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CORTE LIMPO


Sábado, 09.09.17

Liga NOS, 5.ª jornada - FC Porto 3-0 GD Chaves - Velha máxima

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A história guardará nos seus arquivos um resultado final que indica um triunfo tranquilo do FC Porto, mas por uma vez os momentos mais relevantes do encontro não residem nos golos. Antes de os dragões fugirem com o resultado, o Chaves teve duas oportunidades de sonho para adicionar contornos à história, ficando-se apenas pelas intenções. O primeiro a falhar foi William, que em posição privilegiada finalizou para o lado quando já nem o Casillas de há dez anos chegaria à bola (70'), seguindo-se-lhe Tiago Galvão no desperdício (81'), num lance ainda mais gritante que o anterior. O FC Porto pode dar-se por feliz por ter escapado de boa duas vezes, e por ter tido ainda tempo de acrescentar os golos que não deixam espaço para discussão sobre a justiça do triunfo. Até porque o jogo esteve longe de ser dos melhores a que o Dragão assistiu - e assistirá - esta época.
As proverbiais "véspera de jogo europeu" e "regressos das selecções" poderão servir de explicação para a prestação menos dominadora dos azuis-e-brancos, mas não são, de maneira nenhuma, atenuantes. Desde logo porque todos os anos o FC Porto tem que lidar com esses aspectos, e muito mau era que assim não fosse. Com o FC Porto mais interessado em controlar o jogo do que em sufocar o adversário, não foi surpresa que o intervalo chegasse com o resultado inalterado. Nem sequer havia lances de perigo do lado dos dragões. A única oportunidade foi mesmo do Chaves (28'), num remate de Jefferson que colocou Casillas à prova; ainda assim, o lance na verdade não conta, devido a fora-de-jogo posicional de Renan Bressan.
Antes que o jogo entrasse no domínio das velhas máximas, Aboubakar aproveitou uma bola recuperada a meio-campo por Soares, suportou a forte marcação de Paulinho, e já na área rematou para golo (49'), com a bola a prensar ainda no defensor flaviense. Num jogo com tão pouca baliza estar em vantagem era uma dádiva. Sem transformar o controlo em domínio, como no jogo frente ao Moreirense, o FC Porto expôs-se então àqueles deslizes que o Chaves não soube capitalizar. Foi aí que uma velha máxima acabou mesmo por entrar em campo: quem não marca, sofre. Nem mais. O central Maras deu mão na área, e Soares converteria a grande penalidade, mas só na recarga (86'). Dois minutos mais tarde Marega fixou o resultado final ao desviar um cruzamento de Óliver Torres ao segundo poste.
A tranquilidade foi tardia, mas chegou, e veio bem a tempo de manter o FC Porto com aproveitamento total e a baliza ainda por estrear. Desde 1983/84 que tal não se verificava à passagem da 5.ª jornada.

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por Miran Pavlin às 23:40

Sexta-feira, 02.06.17

GD CHAVES 2016/17

O Desportivo de Chaves estava de volta à I Liga após 17 anos de ausência, mas a avaliar pela primeira volta não sentiu essa espécie de fosso geracional futebolístico. Pelo contrário, evocou mesmo memórias dos seus verdes anos na divisão principal, altura em que obteve dois quintos lugares (1986/87 e 1989/90) e um sexto (1985/86), bem como uma ida à Taça UEFA (1987/88). Com efeito, à 18.ª jornada os flavienses eram sextos classificados e tinham perdido apenas três partidas até aí – Benfica (c), Braga (f) e FC Porto (f). A mobilidade da frente de ataque ia causando estragos e as boas exibições sucediam-se, resistindo mesmo à mudança súbita de treinador registada após a 13.ª jornada. Por essa altura, estavam reunidos os ingredientes para classificar o Chaves de equipa sensação.

 

TAÇA DE PORTUGAL

O Chaves causou espanto também na Taça de Portugal, onde tirou do caminho FC Porto e Sporting. Os dragões foram os primeiros a cair, na 4.ª eliminatória, que os transmontanos venceram nas grandes penalidades (3-2) no final de um nulo em 120 minutos. Os oitavos-de-final foram um carrossel de emoções para o Chaves na visita ao Torreense. Os da casa estiveram a vencer (35’), permitiram a reviravolta (58’), e abririam as portas de um prolongamento (90’) com um auto-golo do flaviense Freire, mas o Chaves fechou-as com uma grande penalidade de Battaglia ao minuto 90’+9’. Nos quartos-de-final foi a vez de o Sporting se despedir, por força de um golo de Carlos Ponck (87’), antes de uma meia-final dramática com o Guimarães. O Chaves recuperou de uma desvantagem de dois golos, mas permitiu um fatal golo fora ao Vitória e ainda falhou uma grande penalidade na compensação. Um duro final para uma caminhada que começara bem longe da raia transmontana, com uma vitória sobre o União (0-1) na 3.ª eliminatória.

 

SEGUNDA METADE

O resto de campeonato do Chaves teve pouco do fulgor da primeira metade da temporada. Depois de baterem o Nacional (2-0) na primeira ronda da segunda volta, os flavienses venceriam apenas mais dois jogos, contra Arouca (2-0) e Paços de Ferreira (1-0), este com um auto-golo de Gegé. A época terminou em plena série de sete jogos sem vitórias. Face a um tão fraco pecúlio a partir de Janeiro, acabaram por ser os rendimentos até aí conseguidos a justificar o 11.º lugar final, juntamente com os 14 empates. Ninguém dividiu tanto os pontos neste campeonato.

 

FIGURAS

Fábio Martins foi o artilheiro da equipa com seis golos na Liga, seguido de Rafael Lopes com cinco golos. Renan Bressan e Willian fizeram quatro golos cada.

Braga e Perdigão foram outros nomes em foco no ataque do Chaves. Mais atrás, destacou-se o central Nélson Lenho, o único totalista desta edição da Liga NOS.

 

TREINADORES

Depois de realizar trabalhos interessantes ao comando de Belenenses e Paços de Ferreira, Jorge Simão parecia estar a viver o seu ano de afirmação, mas cortou a árvore pela raiz quando ao fim de 13 jornadas não resistiu ao convite do Braga, que entrou em convulsão e despediu José Peseiro. Nem o Chaves voltou a praticar futebol tão atractivo, nem Simão voltou a ter o mesmo sucesso.

Recrutado ao Vizela, Ricardo Soares procurou não estragar o que estava feito, mas não conseguiu manter a chama da equipa por muito mais tempo. Em Janeiro, no espaço de quatro dias Soares viu o Chaves roubar pontos ao Sporting na Liga (2-2 em casa) e empurrá-lo para fora da Taça, naqueles que seriam os últimos grandes momentos dos flavienses na temporada.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 11.º lugar, 8v-14e-12d,35gm-42gs, 38 pontos;

Taça de Portugal: eliminado nas meias-finais frente ao Vitória de Guimarães;

Taça da Liga: afastado na 2ª eliminatória, ao perder em casa do Rio Ave (1-1, 3-1 gp).

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por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 29.04.17

Liga NOS, 31.ª jornada – GD Chaves 0-2 FC Porto – Primeira pedra

O FC Porto chegava à recta final do campeonato envolto numa súbita turbulência, fruto de quatro empates em cinco jogos. Visto de uma perspectiva oblíqua, os dragões podiam até dar-se por felizes de as consequências não terem sido catastróficas porque o líder também deslizou aqui e ali. Certo era que o FC Porto se mantinha na mesma posição comprometedora em que ficou no final de Novembro, agora com a margem de erro já muito para lá do prazo de validade. Ainda com o título em jogo, ter três deslocações nas últimas quatro jornadas é uma tarefa monumental, independentemente de quem sejam os adversários. O FC Porto teve que enfrentar a ida a Chaves sem Brahimi e Danilo Pereira, e talvez tenha sido por aí que o FC Porto esteve longe de deslumbrar; Corona estava de regresso após lesão, mas trouxe pouco ritmo. Os azuis-e-brancos controlaram a primeira parte, mas só se mostraram em dois livres de longe de Rúben Neves que proporcionaram boas defesas a Antrónio Filipe. O guardião flaviense cederia ao minuto 52, altura em que defendeu para a frente nova tentativa à distância, agora de André André. Oportuno, Soares chegou de pronto ao ressalto e abriu o marcador. Corona daria o lugar a Óliver Torres (66’) e foi já com o espanhol em campo que apareceu o 0-2 (72’), numa boa transição ofensiva iniciada pelo próprio e finalizada por André André à saída do guarda-redes. Talvez o FC Porto tenha beneficiado de um Chaves numa forma bastante menos fulgurante que na primeira metade da temporada, mas não deixou de justificar o triunfo. Não sem antes ficar reduzido a dez (89’) por uma entrada tão violenta como disparatada e desnecessária de Maxi Pereira, a pés juntos e de sola sobre Davidson. Expulsão indiscutível, mas um erro potencialmente tão grave como aquele de Herrera que deu o fatídico último canto na recepção ao Benfica (10.ª jornada), desfalcando os dragões para a colocação da próxima pedra da tal monumental empreitada portista. A primeira foi colocada então com pouco brilho, mas ficou lá. E quão necessária é para alicerçar a esperança que os adeptos mais optimistas ainda acalentem.

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por Miran Pavlin às 23:25

Segunda-feira, 19.12.16

Liga NOS, 14.ª jornada – FC Porto 2-1 GD Chaves – Intenso

Volvido um mês e um dia sobre a eliminação da Taça de Portugal aos pés deste mesmo Chaves, o momento do FC Porto não podia ser mais diverso na hora de o reencontrar. Se nessa altura os dragões vinham de um inglório empate caseiro com o Benfica e iniciavam um calvário de quatro nulos consecutivos, desta vez subiam ao relvado na crista de uma série de quatro vitórias. Já o Chaves, apesar da súbita perda do técnico Jorge Simão, mantinha a boa forma, tendo sofrido apenas duas derrotas em 13 jornadas. A teoria não joga, já se sabe, mas o Chaves fez questão de sublinhar que não entrou na jornada em sétimo lugar por acaso. Os flavienses foram um osso bem duro de roer.

O aviso estava lá desde essa partida da Taça, mas, por jogarem em casa, talvez o FC Porto não estivesse à espera – parafraseando Luís Freitas Lobo – da agressividade táctica com que o Chaves abordou os primeiros minutos. A pressão sobre o portador da bola e as saídas rápidas para o contra-ataque à mínima oportunidade não deixavam que os azuis-e-brancos assentassem o seu jogo. Até que ao minuto 13 o azar bateu à porta do FC Porto. Num regresso aos momentos menos bons do início da época, Felipe entregou a bola ao adversário, que logo iniciou mais um contra-ataque. Como se isso não bastasse, Felipe escorregou quando se preparava para cortar, e o Chaves avançou até à entrada da área, onde Rafael Lopes desferiu um remate que ressaltou em Danilo Pereira e caiu redondo dentro da baliza.

Em vantagem, e mesmo não esquecendo o contra-ataque, o Chaves aumentou os níveis de agressividade física nas disputas de bola. A ansiedade dos portistas era também crescente, os ânimos iam aquecendo, e as reclamações multiplicavam-se, de parte a parte, a cada decisão do árbitro Vasco Santos. O guardião flaviense António Filipe, herói da Taça, montou mais um álbum de boas defesas, enquanto do outro lado Casillas não lhe ficou atrás, efectuando mesmo a sua melhor defesa desde que está no FC Porto, num cabeceamento à queima-roupa de Leandro Freire (34’), à qual se juntaram outras duas intervenções de qualidade a repelir traiçoeiros remates de Braga e Perdigão.

No segundo tempo o FC Porto passou de ansioso a determinado, começando efectivamente a carregar sobre o último reduto transmontano. Mais recuado no terreno, o Chaves já não conseguia municiar Fábio Martins, Braga e Perdigão como fizera na primeira parte; Rafael Assis é que passou a ser o destaque definitivo no tocante a infracções, escapando sem ver o segundo cartão amarelo. Logo aos 52 minutos André Silva, de cabeça, fez golo, mas o árbitro assistente invalidou-o por fora-de-jogo que não existiu, motivando fortes protestos do banco portista assim que a informação lá chegou. António Filipe mantinha-se intransponível, e continuou a sê-lo durante um bom tempo, adicionando uma majestosa defesa, em tudo idêntica àquela anterior de Casillas, em novo cabeceamento de André Silva (64’). Uma grande penalidade terá ficado por assinalar, numa carga de Carlos Ponck sobre Maxi Pereira, e a necessidade de mais presença na área levou Depoitre ao jogo, por troca com Diogo Jota (63’). Desastrado nas suas prévias aparições, desta vez o belga foi certeiro, correspondendo de cabeça a um cruzamento de Alex Telles para o golo do empate (72’). A reviravolta demorou apenas mais cinco minutos, altura em que Danilo Pereira arrancou um golo de levantar o estádio, num forte remate de fora da área, que entrou bem junto ao poste direito das redes flavienses.

Feito o 2-1, Nuno Espírito Santo optou por segurar o jogo, fazendo entrar Rúben Neves para o lugar de Óliver Torres – boa exibição – (82’) e João Carlos Teixeira para o posto de Brahimi (85’), que foi o mais castigado pela impiedosa marcação adversária. O Chaves ainda tentaria um último atrevimento em busca do empate, mas nesses minutos finais já faltavam as pernas, e o marcador não voltaria a alterar-se. Apesar de as estatísticas finais darem superioridade ao FC Porto, o Chaves é também responsável pela grande intensidade com que se jogou, e que incrivelmente só fez alguns jogadores transbordar – ligeiramente – após o apito final, a propósito de um desentendimento entre André Silva e os flavienses Ponck e Nélson Lenho. Só os intervenientes poderão esclarecer o motivo.

Foi a terceira reviravolta na Liga – quarta na época. Um bom indicador, que não significa necessariamente que tudo esteja bem no reino do Dragão. É certo que o FC Porto voltou nos últimos jogos a mostrar mais consistência, mas falta provar que não voltará a entrar num ciclo negativo como no mês de Novembro.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sexta-feira, 18.11.16

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória – GD Chaves 0-0 FC Porto (a.p., 3-2 g.p.) – Faltou o sal

Em abstracto, uma das piores coisas – senão mesmo a pior – que o futebol pode oferecer aos adeptos é um 0-0 ao fim de 120 minutos de jogo. São muito raras as ocasiões em que não são vistas como mal empregues as duas horas na bancada ou em frente à televisão com o tempero principal do jogo bem fechado no saleiro. Foi justamente isso que aconteceu nesta primeira visita do FC Porto a Chaves em nove anos. Intensa na primeira parte, equilibrada após o descanso, e de sentido único no prolongamento, a partida, qual peça de teatro, teve vários actos, mas a todos faltou o golo.

O Chaves foi o primeiro a causar perigo, num cabeceamento de William que não passou longe da baliza (10’); o FC Porto teve o primeiro remate ao quarto de hora, mas o jogo pouco mais teria que meias oportunidades, de parte a parte. Os flavienses tiveram mais um cabeceamento perigoso antes do intervalo, André André, já na segunda parte, desferiu um belo remate em arco, que só não foi belíssimo porque esbarrou na trave, e em cima do apito final Nélson Lenho vestir-se-ia de herói, ao cortar o remate de Diogo Jota com a cabeça, bem no centro da área. O tiro levava a palavra “golo” escrita a letras garrafais, mas não passou disso, confirmando-se o prolongamento como o capítulo seguinte. Os treinadores das duas equipas é que já o tinham percebido há muito, pois a primeira mexida aconteceu apenas ao minuto 77, com a troca de Otávio por Depoitre. Tantas vezes criticado por não lançar o belga, Nuno Espírito Santo desta vez fê-lo, mas o ponta-de-lança não conseguiu ser mais que desajeitado na hora de finalizar, tornando-se ele próprio em mais um óbice à finalização dos dragões, que novamente deixou a desejar.

No tempo extra o Chaves mudou então de estratégia, e procurou queimar algum tempo com assistências médicas, ao ponto de a primeira parte ter tido quatro minutos de compensação. A iniciativa que o Chaves entregava ao FC Porto era um presente envenenado, que trazia consigo a responsabilidade total de terem que ser os dragões a decidir o jogo a seu favor. A conclusão das jogadas, no entanto, continuou a ser a pecha. O mais perto que o FC Porto esteve do golo até final foi quando o flaviense Paulinho, ao tentar aliviar, fez uma rosca que por pouco não resultou num auto-golo (118’). As grandes penalidades eram mesmo o destino.

Vasculhando a memória, o vosso humilde escriba consegue lembrar-se de sete desempates, dos quais o FC Porto venceu apenas dois, ambos diante do Sporting nesta mesma competição. E mais uma vez o FC Porto sucumbiu. A primeira leva parecia encaminhar os azuis-e-brancos para o sucesso, com Evandro a marcar e Braga a permitir a defesa a José Sá, mas não é possível resistir quando Layún, Depoitre e André Silva falham as suas conversões; mérito a António Filipe, que parou cada uma dessas grandes penalidades. Felipe Lopes ainda desperdiçaria a sua tentativa – no total, falharam-se cinco das dez grandes penalidades tentadas –, antes de Leandro Freire assumir a cobrança decisiva, enviando o Chaves para próxima eliminatória.

Curiosamente, Freire era o mesmo homem que protagonizou um lance duvidoso, em que parece ter cortado a bola dentro da área com o braço, já no prolongamento. Talvez o árbitro não tivesse o melhor ângulo para avaliar o lance, e o jogo seguiu. Ficam os lamentos sobre o que poderia ter sido. Depois de duas épocas em que os desastres defensivos foram a ordem do dia, e tendo o FC Porto aparentemente corrigido esse problema, é agora a finalização que volta a tolher a equipa, depois dos encontros do campeonato com Setúbal e Benfica. Nuno reconheceu-o na entrevista rápida. Será mais um sinal dos tempos, ou a próxima etapa a cumprir para o renascimento do FC Porto?

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por Miran Pavlin às 23:59



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