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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quarta-feira, 29.05.19

BOAVISTA FC 2018/19

BOA - golo.jpg

As panteras terminaram a Liga no oitavo posto, igualando a prestação da temporada transacta, mas passaram 29 jornadas abaixo do décimo lugar - três delas dentro da zona proibida -, o que diz bem das dificuldades por que a equipa passou. Valeu a recta final, que não só trouxe quatro triunfos consecutivos (Moreirense 3-1, Setúbal 0-3, Braga 4-2 e Marítimo 0-1), como também arrastou até ao Bessa molduras humanas como há muito não se viam. Esse jogo em Setúbal, à 32.ª jornada, foi de capital importância, já que ambas as equipas ainda tinham a sua vida por resolver.
O Boavista ficou-se pelos 34 golos marcados (quinto pior total desta edição da I Liga), o que também atesta que facilidades foi coisa que não houve em 2018/19. O angolano Mateus foi o melhor marcador no campeonato, com apenas cinco tentos.

 

TREINADORES

BOA - Jorge Simão.jpgJorge Simão iniciou a época, mas os maus resultados fizeram estalar o chicote após a jornada 18.

BOA - Jorge Couto.jpgJorge Couto orientou a equipa interinamente na ronda 19.

BOA - Lito Vidigal.jpg

Lito Vidigal foi o homem que se seguiu, conseguindo nove triunfos em quinze jornadas. O treinador ingressou no Boavista cerca de uma semana depois de ter saído do Vitória de Setúbal.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quarta-feira, 29.05.19

RIO AVE FC 2018/19

R A - golo.jpg

Mais discreto que noutras temporadas recentes, o Rio Ave repetiu o sétimo lugar final, mas fê-lo a muito custo, pois teve que viver uma série de dez partidas sem vencer (jornadas 9 a 18). Tendo ficado pontualmente longe dos lugares acima, fica a ideia de os vila-condenses terem sido a formação que resistiu melhor aos resultados adversos, ao mesmo tempo que aproveitou da melhor maneira a quebra de uma ou outra equipa que seguiu, nessa fase, mais acima na classificação - nomeadamente o Belenenses. A defesa não esteve particularmente assertiva, ao conceder 52 golos - pior, só em anos de descida de divisão -, mas o ataque bateu o recorde do clube na I Liga; os 50 golos superaram o anterior melhor registo de 44, em 2015/16.
Golos foi o que também não faltou na Taça de Portugal, onde o Rio Ave bateu Torreense (1-5) e Silves (7-0), antes de tombar nos oitavos-de-final, em Alvalade (5-2).
Bruno Moreira foi o artilheiro da equipa na Liga, com nove golos.

 

TREINADORES

R A - José Gomes.jpgJosé Gomes dirigiu os destinos do Rio Ave até à jornada 13, altura em que saiu para o Reading, do Championship inglês.

R A - Augusto Gama (foto vertical).jpg

 

Augusto Gama, mítico médio das equipas dos anos 90, foi técnico interino nas duas jornadas seguintes.

 

R A - Daniel Ramos.jpgO resto da temporada ficou por conta de Daniel Ramos, homem da terra, que tinha deixado o Chaves semanas antes.

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por Miran Pavlin às 12:00

Terça-feira, 28.05.19

MOREIRENSE FC 2018/19

MOR - golo.jpg

O adjectivo "histórico" e a expressão "fazer história" têm sido usados ao desbarato nos tempos que correm, pelo que é preciso ponderar muito bem sobre o seu emprego. No caso do Moreirense, porém, podemos escrever à vontade que o clube fez história, pois esta foi a sua melhor participação de sempre na I Liga, superando o nono lugar de 2003/04. O Moreirense poderia mesmo ter ficado no quinto posto, mas a última jornada reservava um dérbi vimaranense no qual, pelo menos no campeonato, os cónegos não têm um bom registo. Com efeito, o Vitória triunfou (1-3) e saltou para o quinto posto, ainda que em igualdade pontual. Falando em pontos, os 52 averbados pelo Moreirense tornaram-se também recorde do clube no campeonato, batendo os 46 somados igualmente em 2003/04. Por bater terá ficado apenas o melhor registo de golos marcados, que assim se mantém nos 42, em 2002/03 - esta época o Moreirense fez 39.
Ainda assim, o Moreirense só começou verdadeiramente a carburar após a jornada 7. Somando nada menos que sete vitórias nos nove jogos seguintes, os axadrezados do Minho pularam até ao quinto lugar (jornada 16). Uma sequência de seis jogos sem perder (jornadas 19 a 24) consolidou a posição do clube e permitiu-lhe resistir a uma ponta final menos assertiva, na qual venceu apenas um dos últimos seis encontros. As consequências dessa derrapagem só não foram maiores porque o clube não se inscreveu nas provas da UEFA; caso contrário, a tal derrota na última jornada teria certamente tido uma digestão diferente.
Valerá agora a pena consultar os livros de história, para que o clube não repita a dúbia façanha do Arouca, que foi de quinto classificado - com acesso à Europa - em 2015/16, a despromovido em 2016/17.


TREINADOR

MOR - Ivo Vieira.jpgEm 2016, quando pegou no Aves, então na II Liga, o madeirense Ivo Vieira referiu que queria trabalhar no continente por considerar que, havendo menor necessidade de fazer viagens longas, a estabilidade é maior no trabalho diário. Demorou, mas o técnico acabou por fazer justificar essas palavras, ficando ligado à história dos cónegos por bons motivos.

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por Miran Pavlin às 13:00

Terça-feira, 28.05.19

VITÓRIA SC 2018/19

GUI - golo.jpg

Ao longo desta década o Vitória de Guimarães tem alternado épocas predominantemente boas com outras menos conseguidas. O padrão voltou a repetir-se em 2018/19. Embora os escassos quatro triunfos nos primeiros dez jogos não augurassem nada de bom, a verdade é que o Vitória estava numa série de nove encontros sem perder, que o colocou no quinto posto logo à jornada 11. Até final, os conquistadores não baixariam do sexto lugar.
A boa classificação final do Vitória alicerçou-se na carreira em casa, na qual somou dez triunfos e apenas três derrotas (Feirense, Benfica e Aves). Longe do D. Afonso Henriques as vitórias não passaram de cinco, mas uma delas, logo à 3.ª jornada, serviu para quebrar um borrego que crescia desde 1995/96; falamos das visitas a casa do FC Porto. Esta vitória (2-3), conseguida na última meia hora - e depois de estar a perder por 2-0 - teve o requinte de repetir o resultado desse encontro de há 23 anos. Na Taça de Portugal o Vitória chegou aos quartos-de-final, onde caiu perante o Benfica (0-1), enquanto na Taça da Liga sofreu um desaire ainda em Agosto, ao ser batido no Minho pelo Tondela (0-2), ficando de fora da fase de grupos. Tozé foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com nove golos (cinco de grande penalidade), seguindo-se-lhe Davidson (oito golos), André André e Alexandre Guedes (seis cada).
Não haverá, contudo, tempo para grandes festejos pela qualificação europeia, pois nos dias seguintes à conclusão da temporada a direcção de Júlio Mendes demitiu-se em bloco. Prevê-se um verão agitado em Guimarães.

 

TREINADOR

GUI - Luís Castro.jpgPoucos homens sabem estar no futebol como Luís Castro. Sensato, cordial e, acima de tudo, conhecedor profundo do jogo, o técnico soube ainda lidar da melhor maneira com a pressão exercida pelo apaixonado público vitoriano. O que nunca é tarefa fácil.

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por Miran Pavlin às 12:30

Terça-feira, 28.05.19

SC BRAGA 2018/19

BRA - golo.jpg

Os guerreiros do Minho terminaram a Liga na quarta posição pela nona vez nos últimos quinze anos, que correspondem à era António Salvador. É fácil pensar-se que foi uma época de serviços mínimos, mas a verdade é que o Sporting de Braga não só se voltou a imiscuir na corrida pelo título, como também beneficiou, em certos momentos, de uma cobertura mediática mais próxima daquela que é conferida aos três crónicos candidatos. Os bracarenses foram a equipa que se manteve invicta mais tempo (só à 10.ª jornada perderam pela primeira vez), lideraram (jornadas 3 e 6) ou repartiram o comando, e só na 14.ª jornada deixaram de ter acesso directo para a liderança, ao ficar seis pontos abaixo por via de um adverso 6-2 na Luz. O resultado deu nas vistas e a reacção foi veemente, com 19 pontos conquistados em 21 possíveis - vitórias sobre Marítimo (2-0), Boavista (1-0), Nacional (0-3), Santa Clara (1-0), Aves (0-2) e Chaves (2-1) e um empate com o Portimonense (1-1 f). O Braga chegava assim à 21.ª jornada apenas dois pontos atrás do então líder FC Porto, mas não aguentou a pedalada, perdendo de imediato em Alvalade (3-0) e também com o Belenenses, este na Pedreira (0-2).
Falando em Pedreira, os azuis foram uma de apenas três equipas a sair do reduto arsenalista com os três pontos (FC Porto e Benfica foram as outras); e só o Rio Ave aí logrou empatar. Uma performance que não encontrou paralelo nos jogos fora. Terá estado aí a razão de o Braga se ter desvanecido mais cedo do que decerto gostaria. Três dias depois desse desaire em casa, o FC Porto colocou pé e meio no Jamor ao vencer a primeira mão da meia-final por 3-0; uma vez que a desvantagem não seria revertida no jogo de retorno, gorava-se o objectivo Taça, na mesma fase em que tinha ocorrido a saída da Taça da Liga. A própria presença do Braga nessas meias-finais apenas sublinhou a ideia de que o clube subiu um nível em relação aos demais ao fim de década e meia.
O Braga terminaria então com mais um quarto lugar seguro, mas mais longe do topo. E, consequentemente, mais perto de quem vem atrás. Apesar de um final pontuado por derrotas consecutivas com Benfica (1-4), Marítimo (1-0) e Boavista (4-2), dificilmente se poderia pedir mais a uma equipa que na temporada transacta tinha conseguido números ao nível dos ditos grandes. Números esses que seriam suficientes para vencer uma das edições com 18 clubes e três pontos por vitória; e igualar outro dos campeões.
A retrospectiva do 2018/19 bracarense termina como ele começou: com o Braga a despedir-se da Liga Europa logo à terceira pré-eliminatória, nos golos fora, frente aos ucranianos do Zorya Lugansk. A situação trouxe à memória a época 2009/10, na qual os guerreiros caíram na mesma fase, então com o Elfsborg, avançando depois até ao único segundo lugar da sua história. Não ter Europa para disputar é uma faca de dois gumes; há menos motivação, mas também menos desgaste. Desta vez o Braga não aproveitou como há nove anos. Tendo já feito melhor que este ano, mas nunca o suficiente, mantém-se a pergunta: haverá um dia Braga campeão?

 

TREINADOR

BRA - Abel Ferreira.jpgAbel Ferreira - Professor Abel Ferreira, perdão - realizou a sua segunda temporada completa consecutiva como treinador do Braga. Desde Domingos Paciência (2009/10 e 2010/11) que ninguém o conseguia.

 

FIGURA

BRA - Dyego Sousa.jpgDyego Sousa foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com 15 golos. Tendo garantido a cidadania portuguesa, o avançado estreou-se mesmo na Selecção, durante as jornadas de Março de qualificação para o Euro 2020.

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por Miran Pavlin às 12:00

Segunda-feira, 27.05.19

SPORTING CP 2018/19

SCP - golo.jpg

O Sporting viveu em 2018/19 mais um ano zero. Quanto mais não seja porque depois dos terríveis acontecimentos do final de 2017/18 toda a nação leonina ficou sem saber bem o que esperar desta temporada. Durante o defeso Bruno de Carvalho foi deposto e posteriormente excluído de sócio, Sousa Cintra assumiu a presidência de forma interina e planificou a temporada, apresentando José Peseiro como novo treinador, diversos jogadores rescindiram contrato unilateralmente, e como se isso não bastasse, ainda houve campanha eleitoral. Só a 9 de Setembro, data da eleição de Frederico Varandas como novo presidente, o Sporting retomou alguma normalidade. Paradoxalmente, os problemas exclusivos da nova época começaram a partir daí. Os primeiros três jogos após a eleição trouxeram duas derrotas, em Braga (1-0) e Portimão (4-2), as quais deixaram os leões no quinto posto, já a quatro pontos da liderança; íamos na jornada 7. José Peseiro resistiu apenas mais dois jogos, saindo do comando técnico após uma derrota caseira com o Estoril (1-2), da II Liga, em jogo a contar para a Taça da Liga. Varandas ainda não completara dois meses como presidente e já tinha no currículo um treinador despedido.
A escolha do novo treinador foi ponderada, recaindo em Marcel Keizer, um nome desconhecido do futebol português. O holandês entrou em grande, conduzindo a equipa a vitórias sobre o Lusitano de Vildemoinhos (1-4, Taça de Portugal), Rio Ave (1-3), Aves (4-1), Nacional (5-2) e Rio Ave (5-2, Taça de Portugal); todas com muitos golos, tanto marcados como sofridos.
Como normalmente acontece nestas situações, é fácil esquecer os golos sofridos e pensar que os marcados vão continuar a aparecer. Assim seria. Dos sete encontros de campeonato entre as rondas 14 e 20 o Sporting venceria apenas dois, chegando a essa jornada, disputada em inícios de Fevereiro, a onze pontos do topo da classificação. Por essa altura, diga-se, já o Sporting tinha virado as suas atenções para as restantes provas.

SCP - Taça da Liga.jpgAliás, uma delas já tinha ido para o museu de Alvalade. Ao bater o FC Porto na final de Braga, o Sporting revalidou o título da Taça da Liga. Os contornos da vitória foram muito semelhantes aos da época passada, com os leões a resolverem os encontros da final-a-quatro só nas grandes penalidades. Na final, foi por um triz que o Sporting perdeu a taça para o FC Porto, mas uma grande penalidade em cima dos descontos levou tudo para o desempate. Aí, o nervosismo portista fez o resto; os homens do FC Porto falharam três grandes penalidades das quatro tentadas.

SCP - a erguer Taça de Portugal.jpg

Na Taça de Portugal o Sporting também teve o gostinho de eliminar um dos outros grandes, no caso o Benfica. Depois de perder por 2-1 na Luz, os verdes-e-brancos bateram as águias por 1-0 na segunda mão, carimbando assim o bilhete para o Jamor, onde o FC Porto os esperava para uma desforra. Desta vez foram os da Invicta a evitar a derrota antes do desempate, mas o desfecho seria o mesmo: o Sporting não vacilou nas grandes penalidades e conquistou também a prova rainha.

A época chegaria ao fim quando o Sporting parecia ter encontrado o seu ritmo. As nove vitórias consecutivas entre as jornadas 24 e 32 assim o atestam. Analisando do ponto de vista do copo meio vazio, esses triunfos surgiram numa altura em que a pressão já era pouca ou nenhuma. Não é a primeira vez que a percepção é esta quando o Sporting se aproxima do final da temporada.

 

TREINADORES

SCP - José Peseiro.jpgJosé Peseiro é frequentemente visto como pé-frio, mas diga-se em sua defesa que raramente apanha num bom momento os clubes que orienta. A sua segunda passagem pelo comando do Sporting durou até ao final de Outubro.

SCP - Tiago Fernandes.jpgTiago Fernandes conduziu a equipa como técnico interino nas jornadas 9 e 10 do campeonato.

SCP - Marcel Keizer.jpgMarcel Keizer chegou, viu, venceu o primeiro punhado de jogos e logo focou a equipa nas provas a eliminar.

 

FIGURA

SCP - Bruno Fernandes.jpgBruno Fernandes, por todos os motivos e mais um. Só no campeonato apontou 20 golos, a somar a muitas assistências. Numa frase, foi o motor da equipa do Sporting. Bruno Fernandes marcou ainda golos em todas as eliminatórias da Taça de Portugal excepto na final, aos quais se juntam mais três na Taça da Liga e outros tantos na Liga Europa. Nada mau para um médio.

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por Miran Pavlin às 13:00

Segunda-feira, 27.05.19

SL BENFICA 2018/19

SLB - em formação.jpg

Na apreciação feita pelo Corte Limpo ao Benfica de 2015/16, escrevemos que os encarnados "foram campeões quando tinham tudo para não o ser". Pois que dizer então deste Benfica de 2018/19? Morto e enterrado ao fim de 15 jornadas, o Benfica arrancou aí para uma segunda metade a todo o gás, desperdiçando apenas dois pontos, numa história feita de uma crença inabalável de que nada estava perdido, e com detalhes que há décadas não se viam. Senão vejamos: os 103 golos marcados no campeonato foram o melhor registo desde os 101 do Benfica de 1972/73; a vitória por 10-0 frente ao Nacional (21.ª jornada) foi a mais desnivelada desde o 10-0 no Benfica-Seixal de 1963/64, e a primeira vez que uma equipa atingiu pelo menos 10 golos num jogo de campeonato desde 1964/65 (11-3 noutro Benfica-Seixal). As últimas sete jornadas foram particularmente impressionantes, com o Benfica a somar 30 golos; em nenhum desses sete jogos marcou menos de três. São números de um final de época que veio dar razão a quem costuma dizer que não é como começa, é como acaba.

 

"Foi uma luz que me deu"

SLB - Rui Vitória.jpgÀ passagem dessa jornada 15 o Benfica era derrotado em Portimão (2-0) com auto-golos de Rúben Dias e de Jardel, caindo assim para o quarto lugar, a sete pontos do topo. O desaire surgiu imediatamente após uma goleada sobre o Braga (6-2), que parecia ter restaurado a posição de Rui Vitória como treinador de pleno direito, mas a verdade é que o técnico caminhava sobre brasas desde a derrota em Munique (5-1) para a Liga dos Campeões, a 27 de Novembro. O treinador esteve por um fio logo aí, mas Luís Filipe Vieira segurou-o, mesmo não tendo justificação melhor que aquela que serve de título a esta secção. O ambiente não era dos melhores no seio do plantel, até porque o Benfica já tinha empatado com Sporting (1-1 c) e Chaves (2-2 f), perdido com Belenenses (2-0) e Moreirense (1-3), e baixado à Liga Europa por via do terceiro lugar no grupo da Champions. As opções do treinador eram questionadas e o próprio Rui Vitória não demonstrava a mesma tranquilidade de espírito que em outras ocasiões.

SLB - Bruno Lage.jpgFoi aí que entrou, de forma interina, Bruno Lage, recrutado à equipa B encarnada. Independentemente disso, e da profusão de nomes que iam saltando para a comunicação social como possíveis próximos treinadores do Benfica, Lage olhou para o plantel com os seus próprios olhos, acrescentou-lhe os jovens em quem mais confiava e seguiu caminho, um jogo de cada vez. Gerindo a equipa da forma que melhor entendeu, o técnico não deixou dúvidas de que o campeonato continuava a ser a prioridade. Mesmo assim, ainda levou a equipa aos quartos-de-final da Liga Europa e às meias-finais das taças nacionais, onde perderia com FC Porto (1-3 na Taça da Liga) e Sporting (nos golos fora, na Taça de Portugal). Uma vez que esse novo treinador nunca chegou, Bruno Lage acabou por ser confirmado como treinador efectivo. Os seus números no campeonato falam por si: nos 19 jogos que orientou registou 18 triunfos e um empate.

SLB - a erguer Liga.jpgTamanho aproveitamento fez com que o Benfica fosse escalando posições na classificação, saltando para o comando à jornada 24, na qual venceu no Dragão (1-2). Ficando com dois pontos de avanço sobre o FC Porto e vantagem no confronto directo, o conforto era praticamente total para a abordagem às últimas jornadas. Com efeito, as águias não mais largariam o comando, mas foi necessário esperar até à última jornada para celebrar o título. O Benfica tornou-se assim no primeiro campeão desde o Sporting de 1999/00 a trocar de treinador a meio do caminho. Julgava-se que quando o chicote estalava num dos grandes nunca era bom sinal. Essa teoria terá agora que ser revista.

 

FIGURAS

SLB - Seferovic.jpgSeferovic foi o melhor marcador do campeonato, com 23 golos.

SLB - João Félix.jpgJoão Félix foi a revelação, terminando a época com meia Europa atrás da sua assinatura.

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por Miran Pavlin às 12:30

Segunda-feira, 27.05.19

FC PORTO 2018/19

FCP - em formação.jpg

Quem olhasse para o FC Porto por alturas da viragem do campeonato não poderia pensar que o final de época seria cinzento. A equipa parecia ter tudo para revalidar o título de campeão, ao mesmo tempo que progredia, com maior ou menor dificuldade, rumo às fases decisivas das restantes provas. No entanto, os sinais de que poderia haver complicações estavam lá para quem os quisesse ver. Desde logo o veto de Sérgio Conceição aos reforços que lhe foram apresentados. As interpretações podiam passar pela falta de qualidade desses jogadores, pela falta de sintonia entre treinador e direcção, ou pela falta de acuidade do departamento de prospecção - sem prejuízo de outras -, mas a realidade era só uma: o FC Porto ia atacar a nova temporada com o mesmo grupo que tinha terminado a anterior. Uma garantia de estabilidade, por um lado, mas por outro uma manutenção da exiguidade que obrigou Conceição a uma gestão extrema e criteriosa dos recursos. Assim, as saídas de vulto cingiram-se a Marcano e Ricardo, tendo entrado Éder Militão para o lugar do primeiro. Numa primeira fase, o principal perigo que o FC Porto eventualmente enfrentaria seria uma fome de vitórias mais reduzida, à conta do campeonato conquistado em 2017/18.

FCP - a erguer Supertaça.jpgO triunfo na Supertaça, frente ao surpreendente Aves (3-1), contrariou essa ideia, servindo também de base para um arranque de campeonato positivo, manchado apenas pela inesperada derrota caseira diante do Vitória de Guimarães (2-3), logo à 3.ª jornada. A equipa não sentiu esse toque, assim como não sentiu a perda de Aboubakar, que se lesionou em finais de Setembro e só voltaria à competição em Abril. A prová-lo está uma primeira volta em que o FC Porto só desperdiçou oito pontos, venceu nove jogos de enfiada (jornadas 8 a 16) e prolongou pela segunda volta a série sem perder (jornadas 8 a 23). Ao mesmo tempo, os dragões assinavam também uma notável presença europeia, na qual igualaram o seu melhor registo de sempre num grupo da Champions (cinco vitórias e um empate, como em 1996/97), que é simultaneamente o melhor registo de qualquer equipa portuguesa nessa fase.
Os indicadores eram, de facto, bons, mas persistia a sensação de que o plantel estava a ser esticado ao máximo - senão mesmo além - das suas capacidades e de que não seria preciso muito para que a equipa cedesse. O que veio efectivamente a acontecer. A queda do FC Porto sintetiza-se em três momentos: os empates consecutivos nas visitas a Moreirense e Vitória de Guimarães (1-1 e 0-0, jornadas 20 e 21), a derrota caseira frente ao Benfica (1-2, jornada 24) e a igualdade em Vila do Conde (2-2, jornada 31), esta depois de estar a vencer por 0-2. De líder com seis pontos de vantagem à jornada 16, o FC Porto desceu nessa jornada 24 ao segundo lugar, com dois pontos de atraso e dependendo de terceiros. O referido empate no Rio Ave foi como que uma confirmação tácita de que a revalidação do título de campeão era pouco mais que um sonho impossível.

FCP - Pepe.jpgTendo em conta que a quebra do FC Porto aconteceu depois de fechado o mercado de inverno, as críticas de boa parte dos adeptos portistas dirigiram-se a Pepe e ao efeito que a sua chegada teve nos equilíbrios defensivos da equipa. O problema não terá estado tanto no regresso de Pepe em si, mas sim na opção de Sérgio Conceição em desfazer a dupla de centrais para acomodar o internacional português. Nem Felipe rendeu o mesmo sem Militão a seu lado, nem o próprio Militão rendeu o mesmo jogando a lateral. Teria sido melhor promover uma utilização rotativa dos três centrais na posição? Não sabemos. Só saberíamos sentando aqui Sérgio Conceição e deixando-o escrever por nossa vez. E Conceição poderia sempre reiterar as decisões que tomou; era provável que o fizesse. Dos restantes reforços de Janeiro Fernando Andrade e Manafá acrescentaram pouco, enquanto Loum nem se viu. O que terá realmente faltado ao FC Porto 2018/19 foi uma clara referência atacante, principalmente durante a ausência de Aboubakar. A demonstrá-lo está o facto de nada menos que 20 jogadores (com mais dois auto-golos) terem marcado pelos dragões no campeonato.
O FC Porto terminaria o campeonato com apenas menos três pontos (85 contra 88) que na edição anterior, e essa foi a diferença entre o tudo e o nada. Tanto na Taça da Liga como na de Portugal os dragões chegaram à final, mas ficariam de mãos a abanar, reforçando assim a tradição de não serem felizes nos desempates por grandes penalidades. A carreira na Liga dos Campeões desta vez terminou nos quartos-de-final, novamente diante do Liverpool, que mais uma vez foi impiedoso. Antes, o FC Porto desenvencilhara-se da Roma, de forma dramática como qualquer adepto que se preze gosta; foi necessária uma reviravolta após prolongamento, na segunda mão no Dragão.

 

TREINADOR

FCP - Sérgio Conceição.jpgSérgio Conceição fez com que a equipa desta vez chegasse mais longe nas taças nacionais e na Liga dos Campeões, e venceu a Supertaça Cândido de Oliveira, mas no prato forte ficou aquém. Não ter conseguido bater quer Vitória de Guimarães, quer Benfica, foi determinante.

 

FIGURAS

FCP - Casillas.jpgCasillas realizou mais uma temporada de grande nível, mas terminou-a de forma tão assustadora quanto ingrata. Um enfarte sofrido em pleno treino, nos últimos dias de Abril, removeu o histórico guarda-redes da recta final do campeonato e, presume-se, dos relvados.

FCP - Soares.jpgSoares foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com 15 golos.

FCP - Éder Militão.jpgÉder Militão assinou pelo Real Madrid no decorrer da época, num negócio na casa dos 50 milhões de euros.

FCP - Marega.jpgMarega marcou em seis dos dez jogos do FC Porto na Liga dos Campeões 2018/19.

FCP - Herrera.jpgHerrera, embora em fim de contrato, reforçou o seu estatuto de capitão de equipa.

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por Miran Pavlin às 12:00

Domingo, 04.06.17

CD NACIONAL 2016/17

Nos últimos anos o Nacional vinha deslizando progressivamente pela classificação abaixo. Quintos classificados em 2013/14, os alvinegros fizeram depois um 7.º e um 11.º lugares, que em ambos os casos disfarçaram épocas difíceis, em que o Nacional começou mal e só endireitou por volta do meio do campeonato. Desta vez, o mal não conheceu cura, e os insulares desceram mesmo de divisão, ao fim de 15 temporadas de I Liga recheadas de sucessos, nomeadamente as cinco participações europeias, em resultado de classificações nos primeiros cinco lugares.

As quatro derrotas nas jornadas iniciais foram um soco no estômago do qual o Nacional nunca recuperou. As jornadas 5 e 6 trouxeram duas vitórias – Marítimo (c) e Feirense (f) – mas o ânimo terminou por aí. Esses triunfos totalizaram metade dos conseguidos pelo Nacional em todo o campeonato, e foram sucedidos por nada menos que seis, e depois 14 jogos sem ganhar, a mais longa sequência da época. O triunfo no Estoril (0-1, 28.ª jornada) seria o último de uma equipa que passou 24 jornadas na zona de despromoção, lá permanecendo em definitivo desde a ronda 16.

O Nacional nunca esteve irremediavelmente longe da salvação, mas sem ganhar nunca se conseguiu aproximar dos últimos emblemas a salvo, e ficou matematicamente despromovido à jornada 31. Promovido em 2002 juntamente com a Académica, o Nacional reencontrá-la-á agora na II Liga, um ano depois da descida dos estudantes.

 

TREINADORES

Manuel Machado desta vez não conseguiu inverter a curva descendente da equipa como nos anos anteriores e acabou por sair após a 15.ª jornada.

Para o lugar do técnico minhoto veio Predrag Jokanović, homem que se confunde com o futebol madeirense e que já tinha tomado conta do Nacional noutros momentos difíceis. O treinador sérvio teve que assistir ao massacre da sua equipa no Dragão (7-0, a derrota mais robusta do ano) e demitir-se-ia ele próprio ao fim de 11 partidas (seis empates, cinco derrotas). João de Deus ficou com a dolorosa das oito jornadas finais, somando uns magríssimos quatro pontos.

 

FIGURAS

O argelino Hamzaoui fez cinco golos, três deles na visita ao Feirense (0-3), no que parece uma anomalia no panorama global da equipa, que teve em Salvador Agra a capacidade de luta que outros jogadores porventura não tiveram. O guarda-redes Adriano, muito solicitado entre os postes na descida do Gil Vicente em 2014/15, viveu uma situação semelhante esta época. Pela negativa, Aly Ghazal; o egípcio marcou nada menos que três auto-golos – Benfica, Estoril e Rio Ave –, num total de cinco oferecidos pela equipa aos adversários.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 18.º lugar, 4v-9e-21d, 22gm-58gs, 21 pontos; despromovido à II Liga;

Taça de Portugal: afastou o Estarreja (1-3), antes de perder na 4.ª eliminatória diante do Torreense (1-0) com um golo de Pedro Bonifácio aos 90’+1’ minutos;

Taça da Liga: afastou o Cova da Piedade (2-1) na 2.ª eliminatória; terceiro classificado no grupo A (3 pontos), atrás de Setúbal e Sporting, e à frente do Varzim.

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por Miran Pavlin às 13:00

Domingo, 04.06.17

FC AROUCA 2016/17

Era expectável que o Arouca não conseguisse terminar sequer perto do fantástico 5.º lugar da época anterior, mas não se previa de todo que a queda fosse tão abrupta. A equipa não sofreu mudanças de vulto, nem sequer a nível técnico, pelo que só a aprendizagem e distracção de um primeiro ano nas provas da UEFA poderia causar problemas inesperados. Mas nem isso pode ser visto como causa do desastre arouquense, já que a participação na Liga Europa foi positiva, apesar de curta. Frente ao também estreante Heracles Almelo, o Arouca passou nos golos fora (1-1f, 0-0c), encontrando no play-off o gigante grego Olympiakos, orientado na altura por Paulo Bento, que venceu a primeira mão (0-1). No jogo de retorno no Pireu, o Arouca levou valorosamente a eliminatória para o prolongamento, onde finalmente o Olympiakos deu a volta ao marcador.

Assim que começou o campeonato o Arouca rapidamente descarrilou, embarcando logo à 3.ª jornada numa viagem de seis partidas sem vencer. A parte central do calendário trouxe melhorias, com a equipa a conseguir sete vitórias nos doze jogos entre as rondas 9 e 20, que a fizeram subir do 17.º para o 10.º posto. Tudo parecia ter voltado ao normal, mas após a 21.ª jornada o técnico Lito Vidigal não resistiu ao convite do Maccabi Haifa e abandonou o clube.

 

OS TREINADORES SEGUINTES

Manuel Machado, que tinha saído do Nacional à 15.ª jornada, pegou na equipa, mas coleccionou derrotas nos cinco jogos em que esteve à frente do Arouca e acabou por bisar no chicote. Os arouquenses estavam de mãos dadas com a derrota, e o terceiro treinador da temporada, Jorge Leitão, adicionou-lhe mais uma na sua estreia, na jornada 27 (1-2 frente ao Sporting). Leitão conduziria a equipa a mais uma vitória apenas (2-0), na recepção ao Feirense na ronda 29.

 

A QUEDA

Após essa jornada, o Arouca tinha 11 pontos de vantagem em relação à linha fatal quando faltavam jogar 15. As hipóteses de descer eram praticamente nulas, mas faltava o carimbo oficial na permanência. Só os jogadores poderão explicar se foi por excesso de confiança ou por relaxamento excessivo, mas a verdade é que o Arouca, talvez sem o perceber, fez por adiar a chegada da confirmação. E a matemática nunca chegou sequer a estar em vias de ajudar. Na jornada 30 o Arouca perdeu em Vila do Conde (3-0), antes de falhar na tentativa de afundar o Moreirense, ao empatar a dois depois de estar a vencer por 2-0; seguiram-se derrotas em Guimarães (1-0, 32.ª) e, crucialmente, em casa com um Tondela que já vinha ao sprint (1-2, 33.ª).

Restavam três pontos dessa vantagem de 11, e só uma conjugação improvável de resultados na última jornada despromoveria o Arouca. E, como se fossem planetas a alinhar-se, essa conjugação aconteceu. Enquanto o Moreirense vencia o FC Porto (3-1) e o Tondela vergava o Braga (2-0), o Arouca complicava a sua vida na visita ao Estoril, vendo-se a perder por 3-1 à meia hora, depois de entrar no jogo a ganhar (1’). Adilson bisou ao minuto 31, mas Hugo Basto foi expulso pouco antes do intervalo e o Arouca não conseguiu forçar o empate de que precisava. Pelo contrário, viu mesmo Gustavo Tocantins fazer o 4-2 final para os da casa, colocando um ponto final nas quatro épocas do Arouca na I Liga.

A queda depois da ascensão de 2015/16 foi tão grande quanto o choque de uma despromoção inesperada.

 

MOMENTO DA ÉPOCA

Após a derrota em Alvalade (3-0), à 10.ª jornada, os presidentes de Sporting e Arouca, Bruno de Carvalho e Carlos Pinho respectivamente, envolvem-se numa altercação junto aos balneários, com muitas trocas de palavras fortes. As televisões repetiram até à exaustão as imagens de vídeo-vigilância em que Bruno de Carvalho parece cuspir no seu homólogo arouquense; a isto de outro ângulo, dá toda a impressão de se tratar de vapor de cigarro electrónico. A discussão nos media durou semanas. A decisão no Conselho de Disciplina da Liga demora meses.

 

FIGURAS

Kuca marcou seis golos na Liga, seguido de Walter González e Jorginho, ambos com cinco. Mateus, Tomané e Crivellaro também estiveram em destaque, bem como os defesas Hugo Basto e Nuno Coelho.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 17.º lugar, 9v-5e-20d, 33gm-57gs, 32 pontos; despromovido à II Liga;

Taça de Portugal: afastado pelo Real (1-0) logo na 3.ª eliminatória, golo de Nélson (85’);

Taça da Liga: afastou o Cova da Piedade (2-1) na 2.ª eliminatória; terceiro classificado no grupo A (3 pontos), atrás de Setúbal e Sporting, e à frente do Varzim.

Liga Europa: eliminou o Heracles Almelo, antes de perder no play-off com o Olympiakos.

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por Miran Pavlin às 12:30



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