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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quinta-feira, 15.12.16

Liga NOS, 15.ª jornada (jogo antecipado) – FC Porto 2-1 CS Marítimo – Desacerto de calendário

Já eliminados da Taça de Portugal, FC Porto e Marítimo optaram por antecipar a partida da 15.ª jornada, que por defeito devia realizar-se a 21 de Dezembro. A avaliar pelo estado do tempo, que se agravou nas horas que antecederam o pontapé de saída, talvez tivesse sido melhor jogar na data prevista, já que as equipas surgiram aparentemente entorpecidas pela chuva, que em certos momentos caiu forte. Mesmo com um resultado final apertado, foi o FC Porto quem teve o controlo das operações praticamente de início a fim, não precisando vestir o fato de gala para somar três pontos que lhe permitem fazer pressão ao líder nos escassos dias até que o calendário acerte.

A magia do futebol, essa, desta vez manifestou-se apenas nos golos, já que o jogo em si foi, então, pachorrento. O FC Porto podia ter-se adiantado logo ao minuto 9, mas o cabeceamento decidido de Felipe na cobrança de um canto errou o alvo. Os azuis-e-brancos teriam que esperar até aos segundos antes do descanso para celebrar, altura em que Brahimi recebeu a bola na esquerda da área e avançou até perder o ângulo. Perdão, até colocar a bola entre o poste e o guarda-redes, com esta a beijar a rede lateral do lado contrário. O argelino passou de goleador a assistente (67’), quando solicitou André Silva com um passe a rasgar; o avançado finalizou bem para o 2-0.

O Marítimo não se atreveu muito no ataque, mesmo depois de estar em desvantagem, mas foi ainda assim premiado com um golo. Djoussé ganhou a bola já no meio-campo contrário, avançou, embrulhou-se e caiu com Alex Telles, levantou-se de pronto, tirando um adversário do caminho com o mesmo movimento, e desferiu um forte remate para um belo golo, que quebrou a sequência portista de 745 minutos sem sofrer. O técnico Nuno Espírito Santo resumiu o momento da melhor forma na zona de entrevistas rápidas: “algum dia o golo [sofrido] ia aparecer, e a ser, que seja assim”. Foi, de facto, um belo golo.

Com o calendário desacertado, dragões e leões do Funchal poderão ir mais cedo para as mini-férias de Natal, assim que realizem os seus encontros da 14.ª jornada. É conveniente, pois logo a seguir à data festiva ambos jogam para a Taça da Liga.

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por Miran Pavlin às 23:15

Quinta-feira, 26.05.16

CS MARÍTIMO 2015/16

A palavra-chave da época do Marítimo é: inconstância. Capaz de golear e ser goleado, foi como se o emblema insular passasse toda a época no interminável sobe-e-desce de uma montanha russa. Quem sai da montanha russa fá-lo por baixo, e foi precisamente isso que sucedeu ao Marítimo. O 13.º lugar foi a sua pior classificação desde 1982/83, ao passo que os 63 golos sofridos são novo recorde do clube. Como se não bastasse, nunca antes o clube tinha perdido 19 jogos numa só edição da I Liga.

A primeira dessas derrotas ocorreu logo na jornada inaugural, e não terá sido fácil de digerir. Apadrinhando o regresso do União à categoria máxima, o Marítimo inadvertidamente entrou na festa, ao sair derrotado por 2-1. Na segunda jornada, e pelo quarto ano consecutivo, os verde-rubros roubaram pontos na recepção ao FC Porto (1-1). Era só o primeiro exemplo da disparidade de resultados de que o Marítimo era capaz. Nas jornadas imediatas, o Marítimo brindou o Setúbal com um 5-2, saindo depois de Braga vergado a um robusto 5-1. Como visitante, o Marítimo venceria apenas três jogos, frente a Boavista (0-1), Guimarães (3-4) e Tondela (3-4), perdendo onze, com as goleadas sofridas em Arouca (4-1) e na Luz (6-0) à cabeça. A resposta ao vexame na capital – 5-1 na recepção ao Moreirense – foi apenas mais um exemplo das duas caras dos leões do Funchal.

As duas taças nacionais também trouxeram resultados diametralmente opostos. Enquanto na Taça de Portugal o Marítimo foi vítima do episódio de tomba gigantes do ano, ao ser afastado na 4.ª eliminatória pelo Amarante, do Campeonato de Portugal (1-0, golo de Miguelito aos 44’), na Taça da Liga os maritimistas chegaram até à final, num percurso que incluiu uma vitória por 1-3 em casa do FC Porto na fase de grupos. O Marítimo nunca aí tinha ganho qualquer jogo, incluindo todas as competições. O passaporte para o jogo decisivo seria carimbado com uma vitória por 3-1 sobre o Portimonense, que se tornou na primeira equipa da II Liga a atingir as meias-finais, após concluir a fase de grupos à frente do Sporting.

A final foi uma repetição do encontro da época passada, mas só nos intervenientes e no local, pois desta vez o Benfica esteve intratável e goleou por 6-2 – em 2014/15 tinha havido 2-1. O estádio Cidade de Coimbra é definitivamente de má memória para o Marítimo, que havia perdido também na visita à Académica (1-0) para o campeonato.

Tantos desaires acabaram por custar o lugar ao técnico Ivo Vieira, que se demitiu após a 18.ª jornada, naquele que seria o último chicote a estalar esta época na Liga NOS. O resto da temporada ficaria a cargo de Nelo Vingada, mas o experiente técnico, na sua segunda passagem pelo clube – que orientou entre 1999 e 2002 – não conseguiu recuperar o ânimo do plantel.

Nada menos que 16 jogadores fizeram o gosto ao pé pelo Marítimo na Liga NOS, com Dyego Sousa a facturar 12 golos – nenhum de grande penalidade. Fransérgio (5 golos) e Edgar Costa (4) também estiveram em foco, com este último a apontar talvez o golo do ano, rematando de costas para a baliza, depois de receber a bola e dar dois toques. Marcá-lo frente ao Nacional abrilhantou ainda mais o movimento. Baba regressou ao clube em Janeiro para colmatar a saída de Marega para o FC Porto, mas foi pouco mais que um fracasso; curiosamente, tal como o próprio Marega, que se eclipsou no Dragão. Na defesa, João Diogo e Rúben Ferreira não chegaram para as encomendas.

 

Contas finais

Campeonato: 13.º lugar, com 10v, 5e, 19d, 45gm, 63gs, 35pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: finalista vencido

 

Para mais tarde recordar

13.09.2015, jornada 4 – vence o Setúbal por 5-2; não marcava cinco golos num jogo de I Liga desde um 1-5 em Coimbra, em 2010/11;

12.12.2015, jornada 13 – marcou pela primeira vez quatro golos em casa do Guimarães (3-4);

10.01.2016, jornada 17 – vitória sobre o Moreirense por 5-1; a maior de sempre frente aos cónegos na I Liga.

 

Para esquecer

22.11.2015, Taça de Portugal: afastado pelo Amarante, do Campeonato de Portugal;

06.01.2016, jornada 16 – derrota na Luz por 6-0. A pior do Marítimo desde 1995/96, quando perdeu pelo mesmo resultado tanto em Guimarães, como nas Antas.

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por Miran Pavlin às 12:45

Domingo, 24.01.16

Liga NOS, 19.ª jornada – FC Porto 1-0 CS Marítimo – Benefício do tempo

Há quem diga que a História, de tempos a tempos, se repete. Em Janeiro de 2002 o FC Porto seguia na terceira época desde o último título de campeão nacional e os resultados negativos fizeram com que o chicote estalasse nas costas de Octávio Machado. O homem que se seguiu foi José Mourinho, que orientou o seu primeiro jogo no quarto fim-de-semana do mês, diante do Marítimo.

14 anos depois, o paralelismo com esse Janeiro é por demais evidente. O FC Porto encontra-se novamente na terceira temporada desde a última vez que celebrou o título e o treinador voltou a não resistir. O substituto também dá pelo nome de José, mas Peseiro, e tal como nesses tempos idos, estreia-se no comando da equipa no quarto fim-de-semana de Janeiro, igualmente frente ao Marítimo. Num último requinte, tal como nesse jogo de 2002, o técnico maritimista é Nelo Vingada e o marcador abriu com um auto-golo dos insulares – na altura foi Briguel o infeliz. As coincidências terminam por aqui, uma vez que o resultado desse jogo (2-1) não se repetiu. Naturalmente que só o tempo dirá se estas ligações quase esotéricas com o passado são premonitórias. Por enquanto, a única confirmação é a de que José Peseiro tem muito trabalho pela frente, na medida em que a exibição portista esteve longe de convencer.

O FC Porto teve hoje um pouco da sorte que lhe faltou em outros jogos. Primeiro no golo (22’), num remate de André André que ressaltou nas costas do guarda-redes Salin após bater na trave, depois no cabeceamento de Dyego Sousa à trave (25’), e ainda na saída por lesão de Marega (32’), que é o segundo melhor marcador do Marítimo na I Liga. Apenas houve mais uma oportunidade flagrante de golo, quando aos 72 minutos Corona rematou cruzado, em arco, para uma soberba defesa de Salin para canto. Nessa altura já estava em campo Hyun-Jun Suk, que entrou para os últimos vinte minutos, estreando-se assim pelos dragões em jogos da I Liga. O sul-coreano, apesar de esforçado, acabou por não ter grande influência no jogo.

Este foi o nono jogo entre FC Porto e Marítimo nas últimas três épocas, e talvez a familiaridade dos verde-rubros com o futebol dos dragões justifique o atrevimento que demonstraram ao longo de toda a partida, ao ponto de se pensar que talvez até o empate se justificasse. Por outro lado, é possível que tenham sido as quatro vitórias nesses nove encontros a dar aos insulares uma crença extra. Numa terceira hipótese, talvez fosse só uma reacção positiva à entrada de um novo treinador.

Na zona de entrevistas rápidas, José Peseiro relativizou a pobreza da exibição da equipa, salientando que neste momento são mais importantes os pontos. Acabou por valer a sorte que tantas vezes tem virado as costas ao FC Porto nos últimos tempos. Peseiro merece o benefício não da dúvida, mas do tempo, o qual ainda não teve para perceber que tipo de jogadores tem em mãos. Mãos à obra, então.

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por Miran Pavlin às 23:40

Terça-feira, 29.12.15

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 1-3 CS Marítimo

Começar a ver um jogo aos 60 minutos é meio caminho andado para se tirarem conclusões precipitadas e fazerem análises insuficientes. Não sabendo o que se passou antes, a imagem que fica dessa última meia hora é a de um FC Porto quase nulo. Já a perder, e com os habituais titulares a pensar no importante jogo do próximo fim-de-semana, os menos utilizados acabaram por ficar um tanto ou quanto perdidos em campo.

O FC Porto terminou com 70% de posse de bola, e a verdade é que os dragões visaram muitas vezes a baliza de Salin, mas os remates saíram quase todos na direcção do guardião francês do Marítimo. André Silva, em estreia na equipa principal, foi o autor de muitos desses remates.

Os adeptos portistas não andam satisfeitos com o rendimento da equipa, e não teve qualquer importância que o jogo contasse para a historicamente menosprezada Taça da Liga; imediatamente após o 0-2, os presentes brindaram a equipa com um sonoro coro de assobios, e o treinador com lenços brancos. Qual espírito natalício, qual quê?

O 0-3, aos 90’+4’ minutos, foi só mais um estalo na cara do FC Porto. Aboubakar ainda reduziu na jogada seguinte, e o jogo findou logo depois. 1-3. A primeira vitória de sempre do Marítimo em casa do FC Porto, incluindo todas as competições. Helton foi veemente ao instar os colegas para que dirigissem às bancadas um agradecimento misturado com pedido de desculpas, mas a equipa não se livrou de nova vaia.

Talvez nunca tenha acontecido a ninguém numa fase de grupos semelhante a esta, mas bastou um jogo para as hipóteses de passar à fase seguinte se reduzirem ao mínimo. O Marítimo, que já tinha realizado um jogo em Novembro, soma agora seis pontos, faltando-lhe apenas um para seguir em frente. O FC Porto tem que vencer as duas partidas restantes e esperar que o Famalicão, que pode ele próprio apurar-se, traia o Marítimo no Funchal.

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por Miran Pavlin às 21:30

Sábado, 22.08.15

Liga NOS, 2.ª jornada – CS Marítimo 1-1 FC Porto – Caso crónico

Os problemas que o FC Porto sente quando visita o terreno do Marítimo já deixaram de ser históricos. São crónicos. Não importa se a equipa está em melhor ou pior forma, ou se lhe falta alguém importante. Nem o árbitro importa. Sempre que visita os agora remodelados Barreiros, o jogo do FC Porto torna-se embrulhado e por vezes individualista, ficando a equipa carente de alguém, principalmente no meio-campo, que consiga pôr ordem na casa.

Não se pode, contudo, retirar mérito ao Marítimo, que consegue ser uma equipa chata, no bom sentido do termo. Sem medo do choque e sem medo de jogar feio se necessário, os verde-rubros, a exemplo do que fizeram na época passada, bloquearam praticamente todas as linhas de passe ao FC Porto, que muitas vezes se viu forçado a batalhar pela bola em espaços muito apertados junto às linhas laterais, com vários jogadores dos insulares na pressão.

Naturalmente que o plano do Marítimo beneficiou em grande medida dos acontecimentos do minuto cinco, quando Egdar Costa correspondeu de cabeça a um cruzamento da esquerda e abriu o activo. Nessa altura o jogo ainda não tinha história, mas num piscar de olhos passava a tê-la, e com ela ressuscitava a crónica incapacidade dos portistas neste recinto.

O FC Porto igualaria a contenda ao minuto 35, num lance bem trabalhado pelo ataque azul-e-branco. Aboubakar passou para a desmarcação de Brahimi, que desde a esquerda cruzou para Imbula; o franco-congolês levantou a bola e ajeitou de cabeça para o coração da área, onde Herrera disparou forte e certeiro, esquecendo por uns momentos a fraca exibição da jornada inaugural. O espaço de execução foi pouco, mas suficiente.

Daí para a frente o Marítimo manteve-se mais retraído e o FC Porto não encontrou o espaço de que precisava para ameaçar a baliza. A verdade é que os dragões até poderiam ter vencido… mas nos Barreiros tudo lhes corre mal. Na melhor jogada do encontro, André André cruzou para Aboubakar aparecer solto no centro da área e rematar forte; Salin defendeu como pôde. No último instante do encontro Maxi Pereira cabeceou fora do alcance do guarda-redes francês, mas a bola embateu na parte de baixo da trave, bem junto à quina, e não ressaltou para dentro da baliza. Que galo.

Não justifica nada, mas não deixa de ser curioso e irónico que na semana em que o FC Porto viu sair Alex Sandro, o golo sofrido nasça de um lapso do lateral-esquerdo Cissokho, que falhou o tempo de salto e não conseguiu cortar a bola. A isso não será alheio que o jogador tenha estado lesionado nas semanas anteriores. Não se sabendo se precisaria de mais tempo de recuperação, talvez o facto de ter chegado ao plantel numa fase já adiantada da pré-época também não lhe permita ter o ritmo necessário.

É o preço a pagar pelo encerramento tardio do período de transferências, que impede os clubes de fechar plantéis atempadamente. Alguns campeonatos da Europa central vão já na quinta jornada, pelo que não faz sentido manter a "janela" aberta até 31 de Agosto.

Outras contas. Falando em contas, o empate não é, para já, dramático, mas sem ninguém ver o FC Porto leva a mão à gaveta para pegar na calculadora. A fibra da equipa está desde já à prova. Certamente bem mais cedo do que os dragões desejariam.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 06.06.15

CS Marítimo 2014/15 – 9.º lugar – 12v, 8e, 14d, 46gm-45gs, 44pts

Quem diria que o Marítimo ainda conseguiria terminar a época envolvido na luta pela Liga Europa! Foi uma pequena surpresa, pois os verde-rubros foram menos assertivos que o habitual e acabaram por ocupar os indistintos lugares do meio da tabela durante quase todo o ano.

O início de campeonato foi relativamente bom. À sexta jornada o Marítimo era terceiro classificado, levava quatro vitórias e acabava de bater um Guimarães em alta por claros 4-0. Nada fazia prever que se seguiriam quatro derrotas de enfiada (Paços, Sporting, Moreirense e Setúbal) e uma queda de sete lugares na classificação, que se relevaria irremediável.

Até final da primeira volta os insulares venceram apenas mais dois jogos. Sete pontos nos primeiros seis jogos da segunda volta levaram o técnico madeirense Leonel Pontes a apresentar a demissão, sendo substituído por outro madeirense, Ivo Vieira.

O chicote fez efeito, e seria na recta final da época que o Marítimo reentraria na discussão europeia. Oito jogos sem perder entre as rondas 26 e 33 deixaram-no perto da Liga Europa, mas não foi suficiente. Ter uma última jornada num Estádio da Luz engalanado para a festa do título foi, no mínimo, ingrato.

Foi o fecho do campeonato, mas não da época para o Marítimo, já que restava disputar a final da Taça da Liga, novamente contra o Benfica. Foi já sob o comando de Ivo Vieira que os insulares garantiram o acesso ao jogo decisivo, batendo o FC Porto de reviravolta (2-1), a 2 de Abril.

Era a primeira final dos verde-rubros desde 2001 e o Marítimo deu bastante luta, mesmo perante um Estádio Cidade de Coimbra vestido de vermelho. O Benfica marcou primeiro, mas o Marítimo empataria, por João Diogo (56’), quando já jogava com menos um. Foi por dez minutos que o conjunto madeirense não levou o encontro para as grandes penalidades. O mal-amado Ola John foi carrasco, fazendo o 2-1 final.

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por Miran Pavlin às 15:30

Quinta-feira, 02.04.15

Taça da Liga, meias-finais – CS Marítimo 2-1 FC Porto – Males que vêm por bem

Terceira visita à Madeira, terceira noite de indisposição. Esta custou um lugar na final da Taça da Liga, o troféu que o FC Porto historicamente desvaloriza, não faz questão de ganhar e, pelos vistos, não consegue mesmo ganhar.

Fazendo jus à pouca importância dada a esta competição, Julen Lopetegui escalou um onze sem alguns dos habituais titulares, opção justificada na sala de imprensa, onde o técnico referiu não fazer sentido levar outros nomes a jogo quando os menos utilizados na I Liga se bateram dignamente nas partidas da Taça da Liga.

Durante a primeira meia hora de jogo, mesmo com alguma lentidão, a equipa ia executando as suas rotinas ofensivas, face a um Marítimo expectante, que não quereria de maneira nenhuma cometer erros, ou não estivesse no momento mais importante de uma temporada abaixo dos seus objectivos.

Aos 32 minutos os dragões chegaram ao golo, num pontapé de ressaca de Evandro, após mau alívio da defensiva insular. A vantagem teve um efeito nocivo para o FC Porto, que em vez de se galvanizar, quebrou, desapareceu do jogo e chegou mesmo ao intervalo, imagine-se, já a perder por 2-1.

O empate surgiu cinco minutos depois do tento de Evandro, numa grande penalidade transformada por Bruno Gallo, precisamente o homem que marcara o único golo na partida para o campeonato. O lance foi de grande infelicidade para o lateral Ricardo, que não tinha hipótese de se desviar do maritimista Xavier, que o fintou e de seguida chocou com ele. Uma jogada normal de futebol, que o status quo da arbitragem portuguesa torna difícil não ser considerada faltosa. Para discutir eternamente.

Em cima do descanso Marega fez o 2-1, na sequência de um canto em que a defesa azul-e-branca não sai bem vista. Este golo mudou tudo o que se podia esperar do jogo para a segunda parte. Era como um pássaro raro nas mãos do Marítimo, que logo tratou de não o deixar escapar, cerrando fileiras na zona defensiva e entregando a iniciativa ao FC Porto.

Sem nervosismo ou sofreguidão, os dragões voltaram à forma inicial, trocando a bola, lateralizando, furando até cruzamentos que invariavelmente não saíam a jeito para finalizações, que é o mesmo que dizer que não causaram perigo para as redes de Salin. Excepção feita àquele último quarto-de-hora da primeira parte, não se pode dizer que o FC Porto tenha feito um jogo horrível. O problema é que não foi nem intenso, nem bom o suficiente, logo deixando o FC Porto com pouco que abone a seu favor.

A derrota, contudo, não deixa de ser um mal que vem por bem. Caso tivesse passado, o FC Porto jogaria a final numa altura em que já estará a braços não só com a eliminatória frente ao Bayern Munique, mas também com o decisivo Benfica-Porto do campeonato. Nessas contas há muito que já não há margem de erro. Agora deixa também de haver desculpas para um jogo pouco conseguido na Luz.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 25.01.15

I Liga, 18.ª jornada – CS Marítimo 1-0 FC Porto – O peso da história

Uma frase apenas define este jogo: uma das equipas passou imenso tempo no meio-campo adversário e teve diversas oportunidades de golo, mas venceu aquela que foi só uma vez à baliza. Para mal dos seus pecados, foi o FC Porto que ficou no lado errado do resultado.

Pode mesmo dizer-se que os dragões foram vergados pelo peso da história. Quiçá mais do que no Estoril, é no terreno do Marítimo que todos os fantasmas portistas ressurgem. Contando já com esta época, o FC Porto só venceu metade das últimas dez deslocações a casa dos verde-rubros – o triunfo mais recente foi em 2011/12.

O FC Porto apenas começou a carburar na segunda parte, muito por culpa de mais uma experiência de Julen Lopetegui, que deixou Tello no banco para apostar em Quintero a extremo. A posição não beneficia o jogo do jovem colombiano e o prejuízo na manobra ofensiva portista foi evidente. O primeiro remate à baliza, ainda que à figura, demorou 25 minutos a aparecer.

Quintero deu o lugar a Tello ao intervalo e o FC Porto começou a criar mais perigo. Continuou a ter mais posse de bola e domínio territorial, e conquistou uma dezena de pontapés de canto, mas teve em Salin um obstáculo de peso. O guarda-redes francês esteve inspirado, negando diversos lances, incluindo a mais clara oportunidade de todas, quando Martins Indi, a dois metros do golo, não acertou a recarga a uma defesa incompleta. Antes disso já tinha havido um remate de Tello ao poste, na única vez em que um passe de ruptura permitiu uma desmarcação por entre os centrais.

Todo o esforço do FC Porto foi inútil, por via do golo de Bruno Gallo aos 32 minutos. O Marítimo não mais visou a baliza de Fabiano; o seu mérito esteve apenas e só na tenacidade defensiva. Tapando os espaços por onde as movimentações adversárias poderiam passar, e com alguma virilidade à mistura, os insulares impediram o FC Porto de fazer o seu jogo, e nem a expulsão de Raul Silva, já perto da recta final do jogo, os fez tremer.

As consequências desta derrota podem ser dramáticas para o FC Porto, tendo em conta que o Sporting se aproximou perigosamente e que o Benfica pode cavar uma distância de nove pontos caso vença amanhã. Por muito que este seja o primeiro ano de uma nova etapa – como escrevi na antevisão da época – e que os Barreiros sejam quase a kryptonite do FC Porto, a justificação lopeteguiana a cada desaire não convence. Dizer que “é futebol” não chega. Falta no FC Porto alguém que exorte os jogadores a superarem-se em nome do clube.

O sinal de perigo que desde Dezembro acompanha o FC Porto aumentou exponencialmente de tamanho.

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por Miran Pavlin às 22:25

Sexta-feira, 15.08.14

Liga, 1.ª Jornada – FC Porto 2-0 CS Marítimo – Água na boca

sapodesporto

O FC Porto entrou no campeonato com o pé direito… de Ruben Neves. O jovem de 17 anos assinalou a estreia entre os graúdos com o primeiro golo da sua carreira, e também do campeonato 2014/15, aos 12 minutos, e mostrou maturidade como se já tivesse alguns anos de futebol nos pés. A seguir com atenção.

Daí para a frente o jogo levou-nos ao encontro da velha máxima que diz que uma equipa só joga aquilo que a outra deixa. O FC Porto fez um jogo de tracção à frente, limitando o Marítimo a ocasionais contra-ataques, que não deram grande trabalho a Fabiano. Por um lado o FC Porto mostrou bom entendimento no sector atacante e fácil recuperação defensiva, mas por outro o Marítimo pode estar ainda na convalescença da saída do treinador Pedro Martins ao fim de três épocas e meia bastante interessantes.

Os mais distraídos poderão olhar para o onze portista e dizer que a revolução operada por Julen Lopetegui não foi assim tão profunda, já que apenas quatro dos titulares eram reforços. A diferença encontra-se antes no futebol jogado, que esteve a quilómetros de distância do cinzentismo da época passada.

Além da boa surpresa chamada Ruben Neves, Brahimi e Óliver sabem tratar a bola, e os laterais Danilo e Alex Sandro, tantas vezes criticados e culpados na época passada, parecem outros, embora tenha sido uma noite de pouco trabalho.

Apesar de a exibição ter deixado água na boca, ainda há aspectos a corrigir. O FC Porto só matou o jogo nos descontos, por Jackson Martínez, e durante a segunda parte os cruzamentos raramente saíram a jeito para finalizações com perigo.

É só o primeiro jogo, e certamente haverá tempo para afinar alguns mecanismos, uma vez que o FC Porto tem um arranque de campeonato relativamente tranquilo – seguem-se Paços de Ferreira e Moreirense, antes de uma sequência com Guimarães (f), Boavista (c), Sporting (f) e Braga (c), já com as competições europeias à mistura.

A primeira imagem oficial do novo FC Porto é francamente boa. Pena é que entre os 18 convocados haja apenas três portugueses.

Numa nota à parte do jogo, sinto mesmo que estou a ficar velho quando penso que Ruben Neves nasceu em 1997. Esse ano foi ali ao virar da esquina…

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por Miran Pavlin às 23:50

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte III

sapodesporto

GD ESTORIL-PRAIA

Não se pode dizer que a edição 2013/14 da divisão maior tenha tido uma equipa-revelação. Teve antes uma confirmação, e foi exactamente o Estoril, que igualou a sua melhor classificação de sempre, obtida há 66 anos.

Mesmo perdendo jogadores importantes como Steven Vitória, Jefferson, Licá e Carlos Eduardo, o técnico Marco Silva teve o mérito de não deixar a equipa seguir a indesejada tradição de tantos emblemas de menor dimensão que caem a pique depois de uma época de sonho.

Marco Silva teve tanto mérito como os jogadores que o conseguiram, pois o Estoril fez ainda melhor que na época passada. Com um impressionante pecúlio de quinze vitórias – metade dos jogos disputados, incluindo Dragão, Alvalade, Guimarães e Barreiros – os canarinhos podem orgulhar-se de ter perdido menos jogos que o FC Porto.

Com nomes como Vagner, Tiago Gomes, Evandro, Bruno Lopes, Carlitos ou Balboa em destaque, o Estoril apresentou um futebol sem autocarros, antes com entreajuda, calma, matreirice, propósito, e com os sectores bem ligados entre si, conforme tive oportunidade de testemunhar na visita ao Dragão.

Esta época assinalou ainda a estreia estorilista nas provas europeias, onde deixou uma imagem mais humilde, mas ainda assim marcando golos em oito dos dez jogos efectuados na Liga Europa, e arrancando um empate em casa do Sevilha, que venceria a competição.

Na Taça atingiu os quartos-de-final, perdendo em casa do FC Porto (2-1), numa partida em que talvez lhe tenha faltado um pouco mais de ambição. Para a história fica também o póquer de Bruno Lopes na goleada sobre o Leixões (1-5) nos oitavos-de-final.

É uma boa altura para ser adepto do Estoril, mas o futuro torna-se agora uma incógnita. Marco Silva anunciou o adeus no final da temporada, e foi apresentado como próximo treinador do Sporting.

O Estoril tem mais uma participação europeia no horizonte, na esperança de que não bata à porta a tal tradição da queda a pique.

 

 

CD NACIONAL

Manuel Machado tem de ter uma receita mágica que só utiliza no nevoeiro da Choupana. É a terceira vez que o treinador minhoto qualifica os alvinegros para a Taça UEFA/Liga Europa.

A época foi discreta, mas regular o suficiente para garantir com antecedência o posto europeu. Invicto diante de FC Porto e Sporting, o Nacional provou ser uma equipa sólida, mas é melhor não olhar para a Taça de Portugal, onde caiu à primeira tentativa, aos pés do Santa Maria (1-0), que milita no CNS.

Com Candeias a organizar jogo, e Diego Barcellos e Mário Rondón a converter oportunidades, o Nacional apontou 43 golos, a melhor marca a seguir aos três grandes, no ano em que conseguiu a sua maior vitória de sempre fora de portas (0-5 em Paços de Ferreira). Foi mesmo o triunfo mais gordo de todo o campeonato.

O guarda-redes Gottardi, e ainda Marçal e Claudemir cotaram-se como os pilares da defesa insular.

 

 

CS MARÍTIMO

O outro emblema madeirense realizou uma época de trás para a frente. Começou a meio gás, passou por uma série de cinco derrotas entre as jornadas 5 e 9, e terminou a primeira volta com 17 pontos.

Somou 24 durante a segunda metade do campeonato, e acabou por chegar ao sexto posto final, apesar de ter perdido o avançado Heldon para o Sporting.

O treinador Pedro Martins despede-se ao fim de quatro temporadas ao leme verde-rubro, que incluíram uma aceitável participação na Liga Europa em 2012/13.

 

 

VITÓRIA FC

O Vitória sadino conseguiu a sua melhor classificação em sete anos, ao terminar no sétimo posto. E se Manuel Machado tem a chave para o sucesso no Nacional, só José Couceiro sabe como fazer as coisas acontecer em Setúbal.

O treinador substituiu José Mota à passagem da jornada 8, quando o clube tinha míseros seis pontos, e logo fez do Setúbal um dos quatro clubes que conseguiram vencer na Amoreira. Foi a primeira de três vitórias em quatro jogos.

Seguiram-se quatro derrotas na viragem do campeonato, mas logo a equipa se reencontrou, somando 23 pontos e marcando 24 golos nos últimos 14 jogos.

Uma das revelações, Rúben Vezo, mudou-se em Janeiro para Valência, abrindo espaço a Rafael Martins e Ricardo Horta, que foram os jogadores em foco na formação sadina.

De saída está o próprio Couceiro, a caminho do Estoril. Será o regresso do Vitória de Setúbal à metade baixa da tabela?

 

 

A. ACADÉMICA DE COIMBRA

Os estudantes, por sua vez, obtiveram a melhor classificação em cinco anos, sob a liderança do efervescente Sérgio Conceição.

O jovem técnico de 39 anos é o quarto antigo jogador do FC Porto a orientar a Académica no mesmo espaço de tempo, e à falta tanto de nomes sonantes como de um goleador, montou uma equipa combativa, bem segura nas luvas de Ricardo, e na resistência de homens como Fernando Alexandre, Marinho ou Salvador Agra.

Os 25 golos marcados são o pior registo dos academistas desde 1986/87, mas o Paços de Ferreira não acreditará nestas linhas, já que sofreu oito golos nas duas partidas com a Académica.

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por Miran Pavlin às 09:21



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