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CORTE LIMPO



Sexta-feira, 20.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO H

19 Junho - Saransk - Colômbia 1-2 Japão (Quintero 39')(Kagawa g.p. 6', Osako 73')

Nota: 4

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Dificilmente a Colômbia podia ter entrado pior em prova. Logo ao terceiro minuto Carlos Sánchez deu mão na bola em plena grande área e foi expulso. O Japão converteu o castigo mas nem por isso teve vida facilitada nos minutos seguintes. Embora com mais ganas que critério, os cafeteros acabaram mesmo por igualar, num livre directo que Quintero fez passar sob a barreira. O peso da inferioridade numérica colombiana só se faria sentir após o intervalo. Os samurai azuis, ainda assim, precisaram de várias oportunidades até finalmente marcar, por Osako, que desviou de cabeça um canto batido na esquerda. Mais um golo-fetiche do Mundial 2018.

 

19 Junho - Moscovo (Spartak) - Polónia 1-2 Senegal (Krychowiak 86')(Cionek p.b. 37', Niang 60')

Nota: 4

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A tradição polaca de entrar em falso em fases finais de Mundial mantém-se. Desta feita, foi o Senegal a dar um amargo de boca à Polónia, com uma exibição a fazer lembrar as da geração que levou o país aos quartos-de-final em 2002. Velozes sempre que surgia a oportunidade de sair para o ataque, os leões de Teranga colocaram a Polónia em apuros várias vezes, até que já perto do intervalo um remate especulativo de Gueye desviou no central Cionek para o primeiro golo. O segundo nasce de um atraso despropositado de Krychowiak, ao qual o guarda-redes Szczesny acorreu ainda mais despropositadamente, desguarnecendo a baliza. Estava um defesa a chegar também à bola e a saída do guardião atrapalhou-os mutuamente. Aproveitou Niang, que se intrometeu, saiu com a bola e só teve que empurrar. O Senegal recuou um pouco e a Polónia acabaria por marcar já na recta final. A proverbial reacção tardia.

 

24 Junho - Ekaterinburg - Japão 2-2 Senegal (Inui 34', Honda 78')(Sadio Mané 11', Wagué 71')

Nota: 4,5

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Os vencedores da primeira jornada tropeçaram um no outro, repartindo os pontos num jogo muito agradável de seguir, no qual a busca do golo foi uma constante e os tempos mortos foram poucos. Afinal de contas, quem ganhasse ficaria com o apuramento para os oitavos-de-final virtualmente garantido. O Senegal esteve por duas vezes em vantagem, mas em ambas sofreu resposta nipónica na mesma moeda. As equipas ficam assim na periclitante posição em que estão um degrau mais perto do objectivo mas ainda não garantiram nada.

 

24 Junho - Kazan - Polónia 0-3 Colômbia (Mina 43', Falcao 70', Cuadrado 75')

Nota: 4

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A Colômbia rectificou a derrota no primeiro jogo através de uma exibição muito convincente. Um pouco à semelhança do seu próprio jogo inaugural, a Polónia não trouxe ideias concretas sobre o que fazer com a bola, ficando assim refém de uma Colômbia com mais fio de jogo. Os cafeteros criaram perigo, mas só marcariam em cima do intervalo, num canto desviado por Mina. O futebol mais físico dos polacos mantinha-os na discussão, mas faltavam no meio-campo referências capazes de servir Lewandowski em condições. A estocada final deu-se em cinco minutos logo após o meio da segunda parte. Era o coroar da exibição dos sul-americanos. Quase sem aquecer o lugar, a Polónia já sabe que está fora do Mundial.

 

28 Junho - Volgograd - Japão 0-1 Polónia (Bednarek 59')

Nota: 3

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Tal como em 2002 e 2006, a Polónia fechou a sua participação no Mundial com uma vitória depois de duas derrotas sem brilho. Um golo foi quanto bastou. Mesmo derrotado, o Japão passa aos oitavos-de-final, na aplicação do critério de desempate relativo à disciplina, por ter visto menos dois cartões amarelos que o Senegal. Na verdade, os nipónicos brincaram com o fogo ao longo de praticamente todo o jogo, já que pouco fizeram para justificar, pelo menos, um triste empate a zero. De resto, com este resultado bastava que a outra partida tivesse terminado empatada para que o destino dos samurai azuis fosse bem diferente...

 

28 Junho - Samara - Senegal 0-1 Colômbia (Mina 74')

Nota: 3
O nervosismo foi a nota dominante de um encontro em que ambas as equipas tinham em cima da mesa o seu futuro na prova. Por momentos, chegou até a parecer que os dois jogos finais deste grupo decorreram em função do que ia acontecendo no outro. O golo polaco na outra partida conjugado com o 0-0 vigente aqui colocava senegaleses e colombianos na fase seguinte, mas, nunca fiando, a Colômbia optou por ficar a salvo de complicações de última hora - apurar-se-iam na por vezes traiçoeira diferença de golos face ao Japão - e Mina voltou a aproveitar um canto para abrir o marcador. O segundo golo do central neste torneio encaminhava o Senegal para a porta de saída e só aí a equipa se soltou, mas o coração foi maior que a cabeça na hora de definir o ataque.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quinta-feira, 19.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO G

18 Junho - Sochi - Bélgica 3-0 Panamá (Mertens 47', Romelu Lukaku 69', 75')

Nota: 3

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Há dois prismas por que se pode analisar este jogo: uma Bélgica superior venceu um Panamá que pisava território desconhecido; ou então tratou-se da única figura de proa deste Mundial que realizou uma exibição convincente até ao momento. Só na abertura tinha havido um resultado mais desnivelado, o que diz bem das capacidades dos diabos vermelhos. No entanto, foi só na segunda parte que os belgas deixaram à vista os seus pergaminhos, dando assim continuidade à impressionante forma exibida durante a qualificação.

 

18 Junho - Volgograd - Tunísia 1-2 Inglaterra (Sassi g.p. 35')(Kane 11, 90'+1')

Nota: 3

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A Tunísia viveu momentos de pesadelo no seu regresso à fase final doze anos depois da última presença. Sufocante, a Inglaterra teve várias oportunidades flagrantes para resolver o jogo antecipadamente, mas chegou ao intervalo com uma igualdade a uma bola. O golo tunisino, de grande penalidade, era o seu único remate à baliza até aí. Até final os norte-africanos não voltariam a conseguir rematar ao alvo, mas não permitiram as mesmas veleidades aos três leões, e defenderam a igualdade com tudo o que tinham. Faltou apenas um último esforço. Em mais uma tentativa inglesa, já nos descontos, Kane ficou esquecido junto ao segundo poste e só teve que encostar. Foi justo, mas doloroso para a Tunísia.

 

23 Junho - Moscovo (Spartak) - Bélgica 5-2 Tunísia (Eden Hazard g.p. 6', 51', Romelu Lukaku 16', 45'+3', Batshuayi 90')(Bronn 18', Khazri 90'+3')

Nota: 4
O resultado diz tudo sobre o que foi o jogo. A Tunísia nunca deixou de lutar, valorizando o espectáculo, mas a Bélgica foi forte demais. As águias de Cartago tiveram que fazer duas substituições forçadas antes do descanso, o que certamente mexeu com a sua estratégia, e o primeiro golo belga acontece de grande penalidade, mas a Bélgica fez por justificar o avolumar do marcador. Em cima do apito final Khazri acrescentou um golo à conta tunisina. Um justo prémio.

 

24 Junho - Nizhny Novgorod - Inglaterra 6-1 Panamá (Stones 8', 40', Kane g.p. 22, g.p. 45'+1', 62', Lingard 36')(Baloy 78')

Nota: 3,5
Foi como se um furacão varresse a equipa do Panamá. É verdade que houve dois penáltis pelo meio, mas chegar ao intervalo a vencer por 5-0 dificilmente tem contestação. Após o intervalo a Inglaterra abrandou, permitindo ao Panamá ter mais bola e tentar a sua sorte. O momento do jogo surgiria já depois de Kane ter feito o sexto golo inglês, quando Baloy apontou o primeiro golo canalero numa fase final de Mundial. Os panamianos festejaram como se fosse o 0-1. A vitória inglesa entregou o apuramento para os oitavos-de-final também à Bélgica.

 

28 Junho - Kaliningrad - Inglaterra 0-1 Bélgica (Januzaj 51')

Nota: 3
A constituição das equipas não deixava dúvidas: a hora era de gestão, antes dos grandes desafios da fase a eliminar. O caminho para um sensaborão 0-0 estava aberto, mas a verdade é que assim não foi. Certamente desejosos de mostrar alguma coisa aos seus técnicos, os jogadores não estiveram em campo apenas a passar tempo e procuraram vencer o jogo. Até porque estava em disputa o primeiro lugar do grupo. Foi mais feliz a Bélgica, a quem um golo bastou para decidir o encontro.

 

28 Junho - Saransk - Panamá 1-2 Tunísia (Meriah p.b. 33')(Fakhreddine Ben Youssef 51', Khazri 66')

Nota: 3,5
Panamá e Tunísia cumpriram calendário, num jogo que não oferecia mais que a possibilidade de não terminar em último. Os canaleros foram os primeiros a chegar ao golo, mas na segunda parte foram incapazes de segurar a vantagem. A Tunísia deu a volta ao resultado num espaço de quinze minutos. O jogo foi a valer até ao fim. No fundo, as equipas jogaram como se tivessem o apuramento em discussão, valorizando muito o espectáculo.

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por Miran Pavlin às 13:30

Quinta-feira, 19.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO F

 

17 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Alemanha 0-1 México (Lozano 35')

Nota: 4,5

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Eis a primeira grande surpresa, ao quarto dia de Mundial: o México bateu a campeã em título Alemanha. Se no marcador um golo bastou, sobre a relva foi necessário que os mexicanos resistissem às inúmeras tentativas germânicas de reverter o resultado - foram, tão só, 37 os remates tentados pela Alemanha. Quer isto dizer que o México passou bastante mais tempo a defender, mas o veneno que el tri colocou em cada contra-ataque ajuda a justificar o triunfo. Ao ponto de se poder mesmo dizer que os mexicanos deixaram golos por marcar. Valeu Lozano. E Ochoa, pois...

 

18 Junho - Nizhny Novgorod - Suécia 1-0 Coreia do Sul (Granqvist g.p. 65')

Nota: 2,5

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É preciso recuar a 1958 para encontrar a última vez em que a Suécia entrou a ganhar num Mundial. Face ao domínio que exerceram num encontro em que a Coreia do Sul não conseguiu usar da melhor maneira a velocidade que é sua imagem de marca, os nórdicos poderiam ter sentenciado o jogo de outra forma, mas sucumbiram àquilo que já são fetiches deste Mundial: os golos de bola parada e o chamado golo solitário. Incluindo este, dos doze jogos disputados até ao momento, precisamente metade tiveram um único golo.

 

23 Junho - Rostov-do-Don - Coreia do Sul 1-2 México (Heung-Min Son 90'+3')(Vela 26', Javier Hernández 66')

Nota: 3
O primeiro grande objectivo dos mexicanos está conseguido, graças a uma justa vitória sobre uma Coreia do Sul mais enérgica que na estreia, mas que não conseguiu forçar desequilíbrios na defesa adversária. Os coreanos ainda foram a tempo de saborear um golo cosmético, que deixa para história um resultado que não reflecte as incidências do jogo. Enquanto o México já está apurado, a Coreia do Sul está por um fio, e será mesmo eliminada caso a Suécia vença no outro jogo do grupo.

 

23 Junho - Sochi - Alemanha 2-1 Suécia (Reus 48', Kroos 90'+5')(Toivonen 32')

Nota: 5

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Talvez ainda abalada pela entrada em falso, depressa a Alemanha se via num daqueles jogos que exigem suor para arrancar o resultado. Os suecos defendiam com unhas e dentes e expunham mais uma vez a vulnerabilidade alemã aos contra-ataques. O golo de Toivonen, de contra-ataque, podia não ter sido o único da Suécia até ao intervalo. Esperava-se uma reacção da Mannschaft no reatamento, e ela apareceu, um tanto ou quanto aos trambolhões, logo ao terceiro minuto. A Suécia, porém, nunca desarmou. O golo seguinte era essencial, mas não aparecia. Já mais desgastada, a Suécia preferiu reagir à expulsão de Jérôme Boateng (82') defendendo o ponto que tinham na mão. Era um convite para a Alemanha tentar um último assomo. O tal golo essencial apareceria num livre lateral a castigar uma falta desnecessária. Quando dói mais. O ângulo era pouco mas Kroos arriscou e foi feliz.

 

27 Junho - Kazan - Coreia do Sul 2-0 Alemanha (Young-Gwon Kim 90'+3', Heung-Min Son 90'+6')

Nota: 4,5

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Com estrondo, o campeão em título caiu e está fora do Mundial. A surpresa é grande, não só porque a tarefa dos alemães não era, à partida, do outro mundo, mas também porque a equipa revelou uma ansiedade nada característica. A Coreia do Sul, que ainda tinha uma ténue hipótese de passar, não teve medo de jogar olhos nos olhos com a Mannschaft e construiu diversas oportunidades claras, mas só marcaria quando a Alemanha já tinha feito de tudo, menos acertar com a baliza. Em diversos lances, foi mesmo o central Hummels quem andou pela área contrária em busca do golo. O tento coreano só foi confirmado no vídeo-árbitro, que reverteu a decisão inicial de fora-de-jogo; a bola tinha sido jogada em último lugar pelo alemão Kroos. No desespero, Neuer saiu da baliza e integrou-se no ataque. Não no barulho da grande área, mas sim algures na ala esquerda. Como se não bastasse, alguém lhe entregou a bola, que o guardião logo perderia. A bola estava a uns 75 metros da baliza, mas um lançamento longo permitiu a Heung-Min Son empurrar para a confirmação do histórico triunfo dos guerreiros Taeguk. Uma vitória insuficiente, contudo. Já a Alemanha nunca se tinha despedido do Mundial na fase de grupos.

 

27 Junho - Ekaterinburg - México 0-3 Suécia (Augustinsson 50', Granqvist g.p. 62', Álvarez p.b. 74')

Nota: 4
Tal como a Rússia, também o México teve que descer à terra no fecho da fase de grupos. Talvez aburguesados pelos resultados anteriores, os mexicanos tiveram muitas dificuldades para contrariar a iniciativa de uma equipa sueca que precisava vencer para se apurar. O desenrolar do outro jogo acabou por retirar aos nórdicos a necessidade de se preocuparem com a diferença de golos em caso de desempate com a Alemanha, mas mesmo assim os suecos avançaram até um marcador final robusto, que os fez saltar do terceiro posto para a vitória no grupo. Atordoado, o México caiu para o segundo lugar.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quarta-feira, 18.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO E

17 Junho - Samara - Costa Rica 0-1 Sérvia (Kolarov 56')

Nota: 3

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Costa Rica e Sérvia protagonizaram um jogo de grande equilíbrio, decidido num lance de bola parada, no caso um livre directo batido com mestria por Kolarov. Embora os primeiros dez minutos tenham sido abertos, a partida logo se tornou num jogo do gato e do rato. Não espantou, portanto que se tenha resolvido de uma das formas habituais em jogos com estas características - sendo as outras um momento de génio, um auto-golo ou um ressalto feliz. Em vantagem os sérvios retraíram-se, mas os ticos não tiveram o engenho necessário para criar perigo continuado.

 

17 Junho - Rostov-do-Don - Brasil 1-1 Suíça (Coutinho 20')(Zuber 50')

Nota: 3,5

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Depois de uma fase de qualificação irrepreensível desde que Tite assumiu o comando, o Brasil encravou no arranque da fase final, diante de uma Suíça que nunca entrou em pânico perante os melhores momentos do escrete. Importa realçar que os helvéticos fizeram eles próprios uma qualificação meritória, pese embora tenham competido num grupo humilde, pelo que este empate não será assim tão surpreendente. O Brasil foi melhor na primeira parte e Coutinho assinou um golaço num remate cruzado em arco, mas depois de sofrerem o empate ainda a frio na segunda parte, os canarinhos não foram capazes de elevar o ritmo. A coesão suíça fez o resto, dando um condimento extra a um grupo que parecia resolvido de antemão.

 

22 Junho - São Petersburgo - Brasil 2-0 Costa Rica (Coutinho 90'+1', Neymar 90'+7')

Nota: 3,5

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O Brasil sofreu a bom sofrer para levar de vencida a Costa Rica, num jogo que podia ter sido resolvido bem antes dos descontos, face ao sufoco que os ticos viveram de cada vez que a canarinha avançava sobre o seu último reduto. Mas apenas na segunda parte, pois o intervalo chegou sem que houvesse algo de importante a assinalar. A Costa Rica aproveitou os intervalos da chuva para subir um pouco no terreno, mas pode dar-se por feliz por ter escapado a uma goleada. E como água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, o período de compensação traria os golos do alívio brasileiro. Duro para a Costa Rica.

 

22 Junho - Kaliningrad - Sérvia 1-2 Suíça (Mitrovic 5')(Granit Xhaka 52', Shaqiri 90')

Nota: 4

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Por muito que se quisesse fugir aos contornos políticos subjacentes ao jogo, no final não lhes era possível escapar, já que os golos do triunfo helvético foram apontados por homens de origem cosovar-albanesa. A Sérvia foi melhor ao longo de toda a primeira parte, mas a Suíça nunca esteve fora do jogo. Após o intervalo, e ainda sem se perceber qual a tendência que o jogo tomaria, os suíços empatam, num remate de ressaca de Xhaka. Um golaço, que em última instância fez com que os sérvios se atrevessem menos no ataque. Até porque um eventual empate não deixava de lhes ser mais conveniente. Para a Suíça, contudo, não o era, pelo que o jogo se manteve vivo. Mas nem sempre bem jogado. Corria o último minuto do tempo regulamentar quando um ataque rápido deixou Shaqiri isolado a caminho da baliza. A caminho do golo tão decisivo quanto político. O desfecho do encontro nada decidiu, mas a Suíça fica mais perto do apuramento.

 

27 Junho - Moscovo (Spartak) - Sérvia 0-2 Brasil (Paulinho 36', Thiago Silva 68')

Nota: 3

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O Brasil garantiu um lugar nos oitavos-de-final sem o sofrimento vivido na partida com a Costa Rica, pese embora a Sérvia não tenha sido um adversário fácil. Os balcânicos procuraram ter a bola e forçar descompensações no escrete, mas falta-lhes um ou dois elementos desequilibradores. Além de faltar um cheirinho do joga bonito associado ao Brasil - a antiga Jugoslávia chegou a ser apelidada de Brasil da Europa. Ainda assim, o Brasil acabou por nem precisar de jogar como nunca para encaminhar o jogo a seu favor. Um magnífico passe de Paulinho para a desmarcação de Coutinho deu o primeiro golo canarinho; Thiago Silva mataria o jogo ao desviar um canto, ao primeiro poste. A Sérvia foi, apesar de tudo, uma digna vencida. O Brasil venceu o grupo.

 

27 Junho - Nizhny Novgorod - Suíça 2-2 Costa Rica (Dzemaili 31', Drmic 88')(Waston 56', Sommer p.b. 90'+3')

Nota: 4
Enquanto a Suíça precisava, na melhor das hipóteses, de um ponto para seguir em frente, os ticos já estavam eliminados. A defesa da honra era o seu único propósito. E ninguém pode dizer que os costa-riquenhos não o tenham feito. Assustaram os suíços - bola ao ferro, defesa apertada de Sommer - e recuperaram de duas desvantagens, a última já ao cair do pano, num penálti que bateu na trave e na cabeça de Sommer antes de entrar. A Suíça, quiçá também jogando com o que se passava no outro jogo, fez o suficiente para não perder e segue em frente como segunda classificada do grupo.

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por Miran Pavlin às 13:30

Quarta-feira, 18.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO D

16 Junho - Moscovo (Spartak) - Argentina 1-1 Islândia (Agüero 19')(Finnbogason 23')

Nota: 4

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Não satisfeita com o brilharete no Euro 2016, a Islândia assinalou a sua estreia na fase final mundial com um empate que dá nas vistas pelo nome do adversário. Os nórdicos criaram perigo sério dentro dos primeiros dez minutos, mas seria a Argentina a abrir o activo, num bom trabalho de Agüero na área. Finnbogason aproveitou uma segunda bola junto à pequena área para igualar volvidos apenas quatro minutos, forçando a albiceleste a começar de novo. A partir daqui a intranquilidade dos homens das pampas foi notória, ficando espelhada no penálti perdido por Messi (64'), que bateu fraco e deninciado para defesa de Halldórsson. Muito física - mas leal -, a Islândia segurou o empate até final.

 

16 Junho - Kaliningrad - Croácia 2-0 Nigéria (Etebo p.b. 32, Modric g.p. 71')

Nota: 2,5
Uma Croácia firme levou de vencida a Nigéria, tirando o melhor partido do empate no outro jogo do grupo. Ainda assim, os golos surgiram de forma fortuita, com Etebo a desviar para a própria baliza um cabeceamento de um croata após canto, e com uma grande penalidade a meio do segundo tempo. Os balcânicos ainda poderiam ter elevado nos minutos finais, mas faltou acerto.

 

21 Junho - Nizhny Novgorod - Argentina 0-3 Croácia (Rebic 53', Modric 80', Rakitic 90'+1')

Nota: 4

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Ao longo da sua história em fases finais a Croácia foi coleccionando vitórias diante da fina flor do futebol internacional. Alemanha (Mundial'98, Euro 2008), Holanda (Mundial'98), Itália (Mundial 2002) e Espanha (Euro 2016); todos caíram aos pés dos croatas. Agora foi a vez de a Argentina se vergar. Personalizada, a Croácia tirou todo o partido de uma albiceleste com mais problemas que soluções. No entanto, foi preciso um erro incrível de Caballero para desbloquear o marcador. O guarda-redes colocou inadvertidamente em Rebic quando queria passar pelo ar para o lateral-direito. A partir desse momento, a Croácia avançou para números que só surpreendem quem não viu o jogo. Modric fez um golaço, num remate colocado de fora da área.

 

22 Junho - Volgograd - Nigéria 2-0 Islândia (Musa 49', 75')

Nota: 4
O encontro seguiu o padrão habitual deste Mundial: primeira parte equilibrada, com mais ou menos oportunidades para cada lado, e os golos a aparecerem apenas na segunda metade. Este jogo era uma óptima oportunidade para qualquer das equipas marcar posição na luta pelo acesso à fase a eliminar, em face das dificuldades sentidas pela Argentina. O segundo tempo foi então mais aberto, também porque a Nigéria saltou para o comando logo nos primeiros minutos. A Islândia teve bons momentos e beneficiou mesmo de uma grande penalidade (83'), mas Gylfi Sigurdsson atirou alto demais. Esse desperdício esmoreceu uma recta final que se previa electrizante, pois a Islândia estava no seu melhor momento em todo o encontro.

 

26 Junho - São Petersburgo - Nigéria 1-2 Argentina (Moses g.p. 51')(Messi 14', Rojo 86')

Nota: 4
Com o espectro da eliminação precoce bem à sua frente, a Argentina pensou ter vivido um momento talismânico quando Messi se desmarcou e inaugurou o marcador ainda cedo. Seria engano, pois a Nigéria não estava pronta para sair sem dar luta. Afinal de contas, à entrada para o jogo os nigerianos tinham três pontos contra um do adversário. Daí que a Argentina tenha sofrido a bom sofrer para se apurar, principalmente depois de as super águias chegarem ao golo através de uma grande penalidade descortinada no vídeo-árbitro. Nenhuma das equipas parecia tranquila no jogo, num equilíbrio instável que cedeu já na hora do desespero, quando Rojo, o lateral-esquerdo, imagine-se, apareceu na pequena área para finalizar um lance de insistência e colocar a Argentina nos oitavos-de-final. Foi uma repetição do encontro de há quatro anos (2-3), no qual Rojo também foi herói; desta vez em cima da hora. Messi também marcou nesse dia.

 

26 Junho - Rostov-do-Don - Islândia 1-2 Croácia (Gylfi Sigurdsson g.p. 76')(Badelj 53', Perisic 90')

Nota: 3,5

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Já com o apuramento na mão, a Croácia optou por rodar jogadores, mas nem por isso a Islândia teve a vida facilitada. A partoda demorou, contudo, a desbloquear. A partir do quarto de hora os nórdicos jogavam também com a pressão psicológica de o resultado do outro jogo lhes ser desfavorável, o que terá tolhido a equipa. A Croácia marcaria apenas na segunda parte, com Badelj a acorrer a uma segunda bola e disparar forte para o 0-1. Só encostada às cordas a Islândia procurou pegar mais firmemente no jogo e houve perigo para os croatas. O golo é que só surgiria de grande penalidade, que foi a única forma de ultrapassar o sólido bloco dos vatreni. Nas contas finais, mesmo o empate não chegava para a Islândia se apurar, mas seria um prémio merecido no culminar dos quatro anos mais improváveis de sempre do futebol islandês.

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por Miran Pavlin às 12:30

Terça-feira, 17.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO C

16 Junho - Kazan - França 2-1 Austrália (Griezmann g.p. 58', Behich p.b. 81')(Jedinak g.p. 62')

Nota: 3
A França segurou os três pontos no jogo inaugural, mas esteve longe de convencer. Talvez acusando a juventude do plantel, os bleus tiveram dificuldades em impor-se no jogo, e chegaram mesmo a apanhar um valente susto, quando um remate australiano desviado num defensor contrário por pouco não traiu Lloris. A vantagem gaulesa só chegaria no segundo tempo, na conversão de uma grande penalidade, mas logo a seguir os socceroos tiveram eles próprios um castigo máximo e Jedinak recolocou tudo na estaca zero. A Austrália voltava ao futebol especulativo, e só a má cara da França ia fazendo com que o empate fosse justo. Essa justiça foi às malvas quando um remate aparentemente inofensivo de Pogba ressaltou para o ar em Behich e ganhou um estranho efeito, batendo depois na trave e no interior da baliza. Mas apenas por um triz. A Austrália já não conseguiu responder de novo.

 

16 Junho - Saransk - Peru 0-1 Dinamarca (Yussuf Poulsen 59')

Nota: 3,5

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As duas selecções estavam de regresso após ausência. Enquanto os nórdicos não picavam o ponto desde 2010, no caso peruano a última presença na fase final do Mundial fora há já 36 anos, pelo que a ansiedade era grande. Tão grande, que Cueva tremeu na hora de bater uma grande penalidade e atirou por cima (45'). Foi a melhor oportunidade das muitas construídas pelo ataque dos incas. E como quem não marca, sofre, a máxima cumpriu-se no segundo tempo. Num rápido contra-atque, Poulsen sentenciou o jogo, premiando uma Dinamarca com menos arte que no passado, mas com a mesma disponibilidade e ainda com Schmeichel a fazer lembrar o pai. Talvez o Peru tenha sido melhor, mas acabou traído pela vertigam causada pelo palco em que jogavam.

 

21 Junho - Samara - Dinamarca 1-1 Austrália (Eriksen 7')(Jedinak g.p. 38')

Nota: 3,5

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O equilíbrio reinou num jogo entretido, em que ambas as equipas procuraram sair a jogar, se bem que nem sempre tivessem o engenho necessário para subir até à área oposta. A Dinamarca entrou melhor e marcou cedo, mas teve que lidar com a reacção australiana, que aparentemente não sentiu o golo sofrido. Notou-se contudo, a falta de uma referência ofensiva que fosse capaz de dar pelo menos um pouco do que Cahill consegue dar; e Nabbout não parece ser essa referência. O facto de três dos últimos cinco golos da Austrália na fase final terem sido de grande penalidade é sintomático dessa falta. Os outros dois foram apontados, pois, por Cahill. O empate final acaba por ser um mal menor, embora a Dinamarca respire um pouco melhor na classificação.

 

21 Junho - Ekaterinburg - França 1-0 Peru (Mbappé 34')

Nota: 3

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Os serviços mínimos bastaram para que a França carimbasse a passagem à fase seguinte, ao mesmo tempo que traçava o indesejado destino do Peru: o regresso a casa. Em virtude de uma certa falta de intensidade dos bleus, o Peru nunca esteve fora do jogo, mas mais uma vez não foi concreto na hora de definir as jogadas no último terço contrário. O mais perto que os peruanos estiveram do golo foi quando encontraram o poste. Difícil de romper, a defensiva francesa segurou a vantagem dada pelo tento solitário de Mbappé.

 

26 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Dinamarca 0-0 França

Nota: 1

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Moscovo testemunhou o mais recente exemplo daquilo que é o terror de qualquer terceira e última jornada de fase de grupos: o jogo morno que termina com um 0-0 que satisfaz as pretensões dos dois intervenientes na contenda. Já apurados, os gauleses garantiam o primeiro lugar do grupo com um ponto, ao passo que a Dinamarca, certamente com um ouvido no que se ia passando no outro jogo, não estava interessada em arriscar mais que o ponto que já tem mal o jogo começa. O perigo junto às balizas foi tão pouco que o nulo é o resultado inevitável. É, aliás, o primeiro deste Mundial, a dois dias do fim da fase de grupos.

 

26 Junho - Sochi - Austrália 0-2 Peru (Carrillo 18', Guerrero 50')

Nota: 3

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Necessitada de vencer, a Austrália entrou forte e colocou a defesa contrária em sentido um bom par de vezes. Ao primeiro relaxe, contudo, o Peru subiu ao ataque e abriu o activo, para gáudio dos muitos peruanos nas bancadas. O golpe abalou os australianos, que só conseguiriam recompor-se no arranque do segundo tempo, altura em que voltaram à carga sobre as redes de Gallese. O destino é que não voltou a querer nada com os socceroos, que viram o Peru alargar a distância novamente contra a corrente do jogo. Foi a estocada final na Austrália, que ficava só com o coração para disputar o que faltava do jogo. Tranquilizados, os peruanos ainda poderiam ter elevado o resultado para números mais pesados.

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por Miran Pavlin às 13:30

Terça-feira, 17.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO B

15 Junho - São Petersburgo - Marrocos 0-1 Irão (Bouhaddouz p.b. 90'+5')

Nota: 3,5

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Vinte anos depois, o Irão voltou a vencer uma partida num Mundial, e logo da forma que dói mais: com um golo bem dentro dos descontos. Como se isso não bastasse, tratou-se de um auto-golo, com Bouhaddouz - um avançado - a cabecear para as redes erradas um livre lateral de Hajsafi. Foi um soco no estômago para uma formação marroquina que dominou o encontro e construiu diversas oportunidades claras. Apostado no contra-ataque, o Irão foi escapando por entre os pingos da chuva, embora tenha tido ele próprio algumas oportunidades. A decisão do jogo apareceria, no entanto, num golpe de sorte. O futebol é uma caixinha de surpresas.

 

15 Junho - Sochi - Portugal 3-3 Espanha (Cristiano Ronaldo g.p. 3', 44', 88')(Diego Costa 24', 54', Nacho 58')

Nota: 5

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Fossem todos os dérbis assim. Muitos golos, alternância no marcador, uma reviravolta, e um empate final que deixa mais contentes uns que outros. Portugal entrou bem no jogo, mas a Espanha reagiu em força à desvantagem. Os lusos voltariam ao comando num frango de De Gea, mas a roja teve forças para dar a volta ao marcador - que golaço de Nacho num remate de longe - e podia até ter decidido o resultado. Não o fazendo ficou sujeita ao incerto, o que pode ser fatal se estiver do outro lado um dos melhores jogadores do mundo. E seria, pois, um livre de Cristiano Ronaldo a fixar o resultado final. Portugal bem lhe pode estar grato; pareceu até que este jogo foi uma missão a solo de Ronaldo. A igualdade tardia, apesar de tudo, veio tirar alguma justiça ao resultado.

 

20 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Portugal 1-0 Marrocos (Cristiano Ronaldo 4')

Nota: 4

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Portugal voltou a escapar de boa, ao cabo de um jogo em que consentiu demasiados lances perigosos a uma muito incómoda equipa marroquina. O golo madrugador deixava antever outro desfecho, mas a verdade é que Marrocos reagiu, e de que maneira, ao ponto de parecer que os papéis se tinham invertido e que Portugal era a equipa teoricamente inferior. Rui Patrício teve que se aplicar para deter um cabeceamento de Belhanda (57'), na melhor oportunidade dos leões do Atlas. Noutros lances, foi a pontaria a trair Marrocos, quando o golo parecia perto. Portugal sobreviveu. Por pouco.

 

20 Junho - Kazan - Irão 0-1 Espanha (Diego Costa 54')

Nota: 4
Este jogo é um bom exemplo do que pode acontecer quando uma equipa compensa a sua teórica inferioridade com garra e coragem. Sem medo do choque, os iranianos lutaram por cada bola como se fosse a última, e com isso a roja nunca conseguiu assentar o seu jogo como decerto desejaria. No final prevaleceu a lei do mais forte, mas apenas graças a um ressalto feliz. O Irão chegou mesmo a marcar, mas os efusivos festejos pararam na bandeira que apontava o fora-de-jogo. O resultado atira desde já Marrocos para fora do Mundial. Tudo o resto fica para decidir no último capítulo do grupo B.

 

25 Junho - Kaliningrad - Espanha 2-2 Marrocos (Isco 19', Iago Aspas 90'+1')(Boutaib 14', En-Nesyri 81')

Nota: 5
Marrocos já estava eliminado, mas fez questão de vender bem caro o apuramento que a Espanha acabou por averbar com o empate. Num jogo em que os nervos estiveram à flor da pele, os norte-africanos adiantaram-se ainda cedo, e por pouco não fizeram o segundo logo de seguida. O tento de Isco não teria um efeito calmante na roja, que mais uma vez não assentou jogo e revelou mesmo uma estranha insegurança. Os marroquinos voltaram a marcar à entrada da recta final do encontro, quando En-Nesyri se elevou para desviar, na zona frontal e com convicção, um canto. Faltou, mais uma vez, segurar o resultado. O segundo golo espanhol, em cima dos descontos, necessitou de confirmação no vídeo-árbitro, que determinou que Aspas não estava adiantado. Face ao resultado final do outro jogo a Espanha apurar-se-ia mesmo perdendo, mas o segundo golo foi salvador, já que fez a roja saltar do segundo para o primeiro posto do grupo.

 

25 Junho - Saransk - Irão 1-1 Portugal (Ansarifard g.p. 90'+2')(Quaresma 45')

Nota: 4,5

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Com o destino em suas mãos, o Irão serviu a Portugal a mesma receita que a Espanha degustara dias antes: garra. E muita! A tensão foi uma constante ao longo de todo o encontro, principalmente do lado dos iranianos, que reclamaram de inúmeras decisões do árbitro paraguaio Enrique Cáceres, mesmo em lances que não ofereciam grandes dúvidas. Uma trivela de Quaresma deu o golo a Portugal instantes antes do intervalo, mas não se fez sentir o efeito psicológico de marcar nessa altura. A equipa das Quinas não conseguia fechar a sete chaves o jogo, nem mesmo quando dispôs de uma grande penalidade. Cristiano Ronaldo permitiu a defesa a Beiranvand (53'). O Irão redobrou esforços após esse lance. Já não era disputar cada bola como se fosse a última; era como se disso dependesse a vida. A crença do Team Melli chegou mesmo a fazer Portugal ver a vida passar-lhe à frente dos olhos. Já nos descontos, uma grande penalidade de fronteira deu a Ansarifard a hipótese de igualar. O Irão precisava agora de mais um golo, que só não aconteceu por um triz, logo a seguir ao 1-1. A finalização de Jahanbakhsh saiu um nada ao lado do poste. Não era garantido que Rui Patrício lhe chegasse, se a bola tivesse ido à baliza. Não passou de um susto para os portugueses, que mesmo mostrando um futebol de poucas ideias sai vivo do inferno que foi este grupo.

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por Miran Pavlin às 12:30

Segunda-feira, 16.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO A

14 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Rússia 5-0 Arábia Saudita (Gazinsky 12', Cheryshev 43', Dzyuba 71', Cheryshev 90'+1', Golovin 90'+4')

Nota: 3,5
Num jogo de abertura com muitos golos, infelizmente para a Arábia Saudita eles aconteceram apenas na sua baliza. Apesar de terem tido bastante bola, os falcões não souberam o que fazer com ela, e as desatenções defensivas fizeram o marcador voar até ao 3-0. A Rússia bem agradece, de tão necessitada que está de um cosmético que disfarce o mau período que os anfitriões vêm vivendo, à conta de alguns resultados menos bons durante a longa preparação.

 

15 Junho - Ekaterinburg - Egipto 0-1 Uruguai (Giménez 89')

Nota: 3

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Faraós e charrúas iniciaram o seu Mundial com bastantes cautelas, que contribuíram para uma primeira parte monótona. No segundo tempo o Uruguai forçou o andamento e obrigou o Esgipto a recuar. Já perto do final, os sul-americanos tiveram as suas melhores oportunidades, por intermédio de Cavani. O avançado começou por rematar para grande defesa de El Shenawy (83'), seguindo-se um remate espontâneo, de meia distância, que esbarrou no poste (88'). O Uruguai tinha pressionado mais em busca da vitória, e foi recompensado em cima dos descontos, após livre lateral.

 

19 Junho - São Petersburgo - Rússia 3-1 Egipto (Fathy p.b. 47', Cheryshev 59', Dzyuba 62')(Salah g.p. 73')

Nota: 3,5

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Bastaram dois jogos para que a nuvem de desconfiança que pairava sobre a equipa russa se dissipasse. Um arranque de segunda parte a todo o gás retirou o Egipto da discussão, ainda que o primeiro golo dos da casa tenha acontecido numa infelicidade de um defesa contrário. Os norte-africanos, contudo, recusaram-se a desistir, até porque ainda havia algum tempo para jogar, e acabaria por chegar ao golo numa grande penalidade convertida por Salah.

 

20 Junho - Rostov-do-Don - Uruguai 1-0 Arábia Saudita (Luis Suárez 23')

Nota: 2
Pragmático, o Uruguai assegurou uma vitória pela margem mínima, frente a uma Arábia Saudita que se mostrou apenas em curtos espaços. O que vale por dizer que os uruguaios controlaram o jogo sem grande esforço, aproveitando para encerrar a questão do apuramento neste grupo, já que o triunfo confirmou que tanto a celeste como a anfitriã Rússia seguem para a próxima fase da competição. A última jornada do grupo servirá apenas para definir as posições finais.

 

25 Junho - Samara - Uruguai 3-0 Rússia (Luis Suárez 10', Cheryshev p.b. 23', Cavani 90')

Nota: 3
Já com o apuramento na mão, a Rússia tomou um banho de realidade às mãos de um Uruguai que assim garantiu o primeiro lugar do grupo. Os sul-americanos saltaram cedo para o comando do marcador e duplicaram a vantagem a meio do primeiro tempo, aqui numa infelicidade de Cheryshev, que desviu para a própria baliza um remate de fora de Laxalt. Os anfitriões procuraram reagir e tiveram um ou outro momento de maior perigo, mas sem sucesso. A expulsão de Smolnikov (36') deixou o Uruguai mais à vontade, e o conformismo tomaria conta das equipas com o passar dos minutos. Perto do fim, Cavani ainda acrescentaria um terceiro golo à contagem.

 

25 Junho - Volgograd - Arábia Saudita 2-1 Egipto (Al Faraj g.p. 45'+5', Al Dawsari 90'+4')(Salah 22')

Nota: 4
O jogo servia apenas para cumprir calendário, mas entra para a História por ser aquele em que foi batido o recorde de jogador mais velho a actuar numa fase final de Mundial. Aos 45 anos, a honra coube ao egípcio El Hadary, que assinalou o momento defendendo uma grande penalidade, mas esse esforço acabaria por não ser suficiente para que o Egipto levasse, pelo menos, um ponto para casa. Os sauditas tiveram outras oportunidades em jogo corrido, mas também é verdade que os faraós não mataram o jogo enquanto puderam. O preço foi pago em cima da meta, quando uma bola aparentemente perdida no flanco direito saudita acabou no fundo da baliza egípcia. A Arábia Saudita não ganhava um jogo na fase final do Mundial desde 1994.

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por Miran Pavlin às 13:30

Segunda-feira, 16.07.18

MUNDIAL FIFA RÚSSIA 2018 - Apreciação

FRACRO - panorâmica estádio.jpg

Pouco antes do fim-de-semana da Final, o presidente da FIFA Gianni Infantino proferiu as palavras fatais: "melhor Mundial de sempre". A nível organizativo só quem lá esteve pode comentar. Dentro de campo talvez não tenha sido o melhor Mundial de sempre, mas esteve lá muito perto. Foi, isso sim, um dos Mundiais mais impiedosos, senão mesmo o mais impiedoso de sempre, ao ponto de nada menos que quatro campeões continentais em título não terem sequer ultrapassado a qualificação, cada um deles em circunstâncias particulares. Os Estados Unidos ficaram do lado errado dos três improváveis resultados da última jornada do hexagonal da CONCACAF, que colocou o Panamá na fase final pela primeira vez na história; em África os Camarões foram um dos óbitos de um grupo da morte como poucos, com Argélia, Nigéria e Zâmbia; já o Chile, ironicamente, foi vítima de um protesto que ele próprio apresentou e que nas contas finais acabou por beneficiar o Peru; o menos cotado dos campeões, a Nova Zelândia, voltou a sucumbir à chaga de todas as qualificações da Oceania: é sempre necessário um play-off intercontinental. A ausência mais notória, no entanto, foi a da tetracampeã Itália, vergada no play-off europeu perante uma Suécia que já tinha deixado a Holanda pelo caminho. Dos detentores sobravam então a Austrália, que precisou desse play-off intercontinental para carimbar o bilhete para a Rússia, o campeão europeu Portugal, que terminou o seu grupo em igualdade pontual com o segundo classificado, e a Alemanha, campeã mundial, que pelo caminho venceu a Taça das Confederações. O Rússia 2018 assinalou ainda um conjunto de regressos após longa ausência, casos do Peru (após 36 anos), do Egipto (28 anos), de Marrocos (20) e de Tunísia e Arábia Saudita (12). Os candidatos à vitória final eram os nomes habituais da Europa e da América do Sul, com especial favoritismo para a Alemanha e para o Brasil. Também a Espanha era vista como favorita, talvez mais pelo estatuto e pela goleada sobre a Argentina (6-1) em Março do que por um futebol próximo do mítico tiki-taka de 2008-2012. As surpresas, essas, é que também passaram a fronteira entre a qualificação e a fase final, dando um toque de imprevisibilidade que estas provas nem sempre têm. Que o diga a Alemanha, nada menos que o quarto campeão em título a não passar dos grupos nos últimos cinco Mundiais. Só o Brasil de 2006 escapou a esta tradição moderna.
Certamente que o Panamá discorda desta afirmação, mas teremos assistido ao Mundial mais equilibrado de sempre. Não foi possível, no entanto, perceber se esse equilíbrio se deveu a progressos feitos pelos países menos cotados, ou a um abaixamento da qualidade global das selecções de topo. O beneficiado, sem dúvida, foi o (tele)espectador, que pôde desfrutar de um Mundial emocionante e recheado de golos, 169 no total (2,64 por jogo); apenas dois golos abaixo do recorde absoluto fixado em 1998 e 2014. Com fases finais assim, quão distante fica a memória das terríveis edições de 2002 e - principalmente - 2006, marcadas por futebol de grande enfoque defensivo. Em 2018 apenas um dos 64 jogos não teve golos, o que é absolutamente notável. Apesar da vocação atacante de praticamente todas as selecções, a percentagem de golos de bola parada foi enorme (41% só na fase de grupos), tornando-se mesmo num fetiche deste Mundial. Foram ainda batidos os recordes de golos obtidos de grande penalidade (21) e de golos na própria baliza, uma contagem que só parou na final, com o 12.º auto-golo.
Depois de em 2014 ter entrado em cena a tecnologia de linha de golo, esta edição marcou o arranque da utilização do vídeo-árbitro (VAR), com resultados globalmente positivos. Analisando caso a caso, saltam à vista dois aspectos: se por um lado o VAR nunca conseguirá ultrapassar a subjectividade intrínseca à aplicação de certas leis do jogo, por outro permite ao juiz de serviço ver com clareza aquilo que a velocidade do jogo não permite. Especialmente quando os jogadores se aglomeram na área. Outra inovação foi a introdução da quarta substituição em caso de prolongamento.
Na hora de todos os balanços, a reflexão mais profunda certamente terá lugar na América do Sul, que pela quarta vez consecutiva vê o título ficar na Europa; também está longe a alternância de décadas entre vencedores de um e outro continente. Pela primeira vez desde 1982 nenhuma equipa africana passou da primeira fase, enquanto da Ásia só sobrou o Japão, que assim pôde contar a história do melhor jogo deste Mundial, na eliminatória com a Bélgica. Já o México ficou pelos oitavos-de-final pelo sétimo Mundial seguido, um problema que talvez só tenha solução em 2026. As sortes dos dez representantes europeus na fase a eliminar foram, evidentemente, distintas. Portugal e Espanha caíram logo nos oitavos-de-final, quiçá sem grande surpresa face ao desenrolar da competição. Suécia e Rússia atingiram os quartos-de-final; os primeiros sem deslumbrar, os anfitriões superando expectativas, ao ponto de adiarem até às grandes penalidades a decisão do seu encontro com a Croácia - que já tinha ela própria eliminado a Dinamarca dessa forma. A Inglaterra também chegou mais longe que o esperado, vencendo pelo caminho um desempate por grandes penalidades 22 anos depois. A Bélgica foi a equipa mais entusiasmante, mas ficou-se pelo terceiro lugar.
A taça mais desejada ficou então nas mãos da França. É certo que os gauleses nem sempre deslumbraram, mas foram a equipa mais sólida da competição, e foi essa solidez que abriu espaço para os homens mais avançados fazerem uso das suas potencialidades. Ao longo da prova a Croácia fez por justificar em pleno a sua primeira ida à Final, mesmo que tenha precisado de três prolongamentos e dois desempates para lá chegar. A medalha de prata é, por si só, histórica, mas talvez não abra um precedente. Se os 88 anos de história do Mundial fizerem jurisprudência, esta terá sido a única vez em que os croatas actuaram no palco máximo do futebol mundial.
As próximas publicações trazem todos os detalhes sobre o que foi este Mundial FIFA Rússia 2018, grupo a grupo, jogo a jogo. Cada partida recebe uma nota, de acordo com a seguinte escala:

5 - futebol em estado puro, como diria Luís Freitas Lobo;
4 - não foi futebol em estado puro, mas foi mesmo assim um bom jogo;
3 - não foi um jogo para a história, mas já vi muito pior;
2 - a bola rolou, mas pouco mais fica para memória futura;
1 - estou arrependido de ter ligado a televisão;
0 - estou arrependido de gostar de futebol.

Nos casos em que o número inteiro não é suficiente, pode ser adicionado meio valor.

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por Miran Pavlin às 12:30



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