no final é difícil perceber qual delas teve mais influência no seu desfecho. Terão sido os 35 minutos de avanço que o FC Porto deu ao adversário? Terão sido algumas decisões, correctas ou não, da equipa de arbitragem? Os cerca de 50 minutos que o FC Porto jogou contra dez elementos? A falta de eficácia quando o golo parecia estar à sua frente? A sorte que ora sorriu, ora virou costas? O debate durará pelo menos até à segunda mão. A única certeza, por enquanto, é que o golo sofrido em casa tem tudo para ser um óbice às aspirações dos azuis-e-brancos na prova máxima do futebol europeu.

À semelhança do que acontecera em Vila do Conde, o FC Porto entrou bastante mal na partida. A ansiedade dos dragões estava à flor do relvado, traduzindo-se em descompensações no sector defensivo e inúmeras entregas de bola aos homens da Roma. Os giallorossi traziam na ponta da língua as transições rápidas para o ataque, com Salah em foco, além da consistência defensiva tão querida dos italianos. O pânico no sector recuado portista era evidente sempre que a Roma se abeirava da área. Logo no terceiro minuto Felipe limpou in extremis uma iniciativa precisamente de Salah, antes de o mesmo jogador desferir um remate que saiu pouco ao lado do poste (7’). Ao minuto 13 Casillas fez asneira da grossa ao não segurar uma bola que era mais que sua junto aos pés de Džeko, mas o avançado bósnio, com a baliza à sua mercê, finalizou contra o corpo de Alex Telles, que foi absolutamente salvador. O minuto 21, contudo, seria fatídico, com a Roma a chegar ao golo numa infelicidade de Felipe, que desviou para a própria baliza um canto batido por Salah.

O FC Porto parecia paralisado em campo. Não conseguia sair para o ataque com a bola junto à relva e a equipa não proporcionava linhas de passe. Decerto que uma coisa levava à outra, e as poucas bolas que chegavam ao ataque resultavam de lançamentos longos pelo ar. André Silva bem lutava, mas a defesa romana ia sendo mais forte. Até que a equipa acordou para os minutos finais do primeiro tempo. Como se alguém tivesse acendido a luz, subitamente o FC Porto começou a carregar sobre a Roma, criando finalmente lances de perigo. Aos 41 minutos Vermaelen deixava a Roma reduzida a dez unidades, ao acumular cartões amarelos num derrube a André Silva, que se preparava para ficar isolado frente à baliza.

O intervalo não quebrou o ímpeto que os dragões, ainda que a custo, encontraram. Por esta altura já Otávio se cotava como principal municiador do ataque portista, enquanto André Silva ia mostrando toda a sua disponibilidade para perseguir praticamente tudo o que mexia no último terço do campo. Aos 50 minutos as bancadas explodiram no festejo de um golo de Adrián López, mas o fiscal-de-linha não ficou convencido da legalidade do lance e assinalou fora-de-jogo. Apesar de ser um lance difícil, as imagens televisivas parecem dar razão ao assistente, com quem o juiz principal Björn Kuipers conferenciou antes de validar a decisão. À passagem da hora de jogo a sorte voltaria a olhar para o FC Porto, que beneficiou de uma grande penalidade por mão na bola de Emerson Palmieri – o brasileiro já tinha cortado um lance com a mão na primeira parte, mas esse passou despercebido. André Silva converteu o castigo com excelência, apontando assim o seu primeiro golo europeu.

O FC Porto manteve a pressão, criou oportunidades bastante claras, mas continuou a não conseguir alvejar a baliza da Roma. Perdeu-se a conta aos remates bloqueados e interceptados pelos romanos, que assim resistiram à inferioridade numérica e seguem para a segunda mão com um precioso golo na bagagem. Tanto o FC Porto como a Roma têm boas hipóteses de alcançar a fase de grupos, no entanto os dragões não se podem dar ao luxo de voltar a entrar em falso no jogo; nem podem deixar que tal se torne uma tendência. Pela reacção demonstrada em cada um dos jogos fica a ideia de que este FC Porto é capaz de fazer mais, até porque parece ter melhor circulação de bola que na época passada, mas por outro lado não é líquido que os problemas defensivos da equipa estejam resolvidos. As soluções, por enquanto, não abundam, pelo que a estrela terá mesmo que ser a equipa. Da sua consistência depende o futuro próximo do FC Porto.

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por Miran Pavlin às 23:55



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