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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 06.12.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 5-2 AS Mónaco FC - Mão firme

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364 dias depois, o FC Porto voltava a jogar a última jornada da fase de grupos em casa, com o apuramento ainda por garantir, e defrontando um adversário já com a vida resolvida, por conseguinte não alinhando com as peças habituais. Os detractores do FC Porto decerto serão lestos a deslustrar os números do resultado invocando o reduzido foco competitivo do Mónaco, mas tal como há quase um ano frente ao Leicester City, os dragões fizeram por merecer a robusta vitória com que reservaram lugar nos oitavos-de-final. Nesse jogo de 2016 os então campeões ingleses sofreram o primeiro golo aos seis minutos. Esta noite o marcador abriu aos nove, quando Aboubakar se isolou na cara do golo numa segunda bola e não perdoou. Era importante marcar cedo, e o golo permitiu ao FC Porto gerir o ritmo do jogo. Mesmo sendo sabido que na Liga dos Campeões todo o cuidado é pouco, a verdade é que o Mónaco ia jogando um futebol circunspecto, de pouca vocação atacante, e à espera de colocar no momento certo os avançados contrários em fora-de-jogo. A armadilha não resultou no primeiro golo e voltou a não surtir efeito no terceiro (45'), com Brahimi em jogo a receber um óptimo passe picado de Aboubakar. Nessa altura já o camaronês tinha bisado (33'), trabalhando bem sobre Glik na área para se enquadrar e rematar rasteiro por baixo do corpo de Benaglio, e Felipe tinha sido expulso (38') por responder a uma provocação de Ghezzal, que lhe meteu a mão na cara após um lance mais viril. O central vai fazer falta no jogo dos oitavos-de-final, assunto que só voltará acima da mesa na altura. Ghezzal foi também expulso, mas Sérgio Conceição ajustou mesmo assim a equipa tirando André André para meter Reyes (42').
Com 3-0 ao intervalo e jogando com dez era plausível que o FC Porto surgisse menos intenso no reatamento. Talvez seja por aí que se explicam os três remates com algum perigo consentidos aos campeões franceses até ao minuto 61, altura em que Glik converteu uma grande penalidade por mão de Marcano que não parece existir. O golo sofrido acabaria mesmo por ser o mote para que os dragões dessem um pouco mais de si, e a resposta não se fez demorar (65'), num belo remate rasteiro cruzado, de fora da área, de Alex Telles. O jogo ganharia novos contornos com as entradas de Falcao e João Moutinho (66'), muito saudados pela plateia, que vieram dar outra solidez ao Mónaco. Falcao marcaria mesmo (78'), na pequena área, após uma saída extemporânea de José Sá a uma bola que não era sua, e à qual também acorria Ricardo. Keita Baldé, que entrara seis minutos antes, recuperou-a e cruzou para a cabeça do colombiano. Corona fora lançado ao minuto 67 e deu nova vida ao flanco direito do ataque. O último golo do encontro (88') nasceu de uma boa finta do mexicano, antes de Ricardo cruzar e Soares - entrado aos 85 minutos - se elevar com firmeza e cabecear certeiro.
Tanta firmeza quanta a da mão portista que agarrou mais uma presença na fase a eliminar da Liga dos Campeões, depois de um início difícil em que somou três pontos em três jogos. Foi um teste à capacidade mental da equipa, que sai com nota positiva, e marcando 15 golos pelo caminho. Só Paris SG (25, recorde), Liverpool (23) e Chelsea (16) marcaram mais. Os dez golos sofridos, no entanto, poderão - ou não - ser sinal de alarme. Dos apurados, só o Sevilha (12) sofreu mais.

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por Miran Pavlin às 23:00

Terça-feira, 21.11.17

Liga dos Campeões, grupo G - Beşiktaş JK 1-1 FC Porto - Imunidade

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Sempre que um dos gigantes de Istambul aparece na rota dos clubes portugueses, as antevisões referem invariavelmente as palavras "inferno" e "ambiente escaldante" ou "efervescente", mas o FC Porto, à quarta visita à maior cidade turca, mantém-se imune a tudo isso e mais uma vez regressa sem perder; o que não quer dizer que tenha sido fácil, até porque desafogo só na partida de 2010/11 frente a este mesmo Beşiktaş, que terminou com resultado de 1-3. Principalmente na segunda parte, os bicampeões turcos forçaram o FC Porto a recuar, transformando-o quase numa daquelas equipas menos capazes da I Liga, quando jogam em casa de um dos ditos grandes. Antes, contudo, a única vantagem do jogo foi dos dragões, que executaram na perfeição uma manobra de laboratório. Num livre lateral, Ricardo correu para a bola como quem ia bater para a área mas limitou-se a deixá-la em jogo com um toque, Alex Telles devolveu na direita, e Ricardo cruzou para Felipe, que sozinho no centro da área rematou forte e certeiro (29'). Até aí o encontro fora pautado pelo equilíbrio, havendo a assinalar apenas um remate de Babel que obrigou Jose Sá a uma defesa apertada (19'), completada por um corte de Felipe. À segunda, o Beşiktaş marcou mesmo, após boa finta de Cenk Tosun, que picou a bola sobre Felipe antes de avançar para a área sem oposição, onde ofereceu o golo a Talisca, que só teve que empurrar (41').
O empate ao intervalo era justo. No apito final talvez nem tanto, à conta das oportunidades criadas pelo Beşiktaş. Babel rematou com estrondo à trave (57') e Quaresma, que já tinha posto José Sá à prova no primeiro tempo, voltou a fazê-lo ao minuto 61, ultrapassando Maxi Pereira com classe, antes de desferir um remate directo ao ângulo, onde apareceu a mão de Sá a negar a tentativa do ex-dragão. O FC Porto só por uma vez ameaçou (62'), quando Ricardo teve as portas do golo à sua frente mas finalizou de trivela para onde estava virado. Ou seja, bastante ao lado. A cinco minutos dos descontos Marcano ainda assustou com um cabeceamento que passou perto do golo, mas apenas isso.
Por essa altura já se tinha tornado difícil fazer a leitura das incidências. O empate qualifica desde já o Beşiktaş para a fase a eliminar, e só assim se percebe que as águias negras tenham procurado segurar a igualdade nesses minutos finais, enquanto o FC Porto parecia conformar-se ele próprio com o empate, ainda que só garantisse já hoje o apuramento caso o RB Leipzig não pontue - esse jogo dos alemães no Mónaco ainda decorre, no momento desta publicação. Sem os dados todos sobre a mesa, regista-se apenas essa continuação da imunidade azul-e-branca em solo turco. Não só em Istambul, uma vez que o historial do FC Porto guarda ainda um empate em casa do Denizlispor (2-2), na Taça UEFA de 2002/03, vencida precisamente pelos dragões.

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por Miran Pavlin às 20:55

Quarta-feira, 01.11.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 3-1 RB Leipzig - Eficácia

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O sobe-e-desce continua. Alternando derrotas com vitórias, nem o FC Porto, nem ninguém, consegue imaginar como vai ser o final do grupo - como se a Liga dos Campeões já não fosse imprevisível o suficiente. Vencer o Leipzig foi tudo menos fácil para o FC Porto, que mesmo tendo corrigido as falhas defensivas que custaram dois golos no jogo de ida, não conseguiu propriamente estancar as trocas de bola dos vice-campeões alemães. Uma parte da receita para o sucesso num jogo de futebol consiste na boa ocupação dos espaços e na antecipação daquilo que o adversário vai fazer, e nesse particular o Leipzig voltou a demonstrar qualidade, não dando aos portistas meio segundo que fosse para decidir o que fazer. E uma vez que o próprio FC Porto estava mais coeso, multiplicaram-se os momentos em que parecia estar a assistir-se ao jogo das meninas na aula de educação física, com uma multidão ao redor da bola e esta a ressaltar até ao infinito. De resto, foi assim que nasceu o primeiro golo do FC Porto (13'). Alex Telles bateu um canto para o segundo poste, Herrera amorteceu para a zona fatal, e após alguma confusão a bola acabou por sobrar de novo para o mexicano, que rematou forte e rasteiro. Gulácsi ainda lhe tocou, mas o destino era mesmo o fundo das redes. O golo chegou segundos depois do primeiro revés sofrido pelos dragões, no caso a lesão de Marega (11'), que roubou a velocidade necessária nas alas. A resposta do Leipzig surgiu num livre colocado de Forsberg (21'), ao ângulo, ao qual José Sá se opôs com um belo voo. O FC Porto procurou gerir a magra vantagem com bola, mas da forma como as equipas obstaculizavam o jogo uma da outra, o primeiro tempo esgotou-se sem mais oportunidades a registar.
Face aos atributos do Leipzig, dificilmente o FC Porto conseguiria manter-se em gestão até final, e a segunda parte confirmou-o num ápice, com Sabitzer a lançar Werner em profundidade, sobre a esquerda, para uma boa finalização em arco. A igualdade acabaria por mudar ligeiramente o rosto do jogo. O Leipzig abrandou o ritmo sem se tornar displicente, e com isso o FC Porto passava a ter o ónus de encontrar uma forma de abrir o adversário, coisa que também não se revelou fácil, pelo menos de bola corrida. Com efeito, o segundo golo portista apareceu na cobrança de um livre na direita, por Alex Telles, com Danilo Pereira a desviar de cabeça na grande área (61'). A posição de Danilo era duvidosa, e mesmo as imagens televisivas não clarificam se o médio estava adiantado. Só aí o FC Porto conseguiu assentar um pouco o seu jogo, fazendo melhor uso da largura dada por Ricardo, Brahimi e até por Aboubakar, que veio várias vezes à linha lateral receber e segurar a bola. Ao minuto 72, novo azar, agora consubstanciado na lesão de Corona, que cedeu o lugar a Maxi Pereira. Pensou-se que o uruguaio ocuparia a lateral direita e Ricardo passaria para a extrema, mas assim não foi. Maxi entrou mesmo para jogar subido no terreno e seria decisivo na confirmação do triunfo do FC Porto, já que foi dele o terceiro golo (90'+3'). Com o Leipzig na última tentativa de voltar a empatar, um alívio encontra Aboubakar junto ao círculo central, o camaronês domina com um delicioso gesto técnico e desmarca Maxi, que avançou no momento certo, e com via verde para o golo. A finalização, rasteira, foi sem espinhas.
O aperto do resultado resolvia-se tarde, e no final é justo dizer-se que a única oportunidade que ficou por converter foi o referido livre que José Sá defendeu. É mais uma prova da eficácia por que os dragões se têm pautado nesta fase de grupos sempre que a bola pisca o olho ao golo. A vitória leva o FC Porto ao segundo lugar do grupo e os seis pontos deixam-no em condições de se apurar para os oitavos-de-final já na próxima jornada, imagine-se, caso aconteça a conjugação certa de resultados.

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por Miran Pavlin às 23:30

Terça-feira, 17.10.17

Liga dos Campeões, fase de grupos - RB Leipzig 3-2 FC Porto - Fosso

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Decorrida metade da fase de grupos, é como se o FC Porto estivesse numa montanha russa de emoções, percepções e, mais importante, de resultados. O deste jogo, mais que adverso, é lisonjeiro para um FC Porto que primou pela eficácia, como fizera no Mónaco, mas desta vez encontrou um adversário com outro estado de espírito. Logo nos primeiros minutos o Leipzig mostrou ao que vinha, chegando com facilidade a posições de remate e não hesitando em fazê-lo. Quando Orban abriu o marcador (8'), já não era a primeira vez que os alemães causavam perigo sério junto à baliza portista, hoje guardada por José Sá, que nesse lance defendeu para a frente um forte remate de Bruma, ficando depois muito mal na fotografia quando aparentemente poderia ter feito melhor para deter a recarga. A mobilidade dos atacantes Bruma, Forsberg e Augustin ia desmontando o FC Porto e os instantes de sufoco sucediam-se, até que ao minuto 18, os dragões aproveitaram um certo relaxamento do adversário, e de um lançamento lateral fizeram um golo; Layún arremessou longo, Marcano tocou de cabeça, Felipe desviou ainda mais para o meio, e Aboubakar, à meia volta, atirou a contar. O Leipzig sentiu o toque e voltou a acelerar. O famoso espaço entre linhas voltava a ser dominado pelos da casa, e entre cortes in extremis e remates a rasar o poste os dragões iam sobrevivendo, até que se desnortearam e abriram todo o espaço do mundo a Forsberg (38') e Augustin (41'), que marcaram isolados. Perto do intervalo, uma bóia de salvação noutra bola parada, no caso um canto tão básico quanto certeiro: Alex Telles bateu para o segundo poste e Herrera amorteceu de cabeça para o meio, onde Marcano aparecia para empurrar. O FC Porto podia dar-se por feliz por ir para o intervalo na margem mínima.
Até porque numa segunda parte menos frenética, foi o Leipzig quem esteve a centímetros de voltar a marcar (62'), com Marcano a salvar uma mancha insuficiente de José Sá a remate de Bruma, quando a bola já se encaminhava calmamente para dentro da baliza. Nessa altura já Sérgio Oliveira tinha cedido o lugar a Óliver (58'), mas sem efeitos, de resto como não tiveram as substituições de Brahimi por Corona (76') e de Herrera por Hernâni (81'). É inegável que a equipa lutou ao longo da segunda parte, mas foi pouco mais que desconexa. Os golos foram mesmo as únicas oportunidades claras que o FC Porto teve num jogo em que nunca chegou realmente a acordar. Mesmo já mais cansado, o Leipzig nunca deixou de dar a impressão de estar por cima do jogo. Talvez o desnível do resultado do Mónaco-FC Porto devesse ter acontecido aqui, e vice versa. É um mistério o FC Porto não estar num fosso classificativo como aquele que em campo separou as equipas. Os azuis-e-brancos estão um ponto abaixo do Leipzig, que retribui a visita na próxima jornada.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 26.09.17

Liga dos Campeões, grupo G - AS Mónaco FC 0-3 FC Porto - Implacável

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No rescaldo da partida com o Beşiktaş alguns comentadores apontaram deficiências ao miolo do FC Porto. Só o próprio poderá confirmar se levou esses reparos em linha de conta, mas a verdade é que Sérgio Conceição apresentou neste jogo um meio-campo reforçado com as presenças de Herrera e de Sérgio Oliveira, que somou os seus primeiros minutos da temporada. Se a aposta tivesse falhado, Conceição estaria agora na linha de fogo, acusado de fazer experiências e invenções na pior altura; da forma como correu, é óbvio que a questão não se põe. Ainda assim, o resultado talvez seja exagerado, porque não houve grande desequilíbrio. Nem em face da posse de bola - 47% para o FC Porto -, nem do uso que as equipas fizeram dela, que é sempre mais importante que a percentagem em si. Nesse particular, enquanto o Mónaco praticava um futebol mais rendilhado, o FC Porto optava por um estilo mais pausado mas não hesitante, e a correlação de forças traduzia-se em poucos lances junto às balizas. A decisão do encontro acabou por centrar-se no aproveitamento desses poucos momentos de perigo, e aí os azuis-e-brancos foram implacáveis.
Mesmo assim, e mesmo tendo nessas jogadas as redes monegascas à mercê, foi preciso partir alguma pedra para marcar. Foi o que aconteceu ao minuto 31. Alex Telles executou um lançamento lateral longo na esquerda, Marcano ajeitou de cabeça e Danilo Pereira rematou de pronto, com Benaglio a defender para a frente; Aboubakar estava lá para a sobra, mas ainda viu o guardião suíço defender à queima-roupa a recarga. Golo, só à terceira. O terceiro golo (89') bebeu inspiração no primeiro, já que também foram precisos três remates para o confirmar. Neste caso, foi Marega quem primeiro "aqueceu" o guarda-redes, que defendeu pura e simplesmente porque estava no caminho, mas fê-lo de novo para a frente. Na enorme confusão que se seguiu, Marega atrapalhou-se sozinho, Herrera apareceu a tentar picar a bola, Benaglio voltou a tirá-la, e esta regressou a Marega, que a entregou à esquerda para Layún por fim marcar com um forte remate. Pelo meio, o FC Porto fez um golo mais convencional (69'), num contra-ataque lançado com mestria por Brahimi, conduzido na direita por Marega e finalizado por Aboubakar. O Mónaco ficou-se por um remate de Falcao à trave (71'), no único instante em que escapou à atenção do sector recuado portista.
A busca por outros momentos de relevo apenas encontra um lance (42') em que os dragões trabalharam bem no flanco direito, de onde Ricardo cruzou para Brahimi, que aparecia no coração da área. Era prometedor, mas deixou de o ser assim que o remate do argelino saiu para essa baliza imaginária que fica algures entre o poste e a bandeirola de canto. A escassez de oportunidades só vem corroborar a tese de que o resultado é bem mais vistoso que a acção sobre a relva. Sinal também de que este grupo é efectivamente muito aberto. Se ainda havia dúvidas quanto a isso, elas terão ficado extintas.

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por Miran Pavlin às 23:15

Quarta-feira, 13.09.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 1-3 Beşiktaş JK - Falta de material

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O FC Porto não poderia ter escolhido pior jogo para faltar. Ou, pelo menos a avaliar pelas estatísticas finais, para ter o que em linguagem escolar seria apenas falta de material, uma vez que apesar de ter tido muitos cantos (11 contra 3) e ainda mais remates (18), na verdade, no final da partida, é então muito difícil achar que os dragões foram a jogo. Tão difícil como avaliar o que terá corrido mal. Entrar em jogo aparentemente sem vontade foi o primeiro dos males do dragão, com isso permitindo ao Beşiktaş jogar tranquilo. Tão tranquilo que o primeiro golo surgiu bem cedo (13'), num cabeceamento frontal de Talisca a cruzamento de Quaresma, numa insistência após primeiro alívio da defensiva portista. O FC Porto pareceu reagir bem ao golpe. Óliver Torres rematou ao poste quando estava em óptima posição, na sequência de um amortecimento de Soares a cruzamento de Brahimi (19'), e Marega pareceu ter feito o golo do empate (21') ao desviar de cabeça no primeiro poste um canto de Alex Telles. Mas não era, na realidade tinha sido Duško Tošić a introduzir a bola na própria baliza.
Talvez amolecido pelo golo, o FC Porto voltou a ser castigado ao minuto 28, quando Cenk Tosun arrancou um remate de fora da área que o voo de Casillas para a fotografia não conseguiu deter. Os minutos seguintes deixaram claro que os dragões não terão vindo com o espírito certo. Danilo Pereira estava irreconhecível, Corona não existia, Ricardo era continuamente engolido por Talisca, e até Marcano estava estranhamente inseguro. A desinspiração colectiva deixava Brahimi, Óliver, Marega e Soares demasiado sozinhos para serem efectivos. Dito de outra forma, o Beşiktaş estava a ser a melhor equipa em campo e colhia os frutos disso. Ao intervalo Sérgio Conceição procurou corrigir lançando André André e Otávio para os lugares de Óliver e Corona. A equipa ficou mais coesa, mas nem por isso mais perigosa, excepção feita a nova desmarcação prometedora de Soares (62') à qual Fabrício respondeu com uma boa mancha. Por muito que as estatísticas ofensivas do FC Porto indicassem o contrário, era impossível escapar à ideia de que o Beşiktaş continuava a ser a melhor equipa em campo. Para que não houvesse dúvidas, Babel fixou o resultado final (86') com um remate cruzado após tabela à direita com Negredo. A jogada passou por boa parte da equipa do Besiktas.
O resultado final vem reforçar a percepção de que o FC Porto se encontra num grupo de Liga dos Campeões muito aberto, onde qualquer equipa pode ficar em primeiro, ou em último. Não tendo o estatuto de campeões nacionais, os dragões não podem, no mínimo, repetir esta prestação desligada se quiserem pensar em cumprir o objectivo mínimo de se qualificarem para a fase a eliminar.

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por Miran Pavlin às 22:45

Terça-feira, 14.03.17

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão – Juventus FC 1-0 FC Porto – Sinal vermelho

A esperança que o FC Porto ainda tinha em discutir a eliminatória caiu por terra de forma semelhante à primeira mão: com a exuplsão de um lateral. Depois de Alex Telles, agora foi Maxi Pereira a parar no sinal vermelho, ao cometer a grande penalidade que definiu o resultado. A inferioridade numérica voltou a condicionar o FC Porto, mas desta vez a equipa não procurou a contenção. Nem podia ser de outra forma, já que para todos os efeitos os dragões não tinham nada a perder. Apresentando o mesmo onze das jornadas mais recentes da I Liga – com Danilo Pereira, André André, Óliver Torres e Brahimi a povoar o meio-campo no apoio a André Silva e Soares – o FC Porto enfrentava uma Juventus com alterações em relação ao jogo do Dragão, principalmente na defesa, onde Lichtsteiner, Chiellini e Barzagli não repetiram a titularidade; mais à frente, Pjanić também ficou no banco. Alinharam então de início Daniel Alves, Bonucci, Benatia e Khedira, e se tivesse corrido mal falar-se-ia em sobranceria, mas como resultou será apenas gestão do plantel, num sinal da tranquilidade com que os bianconeri encararam esta segunda mão.

Sem medo de ter atitude, e com isso não perdendo a bola desnecessariamente, os homens do FC Porto saíram então em busca da baliza de Buffon, principalmente através da imprevisibilidade de Brahimi e de uma ou outra iniciativa de Danilo Pereira. A equipa ia mostrando conforto no jogo, conseguindo com isso algumas recuperações e posse de bola, no entanto os lances de maior perigo voltaram a ser da responsabilidade da Juventus, pois o FC Porto continuou sem conseguir visar as redes contrárias, à excepção de um remate de Soares (12’) que Buffon segurou facilmente. Dybala tentou dois remates de longe que não causaram perigo, antes de um cabeceamento de Mandžukić colocar Casillas à prova (23’). Ao minuto 41 Casillas respondeu com uma boa defesa a um cabeceamento em zona frontal, mas a bola ficou à mercê de novo remate, que Maxi Pereira, deitando-se, bloqueou com o corpo… e com os braços. Grande penalidade indiscutível e cartão vermelho, com Dybala a converter o castigo com mestria, rematando colocadíssimo junto ao poste esquerdo de Casillas.

Só no reatamento Nuno Espírito Santo corrigiu a defesa, lançando Boly em novo sacrifício de André Silva. Danilo Pereira quase fez auto-golo (48’), segundos antes de uma oportunidade para o FC Porto, quando Soares se isolou perigosamente a caminho do golo. Buffon fechou bem a baliza e a finalização saiu rente ao poste. Os dragões nunca desistiram de tentar, mas só estariam cara a cara com Buffon mais uma vez (82’), já com Diogo Jota em campo. O avançado também se isolou sobre o flanco esquerdo e tentou picar a bola sobre o guarda-redes, mas encontrou a malha lateral. Nos minutos em que esteve em campo – entrou aos 67 – Jota voltou a realizar uma sólida exibição, pontuada por mais uma arrancada que levou a bola quase de uma área à outra. Otávio também foi a jogo (70’), numa altura em que a partida começava a ter pouco para dar. A velha senhora também esteve perto do golo na segunda parte, nomeadamente num remate de Pjaca após assistência de calcanhar, no ar, de Mandžukić (60’) e num cabeceamento de Higuaín (66’), contudo não mais se gritaria golo.

Tendo em conta a atitude demonstrada pelo FC Porto, a segunda mão não foi um passeio, mas não deixou de ser uma noite predominantemente tranquila para a Juventus. Já ao FC Porto vale o brinde moral de não sair envergonhado da eliminatória. Uma coisa não ficou clara, nem nunca ficará, no caso o que poderia o FC Porto ter conseguido caso tivesse passado os 180 minutos sempre com onze jogadores; mesmo levando em linha de conta o potencial das duas equipas, que, como se sabe, nem sempre entra em campo.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quarta-feira, 22.02.17

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 1.ª mão – FC Porto 0-2 Juventus FC – Limites

Quase todos os anos a história se repete. Independentemente do sucesso que obtenha, na I Liga a equipa do FC Porto é posta à prova nos jogos com os outros grandes e numa ou noutra deslocação. Salvo um fracasso europeu, o teste dos testes fica sempre reservado para o tubarão que inevitavelmente acaba por se cruzar com os azuis-e-brancos na Liga dos Campeões. Esta época o sorteio ditou uma rara visita da Juventus logo nos oitavos-de-final, num jogo que por si só deixaria expostos os limites desta versão do FC Porto. Por outro lado, o Dragão não deixa de ser um recinto que impõe respeito a todos os que o visitam, e isso ficou também à vista logo desde o apito inicial. Embora a Juventus tivesse mais posse de bola, ambos os conjuntos iam praticando um futebol cauteloso, à procura de transições ofensivas pela certa. O FC Porto ia também dando mais uma mostra de acerto defensivo, que ia gorando as trocas de bola mais fluidas dos italianos.

Até que a bomba explodiu. Numa questão de segundos Alex Telles acumulou cartões amarelos e se despediu do jogo e da eliminatória. Uma carga extemporânea a Cuadrado e uma entrada mais ríspida sobre Lichtsteiner foram a sua desdita, ficando aberto o espaço para as interpretações: cartões bem exibidos ou excesso de zelo do juiz alemão Felix Brych? Enquanto muitos decerto debatiam o tema, o FC Porto tinha nas mãos uma batata a escaldar, que obrigou Nuno Espírito Santo a esquecer o plano que trazia para o jogo. Saiu André Silva e entrou Layún para compor a defesa. Em inferioridade os dragões não sentiram quebra na segurança defensiva, mas Soares passou a ser uma ilha remota no meio-relvado da Juventus. As manobras do FC Porto tiveram também que começar mais atrás, e com ainda mais cautela, no sentido de dar à equipa o tempo necessário para ir subindo no terreno. Muitas vezes foi Brahimi que veio até à área de Casillas recuperar a bola e procurar arrancadas para o ataque, mas a velha senhora não encontrou problemas em fechar os acessos à sua zona recuada.

Por uma vez, as estatísticas finais reflectiram o que se passou em campo. Nem era preciso consultar os números da posse de bola, que roçaram o esmagador a favor dos campeões italianos. Bastava ver outros capítulos: apenas um canto para o FC Porto, já nos dez minutos finais, e apenas três remates, nenhum à baliza. O FC Porto ficou restringido a um livre de Brahimi, nos primeiros minutos, que passou um pouco por cima da baliza.

A Juventus ameaçou várias vezes. Dybala acertou em cheio no poste à saída para o intervalo, Higuaín esteve perto do golo durante a segunda parte e Khedira quase marcou num desvio cruzado, já depois dos golpes fatais dados pela Juve no espaço de minutos. Aos 72, em mais um lance de ataque apoiado, Layún não teve reflexos suficentes para dominar uma bola que passou à sua frente e acabou por entregá-la de bandeja ao suplente Pjaca, que rematou cruzado de primeira para o 0-1. Dois minutos depois, e aproveitando o abalo sentido pelo FC Porto, outro suplente utilizado, no caso Daniel Alves, apontou o 0-2 após cruzamento do outro lateral, o ex-portista Alex Sandro.

Mesmo tendo em conta a expulsão, a vitória da Juventus é justa, já que a atitude dos dragões não chegou para pelo menos incomodar Buffon. Curiosamente, o maior perigo foi causado pela própria Juventus, num atraso deficiente de Chiellini que obrigou o veterano guarda-redes a cortar de cabeça para lançamento. Em igualdade numérica não se sabe como seria. Da forma como aconteceu, a Juventus sai do Porto com pé e meio na fase seguinte, enquanto o FC Porto viu os seus limites expostos. Em parte, pelo menos. A tarefa para Turim é mais que hercúlea. É ciclópica.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 07.12.16

Liga dos Campeões, fase de grupos – FC Porto 5-0 Leicester City – Fartura

Não há fome que não dê em fartura, diz o povo. Não sendo possível atestar cientificamente a validade do dito, sobejam os exemplos que justificam a sua existência. Para o caso em apreço, o mais recente exemplo é o FC Porto, que passou a goleador depois de um período em que foi incapaz de marcar. O fim do jejum não podia ter vindo em melhor altura, já que além de permitir aos dragões carimbar a passagem aos oitavos-de-final da liga milionária, proporcionou também uma injecção de moral na equipa. Se nas partidas frente a Benfica e Braga o vigor foi a nota dominante, aqui o FC Porto mostrou grande maturidade na gestão dos momentos do jogo, fazendo, do ponto de vista colectivo, a sua exibição mais conseguida até agora. É verdade que o Leicester, já apurado, fez da visita ao Dragão um tubo de ensaio, optando por um onze alternativo e dando descanso às peças principais da equipa – também porque a situação classificativa dos foxes na Premier League é tudo menos tranquila –, mas é difícil retirar mérito ao vencedor quando o marcador sobe até aos 5-0.

O pesadelo do campeão inglês começou logo ao minuto 6, altura em que André Silva cabeceou certeiro na zona fatal, na sequência de um canto. Diogo Jota podia ter elevado logo de seguida, mas foi preciso esperar pelo minuto 26 para que não restassem dúvidas de que o lugar na fase seguinte ficaria na posse do FC Porto. Alex Telles cruzou e Corona, solto de marcação na direita da área, rematou de primeira, ao ângulo, para um belo golo. O tento do mexicano só não foi o melhor da noite porque Brahimi assinou um excelente golpe de calcanhar (44’), a culminar uma óptima jogada de inisistência do FC Porto. O resultado ao intervalo não era lisonjeiro para nenhuma das partes; apenas sublinhava a valorosa prestação dos azuis-e-brancos, que tiveram Óliver, o próprio Brahimi e ainda Maxi Pereira em destaque. O lateral uruguaio subiu com propósito inúmeras vezes, realizando talvez a sua melhor exibição desde que chegou ao FC Porto.

Tendo as rédeas do jogo bem seguras, e perante um Leicester que era uma sombra até da equipa que foi em todas as épocas antes do seu incrível 2015/16, havia o risco de que a uma primeira parte de sonho sucedesse uma segunda metade de sono, mas tal não se verificou. O primeiro responsável foi mesmo o Leicester, que entrou com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. Depressa, contudo, a partida voltou aos moldes do primeiro tempo. O quarto golo apareceu aos 64 minutos, numa grande penalidade indiscutível convertida por André Silva, com a mão cheia a sair dos pés de Diogo Jota (77’), que finalizou por entre as pernas do desamparado Hamer. Nuno Espírito Santo refrescou a equipa com as trocas simultâneas de Danilo Pereira – ovacionado de pé – por Rúben Neves, e de Corona por Herrera. Pouco depois André Silva dava o lugar a Rui Pedro, em mais um sinal de que Depoitre desceu um lugar na hierarquia dos pontas-de-lança do FC Porto.

O Leicester teve apenas um lance de algum perigo, já na recta final, quando o suplente Ulloa aproveitou uma segunda bola para disparar à trave, mas a solidez da defensiva portista não seria beliscada, pelo sexto encontro consecutivo. Apesar de ainda faltarem cerca de dois meses para os oitavos-de-final, o simples facto de o FC Porto lá estar serve para contrabalançar a saída prematura da Taça de Portugal, e devolve alguma margem de manobra a Nuno. Haja pés assentes na terra, contudo; ainda há muito caminho a percorrer.

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por Miran Pavlin às 23:15

Terça-feira, 22.11.16

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Copenhaga 0-0 FC Porto

Não assisti ao jogo. O empate significa que a decisão sobre o futuro do FC Porto na Liga dos Campeões ficou adiada para a última jornada do grupo. Na época passada desperdiçar oportunidades custou bem caro.

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por Miran Pavlin às 23:00



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