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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 09.08.17

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 4-0 GD Estoril Praia - Tracção à frente

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A pré-temporada perspectivou-o, a estreia oficial confirmou: o FC Porto está virado para a frente e traz golos na manga. Dito isto, é favor fazer a bandeira descer da haste e ter bem presente que uma andorinha não faz a primavera, e que se tratou apenas do primeiro jogo a doer. A verdade, ainda assim, é que os dragões começam o novo campeonato na mesma forma que exibiram no seu melhor período da época passada. Com uma nuance: os laterais, principalmente o regressado Ricardo, na direita, porporcionaram jogo à largura do terreno de uma forma bastante mais efectiva que na pretérita temporada. Face a esse pendor ofensivo, acaba por ser paradoxal que o FC Porto tenha chegado ao conforto do 2-0 graças a um erro da defensiva estorilista e a um ressalto feliz. O também regressado Marega foi o responsável por castigar a asneira contrária (35'), pressionando Mano na altura certa, quando o lateral canarinho, julgando-se sozinho, devolveu nas calmas um passe ao guarda-redes Moreira; o maliano do FC Porto intrometeu-se então e só teve de empurrar para assinar o primeiro golo azul-e-branco da época. Pouco depois do intervalo (54'), Brahimi furou pelo centro, beneficiou do tal ressalto quando procurava fintar um contrário, e acabou por ficar solto frente ao golo, colocando rasteiro para o golo junto ao poste esquerdo de Moreira.
O Estoril pouco tinha aparecido no ataque até aí, pelo que se tornava evidente que o FC Porto tinha o caminho aberto para a vitória. O resultado acabou por se avolumar mercê da atitude portista, que se manteve inalterável até final. Marega, imagine-se, bisou à boca da baliza a cruzamento de Óliver Torres (62'), e Marcano (70') fechou o resultado, de cabeça, após recurso ao vídeo-árbitro, que corrigiu um fora-de-jogo mal assinalado ao central espanhol. Por esta vez, a nova funcionalidade surtiu o efeito esperado ao emendar essa decisão incorrecta. Só depois do 4-0, e especialmente com Aylton Boa Morte em campo, é que o Estoril deu trabalho a Casillas, que se mostrou atento.
Num final de tarde globalmente positivo para os azuis-e-brancos, Soares ficou com a fava, ao resistir pouco mais de vinte minutos em campo, sendo rendido precisamente por Marega. O treinador Sérgio Conceição, na antevisão à partida, guardara para a hora do jogo a decisão sobre a utilização do ponta-de-lança brasileiro, que acabou por confirmar não estar em condições. Falando de pontas-de-lança, Aboubakar - não apenas o regressado, antes o convencido a regressar - apareceu um pouco por todo o lado na frente de ataque, mas não veria premiadas as suas inúmeras tentativas de facturar. Valeu-lhe o empenho com que jogou, que por ora mostra que está de corpo e alma com o clube.
E porque uma primeira jornada com vitória tranquila do FC Porto, por norma, não deixa muito mais que contar, não resisto a socorrer-me mais uma vez de uma estatística para acrescentar linhas ao texto: o FC Porto não conseguia um triunfo tão folgado na ronda de abertura desde 1998/99, então diante do Rio Ave. Era o início do ano do penta. Essa palavra tão querida do FC Porto, mas que este ano os simpatizantes do Dragão desejam ver proibida. Dê por onde der.

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por Miran Pavlin às 23:30

Terça-feira, 30.05.17

FC PORTO 2016/17

Estas palavras já foram escritas na crónica do recente jogo com o Paços de Ferreira, mas é difícil não voltar a elas: o FC Porto vive uma fase de insucesso continuado que não estaria na mente dos seus aficionados se lhes tivesse sido perguntado há uns seis, sete anos. E para provar que a persistência da falta de títulos traz inevitavelmente consigo ansiedade, impaciência e decisões precipitadas, basta constatar que há dois anos Julen Lopetegui – independentemente do que foi pensado, sentido, dito e escrito na altura – resistiu a uma época de “quase”, e agora Nuno Espírito Santo não. Talvez esta comparação não seja justa, não só porque Nuno não foi tão contestado e acusado como Lopetegui, mas também porque fez o plantel sentir a camisola de uma forma que o espanhol nunca conseguiu, mas faltou, no entanto, o “quase”. Esse “quase” que transforma as estatísticas positivas numa mão cheia de nada. Senão vejamos: o FC Porto foi a equipa que esteve mais tempo sem perder na Liga NOS (30 jogos, entre as jornadas 4 e 33), teve a mais longa sequência de vitórias da época (9 jogos, entre as rondas 17 e 25) e foi durante largas jornadas a melhor defesa e o melhor ataque, sendo só ultrapassado no último dia, mas nada disso serviu para contrabalançar o peso dos dez empates averbados. Só em 2004/05 (11) e em 1988/89 (14, num campeonato com 20 equipas) os dragões empataram mais.

Nuno Espírito Santo teve então o mérito de ter conseguido reunir as tropas em torno do objectivo maior. Não só os jogadores, como também os próprios adeptos, que apoiaram a equipa mesmo quando tudo já estava perdido. Os assobios foram pouco mais que esporádicos, em função de uma ou outra exibição menos condizente. Pode até dizer-se que todo o capital de confiança de que técnico e equipa dispuseram resultou de um jogo apenas, no caso a ida ao Olímpico de Roma na segunda mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões. Depois de um nervoso empate a um golo no Dragão, o FC Porto regressou da capital italiana com uma vitória por 0-3. É certo que os azuis-e-brancos beneficiaram de a Roma ter tido homens expulsos em ambos os jogos, mas como o que fica é o resultado, a vitória portista serviu ainda para deixar a concorrência em sentido. A confiança trazida de Itália, porém, demorou algum tempo a consolidar-se, pois logo a seguir o FC Porto perdeu em Alvalade (2-1) e mais à frente cederia empates frente a FC Copenhaga (1-1 em casa) e Tondela (0-0 fora). Estávamos em meados de Setembro, e esse primeiro mês da temporada deixava o FC Porto um tanto ou quanto em xeque. Já havia pontos para recuperar na classificação e a equipa alternava boas exibições com outras em que se deixava tomar pela ansiedade, como no referido jogo de Tondela.

Ao longo da primeira volta, de resto, enquanto a versão casa do FC Porto era implacável, a versão fora era pouco mais que inconsequente. A ansiedade portista atingiu um pico no mês de Novembro, cujo negrume futebolístico ameaça tornar-se tradição. Nos sete jogos realizados entre 29 de Outubro e 29 de Novembro o FC Porto não só empatou seis, como também somou o estonteante total de 2-1 em golos. Encontrando-se três pontos abaixo do líder antes dessa jornada 9, os dragões começaram por empatar em Setúbal (0-0), antes de bater o Club Brugge (1-0) na Liga dos

Campeões com uma exibição bem cinzenta. Seguiu-se o doloroso empate caseiro com o Benfica (1-1, 6 de Novembro), no qual o FC Porto terá realizado a sua melhor exibição em toda a temporada, mas sucumbiu a um golo aos 90’+2’, após ter concedido um canto absolutamente desnecessário. O choque foi tal que o FC Porto não encontrou forma de marcar um golo que fosse ao Chaves em 120 minutos, dizendo adeus à Taça de Portugal num desempate por grandes penalidades (3-2) em que Layún, Depoitre e André Silva falharam (18 de Novembro). De seguida, o empate em Copenhaga deixou o futuro na Liga dos Campeões por resolver. Faltava um duplo confronto com o Belenenses, que resultou em mais 180 minutos sem golos, que se traduziram numa distância de sete pontos em relação ao comando da Liga NOS e num hipotecar de perspectivas na Taça da Liga.

A pressão era enorme nesta fase. O adversário seguinte era um Braga que estava só dois pontos atrás dos dragões e que tinha acabado de golear o Feirense por 6-2. Os minhotos ficaram reduzidos a dez homens ao minuto 35 em função de uma grande penalidade cometida, mas viram André Silva falhar a conversão. O FC Porto esfalfou-se ao máximo, mas só seria premiado aos 90’+5’ minutos, quando o improvável Rui Pedro finalmente quebrou o enguiço (1-0). As nuvens negras ficaram mesmo para trás, e os portistas prosseguiriam batendo um Leicester City experimental por 5-0 para garantir a passagem na Liga dos Campeões, e o Feirense por 0-4 numa partida em que jogaram 87 minutos com mais um jogador. A equipa voltou a entrar nos eixos mas ainda faltava passar por novos dissabores, por alturas da passagem de ano. A 29 de Dezembro o Feirense foi ao Dragão arrancar um empate a um golo na Taça da Liga; a 3 de Janeiro o Moreirense atirou mesmo o FC Porto para fora da prova ao vencer por 1-0 no Minho; e a 7 de Janeiro um empate em Paços de Ferreira (0-0) colocava os azuis-e-brancos a seis pontos da liderança do campeonato. O cenário nesse dia era, de facto, terrível para o FC Porto. Os oitavos-de-final da Liga dos Campeões eram a única distracção que os dragões teriam até final do campeonato. Por muito inaceitável que tal fosse, era essa a verdade nua e crua.

E foi aí que o FC Porto recuperou alguma da chama que o guiou tantas vezes no passado, arrancando para a tal série de nove vitórias de enfiada, que duraria até meados de Março. Nessa fase os dragões venceram Moreirense (c), Rio Ave (c), Estoril (f), Sporting (c), Guimarães (f), Tondela (c), Boavista (f), Nacional (c) e Arouca (f), com 29-4 em golos. Pelo meio encaixaram-se os jogos europeus com a Juventus, nos quais o FC Porto não fez má figura, apesar do agregado de 0-3, mas provou do mesmo veneno que a Roma tinha provado no play-off, ao ser vítima do cartão vermelho em ambos os jogos. Os nove triunfos consecutivos do FC Porto na Liga NOS coincidiram com o período menos fulgurante do líder Benfica, permitindo que os dragões se aproximassem até à distância mínima de um ponto.

Foi aí que a pressão e a ansiedade voltaram a atacar. As jornadas 26 e 27 foram cruciais para o desfecho da Liga. Duas vitórias teriam colocado o FC Porto na liderança com quatro pontos de avanço, mas a equipa não aproveitou o deslize do Benfica nessa ronda 26, empatando também. Uma semana depois, na Luz, novo empate deixou tudo na mesma. A equipa não voltou a encontrar-se e cederia mais três empates até final, frente a Braga (1-1 fora, jornada 29), Feirense (0-0 em casa, jornada 30) e Marítimo (1-1 fora, jornada 32), contra apenas dois empates do líder. A jornada 33 assinalou o fim da ténue esperança portista. O campeonato encerraria com uma bofetada, na forma de uma derrota por 3-1 em Moreira de Cónegos. Sem ter ligado o chip competitivo para esse encontro, o FC Porto via assim cair a tal sequência de 30 partidas sem derrotas.

Ficava a faltar uma última notícia. No dia seguinte ao fecho da época, Nuno Espírito Santo chegava a acordo para a rescisão do contrato que o ligava ao FC Porto por mais um ano. Voltando à ideia veiculada no início deste texto, só a pressão de quatro anos arredado do título permite entender a saída do treinador. Talvez seja mais fácil entendê-la do que aceitá-la. Certo é que em 2017/18 o FC Porto iniciará o terceiro projecto novo em cinco temporadas. Só uma ideia ocorre ao vosso humilde escriba neste momento: o FC Porto vive um período de sportinguização.

 

 

 

TREINADOR

Nuno Espírito Santo parecia ser o homem certo no lugar certo na altura em que foi apresentado. Afinal de contas, o que será melhor que um homem com história na casa para transmitir ao plantel o que significa envergar a camisola do FC Porto? A história recente do FC Porto diz que nem sempre o currículo do novo treinador importa, sendo vários os exemplos de técnicos que chegaram ao clube com pouco mais que o canudo. Nuno trazia então na bagagem as presenças do Rio Ave nas finais das duas taças nacionais em 2013/14 e um apuramento para a Liga dos Campeões com o Valência na época seguinte. Experiência mais que suficiente para assumir o cadeirão técnico do FC Porto. Dispondo de um plantel bastante jovem, nomeadamente nos sectores mais avançados, Nuno conseguiu criar as bases para que a equipa praticasse um futebol apelativo, mas não foi capaz de limpar a ansiedade da cabeça dos jogadores nos momentos em que a pressão mais subiu de intensidade. Frequentemente criticado por ser brando na forma como comunicava com a imprensa e na reacção a eventuais prejuízos ao FC Porto, Nuno nunca foi acusado das mesmas coisas que Julen Lopetegui foi no seu tempo. Com efeito, tal como o agora seleccionador espanhol, Nuno não criou um onze-base – exceptuando a composição da defesa – e além disso insistiu em experimentações na disposição dos jogadores e nos esquemas tácticos utilizados, que flutuaram entre o 4x3x3 e variantes do 4x4x2. A equipa construía rotinas, mas logo elas eram alteradas, não havendo assim a possiblidade de as consolidar. As saídas prematuras das duas taças foram outro ponto negativo para a causa do técnico, assim como a leitura que fazia dos jogos, a qual nem sempre conduziu às melhores substituições. Ainda assim, considerando o sentido de compromisso que Nuno Espírito Santo conseguiu instigar na equipa, talvez a saída fosse a última coisa que o treinador merecia no final da temporada. Até porque as soluções não abundavam no plantel, ainda que o mesmo não fosse tão deficitário como em alguns dos anos mais recentes e não tenha sido afectado por demasiadas lesões e castigos.

 

EQUIPA

 

Guarda-redes

Casillas realizou uma temporada muito acima do seu ano de estreia em Portugal. Comandou a área como os grandes nomes das balizas portistas do passado o faziam, e ainda teve oportunidade de ser decisivo em alguns momentos, mais notoriamente nos encontros com Sporting (c) e Benfica (f). Naturalmente que ter à sua frente uma defesa sólida ajudou a melhorar o seu próprio rendimento, mas é inegável que Casillas voltou a ser ele próprio. Só sobraram migalhas para José Sá, que assumiu a baliza nas partidas das duas taças e na última jornada do campeonato, sempre sem comprometer.

 

Defesa

Foi o sector mais estável da equipa. Maxi Pereira, Marcano, Felipe e Alex Telles deram bem conta do recado (19 golos sofridos no campeonato contra 30 sofridos em 2015/16). A sua solidez foi essencial, até porque as soluções eram então poucas. Boly foi terceira opção no centro e somou poucos minutos, enquanto nas laterais Layún perdeu espaço, terminando a época praticamente como um proscrito, ao ponto de na 32.ª jornada ter sido Fernando Fonseca, da equipa B, a colmatar o castigo de Maxi Pereira.

 

Meio-campo

As constantes mudanças operadas pelo treinador não permitiram tirar o melhor rendimento de André André, Óliver Torres e Otávio, enquanto Rúben Neves e João Carlos Teixeira não passaram de alternativas e Herrera voltou à inconstância que tantas vezes o caracteriza. O destaque absoluto do miolo portista foi o trinco Danilo Pereira, peça essencial na ligação entre sectores, fazendo ainda uma perninha na defesa quando foi necessário. Evandro, que também não passou de alternativa, saiu em Janeiro para o Hull City. Sérgio Oliveira não existiu.

 

Ataque

André Silva foi o homem em foco ao longo da primeira metade da temporada, correspondendo à esperança que nele era depositada desde o final da época transacta. Nas extremas, Brahimi começou também ele na condição de proscrito, mas terminaria como indispensável, apesar do excesso de individualismo que não foi capaz de corrigir; já Corona, apesar de mostrar bons pormenores, ainda não conseguiu ser mais regular. Diogo Jota foi um abre-latas, nomeadamente durante a primeira metade da

época, coleccionando bons golos e conduzindo contra-ataques com classe, mas as mudanças tácticas, aliadas à chegada de Soares em Janeiro retiraram-lhe espaço. O ponta-de-lança brasileiro pegou de estaca, apontando nove golos nos seus primeiros seis jogos. A sua utilização em conjunto com André Silva potenciava ambos, mas nem sempre foi essa a opção do treinador. Já Depoitre, que começou como segunda opção para a cabeça do ataque, caiu um nível na hierarquia com o aparecimento súbito de Rui Pedro, e mais desceu quando Soares chegou e tomou o lugar de assalto. Nota ainda para Adrián López, que foi utilizado em nove partidas mas sairia em Janeiro para o Villarreal, e para Varela, que calçou as chuteiras em sete encontros antes de rumar ao Kayserispor.

 

Menção honrosa

Kelvin jogou 21 minutos no encontro da 17.ª jornada frente ao Moreirense, a 15 de Janeiro, e pouco depois era emprestado ao Vasco da Gama. O do Rio de Janeiro, não o de Sines.

 

MARCADORES

Liga NOS

16 golos – André Silva (cinco de grande penalidade);

12 – Soares (mais sete pelo Guimarães);

8 – Diogo Jota;

6 – Brahimi (2 g.p.)

4 – Marcano e Danilo Pereira;

3 – Corona;

2 – Felipe, Rui Pedro, Óliver Torres, Otávio, Herrera e Maxi Pereira;

1 – Alex Telles, Depoitre, Rúben Neves, Layún e André André;

Auto-golo – João Aurélio, do Guimarães.

 

Taça de Portugal

1 – Otávio, Corona e Depoitre.

 

Taça da Liga

1 – Marcano.

 

Liga dos Campeões

4 – André Silva (2 g.p.);

1 – Otávio, Layún, Corona, Brahimi e Diogo Jota.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 2.º lugar, 22v-10e-2d, 71gm-19gs, 76 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: venceu o Gafanha (0-3) na 3.ª eliminatória; perdeu com o Chaves (0-0 a.p., 3-2 g.p.) na eliminatória seguinte;

Taça da Liga: último classificado no grupo B (2 pontos), atrás de Moreirense, Belenenses e Feirense;

Liga dos Campeões: ultrapassou a Roma no play-off (1-1c, 3-0f); segundo classificado no grupo G (11 pontos), atrás do Leicester City e à frente de FC Copenhaga e Club Brugge; eliminado nos oitavos-de-final pela Juventus (0-1c, 0-2f).

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por Miran Pavlin às 12:30

Domingo, 21.05.17

Liga NOS, 34.ª jornada – Moreirense FC 3-1 FC Porto – Cabeça

Calma, estimados leitores portistas, o título deste texto é apenas uma ironia. Porque cabeça foi coisa que o FC Porto não teve no derradeiro jogo de 2016/17. Por cabeça entenda-se motivação para defrontar um Moreirense que jogava toda a temporada nesta partida. Já no último parágrafo da crónica anterior o Corte Limpo deixou uma previsão daquilo que o FC Porto poderia encontrar na última jornada. Por muito que não fosse preciso lançar avisos, pois a história recente era esclarecedora: o FC Porto não vencera nas últimas duas deslocações a Moreira de Cónegos. E à terceira não foi de vez.

Se havia coisa que o Moreirense não podia ter era medo. Não só porque jogando com medo dificilmente conseguiria os seus objectivos, mas também porque nesta temporada já tinha batido FC Porto e Benfica, ainda que a contar para outra prova. Nesse jogo da Taça da Liga, em Janeiro, os cónegos encontraram um FC Porto numa fase mais instável, desta vez os dragões vinham já sem objectivos. E se não os havia, ao minuto 19 passou a existir um, mercê do golo de Emmanuel Boateng (16’), num golpe de cabeça em antecipação no coração da área. Já tínhamos visto o FC Porto sofrer este golo no Marítimo. A reacção portista fez-se principalmente de arrancadas individuais de Brahimi, que hoje primou pela inconsequência. Mas tal também era reflexo da falta de ideias e de entreajuda na equipa. É difícil encontrar uma explicação para isso, tendo em conta que a única rotação efectuada por Nuno Espírito Santo foi na baliza, onde José Sá se estreou nesta Liga NOS. Enquanto o FC Porto tentava perceber o que se estava a passar, o Moreirense aproveitou para dilatar a vantagem (37’), com Frédéric Maciel a finalizar um contra-ataque, via que os minhotos já tinham explorado antes.

Ao intervalo Nuno trocou Otávio por André Silva e Herrera por Corona, e o FC Porto esboçou uma reacção, ainda que com pouco ou nenhum critério. A bola circulava entre flancos mas não havia incursões à área. Mesmo assim, os azuis-e-brancos conseguiriam chegar ao golo (66’), e que golo! André André cruzou na direita e Maxi Pereira, de costas para a baliza, fez um chapéu a Makaridze com um magnífico gesto técnico. A corrida portista atrás do prejuízo não duraria muito mais tempo, porém, e o FC Porto voltou a reduzir-se à palidez do primeiro tempo. O Moreirense reagrupou-se, voltou ele próprio à estabilidade exibida na primeira parte, obrigou José Sá a uma óptima defesa num livre de Nildo (71’), e mataria o jogo já na recta final (83’), por intermédio de Alex, que frente a José Sá ameaçou rematar forte mas colocou em jeito, rasteiro, ao poste mais distante.

A derrota, que já era previsível há largos minutos, tornou-se então óbvia. Mais que isso: despedindo-se da época tendo feito parte da festa da permanência do Moreirense, o FC Porto permite ao mesmo tempo que o triunfo dos cónegos na Taça da Liga mantenha validade total. Sim, porque das equipas em campo neste jogo, aquela que termina a temporada com um título no bolso é mesmo o Moreirense. Diz bastante das profundezas a que o FC Porto chegou na hora de fazer o balanço de quatro anos aquém dos serviços mínimos.

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por Miran Pavlin às 21:45

Domingo, 14.05.17

Liga NOS, 33.ª jornada – FC Porto 4-1 FC Paços de Ferreira – Brio

Nas épocas mais recentes o FC Porto tem chegado ao seu último jogo em casa com a face do abismo colada ao nariz. Mais uma vez falhados os objectivos mínimos a que por inerência se propõe, o FC Porto mais uma vez se despedia dos adeptos apenas com a honra em jogo. Alguns poderão recordar que na época passada os dragões ainda tinham a final da Taça pela frente, mas tal foi uma excepção por ser a única ida ao Jamor em seis temporadas. O FC Porto, portanto, tem vindo a cumprir uma indesejável regra de resultados insuficientes. Enquanto os adeptos se debatiam com esta ideia e a equipa demorava a encontrar o ritmo certo para o jogo, o Paços de Ferreira adiantava-se num lance fortuito (31’). André Leal rematou um tanto ou quanto frouxo e a bola desviou o suficiente em Ricardo Valente para trair Casillas.

Sem derrotas como visitado, o FC Porto não tardou a reagir. Talvez o golo sofrido tenha mesmo sido um mal que veio por bem, já que de outra forma não se saberia de quanto tempo o FC Porto ia precisar para ligar o motor. A reviravolta portista demorou apenas oito minutos a consumar-se. Herrera elevou-se para cabecear forte a cruzamento de Corona após boa jogada (35’), antes de Brahimi (39’) converter um castigo máximo, com a bola a passar de forma ingrata sob o corpo do guardião pacense Mário Felgueiras. Ao intervalo saiu Corona para entrar Diogo Jota, que de imediato fez estragos (47’), com uma finalização convicta após se desmarcar a passe de costas, pelo ar, de Herrera. O FC Porto tomava o controlo do marcador e não o largaria até final. O quarto golo apareceu aos 88 minutos, em nova grande penalidade, desta vez batida por André Silva. Valeu o brio profissional dos jogadores azuis-e-brancos, já que foi notória a pouca alegria no futebol praticado.

Nem podia ser de outra maneira. Campeão no sofá noutras épocas, foi nesse mesmo sofá, na véspera desta recepção aos castores, que o FC Porto viu as hipóteses de ainda atingir o título se esgotarem. O FC Porto chegará então ao final da temporada com o abismo de que escrevia no início bem à sua frente, face a um insucesso continuado que era impensável até há poucos anos. A última jornada reserva uma visita a um Moreirense que ainda não assegurou a manutenção, e que por isso se espera que não seja nem esteja tão tranquilo em campo como este Paços de Ferreira, que diga-se, não veio ao Dragão fazer figura de corpo presente, pelo menos enquanto o resultado se manteve inseguro. O FC Porto acabou por não durar até ao fim do campeonato, mas será bom não esquecer que dentro de campo se joga sempre até ao fim.

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por Miran Pavlin às 22:30

Sábado, 06.05.17

Liga NOS, 32.ª jornada – CS Marítimo 1-1 FC Porto – Roleta russa

Ainda não foi desta. A visita ao Marítimo voltou a ser nefasta para o FC Porto, que deixa cair mais dois pontos, estes realmente vitais. Até porque não se tratava de mais um daqueles passageiros jogos decisivos que se vão apregoando ao longo da época; com a linha da meta já assustadoramente perto os pontos contam a sério. Afectado pelas lesões e castigos que não teve noutros momentos da temporada, o FC Porto voltou a ter Brahimi, mas ainda não podia contar com Danilo Pereira, nem com Maxi Pereira. Por defeito, a posição de lateral direito seria assegurada por Layún, mas Nuno Espírito Santo foi oblíquo, indo à equipa B pegar em Fernando Fonseca. O jovem não comprometeu, e até esteve perto de marcar (42’) quando apareceu solto na direita da pequena área, mas acabaria por dar o lugar a Rui Pedro quando o técnico inverteu o esquema para 3x3x4. Corria o minuto 84 e o FC Porto jogava com o desespero em pano de fundo. Por essa altura tinha já trocado ainda Rúben Neves por André Silva (76’). Já tinha também saltado à memória o fatídico jogo da 26.ª jornada com o Setúbal, no qual o FC Porto se deixou empatar na única oportunidade concedida ao adversário.

Os dragões não fizeram uma primeira parte de luxo, mas pareciam estar confiantes o suficiente para repetir o resultado de Chaves, ainda mais quando se adiantaram no marcador (28’), com Otávio na direita a aproveitar um mau corte de Zainadine para rematar cruzado e certeiro. Na segunda metade faltou ao FC Porto a iniciativa necessária para matar o jogo, o que se traduzia em escassez de oportunidades. Só depois do empate é que os azuis-e-brancos voltaram a ameaçar a baliza insular, num cabeceamento de André Silva (79’), noutro cabeceamento cruzado de Soares ao qual o mesmo André Silva não chegou a tempo de emendar (84’) e num terceiro cabeceamento, agora de Rui Pedro (90’+4). Mas inclinar a equipa para o ataque – Corona também estava em campo, no lugar de Otávio (74’) – não foi suficiente para que o FC Porto regressasse à vantagem.

O golo do Marítimo (69’) nasce de um canto talvez desnecessário cedido por Alex Telles, que não se apercebeu que tinha um adversário em cima das costas e não abordou o lance da melhor maneira. Na cobrança Djoussé, que fora a jogo um minuto antes, irrompeu decidido pelo coração da área e cabeceou forte para o fundo da baliza. O tento era também ele vital para os verde-rubros, que ainda têm o seu sexto lugar à mercê de predadores. Foi mesmo a única vez que o Marítimo alvejou as redes portistas em todo o jogo. Os insulares resistiriam até final, salvando um ponto muito importante para a sua luta. Já o FC Porto, tal como nesse jogo com os sadinos, fica a chorar os dois que fugiram após ser condenado na única desatenção que teve. Serão mais sinais dos tempos, ou o estádio outrora apelidado de caldeirão é mesmo como uma roleta russa em que o FC Porto leva sempre um tiro?

A verdadeira extensão deste empate só será conhecida depois de realizado o jogo do líder da classificação. Numa hipótese tresloucada o empate até poderá ter significado uma aproximação ao topo; o que só viria sublinhar o preço que o FC Porto paga pelos dois pontos perdidos. No aproveitar está o ganho, diz o povo. E o FC Porto não o tem feito quando mais interessa.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 29.04.17

Liga NOS, 31.ª jornada – GD Chaves 0-2 FC Porto – Primeira pedra

O FC Porto chegava à recta final do campeonato envolto numa súbita turbulência, fruto de quatro empates em cinco jogos. Visto de uma perspectiva oblíqua, os dragões podiam até dar-se por felizes de as consequências não terem sido catastróficas porque o líder também deslizou aqui e ali. Certo era que o FC Porto se mantinha na mesma posição comprometedora em que ficou no final de Novembro, agora com a margem de erro já muito para lá do prazo de validade. Ainda com o título em jogo, ter três deslocações nas últimas quatro jornadas é uma tarefa monumental, independentemente de quem sejam os adversários. O FC Porto teve que enfrentar a ida a Chaves sem Brahimi e Danilo Pereira, e talvez tenha sido por aí que o FC Porto esteve longe de deslumbrar; Corona estava de regresso após lesão, mas trouxe pouco ritmo. Os azuis-e-brancos controlaram a primeira parte, mas só se mostraram em dois livres de longe de Rúben Neves que proporcionaram boas defesas a Antrónio Filipe. O guardião flaviense cederia ao minuto 52, altura em que defendeu para a frente nova tentativa à distância, agora de André André. Oportuno, Soares chegou de pronto ao ressalto e abriu o marcador. Corona daria o lugar a Óliver Torres (66’) e foi já com o espanhol em campo que apareceu o 0-2 (72’), numa boa transição ofensiva iniciada pelo próprio e finalizada por André André à saída do guarda-redes. Talvez o FC Porto tenha beneficiado de um Chaves numa forma bastante menos fulgurante que na primeira metade da temporada, mas não deixou de justificar o triunfo. Não sem antes ficar reduzido a dez (89’) por uma entrada tão violenta como disparatada e desnecessária de Maxi Pereira, a pés juntos e de sola sobre Davidson. Expulsão indiscutível, mas um erro potencialmente tão grave como aquele de Herrera que deu o fatídico último canto na recepção ao Benfica (10.ª jornada), desfalcando os dragões para a colocação da próxima pedra da tal monumental empreitada portista. A primeira foi colocada então com pouco brilho, mas ficou lá. E quão necessária é para alicerçar a esperança que os adeptos mais optimistas ainda acalentem.

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por Miran Pavlin às 23:25

Domingo, 23.04.17

Liga NOS, 30.ª jornada – FC Porto 0-0 CD Feirense – Contas à vida

Mesmo tendo vivido diversos momentos positivos ao longo da segunda volta, até este ponto o FC Porto ainda não encontrou forma de erradicar a ansiedade da psique colectiva da equipa. Controlada numas vezes, à solta noutras, essa ânsia de chegar ao golo volta a ser tida como uma das causas de não o ter alcançado. Pelo menos na segunda parte, pois no arranque o FC Porto cometeu o pecado recorrente desta temporada, ao voltar a entrar no jogo sem chama. Tal só podia ajudar um Feirense que subia ao relvado a precisar de um ponto apenas para garantir a manutenção antecipada. Era mesmo como se os fogaceiros estivessem no pólo oposto de ansiedade em relação aos dragões. Enquanto o FC Porto não tinha margem de erro, o Feirense só precisava saber de que lado da tranquilidade a sua equipa estava; se do lado que conduz à displicência, se daquele que elimina hesitações e leva ao jogo pelo jogo.

E até foram os visitantes os primeiros a ameaçar (18’), quando o grego Karamanos se isolou e obrigou Casillas a defender para canto. Os dragões ofereceram como resposta dois lances de Danilo Pereira, através de um cabeceamento que não passou longe após canto de Alex Telles (27’) e de um remate de ressaca que ainda tocou na malha superior, mas do lado de fora (41’). Ficou a centímetros de ser um golaço ao ângulo. Estes lances não foram de modo algum suficientes para ver a primeira parte como mais que um jogo morno e de meias-oportunidades. Com Diogo Jota e Soares a ocuparem os lugares dos mais habituais Brahimi – castigado por dois jogos – e Corona – lesionado – nas extremas, o FC Porto não estava a conseguir esticar o seu jogo e forçar o Feirense a abrir espaços. Talvez isso acontecesse porque tanto Jota como Soares tendem a flectir muito para o meio. Sentindo isso, ao intervalo Nuno Espírito Santo alterou o esquema de 4x3x3 para 4x4x2 trocando Óliver Torres por Otávio, ganhando com isso mais jogo exterior e passando a ter Soares e André Silva no meio à espera de munições.

A mudança táctica resultou. O FC Porto tornou-se finalmente dono e senhor do jogo e o Feirense passou mesmo por alguns momentos de grande aperto junto à sua baliza, quando os dragões conseguiam construir vagas sucessivas de ataque. O FC Porto terminou o encontro com 22 remates e 31 cruzamentos – o Feirense somou quatro e seis, respectivamente –, e tentou jogadas pelo chão e pelo ar, pelos flancos e pelo centro, mas o Feirense nunca tremeu. De entre as muitas oportunidades de golo destacam-se um remate sem ângulo de Rui Pedro (72’) e um cabeceamento de Maxi Pereira (82’), aos quais Vaná correspondeu com duas boas defesas, nomeadamente no lance do lateral uruguaio. Conforme os minutos passavam, a resistência fogaceira, feita da aglomeração de jogadores perto da área e da acção certeira do guarda-redes adversário, conduzia então o FC Porto àquela ansiedade crescente que torna infrutíferas todas as soluções tentadas para contornar esse veto ao golo imposto pelo Feirense. E não houve mesmo meio de desfazer o nulo.

O Feirense sai do Dragão com a manutenção assegurada e o crédito de ter resistido à tentação do anti-jogo barato. Já o FC Porto, que poderia recolocar-se a um ponto do líder, em virtude de este na véspera ter cedido uma igualdade, continua assim à distância de três pontos e a fazer contas à diferença de golos na eventualidade de esta vir a ser necessária para apurar o campeão. Ao mesmo tempo que faz também contas à vida.

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por Miran Pavlin às 23:30

Sábado, 15.04.17

Liga NOS, 29.ª jornada – SC Braga 1-1 FC Porto

Compromissos sociais fizeram com que não pudesse assistir ao jogo nas melhores condições. Estando a vários metros do ecrã televisivo mais próximo, só me era possível vislumbrar uns homenzinhos a correr sobre o verde do relvado. A bola só às vezes. Ao longo da primeira parte a câmara principal focou as proximidades da grande área do FC Porto mais vezes que as do Braga, pelo que se depreende que os dragões tenham tido dificuldade em impor-se no jogo desde o início. Ainda por cima, logo ao minuto 6, o Braga adiantava-se, através de um golpe de cabeça de Pedro Santos no coração da área, após cruzamento de Cartabia. Tal como no recente jogo da Luz, como no anterior com o Setúbal, o FC Porto parece atordoar-se sempre que sofre um golo e demora a reagir. O primeiro lance com algum perigo apareceu apenas aos vinte minutos, quando Soares irrompeu pela grande área bracarense mais rematou mal. Em cima do intervalo o Braga dispôs de uma grande penalidade por mão na bola de Óliver Torres, mas na conversão Pedro Santos acertou em cheio no poste direito de Casillas. O FC Porto escapava de boa.

No segundo tempo os dragões equilibraram a contenda, igualando ao minuto 61, altura em que Soares se elevou para cabecear certeiro a cruzamento de Alex Telles, imitando assim Pedro Santos. Óliver já tinha saído para entrar Corona (55’), e apesar de o FC Porto não ter permitido mais avanços ao Braga, a verdade é que também ele próprio não encontrou meio de causar mais perigo. Ainda assim, o hoje titular Matheus foi chamado a intervir mais vezes que Casillas. Indisfarçável foi a tensão das equipas, que resultou numa partida muito faltosa e com reclamações constantes pós-apito. Afinal de contas, não era só o FC Porto que estava no calor da luta pelos pontos; também o Braga precisava deles para a sua luta acesa pelo quarto lugar. A pressão era tal, que Brahimi foi mesmo expulso do banco (88’) por protestos contra uma decisão do árbitro Hugo Miguel. O argelino tinha saído cinco minutos antes para entrar Otávio, ao mesmo tempo que André André saía para entrar Herrera. Danilo Pereira teve as melhores oportunidades do FC Porto (77’ e 84’), com dois cabeceamentos. No primeiro Matheus opôs-se bem, o segundo foi um desastre do internacional português, muito ao lado.

O empate final é deveras penalizador para as duas equipas. O FC Porto passa a estar três pontos atrás do líder Benfica, enquanto o Braga se vê ultrapassado pelo Vitória de Guimarães, ficando dois pontos abaixo deste. No fundo, os dragões continuam a estar à distância de um disparo, mas cada vez é necessário considerar mais variáveis e outros cenários condicionais.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 08.04.17

Liga NOS, 28.ª jornada - FC Porto 3-0 CF Os Belenenses

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 01.04.17

Liga NOS, 27.ª jornada – SL Benfica 1-1 FC Porto – Filme invertido

O clássico da Luz foi como que uma imagem invertida do encontro da primeira volta. Nesse jogo da 10.ª jornada o FC Porto foi dominador, mas viu o Benfica obter o empate praticamente no único lance que teve junto à baliza contrária. Desta vez foram os encarnados a viver o mesmo filme, ainda que de forma menos dolorosa, pelo menos em face do minuto em que o golo da igualdade aconteceu. Com as equipas separadas por um mísero ponto, as implicações eram enormes; ou o Benfica se escapava quiçá irreversivelmente rumo ao título, ou o FC Porto saltava para a liderança, ou… a montanha paria um rato e tudo ficaria remetido para os próximos capítulos. E foi justamente isso que aconteceu, de resto tal como os dois técnicos anteviam.

Continuando a sobrepor o filme dos dois jogos desta época, foi a equipa da casa quem entrou melhor. Através de rápidas transições e pressão incessante, o Benfica não deixava o FC Porto respirar. Logo ao minuto 7, em mais uma investida encarnada, Carlos Xistra assinalou grande penalidade num lance porventura passível de mais que uma interpretação entre Felipe e Jonas. Ainda assim, no momento, no desenrolar do lance, era difícil o juiz fazer vista grossa. O mesmo Jonas converteu e festejou efusivamente. Só perto do minuto 20 o FC Porto começou a ter mais bola, mas não conseguia ver de perto a baliza adversária. Óliver Torres tentou a sorte de longe, com a bola a sair ligeiramente ao lado (19’), antes de um livre de Brahimi que obrigou Ederson a defender a custo para canto (37’), mas a melhor oportunidade foi do Benfica (41’), com um cabeceamento de Luisão a passar assustadoramente perto do golo, após livre em posição central. Por esta altura já se percebia que Jonas tentava a todo o momento forçar o mesmo tipo de situação do lance da grande penalidade, e que Brahimi era o homem mais desperto dos dragões, capaz de procurar com a bola os espaços que a teia do Benfica não queria dar. Mas com pouco efeito, pois o FC Porto não atacava com muitas unidades, portanto não proporcionando soluções suficientes ao argelino. Do outro lado do campo Corona estava a ser muito castigado pelos adversários e no meio Soares era pouco mais que discreto. O meio-campo com Óliver, André André e Danilo Pereira funcionava bem, mas não conseguia compensar aquilo que os avançados não estavam a dar.

A perder ao intervalo o FC Porto estava com um pé no cadafalso. Nuno Espírito Santo resistiu à pressão de mexer, e o mesmo onze apareceu transfigurado para a segunda metade. Assumindo de imediato um claro ascendente, os azuis-e-brancos trouxeram o jogo até ao último reduto do Benfica, e logo aos 50 minutos Maxi Pereira realizou o sonho secreto de muitos portistas – e quiçá dele próprio – e marcou um golo na Luz. Brahimi voltou a encontrar espaços escondidos no flanco esquerdo e cruzou para a área lançando a confusão. André André aproveitou um primeiro corte incompleto para rematar com perigo, com a recarga do próprio a ser aliviada por Lindelöf de bandeja para o lateral uruguaio receber de peito e rematar colocado ao ângulo inferior direito de Ederson. Era o culminar da entrada forte do FC Porto. Pouco depois Soares esteve cara-a-cara com a reviravolta, mas o guardião encarnado tirou-lhe a bola com uma saída aos pés no limite. E aqui voltamos ao filme invertido do jogo da primeira volta. O Benfica voltou a assumir as despesas e dominaria o jogo até final, mas teve em Casillas um obstáculo megalítico, especialmente ao minuto 73, altura em que negou à queima-roupa finalizações consecutivas de Mitroglou e Lindelöf, com Marcano a limpar para canto. Antes (65'), Casillas já tinha feito uma defesa no limite a outra tentativa de Mitroglou. Fiel ao plano que trazia, o técnico portista apostou na chamada troca por troca, tirando Corona – que saiu com cara de poucos amigos – para colocar Diogo Jota (66’), Soares para meter André Silva (72’), e o esgotado Brahimi para entrar Otávio (87’).

Num jogo que não foi quezilento, não deixam de saltar à vista os cinco cartões amarelos exibidos a jogadores do FC Porto, incluindo a cada um dos defesas, contra nenhum a homens do Benfica. Os motivos para isso, subliminares ou não, levá-los-á a espuma dos dias. O que fica é que o FC Porto pela segunda vez consecutiva perde a oportunidade de trocar de posição com o Benfica, desperdiçando aqui também a oportunidade de ter vantagem no confronto directo com as águias. Se a bola de cristal de Nuno Espírito Santo e de Rui Vitória estiver correcta, o campeonato será mesmo disputado até ao fim, mas a candeia que alumia mais é sempre a que vai à frente, e essa o FC Porto segurou apenas nas duas primeiras jornadas deste campeonato. A pressão segue então nos próximos capítulos, com o FC Porto agora a precisar da ajuda de terceiros para subir ao topo da classificação.

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por Miran Pavlin às 23:55



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