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CORTE LIMPO


Terça-feira, 03.01.17

Taça da Liga, fase de grupos – Moreirense FC 1-0 FC Porto

Comecei a assistir ao jogo apenas ao minuto 60, altura em que o FC Porto já perdia e a ansiedade mais uma vez se apoderava dos jogadores azuis-e-brancos. Mesmo estando atrás no marcador, o FC Porto dominava, mas não era capaz de encontrar forma de fazer um golo que fosse, ao menos para não sair de Moreira de Cónegos corado de vergonha. A tarefa tornou-se impossível quando o FC Porto ficou em inferioridade numérica. Se a expulsão de Brahimi (85’) foi fruto não só dessa ansiedade, como também de um certo sentimento de impotência, a de Danilo Pereira, ao minuto 79, foi um momento Benny Hill como há muito não se via. Após um lance em que alguns jogadores portistas reclamaram um possível atraso ao guarda-redes, o árbitro Luís Godinho, recuando ao mesmo tempo que negava a existência de qualquer falta, chocou de costas com Danilo. Foi um choque absolutamente fortuito, que o juiz interpretou da pior maneira. Se achou que foi tentativa de agressão do trinco do FC Porto, borrou ainda mais a pintura ao dar segundo cartão amarelo em vez de vermelho directo; se houve palavras impróprias só o relatório poderá esclarecer.

O golo de Francisco Geraldes (49’) seria então o único da partida, que além de afastar o FC Porto da final-a-quatro da Taça da Liga, o condenou ao último lugar do grupo. É a continuação da terrível história portista nesta prova. Em dez edições os dragões contam duas finais perdidas (2009/10 e 2012/13) e muitos resultados embaraçosos. Este foi apenas mais um. O resultado confirma ainda que Moreira de Cónegos e FC Porto não combinam. Na I Liga contam-se três empates em seis visitas; esta foi a primeira vez que o FC Porto aqui jogou na Taça da Liga.

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por Miran Pavlin às 23:40

Quinta-feira, 29.12.16

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 1-1 CD Feirense – Em aberto

Temporalmente longe dos compromissos do campeonato, por uma vez o FC Porto subiu ao relvado para um encontro da Taça da Liga com um onze próximo do habitual. O problema é que esta prova e os dragões são como os pólos de uma pilha. Ou como água e azeite. Com um jogo da fase de grupos por realizar, é verdade que o FC Porto está melhor que na edição transacta, na qual nem sequer pontuou, mas encontra-se longe de garantir o que quer que seja, ao não ir além de um empate na recepção ao Feirense. No final de um jogo sensaborão, fica a dúvida sobre qual a imagem a reter dele: se a de um justo empate, ou a de um Feirense que marcou praticamente sem saber como.

Com Maxi Pereira, Marcano, Alex Telles, Herrera, Corona e Brahimi entre os titulares, os minutos de oferta ficaram para o guarda-redes José Sá, e ainda para Boly, Rúben Neves, João Carlos Teixeira e Depoitre, no que parecia ser uma equipa capaz de rectificar a igualdade verificada na partida de há um mês com o Belenenses. A avaliar pela primeira parte, essa ideia não foi mais que um engano, por muito que a defesa se mantivesse sólida e Brahimi procurasse mexer com o jogo na outra ponta do campo, acertando mesmo na trave logo aos quatro minutos. O intervalo chegaria sem golos, o que não é esranho se se considerar que faltava quem finalizasse, e Depoitre ia desperdiçando a hipótese de continuar a revitalizar-se, depois do golo apontado ao Chaves. Não marcou o ponta-de-lança, marcou o central Marcano, que permaneceu na área após um canto, cabeceando certeiro a cruzamento de Herrera (49’). Na zona do ponta-de-lança, nem mais.

Em vantagem, o FC Porto não encontrou a motivação necessária para atingir um segundo golo. Depoitre continuava a ser mais eficaz na distribuição de costas para a baliza – ficou na retina um péssimo cabeceamento (68’), bem ao lado quando o belga estava em óptima posição – e a equipa não conseguia deixar o registo monocórdico. José Sá mostrou-se com uma enorme defesa a cabeceamento de Platiny (64’), mas nem esse susto mexeu com o FC Porto. Sem ter criado muito mais que esse lance, o Feirense foi bafejado pela sorte ao minuto 74, altura em que Flávio apareceu na área para desviar de cabeça um livre batido de bem longe da baliza, em tudo semelhante ao que proporcionara aquela defesa a José Sá. Óliver Torres e Rui Pedro entraram para os lugares de Herrera e João Carlos Teixeira (79’) na tentativa de ligar o motor azul-e-branco, mas quem esteve mais perto do golo seria mesmo o Feirense, num livre directo muito perigoso de Etebo, a castigar uma falta inexistente, ao qual José Sá correspondeu com mais uma fantástica defesa (86’).

O empate final, conjugado com a igualdade no outro jogo, entre Belenenses e Moreirense, deixa tudo em aberto, uma vez que na Taça da Liga os critérios de desempate se centram nos golos, e não no confronto directo. Só o Feirense, que tem apenas um ponto contra quatro do líder Moreirense, está fora das contas. Para o FC Porto, até a vitória no último jogo pode não ser suficiente para se apurar, caso o Belenenses consiga uma vitória folgada. Fechamos com um dado estatístico, que vale o que cada leitor quiser que valha: o FC Porto nunca bateu o Feirense em jogos da Taça da Liga.

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por Miran Pavlin às 22:40

Terça-feira, 29.11.16

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 0-0 CF Os Belenenses – Mal menor

O palco do jogo mudou. Parte dos intervenientes também, assim como a competição em causa. Só duas coisas se mantiveram do jogo de sábado para este: o nome do adversário e o resultado final. O FC Porto estava preso na estaca zero e por lá continuou, ao cabo de mais 90 minutos de futebol com muito pouca baliza. O jogo em si não foi diferente de pretéritas noites portistas na Taça da Liga, caracterizadas por futebol a meio gás perante bancadas tristemente despidas. No entanto, o contexto no qual se inseria a estreia dos dragões na prova aconselhava, imagine-se, a que se esquecesse o desprezo crónico e se encarasse esta Taça da Liga como se fosse a Taça de Portugal. Ainda assim, Nuno Espírito Santo promoveu alterações de vulto nos titulares, dando a oportunidade a nomes como Evandro, Depoitre e Brahimi, além das inclusões de Inácio, recrutado à equipa B, na lateral esquerda, e de Varela na lateral oposta. No decorrer do encontro João Carlos Pereira teve a sua primeira oportunidade de ir a jogo, juntamente com Adrián López e ainda Rui Pedro, outro nome da equipa B, que acabaria por ser o homem que mais perto esteve do golo. Que nunca apareceu.

Por estes dias, é como se o golo fosse um metal raro e valioso, que exige que uma mão cheia de operários morram para o extrair da mina mais profunda. E como ninguém está para perder a vida, o FC Porto teve que se resignar a um quarto empate consecutivo sem golos. O Belenenses não criou perigo, em parte porque simplesmente não conseguiu, mas também porque teve que jogar cerca de 50 minutos com menos um homem, pela expulsão do jovem Benny por uma valente calcadela – ainda que aparentemente sem maldade – no tornozelo de Rúben Neves. O que os azuis do Restelo mostraram – ou não – no Dragão sublinha dois aspectos opostos em relação ao FC Porto. Por um lado, a defesa mantém-se estanque, mas por outro nem contra dez os dragões puseram fim à seca de golos.

Felipe ainda pensou ter marcado (29’), mas o seu desvio de cabeça a um livre de Brahimi foi invalidado por fora-de-jogo. As imagens televisivas foram tão pouco esclarecedoras que não resta outra hipótese senão acreditar que o juiz de linha não teve quaisquer dúvidas sobre a irregularidade do lance. Após alguns remates frouxos e à figura do ex-portista Ventura, em cima do final Rui Pedro esteve então perto de fazer soltar o ansiado grito, rematando rasteiro – e devagar – desde a esquerda da área, mas um ligeiro toque de um defensor belenense encaminhou a bola para o poste, gorando-se assim a oportunidade.

Não havia mesmo meio de quebrar a malapata. Enredado numa teia de dilemas, e com as recepções a Braga e Leicester nos capítulos imediatos, o FC Porto inicia assim a Taça da Liga com um mal menor. Tendo havido alguns assobios e um ou outro lenço branco no final, se a saída dos agora 430 minutos sem golos não estiver na próxima esquina, a intensidade dos protestos certamente subirá exponencialmente de tom.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 27.01.16

Taça da Liga, fase de grupos – CD Feirense 2-0 FC Porto – Pela porta do gato

Comecemos pelo final. Enquanto lamentava a derrota, José Peseiro deixou escapar que aproveitou este jogo para testar um esquema táctico ainda pouco treinado, e que por isso os jogadores não terão dado a melhor resposta em campo. Tendo em conta que se tratava da Taça da Liga e que o FC Porto já não tinha hipóteses de seguir em frente, a explicação do técnico até pode colher. Porém, a argumentação perde toda a validade assim que se constata que muitos dos homens mais utilizados ficaram de fora, pondo em causa a utilidade prática do teste.

O saldo final, esse, é esclarecedor. Esta foi a pior participação de sempre do FC Porto na Taça da Liga. Muito pior que a viagem inaugural na prova, em 2007/08, quando os dragões foram eliminados pelo Fátima. Nunca o FC Porto tinha terminado uma fase de grupos de qualquer competição com zero pontos. Leu bem, zero pontos. Ainda para mais, neste caso, num grupo com duas equipas da II Liga.

Obviamente que um adepto do Feirense contaria uma história diferente, até porque foi a primeira vez que os fogaceiros bateram o FC Porto; do ponto de vista dos azuis-e-brancos é difícil analisar o jogo, porque foi mau demais para ser verdade. Apetece pensar que não era realmente o FC Porto que estava em campo, antes um conjunto de humildes rapazes vestidos à Porto. Vontade não falta para tecer comentários pouco abonatórios sobre Varela e Imbula, mas a verdade é que a equipa, no seu todo, esteve pouco mais que à deriva.

Não vale a pena escrever muito mais, porque a classificação final do grupo diz tudo. Nem sequer se pode dizer que foi uma saída pela porta pequena. O FC Porto sai da Taça da Liga pela porta do gato.

NOTA: somos obrigados a ilustrar esta publicação com uma fotografia de José Peseiro a imitar Julen Lopetegui porque lamentavelmente o Sapo Fotos não disponibiliza qualquer imagem da acção do jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 20.01.16

Taça da Liga, fase de grupos – FC Famalicão 1-0 FC Porto – Jogo de amigos

Não se podiam mesmo pedir dias mais agitados no reino do dragão. Depois de três jogos sob a batuta de Rui Barros, o FC Porto foi a jogo ainda com o antigo médio nos comandos, mas já com o novo treinador na bancada. O escolhido, ao cabo de quase duas semanas de indefinição, é José Peseiro, que se desvinculou dos egípcios do Al-Ahly para rumar à Invicta. Infelizmente para o técnico, o que a equipa lhe mostrou decerto não terá deixado as melhores impressões.

A falta de empenho dos dragões na Taça da Liga já tem barbas, mas mesmo pesando esse factor, este terá sido o pior jogo de sempre do FC Porto nesta competição. Possivelmente por não querer sobrecarregar os principais nomes da equipa na véspera da entrada de Peseiro em funções, Rui Barros montou um onze altamente experimental, lançando mão a nomes como Víctor García, Lichnovsky, Sérgio Oliveira e André Silva, hoje como extremo. O encontro marcou também a estreia de Hyun-Jun Suk pelo FC Porto.

A perspectiva por que se poderia ver o jogo cai por terra a partir do momento em que o Famalicão também entra com um onze alternativo e certos jogadores do FC Porto simplesmente não se conseguiram superiorizar. José Ángel não acertou um passe e Varela terá feito uma das piores exibições da sua carreira. Imbula quase não existiu em campo. É necessário ainda perguntar a alguém se este Maicon é o mesmo que há uns anos jogava no FC Porto. Até Helton esteve desconcentrado, sendo muito mal batido no golo de Mauro Alonso (58’), que decidiu a partida. O livre cobrado pelo brasileiro do Famalicão bateu no chão mesmo à frente do veterano guarda-redes, deixando-o muito mal na fotografia. No decorrer do segundo tempo Corona foi lançado na tentativa de mexer com o jogo, o que não viria a acontecer. Francisco Ramos e Ismael Díaz, da equipa B, ainda tiveram oportunidade de jogar uns minutos.

No final, não é possível recordar mais que um cabeceamento de Suk à trave, aos 85 minutos. Foi um suplício assistir ao jogo. Pareceu mesmo um jogo de amigos marcado no próprio dia por mensagem, em que só alguns se conhecem entre si. Pior que isso, só pensar que o FC Porto fica matematicamente eliminado da Taça da Liga, ainda com um jogo por disputar, e está no último lugar de um grupo que inclui duas equipas da II Liga.

Na zona de entrevistas rápidas, questionado sobre o ânimo do plantel neste momento, Helton disse “precisamos de nos ajudar, mas também precisamos de ajuda”. Palavras tão sinceras quanto esclarecedoras sobre o estado de alma actual do FC Porto. Espera-se que o início da primeira sessão de treino de José Peseiro no Olival seja o regresso de alguma normalidade ao dia-a-dia portista. Até quando resistirá o fôlego da entrada do novo treinador?

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por Miran Pavlin às 23:00

Terça-feira, 29.12.15

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 1-3 CS Marítimo

Começar a ver um jogo aos 60 minutos é meio caminho andado para se tirarem conclusões precipitadas e fazerem análises insuficientes. Não sabendo o que se passou antes, a imagem que fica dessa última meia hora é a de um FC Porto quase nulo. Já a perder, e com os habituais titulares a pensar no importante jogo do próximo fim-de-semana, os menos utilizados acabaram por ficar um tanto ou quanto perdidos em campo.

O FC Porto terminou com 70% de posse de bola, e a verdade é que os dragões visaram muitas vezes a baliza de Salin, mas os remates saíram quase todos na direcção do guardião francês do Marítimo. André Silva, em estreia na equipa principal, foi o autor de muitos desses remates.

Os adeptos portistas não andam satisfeitos com o rendimento da equipa, e não teve qualquer importância que o jogo contasse para a historicamente menosprezada Taça da Liga; imediatamente após o 0-2, os presentes brindaram a equipa com um sonoro coro de assobios, e o treinador com lenços brancos. Qual espírito natalício, qual quê?

O 0-3, aos 90’+4’ minutos, foi só mais um estalo na cara do FC Porto. Aboubakar ainda reduziu na jogada seguinte, e o jogo findou logo depois. 1-3. A primeira vitória de sempre do Marítimo em casa do FC Porto, incluindo todas as competições. Helton foi veemente ao instar os colegas para que dirigissem às bancadas um agradecimento misturado com pedido de desculpas, mas a equipa não se livrou de nova vaia.

Talvez nunca tenha acontecido a ninguém numa fase de grupos semelhante a esta, mas bastou um jogo para as hipóteses de passar à fase seguinte se reduzirem ao mínimo. O Marítimo, que já tinha realizado um jogo em Novembro, soma agora seis pontos, faltando-lhe apenas um para seguir em frente. O FC Porto tem que vencer as duas partidas restantes e esperar que o Famalicão, que pode ele próprio apurar-se, traia o Marítimo no Funchal.

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por Miran Pavlin às 21:30

Quinta-feira, 02.04.15

Taça da Liga, meias-finais – CS Marítimo 2-1 FC Porto – Males que vêm por bem

Terceira visita à Madeira, terceira noite de indisposição. Esta custou um lugar na final da Taça da Liga, o troféu que o FC Porto historicamente desvaloriza, não faz questão de ganhar e, pelos vistos, não consegue mesmo ganhar.

Fazendo jus à pouca importância dada a esta competição, Julen Lopetegui escalou um onze sem alguns dos habituais titulares, opção justificada na sala de imprensa, onde o técnico referiu não fazer sentido levar outros nomes a jogo quando os menos utilizados na I Liga se bateram dignamente nas partidas da Taça da Liga.

Durante a primeira meia hora de jogo, mesmo com alguma lentidão, a equipa ia executando as suas rotinas ofensivas, face a um Marítimo expectante, que não quereria de maneira nenhuma cometer erros, ou não estivesse no momento mais importante de uma temporada abaixo dos seus objectivos.

Aos 32 minutos os dragões chegaram ao golo, num pontapé de ressaca de Evandro, após mau alívio da defensiva insular. A vantagem teve um efeito nocivo para o FC Porto, que em vez de se galvanizar, quebrou, desapareceu do jogo e chegou mesmo ao intervalo, imagine-se, já a perder por 2-1.

O empate surgiu cinco minutos depois do tento de Evandro, numa grande penalidade transformada por Bruno Gallo, precisamente o homem que marcara o único golo na partida para o campeonato. O lance foi de grande infelicidade para o lateral Ricardo, que não tinha hipótese de se desviar do maritimista Xavier, que o fintou e de seguida chocou com ele. Uma jogada normal de futebol, que o status quo da arbitragem portuguesa torna difícil não ser considerada faltosa. Para discutir eternamente.

Em cima do descanso Marega fez o 2-1, na sequência de um canto em que a defesa azul-e-branca não sai bem vista. Este golo mudou tudo o que se podia esperar do jogo para a segunda parte. Era como um pássaro raro nas mãos do Marítimo, que logo tratou de não o deixar escapar, cerrando fileiras na zona defensiva e entregando a iniciativa ao FC Porto.

Sem nervosismo ou sofreguidão, os dragões voltaram à forma inicial, trocando a bola, lateralizando, furando até cruzamentos que invariavelmente não saíam a jeito para finalizações, que é o mesmo que dizer que não causaram perigo para as redes de Salin. Excepção feita àquele último quarto-de-hora da primeira parte, não se pode dizer que o FC Porto tenha feito um jogo horrível. O problema é que não foi nem intenso, nem bom o suficiente, logo deixando o FC Porto com pouco que abone a seu favor.

A derrota, contudo, não deixa de ser um mal que vem por bem. Caso tivesse passado, o FC Porto jogaria a final numa altura em que já estará a braços não só com a eliminatória frente ao Bayern Munique, mas também com o decisivo Benfica-Porto do campeonato. Nessas contas há muito que já não há margem de erro. Agora deixa também de haver desculpas para um jogo pouco conseguido na Luz.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 28.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – FC Porto 4-1 A Académica Coimbra – Música, maestro

Bastou levar a jogo três habituais titulares para a música ser diferente da que normalmente se escuta quando o jogo vale para a Taça da Liga. Talvez não querendo ficar intranquilo no sofá à espera dos resultados de terceiros – para isso já basta o campeonato – o FC Porto resolveu desde já a questão do apuramento para as meias-finais.

Não terá sido só por estarem titulares em campo. Todos os que jogaram contribuíram para uma exibição bem airosa, de pendor ofensivo, com muitas jogadas colectivas e rápidas recuperações de bola, mas acima de tudo com grande afinação.

O FC Porto reduziu a Académica a escassos dois lances com princípio, meio e fim, um em cada parte. O segundo desses lances deu mesmo golo, por Mbala (72’), à ponta-de-lança. Foi o despertador que o jogo precisava, e que impeliu os dragões para uma ponta final frenética, em que não deu descanso aos estudantes.

Antes já se assistira a um solo de Jackson Martínez, que assim se estreou a marcar nesta edição da prova. Aos seis minutos aproveitou uma perda de bola infantil de Aníbal Capela para inaugurar o marcador, e aos 59 dobrou a vantagem portista num excelente golpe de calcanhar. Cumprida a missão, o colombiano deu o lugar a Gonçalo Paciência, que demorou um quarto de hora a fazer história.

Numa jogada individual que incluiu uma magnífica finta de corpo, o jovem concluiu-a com um remate colocado, de pé esquerdo, no milésimo de segundo antes de o defesa academista chegar ao corte. O seu primeiro golo pela equipa sénior. Gonçalo festejou-o de dedo em riste, tal como o pai fez dezenas de vezes em tempos idos. Haverá mais no futuro?

Talvez tenha sido a beleza dos golos a ofuscar a parte menos interessante do jogo, que ainda durou um bom par de minutos, com o FC Porto a limitar-se a controlar as operações contra uma Académica sem último terço. Evandro ainda faria o quarto golo portista (80’), de grande penalidade. O médio está a revelar-se um especialista da marca dos onze metros.

Pena que seja só a Taça da Liga. É imperioso que os jogadores mais utilizados consigam exibições como a desta noite nos jogos de campeonato. Porque nunca se sabe quando os adversários directos poderão dar passos em falso.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 21.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – SC Braga 1-1 FC Porto – Haja coração

Foi quase até entrar em taquicardia. O coração acelerou repetidas vezes, ao sabor das mil e uma peripécias de um jogo que parecia de campeonato. O empate final saberá melhor ao FC Porto, que fica a uma vitória de garantir a passagem às meias-finais da prova.

Face às numerosas incidências, o futebol jogado fica relegado para quarto ou quinto plano. Antes dos dez minutos já tinha havido duas alterações por lesão. No Braga o infeliz foi Santos, que caiu de costas, desamparado, e cedeu o lugar a André Pinto. Do outro lado, foi Adrián a sair, vitimado por uma lesão presumivelmente na virilha, quando acelerou na perseguição a um contrário. Entrou Tello, e não seria a única mudança que o FC Porto teria que operar.

As restantes mexidas foram consequência directa das acções do primeiro protagonista da noite, que neste caso foi aquele que nunca se pretende que o seja: o árbitro. Certamente que não foi de propósito, mas Cosme Machado teve um jogo para esquecer. A dualidade de critérios que mostrou foi gritante e continuamente mais penalizadora para com o FC Porto, em lances semelhantes a outros envolvendo atletas do Braga. O Collina português até pelo resultado foi responsável, uma vez que ambos os golos surgiram na cobrança de grandes penalidades. A primeira foi convertida com classe por Evandro (25’), a segunda pelo ex-portista Alan (51’).

Quando o Braga repôs a igualdade já o FC Porto jogava com nove homens apenas. Reyes acumulou amarelos entre os 28 e os 34 minutos, e Evandro seguiu o mexicano a caminho dos balneários aos 42 minutos por pontapear a bola que estava sob Pedro Santos, que tinha caído e a prendeu. Era um reflexo dos ânimos quentes com que se jogava, mas de onde o árbitro estava, a teatralização excessiva do arsenalista induziu-o a considerar tratar-se de uma agressão.

Com menos dois homens o FC Porto naturalmente retraiu-se, e passou todo o segundo tempo debaixo da pressão do Braga, que não desistiu de procurar o segundo golo. E é aqui que aparece o segundo protagonista da noite: Helton. O veterano relembrou a todos o porquê de antes da lesão ser frequentemente considerado o melhor guarda-redes a actuar em Portugal – com a devida vénia a Rui Patrício. Foram muitas e boas as defesas que fez, numa exibição majestosa, carimbada em definitivo nos segundos finais, quando impediu com o pé que Éder marcasse.

O Braga terminou a lamentar a falta de eficácia. Não contaria com o enorme coração dos dragões, que resistiram firmemente e ainda criaram um lance perigoso, quando Tello se desmarcou e forçou Kritsyuk a uma defesa apertada (82’).

A reacção dos dirigentes portistas à arbitragem pouco conseguida teve tanto de veemente, como de surreal. Antero Henrique foi expulso na saída para o intervalo, Julen Lopetegui perguntou ao quarto árbitro se seria melhor retirar a equipa de campo, e até Pinto da Costa foi à sala de imprensa em modo invasão reiterar, no seu estilo irónico, o orgulho que sentia nos jogadores, os únicos que não se deixaram tomar pelos nervos.

Um notório contra-senso com a conhecida desvalorização portista da Taça da Liga. Fico a coçar a cabeça à procura de uma justificação.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 13.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – FC Porto 3-1 CF União – Um desafio

Um jogo de Taça da Liga diante de um adversário da Liga 2 é um grande desafio. Não para a equipa, mas para quem assiste. Convém apelar a todo o portismo e tomar um café antes, porque não é preciso ser adivinho para afirmar que o jogo tem grandes hipóteses de ser disputado a baixo ritmo, e dificilmente terá momentos que perdurarão na memória.

Não que esta recepção ao União da Madeira tenha sido completamente inútil. Além de permitir dar minutos a Reyes, Ricardo, Campaña e Evandro, o jogo marcou os regressos de Ruben Neves e Helton à titularidade, este dez meses depois da grave lesão que sofreu em Alvalade.

O veterano guarda-redes sai com a infelicidade de ter sofrido um golo numa noite em que não fez qualquer defesa. A verdade é que nesse lance em particular Helton tinha poucas hipóteses de êxito, uma vez que o avançado unionista Élio apareceu solto à sua frente, e nesse momento a vantagem é sempre de quem está de frente para a baliza. Élio não a enjeitou, e marcou pela terceira vez às equipas da I Liga, depois de Paços de Ferreira e Braga.

Absoluta foi a estreia de Ivo Rodrigues, avançado da equipa B que pela primeira vez envergou a camisola da equipa principal. A sua utilização traz à tona a questão da perspectiva por que se olha para os jogadores. Quintero bem tentou colocar-lhe bolas, mas Ivo não aproveitou nenhuma e não mostrou muito. O estaria eu aqui a escrever caso tivesse sido Adrián o autor do desperdício…

[Pausa de alguns minutos para pensar]

Não dá para evitar bater mais uma vez no ceguinho: Adrián jogou os 90 minutos e continua sem mostrar nada que justifique o seu currículo. Que tal deitar-se no divã e contar o que o apoquenta?

O FC Porto superiorizou-se ao União com naturalidade, desencravando o resultado aos 25 minutos num lance individual de Quintero. No segundo tempo Quaresma foi o homem em destaque, ao estar nos lances dos restantes dois golos. No lance do 2-0 rematou para Zarabi meter o pé à bola e a desviar para a própria baliza, e sofreu a falta para a grande penalidade que Evandro converteria no 3-1 final.

Com o marcador ainda em andamento houve o golo de Élio e um remate de Barnes ao poste de Helton. O jogo terminaria na altura certa, quando o nevoeiro ameaçava abater-se sobre o Dragão.

Foram anunciados 11 mil espectadores. Generoso, a avaliar pelas imagens televisivas e pelo ruído geral das bancadas.

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por Miran Pavlin às 23:45



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