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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 02.03.16

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão – FC Porto 2-0 Gil Vicente FC

Por muito que no futebol tudo seja possível, este jogo pouco mais era que a confirmação do que já estava alinhavado de antemão. Para que o Gil Vicente invertesse o resultado que trazia do primeiro jogo, a ocorrência de um milagre era pouco. Era necessário que todas as divindades, incluindo as figuras das mitologias grega e romana, dessem as mãos e fizessem uso de todos os seus poderes, uma vez que nunca na história da Taça de Portugal o FC Porto perdeu em casa por quatro golos de diferença; incluindo todas as competições oficiais existentes hoje, tal aconteceu apenas por quatro vezes, sempre no campeonato. Empatar a eliminatória também estaria fora de questão, visto que só num par de ocasiões se verificou um 0-3 em casa do FC Porto na Taça de Portugal, diante de Benfica em 1973/74, e Setúbal em 1966/67; o 1-4, que serviria aos gilistas, aconteceu apenas uma vez, pelo Sporting de 1944/45.

Face ao exposto acima, era então altamente improvável que o FC Porto não atingisse a final. Também por isso o jogo deixou margem para poupanças e experiências. De entre os mais utilizados, só Layún, Rúben Neves e Aboubakar alinharam de início. Evandro ganhou minutos, assim como Marega, enquanto Chidozie voltou ao eixo da defesa, onde tem dado algumas cartas, ainda que tímidas. Helton, Víctor García, José Ángel, Sérgio Oliveira e Varela completaram o onze.

A fraca assistência também terá contribuído para que a primeira parte fosse fastidiosa. Foram poucos os lances relevantes, entre eles o primeiro golo de Chidozie pelo FC Porto (11’), num cabeceamento após canto cobrado por Sérgio Oliveira. O jogo arrastar-se-ia sem grandes motivos de interesse até ao minuto 81, quando Marega também se estreou a marcar pelos azuis-e-brancos, assistido por Aboubakar. A crónica terá que ficar por aqui, visto que ao intervalo abandonei o conforto do sofá, e analisar um jogo apenas com base no relato radiofónico é o mesmo que pedir a um míope sem óculos para descrever o que acabou de se passar do outro lado da rua.

Sobram as curiosidades à volta das quais girará parte da antevisão da final do Jamor, onde o FC Porto esgrimirá argumentos com o Braga: a última final entre ambos, na Taça da Liga 2012/13, foi vencida pelos arsenalistas, na altura orientados por José Peseiro, ao passo que o mais recente título do FC Porto, a Supertaça de 2013, foi conquistado sob o comando de Paulo Fonseca, hoje técnico do Braga. A final é só em Maio, mas os caprichos do calendário ditam que o aperitivo seja servido sem demoras: Braga e FC Porto defrontam-se já no próximo fim-de-semana, a contar para a I Liga.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 03.02.16

Taça de Portugal, meias-finais, 1.ª mão – Gil Vicente FC 0-3 FC Porto – Portas abertas

Face à conjuntura actual este jogo não era fulcral apenas para as aspirações do FC Porto na Taça de Portugal. Era também importantíssimo para toda a época dos dragões. Com o regresso das competições europeias ali ao virar da esquina, era ainda conveniente que o FC Porto resolvesse desde já pelo menos uma parte da questão, no sentido de poder encarar a segunda mão de forma mais tranquila.

Quando se trata da prova rainha, ainda para mais sendo uma meia-final, as diferenças entre as equipas tendem a esbater-se, e foi justamente isso que aconteceu. Mesmo militando na II Liga, o Gil Vicente não foi uma equipa fácil de vergar, exigindo o máximo empenho ao FC Porto. Os galos equilibraram a contenda durante praticamente toda a primeira parte, e até tiveram uma bola ao ferro, num cruzamento especulativo de Vítor Gonçalves (25’), mas quando o FC Porto disparou, foi certeiro. Já na compensação, num pontapé de ressaca que passou por uma floresta de pernas, Ruben Neves inaugurou o marcador, quebrando um jejum que durava desde o seu primeiro jogo oficial pelos azuis-e-brancos, em Agosto de 2014.

A noite foi mesmo de estreias. Marega debutou de dragão ao peito e Hyun-Jun Suk fez o seu primeiro golo pelo FC Porto (59’), tal como Sérgio Oliveira, este na conversão irrepreensível de um livre directo (70’). O médio tinha entrado segundos antes. Por esta altura o domínio dos dragões sobre o Gil Vicente já era inequívoco.

Tão inequívoco quanto a qualidade da prestação da equipa, que foi diametralmente oposta a muitas da era Lopetegui. O FC Porto teve propósito em campo, confiança, fio de jogo e ligação entre sectores, além de ter conseguido ganhar segundas bolas, coisa que raramente acontecia até há poucas semanas.

O jogo ficou ainda mais simples quando o gilista Renan da Silva foi expulso por cometer a falta que resultou no livre que deu o 0-3, mas tal não mancha de maneira nenhuma a exibição do FC Porto, que, salvo uma hecatombe de proporções bíblicas, tem as portas do Jamor escancaradas à sua frente. Antes, contudo, haverá jogos cruciais noutras frentes.

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por Miran Pavlin às 23:30

Domingo, 07.06.15

Gil Vicente FC 2014/15 – 17.º lugar – 4v, 11e, 19d, 25gm-60gs, 23pts – despromovido

Foi uma morte anunciada. O Gil Vicente só esteve fora da linha de água em quatro das 34 jornadas, teve o segundo pior ataque – apenas à frente dos 24 golos do Setúbal –, a primeira vitória demorou 16 jornadas a aparecer e apenas houve mais três depois dessa, bem como uma sequência de oito jogos sem vencer.

O treinador João de Deus transitou da época anterior, mas tinha a sua posição fragilizada por uma temporada bastante fraca, em que o Gil se manteve quase por milagre. A direcção gilista demorou três jornadas a perceber que algo tinha que mudar e fez estalar o chicote. José Mota não trouxe consigo o antídoto para a alergia às vitórias, mas conduziria os destinos da equipa até final.

As chegadas dos centrais Cadu e Berger e do avançado Yazalde no mercado de inverno deram outra solidez à equipa, que obteve um empate em Guimarães (2-2) e vitórias contra Marítimo (1-2, a primeira de sempre nos Barreiros), Paços de Ferreira (1-0) e Académica (1-2), mas a derrota em Arouca (3-1) à 26.ª jornada foi crucial. O calendário também não foi meigo, ao reservar jogos com Benfica e FC Porto para as jornadas 31 e 32, e o Gil Vicente ver-se-ia despromovido a uma ronda do final, ao perder em Penafiel (2-1).

Simy (9 golos) e João Vilela (4) destacaram-se, mas os seus esforços foram insuficientes para levar o Gil a bom porto. Será o regresso dos galos ao inferno da II Liga, quatro anos depois.

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por Miran Pavlin às 15:35

Domingo, 10.05.15

Liga NOS, 32.ª jornada – FC Porto 2-0 Gil Vicente FC – Ainda no retrovisor

Antes de mais, devo penitenciar-me pela má matemática, que me fez escrever disparates na conclusão do texto anterior. Apesar de derrotado, o Gil Vicente ainda não está despromovido, pois para que tal acontecesse o Setúbal teria que ter vencido e o Arouca, no mínimo, empatado. Uma vez que nada disso se verificou, o clube minhoto continua a sonhar com a salvação, da mesma forma que o FC Porto se mantém no retrovisor do Benfica, em condições de tirar proveito de um hipotético deslize encarnado.

A perseguição voltou a ter Jackson Martínez à cabeça. O colombiano foi o responsável pelos dois golos da noite, que apareceram quando mais precisava de romper o cerco que Jonas e Lima lhe montaram nas jornadas mais recentes. Mais que isso, Jackson parece ter regressado em força, já que o segundo golo surgiu num belo pontapé de bicicleta (86’) que confirmou o triunfo dos dragões.

Foi, acima de tudo, um final de tarde tranquilo no Dragão, com o FC Porto a controlar sem problemas de maior um adversário que decerto desejaria que este jogo tivesse aparecido mais cedo no calendário. Esse desejo terá crescido de intensidade logo aos onze minutos, quando Cadu derrubou Jackson dentro da área. Adriano defendeu a conversão de Quaresma, mas o alívio gilista duraria apenas uns segundos. A jogada continuou na direita do ataque portsta, de onde o mesmo Quaresma arrancou um cruzamento bem medido para a cabeça de Jackson, que não desperdiçou a oferenda.

Adriano evitou o segundo golo com algumas boas defesas, Helton anulou bem o perigo nas poucas vezes em que foi chamado a intervir, e só voltaria a cheirar a golo aos 73 minutos, quando o FC Porto enviou duas bolas aos ferros, a primeira por Martins Indi, e depois por Evandro, na segunda vaga do mesmo ataque. A tranquilidade acabaria mesmo por chegar e com ela a confirmação de que o FC Porto terá acesso directo à fase de grupos da próxima Liga dos Campeões.

Poderia ainda falar no pacto que Quaresma fez com o fora-de-jogo – arrisco dizer que todos os cinco adiantamentos contabilizados ao FC Porto foram ao Mustang – ou em mais uma amostra do fino trato de bola de Óliver, mas um jogo tão calmo só podia resultar num texto curto, pelo que me fico por aqui. O FC Porto cumpriu o seu dever, e segue agora para o Restelo para o penúltima jornada da época, onde tudo, ou nada, ficará decidido.

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por Miran Pavlin às 22:30

Sábado, 03.01.15

I Liga, 15.ª jornada – Gil Vicente FC 1-5 FC Porto – Mais um prego

Pela terceira vez esta época o FC Porto chega à mão cheia de golos, e não desarma na perseguição ao líder da Liga. Se por um lado é obrigatório em qualquer circunstância derrotar o Gil Vicente, por outro diga-se que o FC Porto justificou por inteiro os números do resultado, através de uma exibição bem mais conseguida que com o Setúbal.

A inferioridade numérica dos gilistas terá ajudado, mas importa salientar que quando Jander recebeu ordem de expulsão (38’) já o FC Porto dominava tranquilamente o jogo. Com efeito, o Gil Vicente durou pouco mais que um quarto-de-hora, período em que colocou uma bola na trave por Paulinho, para depois Diogo Viana e Yiamissi forçarem Fabiano a defesas mais apertadas.

As rédeas do encontro passaram então para as mãos do FC Porto, mas seria só à bomba que o resultado começaria a avançar. O disparo foi de Casemiro, a uns bons 25 metros da baliza, com a trajectória da bola a sofrer um desvio em pleno ar. O segundo golo apareceria aos 56 minutos, por Martins Indi, num golpe de calcanhar a fazer lembrar o mítico golo de Madjer em 1987.

Por esta altura já o Gil Vicente estava soterrado pelas contrariedades não só deste jogo, mas de toda a campanha no campeonato, na qual ainda não venceu, já trocou de treinador e até já despediu o baluarte César Peixoto por razões que carecem de explicação mais clara.

O avolumar do marcador acabou por ser natural, mas o FC Porto fez questão de lhe continuar a dar um toque de classe. Não tanto no golo de Brahimi, mas sim nos de Óliver, que picou a bola sobre Adriano após tabelinha com Adrián, e de Jackson, que teve tempo para receber a bola de costas para a baliza, virar-se e enquadrar-se antes de desferir um remate em arco.

Vítor Gonçalves assinou o ponto de honra gilista – 1-3 na altura –, que atenuou a profundidade do prego que o FC Porto adicionou ao caixão do clube de Barcelos, que se mantém colado ao último lugar.

Já os dragões vão cumprindo o seu dever, mas continuam a precisar de auxílio externo para se aproximarem do desejado primeiro lugar da classificação.

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por Miran Pavlin às 23:55

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte V

sapodesporto

GIL VICENTE FC

O clube de Barcelos respirou de alívio ao conseguir a permanência a um jogo do fim. Foi uma temporada de sobressaltos, que incluiu, descontando um jogo de Taça que foi a grandes penalidades, uma série sem vencer entre o início de Novembro e o início de Março.

O arranque do Gil Vicente foi auspicioso, vencendo a Académica (2-0), levando o Benfica ao desespero na Luz – o Gil perdeu por 2-1 com o Benfica a marcar só na compensação – e derrotando a seguir o Braga (1-0), com o golo a aparecer quando os gilistas já jogavam com nove unidades.

A fase negra chegaria, curiosamente, após uma série de três vitórias. Tanto tempo sem vencer leva a questionar como terá conseguido aguentar-se o treinador João de Deus, dada a impaciência dos dirigentes portugueses quando as séries negativas parecem não terminar.

O guarda-redes Adriano realizou uma temporada de qualidade, assim como Luís Martins, César Peixoto e Diogo Viana.

O médio brasileiro Luan, que marcou ao Braga, não foi a mais-valia que se esperava, bem como os ex-portistas Bruno Moraes e Cláudio Pitbull.

 

 

CF OS BELENENSES

Se o Gil Vicente respirou de alívio, o Belenenses terá soltado um longo suspiro quando Carlos Xistra apitou para o final do último jogo.

Só aos 87 minutos dessa recepção ao Arouca é que os azuis viram a luz aparecer no fundo do túnel, através de um golo de Deyverson. Antes disso, foi sofrer a bom sofrer, não só nesse jogo em particular, mas em todo o campeonato.

Pese embora tenha roubado pontos a Benfica e FC Porto, o Belenenses parecia ter tudo contra si. Logo na primeira jornada perdeu no Restelo com o Rio Ave (0-3), só à 5.ª jornada conseguiu vencer, e viu o treinador Mitchell van der Gaag desfalecer no banco e ser forçado a abandonar.

O seu adjunto Marco Paulo ficou então com as rédeas da equipa, mas não deu conta do recado e cederia o lugar a Lito Vidigal, que operou um verdadeiro milagre em salvar o clube da descida.

Para o confirmar bastará referir que o Belenenses foi a primeira equipa a conseguir a manutenção com apenas 19 golos marcados – o pior ataque da Liga. Por pouco que ser a quinta melhor defesa (33 golos) não valeria de nada. O Belenenses esteve mesmo sete jogos consecutivos sem marcar, entre as jornadas 10 e 16.

Eliminado da Taça em casa, nas grandes penalidades contra a Académica, o Belenenses teve o seu pior momento da época na Taça da Liga, ao perder em Braga por 5-0.

 

 

FC PAÇOS DE FERREIRA

O Paços foi do céu ao inferno. Não serei o primeiro a escrever estas palavras, mas não há outro prisma por onde ver a carreira pacense, depois de começar a época a jogar o play-off da Liga dos Campeões e terminar jogando o inédito play-off manutenção/descida.

As derrotas com o Zenit (1-4 em casa e 4-2 fora), naturais tendo em conta a diferença entre as equipas, não caíram bem na massa associativa pacense, que não mais deu descanso ao técnico Costinha.

O antigo médio apenas saboreou uma vitória, num jogo louco em casa do Marítimo (3-4), em que os castores estiveram três vezes a perder, cedendo o lugar a Henrique Calisto à oitava ronda.

Substituir um treinador novato por um mais experiente de pouco adiantou. Os alarmes da despromoção continuaram a tocar, a primeira volta fechou com parcos nove pontos – até o Olhanense tinha mais por esta altura – e a inversão da tendência teimava em não chegar.

Com Jorge Costa a orientar a equipa nos últimos dez jogos, foi graças à vantagem no confronto directo que o Paços jogou o play-off contra o Aves, onde finalmente selaria a permanência entre os grandes.

O Aves não conseguiu repetir a gracinha do jogo dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, quando venceu na Mata Real com dois golos de Jaime Poulson, atleta emprestado justamente pelo Paços de Ferreira.

Apesar das contrariedades, Bebé assumiu-se como o homem em foco nos pacenses, que bem podem agradecer os seus inúmeros golos.

 

 

SC OLHANENSE

Cinco anos depois, o Olhanense regressa à Liga 2, ao cabo de uma época cheia de problemas, a começar pelos financeiros, que impediram que o plantel fosse mais que uma manta de retalhos cosida à pressa.

Demasiadas nacionalidades resultaram numa equipa à deriva, dependente de rasgos individuais, quase sempre do italiano Dionisi. Além dos transalpinos (ainda havia Sampirisi e Bigazzi), o plantel continha jogadores de Eslovénia (Belec), França (Coubronne), Albânia (Mehmeti), Croácia (Serić), Nigéria (Balogun) e Dinamarca (Krøldrup).

Ter um treinador em estreia também não ajudou a causa dos algarvios. Abel Xavier, com uma postura desafiante, de punho cerrado e discurso emocionado, duraria apenas oito jornadas, em que somou outros tantos pontos.

Paulo Alves tomou então conta da equipa mas resistiu ainda menos jornadas, dando lugar a Giuseppe Galderisi, italiano de figura semelhante a Jorge Jesus. Apesar do seu vigor no banco, os resultados positivos não apareceram e o rumo dos acontecimentos não se inverteu, mesmo que uma vitória sobre o FC Porto na penúltima ronda tenha feito sonhar.

Uma semana mais tarde, a realidade: o Olhanense era despromovido. Da última vez que abandonou o escalão maior, demorou 34 anos a regressar. Tendo em conta as suas dificuldades financeiras, quantos demorará agora?

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por Miran Pavlin às 09:27

Domingo, 16.02.14

Gil Vicente FC 1-2 FC Porto - Agoiro, a quanto obrigas

sapodesporto

Durante a semana a tecla dos três jogos sem vencer em Barcelos foi tocada várias vezes, não se sabe se na esperança de que o Gil Vicente usasse as memórias das últimas três épocas para voltar a roubar pontos ao FC Porto.

Em resposta ao agoiro, os dragões quebraram a (curta) malapata e saíram do Minho com os três pontos, num jogo que até acabou por reavivar memórias, mas em azul-e-branco. Neste caso, dos primeiros jogos da época, altura em que o FC Porto apresentou futebol aceitavelmente entrosado e com propósito de ataque.

Varela foi o homem em foco, ao apontar os dois golos do triunfo, o segundo num bom lance individual, em que arrancou com a bola desde antes do meio-campo e só se livrou dela ao empurrar para o golo.

O jogo deixou ainda indicações de que Abdoulaye terá vindo para ficar, e que Herrera parece dar mostras de ter estabilizado, conseguindo, nesta partida, fazer bem a ligação entre sectores. Talvez a impressão de o FC Porto ter feito um jogo competente venha deste aspecto.

O Gil Vicente, que já não vence desde 3 de Novembro – desde esse dia ainda passou uma eliminatória da Taça, mas nas grandes penalidades – ainda reduziu a desvantagem, dois minutos depois do segundo golo portista, mas desta vez não houve sequer lugar à tremedeira que tem acompanhado o Porto desta temporada.

Esta vitória mais airosa aparece numa altura crucial da época. E junta outras interrogações àquelas que deixei pendentes desde a saída da Champions (terá a queda para a Liga Europa sido um mal que vem por bem, ou é um salto da frigideira para o lume?): terá o triunfo de Barcelos sido uma espécie de melhoras da morte? Ou será o regresso das competições europeias que vem acordar o que quer que estivesse adormecido no futebol da equipa? A resposta será dada na quinta-feira.

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por Miran Pavlin às 22:18

Segunda-feira, 09.12.13

Gil Vicente 0 - Sporting 2 - Com confiança

Numa jornada em que tinha a hipótese de se isolar na frente do campeonato, o Sporting não a desperdiçou e veio de Barcelos com os 3 pontos. Foi um bom jogo de parte a parte. O Gil Vicente mostrou que tem uma equipa bem montada, com processos bem trabalhados e bem assimilados e complicou muito a tarefa do Sporting. Pareceu-me procurar algo mais que o empate, e quando assim é, é sempre de louvar. Por seu lado, o Sporting mostrou concentração e atitude, apresentando a receita do costume a nível táctico. Wilson Eduardo voltou ao onze por troca com Carrillo e infelizmente não se mostrou particularmente inspirado. Em contrapartida, André Martins jogou e fez jogar, sendo o elemento chave do meio campo para a frente. Quanto a Montero voltou a marcar os golos que eu gosto mais: os de encostar. Estes golos são sempre bom sinal: querem dizer que a equipa está a criar jogadas de ataque e que o avançado tem faro para o golo, aquela ratice que já não havia no Sporting desde os tempos do melhor Liédson. 

Numa altura em que o Gil Vicente estava a crescer e mostrar ser capaz de chegar ao empate, Peks fez daquelas coisas que deixa qualquer treinador de cabelos em pé: entrou brutamente sobre um adversário a 70 metros da sua baliza e hipotecou as possibilidades da sua equipa discutir o resultado. Depois desse momento, o Sporting chegou naturalmente ao 0-2 e geriu o jogo tranquilamente até ao final. 

Ontem a maior parte dos jogadores esteve em destaque: Patrício (uma bela intervenção a segurar o resultado quando ainda estava 0-1), Cédric & Jefferson (bem a defender, bem a atacar), Maurício & Rojo (sem complicar), William & Adrien (muita entrega), André Martins (encheu o campo), Capel (influente) & Montero (muito bem a tabelar quando descia, mais dois golos plenos de oportunidade).

 

Carrillo, Slimani e Salomão já não vieram a tempo de acrescentar muito ao jogo. Segue-se o Belenenses em Alvalade, uma equipa que esta época já fez mossa ao Porto e que precisa de pontos. É certo que em Agosto ninguém esperava este nível exibicional e esta consistência da equipa do Sporting, mas a cada jogo a surpresa vai-se esbatendo, à medida que o bom futebol continua. Independentemente da classificação final do campeonato, o facto de o Sporting conseguir apresentar este futebol, tão poucos meses depois do descalabro total, é de louvar. 
Uma nota final para as palavras do presidente ontem em Vila do Conde acerca da intenção de não contratar ninguém em Dezembro. Concordo plenamente. Exceptuando 3 casos (Elias, Jeffrén & Labyad) que terão de ser necessariamente resolvidos com a saída dos jogadores, creio que não faz sentido mais ajustes no plantel, dado o curto calendário que espera o Sporting nos próximos meses. Contratar por contratar não faz sentido, e impedir a progressão de alguns dos que já cá estão, também não. 

 

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por Kirovski às 11:05

Segunda-feira, 16.09.13

FC Porto 2-0 Gil Vicente FC - Nem sempre a memória é curta

À margem do jogo, que se eu não estivesse no estádio certamente me teria feito adormecer no sofá, há a reter uma gradação da memória colectiva portista.

Aos 34 minutos Bruno Moraes entrou em campo e foi aplaudido, ou não tivesse ele apontado o golo decisivo ao cair do pano de uma vitória sobre o Benfica por 3-2, em 2006/07; aos 62 minutos entrou Cláudio Pitbull, outro ex-dragão, que não suscitou qualquer reacção do público; e a treze minutos do fim, é substituído César Peixoto, mais um antigo jogador do Porto, este debaixo de uma ruidosa assobiadela, ou não tivesse ele dito que “o Benfica é muito maior que o FC Porto”, quando vestia de encarnado.

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por Miran Pavlin às 14:30

Segunda-feira, 16.09.13

FC Porto 2-0 Gil Vicente FC - No poupar está o ganho

Mais um dérbi minhoto, como diria João Pinto. Da recepção ao Gil Vicente, à qual assisti in loco, não fica uma grande história para contar, como tantas vezes acontece em vésperas de jogos europeus.

O FC Porto venceu tranquilamente, numa partida morna, em que mais uma vez demonstrou que com Paulo Fonseca a equipa é mais elástica nas suas movimentações do que era com Vítor Pereira. O resultado é uma maior procura e abertura de espaços, forçando mais descompensações no adversário.

Em menos de meia hora os dragões colocaram o resultado fora de questão. E se é verdade que o Gil Vicente se apresentou no Dragão sem a sua dupla de centrais – que fora expulsa na jornada anterior, naquela heróica vitória sobre o Braga – também é verdade que não foi por aí que os gilistas não conseguiram intimidar como tinham feito na Luz.

Na vertigem das jogadas ao primeiro toque, Varela, que poderia agora ter a alcunha the fundamental one, demorou oito minutos a justificar as palavras de Paulo Fonseca durante a semana – “Varela pode ser fundamental”, “vai ser importantíssimo no FC Porto” – e cha cha cha Martínez, mesmo parecendo que está com a cabeça no clube que vai representar a seguir, voltou a picar o ponto. Até ao intervalo, do Gil Vicente nem sinal.

Só na segunda parte os minhotos se aproximaram mais da área adversária, numa altura em que a gestão de esforço portista lhes permitia ter mais bola e algum espaço para explorar. Ainda assim, só com relativo perigo, excepção feita a uma jogada em que Helton evitou no limite um lance semelhante aos que deram os golos do FC Porto. É a eterna questão de uma equipa só jogar aquilo que a outra deixa.

Com 12 pontos em 12 possíveis no campeonato, segue-se o arranque da Liga dos Campeões, com uma visita ao debutante Áustria de Viena, num estádio talismã para o FC Porto. Foi no Ernst-Happel que os dragões venceram a sua primeira Taça dos Campeões, e das duas vezes que os dragões lá voltaram (2002/03 e 2010/11, esta com um manto de neve a evocar Tóquio’87), a época terminaria com a conquista da Taça UEFA/Liga Europa. Será este novo regresso a Viena um sinal?

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por Miran Pavlin às 14:27



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