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CORTE LIMPO


Domingo, 20.08.17

Liga NOS, 3.ª jornada - FC Porto 3-0 Moreirense FC - Do controlo ao domínio

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De volta ao Dragão, o FC Porto voltou a ser dominador, diante de um Moreirense que ficou preso na teia da velha máxima de uma equipa só conseguir jogar o que a outra deixa. A posse de bola quase constante dos da casa pouco espaço deixava para que os minhotos pudessem montar a eventual estratégia que traziam para o jogo. À posse portista juntava-se a pressão, nesses vinte minutos iniciais muito inclinados sobre o último reduto do Moreirense. Através de rápidas trocas de bola - algumas ao primeiro toque - e movimentações inteligentes, o FC Porto efectivamente cortava a respiração do adversário e ameaçava o golo a qualquer instante.
Seria preciso esperar então 18 minutos. Numa jogada simples, Brahimi trabalhou no meio e lançou o lateral Alex Telles, que cruzou certeiro para a cabeça de Aboubakar, que irrompeu solto pelo centro da área. Ainda os adeptos portistas se acomodavam depois do festejo do golo quando o ponta-de-lança bisou (21'), num lance em que os atacantes do FC Porto fizeram fila em frente à baliza como se alguém estivesse a vender alguma coisa. Marega foi o primeiro a rematar, para defesa incompleta de Jhonatan. Óliver Torres tentou uma recarga que o guarda-redes ainda susteve, até que Aboubakar finalmente acertou. E ainda estava lá Brahimi caso fosse necessário novo disparo.
A tranquilidade do 2-0 fez o FC Porto abrandar o ritmo, mas nem assim o Moreirense pôs a cabeça fora da toca. Entre um ou outro lance de maior perigo, quando se deu por ela já ia alta a segunda parte, e não havia indícios de que o jogo conhecesse novos capítulos. O FC Porto não só controlava, como dominava os acontecimentos e Sérgio Conceição aproveitou para dar minutos a Otávio (entrado ao intervalo) e a Hernâni (67'), substituindo respectivamente Brahimi e Corona. O minuto 77 trouxe o terceiro golo, a castigar uma hesitação dos centrais do Moreirense numa bola aparentemente inofensiva. Quem não hesitou foi, novamente, Aboubakar, que avançou decidido e rematou forte para carimbar o seu primeiro hat-trick pelos dragões.
Reduzido a um remate de Arsénio para boa defesa de Casillas (87'), o Moreirense pouco mais fez que sublinhar a justiça do triunfo portista, que assim segue no pelotão da frente da I Liga, formado pelos clientes habituais e pelo Rio Ave, e com a baliza ainda virgem. Um bom arranque, ao qual falta a peça-chave: a ida a Braga, naquele que se prevê ser o teste mais complicado da "primeira etapa" desta edição da Liga.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 03.06.17

MOREIRENSE FC 2016/17

Se alguém fez história em 2016/17, foi o Moreirense, mas foi por pouco que o grande feito dos cónegos não ficava soterrado por uma descida de divisão. Os minhotos até começaram razoavelmente bem o campeonato, empatando em casa com o Paços de Ferreira (1-1) e vencendo na Feira (0-3), mas uma série de cinco derrotas atirou o Moreirense para o último lugar da tabela à 7.ª jornada. A partir daí, a equipa não conseguiu subir acima do 14.º lugar – à jornada 19 – o que justifica bem a insegurança que se viveu ao longo da campanha da Liga NOS. A segunda volta traria uma série de dez encontros sem vencer – jornadas 19 a 28 – que colocou o espectro da II Liga bem à frente do nariz do Moreirense. Além disso, o Moreirense passou 13 jornadas sempre a sofrer golos – 3.ª à 15.ª – e teve a mais longa série sem marcar, nos cinco encontros entre as jornadas 3 e 7, uma sequência só igualada pelo Boavista mais à frente na temporada. Os cónegos começaram a segunda volta com cinco pontos à maior sobre a zona fatal, mas terminaram apenas um acima, em função dos parcos 19 pontos somados nesse período.

 

TAÇA DA LIGA

O troféu voltou ao Minho quatro anos depois de lá ter estado, mas não para a localização mais provável tendo em conta os participantes na final a quatro. Foi mesmo o Moreirense a trazer o caneco para casa, numa final totalmente minhota que se tornou no ponto mais alto da história do clube, que até esta temporada contava dois títulos da II Liga e outros dois na antiga II Divisão B. A campanha dos cónegos arrancou na 2.ª eliminatória, com um triunfo sobre o Estoril (1-0).

Na fase de grupos o Moreirense ganhou de imediato vantagem, batendo o Feirense (1-2) e beneficiando do empate do teórico favorito, o FC Porto. A segunda ronda trouxe uma boa dose de sofrimento, já que ao minuto 73 o Belenenses fazia o 1-3, mas o Moreirense encontrou engenho para igualar o marcador, batendo depois o FC Porto na última jornada (1-0), com um golo de Francisco Geraldes.

Na meia-final novo choque, e com números mais expressivos. A vítima foi o Benfica, talvez surpreendido pela crença e energia dos cónegos, principalmente depois de os encarnados se encontrarem a vencer desde o minuto 6, por Salvio. Na segunda parte o detentor do troféu não teve reacção para os golos de Dramé (46’) e Emmanuel Boateng (54’), e ainda consentiu um terceiro golo, novamente por Boateng (71’).

Na final o Moreirense não foi tão exuberante, necessitando apenas de uma grande penalidade de Cauê (45’+2’) para garantir o troféu, face a um Braga que terá gasto as suas fichas na meia-final frente ao Setúbal.

 

TREINADOR VENCEDOR

Augusto Inácio chegou ao clube apenas à 12.ª jornada, quando o Moreirense já tinha realizado o primeiro jogo na fase de grupos, e foi bem claro em declarações à RTP na noite da vitória: “os adeptos que hoje nos aplaudem são os mesmos que nos vão cobrar se não ganharmos o próximo jogo da I Liga”. De facto. A conquista da Taça da Liga não funcionou como tónico para a carreira no campeonato, já que a tal série de dez partidas sem vencer começou precisamente no jogo seguinte à final. Inácio sairia sete jogos mais tarde, após a jornada 26.

 

RESTANTES TREINADORES

Pepa iniciou a época, sendo uma escolha oblíqua, apesar de contar uma subida de divisão pela Sanjoanense, em 2013/14, e 37 jogos na época passada pelo Feirense, que subiria de divisão já sem o técnico. A aventura no Minho durou então dez jornadas, à conta dos resultados insuficientes. O adjunto Leandro Mendes assegurou na 11.ª jornada a transição para Augusto Inácio. A recta final ficaria a cargo de Petit, obreiro da incrível manutenção do Tondela em 2015/16. Será que Petit se está a tornar num Vítor Oliveira das permanências?

 

FIGURAS

Daniel Podence (na foto da final) e Francisco Geraldes estiveram em destaque até à final da Taça da Liga, altura em que foram resgatados do empréstimo pelo Sporting. Emmanuel Boateng foi o melhor marcador da equipa na Liga. Quando de luta arduamente pela manutenção é difícil não reparar em quem está na baliza, e o georgiano Makaridze esteve à altura do exigido, numa equipa em que também ficaram na retina os nomes de Cauê, Dramé, Nildo e Rebocho. Sougou regressou à I Liga anos depois de se notabilizar ao serviço do Leiria, mas com pouco impacto.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 15.º lugar, 8v-9e-17d, 33gm-48gs, 33 pontos;

Taça de Portugal: afastado logo na 3.ª eliminatória pelo Vizela (1-0);

Taça da Liga: vencedor.

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por Miran Pavlin às 13:00

Domingo, 21.05.17

Liga NOS, 34.ª jornada – Moreirense FC 3-1 FC Porto – Cabeça

Calma, estimados leitores portistas, o título deste texto é apenas uma ironia. Porque cabeça foi coisa que o FC Porto não teve no derradeiro jogo de 2016/17. Por cabeça entenda-se motivação para defrontar um Moreirense que jogava toda a temporada nesta partida. Já no último parágrafo da crónica anterior o Corte Limpo deixou uma previsão daquilo que o FC Porto poderia encontrar na última jornada. Por muito que não fosse preciso lançar avisos, pois a história recente era esclarecedora: o FC Porto não vencera nas últimas duas deslocações a Moreira de Cónegos. E à terceira não foi de vez.

Se havia coisa que o Moreirense não podia ter era medo. Não só porque jogando com medo dificilmente conseguiria os seus objectivos, mas também porque nesta temporada já tinha batido FC Porto e Benfica, ainda que a contar para outra prova. Nesse jogo da Taça da Liga, em Janeiro, os cónegos encontraram um FC Porto numa fase mais instável, desta vez os dragões vinham já sem objectivos. E se não os havia, ao minuto 19 passou a existir um, mercê do golo de Emmanuel Boateng (16’), num golpe de cabeça em antecipação no coração da área. Já tínhamos visto o FC Porto sofrer este golo no Marítimo. A reacção portista fez-se principalmente de arrancadas individuais de Brahimi, que hoje primou pela inconsequência. Mas tal também era reflexo da falta de ideias e de entreajuda na equipa. É difícil encontrar uma explicação para isso, tendo em conta que a única rotação efectuada por Nuno Espírito Santo foi na baliza, onde José Sá se estreou nesta Liga NOS. Enquanto o FC Porto tentava perceber o que se estava a passar, o Moreirense aproveitou para dilatar a vantagem (37’), com Frédéric Maciel a finalizar um contra-ataque, via que os minhotos já tinham explorado antes.

Ao intervalo Nuno trocou Otávio por André Silva e Herrera por Corona, e o FC Porto esboçou uma reacção, ainda que com pouco ou nenhum critério. A bola circulava entre flancos mas não havia incursões à área. Mesmo assim, os azuis-e-brancos conseguiriam chegar ao golo (66’), e que golo! André André cruzou na direita e Maxi Pereira, de costas para a baliza, fez um chapéu a Makaridze com um magnífico gesto técnico. A corrida portista atrás do prejuízo não duraria muito mais tempo, porém, e o FC Porto voltou a reduzir-se à palidez do primeiro tempo. O Moreirense reagrupou-se, voltou ele próprio à estabilidade exibida na primeira parte, obrigou José Sá a uma óptima defesa num livre de Nildo (71’), e mataria o jogo já na recta final (83’), por intermédio de Alex, que frente a José Sá ameaçou rematar forte mas colocou em jeito, rasteiro, ao poste mais distante.

A derrota, que já era previsível há largos minutos, tornou-se então óbvia. Mais que isso: despedindo-se da época tendo feito parte da festa da permanência do Moreirense, o FC Porto permite ao mesmo tempo que o triunfo dos cónegos na Taça da Liga mantenha validade total. Sim, porque das equipas em campo neste jogo, aquela que termina a temporada com um título no bolso é mesmo o Moreirense. Diz bastante das profundezas a que o FC Porto chegou na hora de fazer o balanço de quatro anos aquém dos serviços mínimos.

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por Miran Pavlin às 21:45

Domingo, 15.01.17

Liga NOS, 17.ª jornada – FC Porto 3-0 Moreirense FC – Lar, doce lar

Os avisos, bem visíveis, estavam lá desde o dia anterior. Os deslizes dos outros dois grandes eram para ser levados bem a sério pelo FC Porto, ainda para mais quando reencontrava a equipa que há menos de duas semanas o eliminou da Taça da Liga. Além disso, sendo o Moreirense orientado por Augusto Inácio, velha raposa com história no FC Porto, era mesmo necessário triplicar os cuidados. Os cónegos efectivamente mostraram que vinham ao Dragão sem complexos, procurando jogar em todo o campo, mas o factor-casa prevaleceria. Enquanto visitados os portistas têm sido, grosso modo, irrepreensíveis nos jogos da I Liga.

A primeira oportunidade, contudo, foi do Moreirense, num remate de Francisco Geraldes a que Casillas se opôs bem (4’). Jogando aberto, o conjunto minhoto expunha-se, e o FC Porto depressa começou a fazer pender a balança para o seu lado, por entre algumas arrancadas de Dramé, que se cotou como elemento mais inconformado do Moreirense. O guardião Makaridze chegou para as encomendas até à meia hora, altura em que o FC Porto abriu o activo. O georgiano começou por defender bem um livre de Alex Telles, mas a jogada não morreu aí porque Marcano, imagine-se, acorreu à sobra do lado esquerdo junto à bandeirola de canto, inventando espaço para um cruzamento atrasado que encontrou Óliver Torres esquecido na área. O remate do espanhol saiu rasteiro e colocado. A pressão de Sagna sobre Marcano na linha de nada adiantou.

A tranquilidade chegaria ao minuto 41. Diogo Jota pegou na bola uns quinze metros à frente da área portista, trabalhou com classe sobre um contrário e avançou decidido até ao último terço, onde deu para Corona, que flectiu para dentro e rematou forte; Makaridze defendeu para o lado, onde estava André Silva, que mergulhou para o 2-0. Se ainda houvesse dúvidas, elas dissiparam-se segundos depois, quando Francisco Geraldes acumulou amarelos e se despediu do jogo. Com um homem a mais o FC Porto sufocou o Moreirense no arranque da segunda parte, coleccionando lances de perigo através de rápidas – e bonitas, diga-se – trocas de bola. A finalização é que não esteve à altura, impedindo que Makaridze se mostrasse um pouco mais, e que o marcador se avolumasse. Haveria apenas mais um golo a registar (62’), por Marcano, que cabeceou no centro da área após um canto, com a bola a entrar pelo meio das pernas do guarda-redes. Foi o terceiro golo do central neste campeonato.

Com a vitória no bolso a intensidade do futebol portista decresceu e o Moreirense voltou a subir um pouco mais no terreno, impelido principalmente pelo referido Dramé e também por Podence, mas não voltaria a incomodar Casillas. Nuno Espírito Santo refrescou a equipa com as entradas de André André para o lugar de Óliver (69’) e de Rui Pedro para o posto de Diogo Jota (78’), ao mesmo tempo que proporcionou o regresso de Kelvin – substituiu Corona – ao relvado do Dragão (69’), mas ainda não foi desta que o brasileiro se descolou da memória daquele célebre minuto 92 em Maio de 2013.

Nem era isso que dele se esperava esta noite, de resto. Conseguido o objectivo essencial para esta partida, o FC Porto regressa aos quatro pontos de desvantagem para o topo, que poderiam ser dois não fosse o tropeção da jornada anterior – não vale a pena ir mais atrás lamentar outros resultados negativos. Que falta tem feito transportar alguma da doçura do lar portista para os jogos longe do Dragão…

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por Miran Pavlin às 21:30

Terça-feira, 03.01.17

Taça da Liga, fase de grupos – Moreirense FC 1-0 FC Porto

Comecei a assistir ao jogo apenas ao minuto 60, altura em que o FC Porto já perdia e a ansiedade mais uma vez se apoderava dos jogadores azuis-e-brancos. Mesmo estando atrás no marcador, o FC Porto dominava, mas não era capaz de encontrar forma de fazer um golo que fosse, ao menos para não sair de Moreira de Cónegos corado de vergonha. A tarefa tornou-se impossível quando o FC Porto ficou em inferioridade numérica. Se a expulsão de Brahimi (85’) foi fruto não só dessa ansiedade, como também de um certo sentimento de impotência, a de Danilo Pereira, ao minuto 79, foi um momento Benny Hill como há muito não se via. Após um lance em que alguns jogadores portistas reclamaram um possível atraso ao guarda-redes, o árbitro Luís Godinho, recuando ao mesmo tempo que negava a existência de qualquer falta, chocou de costas com Danilo. Foi um choque absolutamente fortuito, que o juiz interpretou da pior maneira. Se achou que foi tentativa de agressão do trinco do FC Porto, borrou ainda mais a pintura ao dar segundo cartão amarelo em vez de vermelho directo; se houve palavras impróprias só o relatório poderá esclarecer.

O golo de Francisco Geraldes (49’) seria então o único da partida, que além de afastar o FC Porto da final-a-quatro da Taça da Liga, o condenou ao último lugar do grupo. É a continuação da terrível história portista nesta prova. Em dez edições os dragões contam duas finais perdidas (2009/10 e 2012/13) e muitos resultados embaraçosos. Este foi apenas mais um. O resultado confirma ainda que Moreira de Cónegos e FC Porto não combinam. Na I Liga contam-se três empates em seis visitas; esta foi a primeira vez que o FC Porto aqui jogou na Taça da Liga.

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por Miran Pavlin às 23:40

Quinta-feira, 26.05.16

MOREIRENSE FC 2015/16

O outro representante minhoto da Liga NOS conseguiu um pequeno milagre. Embora tenha terminado apenas um lugar abaixo em relação a 2014/15, esta época foi bastante mais difícil que a anterior. O mau arranque deixou os cónegos em grande sobressalto até que surgisse a primeira vitória, que se fez tardar até à jornada 10. Até aí, o Moreirense somara apenas quatro pontos, fruto dos empates com União (0-0), FC Porto (2-2), Tondela (1-1) e Académica (1-1). A igualdade com o FC Porto era o único sinal de que a equipa teria mais valor do que mostrava em campo, ainda para mais quando as restantes divisões de pontos aconteceram frente aos emblemas que ocupavam as três últimas posições nessa 10.ª jornada.

A direcção do clube resistiu à tentação de trocar de treinador, preferindo confiar que Miguel Leal encontraria uma solução para as desventuras da equipa. Afinal de contas, tratava-se do mesmo homem que orientou os cónegos na época passada. Foi a opção certa. Entre as rondas 10 e 15 o Moreirense venceu quatro partidas – Paços de Ferreira (2-0), Rio Ave (0-1), Nacional (2-0) e Boavista (0-3) – e ainda empatou com o Braga, somando 13 pontos que o içaram do 15.º para o 11.º lugar, a sua melhor classificação em toda a época. Guiado pelos golos de Rafael Martins, o Moreirense vivia mesmo um período áureo no departamento ofensivo, marcando golos em 14 jornadas consecutivas. Só o Benfica teve uma sequência mais longa. Depois do nulo caseiro com o Braga, na jornada 12, o Moreirense só voltou a ficar em branco na ronda 27, em novo empate a zero, agora no terreno do Paços.

O Moreirense ainda sofreu um ou outro resultado mais pesado, como o 5-1 em casa do Marítimo ou o 4-1 em Guimarães, mas os 19 pontos que somou na segunda volta foram suficientes para que os minhotos passassem nove jornadas no 14.º lugar. Faltava apenas a confirmação matemática da permanência, que surgiu a três jogos do fim. A tranquilidade daí resultante ainda permitiu ao Moreirense derrotar o Marítimo (2-1) na última jornada, subindo ao 12.º posto, por troca precisamente com os verde-rubros.

Rafael Martins foi, de longe, o nome maior da campanha do Moreirense. Os seus 16 golos tornaram-no no melhor marcador de sempre do clube na I Liga. Iuri Medeiros, emprestado pelo Sporting, foi o motor do meio-campo, enquanto a experiência de Danielson e Evaldo foi valiosa no sector mais recuado. A chegada de Fábio Espinho em Janeiro foi importante para o equilíbrio da equipa. Nildo foi outro dos homens em destaque. Os 38 golos do Moreirense ficaram repartidos por doze jogadores.

 

Contas finais

Campeonato: 12.º lugar, com 9v, 9e, 16d, 38gm, 54gs, 36pts

Taça de Portugal: afastado na 3.ª eliminatória

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

02.01.2016, jornada 15 – vence no Bessa por 0-3; maior triunfo dos cónegos fora de portas na I Liga desde 2004/05 (0-4 em Coimbra).

 

Para esquecer

17.10.2015, Taça de Portugal – eliminado logo à 3.ª ronda, em casa do secundário Desportivo das Aves, por 3-2 após prolongamento;

23.01.2016, jornada 19 – ao perder com o Estoril por 1-3, o Moreirense continua sem vergar os canarinhos em casa em jogos da I Liga;

26.01.2016, Taça da Liga – tornou-se na primeira equipa nesta prova a sofrer seis golos no mesmo jogo. O Benfica foi o responsável pela indesejada proeza;

10.04.2016, jornada 29 – o empate a um golo em Braga significa que o Moreirense nunca aí ganhou para a I Liga.

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por Miran Pavlin às 12:15

Domingo, 21.02.16

Liga NOS, 23.ª jornada – FC Porto 3-2 Moreirense FC – Força de vontade

Poder-se-á pensar que o triunfo do FC Porto foi arrancado das garras da derrota com a dose de crença, de esforço e de sofrimento de que se fizeram tantas vitórias do FC Porto no passado. É certo que todos esses ingredientes foram bem visíveis, além de muita força de vontade da equipa para virar um marcador que aos 28 minutos assinalava 0-2, mas a verdade é que jogos como este não deviam acontecer frente ao Moreirense, mas sim diante do Braga, do Guimarães, do Sporting, ou do Dinamo Kiev. É incrível como os dragões continuam a permitir que as equipas mais humildes da I Liga marquem primeiro. Ao mesmo tempo, a forma sofrida como o FC Porto ultrapassou o Moreirense é, ironicamente, deveras positiva quando se toma em consideração que no próximo jogo é preciso fazer uma recuperação idêntica para continuar na Europa.

O Moreirense é um adversário tradicionalmente incómodo no Dragão, mas nas cinco visitas anteriores para a I Liga nunca tinha conseguido comandar um jogo da forma que fez neste final de tarde. Mostrando grande à-vontade no contra-ataque, os cónegos chegaram à vantagem logo aos dez minutos, por Iuri Medeiros, na recarga a um primeiro remate de Emmanuel Boateng. Perto da meia-hora foi Fábio Espinho a elevar para os visitantes, num lance em que Casillas parece nem sequer tentar defender o remate do médio do Moreirense. Pelo meio o FC Porto ia dando algum trabalho ao guardião Stefanović, mas só marcaria numa grande penalidade que castigou um lance discutível entre André Micael e Maxi Pereira. Derrube ou simulação? O juiz da partida considerou a primeira e Layún converteu o castigo (41’).

Se na Luz o FC Porto conseguiu tirar o máximo partido de poucos lances, aqui, tal como frente ao Arouca, a profusão de lances junto à baliza adversária parecia não ser suficente para que os dragões chegassem ao golo. O Moreirense ainda se aventurou mais um par de vezes em busca do terceiro golo, forçando mesmo Casillas a três intervenções atentas no arranque do segundo tempo, mas a partir dos 55 minutos os azuis-e-brancos carregaram com mais fulgor sobre o último reduto dos minhotos.

Aos 63 minutos Peseiro arriscou e trocou o central Chidozie pelo extremo Marega, forçando Danilo Pereira a descer para compensar. Dez minutos mais tarde, Hyun-Jun Suk, que já muito tinha porfiado, finalmente marcou, desviando ao primeiro poste um canto batido por Layún. A reviravolta consumou-se volvidos mais três minutos, altura em que Evandro, que substituíra Corona ao intervalo, finalizou uma jogada envolvente em que a bola foi cruzada na esquerda por Layún e mantida em jogo in extremis com uma acrobacia de Herrera na direita, antes de chegar à cabeça do médio brasileiro no lado esquerdo da pequena área.

Apesar de todas as contrariedades, a empatia entre público e equipa parece ter voltado, já que não houve assobios. A equipa continua a ter nos ombros o peso do prejuízo a recuperar, mas a atitude em campo aos poucos vai aparecendo. O mérito da reabilitação do plantel vai sendo de José Peseiro, que tem insistido no termo “família” para designar o grupo. Por enquanto, contudo, o futebol da equipa continua fundado apenas no colectivo; ainda falta quem consiga complementar o jogo do FC Porto com a dose ideal de individualidade.

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por Miran Pavlin às 22:10

Sexta-feira, 25.09.15

Liga NOS, 6.ª jornada – Moreirense FC 2-2 FC Porto – À mercê

Não pude ver o jogo, apenas ouvi o relato. A impressão que fica é a de que o maligno fantasma das oportunidades perdidas voltou a atacar. Tal como em diversas ocasiões em 2014/15, quando desperdiçou deslizes alheios, desta vez o FC Porto não capitalizou o triunfo da semana passada sobre o Benfica, cedendo dois pontos que o deixam à mercê. Não só de uma reaproximação das águias, mas também do Sporting, que até se pode isolar no comando da Liga NOS. Uma vez que o FC Porto foi o primeiro a entrar em campo, tudo depende de vitórias do duo lisboeta.

Foi uma repetição dos acontecimentos de Kiev, onde o FC Porto se colocou a vencer já tarde no jogo, mas permitiu o empate. Empatar em casa do campeão ucraniano pode ter atenuantes; sendo no reduto do modesto Moreirense, actual penúltimo classificado, fica pouca margem para desculpas, mas a verdade é que o espaço para acusações é também exíguo. Tendo poupado Imbula, André André e Aboubakar, sobre o intervalo Brahimi lesionou-se, forçando Lopetegui a uma substituição; no segundo tempo, com o jogo empatado a um golo, o técnico trocou Herrera por Tello (59’) e, imagine-se, Marcano por Aboubakar (77’). A recompensa veio aos 79’, quando Corona fez o 1-2, mas a tracção à frente imposta à equipa destapou a manta junto às redes de Casillas, e André Fontes (88’) logrou fazer o 2-2 ao aparecer entre os centrais.

Uma maçada para o FC Porto, para quem Moreira de Cónegos é quase como a Madeira. Foi o terceiro empate em seis visitas, se bem que dois desses encontros tenham sido na Vila das Aves (2002/03) e em Braga (2003/04). Em 2004/05 foi um empate com o Moreirense, à 32.ª jornada, a hipotecar as hipóteses de o FC Porto ser campeão. Os cónegos foram despromovidos nessa temporada.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 06.06.15

Moreirense FC 2014/15 – 11.º lugar – 11v, 10e, 13d, 33gm-42gs, 43 pts

A quinta presença do Moreirense no convívio dos grandes esteve a um passo de ser a melhor de sempre do clube. Os cónegos entraram a ganhar (0-1 no Nacional) e só à décima jornada sofriam uma derrota mais indigesta (0-1 com o Belenenses, com uma grande penalidade aos 88 minutos).

As outras duas derrotas do Moreirense tinham surgido no Dragão e na Luz, pelo que o nono lugar que então ocupavam era mais que valoroso. Um início de segunda volta mais tremido levou-o ao 12.º posto, mas o Moreirense manteve-se regular, fixando-se no 11.º lugar final à 27.ª jornada, celebrando a permanência dois jogos mais tarde. Nada mau.

Melhor ainda foi a história que se escreveu na ronda 28. A vitória do Moreirense sobre o Guimarães (2-1) foi a sua primeira contra os seus vizinhos em jogos a contar para o campeonato. Ainda haverá quem se lembre que entre 1998/99 e 2000/01 o Moreirense eliminou sempre o Vitória da Taça de Portugal?

A melhor prestação de sempre dos cónegos continua então a ser o 9.º lugar de 2003/04. A dúvida que fica para 2015/16 é se o Moreirense conseguirá repetir uma época tão tranquila como esta.

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por Miran Pavlin às 15:45

Sábado, 07.02.15

I Liga, 20.ª jornada – Moreirense FC 0-2 FC Porto – De mão estendida

Outros compromissos fizeram com que apenas conseguisse espreitar ocasionalmente o jogo, pelo que não posso fazer uma análise mais profunda. Vi os golos e pouco mais, ficando-me apenas a ideia de ter sido um jogo relativamente mexido, talvez pela tranquilidade classificativa do Moreirense, mas sem causar problemas de maior ao FC Porto.

Jackson Martínez, quem mais, fez o primeiro golo azul-e-branco, e Casemiro, já no segundo tempo, apontou o golo da tranquilidade. O triunfo deixa o FC Porto de mão estendida, à espera de receber os dividendos que, dê por onde der, receberá do dérbi lisboeta de amanhã.

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por Miran Pavlin às 23:35



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