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CORTE LIMPO



Sexta-feira, 21.02.14

Liga Europa - FC Porto 2-2 Eintracht Frankfurt - Do céu ao inferno

sapodesporto

As eurotaças e o FC Porto estão de costas voltadas esta época. Numa noite em que estavam a realizar uma exibição sem mácula, e com golos, um autêntico golpe de teatro tirou a vitória aos dragões. Num ápice, o resultado saltou de 2-0 para 2-2, quando já havia pouco tempo para tentar um último assomo.

Antes, foi o FC Porto a mostrar o que vale. Sem medo de ter a bola, a equipa jogou um futebol colectivo, forçando a abertura de espaços na defesa e meio-campo do Eintracht, mas sempre com cautela no sentido de evitar perdas de bola desnecessárias.

O momento da noite pertenceria a Quaresma, que depois de recuperar uma bola no lado esquerdo do ataque, progrediu até à área, flectiu para dentro tirando um adversário do caminho e desferiu um esplêndido remate em arco, que bateu no poste e entrou. Precisão de mestre. Golo inteiramente merecedor do parágrafo que lhe acabo de dedicar.

O golo de Varela, bem no meio da segunda parte, pôs o FC Porto com um pé na próxima eliminatória, mas o Eintracht não o permitiu. Um alívio infeliz colocou a bola em Joselu, que rematou colocado para o 2-1; cinco minutos mais tarde, outro lance cheio de infelicidades, a começar no corte de Mangala e a terminar no autogolo de Alex Sandro, atirou o FC Porto do céu para o inferno dos golos fora.

Apesar da má classificação interna, o Eintracht mostrou que sabe ocupar bem os espaços e subir e descer no terreno em bloco – não me recordo de um lance em que a equipa se tenha partido irremediavelmente. Mesmo mais subido na segunda parte, não se pode dizer que o conjunto alemão tenha oprimido o FC Porto ao ponto de justificar dois golos. Mas certo é que o tento de Joselu reacendeu o estigma portista de tremer à primeira contrariedade.

Vi o jogo ao vivo. Os cinco mil adeptos do Eintracht transformaram os sectores que ocuparam num bocado do seu Waldstadion – agora é Commerzbank Arena, malditos naming rights (malditos estrangeirismos também). Apoiaram a equipa durante todo o jogo, saltaram, cantaram, agitaram bandeiras, ergueram papéis com as cores do clube, assobiaram as bolas paradas e as substituições do FC Porto e festejaram vigorosamente os golos.

Apesar da fraca assistência havia portistas suficientes para abafar os barulhentos alemães, mas só com as claques a cantar, parecia que eram os visitantes que jogavam em casa. A falta de apoio é sintomática do divórcio que se tem verificado entre adeptos e equipa – não, não pode ser só da crise e dos preços dos bilhetes.

O FC Porto joga a qualificação para os oitavos-de-final já na próxima semana, e em desvantagem, situação pouco habitual frente a adversários da dimensão do Eintracht. O jogo será em Frankfurt, não em Leverkusen como disse Paulo Fonseca na entrevista rápida – ele apenas se confundiu depois de tomar uma aspirina para a dor de cabeça que vai enfrentar para passar a eliminatória.

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por Miran Pavlin às 09:21



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