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CORTE LIMPO


Sábado, 25.08.18

Liga NOS, 3.ª jornada - FC Porto 2-3 Vitória SC - Brincar com o fogo

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O aviso da semana anterior não foi suficiente. De tal forma, que quando o FC Porto abriu os olhos a valer já era tarde demais. E os milagres não acontecem em todos os jogos. Por muito que no FC Porto nenhuma derrota possa ser desvalorizada, vendo-a pelo lado positivo é preferível que tenha acontecido agora do que numa fase mais adiantada da época, onde os pontos contam, eles próprios, a valer. Independentemente do gosto que tenha ficado na boca depois do apito final, todos têm que concordar que se tratou de um bom jogo. Os dragões entraram com posse de bola e inclinados para a frente, mas o Vitória não se deixava ficar. A cada investida dos azuis-e-brancos os conquistadores respondiam com tranquilidade, tanto na saída de bola como no uso que cada jogador fazia dela. Havia tempo e à-vontade para fazer uma pequena finta logo após recuperar a bola e espaço para procurar criar jogadas de corpo inteiro, o que porventura denota uma certa falta de intensidade do FC Porto. A verdade, contudo, é que os da casa controlavam as operações. O golo inaugural chegou ao minuto 37, por Brahimi, numa fotocópia do golo de Herrera na Luz na época passada. Aqui, o argelino fez a tabela vertical com André Pereira antes de rematar com fogo para o fundo da baliza. O segundo golo demorou seis minutos a aparecer, agora por André Pereira, que desviou, ao primeiro poste, um livre lateral de Alex Telles. O avançado portista estava inequivocamente em fora-de-jogo. Qual não foi o espanto quando o árbitro Fábio Veríssimo mandou seguir com pontapé de saída. Como podia o vídeo-árbitro não ter visto?! A justificação chegaria durante o intervalo: o VAR estava indisponível, por motivos técnicos, desde os quinze minutos de jogo. É possível que o árbitro assistente Valdemar Maia tenha preferido resguardar-se, deixando a responsabilidade para o VAR, mas o tiro saiu pela culatra, e acaba por ser o próprio assistente a ficar muito mal na fotografia. Até porque era um lance de bola parada.
O Vitória deixou um aviso ainda antes do intervalo, numa subida ao ataque que terminou num remate pouco ao lado de André André (45'+1'), mas seria na segunda parte que os vimaranenses mostrariam sem margem para dúvidas que ainda acreditavam que podiam retirar alguma coisa positiva deste jogo. O FC Porto baixou claramente de intensidade, permitindo aos visitantes ter ainda mais tempo e espaço para desenvolver jogadas. Ao minuto 63 Ola John aproveitou-se de um carrinho de Sérgio Oliveira para forçar uma grande penalidade que André André converteu. Os dragões, aparentemente, não levaram a sério o toque. Não só já tinham perdido Brahimi por lesão (51'), como trocaram Aboubakar por Marega imediatamente antes de o penálti ser batido, o que se traduzia num desinteresse pela parte ofensiva do jogo. E a margem mínima nunca - mas nunca - é um porto seguro. O FC Porto continuava, ainda assim, a chegar perto da área, mas o Vitória também; e com mais moral, pois tinha sido o último a marcar. Até que o golpe de teatro começou a materializar-se. Douglas pousou a bola nos pés de André André, o médio percorreu os muitos metros de espaço livre que tinha, ao passar a linha de meio campo lateralizou para Florent, que tinha também muito espaço para avançar, e o francês centrou para Tozé, sozinho, atirar cruzado para o empate (76'). Há mérito na forma como os homens do Guimarães construíram a jogada, mas talvez o FC Porto não tenha pressionado como devia. O pior, contudo, estava para vir. A três minutos da compensação os dragões limitaram-se a ver jogar e pagaram com o golo de uma reviravolta poucas vezes vista. Após um lançamento lateral para a pequena área, Welthon atrasou para Davidson, que pôde rematar em posição privilegiada e sem qualquer oposição.
Só aqui o FC Porto acordou, mas Douglas fez questão de silenciar dois golos cantados com defesas monumentais a Marega e a Óliver. Douglas não se ficou por aqui e defendeu mais um golo certo, agora para o poste, com a bola a sobrar para Maxi Pereira, que falhou inacreditavelmente. Herrera também já tinha atirado ao poste, pelo que se pode dizer que talvez estivesse mesmo escrito algures que o FC Porto não poderia brincar com o fogo pelo segundo jogo consecutivo e voltar a escapar incólume. E nem se pode falar em azar, pois esse restringiu-se ao capítulo físico, como prova a saída de Corona por lesão (73'), depois de ter rendido Brahimi. O mexicano durou 22 minutos em campo. As duas substituições forçadas terão deixado Sérgio Conceição sem soluções, mas as desculpas ficam por aqui.
Sobram as curiosidades históricas e o mérito do Vitória em quebrar um jejum de 22 anos sem vencer em casa do FC Porto. Tanto o treinador, como os jogadores, como o vosso humilde escriba não conseguem fazer outra coisa senão reconhecê-lo. Incluindo todas as provas, é preciso recuar ao célebre jogo com o Artmedia na Liga dos Campeões de 2005/06 para encontrar uma cambalhota igual.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 19.08.18

Liga NOS, 2.ª jornada - Os Belenenses SAD 2-3 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:50

Sábado, 11.08.18

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 5-0 GD Chaves - Imponente

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O arranque da caminhada portista no campeonato foi tão imponente que até pareceu tratar-se de uma jornada algures a meio da prova, com a equipa já em velocidade de cruzeiro. Perdido na velha máxima de uma equipa só jogar o que a outra deixa ficou o Desportivo de Chaves, que teve efectivamente pouca bola e não conseguiu - ou não soube - criar algo de positivo quando a teve. Bem cedo ficou a perceber-se qual seria o rumo do jogo. Aboubakar ameaçou ao minuto 8, com um cabeceamento em mergulho que saiu sobre a trave, e concretizou aos 14, trabalhando bem na pequena área antes de finalizar. O lance começou em Otávio junto à bandeirola de canto e passou por uma simulação de André Pereira antes de a bola chegar ao camaronês. Ao minuto 20 surgiria o segundo golo de Aboubakar, seguramente um dos mais fáceis que alguma vez teve de marcar. O segredo da jogada esteve no passe de Sérgio Oliveira para a desmarcação de Otávio, que apanhou os transmontanos totalmente desprevenidos. Não foi o único momento em que o FC Porto descobriu linhas de passe menos óbvias, que além de confundirem o adversário eram agradáveis à vista. Em lance individual Brahimi assinou o terceiro golo, com um remate inesperado depois de ultrapassar o central flaviense Maras (45').
Desta vez não houve a gestão de esforço tantas vezes levada a cabo quando tudo parece estar decidido. O FC Porto voltou do intervalo com a mesma atitude e criou perigo logo na bola de saída, em jogada de insistência com alguma confusão na área. As jogadas com princípio, meio e fim sucediam-se, mas seria preciso esperar até ao minuto 71 para ver um golo, agora por Corona, que interceptou um passe junto ao círculo de meio campo e cavalgou imparável até à festa. Os homens do Chaves limitaram-se a ver o mexicano avançar, diga-se. Corona tinha entrado apenas quatro minutos antes, para o lugar de André Pereira. Pouco depois do quarto golo iria a jogo Adrián López, que assim dava início à sua terceira tentativa de afirmação no FC Porto. O terceiro suplente utilizado seria Marius, que entrou aos 81 minutos e precisou de apenas sete para marcar. No lugar certo à hora certa, o chadiano estava onde era preciso para emendar de cabeça um remate transviado de Sérgio Oliveira.
Mesmo tentando colocar-nos do lado dos flavienses, é impossível questionar a justiça desta manita. Cinco golos que, no fundo, não valem mais que três pontos. O Chaves pode desde já colocar para trás das costas um dos três jogos teoricamente mais difíceis que cada equipa tem que fazer em cada campeonato português. Do outro lado, se os dragões não ganharam uma moral extra, pelo menos mantiveram a que já traziam.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 04.08.18

Supertaça Cândido de Oliveira - FC Porto 3-1 CD Aves - Velho hábito

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Sérgio Conceição sucede a Paulo Fonseca. Vejam bem, portanto, há quanto tempo o FC Porto não ganhava o direito de discutir a Supertaça portuguesa. Enquanto os dragões retomavam o velho hábito de iniciar oficialmente uma nova época no jogo dos campeões, houve outro hábito que não se perdeu: o de o vento que entra pela janela de transferências mexer com a psique dos jogadores. No caso presente a vítima foi Marega, que não ficou satisfeito perante a recusa do FC Porto em considerar a proposta que o West Ham apresentou. O treinador foi firme na resposta. Não só não convocou o maliano, como nem sequer o levou para Aveiro. Em seu lugar alinhou André Pereira, resgatado durante o defeso do empréstimo ao Vitória de Setúbal. Novidades apenas mais uma: Diogo Leite fez dupla com Felipe no centro da defesa. Não havia, de resto, um único reforço nos 18 convocados para o encontro, o que pode ter duas leituras. Ou foi a confirmação de que Sérgio Conceição não ficou mesmo nada satisfeito com as movimentações do clube no mercado, ou continuam a faltar verbas para trazer um ou outro jogador mais sonante.
De uma forma ou de outra, certo é que neste arranque de época o FC Porto mantém o núcleo dos jogadores que três meses antes se sagraram campeões - só o fecho da janela confirmará se Ricardo e Marcano foram as únicas saídas de vulto. O que não quer dizer que o FC Porto tenha encontrado via aberta, pois o próprio Aves também segurou muitos dos nomes que o conduziram ao grande feito que lhe permitiu estar nesta partida. Aboubakar foi o autor do primeiro perigo oficial da temporada, com um remate rasteiro que Beaunardeau defendeu para canto (5'), mas o primeiro golo seria mesmo dos avenses, num remate igualmente bom de Cláudio Falcão (14'). O brasileiro atirou de primeira, na insistência, após ressalto no árbitro, nem mais. Casillas não terá visto a bola partir. A vantagem moralizou a formação do Aves. O equilíbrio mantinha-se, e nem o golo do empate (25') quebrou a crença da equipa de José Mota. Uma tabelinha entre Aboubakar e Brahimi deixou este último frente a frente com o golo, com o argelino, no último momento, a colocar sob o corpo do guardião avense. Seria a última acção relevante de Brahimi no jogo, pois uma lesão forçou à sua troca por Corona (39'). Era, também, reflexo da dureza com que se ia jogando. Particularmente do lado do Aves, que abusou das entradas de sola mas chegaria ao final do encontro empatado a dois em cartões amarelos. Ao intervalo talvez o Aves merecesse estar em vantagem, pelo trabalho que deu a Casillas, mas tinha que se contentar com a igualdade.
O reatamento não trouxe aberturas. O Aves não queria arriscar perder o que tinha alcançado e o FC Porto ia sentindo o peso da responsabilidade inerente à sua dimensão. Embora o marcador já assinalasse 1-1, o jogo tinha-se tornado num daqueles em que quem marcasse, ganhava. E seria o improvável Maxi Pereira a desempatar (68'), com um remate quase sem ângulo, pelo meio das pernas de Beaunardeau, após ter acompanhado um ataque rápido de Corona. A chamada dança das substituições começou nesse momento, sinal de que tanto um treinador como o outro não teriam a maior das certezas sobre aquilo que o jogo poderia dar. Por essa altura já Conceição via o jogo da bancada, por protestar um lance em que Herrera acabou a sangrar do sobrolho após acção de Jorge Felipe. Óliver foi então a jogo no lugar de André Pereira (71'), ao passo que no Aves entrava Michel Douglas para o posto de Braga (69').
O golo deu ao FC Porto o espírito de que precisava para assegurar a vitória, que ficou a um passo quando Corona rematou certeiro, de longe, aproveitando o espaço dado pela defensiva contrária (84'). José Mota jogou mais algumas fichas com as entradas de Fariña e Mama Baldé, mas já não foi a tempo de relançar a partida. Haveria ainda espaço para mais um amargo de boca com contornos físicos do lado do FC Porto. Entrado aos 75 minutos em substituição de Aboubakar, Soares durou pouco mais de dez minutos até uma lesão na virilha o deixar fora do jogo. As consequências para o jogo foram mínimas, mas o caso muda de figura quando se pensa que foi a segunda baixa em menos de 90 minutos e que a bola não vai parar de rolar tão cedo.
Independentemente dessas contrariedades, ninguém - afecto ao FC Porto, claro - deixou de festejar a conquista da 21.ª Supertaça do palmarés dos dragões. Tratando-se da quadragésima edição da prova, o FC Porto tem agora mais triunfos que todos os outros vencedores juntos.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sexta-feira, 20.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO H

19 Junho - Saransk - Colômbia 1-2 Japão (Quintero 39')(Kagawa g.p. 6', Osako 73')

Nota: 4

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Dificilmente a Colômbia podia ter entrado pior em prova. Logo ao terceiro minuto Carlos Sánchez deu mão na bola em plena grande área e foi expulso. O Japão converteu o castigo mas nem por isso teve vida facilitada nos minutos seguintes. Embora com mais ganas que critério, os cafeteros acabaram mesmo por igualar, num livre directo que Quintero fez passar sob a barreira. O peso da inferioridade numérica colombiana só se faria sentir após o intervalo. Os samurai azuis, ainda assim, precisaram de várias oportunidades até finalmente marcar, por Osako, que desviou de cabeça um canto batido na esquerda. Mais um golo-fetiche do Mundial 2018.

 

19 Junho - Moscovo (Spartak) - Polónia 1-2 Senegal (Krychowiak 86')(Cionek p.b. 37', Niang 60')

Nota: 4

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A tradição polaca de entrar em falso em fases finais de Mundial mantém-se. Desta feita, foi o Senegal a dar um amargo de boca à Polónia, com uma exibição a fazer lembrar as da geração que levou o país aos quartos-de-final em 2002. Velozes sempre que surgia a oportunidade de sair para o ataque, os leões de Teranga colocaram a Polónia em apuros várias vezes, até que já perto do intervalo um remate especulativo de Gueye desviou no central Cionek para o primeiro golo. O segundo nasce de um atraso despropositado de Krychowiak, ao qual o guarda-redes Szczesny acorreu ainda mais despropositadamente, desguarnecendo a baliza. Estava um defesa a chegar também à bola e a saída do guardião atrapalhou-os mutuamente. Aproveitou Niang, que se intrometeu, saiu com a bola e só teve que empurrar. O Senegal recuou um pouco e a Polónia acabaria por marcar já na recta final. A proverbial reacção tardia.

 

24 Junho - Ekaterinburg - Japão 2-2 Senegal (Inui 34', Honda 78')(Sadio Mané 11', Wagué 71')

Nota: 4,5

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Os vencedores da primeira jornada tropeçaram um no outro, repartindo os pontos num jogo muito agradável de seguir, no qual a busca do golo foi uma constante e os tempos mortos foram poucos. Afinal de contas, quem ganhasse ficaria com o apuramento para os oitavos-de-final virtualmente garantido. O Senegal esteve por duas vezes em vantagem, mas em ambas sofreu resposta nipónica na mesma moeda. As equipas ficam assim na periclitante posição em que estão um degrau mais perto do objectivo mas ainda não garantiram nada.

 

24 Junho - Kazan - Polónia 0-3 Colômbia (Mina 43', Falcao 70', Cuadrado 75')

Nota: 4

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A Colômbia rectificou a derrota no primeiro jogo através de uma exibição muito convincente. Um pouco à semelhança do seu próprio jogo inaugural, a Polónia não trouxe ideias concretas sobre o que fazer com a bola, ficando assim refém de uma Colômbia com mais fio de jogo. Os cafeteros criaram perigo, mas só marcariam em cima do intervalo, num canto desviado por Mina. O futebol mais físico dos polacos mantinha-os na discussão, mas faltavam no meio-campo referências capazes de servir Lewandowski em condições. A estocada final deu-se em cinco minutos logo após o meio da segunda parte. Era o coroar da exibição dos sul-americanos. Quase sem aquecer o lugar, a Polónia já sabe que está fora do Mundial.

 

28 Junho - Volgograd - Japão 0-1 Polónia (Bednarek 59')

Nota: 3

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Tal como em 2002 e 2006, a Polónia fechou a sua participação no Mundial com uma vitória depois de duas derrotas sem brilho. Um golo foi quanto bastou. Mesmo derrotado, o Japão passa aos oitavos-de-final, na aplicação do critério de desempate relativo à disciplina, por ter visto menos dois cartões amarelos que o Senegal. Na verdade, os nipónicos brincaram com o fogo ao longo de praticamente todo o jogo, já que pouco fizeram para justificar, pelo menos, um triste empate a zero. De resto, com este resultado bastava que a outra partida tivesse terminado empatada para que o destino dos samurai azuis fosse bem diferente...

 

28 Junho - Samara - Senegal 0-1 Colômbia (Mina 74')

Nota: 3
O nervosismo foi a nota dominante de um encontro em que ambas as equipas tinham em cima da mesa o seu futuro na prova. Por momentos, chegou até a parecer que os dois jogos finais deste grupo decorreram em função do que ia acontecendo no outro. O golo polaco na outra partida conjugado com o 0-0 vigente aqui colocava senegaleses e colombianos na fase seguinte, mas, nunca fiando, a Colômbia optou por ficar a salvo de complicações de última hora - apurar-se-iam na por vezes traiçoeira diferença de golos face ao Japão - e Mina voltou a aproveitar um canto para abrir o marcador. O segundo golo do central neste torneio encaminhava o Senegal para a porta de saída e só aí a equipa se soltou, mas o coração foi maior que a cabeça na hora de definir o ataque.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quinta-feira, 19.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO G

18 Junho - Sochi - Bélgica 3-0 Panamá (Mertens 47', Romelu Lukaku 69', 75')

Nota: 3

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Há dois prismas por que se pode analisar este jogo: uma Bélgica superior venceu um Panamá que pisava território desconhecido; ou então tratou-se da única figura de proa deste Mundial que realizou uma exibição convincente até ao momento. Só na abertura tinha havido um resultado mais desnivelado, o que diz bem das capacidades dos diabos vermelhos. No entanto, foi só na segunda parte que os belgas deixaram à vista os seus pergaminhos, dando assim continuidade à impressionante forma exibida durante a qualificação.

 

18 Junho - Volgograd - Tunísia 1-2 Inglaterra (Sassi g.p. 35')(Kane 11, 90'+1')

Nota: 3

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A Tunísia viveu momentos de pesadelo no seu regresso à fase final doze anos depois da última presença. Sufocante, a Inglaterra teve várias oportunidades flagrantes para resolver o jogo antecipadamente, mas chegou ao intervalo com uma igualdade a uma bola. O golo tunisino, de grande penalidade, era o seu único remate à baliza até aí. Até final os norte-africanos não voltariam a conseguir rematar ao alvo, mas não permitiram as mesmas veleidades aos três leões, e defenderam a igualdade com tudo o que tinham. Faltou apenas um último esforço. Em mais uma tentativa inglesa, já nos descontos, Kane ficou esquecido junto ao segundo poste e só teve que encostar. Foi justo, mas doloroso para a Tunísia.

 

23 Junho - Moscovo (Spartak) - Bélgica 5-2 Tunísia (Eden Hazard g.p. 6', 51', Romelu Lukaku 16', 45'+3', Batshuayi 90')(Bronn 18', Khazri 90'+3')

Nota: 4
O resultado diz tudo sobre o que foi o jogo. A Tunísia nunca deixou de lutar, valorizando o espectáculo, mas a Bélgica foi forte demais. As águias de Cartago tiveram que fazer duas substituições forçadas antes do descanso, o que certamente mexeu com a sua estratégia, e o primeiro golo belga acontece de grande penalidade, mas a Bélgica fez por justificar o avolumar do marcador. Em cima do apito final Khazri acrescentou um golo à conta tunisina. Um justo prémio.

 

24 Junho - Nizhny Novgorod - Inglaterra 6-1 Panamá (Stones 8', 40', Kane g.p. 22, g.p. 45'+1', 62', Lingard 36')(Baloy 78')

Nota: 3,5
Foi como se um furacão varresse a equipa do Panamá. É verdade que houve dois penáltis pelo meio, mas chegar ao intervalo a vencer por 5-0 dificilmente tem contestação. Após o intervalo a Inglaterra abrandou, permitindo ao Panamá ter mais bola e tentar a sua sorte. O momento do jogo surgiria já depois de Kane ter feito o sexto golo inglês, quando Baloy apontou o primeiro golo canalero numa fase final de Mundial. Os panamianos festejaram como se fosse o 0-1. A vitória inglesa entregou o apuramento para os oitavos-de-final também à Bélgica.

 

28 Junho - Kaliningrad - Inglaterra 0-1 Bélgica (Januzaj 51')

Nota: 3
A constituição das equipas não deixava dúvidas: a hora era de gestão, antes dos grandes desafios da fase a eliminar. O caminho para um sensaborão 0-0 estava aberto, mas a verdade é que assim não foi. Certamente desejosos de mostrar alguma coisa aos seus técnicos, os jogadores não estiveram em campo apenas a passar tempo e procuraram vencer o jogo. Até porque estava em disputa o primeiro lugar do grupo. Foi mais feliz a Bélgica, a quem um golo bastou para decidir o encontro.

 

28 Junho - Saransk - Panamá 1-2 Tunísia (Meriah p.b. 33')(Fakhreddine Ben Youssef 51', Khazri 66')

Nota: 3,5
Panamá e Tunísia cumpriram calendário, num jogo que não oferecia mais que a possibilidade de não terminar em último. Os canaleros foram os primeiros a chegar ao golo, mas na segunda parte foram incapazes de segurar a vantagem. A Tunísia deu a volta ao resultado num espaço de quinze minutos. O jogo foi a valer até ao fim. No fundo, as equipas jogaram como se tivessem o apuramento em discussão, valorizando muito o espectáculo.

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por Miran Pavlin às 13:30

Quinta-feira, 19.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO F

 

17 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Alemanha 0-1 México (Lozano 35')

Nota: 4,5

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Eis a primeira grande surpresa, ao quarto dia de Mundial: o México bateu a campeã em título Alemanha. Se no marcador um golo bastou, sobre a relva foi necessário que os mexicanos resistissem às inúmeras tentativas germânicas de reverter o resultado - foram, tão só, 37 os remates tentados pela Alemanha. Quer isto dizer que o México passou bastante mais tempo a defender, mas o veneno que el tri colocou em cada contra-ataque ajuda a justificar o triunfo. Ao ponto de se poder mesmo dizer que os mexicanos deixaram golos por marcar. Valeu Lozano. E Ochoa, pois...

 

18 Junho - Nizhny Novgorod - Suécia 1-0 Coreia do Sul (Granqvist g.p. 65')

Nota: 2,5

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É preciso recuar a 1958 para encontrar a última vez em que a Suécia entrou a ganhar num Mundial. Face ao domínio que exerceram num encontro em que a Coreia do Sul não conseguiu usar da melhor maneira a velocidade que é sua imagem de marca, os nórdicos poderiam ter sentenciado o jogo de outra forma, mas sucumbiram àquilo que já são fetiches deste Mundial: os golos de bola parada e o chamado golo solitário. Incluindo este, dos doze jogos disputados até ao momento, precisamente metade tiveram um único golo.

 

23 Junho - Rostov-do-Don - Coreia do Sul 1-2 México (Heung-Min Son 90'+3')(Vela 26', Javier Hernández 66')

Nota: 3
O primeiro grande objectivo dos mexicanos está conseguido, graças a uma justa vitória sobre uma Coreia do Sul mais enérgica que na estreia, mas que não conseguiu forçar desequilíbrios na defesa adversária. Os coreanos ainda foram a tempo de saborear um golo cosmético, que deixa para história um resultado que não reflecte as incidências do jogo. Enquanto o México já está apurado, a Coreia do Sul está por um fio, e será mesmo eliminada caso a Suécia vença no outro jogo do grupo.

 

23 Junho - Sochi - Alemanha 2-1 Suécia (Reus 48', Kroos 90'+5')(Toivonen 32')

Nota: 5

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Talvez ainda abalada pela entrada em falso, depressa a Alemanha se via num daqueles jogos que exigem suor para arrancar o resultado. Os suecos defendiam com unhas e dentes e expunham mais uma vez a vulnerabilidade alemã aos contra-ataques. O golo de Toivonen, de contra-ataque, podia não ter sido o único da Suécia até ao intervalo. Esperava-se uma reacção da Mannschaft no reatamento, e ela apareceu, um tanto ou quanto aos trambolhões, logo ao terceiro minuto. A Suécia, porém, nunca desarmou. O golo seguinte era essencial, mas não aparecia. Já mais desgastada, a Suécia preferiu reagir à expulsão de Jérôme Boateng (82') defendendo o ponto que tinham na mão. Era um convite para a Alemanha tentar um último assomo. O tal golo essencial apareceria num livre lateral a castigar uma falta desnecessária. Quando dói mais. O ângulo era pouco mas Kroos arriscou e foi feliz.

 

27 Junho - Kazan - Coreia do Sul 2-0 Alemanha (Young-Gwon Kim 90'+3', Heung-Min Son 90'+6')

Nota: 4,5

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Com estrondo, o campeão em título caiu e está fora do Mundial. A surpresa é grande, não só porque a tarefa dos alemães não era, à partida, do outro mundo, mas também porque a equipa revelou uma ansiedade nada característica. A Coreia do Sul, que ainda tinha uma ténue hipótese de passar, não teve medo de jogar olhos nos olhos com a Mannschaft e construiu diversas oportunidades claras, mas só marcaria quando a Alemanha já tinha feito de tudo, menos acertar com a baliza. Em diversos lances, foi mesmo o central Hummels quem andou pela área contrária em busca do golo. O tento coreano só foi confirmado no vídeo-árbitro, que reverteu a decisão inicial de fora-de-jogo; a bola tinha sido jogada em último lugar pelo alemão Kroos. No desespero, Neuer saiu da baliza e integrou-se no ataque. Não no barulho da grande área, mas sim algures na ala esquerda. Como se não bastasse, alguém lhe entregou a bola, que o guardião logo perderia. A bola estava a uns 75 metros da baliza, mas um lançamento longo permitiu a Heung-Min Son empurrar para a confirmação do histórico triunfo dos guerreiros Taeguk. Uma vitória insuficiente, contudo. Já a Alemanha nunca se tinha despedido do Mundial na fase de grupos.

 

27 Junho - Ekaterinburg - México 0-3 Suécia (Augustinsson 50', Granqvist g.p. 62', Álvarez p.b. 74')

Nota: 4
Tal como a Rússia, também o México teve que descer à terra no fecho da fase de grupos. Talvez aburguesados pelos resultados anteriores, os mexicanos tiveram muitas dificuldades para contrariar a iniciativa de uma equipa sueca que precisava vencer para se apurar. O desenrolar do outro jogo acabou por retirar aos nórdicos a necessidade de se preocuparem com a diferença de golos em caso de desempate com a Alemanha, mas mesmo assim os suecos avançaram até um marcador final robusto, que os fez saltar do terceiro posto para a vitória no grupo. Atordoado, o México caiu para o segundo lugar.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quarta-feira, 18.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO E

17 Junho - Samara - Costa Rica 0-1 Sérvia (Kolarov 56')

Nota: 3

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Costa Rica e Sérvia protagonizaram um jogo de grande equilíbrio, decidido num lance de bola parada, no caso um livre directo batido com mestria por Kolarov. Embora os primeiros dez minutos tenham sido abertos, a partida logo se tornou num jogo do gato e do rato. Não espantou, portanto que se tenha resolvido de uma das formas habituais em jogos com estas características - sendo as outras um momento de génio, um auto-golo ou um ressalto feliz. Em vantagem os sérvios retraíram-se, mas os ticos não tiveram o engenho necessário para criar perigo continuado.

 

17 Junho - Rostov-do-Don - Brasil 1-1 Suíça (Coutinho 20')(Zuber 50')

Nota: 3,5

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Depois de uma fase de qualificação irrepreensível desde que Tite assumiu o comando, o Brasil encravou no arranque da fase final, diante de uma Suíça que nunca entrou em pânico perante os melhores momentos do escrete. Importa realçar que os helvéticos fizeram eles próprios uma qualificação meritória, pese embora tenham competido num grupo humilde, pelo que este empate não será assim tão surpreendente. O Brasil foi melhor na primeira parte e Coutinho assinou um golaço num remate cruzado em arco, mas depois de sofrerem o empate ainda a frio na segunda parte, os canarinhos não foram capazes de elevar o ritmo. A coesão suíça fez o resto, dando um condimento extra a um grupo que parecia resolvido de antemão.

 

22 Junho - São Petersburgo - Brasil 2-0 Costa Rica (Coutinho 90'+1', Neymar 90'+7')

Nota: 3,5

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O Brasil sofreu a bom sofrer para levar de vencida a Costa Rica, num jogo que podia ter sido resolvido bem antes dos descontos, face ao sufoco que os ticos viveram de cada vez que a canarinha avançava sobre o seu último reduto. Mas apenas na segunda parte, pois o intervalo chegou sem que houvesse algo de importante a assinalar. A Costa Rica aproveitou os intervalos da chuva para subir um pouco no terreno, mas pode dar-se por feliz por ter escapado a uma goleada. E como água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, o período de compensação traria os golos do alívio brasileiro. Duro para a Costa Rica.

 

22 Junho - Kaliningrad - Sérvia 1-2 Suíça (Mitrovic 5')(Granit Xhaka 52', Shaqiri 90')

Nota: 4

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Por muito que se quisesse fugir aos contornos políticos subjacentes ao jogo, no final não lhes era possível escapar, já que os golos do triunfo helvético foram apontados por homens de origem cosovar-albanesa. A Sérvia foi melhor ao longo de toda a primeira parte, mas a Suíça nunca esteve fora do jogo. Após o intervalo, e ainda sem se perceber qual a tendência que o jogo tomaria, os suíços empatam, num remate de ressaca de Xhaka. Um golaço, que em última instância fez com que os sérvios se atrevessem menos no ataque. Até porque um eventual empate não deixava de lhes ser mais conveniente. Para a Suíça, contudo, não o era, pelo que o jogo se manteve vivo. Mas nem sempre bem jogado. Corria o último minuto do tempo regulamentar quando um ataque rápido deixou Shaqiri isolado a caminho da baliza. A caminho do golo tão decisivo quanto político. O desfecho do encontro nada decidiu, mas a Suíça fica mais perto do apuramento.

 

27 Junho - Moscovo (Spartak) - Sérvia 0-2 Brasil (Paulinho 36', Thiago Silva 68')

Nota: 3

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O Brasil garantiu um lugar nos oitavos-de-final sem o sofrimento vivido na partida com a Costa Rica, pese embora a Sérvia não tenha sido um adversário fácil. Os balcânicos procuraram ter a bola e forçar descompensações no escrete, mas falta-lhes um ou dois elementos desequilibradores. Além de faltar um cheirinho do joga bonito associado ao Brasil - a antiga Jugoslávia chegou a ser apelidada de Brasil da Europa. Ainda assim, o Brasil acabou por nem precisar de jogar como nunca para encaminhar o jogo a seu favor. Um magnífico passe de Paulinho para a desmarcação de Coutinho deu o primeiro golo canarinho; Thiago Silva mataria o jogo ao desviar um canto, ao primeiro poste. A Sérvia foi, apesar de tudo, uma digna vencida. O Brasil venceu o grupo.

 

27 Junho - Nizhny Novgorod - Suíça 2-2 Costa Rica (Dzemaili 31', Drmic 88')(Waston 56', Sommer p.b. 90'+3')

Nota: 4
Enquanto a Suíça precisava, na melhor das hipóteses, de um ponto para seguir em frente, os ticos já estavam eliminados. A defesa da honra era o seu único propósito. E ninguém pode dizer que os costa-riquenhos não o tenham feito. Assustaram os suíços - bola ao ferro, defesa apertada de Sommer - e recuperaram de duas desvantagens, a última já ao cair do pano, num penálti que bateu na trave e na cabeça de Sommer antes de entrar. A Suíça, quiçá também jogando com o que se passava no outro jogo, fez o suficiente para não perder e segue em frente como segunda classificada do grupo.

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por Miran Pavlin às 13:30

Quarta-feira, 18.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO D

16 Junho - Moscovo (Spartak) - Argentina 1-1 Islândia (Agüero 19')(Finnbogason 23')

Nota: 4

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Não satisfeita com o brilharete no Euro 2016, a Islândia assinalou a sua estreia na fase final mundial com um empate que dá nas vistas pelo nome do adversário. Os nórdicos criaram perigo sério dentro dos primeiros dez minutos, mas seria a Argentina a abrir o activo, num bom trabalho de Agüero na área. Finnbogason aproveitou uma segunda bola junto à pequena área para igualar volvidos apenas quatro minutos, forçando a albiceleste a começar de novo. A partir daqui a intranquilidade dos homens das pampas foi notória, ficando espelhada no penálti perdido por Messi (64'), que bateu fraco e deninciado para defesa de Halldórsson. Muito física - mas leal -, a Islândia segurou o empate até final.

 

16 Junho - Kaliningrad - Croácia 2-0 Nigéria (Etebo p.b. 32, Modric g.p. 71')

Nota: 2,5
Uma Croácia firme levou de vencida a Nigéria, tirando o melhor partido do empate no outro jogo do grupo. Ainda assim, os golos surgiram de forma fortuita, com Etebo a desviar para a própria baliza um cabeceamento de um croata após canto, e com uma grande penalidade a meio do segundo tempo. Os balcânicos ainda poderiam ter elevado nos minutos finais, mas faltou acerto.

 

21 Junho - Nizhny Novgorod - Argentina 0-3 Croácia (Rebic 53', Modric 80', Rakitic 90'+1')

Nota: 4

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Ao longo da sua história em fases finais a Croácia foi coleccionando vitórias diante da fina flor do futebol internacional. Alemanha (Mundial'98, Euro 2008), Holanda (Mundial'98), Itália (Mundial 2002) e Espanha (Euro 2016); todos caíram aos pés dos croatas. Agora foi a vez de a Argentina se vergar. Personalizada, a Croácia tirou todo o partido de uma albiceleste com mais problemas que soluções. No entanto, foi preciso um erro incrível de Caballero para desbloquear o marcador. O guarda-redes colocou inadvertidamente em Rebic quando queria passar pelo ar para o lateral-direito. A partir desse momento, a Croácia avançou para números que só surpreendem quem não viu o jogo. Modric fez um golaço, num remate colocado de fora da área.

 

22 Junho - Volgograd - Nigéria 2-0 Islândia (Musa 49', 75')

Nota: 4
O encontro seguiu o padrão habitual deste Mundial: primeira parte equilibrada, com mais ou menos oportunidades para cada lado, e os golos a aparecerem apenas na segunda metade. Este jogo era uma óptima oportunidade para qualquer das equipas marcar posição na luta pelo acesso à fase a eliminar, em face das dificuldades sentidas pela Argentina. O segundo tempo foi então mais aberto, também porque a Nigéria saltou para o comando logo nos primeiros minutos. A Islândia teve bons momentos e beneficiou mesmo de uma grande penalidade (83'), mas Gylfi Sigurdsson atirou alto demais. Esse desperdício esmoreceu uma recta final que se previa electrizante, pois a Islândia estava no seu melhor momento em todo o encontro.

 

26 Junho - São Petersburgo - Nigéria 1-2 Argentina (Moses g.p. 51')(Messi 14', Rojo 86')

Nota: 4
Com o espectro da eliminação precoce bem à sua frente, a Argentina pensou ter vivido um momento talismânico quando Messi se desmarcou e inaugurou o marcador ainda cedo. Seria engano, pois a Nigéria não estava pronta para sair sem dar luta. Afinal de contas, à entrada para o jogo os nigerianos tinham três pontos contra um do adversário. Daí que a Argentina tenha sofrido a bom sofrer para se apurar, principalmente depois de as super águias chegarem ao golo através de uma grande penalidade descortinada no vídeo-árbitro. Nenhuma das equipas parecia tranquila no jogo, num equilíbrio instável que cedeu já na hora do desespero, quando Rojo, o lateral-esquerdo, imagine-se, apareceu na pequena área para finalizar um lance de insistência e colocar a Argentina nos oitavos-de-final. Foi uma repetição do encontro de há quatro anos (2-3), no qual Rojo também foi herói; desta vez em cima da hora. Messi também marcou nesse dia.

 

26 Junho - Rostov-do-Don - Islândia 1-2 Croácia (Gylfi Sigurdsson g.p. 76')(Badelj 53', Perisic 90')

Nota: 3,5

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Já com o apuramento na mão, a Croácia optou por rodar jogadores, mas nem por isso a Islândia teve a vida facilitada. A partoda demorou, contudo, a desbloquear. A partir do quarto de hora os nórdicos jogavam também com a pressão psicológica de o resultado do outro jogo lhes ser desfavorável, o que terá tolhido a equipa. A Croácia marcaria apenas na segunda parte, com Badelj a acorrer a uma segunda bola e disparar forte para o 0-1. Só encostada às cordas a Islândia procurou pegar mais firmemente no jogo e houve perigo para os croatas. O golo é que só surgiria de grande penalidade, que foi a única forma de ultrapassar o sólido bloco dos vatreni. Nas contas finais, mesmo o empate não chegava para a Islândia se apurar, mas seria um prémio merecido no culminar dos quatro anos mais improváveis de sempre do futebol islandês.

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por Miran Pavlin às 12:30

Terça-feira, 17.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO C

16 Junho - Kazan - França 2-1 Austrália (Griezmann g.p. 58', Behich p.b. 81')(Jedinak g.p. 62')

Nota: 3
A França segurou os três pontos no jogo inaugural, mas esteve longe de convencer. Talvez acusando a juventude do plantel, os bleus tiveram dificuldades em impor-se no jogo, e chegaram mesmo a apanhar um valente susto, quando um remate australiano desviado num defensor contrário por pouco não traiu Lloris. A vantagem gaulesa só chegaria no segundo tempo, na conversão de uma grande penalidade, mas logo a seguir os socceroos tiveram eles próprios um castigo máximo e Jedinak recolocou tudo na estaca zero. A Austrália voltava ao futebol especulativo, e só a má cara da França ia fazendo com que o empate fosse justo. Essa justiça foi às malvas quando um remate aparentemente inofensivo de Pogba ressaltou para o ar em Behich e ganhou um estranho efeito, batendo depois na trave e no interior da baliza. Mas apenas por um triz. A Austrália já não conseguiu responder de novo.

 

16 Junho - Saransk - Peru 0-1 Dinamarca (Yussuf Poulsen 59')

Nota: 3,5

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As duas selecções estavam de regresso após ausência. Enquanto os nórdicos não picavam o ponto desde 2010, no caso peruano a última presença na fase final do Mundial fora há já 36 anos, pelo que a ansiedade era grande. Tão grande, que Cueva tremeu na hora de bater uma grande penalidade e atirou por cima (45'). Foi a melhor oportunidade das muitas construídas pelo ataque dos incas. E como quem não marca, sofre, a máxima cumpriu-se no segundo tempo. Num rápido contra-atque, Poulsen sentenciou o jogo, premiando uma Dinamarca com menos arte que no passado, mas com a mesma disponibilidade e ainda com Schmeichel a fazer lembrar o pai. Talvez o Peru tenha sido melhor, mas acabou traído pela vertigam causada pelo palco em que jogavam.

 

21 Junho - Samara - Dinamarca 1-1 Austrália (Eriksen 7')(Jedinak g.p. 38')

Nota: 3,5

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O equilíbrio reinou num jogo entretido, em que ambas as equipas procuraram sair a jogar, se bem que nem sempre tivessem o engenho necessário para subir até à área oposta. A Dinamarca entrou melhor e marcou cedo, mas teve que lidar com a reacção australiana, que aparentemente não sentiu o golo sofrido. Notou-se contudo, a falta de uma referência ofensiva que fosse capaz de dar pelo menos um pouco do que Cahill consegue dar; e Nabbout não parece ser essa referência. O facto de três dos últimos cinco golos da Austrália na fase final terem sido de grande penalidade é sintomático dessa falta. Os outros dois foram apontados, pois, por Cahill. O empate final acaba por ser um mal menor, embora a Dinamarca respire um pouco melhor na classificação.

 

21 Junho - Ekaterinburg - França 1-0 Peru (Mbappé 34')

Nota: 3

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Os serviços mínimos bastaram para que a França carimbasse a passagem à fase seguinte, ao mesmo tempo que traçava o indesejado destino do Peru: o regresso a casa. Em virtude de uma certa falta de intensidade dos bleus, o Peru nunca esteve fora do jogo, mas mais uma vez não foi concreto na hora de definir as jogadas no último terço contrário. O mais perto que os peruanos estiveram do golo foi quando encontraram o poste. Difícil de romper, a defensiva francesa segurou a vantagem dada pelo tento solitário de Mbappé.

 

26 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Dinamarca 0-0 França

Nota: 1

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Moscovo testemunhou o mais recente exemplo daquilo que é o terror de qualquer terceira e última jornada de fase de grupos: o jogo morno que termina com um 0-0 que satisfaz as pretensões dos dois intervenientes na contenda. Já apurados, os gauleses garantiam o primeiro lugar do grupo com um ponto, ao passo que a Dinamarca, certamente com um ouvido no que se ia passando no outro jogo, não estava interessada em arriscar mais que o ponto que já tem mal o jogo começa. O perigo junto às balizas foi tão pouco que o nulo é o resultado inevitável. É, aliás, o primeiro deste Mundial, a dois dias do fim da fase de grupos.

 

26 Junho - Sochi - Austrália 0-2 Peru (Carrillo 18', Guerrero 50')

Nota: 3

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Necessitada de vencer, a Austrália entrou forte e colocou a defesa contrária em sentido um bom par de vezes. Ao primeiro relaxe, contudo, o Peru subiu ao ataque e abriu o activo, para gáudio dos muitos peruanos nas bancadas. O golpe abalou os australianos, que só conseguiriam recompor-se no arranque do segundo tempo, altura em que voltaram à carga sobre as redes de Gallese. O destino é que não voltou a querer nada com os socceroos, que viram o Peru alargar a distância novamente contra a corrente do jogo. Foi a estocada final na Austrália, que ficava só com o coração para disputar o que faltava do jogo. Tranquilizados, os peruanos ainda poderiam ter elevado o resultado para números mais pesados.

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por Miran Pavlin às 13:30



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