Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário



Sábado, 06.06.15

Rio Ave FC 2014/15 – 10.º lugar – 10v, 13e, 11d, 38gm-42-gs, 43pts

A época 2014/15 foi histórica para o Rio Ave, por ter sido a primeira que incluiu jogos europeus. A viagem inaugural durou até Dezembro, com o Rio Ave a ultrapassar duas pré-eliminatórias (IFK Gotemburgo e Elfsborg) para chegar à fase de grupos, onde a competição foi mais difícil (Dinamo Kiev, Steaua Bucareste e Ålborg). Quatro pontos foi o pecúlio dos vila-condenses na prova.

Os passeios ao estrangeiro tiveram um preço, que foi pago no campeonato. Ambição não falta ao treinador Pedro Martins, no entanto, só isso não chegou para que a equipa se pudesse aproximar do sexto posto. O Rio Ave não esteve longe, mas depois de cair para o oitavo lugar após a jornada 9, só ocupou o sexto posto em três ocasiões, nas rondas 15, 16 e 19. A saída da Liga Europa também não foi uma bênção, já que dos dez jogos seguintes à eliminação o Rio Ave só venceu dois.

A salvação parecia estar na Taça de Portugal, onde o Rio Ave novamente foi longe, no caso até às meias-finais, reencontrando aí o Braga. Se em 2013/14 a turma de Vila do Conde não perdeu nenhum dos cinco jogos disputados contra os arsenalistas, desta vez não venceu nenhum em quatro e não pôde, portanto, repetir a presença no Jamor.

Dissabores à parte, a luta pela Liga Europa ainda era uma realidade, mas o sonho do Rio Ave terminou com estrondo no Funchal, onde perdeu com um Marítimo em ascensão por 4-0. Essa derrota na 33.ª jornada empurrou o Rio Ave para o décimo posto, que seria final. O subsequente desaire com o Sporting (0-1) confirmou a classificação.

O avançar do campeonato fez esquecer que o Rio Ave entrou na época a todo o gás, liderando mesmo a classificação entre as jornadas 2 e 4, mercê de vitórias contra Setúbal (2-0), Estoril (1-5) e Boavista (4-0), e um empate (1-1) com o Moreirense.

Uma pergunta ficará eternamente sem resposta. Se não tivesse havido Liga Europa, será que o Rio Ave teria feito um campeonato mais conseguido?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:35

Sábado, 06.06.15

CS Marítimo 2014/15 – 9.º lugar – 12v, 8e, 14d, 46gm-45gs, 44pts

Quem diria que o Marítimo ainda conseguiria terminar a época envolvido na luta pela Liga Europa! Foi uma pequena surpresa, pois os verde-rubros foram menos assertivos que o habitual e acabaram por ocupar os indistintos lugares do meio da tabela durante quase todo o ano.

O início de campeonato foi relativamente bom. À sexta jornada o Marítimo era terceiro classificado, levava quatro vitórias e acabava de bater um Guimarães em alta por claros 4-0. Nada fazia prever que se seguiriam quatro derrotas de enfiada (Paços, Sporting, Moreirense e Setúbal) e uma queda de sete lugares na classificação, que se relevaria irremediável.

Até final da primeira volta os insulares venceram apenas mais dois jogos. Sete pontos nos primeiros seis jogos da segunda volta levaram o técnico madeirense Leonel Pontes a apresentar a demissão, sendo substituído por outro madeirense, Ivo Vieira.

O chicote fez efeito, e seria na recta final da época que o Marítimo reentraria na discussão europeia. Oito jogos sem perder entre as rondas 26 e 33 deixaram-no perto da Liga Europa, mas não foi suficiente. Ter uma última jornada num Estádio da Luz engalanado para a festa do título foi, no mínimo, ingrato.

Foi o fecho do campeonato, mas não da época para o Marítimo, já que restava disputar a final da Taça da Liga, novamente contra o Benfica. Foi já sob o comando de Ivo Vieira que os insulares garantiram o acesso ao jogo decisivo, batendo o FC Porto de reviravolta (2-1), a 2 de Abril.

Era a primeira final dos verde-rubros desde 2001 e o Marítimo deu bastante luta, mesmo perante um Estádio Cidade de Coimbra vestido de vermelho. O Benfica marcou primeiro, mas o Marítimo empataria, por João Diogo (56’), quando já jogava com menos um. Foi por dez minutos que o conjunto madeirense não levou o encontro para as grandes penalidades. O mal-amado Ola John foi carrasco, fazendo o 2-1 final.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:30

Sábado, 06.06.15

FC Paços de Ferreira 2014/15 – 8.º lugar – 12v, 11e, 11d, 40gm-45gs, 47 pts

Paulo Fonseca fez aquilo que poucos treinadores fazem depois de treinar um grande: voltou ao leme de um clube menos proeminente, neste caso precisamente aquele que deixara em 2013. Era uma situação vantajosa para ambas as partes, que precisavam recuperar de uma temporada 2013/14 muito aziaga. Fonseca não deu conta do recado no FC Porto, enquanto o Paços só garantiu a manutenção num playoff diante do Desportivo das Aves.

As segundas núpcias do técnico na Capital do Móvel deram certo, já que além de reabilitar a sua própria imagem, devolveu o Paços ao futebol positivo que se tornou imagem de marca do clube. O arranque, no entanto, foi mais uma vez duro. Se em 2013/14 o Paços defrontou FC Porto e Benfica dentro das primeiras quatro rondas, desta vez os dois gigantes eram nada menos que os dois primeiro adversários e os castores nem sequer um ponto salvaguardaram.

Daí para a frente foi sempre a subir. Com efeito, o Paços começou em 16.º lugar, galgando posições consecutivamente até à nona jornada, na qual atingiu, imagine-se, o quarto posto, ao cabo de uma goleada sobre o Setúbal (4-1). Seguiu-se um meritório empate em Alvalade (1-1), seguido de nova igualdade, agora caseira com o Estoril (1-1). Os castores contavam então nove jogos sem perder, com cinco triunfos e quatro empates, mas não conseguiram manter o ritmo e as vitórias começaram a custar mais a aparecer.

Apesar disso, o Paços estava estabilizado na primeira metade da tabela. Moveu-se entre o sexto e o oitavo lugar até final do campeonato, e foi infeliz em não conseguir um lugar europeu, até porque era a equipa melhor colocada para tal à entrada para a derradeira ronda, onde defrontava um adversário directo. A derrota por 3-0 na Choupana nesse último dia foi um castigo imerecido. Ultrapassados por Belenenses e pelo próprio Nacional, os pacenses viram fugir o lugar nas pré-eliminatórias da Liga Europa no último suspiro.

Pelo futebol apresentado, o Paços de Ferreira merecia o acesso à UEFA mais que o Belenenses. Contabilizando apenas o campeonato, porque nas duas taças os castores acabaram por passar ao lado. Na Taça de Portugal ainda golearam por duas vezes, frente a Atlético de Reguengos (4-0) e Riachense (9-0), mas seriam surpreendidos em casa pelo Famalicão (1-2) nos oitavos-de-final; já na Taça da Liga despediram-se mal entraram em prova, na segunda fase, perdendo em duas mãos com o União da Madeira (6-4 no agregado).

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:25

Sábado, 06.06.15

CD Nacional 2014/15 – 7.º lugar – 13v, 8e, 13d, 45gm-46gs, 47 pts

O Nacional começou a temporada com o pé esquerdo, mas terminaria livre de tremores e suores frios, e a lutar pelo acesso à Liga Europa. Os insulares deram sequência à eliminação no playoff da Liga Europa 2014/15, frente ao Dinamo Minsk, com uma primeira volta terrível, em que viram o rosto do pesadelo bem de perto. Cinco vitórias e três empates nos primeiros 17 jogos deixavam os alvinegros no 12.º lugar, mas o campeonato virou quando iam numa série de quatro triunfos, a sua melhor da época. O tónico para uma segunda volta mais conseguida terão sido os triunfos em casa de Paços de Ferreira e Moreirense (ambos por 2-3), nas jornadas 17 e 18, no arranque de uma série de quinze jogos sempre a marcar golos.

Eram as primeiras vitórias longe da Choupana – só haveria mais uma, na 33.ª jornada – e abriram caminho a mais sete triunfos e cinco empates. O Nacional só chegaria à primeira metade da classificação à passagem da jornada 20, e apenas atingiu o sétimo lugar precisamente na última jornada. É mais uma prova de que Manuel Machado não perde o controlo quando orienta clubes que equipam de preto e branco. Assim foi em Guimarães, e continua a ser no Nacional.

O futebol da equipa melhorou de qualiade com o avançar da competição. Mario Rondón e Lucas João contribuíram com alguns golos, nomeadamente a meio da campanha, mas o verdadeiro obreiro da recuperação do Nacional foi Marco Matias. O avançado viveu a melhor época da sua carreira, apontando nada menos que 17 golos, que fizeram de si o melhor marcador português do campeonato. Excluindo o naturalizado Liedson, não havia um português a marcar tantos golos numa época desde os 18 de Simão Sabrosa em 2002/03.

A presença nas meias-finais da Taça de Portugal acabou por ser o ponto alto da temporada. Os insulares desenvencilharam-se de Alcanenense (6-1), Ribeirão (2-0) e Santa Maria (2-1), antes de um confronto mais difícil nos quartos-de-final. O adversário era o Marítimo, e o jogo arrastou-se até às grandes penalidades, que duraram oito rondas, até o holandês Ramsteijn falhar, dando ao Nacional uma vitória por 5-6. Nos 120 minutos verificara-se um 1-1, com ambos os golos a surgirem também de grande penalidade. Nas meias-finais, o Sporting repetiu o que já tinha acontecido em 2011/12 e eliminou o Nacional em duas mãos (agora com 3-2 no agregado).

No final, podia ter sido pior para o Nacional, que começou candidato a um lugar europeu e rapidamente teve que redefinir objectivos. Conseguirá apresentar uma candidatura mais forte na próxima época?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:15

Sábado, 06.06.15

CF Os Belenenses 2014/15 – 6.º lugar – 12v, 12e, 10d, 34gm-35gs, 48 pts

É, no mínimo, surreal pensar que o Belenenses acaba de se qualificar para as provas europeias. Quem olhasse para a situação dos azuis no mês de Janeiro teria que estar louco para acreditar nesse desfecho, e mesmo agora que tudo terminou é preciso esfregar um pouco os olhos, pois tudo parecia estar contra o Belenenses.

Finda a 16.ª jornada, disputada no fim-de-semana de 10 e 11 de Janeiro, os de Belém completavam o sexto jogo consecutivo sem marcar golos e ainda tinham fesca na memória a derrota de 7-1 em Braga nos quartos-de-final da Taça de Portugal. O treinador Lito Vidigal estava em desacordo com o presidente Rui Pedro Soares desde a pré-época e Deyverson, o melhor marcador da equipa, saía para o futebol alemão. Quarto classificado antes dessa série negra, o Belenenses era agora oitavo.

Adivinhava-se uma segunda volta difícil, mas a verdade é que o Belenenses passou a maior parte desse período no sexto lugar, que acabaria por ser europeu devido aos finalistas da Taça de Portugal já estarem apurados para a Europa via campeonato. O ponto de viragem, pelo menos mental, terá sido a vitória de reviravolta contra o Sporting na Taça da Liga (3-2), que foi, contudo, insuficiente para passar do grupo. Lito Vidigal sairia do comando técnico após a jornada 25, e seria Jorge Simão, ex-Mafra, a juntar esse apuramento ao seu currículo.

Por mais que se pense, é difícil entender como foi possível o Belenenses terminar em sexto. A diferença de golos final foi negativa, os resultados mistos e o plantel desprovido de nomes que se tenham destacado por muito tempo. Incrivelmente, os azuis estiveram sempre na primeira metade da tabela. A sua pior classificação foi um nono lugar, à passagem da sétima jornada.

A qualificação europeia talvez tenha sido uma tremenda sorte. Se a forma actual se mantiver, a próxima época poderá revelar-se bem mais difícil.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:10

Sábado, 06.06.15

Vitória SC 2014/15 – 5.º lugar – 15v, 10e, 9d, 50gm-35gs, 55 pts

Numa situação financeira semelhante à da época anterior, Rui Vitória operou um novo milagre em Guimarães, este com contornos muito mais definidos que em 2013/14. O quinto lugar final foi obtido nos ombros de uma equipa jovem e aguerrida, com muitos portugueses, e leva os conquistadores até à Liga Europa. Será a 15.ª participação europeia na história do clube.

A temporada vimaranense teve, no entanto, duas caras. A uma primeira volta com dez vitórias e quatro empates, seguiu-se uma segunda metade em que o Vitória pareceu viver de rendimentos, já que apenas somou mais cinco triunfos, saindo derrotado em seis partidas. Ainda assim, e face a um certo relaxamento do Braga, o Vitória terminou a época com hipóteses de usurpar o quarto lugar aos seus arqui-rivais, naquilo que seria uma vingança da eliminação caseira sofrida na Taça de Portugal.

Tal não veio a acontecer, mas no cômputo geral o Vitória fez uma época de grande nível. O arranque de campeonato foi auspicioso, com nove golos marcados nas primeiras três jornadas. Na quarta ronda o FC Porto foi travado no Minho (1-1), e a primeira derrota dos vitorianos só apareceria à sexta jornada, quando foram goleados pelo Marítimo por 4-0. Os minhotos não perderam tempo a lamber feridas, arrancando aí para uma série de cinco triunfos consecutivos, que incluíram um 3-0 contra o Sporting. Nessa fase, uma vez que jogou quase sempre primeiro que os tradicionais candidatos ao título, o Vitória pôde desfrutar de alguns dias como líder provisório, dando outra emoção à prova. De resto, o Vitória nunca esteve abaixo do quinto posto.

Bernard Mensah, Hernâni e Tomané assumiram as despesas da equipa durante a primeira volta, mas foi André André quem mais se destacou, não só por ser o motor da equipa, mas também porque coneguiu aí os golos que lhe permitiram ser o artilheiro da equipa, com 11 – oito dos quais de grande penalidade, departamento onde André André se mostrou exímio.

Hernâni foi para o FC Porto em Janeiro, mas a sua saída foi rapidamente colmatada com Ricardo Valente, recrutado ao Leixões. Em estreia na divisão maior, Valente apontou oito golos, com um dos quais a ser suficiente para bater o Braga, à jornada 29.

Guimarães foi o único recinto onde nenhum dos três grandes conseguiu vencer em 2014/15; só Belenenses e Setúbal saíram do D. Afonso Henriques com os três pontos. Diz bem do quão combativo foi este Vitória.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:05

Sábado, 06.06.15

SC Braga 2014/15 – 4.º lugar – 17v, 7e, 10d, 55gm-28gs, 58 pts

O Sporting de Braga viveu um período áureo entre 2008 e 2013. Nessas seis épocas o clube não só conseguiu um inédito vice-campeonato (2009/10), como também teve as suas melhores presenças europeias de sempre, que incluem uma ida à final da Liga Europa (2010/11). Anos de sucesso que começaram com uma simbólica Taça Intertoto e culminaram com a conquista da Taça da Liga.

De então para cá o Braga caiu de rendimento. Alan já não vai para novo, e ter Baiano, Ruben Micael, Rafa e Éder não é a mesma coisa que ter Sílvio, Vandinho, Hugo Viana ou Lima. Daí que o Braga, mesmo num ano sem Europa, não tenha conseguido melhor que um quarto lugar bem distante do terceiro classificado. De resto, os arsenalistas só ocuparam lugares do pódio em duas jornadas: na primeira, quando lideraram a classificação, e na 14.ª, quando ascenderam ao terceiro posto. Foi uma prenda de Natal passageira, já que o Braga logo cairia para quinto classificado, posição que manteria até à ronda 20, quando subiu a quarto, por troca com o Guimarães.

O Braga estava a meio de uma série de cinco vitórias, a sua melhor da temporada, que duraria até à jornada 23. Seis pontos acima do quinto classificado, talvez a equipa tenha centrado em demasia as atenções na Taça de Portugal, já que brincou com o fogo no campeonato por diversas vezes, vencendo apenas três dos últimos onze jogos, permitindo ao Guimarães aproximar-se até aos três pontos abaixo.

A primeira presença no Jamor em 17 anos acabou por justificar a ambição depositada na prova rainha, onde os bracarenses viveram os seus momentos mais memoráveis de 2014/15. Na 4.ª eliminatória fizeram tombar o Guimarães em pleno D. Afonso Henriques (1-2), com golos de Rafa e Pardo, repetindo depois a façanha na Luz, pelo mesmo resultado. Pardo também marcou, com o outro golo a ser apontado por Santos. Seguiu-se uma goleada das antigas sobre o Belenenses (7-1), antes de um hat-trick de Zé Luís na primeira mão das meias-finais deixar os arsenalistas com pé e meio na final. Quão irónico que o adversário das meias tenha sido o Rio Ave, precisamente o carrasco do Braga na mesma fase da edição transacta.

A final teve um desfecho amargo, com o triunfo a escapar nos descontos do tempo regulamentar. A jogar com mais um e a vencer por 0-2 desde cedo, o Braga deixou-se apanhar e ficou por baixo do jogo. O desempate por grandes penalidades foi terrível, com André Pinto, Éder e Salvador Agra a falhar os seus pontapés.

A derrota no Jamor teve efeitos desastrosos para Sérgio Conceição. Nem o quarto lugar valeu ao técnico, que deixou o clube dias depois do final da época, por entre relatos de discussão acesa com o presidente António Salvador.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 15:00

Segunda-feira, 01.06.15

Sporting CP 2014/15 – 3.º lugar – 22v, 10e, 2d, 67gm-29gs, 76pts

Leonardo Jardim tinha avisado, ainda na ponta final de 2013/14, que o Sporting teria que se acautelar em termos de plantel para enfrentar uma temporada com jogos europeus à mistura. Coincidência ou não, à 10.ª jornada o Sporting caía para o oitavo lugar da Liga, ao empatar em casa com o Paços de Ferreira (1-1). Levava já quatro jogos disputados na Liga dos Campeões, dos quais vencera apenas um, em casa com o Schalke 04. Estava-se a 10 de Novembro. Oito pontos abaixo do primeiro lugar, o único alento dos verde-e-brancos provinha da Taça de Portugal, onde haviam eliminado o FC Porto no Dragão (1-3) com uma boa exibição.

Esse empate com um Paços que nesse momento até seguia acima do Sporting na classificação era já o terceiro em Alvalade, e sucedia a uma derrota pesada em Guimarães (3-0), num final de tarde endiabrado dos minhotos. As consequências classificativas eram óbvias, e o Sporting só chegaria aos lugares do pódio à 16.ª jornada, quando venceu em Braga com um livre de Tanaka nos descontos.

A data era 11 de Janeiro e a diferença para o líder era já de dez pontos. A Liga dos Campeões também já era passado, com o Sporting ficar um ponto aquém do segundo lugar do grupo. Bem presentes ainda estavam as cinzas do folhetim que marcou o período natalício, nascido de um nítido bate-boca entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, via comunicação social, no qual José Eduardo se envolveu de forma tão inesperada quanto inusitada, se pensarmos que se trata do responsável pelo catering do estádio.

A 8 de Fevereiro surgiria a estocada final nas aspirações leoninas a nível de campeonato, após um empate com o Benfica que custou a engolir. Jefferson marcou para o Sporting aos 87 minutos, mas a vantagem escapou nos segundos finais. Faltavam 14 jogos para o final do campeonato, e apesar da distância pontual para o líder Benfica ser de sete pontos, as atenções do Sporting voltaram-se definitivamente para a Taça de Portugal, onde a caminhada se tornara meiga depois do Dragão. Os leões ultrapassaram Espinho (0-5), Vizela (2-3) e Famalicão (4-0), todos do Campeonato Nacional de Seniores, antes de se baterem com o Nacional nas meias-finais, onde venceram à tangente, por 3-2 no agregado das duas mãos.

O Jamor seria mesmo o clímax da época do leão, que aí quebrou um jejum de troféus que durava desde 2008. A vitória sobre um Braga valoroso foi épica. Jogando com menos um durante 76 minutos, aos 25 de jogo o Sporting perdia por 0-2, mas os golos de Slimani (84’) e Montero (90’+3’) levaram tudo para o prolongamento. Tão impensável quanto incrível. A decisão só chegou nas grandes penalidades, a primeira vez que tal aconteceu numa final. O Braga tremeu, falhando três conversões contra nenhuma do Sporting. Os festejos foram efusivos, e até Bruno de Carvalho andou com jogadores às cavalitas. Marco Silva pareceu ter passado ao lado da celebração. Sinal da paz podre que dura desde Janeiro?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:05

Segunda-feira, 01.06.15

SL Benfica 2014/15 – 1.º lugar – 27v, 4e, 3d, 86gm-16gs, 85 pts

O primeiro bicampeonato do Benfica em 31 anos ofuscou a fotografia maior: foi a primeira vez que o clube conquistou seis troféus em duas temporadas, numa séria ameaça ao domínio portista das últimas décadas. O saldo final de Supertaça, Liga e Taça da Liga volta a colocar os encarnados à frente do FC Porto no somatório de títulos oficiais conquistados.

Tal como na época anterior, o Benfica demonstrou ser a equipa mais tranquila da Liga, graças a uma base de trabalho sólida e com rotinas estabelecidas. Líder desde a quinta jornada, o Benfica cimentou o comando entre as rondas 9 e 17, período em que venceu nove partidas de enfiada, garantindo uma vantagem que lhe permitiu resistir às duas derrotas e três empates averbados na segunda volta.

Apesar de as águias terem sido tanto a equipa mais regular, como aquela que exibiu maior tranquilidade em campo, esses 12 pontos desperdiçados poderiam ter custado muito caro, uma vez que o FC Porto esteve sempre no encalço, terminando a época escassos três pontos mais atrás. Costuma dizer-se que “candeia que vai à frente alumia duas vezes”, e terá sido esse velho ditado a proteger o Benfica, principalmente nos momentos em que o FC Porto não o conseguiu colocar em apuros sérios, não aproveitando alguns desses pontos perdidos.

O destaque do Benfica tem que ir inteiramente para Jonas. O brasileiro, estreante no futebol português, marcou golos a rodos em todas as competições internas, incluindo 20 tentos na Liga. Não fosse um golo anulado na última jornada e teria mesmo sido Jonas o melhor marcador. Lima também esteve em foco, com 19 golos só no campeonato, numa equipa que beneficiou em grande medida da segurança de Júlio César na baliza e da liderança em campo de Luisão, juntamente com nomes como Maxi Pereira, Talisca, Salvio e Gaitán, que foram os motores da equipa, se bem que Talisca tenha sido mais proeminente durante a primeira metade da campanha.

A Europa é que continua a ser um quebra-cabeças para o Benfica. Num grupo teoricamente muito apertado – com Mónaco, Bayer Leverkusen e Zenit – os encarnados terminaram no último lugar, despedindo-se das provas da UEFA logo em Dezembro. A dificuldade de um grupo de Champions como este fica espelhada num aspecto em particular: o Benfica foi o único dos cabeças-de-série que não passou aos oitavos-de-final, enquanto o Mónaco foi a única equipa do pote 4 a apurar-se.

Foi também nesse mês de Dezembro que o Benfica saiu da Taça de Portugal, caindo aos pés do Braga em pleno Estádio da Luz (1-2). Pensando que em 2013/14 o Benfica terminou com cerca de 60 jogos nas pernas, de um certo ponto de vista estas duas eliminações podem ter sido uma dádiva, já que permitiram um enfoque mais intenso sobre o percurso na Liga NOS. A época benfiquista fecharia com a conquista da Taça da Liga, diante do Marítimo na final de Coimbra (2-1), a 29 de Maio.

Nessa altura já estavam praticamente esquecidos os graves tumultos verificados na celebração do 34.º título de campeão. A somar aos confrontos entre claques em Guimarães nas horas que antecederam o jogo decisivo, houve saque de bares e armazéns de material desportivo no recinto dos vimaranenses, antes de um capítulo final nas ruas de Lisboa, onde um grupo de adeptos se envolveu numa rixa com a Polícia, que acabaria por se prolongar por um par de horas, entre arremesso de pedras e garrafas e cargas policiais avenida acima.

Um final de festa bem negro, que desviou as atenções de um pormenor. No ano passado o técnico Jorge Jesus festejou junto de jogadores e adeptos enfeitado com tantos adereços do Benfica que até um agente da PSP o confundiu com um adepto; desta vez foi o último a surgir no palanque, acompanhado por Luís Filipe Vieira, sem que se vissem muitos sorrisos entre ambos. O contrato de Jesus, tanto nesse dia como à data em que escrevo, ainda não foi renovado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:00

Pág. 2/2




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Junho 2015

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930