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CORTE LIMPO


Terça-feira, 30.05.17

SPORTING CP 2016/17

Por vezes diz-se que a tradição já não é o que era, mas os exemplos que provam o contrário não páram de aparecer. Tal como noutras épocas do passado, o Sporting de 2016/17 voltou a ser vítima do fatídico síndrome do Natal, esse pesadelo recorrente que tantas noites sem dormir custa aos adeptos leoninos. Na última jornada de Liga antes da data festiva – 18 de Dezembro – o Sporting perdia em casa com um Braga (0-1) orientado interinamente pelo ex-leão Abel Ferreira e caía para o quarto lugar, a oito pontos do topo, por troca precisamente com os minhotos. Por essa altura já a presença europeia tinha terminado, e o novo ano não significaria um recomeço, já que logo a 4 de Janeiro o Sporting era eliminado também da Taça da Liga, ao perder no Bonfim com o Setúbal (2-1), curiosamente também treinado por um homem com história em Alvalade, no caso José Couceiro. O golo decisivo dos sadinos apareceu numa grande penalidade sobre o final da compensação, o que motivou veementes protestos dos verdes-e-brancos. A 17 de Janeiro o Sporting despediu-se de mais um objectivo, ao ser afastado da Taça de Portugal pelo Chaves (1-0), que marcou aos 87 minutos por Carlos Ponck. O saldo das festas nesse dia era esclarecedor: restavam ao Sporting os 17 jogos da segunda volta do campeonato, com os mesmos oito pontos para recuperar face ao líder Benfica.

O cenário era diametralmente oposto ao do início da época, altura em que o optimismo era a nota dominante na casa do leão, muito por culpa da boa prestação global de 2015/16. Mesmo quando confrontado com um grupo difícil na Liga dos Campeões, o discurso da direcção do clube apontava a uma passagem aos oitavos-de-final. E enquanto na prova europeia a percepção ia mudando ao sabor das derrotas pela margem mínima frente a Real Madrid e Borussia Dortmund, na frente doméstica o Sporting não conseguiu capitalizar um arranque interessante, com cinco vitórias nas primeiras seis jornadas, que incluíram um clássico frente ao FC Porto (2-1), à terceira ronda. A derrota em Vila do Conde (3-1, 5.ª jornada) deu nas vistas, mas seriam os três empates consecutivos entre as rondas 7 e 9 que colocaram os leões em verdadeiros apuros. O primeiro a travar o Sporting nessa sequência seria o Guimarães, que recuperou de 0-3 para 3-3 no quarto-de-hora final do encontro, seguindo-se Tondela (1-1 em casa) e Nacional (0-0 fora).

O Natal aproximava-se então a passos largos, e o sinal mais claro disso apareceria a 7 de Dezembro, dia do fecho da fase de grupos da Liga dos Campeões. Um empate bastava para o Sporting assegurar o terceiro lugar do grupo e a passsagem para a Liga Europa, mas os leões saíram de Varsóvia derrotados pelo Legia (1-0), que assim se apurou com míseros quatro pontos, de resto os mesmos que teriam servido ao Sporting. O jogo seguinte, na jornada 13 da Liga, trouxe uma derrota (2-1) no dérbi da Luz, antecedendo a já referida derrota caseira com o Braga. Era então o princípio do fim para os leões. O desfecho ficou virtualmente confirmado pelos empates cedidos nas jornadas 17 (2-2 em Chaves) e 18 (2-2 no Marítimo), que elevaram a fasquia para os dez pontos de distância, e tiveram a saída da Taça de Portugal pelo meio. Pouco mais restava ao Sporting senão começar desde logo a pensar na próxima temporada, enquanto assistia à continuação uma luta particular.

 

FIGURA

Autor de 13 golos até à viragem do campeonato, Bas Dost não abrandou o ritmo até final da temporada, ao ponto de se ter imiscuído na luta pela Bota de Ouro com a fina flor do futebol europeu. Foi por pouco que o holandês perdeu o troféu para Lionel Messi, mas os seus 34 golos na Liga não só bateram os 32 do benfiquista Jonas em 2015/16, como foram o melhor registo desde os 42 de Jardel em 2001/02. Mais que isso: totalizaram metade dos golos marcados pelo Sporting neste campeonato! Dost terminou com três hat-tricks, frente a Boavista (28.ª jornada), Braga (31.ª) e Chaves (34.ª), mas o seu melhor momento aconteceu na jornada 25, na qual apontou os quatro golos do Sporting na visita a Tondela (1-4). Como nota de curiosidade, os últimos três póqueres na I Liga foram apontados por jogadores do Sporting: Liedson, frente ao Belenenses em 2009/10, e Carlos Bueno diante do Nacional em 2006/07). Bas Dost foi apenas o sexto jogador a assinar um póquer na I Liga desde a viragem do século.

 

NO OCASO

A performance de Bas Dost foi de tal forma luminosa que acabou por ofuscar o trabalho dos outros integrantes do Sporting de 2016/17, que ora foram tidos como flop, como Joel Campbell, ora passaram praticamente despercebidos, como aconteceu com Bryan Ruiz. Os golos do holandês tiveram também o condão de apagar quaisquer vestígios da passagem do seu antecessor, o argelino Islam Slimani, que ainda ficou o tempo suficiente para marcar no triunfo sobre o FC Porto na 3.ª jornada (28 de Agosto), antes de seguir para o Leicester City. Nessa partida o outro golo leonino foi apontado por Gelson Martins, que espalhou qualidade pelos flancos do ataque verde-e-branco.

Adrien Silva mais uma vez deu coração ao meio-campo, com o eterno Rui Patrício a adicionar coragem nas redes. Alan Ruiz despontou na segunda volta, a tempo de marcar seis golos na Liga, enquanto Coates se destacou no rector recuado.

 

TREINADOR

Com a equipa progressivamente fora da luta pelo título, faltaram a Jorge Jesus argumentos para alimentar a sua inesgotável fonte de declarações vistosas, pelo que se pode considerar que o técnico teve um ano atípico. Pelo menos em comparação com a última década. Ainda assim, em nenhum momento o seu lugar esteve perigosamente em causa, mesmo tendo chegado a ver lenços brancos.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 3.º lugar, 21v-7e-6d, 68gm-36gs, 70 pontos; apurado para o play-off da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: derrotou Famalicão (0-1), Praiense (5-1) e Setúbal (0-1), antes de cair diante do Chaves (1-0) nos quartos-de-final;

Taça da Liga: eliminado no grupo A (6 pontos), atrás do Setúbal e à frente de Arouca e Varzim;

Liga dos Campeões: eliminado na fase de grupos, ao ser último do grupo F (3 pontos), atrás de Borussia Dortmund, Real Madrid e Legia Varsóvia.

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por Miran Pavlin às 13:30

Sábado, 04.02.17

Liga NOS, 20ª jornada – FC Porto 2-1 Sporting CP – Pão para a boca

De entre todos os jogos que ao longo de cada época são apelidados de decisivos, uns são mais decisivos que outros. É certo que ficam a faltar ainda catorze jornadas para o fim – no fundo, fica tudo por decidir –, mas a verdade é que este encontro era mesmo decisivo, na medida em que ambos os intervenientes tinham muito em jogo. O FC Porto acabara de se colocar a apenas um ponto da liderança e precisava de uma vitória num clássico como de pão para a boca, até porque não venceu nenhum dos da primeira volta; o Sporting chegava aqui em convalescença de uma série de resultados menos positivos que deixou com um pé na cova as intenções leoninas de discutir o título, pelo que só um triunfo lhe permitiria não ser riscado desde já de toda e qualquer luta pelos lugares cimeiros.

A pressão começou a ser sacudida logo ao minuto 6, altura em que Soares, reforço de inverno que se estreou pelo FC Porto logo como titular, cabeceou colocado para o primeiro golo da noite, a cruzamento de Corona. Letais os dragões, pois até esse momento ainda não tinha acontecido praticamente nada. O avançado brasileiro não ficou satisfeito e faria o bis perto do intervalo (40’), num contra-ataque tirado directamente dos compêndios. Ainda no meio-campo portista, Brahimi e Palhinha embrulharam-se e a bola ficou à disposição de Danilo Pereira, que logo lançou Soares com um excelente passe em profundidade. Em velocidade, Soares ultrapassou a última linha do Sporting e contornou Rui Patrício antes de finalizar. O resultado era justíssimo. O FC Porto controlou o jogo sem cometer loucuras e o Sporting, quase sempre através da imprevisiblidade de Gelson Martins, ficou reduzido a esporádicos remates que não causaram grande perigo.

No reatamento o FC Porto quis manter o controlo da partida da mesma forma como fizera no primeiro parcial, subindo em bloco sem pôr velocidade excessiva no jogo, mas a verdade é que não o conseguiu e acabou por passar quase todo o tempo em sobressalto. Não terá sido apenas pela troca de Matheus Pereira por Alan Ruiz, mas o Sporting regressou do descanso com outro ânimo e não demorou a inclinar o jogo sobre a baliza de Casillas. Os leões eram mais rápidos na execução e no desenvolvimento das jogadas, e com isso passavam quase sem problemas pelo miolo portista, nomeadamente nos flancos. Os livres laterais junto à área do FC Porto sucediam-se, mas o perigo maior veio de um remate de ressaca de Adrien Silva (57’) que encontrou a trave. Se os avisos não eram suficientes, o Sporting adicionou algo de concreto através do golo de Alan Ruiz (60’), num remate de fora da área após solicitação de Dost. Casillas ainda tocou na bola, mas o selo era mesmo de golo.

Nuno Espírito Santo respondeu tirando André Silva para reforçar a zona central com André André (64’), ainda que sem grandes efeitos, já que o jogo continuou a desenrolar-se nas imediações da área do FC Porto. De seguida saiu Brahimi para entrar Diogo Jota (70’) e Corona cedeu o lugar a João Carlos Teixeira (83’), mas o FC Porto só seria capaz de causar algum frisson em lances de bola parada. O Sporting há muito que já tinha tornado o empate moralmente justo, mas só contam as que entram, e aí Casillas teve uma palavra mais que decisiva a dizer, quando se lançou para uma monstruosa defesa junto ao poste direito, respondendo a um cabeceamento de Coates (90’+3’). Jogava-se o último segundo da partida e os verdes-e-brancos estavam no auge da pressão, mas não seriam felizes.

O FC Porto precisava de uma vitória com contornos semelhantes a esta. Dois golos do reforço acabado de chegar, boas defesas de um guarda-redes que tão criticado foi na época passada, e uma equipa que susteve as investidas contrárias, não entrando em pânico. Conseguido o objectivo de colocar pressão total sobre o líder é impossível não começar a olhar para o que resta do calendário, e a conclusão é simples: o do Benfica é aparentemente mais favorável que o do FC Porto. Mantenham-se as cautelas, portanto.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 28.08.16

Liga NOS, 3.ª jornada – Sporting CP 2-1 FC Porto – Protagonista indesejado

Sem ganhar em Alvalade desde 2008/09, o FC Porto parecia chegar em forma ao último teste do primeiro lanço da temporada, mas o tónico trazido de Roma não foi suficiente para que o FC Porto mantivesse o registo imaculado nesta Liga NOS. Ainda assim, a entrada em jogo do FC Porto não fazia prever um desfecho desfavorável. Sensivelmente ao mesmo minuto que no jogo de Roma, Felipe voltou a fazer das suas, abrindo o activo com um desvio à boca da baliza após livre sobre a direita. Antes do golo o FC Porto já havia procurado lançar o ataque através de bolas em profundidade pelo corredor central, conseguindo um lance em que André Silva viu o seu esforço negado por um corte no momento certo de Rúben Semedo. Ao quarto-de-hora Slimani empatava num lance do qual alguns jogadores portistas se queixaram de mão na bola, mas não parece haver irregularidade. Bruno César cobrou um livre directo que bateu no poste e sobrou para Gelson Martins, que ajeitou a bola e a encostou na direcção da baliza. O esférico prensou no corpo de Casillas, e o tento só seria confirmado por Slimani, em cima da linha. Talvez houvesse tempo para o FC Porto evitar o golo, mas os jogadores preferiram ficar parados, de braço no ar, virados para o árbitro assistente. No entanto, a haver irregularidade só nos livres que deram origem aos dois golos; em nenhum deles parece haver falta.

O Sporting não demorou a corrigir o seu posicionamento em campo depois de sofrer o golo, com isso fechando a torneira ao miolo do FC Porto, que não conseguiu mais fazer a bola chegar perto da pequena área. O mais perto que os azuis-e-brancos estiveram do golo até final do jogo foi num remate em arco de André André que tocou no poste antes de sair, num contra-ataque em que Layún dominou mal a bola quando tinha dois colegas em posição privilegiada no meio, e já no estertor do desespero, quando Adrián López pareceu escapar-se na esquerda com espaço para rematar mas optou por flectir para o meio, perdendo de imediato a bola.

Aos 26 minutos Gelson Martins consumou a reviravolta leonina num remate firme à entrada da área. As queixas dos portistas repetiram-se, novamente por alegado domínio com o braço de Bryan Ruiz antes de endossar ao colega, mas também aqui não parecem existir motivos para tal. Os argumentos a que os dragões podem recorrer residem noutras vertentes da arbitragem de Tiago Martins – que dirigia o seu primeiro clássico –, nomeadamente no lance em que Bruno César, logo ao minuto 10, teve uma entrada de sola ao tornozelo, em tudo idêntica à que rendeu uma das expulsões no jogo de Roma. Aqui, nem o cartão amarelo saltou do bolso, e ao longo da partida o juiz foi permitindo que o mesmo Bruno César acumulasse faltas suficientes para ser expulso duas vezes, mas também que em várias disputas de bola – com Slimani à cabeça – o cotovelo também fosse utilizado. Otávio foi dos jogadores mais visados pelos adversários. A excessiva permissividade do árbitro perante os abusos do Sporting deixa-o em condições de ser acusado de caseirismo. Num jogo em que todos os golos oferecem dúvidas, é incrível como o foco das queixas incide sobre outros lances.

Os níveis de tensão foram elevados ao longo da partida, ou não estivesse em jogo uma liderança isolada com vantagem pontual sobre os outros dois candidatos crónicos ao título, e Jorge Jesus seria expulso durante a segunda parte, juntamente com o médico dos leões. Por vezes uma expulsão do técnico mexe com a equipa, mas o Sporting tinha o jogo bem controlado e segurou a vantagem. Nuno Espírito Santo efectuou substituições que inclinaram a equipa para o ataque, mas o efeito foi praticamente nulo. Óliver Torres foi utilizado na segunda parte, mas tendo chegado apenas a meio da semana, talvez tenha sido uma entrada prematura.

Ficar cedo sob pressão classificativa não é cenário novo para o FC Porto nestes últimos anos, mas a equipa não dá sinais do desnorte em campo tantas vezes visto nos dias de Julen Lopetegui, pelo que o alarme não deverá soar desde já. Antes pelo contrário. Os elogios tecidos durante a semana pelo presidente leonino Bruno de Carvalho à qualidade das arbitragens, e a actuação caseira de Tiago Martins só mostram que a concorrência está em sentido com o arranque de época do FC Porto.

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por Miran Pavlin às 22:15

Terça-feira, 24.05.16

SPORTING CP 2015/16

A época do Sporting foi como que um clímax ao contrário. Começou em clima de euforia, mas terminaria sem nada de palpavelmente positivo a reter. Esse entusiasmo inicial tinha razões de ser. A chegada de Jorge Jesus, vindo directamente do Benfica, funcionou como uma promessa tácita de vitórias. Afinal de contas, o treinador ingressava no Sporting não por ter falhado no anterior clube, mas sim porque não renovou contrato no final de seis anos, globalmente, de sucesso. As palavras do treinador no momento da apresentação – “a partir de agora há três candidatos ao título” – ajudou ainda mais a que os adeptos e simpatizantes leoninos sentissem que estavam perto de uma temporada de sonho.

A conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, justamente diante do Benfica, com um golo solitário do reforço colombiano Gutiérrez, foi sem dúvida o melhor dos arranques que o Sporting poderia desejar, mas não seria preciso esperar muito por um desaire. Ainda em Agosto, os leões eram eliminados da Liga dos Campeões no play-off de acesso, passando assim ao lado do prémio de entrada e da oportunidade de se exibirem na montra principal do futebol europeu. A digestão foi difícil, ou não tivesse a eliminação acontecido às mãos do CSKA Moscovo, esse velho fantasma sportinguista.

Com o avançar da época, e de resto tal como fazia no Benfica, Jorge Jesus tendeu a desvalorizar as outras competições, no sentido de focar o plantel exclusivamente no campeonato. Daí que talvez não tenham sido assim tão surpreendentes os resultados menos positivos na fase de grupos da Liga Europa, nomeadamente as derrotas com o Lokomotiv Moscovo (1-3) e em casa dos albaneses do KF Skënderbeu (3-0). Na conferência de imprensa após a vitória em casa do Lokomotiv (2-4), na penúltima ronda, que recolocou o Sporting no caminho do apuramento, Jesus chegou mesmo a admitir que esse triunfo o ia obrigar a encarar o derradeiro encontro de outra maneira, o que diz muito da importância que o técnico dava à Liga NOS, em detrimento das outras frentes.

E não ficaram mesmo dúvidas de que vencer o campeonato era o desiderato que o Sporting mais procurava atingir. Os verde-e-brancos não só foram a equipa que mais tempo passou na liderança (15 jornadas), como terminaram com recordes de pontos (86) e vitórias (27), além do seu melhor registo ofensivo (79 golos) desde 1973/74, quando Yazalde, sozinho, marcou 46. Os números levaram a decisão do campeonato para a última jornada, mas não foram suficientes para mais que vender bem caro o título que ficaria nas mãos do Benfica.

Mais do que a derrota (0-1) com o Benfica, na 25.ª jornada, que significou uma troca de comandante, o que verdadeiramente traiu o Sporting foram os empates caseiros com o Paços de Ferreira (1-1) na terceira jornada, com o Tondela (2-2) na 18.ª e com o Rio Ave (0-0) na 21.ª. Bastava que um desses não tivesse acontecido e o Sporting seria mesmo o campeão, beneficiando da vantagem no confronto directo com os encarnados. O Sporting foi ainda a equipa que menos vezes foi derrotada (apenas duas) e venceu todos os clássicos da temporada, à excepção dessa recepção ao Benfica, que apesar do que se escreve acima, haveria de ser decisiva para o desfecho da Liga NOS. A partir desse jogo, que deixou o Sporting com dois pontos de atraso, os gigantes de Lisboa venceram todos os jogos até final.

A Taça de Portugal deixaria aos leões um sabor agridoce. Depois de eliminar o Benfica (2-1 após prolongamento), a defesa do troféu conquistado no ano transacto terminaria na Pedreira, onde o Braga sairia vencedor de um jogo louco (4-3 após prolongamento), em que o Sporting se pode queixar de um golo limpo que o juiz Fábio Veríssimo não sancionou, minutos antes do quarto tento bracarense. No tocante à Taça da Liga, a participação leonina cingiu-se à fase de grupos, onde o surpreendente Portimonense, da II Liga, bateu um Sporting em poupanças (2-0) e comprometeu a passagem deste às meias-finais.

O afastamento da Taça da Liga aconteceu semanas antes do regresso da Liga Europa, onde o Sporting acabara por se apurar para os 16-avos-de-final, que se revelariam a paragem final dos leões na sua viagem pela Europa. Tal como os outros dois grandes, também o Sporting tombou frente a uma equipa alemã, no caso o Bayer Leverkusen, outro velho conhecido de Alvalade. O Werkself – “onze da fábrica”, traduzindo à letra – venceu os dois jogos, com Bellarabi a fazer o único golo em Lisboa, e mais dois na confirmação na Alemanha (3-1).

O verde, diz-se, é a cor da esperança, e essa manteve-se então até à última ronda da Liga NOS. O Sporting fez a sua parte, vencendo em Braga (0-4), mas o jejum do título nacional completaria mesmo 14 anos. Se bater recordes e completar séries de 13, 10 e 9 jogos sem perder não chegou, na próxima época, para ser campeão o Sporting terá que ser perfeito.

 

Treinador

De uma coisa ninguém se pode queixar: Jorge Jesus defende a sua dama até ao fim, nem que para isso lhe possam chamar convencido, arrogante, ou mesmo cego. No fundo, Jesus foi igual a si próprio. Enquanto a equipa conseguiu vitórias importantes, o técnico acumulou muitas frases fortes e uma enorme falta de cortesia para com o homem que lhe sucedeu no Benfica, mas assim que o Sporting ficou em desvantagem tudo se resumiu a uma bolha que rebentou e não libertou mais que ar quente. Pelo menos no campeonato, o Sporting de Jesus praticou bom futebol ao longo de toda a campanha, e nunca deixou de acreditar, mas o treinador teria que se contentar com a Supertaça na hora de conferir o saldo final da temporada.

 

Figuras

Slimani foi o segundo melhor marcador do campeonato, com 27 golos, o melhor pecúlio de um jogador do Sporting desde os 42 de Jardel em 2001/02, e superando os 25 de Liedson em 2004/05. O argelino não o teria conseguido sem o bom trabalho de Adrien Silva e João Mário no equilíbrio do meio-campo.

 Ruiz e Gutiérrez contribuíram com 19 golos entre si, só no campeonato. Conhecido por não utilizar muitos jogadores jovens, Jorge Jesus concedeu algumas oportunidades a outros elementos principalmente nos encontros extra-campeonato, onde Matheus Pereira e Gelson Martins mostraram algo de positivo.

 

Contas finais

Campeonato: 2.º lugar, com 27v, 5e, 2d, 79gm, 21gs (melhor defesa), 86pts

Taça de Portugal: afastado na 5.º eliminatória (Braga, 4-3 a.p.)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

Supertaça Cândido de Oliveira: vencedor (Benfica, 1-0)

Europa: eliminado da Liga dos Campeões no play-off; eliminado da Liga Europa nos 16-avos-de-final (Bayer Leverkusen 0-1c, 1-3f)

 

Para mais tarde recordar

25.10.2015, jornada 8 – vitória na Luz por 0-3. Primeira vitória aí desde 2005/06, e a mais folgada desde 1947/48;

06.01.2016, jornada 16 – vitória no Bonfim por 0-6; a maior desde 1959/60 (1-7);

13.02.2016, jornada 22 – Sporting consegue a sua vitória mais folgada nas visitas ao terreno do Nacional (0-4)

 

Para esquecer

26.08.2016, Liga dos Campeões: perde em Moscovo frente ao CSKA por 3-1 na segunda mão do play-off de acesso, e baixa à Liga Europa;

05.03.2016, 25.ª jornada – derrota caseira por 0-1 frente ao Benfica; o Sporting viu-se ultrapassado pelas águias e não mais voltaria ao comando da classificação.

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por Miran Pavlin às 22:30

Sábado, 30.04.16

Liga NOS, 32.ª jornada – FC Porto 1-3 Sporting CP – Sem rumo

Matematicamente arredado de tudo desde a jornada anterior, restava ao FC Porto defender a sua honra até final do campeonato. Mas nem isso os dragões conseguiram nesta recepção ao Sporting, numa partida em que ficou bem claro o motivo por que os leões ocupam o segundo lugar, bem na peugada do líder Benfica.

É impossível não achar que o Sporting venceu bem, na medida em que a equipa mostrou que tem fio de jogo e processos consolidados. O FC Porto, por seu turno, mais uma vez deixou transparecer que não sabe bem como segurar o touro pelos cornos, permitindo ao adversário jogar com a tranquilidade que os oponentes não tinham quando defrontavam versões passadas do FC Porto.

O cômputo geral da exibição portista é parco. Herrera acertou no poste aos sete minutos de jogo, Sérgio Oliveira encontrou a trave na cobrança de um livre directo (51’), e sobraram queixas de um lance em que Aboubakar parece ser derrubado por Coates em plena grande área (67’). De resto, a segunda parte do FC Porto foi tão fraca que não existem outros lances a registar. A hipotética grande penalidade por assinalar oferece menos dúvidas que o lance que foi de facto sancionado pelo árbitro Artur Soares Dias (35’). Numa jogada que também envolveu Coates, o juiz considerou que o central uruguaio do Sporting rasteirou Brahimi, mas o lance é bastante duvidoso.

Herrera não perdoou na conversão, lançando a ilusão de que os azuis-e-brancos conseguiriam pegar no jogo e possivelmente dar uma alegria aos cerca de 40 mil adeptos presentes. Seria apenas isso: uma ilusão. O FC Porto já corria atrás do prejuízo, por força do golo de Slimani (23’), que apareceu solto na zona fatal para desviar o cruzamento rasteiro de João Mário. O argelino voltaria a celebrar ao minuto 44, agora de cabeça, colocando a bola onde se exigia, a cruzamento de Ruiz.

Como se escreve acima, a segunda parte do FC Porto foi terrível. Mais que isso: em todo o jogo, não houve um único momento em que se sentisse que o FC Porto poderia inclinar a balança do jogo a seu favor. Ainda haveria um golpe final (85’), quando Bruno César, que entrara havia escassos quatro minutos, avançou sozinho sobre a baliza contrária e desferiu um remate que passaria por baixo do corpo de Casillas, deixando-o muito mal na fotografia. O guarda-redes espanhol terminará a época com uma colecção de fífias que não deixam morrer o debate em torno das suas capacidades.

A final da Taça de Portugal aproxima-se a passos largos. As três derrotas nos últimos cinco jogos, inclusive, deixam os adeptos e simpatizantes do FC Porto em grande sobressalto. Apesar de um ou outro jogo mais conseguido ao longo da temporada, este FC Porto é progressivamente uma equipa sem norte, sem rumo, e agora também com a motivação perto do zero. Por ter pegado na equipa já com o barco a meter muita água, José Peseiro não será o principal culpado da situação em que o FC Porto se encontra, mas é bem possível que a sucessão de derrotas venha a queimar os créditos que o técnico amealhou por ter verticalizado o futebol da equipa.

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por Miran Pavlin às 22:15

Sábado, 02.01.16

Liga NOS, 15.ª jornada – Sporting CP 2-0 FC Porto – Estaca zero

Nem deu para aquecer o lugar. Uma jornada depois de tomar o comando, o FC Porto caiu em Alvalade e volta à estaca zero, no caso o segundo posto, dois pontos abaixo dos leões. O jogo confirmou a percepção de que a liderança portista era pouco mais que ilusória. Não é que o FC Porto não tivesse hipóteses de sair do clássico com aproveitamento, mas para isso era necessário, no mínimo, incomodar o guarda-redes adversário, coisa que os dragões não fizeram.

A história do jogo é simples de contar. A equipa do FC Porto apresentou-se numa postura mais reactiva que proactiva. Consequentemente, os homens do Sporting ganhavam sempre a bola em antecipação e, mais importante, tinham ideias sobre o que fazer com ela. O primeiro golo da noite saiu da cabeça de Slimani, que aos 27 minutos desviou um livre lateral batido na esquerda do ataque. O FC Porto apenas teve dois lances de algum perigo, ambos em desmarcações de Aboubakar às quais Rui Patrício respondeu com duas saídas atempadas. Também no departamento da velocidade o FC Porto ficou abaixo do Sporting. Os dragões pareceram desgastados, incapazes de ser mais rápidos a chegar à bola.

Na segunda parte o Sporting voltou a criar perigo, com o mesmo Slimani a cabecear à trave, numa fase mais vertiginosa dos leões, antes de Adrien Silva encontrar o poste num remate de longe. A precisar de inverter o resultado, o FC Porto não acelerava o ritmo e Lopetegui trocava de pontas-de-lança, tirando Aboubakar para lançar André Silva às feras, em vez de jogar com ambos. O 2-0 apareceria mesmo, novamente por Slimani (85’), que fez o que o camaronês do FC Porto não conseguira nos lances referidos mais acima. O único remate portista à baliza no segundo tempo surgiu, pasme-se, no final da compensação, por Layún.

No final do encontro, muito mais do que perder, o que custa é ver um FC Porto futebolisticamente tão pequeno à beira do Sporting. Sem ideias, sem processos, sem atitude. Numa palavra, sem rumo. A vitória dos da casa foi justa, mas não esclarecedora, no sentido em que o FC Porto não foi propriamente subjugado. Mesmo jogando futebol sem baliza, os dragões poderiam ter escrito uma história diferente se tivessem ido para a batalha com um plano. O Sporting tinha um, e a diferença entre as equipas reside inteiramente aí. Enquanto uns deram as mãos e fizeram acontecer, outros ficaram à espera que acontecesse por obra e graça do Espírito Santo. A equipa não teve nem um terço da vontade que mostrou no jogo anterior para a I Liga. Não parece haver um objectivo comum entre os atletas do FC Porto. Não existe uma centelha que os guie.

Este desaire só tem um lado positivo: não vai haver grande tempo para o lamentar, pois o próximo jogo do campeonato é já a meio da semana. A corrida atrás do prejuízo volta a fazer parte da ementa. Um prato de que o FC Porto se tem alimentado demasiadas vezes nos tempos recentes.

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por Miran Pavlin às 23:55

Segunda-feira, 01.06.15

Sporting CP 2014/15 – 3.º lugar – 22v, 10e, 2d, 67gm-29gs, 76pts

Leonardo Jardim tinha avisado, ainda na ponta final de 2013/14, que o Sporting teria que se acautelar em termos de plantel para enfrentar uma temporada com jogos europeus à mistura. Coincidência ou não, à 10.ª jornada o Sporting caía para o oitavo lugar da Liga, ao empatar em casa com o Paços de Ferreira (1-1). Levava já quatro jogos disputados na Liga dos Campeões, dos quais vencera apenas um, em casa com o Schalke 04. Estava-se a 10 de Novembro. Oito pontos abaixo do primeiro lugar, o único alento dos verde-e-brancos provinha da Taça de Portugal, onde haviam eliminado o FC Porto no Dragão (1-3) com uma boa exibição.

Esse empate com um Paços que nesse momento até seguia acima do Sporting na classificação era já o terceiro em Alvalade, e sucedia a uma derrota pesada em Guimarães (3-0), num final de tarde endiabrado dos minhotos. As consequências classificativas eram óbvias, e o Sporting só chegaria aos lugares do pódio à 16.ª jornada, quando venceu em Braga com um livre de Tanaka nos descontos.

A data era 11 de Janeiro e a diferença para o líder era já de dez pontos. A Liga dos Campeões também já era passado, com o Sporting ficar um ponto aquém do segundo lugar do grupo. Bem presentes ainda estavam as cinzas do folhetim que marcou o período natalício, nascido de um nítido bate-boca entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, via comunicação social, no qual José Eduardo se envolveu de forma tão inesperada quanto inusitada, se pensarmos que se trata do responsável pelo catering do estádio.

A 8 de Fevereiro surgiria a estocada final nas aspirações leoninas a nível de campeonato, após um empate com o Benfica que custou a engolir. Jefferson marcou para o Sporting aos 87 minutos, mas a vantagem escapou nos segundos finais. Faltavam 14 jogos para o final do campeonato, e apesar da distância pontual para o líder Benfica ser de sete pontos, as atenções do Sporting voltaram-se definitivamente para a Taça de Portugal, onde a caminhada se tornara meiga depois do Dragão. Os leões ultrapassaram Espinho (0-5), Vizela (2-3) e Famalicão (4-0), todos do Campeonato Nacional de Seniores, antes de se baterem com o Nacional nas meias-finais, onde venceram à tangente, por 3-2 no agregado das duas mãos.

O Jamor seria mesmo o clímax da época do leão, que aí quebrou um jejum de troféus que durava desde 2008. A vitória sobre um Braga valoroso foi épica. Jogando com menos um durante 76 minutos, aos 25 de jogo o Sporting perdia por 0-2, mas os golos de Slimani (84’) e Montero (90’+3’) levaram tudo para o prolongamento. Tão impensável quanto incrível. A decisão só chegou nas grandes penalidades, a primeira vez que tal aconteceu numa final. O Braga tremeu, falhando três conversões contra nenhuma do Sporting. Os festejos foram efusivos, e até Bruno de Carvalho andou com jogadores às cavalitas. Marco Silva pareceu ter passado ao lado da celebração. Sinal da paz podre que dura desde Janeiro?

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por Miran Pavlin às 12:05

Domingo, 01.03.15

Liga NOS, 23.ª jornada – FC Porto 3-0 Sporting CP – Três fotocópias, por favor

O FC Porto derrotou o Sporting utilizando uma fotocopiadora. Quem não tenha visto o jogo terá que ter muita atenção no visionamento de qualquer resumo, pois os golos da noite são muito semelhantes entre si.

Três desmarcações de Cristián Tello no momento certo permitiram ao extremo espanhol aparecer sozinho frente a Rui Patrício. Tantas vezes com o complicador ligado quando surge em frente às balizas, desta vez Tello foi exímio, e nas três ocasiões bateu o internacional português. Jackson Martínez fez o passe para dois golos, o primeiro dos quais com um golpe acrobático de costas para o ataque; no terceiro foi Herrera a assistir, naquele que foi o seu melhor momento de uma noite em que esteve manifestamente apagado.

No pólo oposto esteve Evandro, a surpresa entre os titulares do FC Porto. O médio fez uma exibição muito agradável, compensando da melhor maneira não só o referido apagamento de Herrera, mas também o de Brahimi, que passou ao lado do jogo.

Olhando ao cômputo geral do encontro, a imagem do Sporting sai muito beliscada, visto que os leões não conseguiram criar qualquer ocasião de golo. Nos primeiros vinte minutos até foi o Sporting a mostrar-se mais paciente na construção de jogo, segurando e circulando melhor a bola em busca de espaços para atacar, enquanto o FC Porto parecia mais precipitado na tentativa de encontrar o último terço do terreno, o que lhe custou a acumulação de passes errados na saída de bola.

No entanto, a partir dos 25 minutos o FC Porto corrigiu esse aspecto e começou a fazer a balança do jogo pender sobre a área sportinguista. O golo apareceria aos 31 minutos e a face do jogo mudou irremediavelmente. Ficaria mesmo a sensação de que só o FC Porto regressou dos balneários para a segunda parte, altura em que coleccionou lances junto à área adversária, ainda que muitos deles sem perigo, e acabou por ampliar o marcador, que poderia ser mais elevado, não fosse um cabeceamento de Marcano acertar na trave.

O resultado final espelha a prestação global do FC Porto, que atravessa a melhor fase da temporada até agora, completando aqui uma sequência de cinco triunfos sem sofrer qualquer golo. Foi a primeira vitória dos dragões em clássicos esta época e Tello tornou-se no primeiro jogador neste século a apontar um hat-trick em clássicos a contar para o campeonato.

A perseguição ao líder prossegue nos capítulos seguintes. Já o Sporting fica a 12 pontos do topo. Certamente não atirará a toalha ao chão, mas fica a precisar ainda mais de um cataclismo sem precedentes para quebrar um jejum que vai longo.

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por Miran Pavlin às 23:15

Domingo, 01.03.15

Porto 3 - Sporting 0 - Eclipse Total

Impressões:

- O calendário do Sporting continua diabólico.
- Marco Silva falha em toda a linha hoje, sobretudo por apresentar uma equipa sem condições físicas e anímicas. 
- No último mês, Adrien Silva tem sido uma nulidade a transportar a bola e a fazer passes do meio campo para a frente.
- No último mês, Carrillo tem sido uma nulidade a desequilibrar.
- Montero não tem espaço neste esquema táctico. Independentemente da qualidade técnica do jogador, não devia jogar. 
- Slimani não devia ter entrado contra o Wolfsburgo, nem contra o Porto. Está claramente longe de estar em condições para jogar. A sua entrada só debilitou a equipa.
- Jefferson devia treinar à parte até ao fim do contrato. Os três golos do Porto nascem todos pela esquerda. 
- As substituições não trouxeram rigorosamente nada à equipa.
- A superioridade do Porto foi evidente no final dos 90 minutos, mas para isso o demérito do Sporting foi fundamental. Na primeira parte as bancadas brindavam a equipa do Porto com assobios, por isso, a derrota não pode ser aceite como resultado desse desnível qualitativo que existe (sim, a nível individual), mas que em condições normais, nunca seria tão descomunal.

Tudo o que foi feito de positivo será posto em causa e isso é o resultado mais perigoso desta ciclo negativo. Quinta feira joga-se a primeira mão das meias finais da Taça de Portugal e será uma tarefa hercúlea recuperar o ânimo deste grupo para disputar esse jogo com a intensidade necessária.

Uma nota final para o maior problema que persiste: a nenhuma acutilância ofensiva. Hoje não concretizou (Fabiano não fez uma defesa), na quinta feira não concretizou contra o Wolfsburgo, e o problema vem de trás. Os extremos tem sempre vontade de fazer mais uma finta, e no corredor frontal há sempre uma tal cerimónia na hora de chutar à baliza que só pode dar nisto. Este momento faz-me lembrar quando no final dos anos 90 a selecção Portuguesa era a campeã do mundo de futebol sem balizas... e o jogo da segunda mão contra o Wolfsburgo é um exemplo perfeito. Pressão, passes, técnica, fintas, combinações, zero golos. Sei que o calendário está na fase diabólica supracitada e que não é tempo de fazer trabalho táctico... mas é urgente mudar o chip. Ainda há objectivos a atingir e este ano joga-se o futuro do Sporting. 

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por Kirovski às 21:06

Quarta-feira, 26.11.14

Sporting 3 - Maribor 1 - Jogo e balanço intermitente

 

Infelizmente a disponibilidade para escrever no Corte Limpo não tem sido muita, contudo sempre que possa farei questão de dizer de minha justiça. Ontem o Sporting venceu o Maribor por 3-1 e garantiu a continuidade nas competições europeias a seguir ao jogo de Londres. Se será na Liga Europa ou na Liga dos Campeões, logo se verá. A verdade é que apesar de todos os problemas que a equipa tem (sobretudo na consistência defensiva), o Sporting mostrou ter nível para passar este grupo. Foi superior nos dois jogos com o Maribor e nos dois jogos com o Schalke 04, não tendo garantido já a qualificação por pura infelicidade. Ontem a superioridade foi total e o jogo só não foi mais descansado devido ao auto-golo (mais um, o que se passa este ano?!) e ao longo intervalo que creio não ter sido benéfico para nenhuma das equipas. A época não tem sido negativa, mas a equipa não tem sido consistente, tendo consentido até agora 4 resultados inaceitáveis: o empate com a Académica, o empate com o Belenenses, a derrota em Guimarães e o empate com o Paços de Ferreira, que resultam num atraso de 8 pontos em relação ao primeiro classificado Benfica. É certo que o campeonato este ano é mais longo e que ainda não está sequer cumprido o primeiro terço do calendário, mas tenho de admitir que é já um atraso considerável. Se do meio campo para a frente as coisas não tem corrido mal (Slimani e Montero têm marcado, Nani excelente, Carrillo e Mané têm estado em bom plano), na zona defensiva as coisas não tem estado tão bem, quer por aquilo que os comentadores tem designado pela "baixa de forma" de William Carvalho (que na minha opinião é sobretudo a dificuldade em adaptar-se a um novo modelo táctico), quer pela falta de qualidade/entrosamento na dupla de centrais. Paulo Oliveira parece ter agarrado definitivamente o lugar, mas o lugar ao seu lado, ocupado sucessivamente por Maurício ou Naby Sarr tem dado demasiados problemas. Aliás foram já demasiados os golos sofridos com responsabilidades para estes dois. Caso o Sporting consiga reforçar esta posição em Janeiro, é possível que os níveis exibicionais da equipa melhorem automaticamente e se consiga fazer uma aproximação aos lugares da frente no campeonato. Neste momento, o Sporting parece-me uma equipa capaz do melhor e do pior, tudo é possível. Tanto capaz de virar um resultado adverso, como capaz de desperdiçar uma vantagem confortável. Creio que a consistência e a confiança virão apenas com as vitórias e para isso espero que comecem já no próximo fim de semana contra o Vitória de Setúbal. 

Entretanto mudaram os rostos na Liga mas os problemas aparentemente continuam sem se resolver. Diz-se que se calhar terão mesmo de ser os clubes a financiar as competições. Mas não foi para evitar esse cenário que se expulsou o Mário Figueiredo?

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por Kirovski às 11:00



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