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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Sábado, 08.04.17

Liga NOS, 28.ª jornada - FC Porto 3-0 CF Os Belenenses

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:00

Terça-feira, 29.11.16

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 0-0 CF Os Belenenses – Mal menor

O palco do jogo mudou. Parte dos intervenientes também, assim como a competição em causa. Só duas coisas se mantiveram do jogo de sábado para este: o nome do adversário e o resultado final. O FC Porto estava preso na estaca zero e por lá continuou, ao cabo de mais 90 minutos de futebol com muito pouca baliza. O jogo em si não foi diferente de pretéritas noites portistas na Taça da Liga, caracterizadas por futebol a meio gás perante bancadas tristemente despidas. No entanto, o contexto no qual se inseria a estreia dos dragões na prova aconselhava, imagine-se, a que se esquecesse o desprezo crónico e se encarasse esta Taça da Liga como se fosse a Taça de Portugal. Ainda assim, Nuno Espírito Santo promoveu alterações de vulto nos titulares, dando a oportunidade a nomes como Evandro, Depoitre e Brahimi, além das inclusões de Inácio, recrutado à equipa B, na lateral esquerda, e de Varela na lateral oposta. No decorrer do encontro João Carlos Pereira teve a sua primeira oportunidade de ir a jogo, juntamente com Adrián López e ainda Rui Pedro, outro nome da equipa B, que acabaria por ser o homem que mais perto esteve do golo. Que nunca apareceu.

Por estes dias, é como se o golo fosse um metal raro e valioso, que exige que uma mão cheia de operários morram para o extrair da mina mais profunda. E como ninguém está para perder a vida, o FC Porto teve que se resignar a um quarto empate consecutivo sem golos. O Belenenses não criou perigo, em parte porque simplesmente não conseguiu, mas também porque teve que jogar cerca de 50 minutos com menos um homem, pela expulsão do jovem Benny por uma valente calcadela – ainda que aparentemente sem maldade – no tornozelo de Rúben Neves. O que os azuis do Restelo mostraram – ou não – no Dragão sublinha dois aspectos opostos em relação ao FC Porto. Por um lado, a defesa mantém-se estanque, mas por outro nem contra dez os dragões puseram fim à seca de golos.

Felipe ainda pensou ter marcado (29’), mas o seu desvio de cabeça a um livre de Brahimi foi invalidado por fora-de-jogo. As imagens televisivas foram tão pouco esclarecedoras que não resta outra hipótese senão acreditar que o juiz de linha não teve quaisquer dúvidas sobre a irregularidade do lance. Após alguns remates frouxos e à figura do ex-portista Ventura, em cima do final Rui Pedro esteve então perto de fazer soltar o ansiado grito, rematando rasteiro – e devagar – desde a esquerda da área, mas um ligeiro toque de um defensor belenense encaminhou a bola para o poste, gorando-se assim a oportunidade.

Não havia mesmo meio de quebrar a malapata. Enredado numa teia de dilemas, e com as recepções a Braga e Leicester nos capítulos imediatos, o FC Porto inicia assim a Taça da Liga com um mal menor. Tendo havido alguns assobios e um ou outro lenço branco no final, se a saída dos agora 430 minutos sem golos não estiver na próxima esquina, a intensidade dos protestos certamente subirá exponencialmente de tom.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 26.11.16

Liga NOS, 11.ª jornada – CF Os Belenenses 0-0 FC Porto – Bloqueio

Minuto 69. Depoitre, que entrara oito minutos antes, isola-se perigosamente a caminho da baliza do Belenenses. Na hora de decidir a jogada, chuta em falso, escorrega, cai, desmorona-se. Tudo no mesmo movimento. Foi a personificação da crise do ataque portista, que rendeu escassos dois golos nos últimos seis jogos, incluindo este. O despiste de Depoitre foi talvez o mais claro dos três lances de golo que o FC Porto construiu. Antes (23’), Óliver tinha aparecido em boa posição na esquerda da área mas decidiu mal, não se percebendo se quis passar ao colega que aparecia no meio ou fazer um desvio mais ou menos subtil, e na segunda parte um cabeceamento de Marcano ultrapassou o guarda-redes mas foi salvo in extremis pelo belenense Florent (55’). O próprio Belenenses teve apenas um lance perigoso, através de um remate de André Sousa que encontrou o poste (13’), apesar da irreverência de Abel Camará, que obrigou mais que uma vez Casillas a atenções redobradas. O golo, esse, tirou folga, e a sua ausência tirou também mais dois pontos ao FC Porto, que empata pela terceira vez consecutiva no campeonato. Juntando todas as provas, os dragões acabam de completar uma trilogia de nulos, e não marcam há já 340 minutos, mais descontos.

Qual escritor, o sector atacante do FC Porto vive um bloqueio. Sem Diogo Jota e Otávio na melhor forma, André Silva parece ficar muito mais sozinho entre os defensores contrários, mas isso não explica na totalidade a falta de garras afiadas nos movimentos ofensivos do FC Porto. Até porque o desacerto é generalizado. Os passes sem nexo, quer pelo ar, quer sobre a relva, repetem-se, e os jogadores não mostram entendimento entre si, o que se traduz na incapacidade de os médios solicitarem os avançados, e vice-versa. Apenas a defesa tem mantido de pé as fundações do edifício portista. Com oito pontos perdidos em quatro encontros, o FC Porto vê-se ultrapassado pelo Sporting, e em risco de cair, na conclusão da jornada, para o quinto lugar a sete pontos da liderança; sem esquecer de que já está fora da Taça de Portugal e ainda não garantiu a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. São demasiados sinais de alarme, e a época ainda só leva três meses.

O Belenenses foi pouco mais que lutador, tornando-se progressivamente mais confortável com a ideia de empatar a zero, enquanto o FC Porto ia deixando o coração levar a melhor sobre a cabeça conforme os minutos escoavam. As substituições não surtiriam grandes efeitos, e a partida terminaria com o resultado que se foi adivinhando durante toda a segunda parte. É difícil perceber como esta mesma equipa que se impôs tão vincadamente no encontro com o Benfica não tenha conseguido voltar a marcar desde esse jogo. Naturalmente que os golos vão voltar a aparecer, mas enquanto tal não acontece a única certeza é que esses golos futuros não servirão para devolver os pontos que ficaram pelo caminho. E só eles poderão diminuir a intensidade das brasas sobre que o FC Porto a partir de agora definitivamente caminha.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quarta-feira, 25.05.16

CF OS BELENENSES 2015/16

A época dos azuis do Restelo fica marcada pelo ansiado regresso às provas da UEFA, oito anos depois da última, e fugaz, presença, na qual se bateram com o Bayern Munique. A caminhada europeia desta vez durou até Dezembro, graças a uma inédita presença na fase de grupos da Liga Europa, onde roubou pontos ao campeão polaco KKS Lech Poznań (dois empates a zero), juntamente com uma inesperada vitória em casa do hexacampeão suíço FC Basileia (1-2). Para chegar a essa fase da competição, o Belenenses ultrapassou IFK Gotemburgo e SCR Altach, sem sofrer qualquer golo.

É fácil dizer que a distracção proporcionada pela Liga Europa pode ter contribuído para uma campanha sem sal na Liga NOS, mas a verdade é que o Belenenses não foi muito diferente da versão de 2014/15. Os resultados mais uma vez foram mistos, mas desta feita a equipa conheceu um retrocesso notório em termos defensivos. Os 66 golos que concedeu são nada menos que o pior registo do clube em 75 anos de I Liga. O Benfica foi responsável por onze desses golos (seis na Luz e cinco no Restelo), mas o Benelenses sofreu pesadas derrotas também diante de FC Porto (4-0), Braga (4-0), Setúbal (0-3) e Sporting (2-5).

O treinador Ricardo Sá Pinto demitiu-se após a jornada 13, disputada em meados de Dezembro, na qual o Belenenses foi a casa da aflita Académica perder por 4-3. Já estava concluída a participação europeia, e também o percurso na Taça de Portugal, onde na 4.ª eliminatória perdeu no reduto do Portimonense, da II Liga, por 3-2 com um golo ao cair do pano. O substituto foi Julio Velázquez, o que não deixou de ser um contra-senso, se pensarmos que o plantel azul tem uma larga maioria de jogadores portugueses.

Sob o comando do técnico espanhol os resultados não melhoraram de forma visível, embora as chegadas de Juanto e Bakić na reabertura do mercado tenham dado outra consistência ao futebol atacante do Belenenses, que marcou mais dez golos que na época transacta. O melhor marcador da equipa na Liga foi, no entanto, Tiago Caeiro, com sete golos, secundado por Miguel Rosa, com seis, embora este último só a espaços tenha estado na sua melhor forma. Sturgeon é lutador mas não traz consigo muitos golos.

Tendo em conta os muitos golos sofridos, talvez a experiência de Gonçalo Brandão e principalmente do central Tonel tenha sido irrelevante. Ficaram na memória o auto-golo tão ridículo quanto infeliz que Tonel marcou ao FC Porto – o jogador queixou-se do encandeamento provocado pela iluminação artificial –, bem como o penálti cometido nos descontos da visita a Alvalade, que deu a vitória ao Sporting (1-0). O próprio Carlos Martins acabou por nem sempre ser tão efectivo como se esperava.

 

Contas finais

Campeonato: 9.º lugar, com 10v, 11e, 13d, 44gm, 66gs, 41pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória (Portimonense, 3-2)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

Europa: eliminado da Liga Europa na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

27.08.2015, Liga Europa – o Belenenses qualifica-se para a fase de grupos ao eliminar, ironicamente, o mesmo SCR Altach que havia mostrado a porta de saída ao Vitória minhoto na ronda anterior. O único golo da eliminatória fora apontado na primeira mão, uma semana antes.

13.03.2016, jornada 26 – ao vencer o Braga por 3-0, o Belenenses conseguiu a sua maior vitória da temporada.

 

Para esquecer

11.09.2015, jornada 4 – a derrota por 6-0 em casa do Benfica foi a pior dos azuis desde o 7-1 nas Antas em 1987/88;

20.11.2015, Taça de Portugal – eliminado pelo Portimonense (II Liga), ao perder no Algarve por 3-2;

30.11.2015, jornada 11 – derrotado por 1-0 com uma grande penalidade infantil nos descontos, o Belenenses continua sem vencer em casa do Sporting desde 1954/55.

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por Miran Pavlin às 13:45

Domingo, 28.02.16

Liga NOS, 24.ª jornada – CF Os Belenenses 1-2 FC Porto – Prioridades

Como muda o futebol. De incapaz de vencer na grande Lisboa, o FC Porto ficou desta vez a uma vitória de conseguir um grand slam, tendo já saído das partidas em casa de Estoril e Benfica com os três pontos. Faltou apenas Alvalade. E se dúvidas houvesse sobre quais são as prioridades do FC Porto neste momento da época, elas dissiparam-se com a inclusão de Herrera, André André e Brahimi na equipa, ao contrário do jogo com o Dortmund. Aboubakar, titular nesse encontro, viu o seu posto entregue a Hyun-Jun Suk.

Os dragões saltaram cedo para a frente do marcador, com Brahimi a aproveitar uma sobra na esquerda da área para abrir o activo logo aos nove minutos de jogo. Aos 19, um cabeceamento ridículo de Tonel para a própria baliza dobrou a vantagem portista. O central dos azuis alegou ter sido encandeado pelo holofote. Até ao intervalo o FC Porto controlou bem as operações e no recomeço até foi Suk que teve a primeira oportunidade de golo, mas os dragões relaxariam tanto que quando se deu por ela já era o Belenenses que estava por cima dos acontecimentos.

À hora de jogo Juanto reduziu distâncias, num lance em que Casillas mais uma vez parece ficar a olhar para a bola passar. Moralizado, o Belenenses continuou a forçar em busca do empate, abrindo espaços que o FC Porto procurou explorar num par de ocasiões, mas o grosso do perigo na segunda parte aconteceu junto às redes dos azuis-e-brancos. O espírito de sacrifício dos jogadores salvaria o dia, muito mais quando defrontava um Belenenses que procurou demasiadas vezes o contacto fácil para forçar umas quantas faltas no último terço do terreno, mas é difícil não escapar à sensação de que tudo custa a executar no futebol dos dragões.

A esse aspecto talvez não sejam alheias as péssimas exibições de Corona, que não segurou uma bola nos 60 minutos em que actuou, e Marega, a quem continua a faltar a explosão que parecia ter enquanto jogador do Marítimo. Suk justificou a titularidade lutando por cada bola como se fosse a última, enquanto Brahimi, por muito egoísta que fosse, foi passando por entre os pingos da chuva; o grosso do trabalho recaiu em Danilo Pereira, André André e Herrera, que acabaram por chegar para as encomendas.

Mas a segunda parte, de facto, não foi bonita para o FC Porto. A forma como a equipa ficou tantas vezes exposta na defesa pelas movimentações do adversário, não só neste jogo como nos anteriores, levanta sérias questões sobre a qualidade global do plantel. Embora a equipa pareça ter potencial para mais do que tem mostrado, as exibições esta época muitas vezes deixam sinais de que talvez falte algum talento em certas posições, nomeadamente no centro da defesa e nas alas.

Vencendo antes de o duo da frente realizar os respectivos jogos desta jornada, o FC Porto continua a acalentar a esperança de estar lá para aproveitar um hipotético deslize de Sporting e Benfica. Numa altura em que faltam disputar 30 pontos, os seis que o FC Porto tem de atraso – à entrada para a jornada – não são uma exorbitância, mas não deixam margem de erro. Talvez seja, afinal, mais do que prioridade ao campeonato; a grande prioridade são mesmo os pontos.

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por Miran Pavlin às 22:30

Domingo, 04.10.15

Liga NOS, 7.ª jornada – FC Porto 4-0 CF Os Belenenses – Filme repetido

Desde que o Belenenses regressou à I Liga, em 2013, que a sua visita ao Dragão não tem passado de uma formalidade. A última vitória dos azuis foi ainda no Estádio das Antas, em 2001/02, e a reedição desse feito esteve mais uma vez longe de acontecer. Durante a primeira parte o Belenenses dispôs de três livres junto à área do FC Porto e até rematou ao poste noutro lance, por Kuca, e esse seria o único perigo que criaria.

Passando mais tempo com a bola, e sem dar sinais de ansiedade, a equipa do FC Porto construiu várias jogadas junto ao último reduto belenense, mas até ao intervalo o golo não surgiu. Antes que o avançar do relógio se tornasse no pior inimigo, os dragões materializaram o domínio, dando sentido positivo a todo o trabalho que vinham realizando até aí. Corona foi o primeiro a fazer o gosto ao pé (53’), num remate que sofreu um desvio em Gonçalo Brandão – suficiente para que o golo não fosse atribuído ao mexicano –, e logo a seguir (56’) Brahimi apareceu na zona do ponta de lança para um cabeceamento em mergulho, a selar o 2-0.

Nesta altura, e por via da lesão de Maicon nos segundos finais do primeiro parcial, o FC Porto jogava tal como fez em Moreira de Cónegos: três defesas apenas, com Danilo Pereira, que substituiu o central, a fazer a compensação junto a Marcano quando necessário. O esquema hoje funcionou sem problemas.

Entrados no segundo tempo, Tello e Osvaldo foram os protagonistas do 3-0 (80’), com o primeiro a trabalhar bem na direita e cruzar para um ligeiro desvio do italo-argentino, que assim se estreou a marcar pelo FC Porto. Aos 87 minutos, na cobrança de um canto, Marcano cabeceou junto à pequena área, esquecido pelos defensores do Belenenses.

O FC Porto, mais uma vez, pareceu ser uma equipa que sabe o que fazer em campo, com Brahimi, Corona e Ruben Neves em destaque. Após a saída de Maicon a braçadeira de capitão passou mesmo para o braço deste último. Que bom voltar a ver o FC Porto capitaneado por um homem da casa!

Foi no fundo, um filme repetido do FC Porto-Belenenses da época passada. Conforme escrevi na altura, foi uma consulta de rotina no Estádio do Dragão, e é difícil escapar novamente a essa ideia. Num final de tarde cinzento e ventoso, a vitória tornou-se muito importante para o FC Porto, na sequência de um adiamento no União-Benfica, devido ao nevoeiro. Não tendo jogado, os encarnados vêem-se provisoriamente a cinco pontos de distância dos dragões. Vale o que vale, mas não deixa de ser uma vantagem psicológica que o FC Porto poderá explorar.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 06.06.15

CF Os Belenenses 2014/15 – 6.º lugar – 12v, 12e, 10d, 34gm-35gs, 48 pts

É, no mínimo, surreal pensar que o Belenenses acaba de se qualificar para as provas europeias. Quem olhasse para a situação dos azuis no mês de Janeiro teria que estar louco para acreditar nesse desfecho, e mesmo agora que tudo terminou é preciso esfregar um pouco os olhos, pois tudo parecia estar contra o Belenenses.

Finda a 16.ª jornada, disputada no fim-de-semana de 10 e 11 de Janeiro, os de Belém completavam o sexto jogo consecutivo sem marcar golos e ainda tinham fesca na memória a derrota de 7-1 em Braga nos quartos-de-final da Taça de Portugal. O treinador Lito Vidigal estava em desacordo com o presidente Rui Pedro Soares desde a pré-época e Deyverson, o melhor marcador da equipa, saía para o futebol alemão. Quarto classificado antes dessa série negra, o Belenenses era agora oitavo.

Adivinhava-se uma segunda volta difícil, mas a verdade é que o Belenenses passou a maior parte desse período no sexto lugar, que acabaria por ser europeu devido aos finalistas da Taça de Portugal já estarem apurados para a Europa via campeonato. O ponto de viragem, pelo menos mental, terá sido a vitória de reviravolta contra o Sporting na Taça da Liga (3-2), que foi, contudo, insuficiente para passar do grupo. Lito Vidigal sairia do comando técnico após a jornada 25, e seria Jorge Simão, ex-Mafra, a juntar esse apuramento ao seu currículo.

Por mais que se pense, é difícil entender como foi possível o Belenenses terminar em sexto. A diferença de golos final foi negativa, os resultados mistos e o plantel desprovido de nomes que se tenham destacado por muito tempo. Incrivelmente, os azuis estiveram sempre na primeira metade da tabela. A sua pior classificação foi um nono lugar, à passagem da sétima jornada.

A qualificação europeia talvez tenha sido uma tremenda sorte. Se a forma actual se mantiver, a próxima época poderá revelar-se bem mais difícil.

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por Miran Pavlin às 15:10

Domingo, 17.05.15

Liga NOS, 33.ª jornada – CF Os Belenenses 1-1 FC Porto – Passear à beira-Tejo

Antes de quaisquer outras considerações, este foi o pior jogo do FC Porto esta época. Sem margem para dúvidas. Não houve espírito de equipa, nem de missão, quanto mais de superação. A igualdade no Restelo condenou o FC Porto a mais uma temporada indigesta, já que significou a entrega do título ao Benfica, que mesmo empatando em Guimarães partiu para uma noite interminável de festejos.

Tal como em outros momentos desta época o FC Porto não tem ninguém a quem endereçar culpas pela perda de pontos. Esse desperdício é resultado directo da falta de tudo aquilo que faz a força do FC Porto em momentos como este. A face mais visível dessa ausência foi o futebol desconexo que os dragões exibiram à beira-Tejo. Pareceu mesmo um passeio de uma equipa já sem objectivos competitivos.

Daí que seja tão incrível quanto paradoxal que o FC Porto tenha criado diversas oportunidades de golo durante a primeira parte. O Belenenses, de resto, também as criou, com algumas, bastante claras, a surgirem ainda antes de os azuis-e-brancos terem ameaçado as redes contrárias. Com mais acerto poderia ter-se verificado um 2-2 ao intervalo, contudo o marcador assinalaria 0-1, fruto de um cabeceamento certeiro de Jackson Martínez a segundos do apito para o descanso.

Necessitado de pontos para manter viva a esperança de um lugar europeu na próxima época, o Belenenses redobrou esforços na segunda parte e foi aí que a instabilidade portista mais veio ao de cima. Não conseguindo – ou não querendo – matar o jogo, o FC Porto procurou geri-lo com bola, atrasando repetidamente a Helton para recomeçar a transição ofensiva, que invariavelmente esbarrava na forte pressão dos azuis do Restelo.

Os passes falhados eram cada vez mais frequentes e as jogadas sem conclusão sucediam-se, à medida que a bola ia queimando com mais intensidade nos pés dos jogadores portistas. O Belenenses veria a sua garra premiada já dentro dos últimos dez minutos, quando Tiago Caeiro igualou a contenda, lançando o FC Porto rumo ao abismo. Ainda haveria lugar a um canto do cisne, nos descontos, num cabeceamento de Jackson na pequena área. O ponta-de-lança errou o alvo por pouco.

Tirando os óculos azuis, o empate final é justo tendo em conta as incidências da partida. Por outro lado, e com os óculos azuis postos, é imperdoável a forma como o FC Porto deixou escapar as possibilidades que ainda tinha de ultrapassar o Benfica. É mais que evidente a falta de crença, de querer, de identificação com a causa portista. Só há uma nota positiva a retirar deste jogo: foi a última vez que os dragões envergaram a camisola cor-de-rosa. Finalmente.

Para o FC Porto a época 2014/15 termina na próxima semana com uma recepção ao já despromovido Penafiel. Decerto que os adeptos que se deslocarem ao estádio não deixarão de dar a entender aquilo que sentem quer à equipa, quer à estrutura do futebol portista.

 

NOTA: infelizmente não é possível ilustrar este texto com um momento do jogo porque a área de fotografias do Sapo, no momento em que publico, não disponibiliza nenhuma.

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por Miran Pavlin às 23:30

Sábado, 10.01.15

I Liga, 16.ª jornada – FC Porto 3-0 CF Os Belenenses – Consulta de rotina

Bastou uma exibição concentrada para o FC Porto levar de vencida um Belenenses ainda atordoado pelos 7-1 que sofreu em Braga a meio da semana, em jogo a contar para a Taça de Portugal. Sem nunca ter cedido um milímetro ao conjunto lisboeta, o FC Porto dominou de fio a pavio, e só no último minuto apanhou um susto, naquela que foi a única oportunidade de golo de que o Belenenses dispôs.

Foi mesmo mais uma consulta de rotina no Dragão. Marcando logo aos dez minutos pelo inevitável Jackson Martínez, os azuis-e-brancos ficaram com o caminho aberto para uma noite descansada, mas resistiram a toda e qualquer tentação de mudar o chip para um registo menos aplicado. Atacaram durante todo o jogo, ainda que sem forçar demasiado o ritmo, o que fez com que não houvesse uma quantidade desmesurada de oportunidades claras para fazer crescer o marcador.

O 3-0 final encaixa bem nas incidências do encontro. Por mais que se pense, é impossível dourar a pílula em relação ao Belenenses, que embora siga numa classificação tranquila, só naquele lance referido acima se conseguiu libertar do colete-de-forças que os portistas trouxeram para o jogo.

Óliver apontou o seu quinto golo na Liga no segundo minuto da metade complementar, e Evandro, na resposta àquele atrevimento belenense, tornou-se no 14.º jogador a marcar pelo FC Porto nesta edição da Liga, finalizando a última jogada do desafio com um remate colocado.

A perseguição ao Benfica não conhece tréguas, mas a diferença mantém-se em seis pontos. Cabe ao FC Porto continuar a fazer a sua parte.

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por Miran Pavlin às 23:30

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte V

sapodesporto

GIL VICENTE FC

O clube de Barcelos respirou de alívio ao conseguir a permanência a um jogo do fim. Foi uma temporada de sobressaltos, que incluiu, descontando um jogo de Taça que foi a grandes penalidades, uma série sem vencer entre o início de Novembro e o início de Março.

O arranque do Gil Vicente foi auspicioso, vencendo a Académica (2-0), levando o Benfica ao desespero na Luz – o Gil perdeu por 2-1 com o Benfica a marcar só na compensação – e derrotando a seguir o Braga (1-0), com o golo a aparecer quando os gilistas já jogavam com nove unidades.

A fase negra chegaria, curiosamente, após uma série de três vitórias. Tanto tempo sem vencer leva a questionar como terá conseguido aguentar-se o treinador João de Deus, dada a impaciência dos dirigentes portugueses quando as séries negativas parecem não terminar.

O guarda-redes Adriano realizou uma temporada de qualidade, assim como Luís Martins, César Peixoto e Diogo Viana.

O médio brasileiro Luan, que marcou ao Braga, não foi a mais-valia que se esperava, bem como os ex-portistas Bruno Moraes e Cláudio Pitbull.

 

 

CF OS BELENENSES

Se o Gil Vicente respirou de alívio, o Belenenses terá soltado um longo suspiro quando Carlos Xistra apitou para o final do último jogo.

Só aos 87 minutos dessa recepção ao Arouca é que os azuis viram a luz aparecer no fundo do túnel, através de um golo de Deyverson. Antes disso, foi sofrer a bom sofrer, não só nesse jogo em particular, mas em todo o campeonato.

Pese embora tenha roubado pontos a Benfica e FC Porto, o Belenenses parecia ter tudo contra si. Logo na primeira jornada perdeu no Restelo com o Rio Ave (0-3), só à 5.ª jornada conseguiu vencer, e viu o treinador Mitchell van der Gaag desfalecer no banco e ser forçado a abandonar.

O seu adjunto Marco Paulo ficou então com as rédeas da equipa, mas não deu conta do recado e cederia o lugar a Lito Vidigal, que operou um verdadeiro milagre em salvar o clube da descida.

Para o confirmar bastará referir que o Belenenses foi a primeira equipa a conseguir a manutenção com apenas 19 golos marcados – o pior ataque da Liga. Por pouco que ser a quinta melhor defesa (33 golos) não valeria de nada. O Belenenses esteve mesmo sete jogos consecutivos sem marcar, entre as jornadas 10 e 16.

Eliminado da Taça em casa, nas grandes penalidades contra a Académica, o Belenenses teve o seu pior momento da época na Taça da Liga, ao perder em Braga por 5-0.

 

 

FC PAÇOS DE FERREIRA

O Paços foi do céu ao inferno. Não serei o primeiro a escrever estas palavras, mas não há outro prisma por onde ver a carreira pacense, depois de começar a época a jogar o play-off da Liga dos Campeões e terminar jogando o inédito play-off manutenção/descida.

As derrotas com o Zenit (1-4 em casa e 4-2 fora), naturais tendo em conta a diferença entre as equipas, não caíram bem na massa associativa pacense, que não mais deu descanso ao técnico Costinha.

O antigo médio apenas saboreou uma vitória, num jogo louco em casa do Marítimo (3-4), em que os castores estiveram três vezes a perder, cedendo o lugar a Henrique Calisto à oitava ronda.

Substituir um treinador novato por um mais experiente de pouco adiantou. Os alarmes da despromoção continuaram a tocar, a primeira volta fechou com parcos nove pontos – até o Olhanense tinha mais por esta altura – e a inversão da tendência teimava em não chegar.

Com Jorge Costa a orientar a equipa nos últimos dez jogos, foi graças à vantagem no confronto directo que o Paços jogou o play-off contra o Aves, onde finalmente selaria a permanência entre os grandes.

O Aves não conseguiu repetir a gracinha do jogo dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, quando venceu na Mata Real com dois golos de Jaime Poulson, atleta emprestado justamente pelo Paços de Ferreira.

Apesar das contrariedades, Bebé assumiu-se como o homem em foco nos pacenses, que bem podem agradecer os seus inúmeros golos.

 

 

SC OLHANENSE

Cinco anos depois, o Olhanense regressa à Liga 2, ao cabo de uma época cheia de problemas, a começar pelos financeiros, que impediram que o plantel fosse mais que uma manta de retalhos cosida à pressa.

Demasiadas nacionalidades resultaram numa equipa à deriva, dependente de rasgos individuais, quase sempre do italiano Dionisi. Além dos transalpinos (ainda havia Sampirisi e Bigazzi), o plantel continha jogadores de Eslovénia (Belec), França (Coubronne), Albânia (Mehmeti), Croácia (Serić), Nigéria (Balogun) e Dinamarca (Krøldrup).

Ter um treinador em estreia também não ajudou a causa dos algarvios. Abel Xavier, com uma postura desafiante, de punho cerrado e discurso emocionado, duraria apenas oito jornadas, em que somou outros tantos pontos.

Paulo Alves tomou então conta da equipa mas resistiu ainda menos jornadas, dando lugar a Giuseppe Galderisi, italiano de figura semelhante a Jorge Jesus. Apesar do seu vigor no banco, os resultados positivos não apareceram e o rumo dos acontecimentos não se inverteu, mesmo que uma vitória sobre o FC Porto na penúltima ronda tenha feito sonhar.

Uma semana mais tarde, a realidade: o Olhanense era despromovido. Da última vez que abandonou o escalão maior, demorou 34 anos a regressar. Tendo em conta as suas dificuldades financeiras, quantos demorará agora?

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por Miran Pavlin às 09:27



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