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CORTE LIMPO


Sábado, 02.01.16

Liga NOS, 15.ª jornada – Sporting CP 2-0 FC Porto – Estaca zero

Nem deu para aquecer o lugar. Uma jornada depois de tomar o comando, o FC Porto caiu em Alvalade e volta à estaca zero, no caso o segundo posto, dois pontos abaixo dos leões. O jogo confirmou a percepção de que a liderança portista era pouco mais que ilusória. Não é que o FC Porto não tivesse hipóteses de sair do clássico com aproveitamento, mas para isso era necessário, no mínimo, incomodar o guarda-redes adversário, coisa que os dragões não fizeram.

A história do jogo é simples de contar. A equipa do FC Porto apresentou-se numa postura mais reactiva que proactiva. Consequentemente, os homens do Sporting ganhavam sempre a bola em antecipação e, mais importante, tinham ideias sobre o que fazer com ela. O primeiro golo da noite saiu da cabeça de Slimani, que aos 27 minutos desviou um livre lateral batido na esquerda do ataque. O FC Porto apenas teve dois lances de algum perigo, ambos em desmarcações de Aboubakar às quais Rui Patrício respondeu com duas saídas atempadas. Também no departamento da velocidade o FC Porto ficou abaixo do Sporting. Os dragões pareceram desgastados, incapazes de ser mais rápidos a chegar à bola.

Na segunda parte o Sporting voltou a criar perigo, com o mesmo Slimani a cabecear à trave, numa fase mais vertiginosa dos leões, antes de Adrien Silva encontrar o poste num remate de longe. A precisar de inverter o resultado, o FC Porto não acelerava o ritmo e Lopetegui trocava de pontas-de-lança, tirando Aboubakar para lançar André Silva às feras, em vez de jogar com ambos. O 2-0 apareceria mesmo, novamente por Slimani (85’), que fez o que o camaronês do FC Porto não conseguira nos lances referidos mais acima. O único remate portista à baliza no segundo tempo surgiu, pasme-se, no final da compensação, por Layún.

No final do encontro, muito mais do que perder, o que custa é ver um FC Porto futebolisticamente tão pequeno à beira do Sporting. Sem ideias, sem processos, sem atitude. Numa palavra, sem rumo. A vitória dos da casa foi justa, mas não esclarecedora, no sentido em que o FC Porto não foi propriamente subjugado. Mesmo jogando futebol sem baliza, os dragões poderiam ter escrito uma história diferente se tivessem ido para a batalha com um plano. O Sporting tinha um, e a diferença entre as equipas reside inteiramente aí. Enquanto uns deram as mãos e fizeram acontecer, outros ficaram à espera que acontecesse por obra e graça do Espírito Santo. A equipa não teve nem um terço da vontade que mostrou no jogo anterior para a I Liga. Não parece haver um objectivo comum entre os atletas do FC Porto. Não existe uma centelha que os guie.

Este desaire só tem um lado positivo: não vai haver grande tempo para o lamentar, pois o próximo jogo do campeonato é já a meio da semana. A corrida atrás do prejuízo volta a fazer parte da ementa. Um prato de que o FC Porto se tem alimentado demasiadas vezes nos tempos recentes.

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por Miran Pavlin às 23:55

Segunda-feira, 01.06.15

Sporting CP 2014/15 – 3.º lugar – 22v, 10e, 2d, 67gm-29gs, 76pts

Leonardo Jardim tinha avisado, ainda na ponta final de 2013/14, que o Sporting teria que se acautelar em termos de plantel para enfrentar uma temporada com jogos europeus à mistura. Coincidência ou não, à 10.ª jornada o Sporting caía para o oitavo lugar da Liga, ao empatar em casa com o Paços de Ferreira (1-1). Levava já quatro jogos disputados na Liga dos Campeões, dos quais vencera apenas um, em casa com o Schalke 04. Estava-se a 10 de Novembro. Oito pontos abaixo do primeiro lugar, o único alento dos verde-e-brancos provinha da Taça de Portugal, onde haviam eliminado o FC Porto no Dragão (1-3) com uma boa exibição.

Esse empate com um Paços que nesse momento até seguia acima do Sporting na classificação era já o terceiro em Alvalade, e sucedia a uma derrota pesada em Guimarães (3-0), num final de tarde endiabrado dos minhotos. As consequências classificativas eram óbvias, e o Sporting só chegaria aos lugares do pódio à 16.ª jornada, quando venceu em Braga com um livre de Tanaka nos descontos.

A data era 11 de Janeiro e a diferença para o líder era já de dez pontos. A Liga dos Campeões também já era passado, com o Sporting ficar um ponto aquém do segundo lugar do grupo. Bem presentes ainda estavam as cinzas do folhetim que marcou o período natalício, nascido de um nítido bate-boca entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, via comunicação social, no qual José Eduardo se envolveu de forma tão inesperada quanto inusitada, se pensarmos que se trata do responsável pelo catering do estádio.

A 8 de Fevereiro surgiria a estocada final nas aspirações leoninas a nível de campeonato, após um empate com o Benfica que custou a engolir. Jefferson marcou para o Sporting aos 87 minutos, mas a vantagem escapou nos segundos finais. Faltavam 14 jogos para o final do campeonato, e apesar da distância pontual para o líder Benfica ser de sete pontos, as atenções do Sporting voltaram-se definitivamente para a Taça de Portugal, onde a caminhada se tornara meiga depois do Dragão. Os leões ultrapassaram Espinho (0-5), Vizela (2-3) e Famalicão (4-0), todos do Campeonato Nacional de Seniores, antes de se baterem com o Nacional nas meias-finais, onde venceram à tangente, por 3-2 no agregado das duas mãos.

O Jamor seria mesmo o clímax da época do leão, que aí quebrou um jejum de troféus que durava desde 2008. A vitória sobre um Braga valoroso foi épica. Jogando com menos um durante 76 minutos, aos 25 de jogo o Sporting perdia por 0-2, mas os golos de Slimani (84’) e Montero (90’+3’) levaram tudo para o prolongamento. Tão impensável quanto incrível. A decisão só chegou nas grandes penalidades, a primeira vez que tal aconteceu numa final. O Braga tremeu, falhando três conversões contra nenhuma do Sporting. Os festejos foram efusivos, e até Bruno de Carvalho andou com jogadores às cavalitas. Marco Silva pareceu ter passado ao lado da celebração. Sinal da paz podre que dura desde Janeiro?

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por Miran Pavlin às 12:05

Domingo, 01.03.15

Liga NOS, 23.ª jornada – FC Porto 3-0 Sporting CP – Três fotocópias, por favor

O FC Porto derrotou o Sporting utilizando uma fotocopiadora. Quem não tenha visto o jogo terá que ter muita atenção no visionamento de qualquer resumo, pois os golos da noite são muito semelhantes entre si.

Três desmarcações de Cristián Tello no momento certo permitiram ao extremo espanhol aparecer sozinho frente a Rui Patrício. Tantas vezes com o complicador ligado quando surge em frente às balizas, desta vez Tello foi exímio, e nas três ocasiões bateu o internacional português. Jackson Martínez fez o passe para dois golos, o primeiro dos quais com um golpe acrobático de costas para o ataque; no terceiro foi Herrera a assistir, naquele que foi o seu melhor momento de uma noite em que esteve manifestamente apagado.

No pólo oposto esteve Evandro, a surpresa entre os titulares do FC Porto. O médio fez uma exibição muito agradável, compensando da melhor maneira não só o referido apagamento de Herrera, mas também o de Brahimi, que passou ao lado do jogo.

Olhando ao cômputo geral do encontro, a imagem do Sporting sai muito beliscada, visto que os leões não conseguiram criar qualquer ocasião de golo. Nos primeiros vinte minutos até foi o Sporting a mostrar-se mais paciente na construção de jogo, segurando e circulando melhor a bola em busca de espaços para atacar, enquanto o FC Porto parecia mais precipitado na tentativa de encontrar o último terço do terreno, o que lhe custou a acumulação de passes errados na saída de bola.

No entanto, a partir dos 25 minutos o FC Porto corrigiu esse aspecto e começou a fazer a balança do jogo pender sobre a área sportinguista. O golo apareceria aos 31 minutos e a face do jogo mudou irremediavelmente. Ficaria mesmo a sensação de que só o FC Porto regressou dos balneários para a segunda parte, altura em que coleccionou lances junto à área adversária, ainda que muitos deles sem perigo, e acabou por ampliar o marcador, que poderia ser mais elevado, não fosse um cabeceamento de Marcano acertar na trave.

O resultado final espelha a prestação global do FC Porto, que atravessa a melhor fase da temporada até agora, completando aqui uma sequência de cinco triunfos sem sofrer qualquer golo. Foi a primeira vitória dos dragões em clássicos esta época e Tello tornou-se no primeiro jogador neste século a apontar um hat-trick em clássicos a contar para o campeonato.

A perseguição ao líder prossegue nos capítulos seguintes. Já o Sporting fica a 12 pontos do topo. Certamente não atirará a toalha ao chão, mas fica a precisar ainda mais de um cataclismo sem precedentes para quebrar um jejum que vai longo.

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por Miran Pavlin às 23:15

Domingo, 01.03.15

Porto 3 - Sporting 0 - Eclipse Total

Impressões:

- O calendário do Sporting continua diabólico.
- Marco Silva falha em toda a linha hoje, sobretudo por apresentar uma equipa sem condições físicas e anímicas. 
- No último mês, Adrien Silva tem sido uma nulidade a transportar a bola e a fazer passes do meio campo para a frente.
- No último mês, Carrillo tem sido uma nulidade a desequilibrar.
- Montero não tem espaço neste esquema táctico. Independentemente da qualidade técnica do jogador, não devia jogar. 
- Slimani não devia ter entrado contra o Wolfsburgo, nem contra o Porto. Está claramente longe de estar em condições para jogar. A sua entrada só debilitou a equipa.
- Jefferson devia treinar à parte até ao fim do contrato. Os três golos do Porto nascem todos pela esquerda. 
- As substituições não trouxeram rigorosamente nada à equipa.
- A superioridade do Porto foi evidente no final dos 90 minutos, mas para isso o demérito do Sporting foi fundamental. Na primeira parte as bancadas brindavam a equipa do Porto com assobios, por isso, a derrota não pode ser aceite como resultado desse desnível qualitativo que existe (sim, a nível individual), mas que em condições normais, nunca seria tão descomunal.

Tudo o que foi feito de positivo será posto em causa e isso é o resultado mais perigoso desta ciclo negativo. Quinta feira joga-se a primeira mão das meias finais da Taça de Portugal e será uma tarefa hercúlea recuperar o ânimo deste grupo para disputar esse jogo com a intensidade necessária.

Uma nota final para o maior problema que persiste: a nenhuma acutilância ofensiva. Hoje não concretizou (Fabiano não fez uma defesa), na quinta feira não concretizou contra o Wolfsburgo, e o problema vem de trás. Os extremos tem sempre vontade de fazer mais uma finta, e no corredor frontal há sempre uma tal cerimónia na hora de chutar à baliza que só pode dar nisto. Este momento faz-me lembrar quando no final dos anos 90 a selecção Portuguesa era a campeã do mundo de futebol sem balizas... e o jogo da segunda mão contra o Wolfsburgo é um exemplo perfeito. Pressão, passes, técnica, fintas, combinações, zero golos. Sei que o calendário está na fase diabólica supracitada e que não é tempo de fazer trabalho táctico... mas é urgente mudar o chip. Ainda há objectivos a atingir e este ano joga-se o futuro do Sporting. 

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por Kirovski às 21:06

Quarta-feira, 26.11.14

Sporting 3 - Maribor 1 - Jogo e balanço intermitente

 

Infelizmente a disponibilidade para escrever no Corte Limpo não tem sido muita, contudo sempre que possa farei questão de dizer de minha justiça. Ontem o Sporting venceu o Maribor por 3-1 e garantiu a continuidade nas competições europeias a seguir ao jogo de Londres. Se será na Liga Europa ou na Liga dos Campeões, logo se verá. A verdade é que apesar de todos os problemas que a equipa tem (sobretudo na consistência defensiva), o Sporting mostrou ter nível para passar este grupo. Foi superior nos dois jogos com o Maribor e nos dois jogos com o Schalke 04, não tendo garantido já a qualificação por pura infelicidade. Ontem a superioridade foi total e o jogo só não foi mais descansado devido ao auto-golo (mais um, o que se passa este ano?!) e ao longo intervalo que creio não ter sido benéfico para nenhuma das equipas. A época não tem sido negativa, mas a equipa não tem sido consistente, tendo consentido até agora 4 resultados inaceitáveis: o empate com a Académica, o empate com o Belenenses, a derrota em Guimarães e o empate com o Paços de Ferreira, que resultam num atraso de 8 pontos em relação ao primeiro classificado Benfica. É certo que o campeonato este ano é mais longo e que ainda não está sequer cumprido o primeiro terço do calendário, mas tenho de admitir que é já um atraso considerável. Se do meio campo para a frente as coisas não tem corrido mal (Slimani e Montero têm marcado, Nani excelente, Carrillo e Mané têm estado em bom plano), na zona defensiva as coisas não tem estado tão bem, quer por aquilo que os comentadores tem designado pela "baixa de forma" de William Carvalho (que na minha opinião é sobretudo a dificuldade em adaptar-se a um novo modelo táctico), quer pela falta de qualidade/entrosamento na dupla de centrais. Paulo Oliveira parece ter agarrado definitivamente o lugar, mas o lugar ao seu lado, ocupado sucessivamente por Maurício ou Naby Sarr tem dado demasiados problemas. Aliás foram já demasiados os golos sofridos com responsabilidades para estes dois. Caso o Sporting consiga reforçar esta posição em Janeiro, é possível que os níveis exibicionais da equipa melhorem automaticamente e se consiga fazer uma aproximação aos lugares da frente no campeonato. Neste momento, o Sporting parece-me uma equipa capaz do melhor e do pior, tudo é possível. Tanto capaz de virar um resultado adverso, como capaz de desperdiçar uma vantagem confortável. Creio que a consistência e a confiança virão apenas com as vitórias e para isso espero que comecem já no próximo fim de semana contra o Vitória de Setúbal. 

Entretanto mudaram os rostos na Liga mas os problemas aparentemente continuam sem se resolver. Diz-se que se calhar terão mesmo de ser os clubes a financiar as competições. Mas não foi para evitar esse cenário que se expulsou o Mário Figueiredo?

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por Kirovski às 11:00

Sábado, 18.10.14

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória – FC Porto 1-3 Sporting CP – Começar cedo

Semanas atrás, noutro contexto, Pinto da Costa disse que este ano “estava a começar mais cedo”, mas o que verdadeiramente aconteceu mais cedo foi a despedida de um dos objectivos da temporada. De forma tão dolorosa quanto justa.

Graças a um jogo bem conseguido, o Sporting vence em casa do FC Porto pela primeira vez desde 2006/07 – incluindo todas as competições – e deixa os dragões sem poderem apontar o dedo a mais ninguém senão a si próprios. Ambos os treinadores mexeram nos habituais titulares, mas a chave do jogo não reside em quem terá mexido mais; foram antes os erros defensivos do FC Porto que o fizeram ficar irremediavelmente atrás no resultado.

Se num primeiro momento Marcano foi infeliz ao desviar para a própria baliza um cruzamento de Jonathan Silva a que Montero não conseguiu chegar (31’), minutos mais tarde Casemiro foi – no mínimo – imprudente na forma como deu sequência a um alívio de Maicon.

O central, pressionado por Montero no canto direito da defesa, queria chutar contra o adversário para ganhar um lançamento, mas a bola não lhe acertou e chegou aos pés de Casemiro, que faz um péssimo passe – horrível, mesmo – pelo ar para a zona central da defesa, mas sem destinatário definido. O mesmo Montero acorreu à bola perdida e endossou-a a Nani, que rematou para golo.

Era o 1-2 aos 39 minutos. O lance destruiu a reacção pronta dos portistas, que tinham empatado quatro minutos após o autogolo de Marcano, numa jogada em que Quintero desmarca Jackson Martínez com um notável passe em profundidade. O ponta-de-lança apareceu isolado frente a Rui Patrício, tal como tinha acontecido no recente encontro de Alvalade para o campeonato, mas desta vez não perdoou, picando a bola sobre o internacional português.

O colombiano perdoou, sim, quando dispôs de uma grande penalidade, aos 51 minutos. Além de partir em posição irregular e forçar o penálti – pelo meio tem oportunidade de rematar mas prefere fintar de novo –, Jackson ainda se dá ao luxo de falhar a conversão, tentando uma paradinha que resultou contra o Shakhtar, mas não aqui, com Patrício a adivinhar o lado e deter o remate.

O castigo máximo foi o único lance da segunda parte em que o FC Porto poderia ter corrigido parte das asneiras dos primeiros 45 minutos. O efeito da não-conversão foi nefasto para a equipa do FC Porto, que ficou ainda mais por baixo do jogo, mesmo sem sofrer golo.

O beneficiado foi o Sporting, que sai do Dragão com uma vitória saborosa e moralizante. Logo nos primeiros segundos Nani mostrou ao que vinha, com um remate ao poste em que a defesa azul-e-branca mostrou alguma passividade. Ao longo do jogo, e ajudado pela vantagem no marcador, o Sporting demonstrou mais à-vontade com a bola, usou-a melhor, condicionou muito a estratégia do FC Porto e ainda coroou o triunfo com o golo de Carrillo (82’), que abriu caminho a sonoros olés pelos milhares de adeptos leoninos que vieram à Invicta. Vitória justificada, portanto.

Mas nada disto cai bem nas hostes portistas. Nem poderia! Num ano sem Supertaça, e com o FC Porto quatro pontos atrás do primeiro lugar do campeonato, sair assim da Taça de Portugal promete não deixar margem para mais erros a treinador e equipa. As críticas à falta de um onze-base, à colocação de jogadores fora das suas posições de raiz e à (não-)utilização de Quaresma adensar-se-ão, e cada acção dos jogadores estará certamente sob grande escrutínio pelos adeptos azuis-e-brancos.

Apertem os cintos.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sexta-feira, 26.09.14

I Liga, 6.ª jornada – Sporting CP 1-1 FC Porto – Ninguém sorri

sapodesporto

Depois de três vitórias, três empates. Com a velocidade a aumentar, o FC Porto começa a sentir enjoos e desperdiça seis pontos em rápida sucessão. A plena extensão das consequências só se saberá após o Estoril-Benfica.

Com mais acerto por parte dos avançados poder-se-ia falar de um louco 4-4, mas Fabiano e Rui Patrício disseram “presente” em diversas ocasiões. O brasileiro destacou-se mais pela colocação; o internacional português com a defesa da noite.

O Sporting entrou no jogo a ganhar. Ainda não se tinham esgotado dois minutos e já Jonathan Silva abria o marcador, a cruzamento de Carrillo, na sequência de um lance em que Fabiano se saiu para o lado esquerdo à procura de uma bola que talvez não fosse sua.

Foi um golo tão a frio que os dragões gelaram. Além disso, não tiveram aquilo que normalmente têm diante de quase todas as outras equipas da Liga: espaço para construir jogo a partir da zona defensiva.

Fez lembrar o encontro de Alvalade da época passada. A equipa do Sporting pressionava com intensidade, conseguindo várias intercepções e antecipações, e obrigando o FC Porto a jogar mal.

Enredados na teia do Sporting e com Brahimi anulado por uma marcação cerrada, os azuis-e-brancos demoravam a reagir e não conseguiam contornar as dificuldades. O primeiro remate, tímido, apareceu para lá dos vinte minutos de jogo – já não é a primeira vez esta época.

O intervalo foi bom conselheiro. Julen Lopetegui trocou Quaresma e Ruben Neves por Óliver Torres e Tello, e a diferença foi notória. Com efeitos imediatos. Uma arrancada de Tello pela esquerda foi o primeiro sinal de que o tabuleiro tinha virado. O FC Porto denotou mais segurança na posse de bola, começou a chegar mais vezes à área contrária e a ganhar mais cantos.

Jackson Martínez apareceu isolado frente a Patrício mas não teve engenho para o desfeitear, na melhor oportunidade do FC Porto em todo o jogo. Se o golo não surgiu a bem, surgiria a mal. Num movimento semelhante ao de Carrillo, Danilo subiu pela direita e cruzou rasteiro, para Naby Sarr desviar para a própria baliza.

O francês por pouco não repetia a dose minutos depois em lance gémeo ao do golo do empate, antes de Herrera dar a Patrício a tal defesa da noite. Já perto do fim Tello também se isolou perante o guarda-redes leonino, mas não dominou a bola nas melhores condições e hesitou na hora de definir o lance, permitindo a recuperação dos defensores do Sporting, ainda que tenha conseguido rematar com perigo.

Continua a faltar ao FC Porto precisão nos cruzamentos. A bola saiu demasiado larga demasiadas vezes. Em jogos apertados custa pontos, como se viu hoje.

Dominando uma parte cada um, o resultado afigura-se justo, mas ninguém sai a rir do clássico. A divisão de pontos não serve a nenhuma das equipas, que chegaram a esta jornada com margens de erro bastante apertadas. Os estados de graça de Lopetegui e Marco Silva terminaram, se é que chegaram mesmo a existir.

Note-se que Silva já havia sido chamado ao gabinete de Bruno de Carvalho para um puxão de orelhas após o empate com o Belenenses e Pinto da Costa foi assistir a um treino durante a semana. O que raramente é bom sinal no reino do Dragão.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quinta-feira, 24.07.14

Sporting - Pré-época 2014/2015

O campeonato do Brasil entreteu durante um mês mas para mim aquilo que realmente interessa é o Sporting. Até agora tem-me agradado a estratégia da estrutura, tentando dotar o plantel de alternativas a todas as posições, para uma época que se espera longa. O perfil é claro: jogadores jovens, com experiência de primeira divisão. Longe vão os tempos de contratar jogadores consagrados, caros, suplentes em equipas de maior calibre e que muito raramente se potenciaram e valorizaram e, por isso, tal como no ano passado, há apenas uma contratação que não pode falhar: a do treinador. Até agora Marco Silva parece ter uma ideia de jogo mais dinâmica do que Leonardo Jardim, com mais soluções a nível da construção de jogo (espero que o chutão e o passe longo vindo dos centrais seja finalmente irradiado de vez!). 
Desde o final da última época que tenho dito que ninguém nuclear vai sair do Sporting. Neste momento, com a reestruturação da equipa, o clube tem a sua tesouraria equilibrada e só vende as pérolas por uma boa maquia. E nunca acreditei que William Carvalho, sem nunca ter jogado a Liga dos Campeões e sem se ter assumido como titular na selecção Portuguesa, pudesse ser vendido acima de 30 milhões de euros. É certo que Rojo e Slimani vieram do Mundial valorizados e haverá sempre a possibilidade de saírem até ao final de Agosto... mas sinceramente, ou iam para um contrato tremendamente superior e para um projecto desportivo verdadeiramente aliciante, ou então antes vale ficar nesse paraíso terrestre chamado Portugal a ganhar bem (mesmo que não principescamente), jogar na Liga dos Campeões e lutar pelo título. De Rui Patrício nem vale a pena falar... 
Acerca disso, tem-se discutido se a candidatura ao título é legítima, já que apesar de tudo o Sporting está uns degraus abaixo dos outros dois candidatos. Acerca disto, se o plantel for equilibrado, com as tais alternativas para todas as posições, se a equipa conseguir assimilar a ideia de jogo do treinador, creio que o Sporting pode dar conta do recado esta época. Não garanto que será campeão, mas penso que poderá andar pelos lugares da frente.  Há também uma série de jogadores da equipa B que vão estar à espreita e assumirem-se como alternativas (Iuri Medeiros, Chaby, Esgaio) pelo que material não falta, saiba-se apenas trabalha-lo em conformidade com os objectivos do clube. 

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por Kirovski às 10:41

Segunda-feira, 26.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte II

sapodesporto

SL BENFICA

A presente temporada foi em tudo semelhante a 2012/13. Só a última peça do puzzle foi diferente.

No ano transacto, quando parecia encaminhar-se para três títulos, o Benfica ficou de mãos a abanar; esta época somou três dos possíveis quatro. Pelo meio dos dedos escapou a Liga Europa, perdida nas grandes penalidades contra o surpreendente Sevilha, entre queixas de conluio para afastar o Benfica do troféu.

A nível interno nada fugiu aos encarnados. A trajectória na Liga foi irrepreensível, pontuada por escassas duas derrotas, no arranque e no término da prova, com a curiosidade de não ter conseguido vergar na Luz os recém-promovidos Belenenses e Arouca.

Tanto na Taça de Portugal como na Taça da Liga o Benfica esteve intratável, perdendo apenas um jogo, no Dragão, na primeira mão das meias-finais da prova rainha. Em ambas as finais defrontou o Rio Ave, a quem não permitiu veleidades, apesar de no encontro do Jamor ter sido notório que o cansaço dos jogadores era já muito, numa temporada que se aproximou dos 60 jogos.

Na euforia do Santo António antecipado que tomou conta da metade encarnada de Lisboa, um pormenor ficou esquecido: falta dimensão europeia total ao Benfica, por muito que as presenças consecutivas em finais indiquem o contrário. Na Liga dos Campeões o Benfica foi vulgarizado em Paris e travado pelo Olympiakos nos dois jogos, não indo além da fase de grupos, apesar dos dez pontos conquistados. Sem retirar qualquer mérito ao percurso do Benfica na Liga Europa, a derrota na final voltou a mostrar que falta esse estofo para dar o passo derradeiro.

Uma nota também para Jorge Jesus, que na hora da vitória, ao contrário da generalidade dos treinadores, em vez de enaltecer o trabalho dos jogadores, continua a chamar para si os louros.

Críticas à parte, o Benfica é um justo vencedor das três provas nacionais.

 

 

SPORTING CP

Depois do pior ano da sua história, o Sporting regressou ao primeiro plano do campeonato à base da prata da casa, com alguns trunfos à mistura – numa primeira fase Montero, e mais tarde Slimani.

A entrada de leão, com goleadas sobre Arouca (5-1) e Académica (0-4), tranquilizou o jovem conjunto leonino, que foi avançando firme pelo campeonato.

Os pontos cedidos em casa, nos empates com Rio Ave, Nacional e Académica revelaram-se cruciais, mas o facto de não ter roubado pontos suficientes aos outros grandes também contribuiu para o segundo posto final. As derrotas no Dragão e na Luz indicam que o Sporting ainda tem caminho a percorrer, e que 2013/14 seria mesmo o ano zero preconizado pela direcção do clube.

A postura agressiva do presidente Bruno de Carvalho rendeu diversas polémicas, nomeadamente o folhetim Taça da Liga, que atrasou em cerca de dois meses a realização de uma das meias-finais. Entre declarações e entrevistas mais ou menos controversas – o chamado movimento basta terá sido um exagero – e também com a ajuda dos resultados positivos em campo, a estratégia congregou os adeptos como há muito não acontecia em Alvalade.

A saída da Taça de Portugal foi também ela indigesta, em mais um jogo louco com o Benfica (4-3), decidido num golo caricato no prolongamento – os últimos três jogos de Taça entre águias e leões tiveram nada menos que 21 golos – mas libertou espaço para preparar a equipa para os encontros do campeonato.

A falta de jogos europeus foi uma faca de dois gumes. Por um lado evitou que a equipa se distraísse e desgastasse, mas por outro não permite o crescimento competitivo que só as partidas internacionais trazem.

A avaliar pelo que transparece deste final de época, a exigência aumentará para o ano. Já haverá a pressão de lutar pelo título, e o regresso dos jogos da UEFA obriga a que o plantel seja construído de acordo com as exigências. Já o técnico Leonardo Jardim o havia dito durante a época.

Jardim foi mesmo o primeiro treinador a não terminar a época queimado desde Paulo Bento. O resultado são os rumores de uma transferência para o agora milionário Mónaco. À data em que escrevo ainda não há certezas sobre este dossier, mas Marco Silva já é o senhor que se segue no banco de Alvalade.

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por Miran Pavlin às 09:17

Terça-feira, 13.05.14

Sporting 0 - Estoril 1 - O final que ninguém queria

O Sporting sofreu a sua primeira derrota em casa nesta época no último jogo do campeonato, num cenário de partir o coração. Estádio com uma excelente moldura humana, com famílias inteiras desejosas por passar uma tarde agradável com futebol, espectáculo e emoção... e depois pouco aconteceu. O Estoril confirmou ser uma das boas equipas do campeonato, mas a verdade é que jogou como qualquer outra equipa pequena em Alvalade, com o bloco baixo, jogando no erro do Sporting, chegando à vantagem no início do jogo e não voltou a rematar à baliza (zero defesas para Rui Patrício). Já muito foi dito sobre este jogo na blogosfera leonina, mas queria só frisar os pontos que ninguém percebeu: porque é que Jardim insistiu em jogadores que já estão com a cabeça noutro lado (William, Adrien, Carrillo - este último com a cabeça certamente em alguma discoteca ou praia do Peru...) e não premiou alguns jogadores menos utilizados dando-lhes a oportunidade de jogar perante aquele público espectacular. É que se tivesse sido este o caso, e o Sporting tivesse acabado por perder, tudo estaria desculpado. Mas assim, tudo correu mal...

 

A equipa mostrou MAIS UMA VEZ ter poucas soluções para este tipo de jogo, que afinal representa 90% do calendário do Sporting: furar o bloco baixo destas equipas exige criatividade e soluções diversas, que infelizmente não abundam. A entrada de Slimani resolve pouco se ninguém estiver na linha para cruzar, e Montero parece sempre muito perdido em campo quando joga mais recuado. A entrada do messias Shikabala animou as hostes, e por pouco não teve o efeito galvanizante que as entradas de Slimani tiveram há uns meses atrás, mas o Estoril soube congelar muito bem os últimos minutos. 

 

O campeonato acabou, o Sporting ficou em segundo e dadas as circunstâncias, é um resultado positivo. Já fiz a análise do plantel há poucas jornadas atrás, portanto não faz sentido fazê-la de novo, sobretudo porque não há nada relevante para acrescentar. A próxima época será um enorme desafio para esta estrutura em especial se Leonardo Jardim sair, tal como vêm noticiando os jornais nos últimos dias. Jardim teve um papel importante neste Sporting, fazendo crescer uma série de jogadores que andaram perdidos (Adrien, Cédric, Rojo), apostando noutros que ninguém conhecia (William, Mané), integrando jogadores sem currículo (Montero, Slimani, Maurício) e criando um espírito colectivo que se notou bem durante este ano que passou. Não deu para mais, devido a uma série de variadas razões, mas reafirmo que o balanço só pode ser positivo, depois do desastre de 2012/2013. Não creio que a saída de Jardim represente um passo atrás no projecto, embora prefira que ele fique. Contudo caso decida seguir o caminho dos petroeuros (amigos como dantes), consta que a hipótese mais forte é Marco Silva. O seu trabalho no Estoril está acima de qualquer suspeita, sobretudo depois de melhorar a classificação do clube depois de vender metade da equipa do ano anterior. Mas o seu real valor no Sporting é uma incógnita. Preferia José Peseiro... mas confio totalmente no Presidente para fazer esta escolha. 

 

 

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por Kirovski às 11:10



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