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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 31.05.17

CS MARÍTIMO 2016/17

Em abstracto, quanto mais vezes uma determinada situação se repetir, menos valor notícia tem. No entanto, o nono apuramento do Marítimo para as provas da UEFA é mesmo uma proeza, em face dos problemas por que a equipa passou. Desde logo o péssimo arranque de campeonato, com uma vitória e quatro derrotas nas primeiras cinco jornadas – e apenas um golo marcado. Nessa jornada 5, a derrota (2-0) que significou o fim da linha para o brasileiro Paulo César Gusmão, que se estreava no futebol português, não foi propriamente uma gota de água; foi uma enxurrada, já que o adversário era nada menos que o Nacional. Além do mal-estar de perder com o rival (2-0), o Marítimo era 17.º classificado e via bem de perto o espectro da má época de 2015/16, na qual bateu recordes negativos do clube.

Só havia uma solução. A habitual. Foi o primeiro estalar de chicote na Liga esta época, e a verdade é que funcionou. A escolha de Daniel Ramos para substituir Gusmão foi também ela arriscada, já que o novo técnico, apesar do currículo, nunca tinha treinado na divisão maior. Na hora do balanço, uma estatística basta para provar que a aposta foi acertada: o Marítimo não voltou a perder em casa até final do campeonato. Na verdade, perdeu apenas mais seis vezes nesses 29 jogos, metade delas nas visitas aos ditos três grandes. Falando neles, nenhum venceu nos antigos Barreiros, e o Benfica saiu mesmo do Funchal derrotado (2-1), na jornada 12.

O Marítimo teve ainda que lidar com a nuvem do castigo de nove meses a Dyego Sousa por agressão a um árbitro auxiliar num jogo da pré-época. Enquanto o processo correu trâmites o avançado brasileiro ainda marcou cinco golos, mas por alturas do início da segunda volta passou a ser necessário um substituto que nunca apareceu. Talvez também porque o meio-campo – Fransérgio em destaque – e a defesa estivessem a funcionar bem. Principalmente o sector recuado, com os centrais Raul Silva e Maurício António à cabeça, que consentiram apenas 32 golos – a terceira melhor defesa da temporada, logo a seguir a Benfica e FC Porto. Este é mesmo o segundo melhor registo dos insulares na I Liga, ex æquo com as épocas 2004/05 e 2010/11, apenas atrás dos 28 golos sofridos em 2007/08. E como a defesa é o melhor ataque, o artilheiro da equipa na I Liga foi precisamente Raul Silva, com sete golos.

A escalada maritimista na classificação consolidou-se entre as jornadas 14 e 23, nas quais a equipa não perdeu – o encontro da jornada 15 havia sido antecipado. O Marítimo foi sexto classificado na jornada 17, e a partir da 20.ª não mais o largou, mas a qualificação europeia só ficaria garantida na última jornada. A turma madeirense foi ainda uma das cinco equipas que conseguiram sequências de pelo menos dez jogos sem perder, e a única além dos ditos grandes que somou quarto partidas sem sofrer golos, no caso entre as rondas 19 e 22 – Guimarães (f), Moreirense (c), Rio Ave (f) e Nacional (c).

 

PONTO ALTO

A vitória na 12.ª jornada, a 2 de Dezembro, sobre um Benfica até aí invicto. O arménio Ghazaryan abriu o activo (5’), Gonçalo Guedes igualou (27’) e Maurício fixou o marcador final ao minuto 69. O resto foi obra e graça do guarda-redes Gottardi, que coleccionou defesas monstruosas.

 

PONTO BAIXO

Aquele triunfo foi o reverso da indigesta medalha trazida da Luz a 19 de Novembro, na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Nesse dia, o Marítimo foi vergado a um pesado 6-0, num encontro em que fez pouco mais que figura de corpo presente.

 

TAÇA DA LIGA

O Marítimo entrou em cena na 2.ª eliminatória, onde o esperava um dérbi com o União. Os unionistas entraram a ganhar – marcou N’Sor aos 35 segundos –, mas Edgar Costa (12’), Dyego Sousa (47’) e Ghazaryan (55’) impediram uma gracinha como aquelas que o União conseguiu na I Liga da época passada. Na fase de grupos os verde-rubros começaram por empatar com o Covilhã (1-1 fora), batendo depois o Rio Ave (1-0). A última jornada reservou uma final frente ao Braga, onde quem ganhasse passava. As equipas anularam-se até aos descontos, para proveito do Rio Ave, que assim seguiria em frente. Até que Gottardi se lesionou quando já não havia substituições, avançando Maurício para a baliza. O Braga marcaria aos 90’+4’ minutos por Velázquez, saltando assim para a fase seguinte.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 6.º lugar, 13v-11e-10d, 34gm-32gs, 50 pontos; apurado para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa;

Taça de Portugal: eliminou a Naval 1.º de Maio (0-4), antes de perder na 4.ª eliminatória diante do Benfica (6-0);

Taça da Liga: afastou o União na 2.ª eliminatória; terceiro classificado no grupo C (4 pontos), atrás de Braga e Rio Ave, e à frente do Covilhã.

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por Miran Pavlin às 13:00

Sábado, 06.05.17

Liga NOS, 32.ª jornada – CS Marítimo 1-1 FC Porto – Roleta russa

Ainda não foi desta. A visita ao Marítimo voltou a ser nefasta para o FC Porto, que deixa cair mais dois pontos, estes realmente vitais. Até porque não se tratava de mais um daqueles passageiros jogos decisivos que se vão apregoando ao longo da época; com a linha da meta já assustadoramente perto os pontos contam a sério. Afectado pelas lesões e castigos que não teve noutros momentos da temporada, o FC Porto voltou a ter Brahimi, mas ainda não podia contar com Danilo Pereira, nem com Maxi Pereira. Por defeito, a posição de lateral direito seria assegurada por Layún, mas Nuno Espírito Santo foi oblíquo, indo à equipa B pegar em Fernando Fonseca. O jovem não comprometeu, e até esteve perto de marcar (42’) quando apareceu solto na direita da pequena área, mas acabaria por dar o lugar a Rui Pedro quando o técnico inverteu o esquema para 3x3x4. Corria o minuto 84 e o FC Porto jogava com o desespero em pano de fundo. Por essa altura tinha já trocado ainda Rúben Neves por André Silva (76’). Já tinha também saltado à memória o fatídico jogo da 26.ª jornada com o Setúbal, no qual o FC Porto se deixou empatar na única oportunidade concedida ao adversário.

Os dragões não fizeram uma primeira parte de luxo, mas pareciam estar confiantes o suficiente para repetir o resultado de Chaves, ainda mais quando se adiantaram no marcador (28’), com Otávio na direita a aproveitar um mau corte de Zainadine para rematar cruzado e certeiro. Na segunda metade faltou ao FC Porto a iniciativa necessária para matar o jogo, o que se traduzia em escassez de oportunidades. Só depois do empate é que os azuis-e-brancos voltaram a ameaçar a baliza insular, num cabeceamento de André Silva (79’), noutro cabeceamento cruzado de Soares ao qual o mesmo André Silva não chegou a tempo de emendar (84’) e num terceiro cabeceamento, agora de Rui Pedro (90’+4). Mas inclinar a equipa para o ataque – Corona também estava em campo, no lugar de Otávio (74’) – não foi suficiente para que o FC Porto regressasse à vantagem.

O golo do Marítimo (69’) nasce de um canto talvez desnecessário cedido por Alex Telles, que não se apercebeu que tinha um adversário em cima das costas e não abordou o lance da melhor maneira. Na cobrança Djoussé, que fora a jogo um minuto antes, irrompeu decidido pelo coração da área e cabeceou forte para o fundo da baliza. O tento era também ele vital para os verde-rubros, que ainda têm o seu sexto lugar à mercê de predadores. Foi mesmo a única vez que o Marítimo alvejou as redes portistas em todo o jogo. Os insulares resistiriam até final, salvando um ponto muito importante para a sua luta. Já o FC Porto, tal como nesse jogo com os sadinos, fica a chorar os dois que fugiram após ser condenado na única desatenção que teve. Serão mais sinais dos tempos, ou o estádio outrora apelidado de caldeirão é mesmo como uma roleta russa em que o FC Porto leva sempre um tiro?

A verdadeira extensão deste empate só será conhecida depois de realizado o jogo do líder da classificação. Numa hipótese tresloucada o empate até poderá ter significado uma aproximação ao topo; o que só viria sublinhar o preço que o FC Porto paga pelos dois pontos perdidos. No aproveitar está o ganho, diz o povo. E o FC Porto não o tem feito quando mais interessa.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quinta-feira, 15.12.16

Liga NOS, 15.ª jornada (jogo antecipado) – FC Porto 2-1 CS Marítimo – Desacerto de calendário

Já eliminados da Taça de Portugal, FC Porto e Marítimo optaram por antecipar a partida da 15.ª jornada, que por defeito devia realizar-se a 21 de Dezembro. A avaliar pelo estado do tempo, que se agravou nas horas que antecederam o pontapé de saída, talvez tivesse sido melhor jogar na data prevista, já que as equipas surgiram aparentemente entorpecidas pela chuva, que em certos momentos caiu forte. Mesmo com um resultado final apertado, foi o FC Porto quem teve o controlo das operações praticamente de início a fim, não precisando vestir o fato de gala para somar três pontos que lhe permitem fazer pressão ao líder nos escassos dias até que o calendário acerte.

A magia do futebol, essa, desta vez manifestou-se apenas nos golos, já que o jogo em si foi, então, pachorrento. O FC Porto podia ter-se adiantado logo ao minuto 9, mas o cabeceamento decidido de Felipe na cobrança de um canto errou o alvo. Os azuis-e-brancos teriam que esperar até aos segundos antes do descanso para celebrar, altura em que Brahimi recebeu a bola na esquerda da área e avançou até perder o ângulo. Perdão, até colocar a bola entre o poste e o guarda-redes, com esta a beijar a rede lateral do lado contrário. O argelino passou de goleador a assistente (67’), quando solicitou André Silva com um passe a rasgar; o avançado finalizou bem para o 2-0.

O Marítimo não se atreveu muito no ataque, mesmo depois de estar em desvantagem, mas foi ainda assim premiado com um golo. Djoussé ganhou a bola já no meio-campo contrário, avançou, embrulhou-se e caiu com Alex Telles, levantou-se de pronto, tirando um adversário do caminho com o mesmo movimento, e desferiu um forte remate para um belo golo, que quebrou a sequência portista de 745 minutos sem sofrer. O técnico Nuno Espírito Santo resumiu o momento da melhor forma na zona de entrevistas rápidas: “algum dia o golo [sofrido] ia aparecer, e a ser, que seja assim”. Foi, de facto, um belo golo.

Com o calendário desacertado, dragões e leões do Funchal poderão ir mais cedo para as mini-férias de Natal, assim que realizem os seus encontros da 14.ª jornada. É conveniente, pois logo a seguir à data festiva ambos jogam para a Taça da Liga.

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por Miran Pavlin às 23:15

Quinta-feira, 26.05.16

CS MARÍTIMO 2015/16

A palavra-chave da época do Marítimo é: inconstância. Capaz de golear e ser goleado, foi como se o emblema insular passasse toda a época no interminável sobe-e-desce de uma montanha russa. Quem sai da montanha russa fá-lo por baixo, e foi precisamente isso que sucedeu ao Marítimo. O 13.º lugar foi a sua pior classificação desde 1982/83, ao passo que os 63 golos sofridos são novo recorde do clube. Como se não bastasse, nunca antes o clube tinha perdido 19 jogos numa só edição da I Liga.

A primeira dessas derrotas ocorreu logo na jornada inaugural, e não terá sido fácil de digerir. Apadrinhando o regresso do União à categoria máxima, o Marítimo inadvertidamente entrou na festa, ao sair derrotado por 2-1. Na segunda jornada, e pelo quarto ano consecutivo, os verde-rubros roubaram pontos na recepção ao FC Porto (1-1). Era só o primeiro exemplo da disparidade de resultados de que o Marítimo era capaz. Nas jornadas imediatas, o Marítimo brindou o Setúbal com um 5-2, saindo depois de Braga vergado a um robusto 5-1. Como visitante, o Marítimo venceria apenas três jogos, frente a Boavista (0-1), Guimarães (3-4) e Tondela (3-4), perdendo onze, com as goleadas sofridas em Arouca (4-1) e na Luz (6-0) à cabeça. A resposta ao vexame na capital – 5-1 na recepção ao Moreirense – foi apenas mais um exemplo das duas caras dos leões do Funchal.

As duas taças nacionais também trouxeram resultados diametralmente opostos. Enquanto na Taça de Portugal o Marítimo foi vítima do episódio de tomba gigantes do ano, ao ser afastado na 4.ª eliminatória pelo Amarante, do Campeonato de Portugal (1-0, golo de Miguelito aos 44’), na Taça da Liga os maritimistas chegaram até à final, num percurso que incluiu uma vitória por 1-3 em casa do FC Porto na fase de grupos. O Marítimo nunca aí tinha ganho qualquer jogo, incluindo todas as competições. O passaporte para o jogo decisivo seria carimbado com uma vitória por 3-1 sobre o Portimonense, que se tornou na primeira equipa da II Liga a atingir as meias-finais, após concluir a fase de grupos à frente do Sporting.

A final foi uma repetição do encontro da época passada, mas só nos intervenientes e no local, pois desta vez o Benfica esteve intratável e goleou por 6-2 – em 2014/15 tinha havido 2-1. O estádio Cidade de Coimbra é definitivamente de má memória para o Marítimo, que havia perdido também na visita à Académica (1-0) para o campeonato.

Tantos desaires acabaram por custar o lugar ao técnico Ivo Vieira, que se demitiu após a 18.ª jornada, naquele que seria o último chicote a estalar esta época na Liga NOS. O resto da temporada ficaria a cargo de Nelo Vingada, mas o experiente técnico, na sua segunda passagem pelo clube – que orientou entre 1999 e 2002 – não conseguiu recuperar o ânimo do plantel.

Nada menos que 16 jogadores fizeram o gosto ao pé pelo Marítimo na Liga NOS, com Dyego Sousa a facturar 12 golos – nenhum de grande penalidade. Fransérgio (5 golos) e Edgar Costa (4) também estiveram em foco, com este último a apontar talvez o golo do ano, rematando de costas para a baliza, depois de receber a bola e dar dois toques. Marcá-lo frente ao Nacional abrilhantou ainda mais o movimento. Baba regressou ao clube em Janeiro para colmatar a saída de Marega para o FC Porto, mas foi pouco mais que um fracasso; curiosamente, tal como o próprio Marega, que se eclipsou no Dragão. Na defesa, João Diogo e Rúben Ferreira não chegaram para as encomendas.

 

Contas finais

Campeonato: 13.º lugar, com 10v, 5e, 19d, 45gm, 63gs, 35pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: finalista vencido

 

Para mais tarde recordar

13.09.2015, jornada 4 – vence o Setúbal por 5-2; não marcava cinco golos num jogo de I Liga desde um 1-5 em Coimbra, em 2010/11;

12.12.2015, jornada 13 – marcou pela primeira vez quatro golos em casa do Guimarães (3-4);

10.01.2016, jornada 17 – vitória sobre o Moreirense por 5-1; a maior de sempre frente aos cónegos na I Liga.

 

Para esquecer

22.11.2015, Taça de Portugal: afastado pelo Amarante, do Campeonato de Portugal;

06.01.2016, jornada 16 – derrota na Luz por 6-0. A pior do Marítimo desde 1995/96, quando perdeu pelo mesmo resultado tanto em Guimarães, como nas Antas.

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por Miran Pavlin às 12:45

Domingo, 24.01.16

Liga NOS, 19.ª jornada – FC Porto 1-0 CS Marítimo – Benefício do tempo

Há quem diga que a História, de tempos a tempos, se repete. Em Janeiro de 2002 o FC Porto seguia na terceira época desde o último título de campeão nacional e os resultados negativos fizeram com que o chicote estalasse nas costas de Octávio Machado. O homem que se seguiu foi José Mourinho, que orientou o seu primeiro jogo no quarto fim-de-semana do mês, diante do Marítimo.

14 anos depois, o paralelismo com esse Janeiro é por demais evidente. O FC Porto encontra-se novamente na terceira temporada desde a última vez que celebrou o título e o treinador voltou a não resistir. O substituto também dá pelo nome de José, mas Peseiro, e tal como nesses tempos idos, estreia-se no comando da equipa no quarto fim-de-semana de Janeiro, igualmente frente ao Marítimo. Num último requinte, tal como nesse jogo de 2002, o técnico maritimista é Nelo Vingada e o marcador abriu com um auto-golo dos insulares – na altura foi Briguel o infeliz. As coincidências terminam por aqui, uma vez que o resultado desse jogo (2-1) não se repetiu. Naturalmente que só o tempo dirá se estas ligações quase esotéricas com o passado são premonitórias. Por enquanto, a única confirmação é a de que José Peseiro tem muito trabalho pela frente, na medida em que a exibição portista esteve longe de convencer.

O FC Porto teve hoje um pouco da sorte que lhe faltou em outros jogos. Primeiro no golo (22’), num remate de André André que ressaltou nas costas do guarda-redes Salin após bater na trave, depois no cabeceamento de Dyego Sousa à trave (25’), e ainda na saída por lesão de Marega (32’), que é o segundo melhor marcador do Marítimo na I Liga. Apenas houve mais uma oportunidade flagrante de golo, quando aos 72 minutos Corona rematou cruzado, em arco, para uma soberba defesa de Salin para canto. Nessa altura já estava em campo Hyun-Jun Suk, que entrou para os últimos vinte minutos, estreando-se assim pelos dragões em jogos da I Liga. O sul-coreano, apesar de esforçado, acabou por não ter grande influência no jogo.

Este foi o nono jogo entre FC Porto e Marítimo nas últimas três épocas, e talvez a familiaridade dos verde-rubros com o futebol dos dragões justifique o atrevimento que demonstraram ao longo de toda a partida, ao ponto de se pensar que talvez até o empate se justificasse. Por outro lado, é possível que tenham sido as quatro vitórias nesses nove encontros a dar aos insulares uma crença extra. Numa terceira hipótese, talvez fosse só uma reacção positiva à entrada de um novo treinador.

Na zona de entrevistas rápidas, José Peseiro relativizou a pobreza da exibição da equipa, salientando que neste momento são mais importantes os pontos. Acabou por valer a sorte que tantas vezes tem virado as costas ao FC Porto nos últimos tempos. Peseiro merece o benefício não da dúvida, mas do tempo, o qual ainda não teve para perceber que tipo de jogadores tem em mãos. Mãos à obra, então.

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por Miran Pavlin às 23:40

Terça-feira, 29.12.15

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 1-3 CS Marítimo

Começar a ver um jogo aos 60 minutos é meio caminho andado para se tirarem conclusões precipitadas e fazerem análises insuficientes. Não sabendo o que se passou antes, a imagem que fica dessa última meia hora é a de um FC Porto quase nulo. Já a perder, e com os habituais titulares a pensar no importante jogo do próximo fim-de-semana, os menos utilizados acabaram por ficar um tanto ou quanto perdidos em campo.

O FC Porto terminou com 70% de posse de bola, e a verdade é que os dragões visaram muitas vezes a baliza de Salin, mas os remates saíram quase todos na direcção do guardião francês do Marítimo. André Silva, em estreia na equipa principal, foi o autor de muitos desses remates.

Os adeptos portistas não andam satisfeitos com o rendimento da equipa, e não teve qualquer importância que o jogo contasse para a historicamente menosprezada Taça da Liga; imediatamente após o 0-2, os presentes brindaram a equipa com um sonoro coro de assobios, e o treinador com lenços brancos. Qual espírito natalício, qual quê?

O 0-3, aos 90’+4’ minutos, foi só mais um estalo na cara do FC Porto. Aboubakar ainda reduziu na jogada seguinte, e o jogo findou logo depois. 1-3. A primeira vitória de sempre do Marítimo em casa do FC Porto, incluindo todas as competições. Helton foi veemente ao instar os colegas para que dirigissem às bancadas um agradecimento misturado com pedido de desculpas, mas a equipa não se livrou de nova vaia.

Talvez nunca tenha acontecido a ninguém numa fase de grupos semelhante a esta, mas bastou um jogo para as hipóteses de passar à fase seguinte se reduzirem ao mínimo. O Marítimo, que já tinha realizado um jogo em Novembro, soma agora seis pontos, faltando-lhe apenas um para seguir em frente. O FC Porto tem que vencer as duas partidas restantes e esperar que o Famalicão, que pode ele próprio apurar-se, traia o Marítimo no Funchal.

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por Miran Pavlin às 21:30

Sábado, 22.08.15

Liga NOS, 2.ª jornada – CS Marítimo 1-1 FC Porto – Caso crónico

Os problemas que o FC Porto sente quando visita o terreno do Marítimo já deixaram de ser históricos. São crónicos. Não importa se a equipa está em melhor ou pior forma, ou se lhe falta alguém importante. Nem o árbitro importa. Sempre que visita os agora remodelados Barreiros, o jogo do FC Porto torna-se embrulhado e por vezes individualista, ficando a equipa carente de alguém, principalmente no meio-campo, que consiga pôr ordem na casa.

Não se pode, contudo, retirar mérito ao Marítimo, que consegue ser uma equipa chata, no bom sentido do termo. Sem medo do choque e sem medo de jogar feio se necessário, os verde-rubros, a exemplo do que fizeram na época passada, bloquearam praticamente todas as linhas de passe ao FC Porto, que muitas vezes se viu forçado a batalhar pela bola em espaços muito apertados junto às linhas laterais, com vários jogadores dos insulares na pressão.

Naturalmente que o plano do Marítimo beneficiou em grande medida dos acontecimentos do minuto cinco, quando Egdar Costa correspondeu de cabeça a um cruzamento da esquerda e abriu o activo. Nessa altura o jogo ainda não tinha história, mas num piscar de olhos passava a tê-la, e com ela ressuscitava a crónica incapacidade dos portistas neste recinto.

O FC Porto igualaria a contenda ao minuto 35, num lance bem trabalhado pelo ataque azul-e-branco. Aboubakar passou para a desmarcação de Brahimi, que desde a esquerda cruzou para Imbula; o franco-congolês levantou a bola e ajeitou de cabeça para o coração da área, onde Herrera disparou forte e certeiro, esquecendo por uns momentos a fraca exibição da jornada inaugural. O espaço de execução foi pouco, mas suficiente.

Daí para a frente o Marítimo manteve-se mais retraído e o FC Porto não encontrou o espaço de que precisava para ameaçar a baliza. A verdade é que os dragões até poderiam ter vencido… mas nos Barreiros tudo lhes corre mal. Na melhor jogada do encontro, André André cruzou para Aboubakar aparecer solto no centro da área e rematar forte; Salin defendeu como pôde. No último instante do encontro Maxi Pereira cabeceou fora do alcance do guarda-redes francês, mas a bola embateu na parte de baixo da trave, bem junto à quina, e não ressaltou para dentro da baliza. Que galo.

Não justifica nada, mas não deixa de ser curioso e irónico que na semana em que o FC Porto viu sair Alex Sandro, o golo sofrido nasça de um lapso do lateral-esquerdo Cissokho, que falhou o tempo de salto e não conseguiu cortar a bola. A isso não será alheio que o jogador tenha estado lesionado nas semanas anteriores. Não se sabendo se precisaria de mais tempo de recuperação, talvez o facto de ter chegado ao plantel numa fase já adiantada da pré-época também não lhe permita ter o ritmo necessário.

É o preço a pagar pelo encerramento tardio do período de transferências, que impede os clubes de fechar plantéis atempadamente. Alguns campeonatos da Europa central vão já na quinta jornada, pelo que não faz sentido manter a "janela" aberta até 31 de Agosto.

Outras contas. Falando em contas, o empate não é, para já, dramático, mas sem ninguém ver o FC Porto leva a mão à gaveta para pegar na calculadora. A fibra da equipa está desde já à prova. Certamente bem mais cedo do que os dragões desejariam.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 06.06.15

CS Marítimo 2014/15 – 9.º lugar – 12v, 8e, 14d, 46gm-45gs, 44pts

Quem diria que o Marítimo ainda conseguiria terminar a época envolvido na luta pela Liga Europa! Foi uma pequena surpresa, pois os verde-rubros foram menos assertivos que o habitual e acabaram por ocupar os indistintos lugares do meio da tabela durante quase todo o ano.

O início de campeonato foi relativamente bom. À sexta jornada o Marítimo era terceiro classificado, levava quatro vitórias e acabava de bater um Guimarães em alta por claros 4-0. Nada fazia prever que se seguiriam quatro derrotas de enfiada (Paços, Sporting, Moreirense e Setúbal) e uma queda de sete lugares na classificação, que se relevaria irremediável.

Até final da primeira volta os insulares venceram apenas mais dois jogos. Sete pontos nos primeiros seis jogos da segunda volta levaram o técnico madeirense Leonel Pontes a apresentar a demissão, sendo substituído por outro madeirense, Ivo Vieira.

O chicote fez efeito, e seria na recta final da época que o Marítimo reentraria na discussão europeia. Oito jogos sem perder entre as rondas 26 e 33 deixaram-no perto da Liga Europa, mas não foi suficiente. Ter uma última jornada num Estádio da Luz engalanado para a festa do título foi, no mínimo, ingrato.

Foi o fecho do campeonato, mas não da época para o Marítimo, já que restava disputar a final da Taça da Liga, novamente contra o Benfica. Foi já sob o comando de Ivo Vieira que os insulares garantiram o acesso ao jogo decisivo, batendo o FC Porto de reviravolta (2-1), a 2 de Abril.

Era a primeira final dos verde-rubros desde 2001 e o Marítimo deu bastante luta, mesmo perante um Estádio Cidade de Coimbra vestido de vermelho. O Benfica marcou primeiro, mas o Marítimo empataria, por João Diogo (56’), quando já jogava com menos um. Foi por dez minutos que o conjunto madeirense não levou o encontro para as grandes penalidades. O mal-amado Ola John foi carrasco, fazendo o 2-1 final.

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por Miran Pavlin às 15:30

Quinta-feira, 02.04.15

Taça da Liga, meias-finais – CS Marítimo 2-1 FC Porto – Males que vêm por bem

Terceira visita à Madeira, terceira noite de indisposição. Esta custou um lugar na final da Taça da Liga, o troféu que o FC Porto historicamente desvaloriza, não faz questão de ganhar e, pelos vistos, não consegue mesmo ganhar.

Fazendo jus à pouca importância dada a esta competição, Julen Lopetegui escalou um onze sem alguns dos habituais titulares, opção justificada na sala de imprensa, onde o técnico referiu não fazer sentido levar outros nomes a jogo quando os menos utilizados na I Liga se bateram dignamente nas partidas da Taça da Liga.

Durante a primeira meia hora de jogo, mesmo com alguma lentidão, a equipa ia executando as suas rotinas ofensivas, face a um Marítimo expectante, que não quereria de maneira nenhuma cometer erros, ou não estivesse no momento mais importante de uma temporada abaixo dos seus objectivos.

Aos 32 minutos os dragões chegaram ao golo, num pontapé de ressaca de Evandro, após mau alívio da defensiva insular. A vantagem teve um efeito nocivo para o FC Porto, que em vez de se galvanizar, quebrou, desapareceu do jogo e chegou mesmo ao intervalo, imagine-se, já a perder por 2-1.

O empate surgiu cinco minutos depois do tento de Evandro, numa grande penalidade transformada por Bruno Gallo, precisamente o homem que marcara o único golo na partida para o campeonato. O lance foi de grande infelicidade para o lateral Ricardo, que não tinha hipótese de se desviar do maritimista Xavier, que o fintou e de seguida chocou com ele. Uma jogada normal de futebol, que o status quo da arbitragem portuguesa torna difícil não ser considerada faltosa. Para discutir eternamente.

Em cima do descanso Marega fez o 2-1, na sequência de um canto em que a defesa azul-e-branca não sai bem vista. Este golo mudou tudo o que se podia esperar do jogo para a segunda parte. Era como um pássaro raro nas mãos do Marítimo, que logo tratou de não o deixar escapar, cerrando fileiras na zona defensiva e entregando a iniciativa ao FC Porto.

Sem nervosismo ou sofreguidão, os dragões voltaram à forma inicial, trocando a bola, lateralizando, furando até cruzamentos que invariavelmente não saíam a jeito para finalizações, que é o mesmo que dizer que não causaram perigo para as redes de Salin. Excepção feita àquele último quarto-de-hora da primeira parte, não se pode dizer que o FC Porto tenha feito um jogo horrível. O problema é que não foi nem intenso, nem bom o suficiente, logo deixando o FC Porto com pouco que abone a seu favor.

A derrota, contudo, não deixa de ser um mal que vem por bem. Caso tivesse passado, o FC Porto jogaria a final numa altura em que já estará a braços não só com a eliminatória frente ao Bayern Munique, mas também com o decisivo Benfica-Porto do campeonato. Nessas contas há muito que já não há margem de erro. Agora deixa também de haver desculpas para um jogo pouco conseguido na Luz.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 25.01.15

I Liga, 18.ª jornada – CS Marítimo 1-0 FC Porto – O peso da história

Uma frase apenas define este jogo: uma das equipas passou imenso tempo no meio-campo adversário e teve diversas oportunidades de golo, mas venceu aquela que foi só uma vez à baliza. Para mal dos seus pecados, foi o FC Porto que ficou no lado errado do resultado.

Pode mesmo dizer-se que os dragões foram vergados pelo peso da história. Quiçá mais do que no Estoril, é no terreno do Marítimo que todos os fantasmas portistas ressurgem. Contando já com esta época, o FC Porto só venceu metade das últimas dez deslocações a casa dos verde-rubros – o triunfo mais recente foi em 2011/12.

O FC Porto apenas começou a carburar na segunda parte, muito por culpa de mais uma experiência de Julen Lopetegui, que deixou Tello no banco para apostar em Quintero a extremo. A posição não beneficia o jogo do jovem colombiano e o prejuízo na manobra ofensiva portista foi evidente. O primeiro remate à baliza, ainda que à figura, demorou 25 minutos a aparecer.

Quintero deu o lugar a Tello ao intervalo e o FC Porto começou a criar mais perigo. Continuou a ter mais posse de bola e domínio territorial, e conquistou uma dezena de pontapés de canto, mas teve em Salin um obstáculo de peso. O guarda-redes francês esteve inspirado, negando diversos lances, incluindo a mais clara oportunidade de todas, quando Martins Indi, a dois metros do golo, não acertou a recarga a uma defesa incompleta. Antes disso já tinha havido um remate de Tello ao poste, na única vez em que um passe de ruptura permitiu uma desmarcação por entre os centrais.

Todo o esforço do FC Porto foi inútil, por via do golo de Bruno Gallo aos 32 minutos. O Marítimo não mais visou a baliza de Fabiano; o seu mérito esteve apenas e só na tenacidade defensiva. Tapando os espaços por onde as movimentações adversárias poderiam passar, e com alguma virilidade à mistura, os insulares impediram o FC Porto de fazer o seu jogo, e nem a expulsão de Raul Silva, já perto da recta final do jogo, os fez tremer.

As consequências desta derrota podem ser dramáticas para o FC Porto, tendo em conta que o Sporting se aproximou perigosamente e que o Benfica pode cavar uma distância de nove pontos caso vença amanhã. Por muito que este seja o primeiro ano de uma nova etapa – como escrevi na antevisão da época – e que os Barreiros sejam quase a kryptonite do FC Porto, a justificação lopeteguiana a cada desaire não convence. Dizer que “é futebol” não chega. Falta no FC Porto alguém que exorte os jogadores a superarem-se em nome do clube.

O sinal de perigo que desde Dezembro acompanha o FC Porto aumentou exponencialmente de tamanho.

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por Miran Pavlin às 22:25



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