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CORTE LIMPO


Domingo, 04.06.17

CD TONDELA 2016/17

Cale-se quem pensava que era irrepetível! O Tondela voltou a contrariar as previsões e alcançou mais uma permanência sobre a meta. Embora não tenha estado pontualmente tão afastado do mágico 16.º lugar como na época anterior, o Tondela voltou a reunir e sobreviver a estatísticas que habitualmente levam o carimbo de “condenado”. Foi lanterna vermelha em 18 jornadas e passou outras nove abaixo da linha de água, só venceu à 7.ª jornada, encadeou séries de sete, e depois nove, jogos sem ganhar e sofreu golos em 13 jornadas consecutivas (6.ª à 18.ª). Mais uma vez o destino parecia traçado.

No entanto o Tondela foi conseguindo alguns resultados vistosos aqui e ali; empatou com o FC Porto (0-0 em casa, 5.ª jornada) e o Sporting (1-1 fora, 8.ª), e bateu o Guimarães (2-1, 11.ª), mas sofreria um golpe potencialmente fatal ao perder com o então último classificado Nacional (3-2, 13.ª), que lhe passou a lanterna para a mão. Os beirões só voltaram a dar sinal de vida quanto bateram o Chaves (2-0) à jornada 19, antes do período negro que só terminaria na ronda 29 com um triunfo (2-1) sobre o Rio Ave. Na jornada 30, um requinte: a vitória tondelense sobre o Nacional (2-0) devolveu a lanterna aos insulares.

O Tondela não olharia mais para trás, e venceria Setúbal (2-1, 32.ª), Arouca (1-2, 33.ª) e Braga (2-0, 34.ª) na recta final para escapar no último segundo ao desmoronamento precisamente do Arouca. Incrível.

 

TREINADORES

Petit procurou dar seguimento ao milagre da época transacta, mas assim que se aproximou a viragem do campeonato, e estando já fora das duas Taças, o antigo internacional português apresentou a demissão ao fim de 16 jogos.

Pepa, que tinha saído do Moreirense apenas cinco jornadas antes, assumiu de pronto os comandos para a repetição da façanha do seu antecessor, a quem indirectamente ainda deu uma mãozinha. Ao empatar com o Tondela em casa na jornada 26, Augusto Inácio saiu do Moreirense para entrar Petit.

 

FIGURAS

Cláudio Ramos foi mais uma vez um guarda-redes com grande capacidade de sofrimento. E foi bem preciso, já que o Tondela foi uma de três equipas que marcaram menos de 30 golos. Daí que o melhor marcador na Liga, Jhon Murillo terminasse com o estonteante total de cinco golos. Kaká voltou a colocar a ordem possível na defesa e ainda marcou o tento que assegurou a permanência, enquanto Wagner e Osorio asseguraram outros golos decisivos. Pedro Nuno bisou no crucial jogo de Arouca. O mesmo Kaká (frente ao Nacional, 13.ª jornada) e Pica (contra o Setúbal, 15.ª) bisaram nos auto-golos

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 16.º lugar, 8v-8e-18d, 29gm-52gs, 32 pontos;

Taça de Portugal: ultrapassou Sertanense (0-4) e Aljustrelense (1-2), antes de ser eliminado pelo Leixões (2-1) nos oitavos-de-final;

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória pelo Feirense (3-0).

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por Miran Pavlin às 12:00

Sexta-feira, 17.02.17

Liga NOS, 22.ª jornada – FC Porto 4-0 CD Tondela – Contra a história

Quando dois clubes se defrontam muitas vezes ao longos dos anos, a tendência é que os resultados se repartam, havendo aqui e ali exemplos de vitórias para um e outro lado, esbatendo-se assim um pouco o seu impacto. Tratando-se apenas do quarto jogo entre os dois emblemas, a importância da história assume outras proporções, e a do FC Porto frente ao Tondela não era bonita, já que nos três encontros precedentes os dragões marcaram o espantoso total de um golo. Na época passada a formação beirã venceu mesmo no Estádio do Dragão e chegava à edição deste ano na mesma aflição classificativa em que estava nessa data. No fundo, sem nada a perder e sem motivos para para praticar futebol negativo.

Pelo menos, foi novamente dessa forma que o Tondela encarou a partida, embora o primeiro perigo tenha sido criado pelo FC Porto (4’), num cabeceamento de Soares a que Cláudio Ramos se opôs com uma monumental defesa. Sacudida a pressão inicial, o futebol descontraído do Tondela começou a causar problemas ao FC Porto, nomeadamente através de matreiros contra-ataques, que num dos casos custaram um cartão amarelo a Felipe por travar um avanço prometedor de Murillo (31’). Por essa altura Marcano também já tinha sido admoestado, e ter um adversário com ambos os centrais amarelados era uma deixa que os tondelenses poderiam aproveitar para provocar estragos. Mas esses aconteceram junto à sua área, numa sucessão de eventos que autenticamente puxou o tapete ao Tondela. Aos 40 minutos o árbitro Luís Ferreira entendeu que Osorio agarrou Soares dentro da área e assinalou castigo máximo; André Silva converteu bem. Aos 45’+3’ o venezuelano voltou a prevaricar, desta vez obstruindo o mesmo Soares para o segundo amarelo e um banho antecipado. Não sendo claro quem promoveu o contacto com quem, os responsáveis do Tondela não ficaram satisfeitos com estas decisões capitais do juiz da partida e fizeram questão de o frisar nas declarações pós-jogo.

Com menos uma unidade a equipa do Tondela ficou mais curta e estreita, e só o acaso lhe permitiu sair do Dragão com os números com que saiu. Dentro dos primeiros quinze minutos da segunda parte Soares, André Silva, Otávio e novamente Soares tiveram o golo à espera de ser feito, mas incrivelmente não acertatam com a baliza. Pelo meio, o hoje capitão Rúben Neves inspirou-se em Guarín e arrancou um fabuloso remate do meio da rua para um golaço (54’). Soares não lhe quis ficar atrás e redimiu-se com outro belíssimo golo, numa deliciosa colocação em arco para o canto inferior do segundo poste (63’). Com o resultado encaminhado e as substituições esgotadas por volta dos 70 minutos, o jogo despiu-se de motivos de interesse. Asfixiado, o Tondela teve que contentar-se com um remate de Heliardo (39’) como único lance de algum perigo, mas Casillas estava bem colocado para uma defesa segura.

Os portistas deram-se mesmo ao luxo de procurar embelezar em demasia algumas jogadas já na recta final do encontro, mas sem sucesso. Nuno Espírito Santo poupou unidades-chave – Danilo Pereira e Brahimi – para o próximo jogo, dando minutos nomeadamente a Otávio e Layún – este entrado aos 69’ –, que regressavam de lesões. Sobre o apito final uma triangulação na área entre os suplentes utilizados deu o último golo da noite. Layún assistiu de cabeça, Óliver Torres amorteceu atrasado e Diogo Jota rematou com convicção.

O FC Porto é novamente líder momentâneo, aguardando pelo desfecho da jornada para saber se acontece uma cambalhota no topo da classificação.

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por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 18.09.16

Liga NOS, 5.ª jornada – CD Tondela 0-0 FC Porto – Pedra no sapato

O Tondela participa nesta edição da Liga NOS quase por acaso. Virtualmente condenado à descida durante longos meses, um milagre na recta final da temporada permitiu-lhe assegurar a permanência no photo finish, mas apesar da sua curta existência ao mais alto nível, o Tondela já é uma pedra no sapato do FC Porto. Tão grande como as visitas ao caldeirão dos Barreiros. Em três jogos, o FC Porto marcou apenas um golo aos beirões, e sofreu mesmo uma derrota caseira na segunda volta de 2015/16.

Tal como no jogo da Liga dos Campeões, o FC Porto denotou dificuldades em visar a baliza contrária. Quer jogue com um ou com dois pontas-de-lança, as redes do adversário estão sempre lá longe no horizonte, e a bola passa poucas vezes pela zona de todas as decisões. Quando passou, a finalização ficou aquém do exigido, nomeadamente quando Depoitre, solto em frente à baliza, cabeceou fraco e sem pontaria, algures nos primeiros minutos da segunda parte. Na melhor – talvez a única – oportunidade do Tondela, Jhon Murillo obrigou Casillas a ser decisivo, depois de ultrapassar o estreante Boly e ficar com o golo à sua mercê. No último quarto de hora o FC Porto ainda construiria um ou outro lance de perigo, mas aí foi o guardião tondelense a brilhar, negando uma investida de Adrián López e fechando a porta a André Silva. Antes, aos 73 minutos, aquela que seria a oportunidade mais clara de todas as do FC Porto foi travada pelo árbitro Hugo Miguel, que não deu lei da vantagem quando Adrián López seguia isolado para a baliza; o juiz interrompeu o jogo para admoestar um jogador do Tondela, beneficiando claramente o infractor, apesar do cartão exibido.

Sem ter conseguido marcar, o FC Porto fica dependente do que façam os outros grandes e o Braga – que visita a Luz – para saber as linhas com que se coserá nas jornadas seguintes.

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por Miran Pavlin às 21:45

Quinta-feira, 26.05.16

CD TONDELA 2015/16

A I Liga não via nada assim desde o Rio Ave de 1996/97. Com oito jogos por disputar, o Tondela estava a 11 pontos de distância do 16.º lugar, portanto praticamente condenado à despromoção. O que se seguiu não estava nas previsões de ninguém; talvez só estivesse mesmo nos sonhos mais loucos dos seus adeptos. Nessas oito partidas, o Tondela somou nada menos que 17 pontos – só Benfica e Sporting fizeram melhor nesse período – e terminou a festejar uma permanência conseguida à justa. Foi uma recuperação tão ou mais sensacional que o 5.º posto obtido pelo Arouca.

É quase impossível explicar como o Tondela conseguiu inverter a tendência que o acompanhou desde o início da época. A equipa conheceu três treinadores e teve sequências de 14 e depois 9 jogos sem vencer, e de 24 a sofrer golos, além de 22 jornadas como lanterna vermelha e 20 derrotas, mais que qualquer outra equipa. É certo que o Tondela deu um ar de sua graça aqui e ali, nomeadamente através da vitória em Vila do Conde (2-3) à jornada 15, e do empate em Alvalade (2-2) três rondas mais tarde, mas face aos números que a equipa trazia, era difícil não encarar esses resultados como um acaso.

A primeira vez em que o Tondela foi verdadeiramente feliz ocorreu então nessa jornada 27. A perder por 0-2 com o Belenenses, o Tondela conseguiu igualar já nos descontos. Na semana seguinte deu-se o escândalo do ano na I Liga, com a vitória no Dragão (0-1), graças a um pedaço de arte de Luís Alberto. A avaliar pelas reacções ao jogo, foi o desventurado FC Porto que o perdeu, não o Tondela que o ganhou.

E se ainda não era possível ver as coisas dessa forma, o Tondela fez com que fosse, prosseguindo com uma vitória sobre o igualmente aflito União (1-0), antes de perder em Braga (3-0) na jornada 30. Precisando agora de seis pontos quando faltavam jogar 12, seria o fim da linha para os beirões? Nada disso. Seguiu-se uma vitória diante de outro aflito, no caso o Setúbal (0-1), um empate com o Rio Ave (1-1), e um impressionante triunfo em Paços de Ferreira (1-4). Na derradeira jornada o Tondela ainda esteve com o coração nas mãos durante alguns minutos, mas a conjugação da sua vitória por 2-0 sobre a Académica com os outros resultados ditou então a permanência.

Foi como se a temporada do Tondela se assemelhasse a um dia de Março, chuvoso de manhã e soalheiro à tarde. Enquanto não encontraram a fortuna, os tondelenses foram coleccionando derrotas pela margem mínima – nada menos que 13, com a mais inglória de todas a surgir na jornada 23, na qual estiveram a perder com o Marítimo por 0-2 (33’), deram a volta (85’), mas acabaram derrotados por 3-4. Ao fim de sete jornadas – e quatro pontos somados – estalava o chicote pela primeira vez, com Vítor Paneira a ceder o lugar a Rui Bento.

Com Bento ao volante o Tondela despistou-se nas duas Taças no espaço de poucos dias. A 10 de Outubro saiu da Taça da Liga nas grandes penalidades contra o Nacional; oito dias depois foi eliminado da Taça de Portugal ao perder frente ao secundário Gil Vicente (2-1). Sem conseguir recuperar no campeonato, Rui Bento foi também ele afastado, após a 12.ª jornada.

O central Pica foi figura central da equipa, passe o pelonasmo, ao marcar quatro golos. Três deles valeram sete pontos; o último, na jornada de fecho, abriu caminho à manutenção. Nathan Júnior marcou 13 golos, Chamorro marcou o golo que valeu o empate em Alvalade, e Kaká foi a voz da experiência numa defesa muito massacrada. Luís Alberto marcou o primeiro golo de sempre da equipa na I Liga, com Jhon Murillo e Lucas Souza a mostrarem-se a epaços.

A época de estreia do Tondela na I Liga foi inesquecível, tanto pelos bons como pelos maus motivos. Só um louco arriscará agora um prognóstico para o segundo ano.

 

Treinador

O que terá passado pela cabeça de Petit para abandonar a luta pela manutenção do Boavista, e duas jornadas depois ter a seu cargo a luta de outro emblema ainda mais mal classificado? Demorou algum tempo, mas o antigo médio acabaria por justificar a troca – não sem antes ser derrotado pelo próprio Boavista (1-2), na 19.ª jornada –, entrando assim na história do clube. Petit foi o único técnico que esteve ao comando de duas equipas nesta edição da I Liga. Já o Tondela termina a época tendo sido orientado por três antigos internacionais portugueses.

 

 

Contas finais

Campeonato: 16.º lugar, com 8v, 6e, 20d, 34gm, 54gs, 30pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

03.01.2016, jornada 15 – primeira vitória de sempre fora de casa na I Liga (2-3 em Vila do Conde);

03.04.2016, jornada 28 – vitória por 0-1 sobre o FC Porto. A primeira da história do Tondela frente a um grande.

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por Miran Pavlin às 19:00

Segunda-feira, 04.04.16

Liga NOS, 28.ª jornada – FC Porto 0-1 CD Tondela – Matemática

Tinha passado tanto tempo sobre o último jogo, que até parecia que este era o início de uma nova temporada. Bastaram alguns minutos para que se percebesse que não; ainda se trata efectivamente da época 2015/16. Por esta altura já os leitores portistas mais acirrados estarão a questionar se a conversa fiada com que este que vos escreve iniciou o texto servirá para assobiar para o lado, fazendo de conta que nada de extraordinário se passou. Nada disso. O que se viu sobre o relvado do Dragão foi uma amostra do quão inconstante este FC Porto consegue ser. Esta derrota torna até difícil acreditar como terá sido possível que os dragões tenham vencido na Luz, há sensivelmente mês e meio, ainda para mais de reviravolta.

Se no papel esta parecia ser uma jornada tranquila, a verdade é que o FC Porto recebia um adversário não só sem margem para perdas de pontos, mas também com o seu estatuto de primodivisionário conservado apenas pela matemática. Ser último classificado com onze pontos de distância para o primeiro lugar a salvo da descida não é, de facto, bom prenúncio. Mas talvez tenha sido isso a libertar o Tondela de quaisquer amarras que pudessem prender o seu futebol.

Sujeito a uma pressão enorme quando defronta adversários “do seu campeonato”, aqui o Tondela não tinha nada a perder, pelo que nem sequer pensou em estacionar o autocarro à frente da sua baliza, jogando o jogo pelo jogo. O FC Porto, por seu turno, apresentou-se lento e com poucas ideias, talvez esperando que mais cedo ou mais tarde o golo aparecesse, o que veio mesmo a acontecer, mas nas redes de Casillas (59’), através de um chapéu de Luís Alberto. E pode até dizer-se à boca cheia que foi um golaço.

A derrota foi apenas a ponta do iceberg de razões que não deixam alternativa ao FC Porto senão tapar a cara de vergonha. É inadmissível que os jogadores tenham abordado o desafio de forma tão leviana, tendo em conta o caminho que os azuis-e-brancos vêm trilhando. O Tondela construíu diversos contra-ataques perigosos, que deixaram bem exposta a fragilidade de um FC Porto que sofre golos em casa pela quarta vez consecutiva na I Liga.

Por muito inaceitável que seja uma equipa que contava três vitórias em toda a época sair do Dragão com os três pontos, no fundo o Tondela fez o que não conseguiu fazer contra quase todos os restantes emblemas. Não disponho de compêndios que me permitam aferir se esta foi a primeira vez que o FC Porto perdeu em casa com um último classificado, numa fase tão adiantada da competição. E se o Tondela entrou no jogo agarrado à matemática, no final também o FC Porto fica agora à espera que se esgotem as hipóteses matemáticas. Os dragões ficam a nove pontos do topo, quando faltam disputar 18, agora também com o apuramento directo para a Liga dos Campeões em risco.

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por Miran Pavlin às 22:15

Sábado, 28.11.15

Liga NOS, 11.ª jornada – CD Tondela 0-1 FC Porto – Roda da sorte

A partir de agora é oficialmente impossível perceber as leituras que Julen Lopetegui faz dos jogos. Se no encontro com o Dinamo Kiev uma das substituições deixou muitos a coçar a cabeça, que dizer então das alterações efectuadas pelo técnico frente ao Tondela? Aos 68 minutos Lopetegui tirou um central (Marcano) para fazer entrar um médio defensivo (Ruben Neves); nove minutos mais tarde foi a vez de um extremo (Brahimi) ceder o lugar a… um central (Maicon). Isto depois de já ter trocado Bueno, que jogou nominalmente a dez, para lançar Tello, recuando André André, até aí utilizado como extremo improvisado. Danilo Pereira também circulou entre trinco e central, ao sabor dos devaneios de Lopetegui.

Confuso? Não é para menos. Por estes dias, jogar no FC Porto é o mesmo que estar na roda da sorte ou na tômbola do Euromilhões. Tanto os jogadores como os observadores não sabem quem vai jogar, nem onde. E com tantos nomes a andar à roda continua a ser impossível que o FC Porto construa um onze-base. O problema já vem da época passada.

O jogo propriamente dito é fácil de explicar. A exibição do FC Porto foi muito cinzenta e o resultado definiu-se em dois momentos. Mesmo cercado por três homens do Tondela, Brahimi teve um lance de génio ao 28 minutos, rematando em arco, ao ângulo, para um grande golo. No minuto 82 foi Casillas a ser decisivo, agora pelos melhores motivos, detendo a grande penalidade cobrada por Chamorro. Passado o susto, ficou o desagrado dos adeptos portistas presentes em Aveiro, que a dado momento chegaram mesmo a entoar cânticos pouco abonatórios para a equipa.

Em ano de estreia na I Liga, e acabados de cair para o último lugar da tabela, os tondelenses estão a sentir o peso do salto competitivo e pouco perigo conseguiram criar, o que ainda deixa mais exposta a falta de assertividade dos azuis-e-brancos. Ou melhor, dos castanhos.

O FC Porto sai com os três pontos, é certo, mas chega ao final de Novembro na mesma encruzilhada em que se encontrava no ano passado por esta altura. Mesmo descontando o jogo que têm em atraso, os dragões perseguem a liderança, têm um onze titular em constante experimentação, com o respectivo preço em termos de produtividade, e parecem ter plantel mas não equipa. Não se nota nos jogadores aquele espírito de grupo que existiu em outras temporadas, nem os jogadores parecem dar as mãos em busca do objectivo comum. As referências para que tal aconteça são também elas poucas, ao ponto de o capitão esta noite ter sido Herrera.

Tendo ainda a continuidade na Liga dos Campeões em sério risco, Julen Lopetegui tem poucas escapatórias para aguentar outro ano a correr atrás do prejuízo. Ter entrado num FC Porto em convalescença de um terrível 2013/14 não terá sido benéfico para que o técnico se acomodasse da melhor forma, mas este é já o seu segundo ano e ainda não são claros quais os seus princípios de jogo. Aguardam-se ansiosamente as cenas dos próximos capítulos.

Numa nota final, Lopetegui foi expulso do jogo (36’). Maxi Pereira executou um lançamento lateral e o árbitro Manuel Mota invalidou-o e deu posse de bola ao Tondela. As imagens televisivas mostram o treinador a acenar para dentro do campo com um ar irónico. Na conferência de imprensa pós-jogo Lopetegui disse estar a passar indicações para um jogador, mas o juiz assim não entendeu. Até que saia o relatório, é a minha palavra contra a tua.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 07.06.15

Bem-vindos

2015/16 vai marcar a estreia do Tondela (na foto) entre os grandes. Seja bem-vindo! É sempre bom ver caras novas.

O outro promovido é o União da Madeira, que disputará a sua sexta época no escalão máximo, onde não estava desde 1994/95. Bem-vindo de volta! Desde 1990/91 que não havia três equipas da Madeira na I Liga.

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por Miran Pavlin às 15:55



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