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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quinta-feira, 30.05.19

CS MARÍTIMO 2018/19

MAR - golo.jpg

Ostentando já o rótulo de histórico do futebol português, ou não fosse o quinto clube há mais tempo consecutivamente na I Liga (desde 1985/86), o Marítimo parece ter recuado até aos seus primeiros tempos na divisão máxima, em que a luta era mais pela manutenção que pela Europa. Se nas épocas mais recentes acabou por não se poder escrever o seguinte com as letras todas, desta vez não houve margem para dúvidas: o Marítimo esteve efectivamente na luta pela permanência. O arranque até foi prometedor, com nove pontos em 12 possíveis, mas logo os leões do Funchal entraram numa terrível série de onze jogos sem vencer (jornadas 5 a 15), que os deixaram no proibido 16.º lugar nessa jornada. Valeu que a equipa ainda foi a tempo de se recompor, pese embora tenha sido o pior ataque desta edição do campeonato, com 26 golos marcados; o terceiro pior total dos verde-rubros na I Liga. O decréscimo de competitividade do Marítimo talvez não seja alheio aos treinadores que têm passado pelo clube nos anos recentes. É certo que Daniel Ramos fez do reduto maritimista uma fortaleza entre 2016/17 e 2017/18, mas nomes como Leonel Pontes (2014/15), ou Paulo César Gusmão (2016/17), não deram conta do recado. Tal como a aposta ousada que se lhes seguiu.

 

TREINADORES

MAR - Cláudio Braga.jpgCláudio Braga não trazia consigo um currículo por aí além, mas chegava ao Marítimo depois de promover o Fortuna Sittard à Eredivisie holandesa em 2017/18. A presença do técnico na ilha terminaria ao fim de dez pontos noutras tantas jornadas e uma eliminação da Taça de Portugal diante do Feirense (0-3), na 4.ª eliminatória.

MAR - Petit.jpgO substituto foi Petit, que chegava já calejado por situações bem mais periclitantes que viveu noutros emblemas.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quinta-feira, 30.05.19

CD SANTA CLARA 2018/19

S C - golo.jpg

A quarta temporada dos açorianos na I Liga foi também a melhor do clube até agora. Longe das aflições da despromoção, mas também dos lugares de destaque que fazem os adeptos aumentar a exigência, o Santa Clara passou praticamente toda a época nessa zona segura chamada "meio da tabela". O décimo lugar final trouxe consigo novos recordes de golos marcados (43), de menos golos sofridos (45) e de pontos conquistados (42). Marcar em 14 dos 17 jogos da primeira volta trouxe um acréscimo de confiança à equipa, que viveu da qualidade de Zé Manuel (8 golos) e Osama Rashid (6), além de não ter acusado a saída de Fernando Andrade (4 golos) para o FC Porto na reabertura do mercado. Enquanto visitante, o Santa Clara terminou o campeonato com saldo de golos nulo (19-19); apenas outras quatro formações conseguiram melhor neste capítulo, nada menos que Benfica, FC Porto, Sporting e Braga, todos com diferença de golos positiva nos jogos fora.
O grande desafio para o Santa Clara na próxima temporada será, julga-se, resistir ao maldito síndrome do segundo ano, que tantas vítimas faz. Afinal de contas, foram 15 épocas afastado da divisão maior.

 

TREINADOR

S C - João Henriques.jpgJoão Henriques conduziu a equipa a uma época tranquila.

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por Miran Pavlin às 12:00

Quarta-feira, 29.05.19

OS BELENENSES SAD 2018/19

BEL - golo (já SAD).jpg

Depois de vários anos de candeias às avessas, clube e SAD chegaram a vias de facto. Não tendo sido renovado o protocolo que unia as duas entidades, a SAD perdeu, numa fase inicial, o direito de usufruir das instalações e do nome do clube; no decorrer da época ser-lhe-ia também vedado o uso dos símbolos do Belenenses. Consumava-se, portanto, um imbróglio com ramificações aparentemente intermináveis. Enquanto a SAD preparava mais uma época na Liga NOS, o clube criava uma equipa própria, que tomou parte na I Divisão da AF Lisboa (correspondente ao sexto escalão do futebol nacional). A quem creditar, então, os registos deste Belenenses 2018/19? Pela lógica, à SAD, mas tal implicaria separar os registos de todos os anos anteriores em que competiu como SAD. No entanto, uma vez que SAD e clube eram entendidos como um só, essa separação não pode ser feita, sob pena de o clube ficar com anos vazios no seu historial. A solução mais simples será manter registos de ambos juntos, mas separados, numa situação tão confusa quanto aquela provocada pelo diferendo entre as partes.
Assim, enquanto a equipa do CF Os Belenenses se sagrava campeã da I Divisão do distrital da capital, a formação d'Os Belenenses SAD andava com a casa às costas, a disputar a Liga NOS no Jamor; com excepção das "recepções" a Moreirense e Marítimo (jornadas 20 e 22), que se realizaram no Bonfim. Quão curioso, portanto, que o jogo da 21.ª jornada fosse uma visita precisamente ao Vitória de Setúbal...
Talvez o facto de jogar tecnicamente sempre fora tenha feito com que nas partidas efectivamente extramuros o Belenenses SAD apenas tenha sido derrotado em cinco ocasiões - só Benfica e FC Porto perderam menos vezes como visitantes. De resto, a pior classificação dos azuis em todo o campeonato foi o 12.º lugar (jornadas 6 e 7) e só na recta final, à conta de uma sequência de nove jogos sem vencer, abandonou um sétimo posto que parecia seguro. Essa série incluiu uma terrível derrota com o Sporting (1-8), a pior de sempre do clube/SAD em casa. Nesses nove encontros o Belenenses SAD sofreu nada menos que 28 golos, contribuindo para um total de 51 sofridos, um dos piores registos de sempre do clube/SAD. Aliás, em 78 épocas de I Liga esta foi apenas a oitava vez em que a defesa azul sofreu 50 ou mais golos. No capítulo ofensivo, Licá foi o homem com a pontaria mais afinada, assinando onze golos - nenhum de grande penalidade.
O Belenenses SAD foi ainda a única equipa que não perdeu com o Benfica esta época, registando uma vitória no Jamor (2-0) e um empate na Luz (2-2), depois de estar a perder por dois golos. O jovem Kikas assumiu-se como revelação da equipa, terminando com cinco golos no campeonato.

 

TREINADOR

BEL - Silas.jpgTendo dirigido a equipa em 16 jogos na época passada, desta vez Silas tinha em mãos o desafio adicional de manter o plantel à margem dos problemas directivos. E não se saiu nada mal, pese embora o referido final atribulado.

 

IMAGEM

BEL - golo.jpgO Belenenses SAD ainda a equipar à Belenenses clube.

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por Miran Pavlin às 13:00

Quarta-feira, 29.05.19

BOAVISTA FC 2018/19

BOA - golo.jpg

As panteras terminaram a Liga no oitavo posto, igualando a prestação da temporada transacta, mas passaram 29 jornadas abaixo do décimo lugar - três delas dentro da zona proibida -, o que diz bem das dificuldades por que a equipa passou. Valeu a recta final, que não só trouxe quatro triunfos consecutivos (Moreirense 3-1, Setúbal 0-3, Braga 4-2 e Marítimo 0-1), como também arrastou até ao Bessa molduras humanas como há muito não se viam. Esse jogo em Setúbal, à 32.ª jornada, foi de capital importância, já que ambas as equipas ainda tinham a sua vida por resolver.
O Boavista ficou-se pelos 34 golos marcados (quinto pior total desta edição da I Liga), o que também atesta que facilidades foi coisa que não houve em 2018/19. O angolano Mateus foi o melhor marcador no campeonato, com apenas cinco tentos.

 

TREINADORES

BOA - Jorge Simão.jpgJorge Simão iniciou a época, mas os maus resultados fizeram estalar o chicote após a jornada 18.

BOA - Jorge Couto.jpgJorge Couto orientou a equipa interinamente na ronda 19.

BOA - Lito Vidigal.jpg

Lito Vidigal foi o homem que se seguiu, conseguindo nove triunfos em quinze jornadas. O treinador ingressou no Boavista cerca de uma semana depois de ter saído do Vitória de Setúbal.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quarta-feira, 29.05.19

RIO AVE FC 2018/19

R A - golo.jpg

Mais discreto que noutras temporadas recentes, o Rio Ave repetiu o sétimo lugar final, mas fê-lo a muito custo, pois teve que viver uma série de dez partidas sem vencer (jornadas 9 a 18). Tendo ficado pontualmente longe dos lugares acima, fica a ideia de os vila-condenses terem sido a formação que resistiu melhor aos resultados adversos, ao mesmo tempo que aproveitou da melhor maneira a quebra de uma ou outra equipa que seguiu, nessa fase, mais acima na classificação - nomeadamente o Belenenses. A defesa não esteve particularmente assertiva, ao conceder 52 golos - pior, só em anos de descida de divisão -, mas o ataque bateu o recorde do clube na I Liga; os 50 golos superaram o anterior melhor registo de 44, em 2015/16.
Golos foi o que também não faltou na Taça de Portugal, onde o Rio Ave bateu Torreense (1-5) e Silves (7-0), antes de tombar nos oitavos-de-final, em Alvalade (5-2).
Bruno Moreira foi o artilheiro da equipa na Liga, com nove golos.

 

TREINADORES

R A - José Gomes.jpgJosé Gomes dirigiu os destinos do Rio Ave até à jornada 13, altura em que saiu para o Reading, do Championship inglês.

R A - Augusto Gama (foto vertical).jpg

 

Augusto Gama, mítico médio das equipas dos anos 90, foi técnico interino nas duas jornadas seguintes.

 

R A - Daniel Ramos.jpgO resto da temporada ficou por conta de Daniel Ramos, homem da terra, que tinha deixado o Chaves semanas antes.

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por Miran Pavlin às 12:00

Terça-feira, 28.05.19

MOREIRENSE FC 2018/19

MOR - golo.jpg

O adjectivo "histórico" e a expressão "fazer história" têm sido usados ao desbarato nos tempos que correm, pelo que é preciso ponderar muito bem sobre o seu emprego. No caso do Moreirense, porém, podemos escrever à vontade que o clube fez história, pois esta foi a sua melhor participação de sempre na I Liga, superando o nono lugar de 2003/04. O Moreirense poderia mesmo ter ficado no quinto posto, mas a última jornada reservava um dérbi vimaranense no qual, pelo menos no campeonato, os cónegos não têm um bom registo. Com efeito, o Vitória triunfou (1-3) e saltou para o quinto posto, ainda que em igualdade pontual. Falando em pontos, os 52 averbados pelo Moreirense tornaram-se também recorde do clube no campeonato, batendo os 46 somados igualmente em 2003/04. Por bater terá ficado apenas o melhor registo de golos marcados, que assim se mantém nos 42, em 2002/03 - esta época o Moreirense fez 39.
Ainda assim, o Moreirense só começou verdadeiramente a carburar após a jornada 7. Somando nada menos que sete vitórias nos nove jogos seguintes, os axadrezados do Minho pularam até ao quinto lugar (jornada 16). Uma sequência de seis jogos sem perder (jornadas 19 a 24) consolidou a posição do clube e permitiu-lhe resistir a uma ponta final menos assertiva, na qual venceu apenas um dos últimos seis encontros. As consequências dessa derrapagem só não foram maiores porque o clube não se inscreveu nas provas da UEFA; caso contrário, a tal derrota na última jornada teria certamente tido uma digestão diferente.
Valerá agora a pena consultar os livros de história, para que o clube não repita a dúbia façanha do Arouca, que foi de quinto classificado - com acesso à Europa - em 2015/16, a despromovido em 2016/17.


TREINADOR

MOR - Ivo Vieira.jpgEm 2016, quando pegou no Aves, então na II Liga, o madeirense Ivo Vieira referiu que queria trabalhar no continente por considerar que, havendo menor necessidade de fazer viagens longas, a estabilidade é maior no trabalho diário. Demorou, mas o técnico acabou por fazer justificar essas palavras, ficando ligado à história dos cónegos por bons motivos.

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por Miran Pavlin às 13:00

Terça-feira, 28.05.19

VITÓRIA SC 2018/19

GUI - golo.jpg

Ao longo desta década o Vitória de Guimarães tem alternado épocas predominantemente boas com outras menos conseguidas. O padrão voltou a repetir-se em 2018/19. Embora os escassos quatro triunfos nos primeiros dez jogos não augurassem nada de bom, a verdade é que o Vitória estava numa série de nove encontros sem perder, que o colocou no quinto posto logo à jornada 11. Até final, os conquistadores não baixariam do sexto lugar.
A boa classificação final do Vitória alicerçou-se na carreira em casa, na qual somou dez triunfos e apenas três derrotas (Feirense, Benfica e Aves). Longe do D. Afonso Henriques as vitórias não passaram de cinco, mas uma delas, logo à 3.ª jornada, serviu para quebrar um borrego que crescia desde 1995/96; falamos das visitas a casa do FC Porto. Esta vitória (2-3), conseguida na última meia hora - e depois de estar a perder por 2-0 - teve o requinte de repetir o resultado desse encontro de há 23 anos. Na Taça de Portugal o Vitória chegou aos quartos-de-final, onde caiu perante o Benfica (0-1), enquanto na Taça da Liga sofreu um desaire ainda em Agosto, ao ser batido no Minho pelo Tondela (0-2), ficando de fora da fase de grupos. Tozé foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com nove golos (cinco de grande penalidade), seguindo-se-lhe Davidson (oito golos), André André e Alexandre Guedes (seis cada).
Não haverá, contudo, tempo para grandes festejos pela qualificação europeia, pois nos dias seguintes à conclusão da temporada a direcção de Júlio Mendes demitiu-se em bloco. Prevê-se um verão agitado em Guimarães.

 

TREINADOR

GUI - Luís Castro.jpgPoucos homens sabem estar no futebol como Luís Castro. Sensato, cordial e, acima de tudo, conhecedor profundo do jogo, o técnico soube ainda lidar da melhor maneira com a pressão exercida pelo apaixonado público vitoriano. O que nunca é tarefa fácil.

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por Miran Pavlin às 12:30

Terça-feira, 28.05.19

SC BRAGA 2018/19

BRA - golo.jpg

Os guerreiros do Minho terminaram a Liga na quarta posição pela nona vez nos últimos quinze anos, que correspondem à era António Salvador. É fácil pensar-se que foi uma época de serviços mínimos, mas a verdade é que o Sporting de Braga não só se voltou a imiscuir na corrida pelo título, como também beneficiou, em certos momentos, de uma cobertura mediática mais próxima daquela que é conferida aos três crónicos candidatos. Os bracarenses foram a equipa que se manteve invicta mais tempo (só à 10.ª jornada perderam pela primeira vez), lideraram (jornadas 3 e 6) ou repartiram o comando, e só na 14.ª jornada deixaram de ter acesso directo para a liderança, ao ficar seis pontos abaixo por via de um adverso 6-2 na Luz. O resultado deu nas vistas e a reacção foi veemente, com 19 pontos conquistados em 21 possíveis - vitórias sobre Marítimo (2-0), Boavista (1-0), Nacional (0-3), Santa Clara (1-0), Aves (0-2) e Chaves (2-1) e um empate com o Portimonense (1-1 f). O Braga chegava assim à 21.ª jornada apenas dois pontos atrás do então líder FC Porto, mas não aguentou a pedalada, perdendo de imediato em Alvalade (3-0) e também com o Belenenses, este na Pedreira (0-2).
Falando em Pedreira, os azuis foram uma de apenas três equipas a sair do reduto arsenalista com os três pontos (FC Porto e Benfica foram as outras); e só o Rio Ave aí logrou empatar. Uma performance que não encontrou paralelo nos jogos fora. Terá estado aí a razão de o Braga se ter desvanecido mais cedo do que decerto gostaria. Três dias depois desse desaire em casa, o FC Porto colocou pé e meio no Jamor ao vencer a primeira mão da meia-final por 3-0; uma vez que a desvantagem não seria revertida no jogo de retorno, gorava-se o objectivo Taça, na mesma fase em que tinha ocorrido a saída da Taça da Liga. A própria presença do Braga nessas meias-finais apenas sublinhou a ideia de que o clube subiu um nível em relação aos demais ao fim de década e meia.
O Braga terminaria então com mais um quarto lugar seguro, mas mais longe do topo. E, consequentemente, mais perto de quem vem atrás. Apesar de um final pontuado por derrotas consecutivas com Benfica (1-4), Marítimo (1-0) e Boavista (4-2), dificilmente se poderia pedir mais a uma equipa que na temporada transacta tinha conseguido números ao nível dos ditos grandes. Números esses que seriam suficientes para vencer uma das edições com 18 clubes e três pontos por vitória; e igualar outro dos campeões.
A retrospectiva do 2018/19 bracarense termina como ele começou: com o Braga a despedir-se da Liga Europa logo à terceira pré-eliminatória, nos golos fora, frente aos ucranianos do Zorya Lugansk. A situação trouxe à memória a época 2009/10, na qual os guerreiros caíram na mesma fase, então com o Elfsborg, avançando depois até ao único segundo lugar da sua história. Não ter Europa para disputar é uma faca de dois gumes; há menos motivação, mas também menos desgaste. Desta vez o Braga não aproveitou como há nove anos. Tendo já feito melhor que este ano, mas nunca o suficiente, mantém-se a pergunta: haverá um dia Braga campeão?

 

TREINADOR

BRA - Abel Ferreira.jpgAbel Ferreira - Professor Abel Ferreira, perdão - realizou a sua segunda temporada completa consecutiva como treinador do Braga. Desde Domingos Paciência (2009/10 e 2010/11) que ninguém o conseguia.

 

FIGURA

BRA - Dyego Sousa.jpgDyego Sousa foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com 15 golos. Tendo garantido a cidadania portuguesa, o avançado estreou-se mesmo na Selecção, durante as jornadas de Março de qualificação para o Euro 2020.

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por Miran Pavlin às 12:00

Segunda-feira, 27.05.19

SPORTING CP 2018/19

SCP - golo.jpg

O Sporting viveu em 2018/19 mais um ano zero. Quanto mais não seja porque depois dos terríveis acontecimentos do final de 2017/18 toda a nação leonina ficou sem saber bem o que esperar desta temporada. Durante o defeso Bruno de Carvalho foi deposto e posteriormente excluído de sócio, Sousa Cintra assumiu a presidência de forma interina e planificou a temporada, apresentando José Peseiro como novo treinador, diversos jogadores rescindiram contrato unilateralmente, e como se isso não bastasse, ainda houve campanha eleitoral. Só a 9 de Setembro, data da eleição de Frederico Varandas como novo presidente, o Sporting retomou alguma normalidade. Paradoxalmente, os problemas exclusivos da nova época começaram a partir daí. Os primeiros três jogos após a eleição trouxeram duas derrotas, em Braga (1-0) e Portimão (4-2), as quais deixaram os leões no quinto posto, já a quatro pontos da liderança; íamos na jornada 7. José Peseiro resistiu apenas mais dois jogos, saindo do comando técnico após uma derrota caseira com o Estoril (1-2), da II Liga, em jogo a contar para a Taça da Liga. Varandas ainda não completara dois meses como presidente e já tinha no currículo um treinador despedido.
A escolha do novo treinador foi ponderada, recaindo em Marcel Keizer, um nome desconhecido do futebol português. O holandês entrou em grande, conduzindo a equipa a vitórias sobre o Lusitano de Vildemoinhos (1-4, Taça de Portugal), Rio Ave (1-3), Aves (4-1), Nacional (5-2) e Rio Ave (5-2, Taça de Portugal); todas com muitos golos, tanto marcados como sofridos.
Como normalmente acontece nestas situações, é fácil esquecer os golos sofridos e pensar que os marcados vão continuar a aparecer. Assim seria. Dos sete encontros de campeonato entre as rondas 14 e 20 o Sporting venceria apenas dois, chegando a essa jornada, disputada em inícios de Fevereiro, a onze pontos do topo da classificação. Por essa altura, diga-se, já o Sporting tinha virado as suas atenções para as restantes provas.

SCP - Taça da Liga.jpgAliás, uma delas já tinha ido para o museu de Alvalade. Ao bater o FC Porto na final de Braga, o Sporting revalidou o título da Taça da Liga. Os contornos da vitória foram muito semelhantes aos da época passada, com os leões a resolverem os encontros da final-a-quatro só nas grandes penalidades. Na final, foi por um triz que o Sporting perdeu a taça para o FC Porto, mas uma grande penalidade em cima dos descontos levou tudo para o desempate. Aí, o nervosismo portista fez o resto; os homens do FC Porto falharam três grandes penalidades das quatro tentadas.

SCP - a erguer Taça de Portugal.jpg

Na Taça de Portugal o Sporting também teve o gostinho de eliminar um dos outros grandes, no caso o Benfica. Depois de perder por 2-1 na Luz, os verdes-e-brancos bateram as águias por 1-0 na segunda mão, carimbando assim o bilhete para o Jamor, onde o FC Porto os esperava para uma desforra. Desta vez foram os da Invicta a evitar a derrota antes do desempate, mas o desfecho seria o mesmo: o Sporting não vacilou nas grandes penalidades e conquistou também a prova rainha.

A época chegaria ao fim quando o Sporting parecia ter encontrado o seu ritmo. As nove vitórias consecutivas entre as jornadas 24 e 32 assim o atestam. Analisando do ponto de vista do copo meio vazio, esses triunfos surgiram numa altura em que a pressão já era pouca ou nenhuma. Não é a primeira vez que a percepção é esta quando o Sporting se aproxima do final da temporada.

 

TREINADORES

SCP - José Peseiro.jpgJosé Peseiro é frequentemente visto como pé-frio, mas diga-se em sua defesa que raramente apanha num bom momento os clubes que orienta. A sua segunda passagem pelo comando do Sporting durou até ao final de Outubro.

SCP - Tiago Fernandes.jpgTiago Fernandes conduziu a equipa como técnico interino nas jornadas 9 e 10 do campeonato.

SCP - Marcel Keizer.jpgMarcel Keizer chegou, viu, venceu o primeiro punhado de jogos e logo focou a equipa nas provas a eliminar.

 

FIGURA

SCP - Bruno Fernandes.jpgBruno Fernandes, por todos os motivos e mais um. Só no campeonato apontou 20 golos, a somar a muitas assistências. Numa frase, foi o motor da equipa do Sporting. Bruno Fernandes marcou ainda golos em todas as eliminatórias da Taça de Portugal excepto na final, aos quais se juntam mais três na Taça da Liga e outros tantos na Liga Europa. Nada mau para um médio.

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por Miran Pavlin às 13:00

Segunda-feira, 27.05.19

SL BENFICA 2018/19

SLB - em formação.jpg

Na apreciação feita pelo Corte Limpo ao Benfica de 2015/16, escrevemos que os encarnados "foram campeões quando tinham tudo para não o ser". Pois que dizer então deste Benfica de 2018/19? Morto e enterrado ao fim de 15 jornadas, o Benfica arrancou aí para uma segunda metade a todo o gás, desperdiçando apenas dois pontos, numa história feita de uma crença inabalável de que nada estava perdido, e com detalhes que há décadas não se viam. Senão vejamos: os 103 golos marcados no campeonato foram o melhor registo desde os 101 do Benfica de 1972/73; a vitória por 10-0 frente ao Nacional (21.ª jornada) foi a mais desnivelada desde o 10-0 no Benfica-Seixal de 1963/64, e a primeira vez que uma equipa atingiu pelo menos 10 golos num jogo de campeonato desde 1964/65 (11-3 noutro Benfica-Seixal). As últimas sete jornadas foram particularmente impressionantes, com o Benfica a somar 30 golos; em nenhum desses sete jogos marcou menos de três. São números de um final de época que veio dar razão a quem costuma dizer que não é como começa, é como acaba.

 

"Foi uma luz que me deu"

SLB - Rui Vitória.jpgÀ passagem dessa jornada 15 o Benfica era derrotado em Portimão (2-0) com auto-golos de Rúben Dias e de Jardel, caindo assim para o quarto lugar, a sete pontos do topo. O desaire surgiu imediatamente após uma goleada sobre o Braga (6-2), que parecia ter restaurado a posição de Rui Vitória como treinador de pleno direito, mas a verdade é que o técnico caminhava sobre brasas desde a derrota em Munique (5-1) para a Liga dos Campeões, a 27 de Novembro. O treinador esteve por um fio logo aí, mas Luís Filipe Vieira segurou-o, mesmo não tendo justificação melhor que aquela que serve de título a esta secção. O ambiente não era dos melhores no seio do plantel, até porque o Benfica já tinha empatado com Sporting (1-1 c) e Chaves (2-2 f), perdido com Belenenses (2-0) e Moreirense (1-3), e baixado à Liga Europa por via do terceiro lugar no grupo da Champions. As opções do treinador eram questionadas e o próprio Rui Vitória não demonstrava a mesma tranquilidade de espírito que em outras ocasiões.

SLB - Bruno Lage.jpgFoi aí que entrou, de forma interina, Bruno Lage, recrutado à equipa B encarnada. Independentemente disso, e da profusão de nomes que iam saltando para a comunicação social como possíveis próximos treinadores do Benfica, Lage olhou para o plantel com os seus próprios olhos, acrescentou-lhe os jovens em quem mais confiava e seguiu caminho, um jogo de cada vez. Gerindo a equipa da forma que melhor entendeu, o técnico não deixou dúvidas de que o campeonato continuava a ser a prioridade. Mesmo assim, ainda levou a equipa aos quartos-de-final da Liga Europa e às meias-finais das taças nacionais, onde perderia com FC Porto (1-3 na Taça da Liga) e Sporting (nos golos fora, na Taça de Portugal). Uma vez que esse novo treinador nunca chegou, Bruno Lage acabou por ser confirmado como treinador efectivo. Os seus números no campeonato falam por si: nos 19 jogos que orientou registou 18 triunfos e um empate.

SLB - a erguer Liga.jpgTamanho aproveitamento fez com que o Benfica fosse escalando posições na classificação, saltando para o comando à jornada 24, na qual venceu no Dragão (1-2). Ficando com dois pontos de avanço sobre o FC Porto e vantagem no confronto directo, o conforto era praticamente total para a abordagem às últimas jornadas. Com efeito, as águias não mais largariam o comando, mas foi necessário esperar até à última jornada para celebrar o título. O Benfica tornou-se assim no primeiro campeão desde o Sporting de 1999/00 a trocar de treinador a meio do caminho. Julgava-se que quando o chicote estalava num dos grandes nunca era bom sinal. Essa teoria terá agora que ser revista.

 

FIGURAS

SLB - Seferovic.jpgSeferovic foi o melhor marcador do campeonato, com 23 golos.

SLB - João Félix.jpgJoão Félix foi a revelação, terminando a época com meia Europa atrás da sua assinatura.

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por Miran Pavlin às 12:30



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