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CORTE LIMPO

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Segunda-feira, 16.07.18

Mundial Rússia 2018 - GRUPO A

14 Junho - Moscovo (Luzhniki) - Rússia 5-0 Arábia Saudita (Gazinsky 12', Cheryshev 43', Dzyuba 71', Cheryshev 90'+1', Golovin 90'+4')

Nota: 3,5
Num jogo de abertura com muitos golos, infelizmente para a Arábia Saudita eles aconteceram apenas na sua baliza. Apesar de terem tido bastante bola, os falcões não souberam o que fazer com ela, e as desatenções defensivas fizeram o marcador voar até ao 3-0. A Rússia bem agradece, de tão necessitada que está de um cosmético que disfarce o mau período que os anfitriões vêm vivendo, à conta de alguns resultados menos bons durante a longa preparação.

 

15 Junho - Ekaterinburg - Egipto 0-1 Uruguai (Giménez 89')

Nota: 3

EGYURU.jpg

Faraós e charrúas iniciaram o seu Mundial com bastantes cautelas, que contribuíram para uma primeira parte monótona. No segundo tempo o Uruguai forçou o andamento e obrigou o Esgipto a recuar. Já perto do final, os sul-americanos tiveram as suas melhores oportunidades, por intermédio de Cavani. O avançado começou por rematar para grande defesa de El Shenawy (83'), seguindo-se um remate espontâneo, de meia distância, que esbarrou no poste (88'). O Uruguai tinha pressionado mais em busca da vitória, e foi recompensado em cima dos descontos, após livre lateral.

 

19 Junho - São Petersburgo - Rússia 3-1 Egipto (Fathy p.b. 47', Cheryshev 59', Dzyuba 62')(Salah g.p. 73')

Nota: 3,5

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Bastaram dois jogos para que a nuvem de desconfiança que pairava sobre a equipa russa se dissipasse. Um arranque de segunda parte a todo o gás retirou o Egipto da discussão, ainda que o primeiro golo dos da casa tenha acontecido numa infelicidade de um defesa contrário. Os norte-africanos, contudo, recusaram-se a desistir, até porque ainda havia algum tempo para jogar, e acabaria por chegar ao golo numa grande penalidade convertida por Salah.

 

20 Junho - Rostov-do-Don - Uruguai 1-0 Arábia Saudita (Luis Suárez 23')

Nota: 2
Pragmático, o Uruguai assegurou uma vitória pela margem mínima, frente a uma Arábia Saudita que se mostrou apenas em curtos espaços. O que vale por dizer que os uruguaios controlaram o jogo sem grande esforço, aproveitando para encerrar a questão do apuramento neste grupo, já que o triunfo confirmou que tanto a celeste como a anfitriã Rússia seguem para a próxima fase da competição. A última jornada do grupo servirá apenas para definir as posições finais.

 

25 Junho - Samara - Uruguai 3-0 Rússia (Luis Suárez 10', Cheryshev p.b. 23', Cavani 90')

Nota: 3
Já com o apuramento na mão, a Rússia tomou um banho de realidade às mãos de um Uruguai que assim garantiu o primeiro lugar do grupo. Os sul-americanos saltaram cedo para o comando do marcador e duplicaram a vantagem a meio do primeiro tempo, aqui numa infelicidade de Cheryshev, que desviou para a própria baliza um remate de fora de Laxalt. Os anfitriões procuraram reagir e tiveram um ou outro momento de maior perigo, mas sem sucesso. A expulsão de Smolnikov (36') deixou o Uruguai mais à vontade, e o conformismo tomaria conta das equipas com o passar dos minutos. Perto do fim, Cavani ainda acrescentaria um terceiro golo à contagem.

 

25 Junho - Volgograd - Arábia Saudita 2-1 Egipto (Al Faraj g.p. 45'+5', Al Dawsari 90'+4')(Salah 22')

Nota: 4
O jogo servia apenas para cumprir calendário, mas entra para a História por ser aquele em que foi batido o recorde de jogador mais velho a actuar numa fase final de Mundial. Aos 45 anos, a honra coube ao egípcio El Hadary, que assinalou o momento defendendo uma grande penalidade, mas esse esforço acabaria por não ser suficiente para que o Egipto levasse, pelo menos, um ponto para casa. Os sauditas tiveram outras oportunidades em jogo corrido, mas também é verdade que os faraós não mataram o jogo enquanto puderam. O preço foi pago em cima da meta, quando uma bola aparentemente perdida no flanco direito saudita acabou no fundo da baliza egípcia. A Arábia Saudita não ganhava um jogo na fase final do Mundial desde 1994.

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por Miran Pavlin às 13:30

Segunda-feira, 16.07.18

MUNDIAL FIFA RÚSSIA 2018 - Apreciação

FRACRO - panorâmica estádio.jpg

Pouco antes do fim-de-semana da Final, o presidente da FIFA Gianni Infantino proferiu as palavras fatais: "melhor Mundial de sempre". A nível organizativo só quem lá esteve pode comentar. Dentro de campo talvez não tenha sido o melhor Mundial de sempre, mas esteve lá muito perto. Foi, isso sim, um dos Mundiais mais impiedosos, senão mesmo o mais impiedoso de sempre, ao ponto de nada menos que quatro campeões continentais em título não terem sequer ultrapassado a qualificação, cada um deles em circunstâncias particulares. Os Estados Unidos ficaram do lado errado dos três improváveis resultados da última jornada do hexagonal da CONCACAF, que colocou o Panamá na fase final pela primeira vez na história; em África os Camarões foram um dos óbitos de um grupo da morte como poucos, com Argélia, Nigéria e Zâmbia; já o Chile, ironicamente, foi vítima de um protesto que ele próprio apresentou e que nas contas finais acabou por beneficiar o Peru; o menos cotado dos campeões, a Nova Zelândia, voltou a sucumbir à chaga de todas as qualificações da Oceania: é sempre necessário um play-off intercontinental. A ausência mais notória, no entanto, foi a da tetracampeã Itália, vergada no play-off europeu perante uma Suécia que já tinha deixado a Holanda pelo caminho. Dos detentores sobravam então a Austrália, que precisou desse play-off intercontinental para carimbar o bilhete para a Rússia, o campeão europeu Portugal, que terminou o seu grupo em igualdade pontual com o segundo classificado, e a Alemanha, campeã mundial, que pelo caminho venceu a Taça das Confederações. O Rússia 2018 assinalou ainda um conjunto de regressos após longa ausência, casos do Peru (após 36 anos), do Egipto (28 anos), de Marrocos (20) e de Tunísia e Arábia Saudita (12). Os candidatos à vitória final eram os nomes habituais da Europa e da América do Sul, com especial favoritismo para a Alemanha e para o Brasil. Também a Espanha era vista como favorita, talvez mais pelo estatuto e pela goleada sobre a Argentina (6-1) em Março do que por um futebol próximo do mítico tiki-taka de 2008-2012. As surpresas, essas, é que também passaram a fronteira entre a qualificação e a fase final, dando um toque de imprevisibilidade que estas provas nem sempre têm. Que o diga a Alemanha, nada menos que o quarto campeão em título a não passar dos grupos nos últimos cinco Mundiais. Só o Brasil de 2006 escapou a esta tradição moderna.
Certamente que o Panamá discorda desta afirmação, mas teremos assistido ao Mundial mais equilibrado de sempre. Não foi possível, no entanto, perceber se esse equilíbrio se deveu a progressos feitos pelos países menos cotados, ou a um abaixamento da qualidade global das selecções de topo. O beneficiado, sem dúvida, foi o (tele)espectador, que pôde desfrutar de um Mundial emocionante e recheado de golos, 169 no total (2,64 por jogo); apenas dois golos abaixo do recorde absoluto fixado em 1998 e 2014. Com fases finais assim, quão distante fica a memória das terríveis edições de 2002 e - principalmente - 2006, marcadas por futebol de grande enfoque defensivo. Em 2018 apenas um dos 64 jogos não teve golos, o que é absolutamente notável. Apesar da vocação atacante de praticamente todas as selecções, a percentagem de golos de bola parada foi enorme (41% só na fase de grupos), tornando-se mesmo num fetiche deste Mundial. Foram ainda batidos os recordes de golos obtidos de grande penalidade (21) e de golos na própria baliza, uma contagem que só parou na final, com o 12.º auto-golo.
Depois de em 2014 ter entrado em cena a tecnologia de linha de golo, esta edição marcou o arranque da utilização do vídeo-árbitro (VAR), com resultados globalmente positivos. Analisando caso a caso, saltam à vista dois aspectos: se por um lado o VAR nunca conseguirá ultrapassar a subjectividade intrínseca à aplicação de certas leis do jogo, por outro permite ao juiz de serviço ver com clareza aquilo que a velocidade do jogo não permite. Especialmente quando os jogadores se aglomeram na área. Outra inovação foi a introdução da quarta substituição em caso de prolongamento.
Na hora de todos os balanços, a reflexão mais profunda certamente terá lugar na América do Sul, que pela quarta vez consecutiva vê o título ficar na Europa; também está longe a alternância de décadas entre vencedores de um e outro continente. Pela primeira vez desde 1982 nenhuma equipa africana passou da primeira fase, enquanto da Ásia só sobrou o Japão, que assim pôde contar a história do melhor jogo deste Mundial, na eliminatória com a Bélgica. Já o México ficou pelos oitavos-de-final pelo sétimo Mundial seguido, um problema que talvez só tenha solução em 2026. As sortes dos dez representantes europeus na fase a eliminar foram, evidentemente, distintas. Portugal e Espanha caíram logo nos oitavos-de-final, quiçá sem grande surpresa face ao desenrolar da competição. Suécia e Rússia atingiram os quartos-de-final; os primeiros sem deslumbrar, os anfitriões superando expectativas, ao ponto de adiarem até às grandes penalidades a decisão do seu encontro com a Croácia - que já tinha ela própria eliminado a Dinamarca dessa forma. A Inglaterra também chegou mais longe que o esperado, vencendo pelo caminho um desempate por grandes penalidades 22 anos depois. A Bélgica foi a equipa mais entusiasmante, mas ficou-se pelo terceiro lugar.
A taça mais desejada ficou então nas mãos da França. É certo que os gauleses nem sempre deslumbraram, mas foram a equipa mais sólida da competição, e foi essa solidez que abriu espaço para os homens mais avançados fazerem uso das suas potencialidades. Ao longo da prova a Croácia fez por justificar em pleno a sua primeira ida à Final, mesmo que tenha precisado de três prolongamentos e dois desempates para lá chegar. A medalha de prata é, por si só, histórica, mas talvez não abra um precedente. Se os 88 anos de história do Mundial fizerem jurisprudência, esta terá sido a única vez em que os croatas actuaram no palco máximo do futebol mundial.
As próximas publicações trazem todos os detalhes sobre o que foi este Mundial FIFA Rússia 2018, grupo a grupo, jogo a jogo. Cada partida recebe uma nota, de acordo com a seguinte escala:

5 - futebol em estado puro, como diria Luís Freitas Lobo;
4 - não foi futebol em estado puro, mas foi mesmo assim um bom jogo;
3 - não foi um jogo para a história, mas já vi muito pior;
2 - a bola rolou, mas pouco mais fica para memória futura;
1 - estou arrependido de ter ligado a televisão;
0 - estou arrependido de gostar de futebol.

Nos casos em que o número inteiro não é suficiente, pode ser adicionado meio valor.

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por Miran Pavlin às 12:30



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