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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 18.04.18

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão - Sporting CP 1-0 FC Porto (a.p., 5-4 g.p.) - Adamastor

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FC Porto e Sporting gostaram tanto de se defrontar esta época, que não resistiram a mais meia hora de jogo até decidir quem ficava com o bilhete para o Jamor. No fundo, o cenário de um prolongamento tinha que estar em cima da mesa, se considerarmos que a média de golos marcados nos quatro jogos deste ano entre dragões e leões se cifrava em 1. O que vale por dizer que não era expectável que neste capítulo final a tendência se invertesse e o marcador escalasse até números invulgares, de resto como se viria a verificar. Além disso, uma vez que os clássicos entre os ditos grandes são jogos de tripla, um 1-0 para o Sporting encaixava no lote de resultados plausíveis. E assim foi.
Talvez por já estarem fartas de se conhecer mutuamente, nenhuma das equipas conseguiu surpreender a outra. Nem os treinadores inventaram formas de o fazer. O resultado foi um jogo tão desprovido de emoção, que é possível avançar o filme até ao minuto 85 sem prejudicar o estimado leitor por falta de informação. O Sporting esteve espevitado, mas apenas a espaços, enquanto o FC Porto foi pouco mais que circunspecto no seu futebol. Em face da desvantagem na eliminatória a responsabilidade estava, pois, do lado dos leões, mas os azuis-e-brancos pouco fizeram para evitar ficar em apuros. Quando Jorge Jesus trocou o lateral Fábio Coentrão pelo avançado Montero (75'), Sérgio Conceição respondeu introduzindo o mais defensivo Sérgio Oliveira no lugar de Otávio. Até aqui tudo bem, mas prosseguir tirando Óliver para colocar a trinco o central de raiz Reyes (84') era um convite a um eventual último assalto dos da casa. Meu dito, meu feito, passe a expressão. Segundos após essa substituição o Sporting beneficia de um canto, na sequência do qual Marcano acerta nas orelhas da bola ao tentar aliviar e esta sobra para Coates, que remata sem preparação, com a bola a bater no poste esquerdo de Casillas antes de entrar. O FC Porto respondeu através de um cabeceamento à trave do mesmo Marcano (87'). Ainda houve recargas, mas já havia fora-de-jogo, portanto já não contava. Foi o único lance de perigo claro dos dragões em todo o jogo. Já sem substiuições, e também sem pernas, um FC Porto que existiu pouco precisava agora de existir na plena força da vida, o que não se revelou fácil. O Sporting resistiu melhor fisicamente e o prolongamento pertenceu-lhe, mas as suas investidas foram todas travadas - sem grandes dificuldades, diga-se - por Casillas, que terá sido o melhor em campo nos 120 minutos.
E assim o FC Porto reencontrou o seu Adamastor: o desempate por grandes penalidades. Desta vez, um remate bastou para que a nau portista fosse atirada contra as rochas. Depois de Marcano confirmar que não devia ter saído de casa, ao ver a sua conversão embater no poste, as restantes nove tentativas deram todas em golo. Pelo FC Porto bateram ainda Alex Telles, Felipe, Reyes e Sérgio Oliveira; pelos leões cobraram Bruno Fernanes, Bryan Ruiz, Mathieu e Coates, antes de Montero assinar o penálti decisivo.
Cumpriu-se a velha máxima: quem joga para empatar, perde. Pelo menos a avaliar pelos minutos finais do tempo regulamentar. Não sobra agora outra alternativa ao FC Porto senão somar os pontos necessários para assegurar o título de campeão, sob pena de passar mais um ano sem acrescentar um troféu que seja à sua vitrine.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 15.04.18

Liga NOS, 30.ª jornada - SL Benfica 0-1 FC Porto - Golpe de teatro

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Muito do eventual sucesso do FC Porto esta temporada passava por este jogo, no qual só uma vitória lhe permitiria manter controlo total sobre o seu destino. A tarefa dos azuis-e-brancos não foi nem mais, nem menos difícil que em anteriores visitas à Luz; a conclusão da mesma foi, isso sim, demorada, uma vez que se tratou de um encontro muito equilibrado e, como se diz em futebolês, com pouca baliza. Os primeiros 45 minutos esgotaram-se sem que houvesse muito a assinalar, à conta dessa pronunciada vertente táctica que o jogo exibiu. Apesar do equilíbrio, o grosso da iniciativa até ao intervalo pertenceu ao Benfica, mas os caminhos para a área estavam tão escondidos que nem um mapa podia ajudar a descobri-los. Os encarnados ameaçaram ao minuto 22, num lance bem trabalhado na esquerda por Grimaldo e Cervi, e concluído com um disparo do argentino para defesa apertada de Casillas; a sobra quase queimou nos pés de Felipe, mas o central resolveu. Em cima do descanso houve perigo dos dois lados no mesmo minuto (45'); primeiro por Pizzi, que ficou na cara do golo após corte falhado de Marcano mas viu Casillas fazer a defesa da tarde, depois por Marega, que na sequência do lance recebeu um cruzamento de Ricardo e desviou rente ao poste, mas do lado de fora.
O segundo tempo trouxe mudanças, ainda que não tivesse havido qualquer substituição. O FC Porto passava a jogar mais subido no terreno, e quando o Benfica procurava romper através de bolas em profundidade, havia sempre alguém dos dragões a antecipar o movimento e a chegar primeiro à bola. Nomeadamente os centrais Marcano e Felipe, que estiveram ao seu melhor nível, de resto tal como os seus homólogos encarnados Jardel e Rúben Dias. As disputas de bola incluíram alguns contactos mais fortes entre os jogadores. Talvez o facto de estes não terem protestado com veemência tenha contribuído para os poucos cartões mostrados, mas pelo meio o FC Porto fez as faltas cirúrgicas que teve que fazer, para quebrar uma ou outra arrancada das águias. Em última instância, foi isso que custou a saída do amarelado Sérgio Oliveira (74'). E nesse capítulo das substituições Sérgio Conceição não foi conservador, alterando a configuração do meio campo com a entrada de Óliver Torres. Ao contrário do que aconteceu no clássico da época transacta, no qual o FC Porto chegou ao ponto de festejar o empate, desta vez a mensagem - que já era óbvia - tornava-se clara e cristalina: ganhar era o único caminho. E assim foram também a jogo Corona (saiu Otávio, 80') e Aboubakar (saiu Soares, que esteve apagado, 83'), enquanto do lado das águias saía Cervi para entrar Samaris (74'). Certamente que a intenção de Rui Vitória era contrariar a entrada de Óliver juntando outra torre ao lado de Fejsa, mas tal traduzia-se num enfoque mais defensivo à manobra do Benfica.
A verdade é que o jogo se mantinha atado ao 0-0, por muito que os dragões jogassem então mais subidos. Marega isolou-se sobre a direita mas não teve gás para apanhar a bola e Bruno Varela chegou primeiro (48'), antes de Brahimi procurar um remate em arco ao melhor estilo de Quaresma e errar por pouco (66'). O Benfica, por seu turno, não voltaria a aparecer à frente de Casillas; e numa altura em que parecia começar a contentar-se com o nulo, o golpe de teatro aconteceu (90'). É verdade que o lance ameaçava ser inconclusivo, face ao pouco espaço que havia para jogar, mas os homens da frente do FC Porto seguraram a bola e trocaram-na entre si tempo suficiente para que os elementos das duas equipas se aglomerassem na faixa central. Aboubakar não conseguiu ultrapassar Jardel, Grimaldo aliviou mal, e Herrera apareceu na sobra, de pé cheio, rematando com tudo o que tinha. Era golo, e não havia tempo suficiente para que os encarnados se recompusessem e procurassem a igualdade.
E assim, ao cabo de duas jornadas, o topo da Liga muda novamente de ocupante. Por enquanto, contudo, o alento portista é moral, já que a escassa vantagem de dois pontos significa que tudo continua por decidir quanto ao vencedor deste campeonato. Foi a sétima vitória dos dragões na Luz este século, contra apenas quatro triunfos do Benfica.

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por Miran Pavlin às 21:50

Domingo, 08.04.18

Liga NOS, 29.ª jornada - FC Porto 2-0 CD Aves - Tranquilidade antecipada

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Quatro jornadas atrás, no final do encontro com o Sporting, o sol brilhava forte nos céus do dragão e a silhueta do título já se via ao fundo da longa recta que o FC Porto agora percorre. Porém, nas três jornadas seguintes tudo mudou. O céu enegreceu à conta dos três pontos somados em nove possíveis, já não se vê o título ali à frente, e é como se tudo tivesse voltado à estaca zero. Daí que a recepção ao Desportivo das Aves se revestisse de uma importância maior que aquela que a teoria normalmente lhe confere. Não só devido ao desassossego vivido pelo FC Porto, mas também porque o Aves ainda está inserido na luta pela permanência. Era como se este jogo fosse uma corrente com vários elos por onde podia partir. Acabou por quebrar pelo lado avense, que viu Tissone cometer grande penalidade sobre Ricardo logo ao minuto 7. A marca dos onze metros costuma ser nefasta para os dragões, mas Alex Telles bateu bem e abriu o activo, com a bola a subir rumo ao canto esquerdo da baliza. À passagem do minuto 11 os da casa elevaram a contagem num lance fortuito. No centro da área, o trinco Cláudio Falcão recuperou uma bola e tentou enviá-la para longe, mas o alívio saiu rasteiro e contra as pernas de Otávio, que se arrojou ao relvado, pressentindo o que o adversário ia fazer. O ressalto encaminhou-se para o cantinho do poste direito, onde a luva de Adriano já não conseguiu chegar.
Era o golo de uma tranquilidade antecipada. De tal forma, que o jogo perdeu motivos de interesse e lances de perigo. O Aves chegou a romper um par de vezes em contra-ataque mas Casillas terminou o encontro sem uma defesa digna desse nome, enquanto o FC Porto se ficou por três lances passíveis de registo: uma bola de Brahimi à trave após boa jogada (36'), e um cabeceamento de Soares (56') seguido de um remate cruzado de Aboubakar (58'), em ambos os casos para boas defesas de Adriano. O Aves ia procurando jogar, mas os dragões não deixavam. Além disso, o FC Porto também não forçava desequilíbrios, possivelmente por sentir o jogo controlado. Era notório que a cabeça quer de uns, quer de outros, estava já nas batalhas que se seguem para as respectivas lutas.
No caso do FC Porto, é com a cabeça limpa na medida do possível que entrará no importante jogo da próxima jornada, no qual só um triunfo o poderá devolver ao lugar mais alto da classificação.

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por Miran Pavlin às 20:40

Segunda-feira, 02.04.18

Liga NOS, 28.ª jornada - CF Os Belenenses 2-0 FC Porto - Estocada

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Costumava ser só no Marítimo. Nos tempos que correm, contudo, é preciso juntar também a antiga Mata Real e este Restelo à equação de campos minados para o FC Porto. Antes do jogo, a percepção geral era de que a paragem de duas semanas para os compromissos das selecções era benéfica para os azuis-e-brancos, no sentido de recuperarem a fadiga acumulada em alguns jogadores, mas a verdade é que essa ideia era uma falácia, pois diversos elementos do plantel foram forçados a longas viagens. E alguns nem chegaram a entrar em campo, ou regressaram tocados. O que vale por dizer que Sérgio Conceição era mais uma vez obrigado a magicar um melhor onze possível. Apostando num 4x4x2 com Soares e Aboubakar na cabeça do ataque, Ricardo voltou a ser ala direito e Brahimi ocupou a esquerda, com Herrera e Sérgio Oliveira a assegurarem o centro; as novidades estavam na defesa, onde Alex Telles regressava após lesão e o central venezuelano Osorio, reforço de inverno, se estreou. Conceição só não conseguiu controlar uma coisa: o estado de espírito dos jogadores. Principalmente depois de o Belenenses ter aberto o marcador. O primeiro perigo até veio do FC Porto (2'), num cabeceamento de Felipe que o guarda-redes contrário segurou, mas seguiu-se o acidente da noite (10'). Um alívio da defesa portista caiu pouco à frente da linha de meio-campo, Sérgio Oliveira ficou a ver o adversário cabecear para a frente, Felipe e Osorio chocaram ao acorrer à mesma bola e Nathan ficou sozinho perante Casillas. O avançado dos azuis picou a bola sobre o espanhol para o primeiro golo.
A ausência de resposta pronta ao golo sofrido conduziu àquilo que viria a ser a nota principal da exibição do FC Porto: uma ansiedade que ainda não se tinha visto esta temporada. A bola queimava nos pés de cada jogador, a indecisão era grande sobre o que fazer com ela e os lances eram criados aos soluços. Para quem via o jogo pela televisão, era evidente que os homens do FC Porto jogavam de rosto fechado e olhar perdido no vazio. Decerto que não era medo, mas quase. Do outro lado, o Belenenses jogava tranquilo. Evidentemente que é mais fácil encarar o adversário quando se está em vantagem; e muito mais quando este não consegue responder em condições. Os azuis conseguiram reeditar aquilo que de melhor fizeram aquando da visita do Benfica, em que ficaram a segundos de vencer. Concentrados mentalmente e disciplinados na forma como se colocavam em duas linhas atrás de onde a bola estivesse, os da casa não concediam espaços ao FC Porto, nem tempo para o portador da bola jogar. Numa frase, a estratégia surtia efeito.
Ainda assim, o FC Porto teve algumas oportunidades, nomeadamente em remates que saíram a rasar o poste. Também nesses lances ficou à vista a ansiedade que ia consumindo os dragões, pela forma como levavam as mãos à cabeça ao ver a bola escapar-se pela linha de fundo. Só o intervalo poderia fazer o FC Porto começar de novo, mas nem isso; o Belenenses não se abria. Ao minuto 56 Conceição mexeu: trocou Aboubakar por Gonçalo Paciência e tirou Maxi Pereira para meter Paulinho. Ricardo recuou, na tentativa de dar a largura de ataque que nem o uruguaio, nem Telles - quiçá sem ritmo - estavam a dar. O FC Porto teve aí as suas melhores oportunidades (62 e 63'), mas André Moreira respondeu com defesas estupendas a novo cabeceamento de Felipe e a um desvio de Paciência na pequena área. Se já estava escrito a lápis, ficou a negrito: naquela baliza a bola não vai entrar. O técnico belenense Silas, por seu turno, teve toque de Midas. Tirou o autor do golo para entrar Maurides (66'), e o brasileiro deu a estocada final nos dragões apenas quatro minutos depois, com uma forte cabeçada em frente à baliza, após livre lateral batido por Fredy.
No quarto de hora final o Belenenses fechou a loja, passe a expressão. Entregou a iniciativa ao FC Porto e bloqueou os caminhos da baliza. Conceição tirou Osorio e lançou Danilo Pereira (72'), que também regressava após longa paragem, mas não houve meio de dar um sinal de vida, por ténue que fosse. É todo um novo campeonato que começa nesta recta final. Em escassas três jornadas os cinco pontos de avanço que o FC Porto tinha tornaram-se em um de atraso. Por outro lado, tudo está na mesma, pois dragões e águias continuam a depender de si mesmos para cortar a meta em primeiro. Não restam dúvidas de que a hora das grandes decisões chegou.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 17.03.18

Liga NOS, 27.ª jornada - FC Porto 2-0 Boavista FC - Isto, só vídeo

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Em cada temporada, o raciocínio do vosso humilde escriba acerca dos jogos entre dragões e panteras começa da seguinte forma: é dérbi. E um dérbi nunca pode ser encarado de ânimo leve, nem mesmo quando a história diz que é raro o FC Porto sentir problemas quando recebe o seu rival da zona oeste da cidade. O encontro deste ano mais uma vez seguiu a tendência histórica, muito por culpa do madrugador golo de Felipe (2'), que cabeceou junto à pequena área a cruzamento de Sérgio Oliveira, numa segunda vaga portista de ataque após canto aliviado pela defesa contrária. Terá sido esse golo que permitiu ao FC Porto conviver bem com um jogo mexido, frente a um adversário que não quis de maneira nenhuma ficar remetido à sua própria zona defensiva. No fundo, esta linha de pensamento é como que uma pescadinha de rabo na boca, pois encontrando-se a perder, não atacar era o pior que o Boavista poderia fazer. E lá está: era um dérbi. Ainda assim, nem por isso os axadrezados criaram perigo, de resto tal como o FC Porto, que se deparava ele próprio com dificuldades em colocar a baliza do Boavista em risco. Nesse particular, a responsabilidade era da acção do central Raphael Rossi, que teve muitas palavras a dizer, limpando lance atrás de lance aos dragões. O jogo decorria sem grandes sobressaltos até ao minuto 41, quando uma entrada mais viril de Vítor Bruno sobre Sérgio Oliveira foi punida com cartão vermelho directo. Manuel Oliveira foi peremptório na decisão, mas mudou de ideias depois de ir à linha lateral rever o lance. As imagens não deixavam dúvidas; o lance não justificava mais que um cartão amarelo. Um alívio para Vítor Bruno, que tinha entrado para colmatar a lesão de David Simão havia escassos oito minutos.
O jogo estava então a ser disputado a bom ritmo, mas sem grandes motivos de interesse. A segunda parte trouxe um ligeiro acréscimo de intensidade, mas o resultado prático era nulo. O Boavista teve a sua melhor oportunidade aos 56 minutos, através de um remate cruzado de Mateus que Casillas defendeu para canto com uma boa estirada. Acabaria por ser o próprio Boavista a virtualmente resolver o jogo (62'), quando o guarda-redes Vágner cobrou um pontapé de baliza com um passe em frente para Idris mas apanhou Herrera no caminho. O mexicano só precisou de se aproximar da baliza e colocar a bola. O vídeo-árbitro voltou a desempenhar um papel importante mais à frente (73'). A jogada até já tinha seguido durante alguns segundos quando o árbitro assinalou grande penalidade a favor do FC Porto; tinha havido um derrube de Sparagna a Maxi Pereira no momento em que o uruguaio meteu a bola para o centro da área. Sérgio Oliveira avançou para uma conversão com sucesso, mas os axadrezados imediatamente rodearam Manuel Oliveira alegando que o médio portista deu dois toques na bola. Vendo o lance corrido, foi perceptível que Sérgio Oliveira escorregou. E mais uma vez as imagens foram esclarecedoras: ao escorregar, o pé de apoio tocou na bola ao mesmo tempo do pé que rematou. Golo invalidado, de nada valendo os efusivos festejos.
Foi o último momento de destaque do encontro. No cômputo geral, foi um dérbi que não deixa grandes saudades. Para o FC Porto, valeu por um triunfo que coloca atrás das costas em definitivo o deslize da pretérita ronda, e por uma utilização do vídeo-árbitro que não merece comentários negativos; o que na verdade vale para as duas equipas. O Boavista, mesmo derrotado, justificou bem o lugar tranquilo que ocupa na tabela.

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por Miran Pavlin às 23:40

Domingo, 11.03.18

Liga NOS, 26.ª jornada - FC Paços de Ferreira 1-0 FC Porto - Soma de factores

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O som das rolhas das garrafas de champanhe a saltar ouviu-se um pouco por toda a parte. Entre os não-portistas, claro. Pela primeira vez esta época a nível interno, o FC Porto foi derrotado, naquilo que pode ser visto como uma inevitabilidade. Nas 83 edições anteriores da I Liga, apenas por quatro vezes uma equipa terminou sem derrotas; e num dos casos, em 1977/78, esse registo não chegou para ser campeão. Daí que neste encontro um conjunto de factores se tenha alinhado para que os dragões não vencessem. Desde logo as lesões que afectam diversas unidades-chave do plantel azul-e-branco, nomeadamente nos sectores mais avançados. O onze titular não mudou sobremaneira em relação àquele que jogou em Liverpool. A envolvência do jogo sim; de um mero cumprimento de calendário, passou-se para uma partida em que os pontos faziam uma falta tremenda a ambas as equipas. Acrescentam-se ainda à equação o vento que tornava infrutíferos os passes em profundidade pelo ar, o relvado que impedia os dragões de ter fluidez nas transições ofensivas por estar empapado em certas zonas, e a chuva que fazia a bola ganhar velocidade a cada ressalto desses passes pelo ar. Obviamente que essas condições eram iguais para as duas equipas, mas o Paços de Ferreira ter-se-á adaptado melhor ao que o jogo exigia.
Tendo um dos motores do ataque indisponível e o outro, no mínimo, gripado - Marega e Aboubakar, respectivamente - e sem contar com Herrera por castigo, o FC Porto não soube - ou não conseguiu - impor-se no jogo. Um meio-campo a recuperar poucas bolas e um ataque com poucas ideias deixavam o FC Porto com uma cara semelhante à que mostrou na primeira parte do célebre jogo interrompido com o Estoril. Além disso, também não havia Alex Telles para que algum dos quinze cantos conquistados causasse perigo. O futebol pouco escorreito dos dragões permitia ao Paços jogar nos moldes que mais lhe convinham, destruindo sem grande dificuldade os ataques contrários e procurando o contacto fácil em cada bola dividida. Lances relevantes contam-se três: o golo dos castores (34'), num canto mal aliviado por Marcano, seguido de um ressalto no rosto de Waris que sobrou para Filipe Ferreira na esquerda, com o lateral a cruzar para a entrada triunfal de Miguel Vieira ao primeiro poste; a resposta do FC Porto (36'), em que Mário Felgueiras defendeu um desvio de Aboubakar à queima-roupa, a cruzamento de Diogo Dalot; e a grande penalidade desperdiçada por Brahimi (66'), que viu Felgueiras adivinhar o lado e voltar a ser decisivo.
Correndo o risco de ser acusado de ver o jogo com óculos azuis, o anti-jogo pacense é indissociável da história do desafio. Se antes do golo já se notava, assim que os castores passaram para a frente do marcador essa prática tornou-se no lema da equipa de cada vez que ganhava a posse da bola. Nestas situações é recorrente ouvir-se ou ler-se que cada um joga com as armas que tem. No entanto, neste caso o anti-jogo era revelador da posição classificativa ocupada pelo Paços de Ferreira à entrada para a jornada, mas também do desejo de capitalizar os deslizes prévios de todos os outros emblemas envolvidos na luta pela permanência. Esse futebol negativo do Paços não explica per se a derrota do FC Porto, mas foi um factor, ao contribuir para enervar os dragões. Tal como a arbitragem de Bruno Paixão. É certo que não houve lances difíceis com decisões controversas, mas Paixão colocou-se a jeito para ser acusado de caseirismo ao ajuizar a favor dos homens da Capital do Móvel praticamente todos os lances divididos. Também não justifica o desaire, mas foi igualmente um factor.
Somados todos os factores, o FC Porto regressa à Invicta de mãos a abanar, vendo encurtar-se a distância para os perseguidores. E porque no final é sempre fácil apontar erros, vistamos então o fato de treinador de bancada: mesmo não esquecendo que Conceição tinha pouco por onde escolher, não teria sido mais avisado alinhar de início com Gonçalo Paciência em vez de Aboubakar? O resultado até poderia ter sido o mesmo, mas enquanto Paciência precisa de minutos pelo FC Porto e trouxe ritmo da primeira volta em Setúbal, o camaronês veio há pouco de lesão e talvez pudesse ter sido mais efectivo sendo lançado mais tarde no jogo.

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por Miran Pavlin às 23:45

Terça-feira, 06.03.18

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão - Liverpool FC 0-0 FC Porto - Câmara lenta

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Quem olhasse para o onze que subiu ao relvado para este jogo tinha sérias razões para temer um suicídio azul-e-branco. Entre reforços de inverno, jovens promessas e nomes menos utilizados, Diogo Dalot foi o lateral esquerdo, o meio campo incluiu Andre André, Óliver Torres e Bruno Costa, e Waris ocupou uma das posições da frente. Mas este não era um jogo normal. Tendo o FC Porto sido assassinado pelo Liverpool na primeira mão, tornava-se necessário que os dragões fizessem algo que nunca aconteceu nos 62 anos anteriores de provas da UEFA: reverter cinco golos de diferença. Portanto, por mais voltas que os adeptos portistas dessem à cabeça, pouco mais havia a fazer senão procurar uma confirmação de que o resultado do jogo de ida não passou de um acidente. Daí as escolhas de Sérgio Conceição, que assim poupou figuras de proa que de outra forma estariam disponíveis. E se alguém ainda receava uma repetição da dose do Dragão, uns minutos bastaram para que esses medos se revelassem infundados.
Com efeito, o primeiro quarto de hora caracterizou-se por uma espécie de tiki taka em câmara lenta por parte do FC Porto. Face ao ritmo igualmente baixo do Liverpool, os dragões iam trocando a bola entre si com alguma beleza, mas pouca progressão. Os reds fizeram o mesmo nos momentos em que tiveram a bola, com a diferença de terem criado perigo. Mané falhou por pouco um desvio pouco ortodoxo a um cruzamento de Gomez (18'), encontrando o poste pouco depois (32'), no aproveitamento de uma má abordagem de Diogo Dalot, que permitiu ao senegalês ficar sozinho na cara do golo. No fundo, era como se se assistisse a xadrez em forma de futebol. As equipas movimentavam as peças pelo tabuleiro mas as situações de xeque escasseavam. O intervalo não trouxe grandes alterações. As substituições de André André por Sérgio Oliveira (67') e de Waris por Ricardo (68') tornaram o FC Porto mais perigoso, mas quem esteve primeiro à beira de marcar foi mesmo o Liverpool, na única atrapalhação da defensiva portista (59'). Felipe ainda foi a tempo de cortar no último momento o remate de Firmino. Os reds ficaram eles próprios com outra cara quando entrou Salah (74'), mas o FC Porto conseguiria um ou outro remate, antecedendo a sua grande oportunidade (84'), com Óliver, em queda, a rematar na pequena área na sequência de um livre lateral de Sérgio Oliveira. Por entre a confusão, o central estónio Klavan deu o corpo ao manifesto para o corte. A melhor oportunidade do jogo ocorreu já em cima do final (88'), e aí brilhou Casillas com uma defesa tão difícil quanto ágil a um cabeceamento colocado de Ings. O nulo era mesmo o destino da partida.
O vazio competitivo deste jogo acaba por remeter para segundo plano os dados positivos que o FC Porto leva para casa. Entre eles o próprio resultado. Apesar de ter sido apenas o terceiro empate em 18 visitas a Inglaterra - vitórias, nem uma -, foi a primeira vez que os dragões não sofreram golos na Velha Albion. Já para Bruno Costa não há segundo plano possível. Estrear-se pela equipa principal do FC Porto em Anfield Road, jogar os 90 minutos e contribuir para que a equipa não sofresse não é para todos.

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por Miran Pavlin às 23:40

Sexta-feira, 02.03.18

Liga NOS, 25.ª jornada - FC Porto 2-1 Sporting CP - Melhor dos quatro

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Os clássicos das segundas voltas de cada campeonato costumam ser apelidados de decisivos, mesmo quando não o são realmente. Este, para o Sporting, era mais que isso, já que uma derrota verde-e-branca, se não significasse um adeus ao título, ficaria lá perto. Face aos cinco pontos de vantagem na classificação, só uma derrota do FC Porto relançava verdadeiramente a discussão pelo título, tendo em conta que o outro habitual candidato também está na corrida. Era, portanto, sob pressão que o Sporting subia ao relvado do Dragão; além de não poder contar com o goleador Dost, lesionado, nem com Gelson, castigado. O próprio FC Porto também tinha baixas importantes, casos de Alex Telles, Danilo Pereira ou Soares. Pesando todas essas condicionantes, o Sporting tinha mesmo que arriscar, eventualmente beneficiando o FC Porto, que assim poderia encontrar os espaços que não teve nas partidas anteriores entre ambos esta época. Exemplo disso foi o lance de Marega (26'), que se isolou ainda longe da baliza, mas finalizou ao lado. Por essa altura, já o perigo tinha rondado as balizas, nomeadamente num outro lance de Marega (12'), que por entre a multidão cabeceou ao poste, antes de ver a sua própria recarga ser aliviada em cima da linha por Bryan Ruiz. Os leões responderam através de um avanço de Doumbia (21') e um remate cruzado de Bruno Fernandes (22'), em ambos os casos para defesas de Casillas.
O jogo estava dividido, embora até aí fosse o FC Porto a ter as oportunidades mais claras. Em cima da meia hora os dragões passaram a ter o golo também. Marcano cabeceou em frente à baliza após combinação na direita entre Maxi Pereira e Herrera; o cruzamento do médio mexicano foi tirado com régua e esquadro. Perto do intervalo Jorge Jesus era obrigado a mexer, por força da lesão de Doumbia, sozinho. Foi a melhor coisa que podia ter acontecido ao Sporting. Quer isto dizer que era a oportunidade de trocar um avançado que não está numa época feliz por outro com vontade de se afirmar. Lançado às feras, o jovem Rafael Leão só precisou tocar uma vez na bola para empatar o jogo (45'+1'), desmarcando-se no momento certo a passe de Bryan Ruiz. Furando por entre os centrais portistas, Leão colocou a bola por entre as pernas de Casillas. Se o golo leonino tinha surgido em boa altura, que dizer então do segundo tento do FC Porto? Logo ao minuto 49, Gonçalo Paciência trabalhou na direita sobre Mathieu e cruzou atrasado, rasteiro, para o segundo poste, onde Brahimi penteou de pé direito e rematou com o esquerdo para o 2-1. Momento de grande classe.
O Sporting voltava a estar encostado à parede, e por conseguinte o jogo não tinha por que não se manter vivo. Estava a ser mesmo o melhor dos quatro encontros entre as duas equipas esta temporada, e melhor ficou com a entrada de Rúben Ribeiro (67', saiu Ristovski). Os leões pressionavam muito um FC Porto que por esta altura procurava as transições rápidas em vez do futebol apoiado. Muito mais quando Marega cedeu o lugar a Reyes, também por lesão (82'); o maliano ficou a queixar-se da coxa depois de fazer um chapéu a Rui Patrício, que saíra das redes para tentar a mancha. Num momento inspirado no filme Matrix, Battaglia parou por um segundo à espera que a bola pinchasse antes de a cortar em cima da linha. Sentindo que os dragões iam recuar no terreno na defesa do resultado, Jesus projectou ainda mais a equipa para a frente trocando Fábio Coentrão por Montero (85'), e o colombiano não demorou a ter o golo nos pés, ao aparecer no segundo poste após livre lateral, mas Casillas opôs-se com uma intervenção no limite. O balde de água fria ainda se inclinou sobre o estádio ao minuto 89, altura em que um cruzamento de Rúben Ribeiro na esquerda encontrou Rafael Leão solto no segundo poste, com tudo para fazer o golo; esse balde não despejou, pois a finalização saiu por cima. É inacreditável não ter sido golo.
O FC Porto aguentou o resultado até final e ainda teve um contra-ataque em superioridade numérica no fim dos descontos, mas o cruzamento de Corona não passou pela defesa contrária. Olhando às estatísticas finais - o Sporting teve mais remates, mais cruzamentos, menos faltas cometidas - o empate seria o resultado mais adequado. Contudo, como disse Jorge Jesus na conferência de imprensa pós-jogo, "o futebol não tem lógica nenhuma". Como só contam as que entram, o FC Porto saboreia um triunfo que o mantém firme na liderança.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 25.02.18

Liga NOS, 24.ª jornada - Portimonense SC 1-5 FC Porto - Sumo

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Por momentos, pareceu até que se tratava de uma segunda parte da segunda parte do encontro com o Estoril. Mas não. Era mesmo um novo jogo, no qual o FC Porto entrou no mesmo registo com que terminara o anterior. De cada vez que se aproximavam do último terço os azuis-e-brancos lançavam a desordem na defesa dos algarvios; não só pela mobilidade de Soares e Marega, mas também pelas investidas de Otávio e pela profundidade dada pelas subidas de Maxi Pereira. Importa realçar, porém, que os dragões não eram a única equipa em campo, como chegou a parecer na Amoreira. Fazendo jus aos elogios que tem recebido, o Portimonense procurou olhar o adversário nos olhos e conseguiu um par de lances perigosos dentro dos dez minutos iniciais, nomeadamente quando Fabrício obrigou Felipe a um corte salvador, após uma primeira tentativa de Nakajima mal resolvida por Casillas (9'). A toada de parada-resposta terminou ao minuto 10, numa jogada de contra-ataque em que Otávio desmarcou Soares na esquerda e o brasileiro cruzou para a finalização de Marega. O lance começou numa recuperação de Marcano à saída da área do FC Porto. A acção do central deixou dúvidas; o árbitro Jorge Sousa nada assinalou. Seis minutos mais tarde surgia o segundo golo. Desta vez foi Marega quem descaiu para o flanco, de onde centrou para o segundo poste, onde Otávio apareceu sem marcação e rematou forte. O guarda-redes Ricardo Ferreira ainda meteu as mãos à bola, mas acabou por defender para dentro.
O Portimonense não esmoreceu. A velocidade que Nakajima imprimia sempre que tinha a bola nos pés fazia com que os algarvios chegassem com frequência a posições de remate, ainda que apenas de longe. O avançado japonês foi o primeiro a tentar, quando fugiu a Maxi Pereira pelas costas da defesa (21'), mas o disparo saiu às malhas laterais. De seguida, Bruno Tabata (32'), Dener (34') e Fabrício (39'), este último num bom remate em arco, também visaram as redes de Casillas. O guardião espanhol respondeu sempre com defesas seguras. Golo, só na outra baliza. O FC Porto trabalhava na esquerda até que Otávio virou o jogo para o outro flanco, de onde Maxi, sozinho, cruzou rasteiro para Marega desviar sem espinhas no centro da área (44'). A partida ficava virtualmente resolvida, embora o Portimonense não merecesse tamanha desvantagem. Pela cor que trajava, o FC Porto assemelhava-se a uma laranja a jorrar sumo como se fosse uma barragem em descarga.
A segunda parte foi menos intensa. A certo ponto, dava a ideia de Sérgio Conceição estar à espera de que Soares marcasse para não ser substituído em branco. Se a ideia era essa, o ponta-de-lança fez a vontade ao treinador, cabeceando para o fundo das redes, em posição central, após um óptimo cruzamento de Diogo Dalot (59'), de pé direito. O jovem lateral marcava assim a sua primeira titularidade com uma assistência. Dalot não se ficou por aí, já que assistiu também o quinto golo, de Brahimi (66'), agora com o pé esquerdo. Desta feita, o centro ainda sofreu um ligeiro desvio num homem do Portimonense. Era o 14.º golo do FC Porto nos últimos três encontros para a I Liga - sem incluir os três que apontou ao Estoril.
Até final, o Portimonense não deixou de tentar, somando mais alguns remates à conta, mas sem perigo. Surpreendentemente, os da casa terminaram com mais remates que o FC Porto. O tempo de compensação trouxe o tento de honra algarvio, por Lucas Posignolo, que desviou de cabeça um livre cobrado por Tabata. Pelo futebol apresentado, o mais justo talvez até fosse uma repetição do 5-2 verificado na primeira volta. No total, os três jogos entre FC Porto e Portimonense esta temporada renderam 18 golos. Um aspecto que passa completamente despercebido quando os jogos não são vistos como de cartaz.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 21.02.18

Liga NOS, 18.ª jornada (conclusão) - GD Estoril Praia 1-3 FC Porto - Espírito de missão

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As duas partes do jogo, separadas por mais de um mês, não podiam ter sido mais diferentes. Na primeira, um FC Porto desconexo não encontrava forma de contrariar um Estoril motivado pela vantagem no marcador. No reatamento, os dragões roçaram o avassalador. Foram verdadeiramente dois jogos num só. No fundo, quem acabou por sair prejudicado pela suspensão do encontro foi o Estoril, que numa questão de minutos viu esfumar-se um potencial resultado positivo. Imbuído de um notável espírito de missão, o FC Porto carregou de imediato sobre a defensiva canarinha, com Herrera a ameaçar o golo logo ao minuto 47, respondendo Renan Ribeiro com a primeira das suas várias defesas difíceis. Aos 53, o golo azul-e-branco, por Alex Telles na cobrança de um livre lateral na direita do ataque. Certamente que se seguirá polémica, pois quando o livre é batido três homens do FC Porto arrancam para a bola em posição de fora-de-jogo; nenhum tocou na bola, mas deveria ter sido assinalado fora-de-jogo posicional a Soares, que mesmo nessa circunstância toma parte activa na jogada. O árbitro João Pinheiro consultou o vídeo-árbitro, que validou a decisão inicial. De seguida, Alex Telles desceu a pique na montanha russa das emoções, ao colocar mal o pé depois de efectuar um corte, lesionando-se com aparente gravidade (55'). O lateral cederia o lugar a Diogo Dalot, não contendo as lágrimas, já no banco de suplentes.
A reviravolta consumou-se por Soares (59'), que finalizou uma jogada de insistência que incluiu remates de Marega - defendido por Renan - e de Herrera, este tão desenquadrado que foi parar aos pés de Soares. O sufoco era grande e a acção parecia nunca sair das imediações da área estorilista, onde os da casa eram frequentemente obrigados a limpar de qualquer maneira. O FC Porto recuperava a bola na primeira zona de construção dos canarinhos e os lances de perigo sucediam-se. Foi precisamente isso que aconteceu no terceiro tento dos dragões (67'). Na direita, Herrera aproveitou uma má saída do Estoril e avançou até ao cruzamento; Corona rematou para defesa incompleta de Renan, e Soares estava no lugar certo para capitalizar o ressalto. Foi, de facto, um golo da tranquilidade, já que o FC Porto abrandou a pressão e recebeu na sua defesa a visita dos atacantes contrários, que conquistaram alguns cantos e obrigaram Casillas a redobrar atenções. O FC Porto também dispôs de outros lances perigosos, mas o marcador não sofreria mais alterações.
Este terá sido um dos jogos mais surreais da história do FC Porto, à conta das diferentes datas, contextos e onzes de cada parte. Até se deu o caso de Layún, que jogou os primeiros 45 minutos, já cá não estar para o resto do jogo por ter sido emprestado ao Sevilha. Valeu a disponibilidade física e mental do FC Porto para a reversão do marcador ao intervalo, colocando assim os azuis-e-brancos com cinco pontos de vantagem sobre o duo perseguidor, composto pelos nomes habituais da capital.

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por Miran Pavlin às 20:10



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