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CORTE LIMPO


Sexta-feira, 17.11.17

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória - FC Porto 3-2 Portimonense SC

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sexta-feira, 13.10.17

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória - Lusitano GC 0-6 FC Porto - Festa da Taça?

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Costuma dizer-se que na Taça de Portugal as diferenças entre as equipas tendem a esbater-se. Mais se esbatem quando as equipas em jogo têm longo historial na prova, como é o caso do Lusitano de Évora, que em 1954/55 chegou a eliminar o FC Porto nos oitavos-de-final (0-2 nas então novíssimas Antas), coincidindo com o período em que militou na então I Divisão (1952-1966). Foi há tanto tempo que é como se esse jogo tivesse sido noutro mundo. No mundo de 2017, mesmo tentando pesar esse histórico, é difícil esbater a diferença entre uma equipa de topo e outra do Distrital da AF Évora. Em campo, sempre o palco onde tudo se decide, a diferença começou a marcar-se aos 20 minutos, quando Aboubakar trabalhou na área para o primeiro golo. Os adeptos do FC Porto mal tiveram tempo para se sentar, já que o camaronês voltou a facturar no minuto seguinte, agora de cabeça, a cruzamento de Diogo Dalot, lateral direito que se estreava pela equipa principal do FC Porto. Dalot era praticamente o único nome menos habitual do onze dos dragões, que contou ainda com nomes como Marcano, Óliver, André André e Brahimi.
Ao intervalo Sérgio Conceição começou a lançar integrantes do seu banco experimental. Galeno foi o primeiro a ir a jogo, e com ele em campo os dragões chegaram ao 0-4, num canto desviado na pequena área por Marcano (49'), e num remate em arco após trabalho individual de Otávio (55'). Logo a seguir (59'), Galeno pontuou a estreia com um golo, num remate que sofreu um desvio quase imperceptível, mas suficiente para trair o guarda-redes. As entradas de Luizão (52') e Jorge Fernandes (67') em última instância acabaram por fazer o FC Porto perder alguma acutilância, mas ainda havia um golo a acrescentar (90'), num golpe de escorpião de Hernâni - a um pé, não como o célebre momento de René Higuita. Hernâni parece estar em descarado fora-de-jogo, mas ninguém levantou a questão.
Tendo corrido tudo como no livrinho, pouco mais fica para contar. Se assim não fosse, teria sido o maior escândalo de toda a história da Taça de Portugal. Só não fica para a posteridade como mais um episódio da festa da Taça porque o encontro decorreu no Estádio do Restelo. É incompreensível como podem as regras, regulamentos e exigências obrigar os clubes da I Liga a realizar esta eliminatória como visitantes, ao mesmo tempo que inviabilizam que se jogue na casa dos visitados. Não acontece sempre, mas os exemplos são muitos e variados. Os cerca de 150 quilómetros entre Évora e Lisboa obrigam a questionar se não havia mesmo alternativas mais perto da capital do Alentejo, mas por outro lado talvez a simples mudança do local do jogo seja sintomática do estado em que se encontra o futebol de Évora, sede de dois clubes históricos que estão fora dos nacionais. Foi o primeiro encontro entre Lusitano e FC Porto desde 1965/66. Na Taça, cruzaram-se pela quinta vez.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sexta-feira, 18.11.16

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória – GD Chaves 0-0 FC Porto (a.p., 3-2 g.p.) – Faltou o sal

Em abstracto, uma das piores coisas – senão mesmo a pior – que o futebol pode oferecer aos adeptos é um 0-0 ao fim de 120 minutos de jogo. São muito raras as ocasiões em que não são vistas como mal empregues as duas horas na bancada ou em frente à televisão com o tempero principal do jogo bem fechado no saleiro. Foi justamente isso que aconteceu nesta primeira visita do FC Porto a Chaves em nove anos. Intensa na primeira parte, equilibrada após o descanso, e de sentido único no prolongamento, a partida, qual peça de teatro, teve vários actos, mas a todos faltou o golo.

O Chaves foi o primeiro a causar perigo, num cabeceamento de William que não passou longe da baliza (10’); o FC Porto teve o primeiro remate ao quarto de hora, mas o jogo pouco mais teria que meias oportunidades, de parte a parte. Os flavienses tiveram mais um cabeceamento perigoso antes do intervalo, André André, já na segunda parte, desferiu um belo remate em arco, que só não foi belíssimo porque esbarrou na trave, e em cima do apito final Nélson Lenho vestir-se-ia de herói, ao cortar o remate de Diogo Jota com a cabeça, bem no centro da área. O tiro levava a palavra “golo” escrita a letras garrafais, mas não passou disso, confirmando-se o prolongamento como o capítulo seguinte. Os treinadores das duas equipas é que já o tinham percebido há muito, pois a primeira mexida aconteceu apenas ao minuto 77, com a troca de Otávio por Depoitre. Tantas vezes criticado por não lançar o belga, Nuno Espírito Santo desta vez fê-lo, mas o ponta-de-lança não conseguiu ser mais que desajeitado na hora de finalizar, tornando-se ele próprio em mais um óbice à finalização dos dragões, que novamente deixou a desejar.

No tempo extra o Chaves mudou então de estratégia, e procurou queimar algum tempo com assistências médicas, ao ponto de a primeira parte ter tido quatro minutos de compensação. A iniciativa que o Chaves entregava ao FC Porto era um presente envenenado, que trazia consigo a responsabilidade total de terem que ser os dragões a decidir o jogo a seu favor. A conclusão das jogadas, no entanto, continuou a ser a pecha. O mais perto que o FC Porto esteve do golo até final foi quando o flaviense Paulinho, ao tentar aliviar, fez uma rosca que por pouco não resultou num auto-golo (118’). As grandes penalidades eram mesmo o destino.

Vasculhando a memória, o vosso humilde escriba consegue lembrar-se de sete desempates, dos quais o FC Porto venceu apenas dois, ambos diante do Sporting nesta mesma competição. E mais uma vez o FC Porto sucumbiu. A primeira leva parecia encaminhar os azuis-e-brancos para o sucesso, com Evandro a marcar e Braga a permitir a defesa a José Sá, mas não é possível resistir quando Layún, Depoitre e André Silva falham as suas conversões; mérito a António Filipe, que parou cada uma dessas grandes penalidades. Felipe Lopes ainda desperdiçaria a sua tentativa – no total, falharam-se cinco das dez grandes penalidades tentadas –, antes de Leandro Freire assumir a cobrança decisiva, enviando o Chaves para próxima eliminatória.

Curiosamente, Freire era o mesmo homem que protagonizou um lance duvidoso, em que parece ter cortado a bola dentro da área com o braço, já no prolongamento. Talvez o árbitro não tivesse o melhor ângulo para avaliar o lance, e o jogo seguiu. Ficam os lamentos sobre o que poderia ter sido. Depois de duas épocas em que os desastres defensivos foram a ordem do dia, e tendo o FC Porto aparentemente corrigido esse problema, é agora a finalização que volta a tolher a equipa, depois dos encontros do campeonato com Setúbal e Benfica. Nuno reconheceu-o na entrevista rápida. Será mais um sinal dos tempos, ou a próxima etapa a cumprir para o renascimento do FC Porto?

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 15.10.16

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória – GD Gafanha 0-3 FC Porto

Não assisti ao jogo, e com isso escapo à tarefa de dissertar sobre um dos jogos mais difíceis de comentar em cada época. Nos últimos anos, a 3.ª eliminatória da Taça de Portugal tem surgido logo após uma paragem para jogos das selecções, e na véspera de uma jornada europeia; e como o FC Porto normalmente encontra um adversário dos campeonatos secundários – Varzim, Trofense, Santa Eulália, Pêro Pinheiro, Limianos –, fica aberto o espaço para mexidas de fundo no onze titular. Desta vez, contudo, Nuno Espírito Santo optou por rodar apenas o guarda-redes, estreando assim José Sá. A ordem natural das coisas prevaleceu, e o FC Porto segue para a 4.ª eliminatória da prova rainha.

 

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por Miran Pavlin às 23:00

Domingo, 22.05.16

Final da Taça de Portugal – FC Porto 2-2 SC Braga (a.p., 2-4 g.p.) – O peso do contexto

Passara um lustro desde a última subida do FC Porto ao relvado do Jamor para discutir a Taça de Portugal. Nesse dia 22 de Maio de 2011 os azuis-e-brancos comemoravam o final de uma época memorável com um triunfo retumbante frente ao Vitória de Guimarães. Volvidos exactos cinco anos, o contexto em que o FC Porto chegava ao jogo decisivo não podia ser mais diverso. Era a derradeira hipótese de festejar um título antes que se completassem três anos sobre o último. Mais que isso: era a oportunidade de acrescentar um apêndice positivo a uma temporada, em termos gerais, para esquecer.

O jogo pareceu ser uma cópia em papel vegetal da decisão da temporada anterior. Mais uma vez o Braga esteve a vencer por 0-2 e permitiu o empate em cima da hora, adiando tudo para as grandes penalidades. Aí, todavia, os arsenalistas não vacilaram como na época anterior.

O FC Porto complicou a sua tarefa do mesmo modo que em diversas vezes no decorrer da época, no caso através de erros defensivos. Logo ao minuto 12, numa bola lançada em profundidade, tanto Chidozie como Helton ficaram à espera que o outro cortasse a bola. A decisão ficou por tomar, e Rui Fonte aproveitou da melhor maneira para se intrometer entre os dois portistas, afastar a bola e empurrá-la para a baliza deserta. No minuto 58 o sector recuado dos dragões comprometeria de novo, agora por Marcano, que recebeu um passe de Helton com um terrível domínio, numa altura em que já estava a ser pressionado por Josué. A bola fugiu do central espanhol o suficiente para que o médio arsenalista a apanhasse e desfeiteasse Helton com uma finalização cruzada. Emprestado pelo FC Porto, Josué não festejou.

O Braga, que vinha realizando um jogo deveras cauteloso, conseguia mesmo assim construir uma boa vantagem. Faltava saber se o FC Porto ainda teria palavras a dizer, uma vez que até esse momento ainda não tinha incomodado as redes do Braga. Quando incomodou, foi a valer. Na primeira bola que chegou à zona fatal, André Silva estava no local certo para emendar uma defesa incompleta de Marafona a remate de Brahimi e relançar o jogo (61’). Apesar da pouca acutilância ofensiva, este não foi o pior jogo do FC Porto esta época. Longe disso. Mesmo que por vezes se pressentisse algum nervosismo, os dragões tentavam de tudo para furar um Braga que manteve, então, muitos homens atrás da linha da bola durante todo o jogo.

André Silva foi um tractor, Maxi Pereira deu o que tinha e o que não tinha, Brahimi fez, finalmente, uma exibição mais colectiva, Sérgio Oliveira e mais tarde André André acrescentaram músculo, Layún não se cansou de ir ao ataque, e até Varela não foi um desastre. Mas faltou sempre encontrar a baliza contrária. Seria quando o Braga já tinha nos pés a areia da praia onde morreu no ano passado que o FC Porto juntou um toque dramático aos acontecimentos.

Após uma sucessão de cantos, e em mais uma jogada de insistência, Herrera cruzou no limite e André Silva foi herói por uns momentos, ao igualar a contenda com um pontapé de bicicleta (90’), atrasando o final do jogo pelo menos por meia hora. O prolongamento pertenceu por completo ao FC Porto, mas o perigo criado foi, mesmo assim, pouco. Muito porque o Braga disfarçou a falta de pernas com a continuação de uma notável performance defensiva.

Pelo jogo em si talvez o FC Porto merecesse mais, mas na hora das grandes penalidades pouco ou nada do que se passou até aí interessa. Terá pesado mais o tal contexto negativo em que o FC Porto aqui chegou. Com efeito, Herrera e Maxi Pereira viram as mãos de Marafona negar as suas cobranças; o Braga foi irrepreensível em cada uma das quatro conversões de que necessitou. Marcelo Goiano foi o último a rematar certeiro, espoletando os festejos dos guerreiros. 50 anos depois, o Braga junta ao seu palmarés a segunda Taça de Portugal, apagando, talvez para sempre, a frustração da última final.

O FC Porto fica em branco pela segunda época consecutiva, e vai de férias com mais problemas do que respostas para os mesmos.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 02.03.16

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão – FC Porto 2-0 Gil Vicente FC

Por muito que no futebol tudo seja possível, este jogo pouco mais era que a confirmação do que já estava alinhavado de antemão. Para que o Gil Vicente invertesse o resultado que trazia do primeiro jogo, a ocorrência de um milagre era pouco. Era necessário que todas as divindades, incluindo as figuras das mitologias grega e romana, dessem as mãos e fizessem uso de todos os seus poderes, uma vez que nunca na história da Taça de Portugal o FC Porto perdeu em casa por quatro golos de diferença; incluindo todas as competições oficiais existentes hoje, tal aconteceu apenas por quatro vezes, sempre no campeonato. Empatar a eliminatória também estaria fora de questão, visto que só num par de ocasiões se verificou um 0-3 em casa do FC Porto na Taça de Portugal, diante de Benfica em 1973/74, e Setúbal em 1966/67; o 1-4, que serviria aos gilistas, aconteceu apenas uma vez, pelo Sporting de 1944/45.

Face ao exposto acima, era então altamente improvável que o FC Porto não atingisse a final. Também por isso o jogo deixou margem para poupanças e experiências. De entre os mais utilizados, só Layún, Rúben Neves e Aboubakar alinharam de início. Evandro ganhou minutos, assim como Marega, enquanto Chidozie voltou ao eixo da defesa, onde tem dado algumas cartas, ainda que tímidas. Helton, Víctor García, José Ángel, Sérgio Oliveira e Varela completaram o onze.

A fraca assistência também terá contribuído para que a primeira parte fosse fastidiosa. Foram poucos os lances relevantes, entre eles o primeiro golo de Chidozie pelo FC Porto (11’), num cabeceamento após canto cobrado por Sérgio Oliveira. O jogo arrastar-se-ia sem grandes motivos de interesse até ao minuto 81, quando Marega também se estreou a marcar pelos azuis-e-brancos, assistido por Aboubakar. A crónica terá que ficar por aqui, visto que ao intervalo abandonei o conforto do sofá, e analisar um jogo apenas com base no relato radiofónico é o mesmo que pedir a um míope sem óculos para descrever o que acabou de se passar do outro lado da rua.

Sobram as curiosidades à volta das quais girará parte da antevisão da final do Jamor, onde o FC Porto esgrimirá argumentos com o Braga: a última final entre ambos, na Taça da Liga 2012/13, foi vencida pelos arsenalistas, na altura orientados por José Peseiro, ao passo que o mais recente título do FC Porto, a Supertaça de 2013, foi conquistado sob o comando de Paulo Fonseca, hoje técnico do Braga. A final é só em Maio, mas os caprichos do calendário ditam que o aperitivo seja servido sem demoras: Braga e FC Porto defrontam-se já no próximo fim-de-semana, a contar para a I Liga.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 03.02.16

Taça de Portugal, meias-finais, 1.ª mão – Gil Vicente FC 0-3 FC Porto – Portas abertas

Face à conjuntura actual este jogo não era fulcral apenas para as aspirações do FC Porto na Taça de Portugal. Era também importantíssimo para toda a época dos dragões. Com o regresso das competições europeias ali ao virar da esquina, era ainda conveniente que o FC Porto resolvesse desde já pelo menos uma parte da questão, no sentido de poder encarar a segunda mão de forma mais tranquila.

Quando se trata da prova rainha, ainda para mais sendo uma meia-final, as diferenças entre as equipas tendem a esbater-se, e foi justamente isso que aconteceu. Mesmo militando na II Liga, o Gil Vicente não foi uma equipa fácil de vergar, exigindo o máximo empenho ao FC Porto. Os galos equilibraram a contenda durante praticamente toda a primeira parte, e até tiveram uma bola ao ferro, num cruzamento especulativo de Vítor Gonçalves (25’), mas quando o FC Porto disparou, foi certeiro. Já na compensação, num pontapé de ressaca que passou por uma floresta de pernas, Ruben Neves inaugurou o marcador, quebrando um jejum que durava desde o seu primeiro jogo oficial pelos azuis-e-brancos, em Agosto de 2014.

A noite foi mesmo de estreias. Marega debutou de dragão ao peito e Hyun-Jun Suk fez o seu primeiro golo pelo FC Porto (59’), tal como Sérgio Oliveira, este na conversão irrepreensível de um livre directo (70’). O médio tinha entrado segundos antes. Por esta altura o domínio dos dragões sobre o Gil Vicente já era inequívoco.

Tão inequívoco quanto a qualidade da prestação da equipa, que foi diametralmente oposta a muitas da era Lopetegui. O FC Porto teve propósito em campo, confiança, fio de jogo e ligação entre sectores, além de ter conseguido ganhar segundas bolas, coisa que raramente acontecia até há poucas semanas.

O jogo ficou ainda mais simples quando o gilista Renan da Silva foi expulso por cometer a falta que resultou no livre que deu o 0-3, mas tal não mancha de maneira nenhuma a exibição do FC Porto, que, salvo uma hecatombe de proporções bíblicas, tem as portas do Jamor escancaradas à sua frente. Antes, contudo, haverá jogos cruciais noutras frentes.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 13.01.16

Taça de Portugal, quartos-de-final – Boavista FC 0-1 FC Porto – A ferros e fogo

Já era de esperar que o segundo round entre panteras e dragões não fosse desnivelado como o primeiro. Além da memória ainda fresca sobre o jogo anterior, aqui as equipas defrontavam-se de igual para igual, sem a pressão dos pontos. Quem ganhasse, passava. E foi como que uma versão 2.0 do jogo anterior. Um dérbi da Invicta como há muito não se via. Tal como Rui Barros previra, o Boavista foi uma equipa bastante mais agressiva, à qual o FC Porto teve que responder à medida. Até apetece dizer que a vitória foi tirada a ferros e a fogo, tal foi o cariz do encontro.

Logo desde os primeiros segundos se notou que o Boavista vinha determinado a vingar a goleada sofrida. E se no domingo usara de alguma dureza na disputa dos lances, desta vez os axadrezados abusaram. Talvez decidido a conduzir o jogo sem cartões, o juiz Nuno Almeida foi, durante a primeira parte, no mínimo, passivo perante a excessiva virilidade com que por vezes se jogava, até porque o FC Porto nem sempre se deixou ficar. A partida aqueceu tanto que quase transbordou no segundo tempo, altura em que a rispidez aumentou e os jogadores se envolveram duas vezes em discussões de grupo mais acaloradas. Imbula, entrado para o lugar do infeliz Evandro, pagou o preço ao ser expulso por pisar o calcanhar de um adversário (68’). Face às incidências do encontro, outros jogadores também teriam que ter sido expulsos, pelo que a decisão do árbitro pode ser encarada como altamente questionável.

A expulsão alterou o desenrolar do jogo, uma vez que os jogadores se acalmaram e o Boavista, que tinha tido o grosso da posse de bola depois do intervalo, tentou um último assomo às redes de Helton. Nos últimos segundos da compensação, o golpe de teatro: grande penalidade a favor do Boavista, numa imprudência de Martins Indi. Quando todos tinham o coração na garganta, o último volte-face: Douglas Abner rematou mal e Helton, tendo adivinhado o lado, defendeu. O exemplo acabado do que é um final dramático.

Terá sido a primeira vez esta época que se viu uma equipa do FC Porto ser tão colectiva. Além de a exibição ter sido novamente bastante aceitável, ficou a sensação de que o FC Porto tem realmente um grupo, não apenas um conjunto de jogadores. Herrera e Danilo Pereira tiveram novamente uma prestação sólida, e com Brahimi a jogar mais no meio a interacção com os laterais Maxi Pereira e Layún tornou-se mais produtiva. Foi mesmo o argelino a fazer o único golo da noite (24’), que se revelaria precioso para o FC Porto resistir a tudo o que se seguiu. Trabalhando bem na esquerda sobre dois contrários e já de ângulo apertado, Brahimi rematou rasteiro, surpreendendo o guarda-redes Mika. Os azuis-e-brancos ainda tiveram duas bolas ao poste, num cabeceamento de Marcano e num remate de Aboubakar.

Pelas circunstâncias, a vitória tem que ser moralizante. Rui Barros conseguiu fazer os jogadores perceber ao que iam, e estes novamente corresponderam, dando as mãos e levando o FC Porto às meias-finais da Taça, onde o espera o Gil Vicente.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 16.12.15

Taça de Portugal, oitavos-de-final - CD Feirense 0-1 FC Porto

Não vi o jogo. Fiquei-me por um breve resumo televisivo e pela leitura da ficha de jogo, onde se destacam as titularidades de Sérgio Oliveira e José Ángel, que ainda só foram utilizados nesta competição. Aboubakar marcou o único golo do desafio, logo ao minuto 10. Em Janeiro há mais, uma vez que Feirense e FC Porto têm encontro marcado na fase de grupos da Taça da Liga, novamente no Marcolino de Castro.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 21.11.15

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória – SC Angrense 0-2 FC Porto – Lei do mais forte

A presença portista nesta edição da Taça de Portugal tem sido um reencontro com o passado, nomeadamente com a época 2002/03. Depois da primeira visita à Póvoa desde essa temporada, o FC Porto deslocou-se agora aos Açores, onde não jogava desde 8 de Dezembro de 2002, na altura para a I Liga.

O estádio João Paulo II, só com uma bancada, mas tendo vista para as águas num dos topos, assemelha-se a um Restelo dos pobres. Se a isso se juntarem a calmaria do mar, as encostas verdejantes e até a vaca que ocasionalmente aparecia lá ao fundo a pastar, a envolvência ao estádio torna-se deveras idílica. Enquanto alguns se distraíam com o momento e a paisagem, Bueno marcou dois golos e colocou o resultado fora de questão. O primeiro (14’) apareceu num cabeceamento na zona do ponta-de-lança; o segundo (40’) foi mais bonito, já que incluiu um firme domínio de peito antes do remate semi-acrobático, sem hipóteses para o guardião dos açorianos.

Entretanto anoiteceu e já não havia paisagem que pudesse disfarçar a pouca história que o jogo teve depois de o FC Porto chegar à vantagem. Perante uma equipa do Campeonato de Portugal, Julen Lopetegui optou por um onze experimental, dando os primeiros minutos da temporada a José Ángel, Victor García e Sérgio Oliveira. Tal como na eliminatória anterior, Helton, Lichnovsky, Evandro, Varela, Bueno e Osvaldo foram titulares, mas não foi possível tirar grandes notas ou fazer avaliações porque o jogo foi pouco mais que um treino. Salta à vista, sim, a titularidade de Imbula, ele que não o foi nos dois jogos anteriores.

O Angrense, que nesta fase lidera a Série E do ex-CNS, foi um digno vencido, apesar de tudo. Não se amedrontou com o nome do adversário e chegou mesmo a introduzir a bola na baliza de Helton, mas não valeu porque Pedro Aguiar tentou uma mão de Deus, que aqui não passou despercebida ao árbitro. Um lance desses é só para alguns.

Uma vez que a lei do mais forte prevaleceu, não houve Taça. Nem mesmo ameaça de que pudesse haver. O FC Porto segue para os oitavos-de-final da prova, onde, crê-se, a dificuldade deverá aumentar.

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por Miran Pavlin às 22:30



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